quinta-feira, 22 de março de 2012

MILAGRE NA CABANA

NOTA 8,0

Drama religioso pega
espectador de surpresa
com trama emocionante
e belas mensagens
Para muita gente, quando se fala em cinema cristão, evangélico ou qualquer um ligado a um forte culto religioso, logo vem a cabeça a idéia de figuras bíblicas, como os famosos filmes sobre os apóstolos de Jesus Cristo, ou produções que tem o intuito de convencer quem assiste a passar a frequentar a igreja para conseguir a salvação ou melhorias de vida. O preconceito de boa parte do público tem fundamento, afinal hoje em dia a religião ganhou contornos de empresa que necessita das colaborações financeiras dos fiéis, das vendas de álbuns de canções gospel e dos aluguéis de espaço na TV. Deixando esses bastidores polêmicos de lado, o fato é que nos últimos anos tem chegado com mais facilidade ao mercado produções com belas lições de vida que escamoteiam o teor religioso de seus enredos e são vendidas em embalagens de luxo sendo praticamente impossível rotulá-las como produtos religiosos a julgar por seus títulos e materiais publicitários. O mercado está tão animado com os resultados desse nicho que muitas distribuidoras multinacionais estão investindo na importação de títulos do gênero e até empresas nacionais especializadas no ramo já foram criadas. Desafiando os Gigantes, A Virada e À Prova de Fogo são alguns títulos que se tornaram uma febre entre cristãos e evangélicos que trataram de fazer a propaganda boca-a-boca e logo esses filmes passaram a ser alguns dos mais procurados nas locadoras (eles não passaram em cinema). Até mesmo quem não se interessa por religião acaba se sentindo instigado a conferir tais recomendações. O segredo para tanto sucesso é trazer a tona mensagens reconfortantes e bonitas, passando de leve pela intenção de impor a dedicação à religiosidade como algo necessário para vivermos em paz e com felicidade. Milagre na Cabana é mais uma prova que o cinema de cunho religioso está cada vez mais maduro e se tornando universal.
A história é sobre duas irmãs, Wanda (Patricia Heaton) e Sarah (Meredith Baxter), que nunca se entenderam muito bem e há vários anos não se viam. O reencontro acontece por causa do falecimento da mãe e agora elas estão se desentendendo por causa da repartição da herança. Sarah fica apenas com uma pequena lembrança afetiva, mas quer a todo custo ter os direitos sobre um terreno que não consta no testamento. As irmãs visitam o local e descobrem que há uma idosa vivendo em uma cabana em suas terras. Lilly (Della Reese) é uma senhora que oscila entre momentos de lucidez e outros de insensatez, mas nem suas condições de vida precárias são o bastante para amolecer o coração da ambiciosa Sarah que quer vender aquelas terras mesmo sem a concordância da irmã. O apreço de Wanda pela velhinha aumenta quando sua sobrinha Gina (Anna Chlumsky) faz amizade com a idosa e consegue informações sobre o passado de sua família. Com a proximidade de uma pessoa vivida, essas mulheres têm a chance de transformar suas vidas com os conselhos e lembranças da velha senhora que, mesmo passando muitas dificuldades e estando perto da morte, não perde as esperanças de rever seu filho que lhe tiraram quando ele ainda era um bebê. Por esta sinopse nem dá para perceber as origens religiosas da produção. Simplesmente é uma bela história que traz uma mensagem positiva e necessária ligada aos conceitos de compreensão, solidariedade e amor ao próximo.
O enredo mostra-se eficiente, emocionante e consegue envolver o espectador facilmente independente de suas crenças. Mesclando a época atual com alguns flashbacks de décadas passadas para explicar o drama da velha habitante da tal cabana, o filme passa despercebido pelo rótulo de religioso e os desavisados nem devem notar esse fato. Aos que já estão cientes antes de assistir, claro que é preciso se livrar de preconceitos para apreciar esse tipo de produção, senão fatalmente você ficará procurando defeitos e deixará de apreciar a simplicidade da obra. Esqueça a idéia de que irá assistir um produto que quer convencê-lo a procurar a igreja mais próxima para conseguir a salvação de seus problemas. As mensagens que ficam são de amor, união, solidariedade e esperança, ensinamentos que todos podemos adquirir e colocar em prática sem a necessidade de freqüentar um lugar específico para rezar ou se dedicar a caridade. Claro que aos mais críticos esta obra é totalmente dispensável e piegas. Sim, assumidamente clichê e lacrimosa a produção mira em um público que procura emoções fáceis e conquista uma grande quantidade de espectadores que talvez não imaginasse chamar a atenção. Tanto na estética quanto na condução da trama, passando pela edição e interpretações, tudo aqui é muito próximo ao que se espera de um filme feito para a TV ou os chamados de suporte, aqueles que são lançados exclusivamente para abastecer o mercado de locação e vendas diretas ao consumidor, mas esses são detalhes irrelevantes. O fato é que o diretor Arthur Allan Seidelman trabalha bem e construiu um filme que cumpre bem seus objetivos e talvez supere em qualidade e ritmo algumas produções com atores famosos e que são exibidas no cinema. Aos apreciadores de drama rasgado e narrativa novelesca, Milagre na Cabana é uma excelente pedida, mas todos deveriam conferir pelo menos para extinguir a idéia de “religião a delivery” e dar um voto de confiança a esse tipo de cinema que tem futuro. Pelo menos platéia cativa já tem.
Drama - 90 min - 2008 - Dê sua opinião abaixo.

Um comentário:

Cristiano Contreiras disse...

Nunca tinha ouvido falar, a premissa, pelo que me parece, é interessante. Ótimo blog, sempre! abs

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