segunda-feira, 19 de março de 2012

TÁ TODO MUNDO LOUCO!

NOTA 9,0

Apostando em piadas
esdrúxulas e outras muito
inteligentes, longa resgata
humor típico dos anos 80
Whoopi Goldberg, Cuba Gooding Jr, John Cleese, o eterno Mister. Bean, o ator Rowan Atkinson, e mais um punhado de artistas que você não sabe o nome, mas tem certeza de que já os viu em diversas comédias. Imaginem todos eles juntos em um mesmo filme. Seria o circo dos horrores?  Para muitos sim, mas não há como negar que Tá Todo Mundo Louco! provoca boas gargalhadas. Assumidamente uma comédia do tipo besteirol, a julgar pelos créditos iniciais com o manjado truque de bonequinhos animados para apresentar o elenco, prestando bem atenção podemos encontrar piadas inteligentes jogadas em meio a amalucada narrativa sobre uma excêntrica gincana. Um grupo de bilionários liderados por Donald Sinclair (Cleese), que adora jogatinas e apostas, resolve inventar um novo jogo, uma espécie de reality show. Eles escolhem aleatoriamente algumas pessoas que se hospedaram em um hotel-cassino, como Owen (Gooding Jr.), Vera (Whoopi) e Enrico (Atkinson), e propõem a elas um caça ao tesouro. A vários quilômetros do hotel, no Novo México, está escondida uma grande quantia de dinheiro em uma estação do metrô e ela será dada a quem chegar ao local primeiro. Assim os escolhidos, junto com amigos ou familiares, partem em uma louca disputa, cada grupo seguindo um caminho diferente, mas enfrentando situações igualmente bizarras. Enquanto isso, os ricaços se divertem acompanhando o trajeto de cada um através dos chips que colocaram nas chaves que foram dadas aos participantes. A partir do sinal da largada, tudo pode acontecer e entram em cena todos os tipos de piadas. Escatológicas, surreais, inteligentes, sarcásticas e inocentes. Desde o duplo sentido da introdução mostrando um rapaz sendo cobrado em voz alta por ter pedido filmes adultos no hotel, deixando no ar se ele realmente os pediu ou era uma cobrança abusiva, até um personagem que de uma hora para a outro começa a dormir, a única certeza é que as pessoas de todas as idades irão se deparar com um farto cardápio de humor.  

O roteiro é repleto de piadas de mau gosto e os personagens são verdadeiros imbecis, mas não é preciso ser tão radical. É preciso analisar a proposta do trabalho para não sermos injustos com um produto que alcança seus objetivos com folga. A idéia do diretor Jerry Zucker, o mesmo que no passado fez muito sucesso com comédias como Apertem os Cintos o Piloto Sumiu e Corra Que a Polícia Vem Aí, era fazer humor escrachado, daqueles que divertem do início ao fim principalmente investindo no humor visual e absurdo. A cada minuto é disparada uma nova piada, umas excelentes, algumas ruins e outras tantas de gosto duvidoso, mas é inegável que existem boas sacadas no enredo escrito por Andy Breckman, autor que por anos foi roteirista do famoso programa de TV “Saturday Night Live”. Ele foi muito habilidoso ao trabalhar com diversas tramas paralelas e conseguir dar espaço semelhante para todo o elenco brilhar e deixar sua marca através de personagens estereotipados e careteiros. Estas características poderiam ser o calcanhar de Aquiles deste trabalho, mas aqui elas se encaixam perfeitamente à história e aos seus intérpretes. Os atores, como já dito, já estão habituados ao campo de humor, mas talvez raramente tenham tido tantos momentos divertidos em um mesmo trabalho. Algumas situações são bem interessantes como a citação ao Museu da Barbie que na verdade é um local que homenageia um representante do nazismo cujo sobrenome, ironicamente, é o mesmo da famosa boneca e as cenas de uma excursão do clube das fãs do seriado "I Love Lucy". Whoopi e a atriz Lanai Chapman, que interpretam mãe e filha que estão se reencontrando após quase trinta anos de afastamento, foram premiadas com duas grandes sequências. O que era para ser um encontro muito emocionante entre elas acaba virando uma verdadeira loucura. Elas não compram um esquilo durante a gincana (Kathy Bates faz uma rápida e feliz participação nessa parte) e se arrependem amargamente. Depois embarcam em um teste de uma super aeronave e acabam se misturando a uma turma de malucos e deficientes. É praticamente impossível descrever tudo que acontece a cada personagem. E não é só por estragar a conclusão de cada furada deles, mas também porque só vendo para crer que tantos absurdos juntos funcionem e nos façam gargalhar.
 
Entre as piadas tolas, mas ainda assim engraçadas, estão a inserção de uma vaca para atrapalhar os planos de dois irmãos e um coração para transplante que é manuseado à exaustão e até serve de bola para entreter um cachorro vira-lata. Loucura demais? Repetindo, só vendo para crer que tanta bobeira junto resulte em um filme acima da média. Lançado em 2000, esta comédia já era um estranho no ninho. Já faz alguns anos que o cinema está carente de produções de humor de verdade. Ou assistimos verdadeiras aberrações protagonizadas por adolescentes que só pensam naquilo ou protagonizando paródias mal feitas de sucessos do cinema ou então temos que fingir nos divertir com produtos pseudo-artísticos que são rotulados de humor inteligente ou crítico. Até que a consagração de uma nova vertente do gênero, as comédias sobre crises de meia-idade, conseguem nos fazer dar boas risadas, mas faz falta o humor anárquico e ao mesmo tempo inocente tão característico dos anos 80 e que Zucker resgatou com Tá Todo Mundo Louco!. Além de ótimos momentos e produção impecável, vale destacar a mensagem subliminar e crítica do enredo. De forma bem humorada é exposta a ganância do ser humano e o individualismo tão comum em nosso cotidiano. Na conclusão, somos presenteados com uma bela lição de solidariedade, embora sobre alfinetadas para as tão famosas campanhas de doações financeiras do tipo “Teleton” e “Criança Esperança”. Enfim, numa visão geral, se comédia significa filme que faz rir, gargalhar, então esta produção é um bom exemplar do gênero, pois para quem se entrega às loucuras da trupe o riso é garantido e contínuo até o final. Deixe o espírito de crítico carrancudo de lado, coloque o cérebro para descansar e aproveite ao máximo essa louca viagem.
 
Comédia - 112 min - 2001 - Dê sua opinião abaixo.

3 comentários:

Rafael W. disse...

Filme divertidissimo. E possui uma ótima mensagem.

http://cinelupinha.blogspot.com/

Mateus Souza disse...

Sou da parte que acredita que pode-se fazer um filme leve, sem muitas pretensões intelectuais, mas com qualidade. Esse não é bem o caso. Triste de ver John Cleese nesse tipo de produção.

=]

marcos disse...

kkkkkkk, amooooooooo, que viagem maluca pela ganância hein, e que final atípico..., enfim é um roteiro tantã recheados de preconceitos típicos, (mas quem não os tem alguma vez na vida),... minha cena predileta, são dos esquilos, recomendo para uma sessão da tarde, com uma boa pipoca e guaraná...

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