segunda-feira, 11 de junho de 2012

LOUCAS POR AMOR, VICIADAS EM DINHEIRO


NOTA 6,5

Comédia segue bem por
quase toda sua duração
com enredo previsível,
simples e perfeito para TV
Filmes sobre roubos e golpes a bancos e a milionários podem ser praticamente considerados subgêneros de ação, suspense e até de comédias. É bem grande a lista de títulos que investem em tais temas, desde bobagens lançadas diretamente em DVD protagonizadas por atores novatos ou fracassados até produções milionárias e com elenco de peso. As mulheres também têm vez nesse filão, mas geralmente repetem os papéis. Elas podem ser gostosonas que seduzem bobões bem de vida ou mal amadas cheias de grana que se apaixonam pelo primeiro vigarista que lhe dê um mínimo de atenção. Desde o boom das fitas VHS filmes do tipo já sofreram as mais diversas modificações e as fórmulas já foram requentadas a perder de vista, sendo que hoje dificilmente um trabalho do tipo surpreende sendo resumido a um passatempo indolor e perfeito para passar uma tarde de pernas pro ar ou chuvosa. Vendo por esse lado, o do puro entretenimento, é curiosa a enxurrada de críticas negativas que recebeu Loucas Por Amor, Viciadas em Dinheiro, uma comédia ligeira e que funciona bem em quase toda sua duração. A história começa nos apresentando à Bridget Cardigan (Diane Keaton), uma dona de casa de classe média que é surpreendida com a notícia de que pode perder sua casa e seu confortável estilo de vida quando seu marido Don (Ted Danson) é rebaixado de posto em seu trabalho. Tentando evitar que isto aconteça, ela resolve procurar um emprego, mas o problema é que ela nunca fez atividade alguma fora de casa, sempre viveu como uma dondoca. Com sorte ela acaba conseguindo um trabalho como zeladora no Federal Reserve Bank, o Banco Central americano, um local onde o que não falta é dinheiro. O problema é que as cédulas que estão dando sopa por lá vão parar no lixo pelo simples fato de estarem desgastadas. Para Bridget isto é um desperdício e logo ela bola um plano para conseguir roubar algumas notas, afinal de contas elas já não têm serventia para os donos da empresa, mas para a faxineira elas significariam a salvação de seu padrão de vida. Após fazer amizade com Nina Brewster (Queen Latifah), uma mãe solteira, e Jackie Truman (Katie Holmes), uma jovem avoada que nada tem a perder ou a quem dar satisfações, Bridget coloca em prática seu engenhoso plano. Ela é responsável pela limpeza e tem acesso a praticamente todos os cantos do banco. Já Jackie leva os carrinhos com o dinheiro coletado até Nina que por sua vez tem a missão de acionar a máquina que tritura as cédulas. Cansadas de serem sempre subestimadas, cada uma tem agora a chance de se sentir importante em algo e ainda lucrar com isso, mas a rápida mudança de vida do trio e seus excessos de compras chamam a atenção dos agentes fiscais que passam a investigá-las. O que era para ser um único roubo acabou se transformando em um hábito.

