terça-feira, 31 de janeiro de 2012

LOPE

NOTA 8,5

Cinebiografia de poeta
espanhol é convencional,
mas eficiente e com um
belo visual barroco
O cinema brasileiro está cada vez mais ganhando espaço em outros países, com direito a participações em festivais e não tendo sua distribuição restrita apenas ao período de premiações quando batalhamos por certa cobiçada estatueta dourada. Dessa forma, o talento de nossos atores, diretores e equipes técnicas também têm conquistado o respeito e a admiração do público, crítica e, principalmente, de quem faz cinema em todos os cantos do mundo. A prova disso é que frequentemente encontrarmos nos créditos de muitas produções internacionais os nomes de alguns brasileiros. Este é o caso de Lope, uma requintada produção de época européia dirigida por Andrucha Waddington, o homem por trás das câmeras de Eu, Tu, Eles e Casa de Areia. Mesmo não possuindo uma extensa filmografia, alguns de seus trabalhos chegaram a ser exibidos em importantes festivais internacionais e chamaram a atenção. Nesta co-produção entre Brasil e Espanha o cineasta mantém o mesmo bom nível de seus trabalhos anteriores e sem inovações, mas isso não faz esta obra ser um projeto menor em seu currículo, pelo contrário, ele se mostra maduro e confiante para contar a história de uma personalidade do mundo das artes pouco conhecida fora do território espanhol. Felix Lope de Verga (Alberto Ammann) é um jovem e galanteador poeta que deseja ter seus trabalhos reconhecidos e não mede esforços para conseguir o que quer. Em meados do século 16, o dramaturgo volta da Guerra dos Açores para Madri decidido a não lutar mais pelo seu país natal e querendo seguir seu sonho de com seus textos modificar a cara das produções teatrais unindo humor e drama em uma mesma história. Para tanto ele busca a ajuda do antipático empresário teatral Jeronimo Velázquez (Juan Diego), mas convencê-lo de seu talento não é uma tarefa fácil, porém Elena (Pilar López de Ayala) pode ser a salvação do rapaz. Filha do empresário, ela logo se sente atraída por Lope e começa um romance às escondidas, já que ela é usada pelo pai para conseguir favores de homens ricos e o próprio escritor passa a ter seu trabalho explorado. Enquanto isso, o dramaturgo também se envolve com outra mulher, Isabel (Leonor Watling), uma amiga de infância de família recatada. O Marquês de Navas (Selton Mello) se apaixona por ela e contrata o poeta para escrever versos para conquistá-la, mas não demora muito e a moça descobre o verdadeiro autor das palavras amorosas. Desafiando regras e barreiras sociais e sem pensar nas consequências, Lope acaba despertando a ira de muita gente.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

SECRETARIAT - UMA HISTÓRIA IMPOSSÍVEL

NOTA 7,0

Drama aposta na velha
fórmula da resolução dos
conflitos familiares através
do convívio com um animal
Beisebol, tênis e futebol americano. Estes são os esportes preferidos dos ianques, mas pode ser acrescentado nesta lista o hipismo. Só assim para explicar a quantidade de títulos sobre cavalos de corrida já lançados. Para muitos esse tipo de filme é coisa do passado, mas vira e mexe algum novo surge. Será que existe público ainda afim dessa temática? Bem, se eles são produzidos é porque existe um nicho interessado. O grande problema desse tipo de produção é também seu grande trunfo. Sempre as historinhas de bichinhos que não falam uma palavra sequer precisam de algum artifício para chamar a atenção. Quando não existe a tagarelice dos bichanos para divertir a criançada e fazer os pais descansarem um pouco, é preciso investir no drama familiar que agrada aos mais velhos e ainda serve para passar algumas boas lições de vida aos guris. É nesse viés que segue a trama de Secretariat - Uma História Impossível, história que se passa na década de 1970. Quando seu pai adoece, a dona de casa Penny Chenery (Diane Lane), que não entendia nada sobre competições de cavalo, concorda em assumir os negócios da família. Agora ela é a dona de um estábulo que precisa ser reerguido e ainda enfrentar um mundo dominado por homens do qual ela era alheia até então. Empolgada com o desafio, ela procura a ajuda do experiente treinador de cavalos Lucien Laurin (John Malkovich) para treinar Secretariat, que aparentemente prometia pouco, mas acaba se tornando a grande aposta do estábulo. Inicialmente ele resiste, mas acaba aceitando a proposta. O sucesso do animal nas competições é extraordinário o que anima ainda mais Penny, porém sua dedicação ao trabalho pode atrapalhar sua vida pessoal e seu relacionamento com o ciumento marido Jack Tweedy (Dylan Walsh).

domingo, 29 de janeiro de 2012

PEQUENOS GRANDES ASTROS 2

Nota 4,0 Repetindo basicamente o enredo do original, longa torna-se cansativo e sem propósitos

