quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

MEDITERRÂNEO

NOTA 6,5

Vencedor do Oscar de
filme estrangeiro em 1992
lança olhar diferenciado
sobre a Segunda Guerra
O cinema italiano vira e mexe entra nas listas de indicados ao Oscar e por várias vezes ultrapassa as barreiras impostas aos filmes estrangeiros e conquistam indicações em outras categorias. Mas as vezes só o trofeú principal da categoria dedicada aos títulos falados em outros idiomas que não o inglês parece não ser o bastante como neste caso. Mediterrâneo está longe de ter a pinta de clássico como Cinema Paradiso ou A Vida é Bela, mas tem o seu valor. A trama se passa durante a Segunda Guerra Mundial quando um grupo de oito soldados italianos é destinado a ocupar Mighisti, uma ilha grega no mar Mediterrâneo. Embora saibam que o local não tem importância estratégica, eles cumprem as ordens sob o comando do tenente Montini (Claudio Bigagli) e do sargento Lorusso (Diego Abatantuono). O lugar parece desabitado e os militares passam a aproveitar o sossego e a beleza da ilha, já que não têm como voltarem e nem como se comunicar com seus superiores. Com o tempo, os habitantes retornam e uma convivência cordial entre italianos e nativos se estabelece. Os soldados se surpreendem inclusive com a oferta de uma das mulheres da ilha. Vassilissa (Vanna Barba) se apresenta como prostituta e oferece seus serviços aos homens solitários que imediatamente aceitam, exceto Antonio Farina (Giuseppe Cederna), um homem que se encanta pela moça. O respeito com que ela a trata deixa essa mulher estarrecida. Assim surge a possibilidade de Antonio e Vassilissa mudarem os rumos de suas vidas.   

A Itália já ganhou diversas vezes o prêmio máximo do cinema e algumas obras marcantes atravessam o tempo sendo cultuadas, como Cinema Paradiso e A Vida é Bela, mas nem todos os títulos que faturam a tão famigerada estatueta do Oscar, entre tantos outros prêmios, consegue manter seu nome em evidência com o passar dos anos. Este é o caso desta produção praticamente ignorada atualmente. Na época ele até realmente poderia ter significado muito e até ser bem melhor que outros tantos produzidos nas mais diversas partes do mundo, mas é certo que hoje se encontra justificativas para seu ostracismo. A história não é ruim, é bem conduzida, tem uma excepcional fotografia e apresenta um lado ameno da Segunda Guerra Mundial, ficamos sabendo que pelo menos algumas pessoas foram felizes em um período triste e cheio de atrocidades da história. O fato é que a obra envelheceu, o conteúdo deixa um pouco a desejar se comparado a outros títulos italianos lançados nos últimos anos, as atuações não são marcantes e a duração enxuta, apesar de eficiente, deixa a sensação de que faltou algo mais para transformar esta obra em algo célebre. Agora, se você assiste sem pensar em outras produções e até se esforçando para tentar imaginar como era o cenário cinematográfico do início dos anos 90, principalmente para as produções estrangeiras, aí sim o filme muda de figura e fica um pouco acima do patamar de regular, mas ainda assim longe de excelente.

A história é baseada em relatos reais contidos em um livro escrito por um sargento italiano que abandonou o regimento durante o período de guerra e passou a viver em uma paradisíaca ilha grega. Qualquer semelhança não é mera coincidência. O cineasta Gabriele Salvatores levou sua equipe de atores e produção para uma ilha onde realmente não existiam hotéis, restaurantes ou qualquer coisa que lembrasse a contemporaneidade. A intenção era que todos experimentassem as mesmas angustias e sentimentos dos personagens em meio a uma terra simplória e pobre. Talvez o sucesso da produção na época se deve ao enfoque dado a guerra. Enquanto Hollywood criava dezenas de títulos exaltando os combates, as torturas e mortes do período, Salvatores imprimiu a sua obra um tom antimilitarista, já que fica claro que os militares do filme não se identificam de forma alguma com o conflito em vigor e tentam de todas as formas arranjar desculpas para não lutar. Ficar na ilha por alguns meses poderia ser como um castigo, mas acabou sendo uma benção a eles. Em resumo, vale a pena conferir Mediterrâneo pela inocência e leveza que lança sobre uma passagem histórica mundial que certamente todos temos em mente em tons acinzentados. É a chance de vermos as coisas de forma mais ensolarada e positiva.

Vencedor do Oscar de filme estrangeiro

Alternativos - 89 min - 1991 - Dê sua opinião abaixo.


Um comentário:

renatocinema disse...

Sou fã de filmes italianos e esse sempre deixei para amanhã. Acho que chegou o dia para ver.

Abraços

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