Contradizendo o ditado que diz que dinheiro não traz felicidade, o filme assinado por Callie Khouri, que tem um Oscar em casa pelo roteiro de Thelma e Louise e dirigiu o bonitinho Divinos Segredos, mostra que dinheiro compra sim alegrias, mas também acarreta uma série de problemas quando usado de maneira incorreta e ainda mais quando é adquirido de forma ilegal. A idéia de enriquecer rapidamente fascina milhares de pessoas, mas é sempre bom lembrar que da mesma maneira que lucros vêm facilmente com rapidez igual ou maior ainda pode se perder tudo. Claro que para os políticos e pessoas influentes as falcatruas podem até serem descobertas, mas logo panos quentes são jogados nas situações. Porém, quando quem comete o crime é do povão a história é bem diferente. Pois é justamente quando as damas do crime são descobertas que o caldo entorna neste filme perdendo bastante sua veia cômica. A trama torna-se rocambolesca e algumas situações destoam no conjunto. Ainda bem que a parte criminal do enredo não é demorada, até porque ela é razoavelmente disseminada durante todo o longa através de interrogatórios. Todavia, o problema mais apontado deste trabalho, fora sua previsibilidade, é o fato da história simplória não ser ao menos reforçada por personagens fortes. A cabeça do elenco, Diane Keaton, está em casa repetindo seu velho papel de mãe de família com um quê de tresloucada. Ela usa e abusa de sinais, caretas e chiliques para se safar de problemas e divertir o público, assim como Queen Latifah que aqui aparece mais comedida. Muitos não gostam de sua interpretação, mas é bom lembrar que desde o início do filme ela mostra que sua personagem preza sua honra e quer ser um modelo à sua família já que não tem um marido a quem seus filhos possam ter como exemplo. Se ela entrou de gaiato na história dos “roubos sem rastros” o mesmo não se pode dizer da insossa Katie Holmes que também têm seus bons momentos e deixa um pouco para trás a aura de mocinha sem sal que se acostumou a interpretar. No enredo escrito por Glen Gers, que escreveu o texto do elogiado suspense Um Crime de Mestre, as mulheres brilham, mas o elenco masculino é jogado pra escanteio. Ted Danson é ressuscitado e adota um visual a la Steve Martin, mas não tem mais fôlego para comédias. Adam Rothenberg e Roger Cross fazem pares respectivamente com Katie e Latifah, mas também vivem personagens bem apagadinhos que só ganham importância quando a falcatrua é descoberta.

Apesar dos primeiros minutos serem dedicados a expor parte do final da trama para então desenrolar as situações que levaram os personagens até tal estágio de literalmente torrarem dinheiro ou jogá-lo pela janela, um recurso bastante conhecido do cinema, o resto da projeção adota uma estética de filme feito para a TV, por isso não é de se estranhar que no aconchego do lar a produção pareça perfeita para um lazer sem compromisso. O próprio projeto foi inspirado em um trabalho da televisão britânica intitulado “Hot Money” e foi justamente para as telinhas caseiras (para alguns telões cheios de firulas) que esse produto foi feito, mais especificamente pensando no público feminino que comumente acompanha os companheiros na hora de ver um filme de assaltos, mas sempre se sente depreciada por não ver mulheres comuns na tela e sim ninfomaníacas que servem apenas para seduzir vítimas. Por isso a inversão de papéis proposta por Glen em seu texto é bem-vinda. Aqui são mulheres do povão que passam por dificuldades financeiras e que acabam caindo no mundo do crime por acaso enquanto seus respectivos cônjuges são meros pretextos para uma ou outra rusga ou piada. Embora adote uma estrutura convencional, a narrativa não é das piores. Quem não presta atenção em pequenos detalhes pode se perder na história de como o roubo do dinheiro foi planejado e como o trio de empregadas e seus cúmplices foram pegos. A própria edição pode causar esta confusão já que os fatos são contados a partir dos relatos de todos os envolvidos no roubo após serem capturados pela polícia, mas são cenas muito curtas e que poderiam ser dispensadas. Outra coisa que pode não agradar são as constantes defesas dos personagens sobre os crimes que cometeram. Se o governo vai jogar mesmo o dinheiro, não vai fazer falta, qual o problema dele ser usufruído por quem precisa? Eles batem nessa tecla tentando dar explicações de diversas formas e só faltou dizer que eram os Robin Hoods da era moderna roubando dos ricos para dar aos pobres. Todavia, como já dito, Loucas Por Amor, Viciadas em Dinheiro funciona muito bem como entretenimento rápido e provoca algumas boas gargalhadas sem constranger o público com humor grosseiro ou apelativo, coisa rara no gênero nos dias atuais. O fato de ter sido lançado no Brasil em cinemas e com um título horroroso contribuiu para que o longa fosse massacrado pela crítica e até mesmo pelo público, mas, convenhamos, há coisas bem piores para serem achincalhadas. Alguém se lembra em que número está a série American Pie? Sem dúvida um farto material para ser pisoteado e lembrado na hora de avaliarmos produções rotuladas como comédias.

Comédia - 89 min - 2008 - Dê sua opinião abaixo.

Um comentário:

Rafael W. disse...

Particularmente, detestei esse filme.

http://cinelupinha.blogspot.com/

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