Por que produtores resolvem investir em continuações quando não há de nada de novo a se acrescentar a história original? Pior ainda, por que gastar dinheiro em uma segunda parte quando a primeira não foi um sucesso? Bem, se a produção em jogo tiver apelo infantil eis as respostas para estas perguntas. Pais desesperados por alguns minutos de sossego pagam o que for preciso para levar os filhos ao cinema ou mantê-los ocupados diante da TV, assim qualquer bobagem classificação livre tem chances de faturar alguns trocados. Só assim para explicar a existência de Pequenos Grandes Astros 2 estrelado por novos personagens, mas no fundo repetindo a mesmíssima história do longa anterior e suas lições de moral. Jerome Jenkins Junior (Jascha Washington) é um pré-adolescente aficionado por basquete e seu pai, conhecido como Duplo J (Michael Beach), foi um excelente jogador amador, mas perdeu a chance de virar um profissional do esporte e caiu no ostracismo.  O filho está decidido a honrar o passado do pai, porém, Lydia (Enuka Okuma), sua mãe vê com ressalvas a carreira esportiva para o filho devido a sua baixa estatura e imaturidade. Por seus pais serem separados, Jerome nunca teve muito contato com o pai e vê nesta decisão a chance de se reaproximar. Vamos agora as similaridades mais gritantes do roteiro de Keith Mitchell e Allie Dvorin em relação ao filme original. Certo dia, o menino encontra por acaso um par de tênis pendurados em um poste com as iniciais MJ, automaticamente identificadas como sendo a abreviação do famoso Michael Jordan. Munido de coragem e seus calçados, ele decide se inscrever em um campeonato de seu bairro, mas na hora H acaba ficando apenas na plateia, porém, quis o destino que ele pisasse em quadra para provar do que era capaz. A bola em determinado momento acaba sendo desviada para o seu lado e ele a arremessa de volta acertando em cheio a cesta, assim provocando a ira dos finalistas da competição que o desafiam a vencê-los. Obviamente o garoto dá um show vencendo os gigantes fortões e chama a atenção do treinador Archie (Blu Mankuma) que o convida para passar o verão treinando com seu time, o Game On. Jerome se anima, a mãe coloca obstáculos, mas acaba sendo convencida por Ray (Kel Mitchell), um jovem bobalhão e preguiçoso que foi agregado a família.

sábado, 28 de janeiro de 2012

PEQUENOS GRANDES ASTROS

Nota 6,0 Previsível e esquemático, longa cumpre objetivo de entreter e passar lições aos guris

No Brasil costumamos ficar com um pé atrás quando um cantor se aventura nas artes dramáticas e vice-versa, mas nos EUA isso é muito comum e apreciado. O que é ruim é quando alguém da área musical resolve fazer do cinema uma extensão do palco ou simplesmente um veículo para sua autopublicidade como foi o caso do lançamento de Lil’Bow Wow como ator. Quem? Shad Gregory Moss, ou simplesmente Wow, hoje pode ser apenas um nome, mas em um passado não muito distante ele era uma promessa de superstar em solo americano. Rapper profissional desde os três anos de idade, aos 15 ele já tinha seus videoclipes entre o mais pedidos na MTV. Dizem que no Brasil a Globo manda, então não seria errado dizer, guardada as devidas proporções, que o canal adolescente dita regras e modismos entre os ianques, assim a promessa de astro (e aquele que ajudaria a sustentar a emissora por alguns anos) teria que expandir seu público estrelando seu próprio filme. E assim surgiu Pequenos Grandes Astros onde o rapper não tem seu momento popstar em um palco, mas sim em uma quadra esportiva, porém, sem precisar fazer esforços para atuar já que os produtores procuraram recriar parte de seu mundo na tela. E não é que ele convence. Wow dá vida à Calvin Cambridge, um garoto que vive em um orfanato, mas que já está ficando “velho” para ser adotado, assim seu sonho de ter uma família feliz típica de seriado de TV está se esvaindo. Contudo, o espaço vazio está sendo preenchido por outra fantasia: ser um famoso jogador de basquete. Certo dia, enquanto vendia doces para arrecadar fundos para a instituição, ele tem a sorte de conhecer Wagner (Robert Foster), o treinador dos Knights, o time de seu coração. Comovido, o esportista acaba lhe dando ingresso para assistir a um jogo. Um dia antes da partida, mais uma surpresa do destino. Em meio a uma doação de roupas ele encontra um par de tênis com as iniciais MJ, o que significaria que o calçado era dos tempos em que Michael Jordan também sonhava em ser um astro do esporte. Que sorte não? Eles servem direitinho para Calvin, mas uma confusão acontece e eles ficam presos nos fios da rede elétrica. De madrugada, mesmo chovendo forte, ele resolve ir pegá-los e acaba levando um choque. Ganha um doce quem descobrir o restante.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

