sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

A CASA DE CERA

NOTA 9,0

Com cenografia perfeita e
um roteiro bem amarrado,
longa consegue disfarçar os
clichês e dar bons sustos
Um grupo de jovens vagando em um lugar isolado precisa correr contra o tempo para sobreviver aos ataques de um serial killer. Essa linha poderia resumir grande parte das produções de terror não só contemporâneas, mas também de várias décadas atrás. Porém, felizmente, sempre existe algum ser pensante que consegue dar uma cara nova a uma fórmula desgastada. O diretor espanhol Jaume Collet-Serra mostra-se seguro e cheio de boas idéias nesta sua estréia em Hollywood. Alguns anos depois ele se daria bem novamente comandando A Órfã. O segredo das obras do cineasta é o investimento em roteiro e ambientação, pontos geralmente esquecidos em filmes sobre assassinos em série que mais parecem feitos a toque de caixa. A trama realmente poderia ser resumida como a primeira linha deste texto, mas no caso o espectador não se depara com um monte de atrocidades logo de cara. Existe um longo prólogo para nos situarmos a respeito do grupo de jovens e termos subsídios suficientes para mais a frente sofrer ou se alegrar com suas mortes. Aqui também já é revelado um pouco do passado e da vida que leva o assassino da vez, coisa que geralmente só acontece nas conclusões, isso se ainda a produção tiver um mínimo de respeito com o público. Muitas fazem um show sanguinolento o filme todo para no final não haver revelação alguma, apenas o tradicional gancho para uma sequência. A história de A Casa de Cera traz algumas sutis diferenças em relação a outros projetos semelhantes como os protagonistas que não formam um casal de namorados. Carly (Elisha Cuthbert) e Nick (Chad Michael Murray) são irmãos e estão indo com os amigos acompanhar um jogo de futebol americano em uma região afastada. Durante a viagem, eles têm problemas com um dos carros e aceitam a ajuda de um estranho homem que os leva até Ambrose, uma pitoresca cidade que abriga um museu de cera. Ao invés de celebridades, o lugar possui estátuas que representam cidadãos comuns, obras perfeitas de um grande artista local. Porém, quem faz todas elas usa métodos de arrepiar para chegar a tal perfeição.

O bucolismo da tal cidade é de se estranhar e aos poucos os jovens passam a entender o que acontece naquele lugar. Até ai é que reside a engenhosidade do roteiro. Antes de abrir espaço para a sequência de carnificina, temos cerca de quarenta minutos para nos ambientarmos a uma atmosfera que mescla nostalgia e uma falsa tranquilidade, mas obviamente alguns sustos válidos e outros totalmente equivocados não faltam no decorrer desse tempo para preparar o terreno para o que está por vir. Ainda assim, o diretor faz questão de apresentar por meio de vários takes a grandiosidade do cenário dessa cidadezinha e a riqueza de seus detalhes. Igreja, posto de gasolina e até uma sala de cinema, enfim tudo que uma cidade tem está lá com o detalhe que os aparentes habitantes do local têm uma característica um tanto peculiar: todos são estátuas. Elas são criações de Vincent, um rapaz com o rosto deformado que tem um talento enorme para lidar com esculturas de cera, mas que cultiva os piores sentimentos em relação a um ser humano graças a influência de seu irmão Bo. O ator Brian Von Holt se divide nesses dois papéis. Como qualquer vilão desse tipo de filme, esses irmãos possuem problemas psicológicos com raízes na infância, fato explicitado logo nos primeiros minutos. Quando descobrem a presença de carne nova na cidade, a dupla passa a atacar. O cabeça de tudo atrai as vítimas e o deformado é o responsável pela matança. A partir dai o filme segue o caminho comum de Pânico e companhia e a previsibilidade é instaurada, mas ainda assim segurando a atenção graças a um excelente trabalho de fotografia e iluminação basicamente feita por chamas de velas ou totalmente na penumbra. Certamente, um dos momentos mais aguardados por muitos é a morte da personagem de Paris Hilton lá pela metade da projeção. A patricinha aparece praticamente fazendo o papel dela mesma, mas talvez sob efeito de tranquilizantes. Ela está bem calminha e até mesmo na hora de bater as botas não exagera na gritaria. Aos desafetos da moça, não se preocupem, sua participação não arruína tudo. Exigir dela uma atuação digna seria demais, então ela faz o que sabe melhor: mostrar seu corpo e fazer caras e bocas para a câmera.

Apesar dos vários clichês e da previsibilidade, o longa consegue prender a atenção do início ao fim com uma trama bem amarrada e de certa forma até acima da média para o gênero. Os críticos, obviamente, detonam a fita e apontam como seu único mérito o delírio de se ver uma dondoca escandalosa sendo perseguida por um louco. A antipatia deles ainda é maior por a produção ser uma reinvenção de um terror da década de 1950. Museu de Cera foi estrelado por Vincent Price (perceberam a homenagem implícita?) e ao que tudo indica tinha uma carga de dramaticidade psicológica bem mais acentuada e era destinado a um público mais adulto. A refilmagem optou pelo público jovem e a adrenalina. São várias as cenas que merecem destaque como a sequência em que é mostrada como uma pessoa é transformada em estátua ou a curiosa caçada de Bo dentro de um cinema procurando desesperadamente Carly enquanto na tela se projeta o clássico O Que Teria Acontecido a Baby Jane?. Não deixa de ser curioso e engraçado a mistura da tensão presente no ambiente com certa cantoria na projeção. As últimas cenas também são muito bem realizadas e é quase possível se sentir o calor emanado do fogo que consome os cenários. Bem, esmiuçar o filme não adianta, é preciso ver com os próprios olhos. Só o detalhamento e o capricho dos cenários e adereços já valem uma espiada. Apesar de ter sido lançado há um tempo considerável, ainda tem muita gente que não teve a coragem de assistir A Casa de Cera por medo ou preconceito, mas é uma produção que sem dúvida garante uma boa sessão de cinema sem compromisso aos adeptos. Ninguém pode se queixar de não ter sentido ao menos uma vez o corpo arrepiar ou ficar inquieto. Desculpem o trocadilho, mas, perto de muito terror que é lançado todos os anos, o longa derrete seus concorrentes facilmente como cera na panela.

Terror - 113 min - 2005 - Dê sua opinião abaixo.

3 comentários:

Rafael W. disse...

Nojento e divertido.

http://cinelupinha.blogspot.com/

marcos disse...

A Casa de Cera é um filme trash, daqueles básicos dos anos 80, apesar dos efeitos especiais e ter uma patricinha ultra famosa, o roteiro é bem fraco, em relação aos mesmos filmes do gênero. Eu recomendo assistir qdo vc não tiver outra opção de filme...

Marcos antonio disse...

Apesar de não ser o melhor filme de terror, como dito na crítica traz detalhes e elementos que não estão mais presentes neste tipo de filme que praticamente se tornou produto do mercado cinematografico. Ainda assim considero nos termos apresentados um filme fraco.

Regular

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