CISNE NEGRO

NOTA 10,0

Obra alia drama, suspense,
psicologia, arte e
entretenimento para falar
sobre a busca da perfeição
Buscar a perfeição em tudo o que fazemos é um objetivo que provavelmente todos sempre querem alcançar, mas muitos passam dos limites e acabam enlouquecendo. A obsessão desloca a pessoa da realidade e a leva a um mundo onde o real e o fictício se misturam e não se sabe onde um termina e o outro começa. O cultuado cineasta Darren Aronofsky não deve ter enlouquecido, mas buscou e conseguiu a perfeição com Cisne Negro, um trabalho que reuniu drama e suspense nas doses certas e que é um ótimo exemplo de que arte e entretenimento podem caminhar juntos. O longa é praticamente um thriller psicológico que divide opiniões. Muitos o cobrem de elogios e outros o insultam sem piedade, inclusive apontando erros onde não tem, por exemplo, ao tocar no assunto homossexualismo, um preconceito um tanto ultrapassado. Quem recrimina esta produção precisa assisti-la com mais atenção e livre de pré-julgamentos. É bem diferente analisar um filme pelo que os outros dizem e quando podemos julgar por aquilo que nós mesmos constatamos. Declaradamente artística esta obra conta com um trabalho de iluminação e edição essenciais para dar o clima de tensão que combinado com a bela e relativamente escura fotografia levam o espectador a um passeio por um mundo perturbador e angustiante, principalmente nos minutos finais quando a trama ganha uma forte densidade dramática e uma dose extra de adrenalina. Poucos diretores conseguem envolver o espectador usando histórias relativamente simples, mas que se tornam complexas conforme o andamento da trama, um verdadeiro turbilhão de emoções. Aronofsky, acostumado a narrativas de conteúdo forte e reflexivo como Réquiem Para um Sonho, parece gostar de explorar o quanto elementos externos influenciam um indivíduo para chegar ao sucesso de forma sadia ou degradando-o física e mentalmente. Em O Lutador, por exemplo, ele mostra o resgate da carreira de um boxeador que há muitos anos sofria com a rejeição da filha e a incapacidade de manter relacionamentos estáveis. Ainda em busca de esmiuçar o ápice de um profissional, aqui o cineasta aponta sua câmera para o mundo do balé, mais precisamente para uma bailarina em específico que deixou que as cobranças para que ela atingisse resultados excepcionais em sua arte a levassem a adquirir um quadro de problemas psicológicos sérios.  

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

O SEGREDO (2007)

NOTA 3,0

Flertando entre o suspense
e o drama, o filme aborda
muitos assuntos de forma
superficial
Os filmes podem e devem gerar discussões sadias a respeito de diversos aspectos. A história, interpretações e ambientações são pontos comuns a serem explorados e comparados, mas casa um irá ver esses elementos de uma forma de acordo com seu repertório cultural e de vida. Porém, existem algumas produções que merecem uma análise detalhada sobre a forma em que foi oferecida ao público. Por questões regionais, comerciais, de período ou até mesmo para aproveitar a fama ou assuntos em evidência, erros gritantes já aconteceram com diversos filmes e continuarão sempre a existir, é inevitável. O Segredo é um dos exemplos. Não que ele tivesse fôlego para se tonar um baita sucesso, mas passaria tranquilamente na classificação regular. O problema é que dá concepção da idéia até seu lançamento ocorreu uma sucessão de equívocos. Antes de qualquer coisa, vamos ao enredo. A família Marris é um exemplo de clã feliz. O oftalmologista Benjamin (David Duchovny) continua apaixonado por Hannah (Lili Taylor) mesmo após quase vinte anos de casamento. Eles levam uma vida pacata, embora vez ou outra precisem controlar a rebeldia da filha adolescente Samantha (Olivia Thirlby), que não se entende com sua mãe. Um dia, durante uma discussão dentro de um carro em movimento, as duas sofrem um grave acidente. A garota é a única sobrevivente e aos poucos passa a apresentar um comportamento anormal, como se estivesse possuída pelo espírito de alguém. Logo o pai percebe que é alma de Hannah que está tentando se manifestar. Agora, pai e filha precisam juntos aprender a lidar com essa situação no dia a dia, o que provocará grandes mudanças na vida de ambos.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

AS DUAS FACES DA LEI

NOTA 4,0

Encontro de dois grandes
atores revela-se fraco e o
típico filme para preencher
as madrugadas da TV 
O sonho de qualquer diretor e até mesmo do público é ver grandes estrelas em cena e quando é possível reunir dois dos maiores nomes do cinema americano o entusiasmo é ainda maior. Al Pacino e Robert De Niro já dividiram os créditos de um mesmo filme em duas ocasiões, mas em ambas o encontro decepcionou. Não que as produções fossem ruins, pelo contrário, mas a decepção fica por conta de um embate que não aconteceu. Na década de 1970, em O Poderoso Chefão - Parte II, eles estavam dando ainda os primeiros passos na carreira, mas seus talentos para as artes dramáticas já eram notados. Infelizmente, não chegaram a fazer uma cena sequer juntos. Já em 1995 foi anunciado finalmente o grande encontro dos dois super astros em um longa de estilo policial, porém, foi uma propaganda enganosa. Vivendo antagonistas em Fogo Contra Fogo, fizeram apenas uma sequência em conjunto. Bem, enquanto se está vivo tudo pode acontecer e eis que surge o roteiro de As Duas Faces da Lei, a grande chance dos dois atores formarem uma dupla de verdade, daquelas que se tornam inesquecíveis. O resultado mais uma vez foi decepcionante e o vilão é a própria história. Nos outros casos citados, o problema também era a narrativa, mas é porque elas não abriram caminhos para o tal encontro. Já nesta terceira parceria, digamos assim, a coisa pega desde a concepção inicial do projeto. A história é razoável, mas não está a altura de seus protagonistas que mereciam algo bem melhor. Na época, eles já estavam há tempos em um patamar da carreira muito confortável e não precisavam aceitar qualquer tipo de convite. Apesar de ultimamente o currículo de ambos estar capenga, é bem provável que a idéia de finalmente dividirem quase todas as cenas de um filme os seduziu, mas o mesmo não ocorreu com os espectadores. O longa passou longe de arrecadar uma boa bilheteria e se não fosse o nome de duas estrelas estampando o material publicitário certamente serio o tipo de produto lançado diretamente para locadoras ou até mesmo como um telefilme.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A GAROTA DA CAPA VERMELHA

NOTA 3,5

Prometido como versão de
horror de conto clássico
infantil, o filme investe e se
perde com romance teen
Os contos clássicos infantis são fontes inesgotáveis para o cinema, televisão, teatro, quadrinhos e para a própria literatura. Algumas dessas histórias já foram tantas vezes adaptadas que hoje em dia é até difícil descobrir qual é a versão original. Muita gente diz que as historinhas bonitinhas que são usadas para ninar crianças mundo a fora na realidade possuem elementos fortes, perversos, trágicos e até mesmo mensagens subliminares. Costumamos acreditar que a versão dos filmes Disney são verdadeiras, o que não procede, mas muitos contos jamais ganharam o colorido e o toque de humor da empresa, embora versões "genéricas" de outras companhias, aquelas que vira e mexe saem diretamente em DVD com animação de qualidade infinitamente inferior, tentem lucrar com o que não existe no catálogo da concorrente peso-pesado. Criado no século 19 pelos famosos irmãos Grimm, o conto da Chapeuzinho Vermelho é um que não ganhou sua versão definitiva em longa-metragem, tornando-se assim um prato cheio para se criar ou apenas seguir o texto clássico. Mais preocupada em inventar do que seguir os originais parece a diretora Catherine Hardwicke no comando de A Garota da Capa Vermelha. Depois de lucrar muito com Crepúsculo, ela estava disposta a mais uma vez ganhar uma bolada investindo em uma história semelhante a de seu trabalho anterior. Os resultados financeiros não corresponderam as expectativas. Visualmente a produção chama a atenção, mas a história deixa a desejar e toda a aura de mistério que a parte técnica promete é esmiuçada em uma trama que não envolve totalmente o espectador e que recorre a fórmula do triângulo romântico adolescente, muda a idade da protagonista para transformá-la em uma atraente jovem e substitui o lobo por um lobisomem, bem original e ousado para a o currículo da diretora não?

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O TERNO DE 2 BILHÕES DE DÓLARES

NOTA 4,0

Tirando uma onda de James
Bond, mescla de aventura e comédia
não favorece Jackie Chan que não se
joga literalmente neste trabalho
Há quem despreze os filmes de Jackie Chan rotulando-os como grandes bobagens e dotados de humor raso. Mesclas de ação e comédia, não importa o enredo, sempre serão as fitas do chinesinho com cara de paspalho e que voa nas cenas de lutas. O ator sempre deixou bem claro que trabalha exclusivamente para entreter o público e de quebra ele próprio se divertir a beça. Sua cara de criança feliz e curiosa deixa explícito seu constante alto astral. Ele pode não ser um exímio ator, exagerar em caretas e expressões corporais, cansar com sua hiperatividade e ao falar ter uma péssima pronúncia do idioma inglês (algo contornado nas versões dubladas de seus filmes), ou seja, ele tem todos os requisitos de um chato de galochas. Entretanto, enche a tela e conquista com um carisma ímpar somado ao já citado bom humor vitalício. Chan é o cara boa praça que todos queriam como amigo nos momentos difíceis, aquele que consegue animar até velório. De olho em sua popularidade na China e no sucesso de suas fitas em outros países, Hollywood não perdeu tempo e o seduziu com contratos milionários, pena que o desejo de uma conta bancária mais robusta viria a descaracterizar seu trabalho. Bem, pelo menos a grande maioria concorda que em O Terno de 2 Bilhões de Dólares o verdadeiro Chan não está em cena. Ele interpreta Jimmy Tong, um simples chofer de táxi que de uma hora para a outra é contratado para ser o motorista particular do espião Clark Devlin (Jason Isaacs), um homem cheio de segredos, astuto e repleto de habilidades para luta, seu modo de defesa, quanto para dança, sua arma de sedução. Todavia, não são exatamente méritos próprios e sim qualidades proporcionadas por um smoking que usa, uma peça exclusiva e dotada de recursos tecnológicos. Quem a veste pode realizar as mais diversas peripécias e é claro que Tong terá o privilégio de usá-la, mas sem consciência de todos os poderes do traje. Tal gancho abre caminho para os roteiristas Michael J. Wilson e Michael Leeson satirizarem a vontade os filmes de James Bond.

domingo, 22 de janeiro de 2012

DUCK TALES E O TESOURO DA LÂMPADA PERDIDA

Nota 9,0 Animação com personagens clássicos e história ingênua exala nostalgia e diversão

Para quem viveu a infância intensamente entre as décadas de 80 e 90, com certeza os desenhos que passavam na TV naquela época deixaram um gostinho de saudades irresistível e sem dúvida nenhuma adaptação em longa-metragem dos tempos atuais consegue resgatar totalmente a magia daquela época, muito provavelmente porque a ingenuidade foi morrendo pouco a pouco conforme o tempo passou. Por exemplo, será que os simpáticos personagens da série animada “Duck Tales – Os Caçadores de Aventura” conseguiriam disputar espaço com as animações de hoje em dia? É bem possível que crianças pequenas conseguissem se entreter com Tio Patinhas e sua turma, mas as crianças mais velhas poderiam estranhar um pouco, contudo, vale a pena fazer o teste. Duck Tales – O Filme – O Tesouro da Lâmpada Perdida é uma excelente oportunidade para elas conhecerem a turma de habitantes de Patópolis cuja série animada foi produzida entre 1987 e 1990, esta por sua vez baseada nas aventuras em quadrinhos já existentes. No filme o milionário Tio Patinhas viaja com seus sobrinhos e o atrapalhado Capitão Bóing para o Egito em busca do tesouro de Coolei Baba. Junto com eles vai o ambicioso Dijon, que na verdade se infiltrou na viagem a pedido do feiticeiro Merlock, um homem que tem o poder de se transformar em animais e assim penetrar em qualquer lugar sem ser percebido. O tesouro é encontrado e, com dó no coração, Tio Patinhas dá para Patrícia, a filha da governanta de sua casa, um pequeno bule achado entre o ouro e as pedras preciosas para ela brincar. O que ninguém esperava é que na verdade esse objeto é uma lâmpada mágica e que dentro dela vive Geninho, um menino gênio que não pode ser encontrado por Merlock de maneira alguma para evitar que seus poderes sejam usados de forma para fazer o mal. Agora, ele vai contar com a ajuda da família de Patinhas para se esconder e tentar evitar que o malvado feiticeiro se apodere da fortuna deles.

sábado, 21 de janeiro de 2012

CÓDIGO 46

Nota 6,0 Investindo na ficção científica e com roteiro cabeça, obra nos faz pensar sobre o futuro

No passado os filmes que focavam a possível realidade do futuro ou os avanços tecnológicos eram verdadeiros fetiches, até porque os efeitos especiais ainda estavam em plena fase de experimentações, portanto os filmes de ficção científica eram uma moda e tanto. Hoje o gênero já não tem o mesmo prestígio e facilmente é rotulado de filme B e desperta a desconfiança do público. Código 46, no entanto, foge a esse estereótipo, mas infelizmente não encontra seu público por mais que o tempo passe.  Esta é uma obra diferente em seu nicho, livre de naves espaciais, engenhocas mirabolantes ou heróis uniformizados. O viés da história é a investigação de temas mais humanos, um tanto perturbadores e reflexivos. A temática central é muito pertinente e trata sobre como as mudanças tecnológicas podem afetar as sociedades no futuro, algo que no presente já estamos tratando de abrir caminho graças ao consumo desenfreado e muitas vezes desnecessário de modernidades. O roteiro complexo criado por Frank Cottrell Boyce é um exemplo de bom aproveitamento do tempo disponível. Com duração de apenas uma hora e meia, talvez por questões financeiras ou na melhor das hipóteses por uma decisão bem pensada, o longa condensa muitas informações de forma sucinta e sem enrolações, uma tarefa difícil levando em consideração que as ações são concentradas em cima de dois personagens. Daqui a alguns anos (lembrando que o filme é de 2003), um governo totalitário monitora e controla a vida das pessoas na forma de uma grande corporação. O mundo está dividido em zonas e até a reprodução dos humanos é rigorosamente controlada para evitar os relacionamentos entre os seres com o mínimo de compatibilidade genética. Ninguém tem o direito de ir e vir de acordo com sua vontade. As viagens são restritas e só com um tipo de documentação específica é possível liberar o trânsito dos cidadãos. William Geld (Tim Robbins) é um investigador que vai até Xangai para resolver um caso de falsificação desses tais passaportes. Com o dom de ler o pensamento das pessoas, ele rapidamente descobre que a culpada é Maria Gonzáles (Samantha Morton), mas acaba se sentindo atraído por ela e decide acobertá-la. Há ainda mais agravantes nessa relação. Geld é casado e o seu DNA não bate com o de Maria, mas mesmo assim eles decidem viver esse romance.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

O REI LEÃO

NOTA 10,0

Animação primorosa e texto
emotivo e que traz a tona temas
importantes fazem desta obra
um produto único e atemporal
A Disney já viveu ao longo de sua trajetória momentos de altos e baixos, mas ainda assim continua sendo o principal estúdio quando o assunto é animação, porém, nos últimos anos a sua imagem caminhou atrelada a sombra da Pixar, empresa especializada em desenhos com tecnologia de ponta. Apesar de títulos como Hércules Mulan terem sua turminha de fãs, o final da década de 1990 não foi muito feliz para a empresa que já sofria o efeito das ações de concorrentes e do poder de sedução das animações computadorizada que não chamam a atenção apenas das crianças, mas também dos adultos, a audiência extra que não raramente é bem superior a platéia dos pequenos. Pode-se dizer que o último desenho de cinema do estúdio a ser um grande sucesso antes da parceria com a Pixar foi O Rei Leão que representa até hoje o ápice de um momento glorioso para a companhia e até mesmo na História da sétima arte. Passado muitos anos de seu lançamento, esta animação ainda ocupa posições confortáveis na lista das maiores bilheterias de todos os tempos e também no ranking de seu gênero, isso descartando os valores obtidos com o consumo doméstico (a fita VHS, por exemplo, atingiu números espantosos de venda) e o relançamento nos cinemas em 2011 aproveitando a febre do 3D. Dar destaque aos animais em seus projetos sempre foi a especialidade da casa, mesmo quando eles não falavam uma única palavra. Assim, já tivemos em cena elefantes, ratinhos, gatos, cachorros, ursos, aves entre tantas outras espécies vivendo aventuras, divertindo e emocionando o público, sendo protagonistas ou não. No caso da história de um leãozinho enfrentando inúmeras dificuldades para viver longe de casa e da família, protagonista e personagens secundários conseguiram mexer com as emoções de milhões de pessoas no mundo todo tão bem quanto atores de carne e osso. Espectadores de todas idades conseguem manter um sorriso espontâneo praticamente durante toda a duração do filme. A narrativa bem conduzida carrega a essência e a ingenuidade das obras que fizeram a fama do estúdio, mas também reserva espaço para temas mais difíceis e pertinentes a discussão entre pais e filhos como a inveja, a ganância, a perversidade e até mesmo a morte, mas, felizmente, o bem sempre vence e somos presenteados com um final encorajador embalado por uma canção de arrepiar e que certamente marcou a vida de muita gente. 

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

MEDITERRÂNEO

NOTA 6,5

Vencedor do Oscar de
filme estrangeiro em 1992
lança olhar diferenciado
sobre a Segunda Guerra
O cinema italiano vira e mexe entra nas listas de indicados ao Oscar e por várias vezes ultrapassa as barreiras impostas aos filmes estrangeiros e conquistam indicações em outras categorias. Mas as vezes só o trofeú principal da categoria dedicada aos títulos falados em outros idiomas que não o inglês parece não ser o bastante como neste caso. Mediterrâneo está longe de ter a pinta de clássico como Cinema Paradiso ou A Vida é Bela, mas tem o seu valor. A trama se passa durante a Segunda Guerra Mundial quando um grupo de oito soldados italianos é destinado a ocupar Mighisti, uma ilha grega no mar Mediterrâneo. Embora saibam que o local não tem importância estratégica, eles cumprem as ordens sob o comando do tenente Montini (Claudio Bigagli) e do sargento Lorusso (Diego Abatantuono). O lugar parece desabitado e os militares passam a aproveitar o sossego e a beleza da ilha, já que não têm como voltarem e nem como se comunicar com seus superiores. Com o tempo, os habitantes retornam e uma convivência cordial entre italianos e nativos se estabelece. Os soldados se surpreendem inclusive com a oferta de uma das mulheres da ilha. Vassilissa (Vanna Barba) se apresenta como prostituta e oferece seus serviços aos homens solitários que imediatamente aceitam, exceto Antonio Farina (Giuseppe Cederna), um homem que se encanta pela moça. O respeito com que ela a trata deixa essa mulher estarrecida. Assim surge a possibilidade de Antonio e Vassilissa mudarem os rumos de suas vidas.   

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

E SE FOSSE VERDADE

NOTA 9,0

Casal protagonista
segura filme repleto de
clichês, mas irresitível
do início ao fim
Não tem jeito. Quem gosta de comédia romântica não se cansa de ver mais do mesmo. É na repetição da receita que se esconde o segredo do sucesso. O público gosta do que é comum e ralha quando as coisas não saem da maneira que esperava. Existem até alguns profissionais que tentam fazer algo diferente, mas eles precisam prestar contas ao estúdio responsável pelo projeto, têm de apresentar números de bilheterias, de vendas de DVD, enfim, não podemos culpá-los pela falta de inovação. As leis de mercado regem tudo quanto é produto, inclusive os cinematográficos. Mas, convenhamos, a história tem que ser muito boa para compensar a frustração de um final em que o casal de pombinhos não fica junto. E Se Fosse Verdade até ensaia este viés arriscado, mas volta atrás. Ainda bem. Em alguns filmes do gênero o casal protagonista é tão chato e sem química que realmente torcemos para que cada um vá para um lado no fim das contas, mas no caso desta produção assinada por Mark Waters não tem como torcer contra, principalmente por causa da simpatia dos atores. O diretor já se valeu do seu elenco para conseguir dar um up em outros trabalhos repletos de clichês e cujos roteiros eram limitados. Em Sexta-feira Muito Louca e Meninas Malvadas ele aproveitou a fama repentina dá então estrelinha teen Lindsay Lohan, esta que em sã consciência deve se arrepender amargamente do que fez com sua vida caso reveja seu início de carreira promissor. Bom, voltando ao tema, o cineasta dispensou a ruivinha e escolheu uma loirinha para sua empreitada seguinte (estes seus três filmes foram lançados entre 2003 e 2005). A troca foi super positiva.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O TERMINAL

NOTA 7,5

Tom Hanks é o chamariz
de produção divertida até a
metade, mas que derrapa
com conclusão bobinha
Um aeroporto é um local por onde passam centenas de pessoas todos os dias, das mais diferentes culturas e países. Muitos acabam vivendo mais na ponte aérea do que em suas próprias casas e justamente pensando nisso o diretor Steven Spielberg se inspirou para fazer O Terminal, um trabalho atípico em seu currículo e, por mais incrível que pareça, baseado no caso real de um iraniano impedido de voltar ao seu país e que foi obrigado a viver por mais de quinze anos nas dependências de um aeroporto na França. O cineasta voltou a se unir a Tom Hanks, com quem já havia trabalhado em O Resgate do Soldado Ryan e Prenda-me Se For Capaz, para uma produção que deseja levar o público às lágrimas, mas escamoteia o roteiro com pitadas sutis e deliciosas de humor. Mesmo assim, é preciso advertir que o longa sofre com um ritmo inadequado e uma duração excessiva, dessa forma a primeira hora realmente entretém, é bem divertida e muito criativa, mas a segunda decepciona pela sua lentidão, excesso de drama e clichês e conclusões que deixam a desejar. O protagonista da trama é Viktor Navorski (Tom Hanks), um cidadão da Europa Oriental, mais especificamente da Krakozhia, que viaja rumo a Nova York justamente quando seu país sofre um golpe de estado, o que faz com que seu passaporte fique inválido. Ao chegar no aeroporto, ele não consegue autorização para entrar nos EUA, mas não compreende o porquê. Ele também fica impossibilitado de retornar à sua terra natal, já que as fronteiras foram fechadas após o golpe e o governo americano não reconhece a atual situação política do país em conflito. Conforme informado pelo oficial de segurança Frank Dixon (Stanley Tucci), Navorski não pode ser considerado um refugiado político e nem mesmo um turista, simplesmente ele é um homem sem pátria. Sem poder se instalar em solo americano e nem seguir viagem, ele é obrigado a ficar esperando a liberação de seu passaporte dentro das dependências do aeroporto e assim passa muitos dias e noites descobrindo o complexo mundo do terminal onde está preso. O estrangeiro aprende a ganhar dinheiro por lá, prova comidas que nunca havia experimentado, faz amizades com alguns funcionários, serve de cupido para unir dois jovens e até se apaixona por Amelia (Catherine Zeta-Jones), uma aeromoça acostumada a viver romances conturbados.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O MESTRE DA VIDA


NOTA 5,0

O tema da relação entre
mestre e aprendiz ganha
mais uma versão, mas fica
devendo em emoção
A relação entre uma pessoa que ensina e outra que aprende algo já foi explorada pelos cinemas de diversas formas, sendo a mais comum o manjado enredo do professor de escola que muda a vida de um aluno problemático ou até mesmo de uma turma através de sua forma carismática e correta de lidar com os seres humanos, não se aproveitando da autoridade implícita em seu cargo para mandar e humilhar. O mesmo tema já ganhou outras roupagens usando a relação de mestre e aprendiz através do viés do profissional que ensina tudo o que sabe sobre sua arte para um iniciante, da mesma forma que um pai passa ao filho importantes ensinamentos, em outras palavras, educa e o prepara para a vida. O fato é que no quesito carreira, nem sempre é dentro de casa que encontramos os exemplos necessários e aí precisamos buscar a essência do que desejamos com outras pessoas. Karate Kid, Encontrando Forrester e Poder Além da Vida são apenas alguns exemplos de produções que já exploraram a temática, mas parece que a receita é uma das preferidas de cineastas e roteiristas não só americanos, mas de todo o mundo. É sempre aquela história do mentor famoso e respeitado que prefere viver isolado e por vezes é mal humorado, enquanto aquele que tem o desejo de aprender é um jovem com grande potencial, mas que não sabe como desenvolver seu talento e até é incompreendido pela família e amigos. Hoje filmes do tipo dificilmente surpreendem, são razoáveis ou nem isso e pode-se até dizer que eles vivem de um nicho específico de público que deseja sempre se abastecer com mensagens e emoções repetidas e, obviamente, das pessoas que trabalham com educação ou até mesmo em grandes empresas, até mesmo de nível internacional. O atrativo para essas pessoas é o fator emocional e social dos enredos. Não se pode detonar um trabalho só pelo fato dele repetir fórmulas, é preciso respeitar as platéias as quais se destina este tipo de produto, mas realmente é difícil avaliar O Mestre da Vida sem pensar nos tantos outros filmes parecidos que já foram lançados e a maioria, infelizmente, esquecidos, alguns até justificadamente.

domingo, 15 de janeiro de 2012

SOMBRAS DO MAL

Nota 5,5 Apesar da boa premissa, enredo não faz jus ao talentos dos protagonistas

Poder reunir em um mesmo filme dois nomes de intérpretes de peso deve ser o sonho de qualquer cineasta, mas isso de forma alguma significa que o sucesso está garantido. Hoje vivendo períodos pouco expressivos de suas carreiras, seja por falta de convites ou escolhas erradas, é fato que Robert De Niro sempre foi um nome em evidência e Jessica Lange, bem, ela já teve seus dias de glória também. No início da década de 1990, ambos em pleno auge profissional, eles tiveram a chance de estrelar Sombras do Mal, drama que flerta com o gênero policial e que poderia resultar em um memorável encontro de estrelas, porém, o resultado final é inferior ao esperado. Com roteiro de Richard Price, vencedor do Oscar pelo enredo de A Cor do Dinheiro, a trama nos apresenta a Harry Fabian (Robert De Niro), um advogado que sempre precisa recorrer a alguma picaretagem para conseguir alguns trocados. Quando enfrenta no tribunal Boom Boom Grossman (Alan King), um mafioso e empresário de lutas de boxe, ele tem uma grande ideia.  Organizar combates poderia render muito dinheiro, mas certamente não agradaria nada a seu adversário, mas Fabian tem uma carta na manga. Ele contrata como seu assessor o ex-boxeador Al Grossman (Jack Warden), ninguém menos que o irmão do gângster. Ambos estão brigados há anos e essa seria a chance do lutador dar o troco e o advogado ainda se dar bem financeiramente, porém, antes de qualquer coisa, é preciso arranjar patrocínio para esse negócio. O mais novo empresário da praça recorre então a sua amante Helen (Jessica Lange), mulher de Phil (Cliff Gorman), dono do bar que frequenta há tempos. A moça resolve ajudá-lo, mas também pede algo em troca. Querendo se separar do marido, ela pede a ajuda de seu caso para abrir um bar próprio. A sorte estaria mudando para ambos, mas tudo que começa errado pode ter um preço alto no futuro.

sábado, 14 de janeiro de 2012

SONHOS NO GELO

Nota 3,5 Com a patinação no gelo como pano de fundo, longa é tão frio quanto sua ambientação

Mesmo que não façam sucesso quando lançados nos cinemas, saiam diretamente para locação e venda ao consumidor ou até sejam produções feitas com exclusividade para um canal fechado, é certo que os produtos Disney já nascem com longa vida garantida. O público-alvo destes projetos simplórios e previsíveis está sempre se renovando e pode estar ai o segredo de sucesso da fórmula. Sempre há gente nova querendo e precisando de mensagens positivas e politicamente corretas para no futuro tornarem-se adultos melhores, ou melhor, ensinamentos básicos para se conviver em sociedade que devem ser colocados em prática desde a infância. Sonhos no Gelo não foge a regra. É um draminha água-com-açúcar com a marca registrada da casa do Mickey Mouse e lembra em alguns aspectos outros trabalhos da empresa como High School Musical. Com roteiro de Hadley Davis baseado em uma história original do próprio autor em parceria com Meg Cabot, a trama gira em torno de Casey Carlyle (Michelle Tratchtenberg), uma adolescente muito inteligente, mas nada popular no colégio, que é estimulada por Bast (Steve Ross), seu professor de física, a tentar uma bolsa de estudos para ser uma aluna da conceituada Harvard. Para tanto, ela precisa apresentar um trabalho de admissão e escolhe um tema bem original: a aplicação de conceitos da física na patinação artística. O que a garota não imaginava é que ficaria fascinada por esse esporte a ponto de considerar a física menos importante que a emoção. Isto deixa desesperada sua mãe, Joan (Joan Cusack), uma professora de literatura inglesa, pois seu sonho era ver sua filha em Harvard. Casey enfrenta a mãe e decide investir no esporte e conta com a ajuda da treinadora Tina (Kim Catrall), esta que aparentemente prefere ver sua filha Gen (Hayden Panettiere) se tornar uma campeã.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

AMALDIÇOADOS

NOTA 8,5

Terror teen sobre o mito
do lobisomem na
realidade é um ótimo trash
movie, diverte e assusta
A figura do lobisomem já rendeu filmes realmente de arrepiar no passado, desde os tempos dos clássicos de terror dos estúdios da Universal até a década de 1980, quando chegamos a ver uma impressionante e detalhada transformação de um homem em lobo em Gritos de Horror. Depois disso houve outras tentativas para dar sobrevida ao monstro peludo, mas os resultados são insatisfatórios e nem mesmo o talentoso Jack Nicholson convenceu na pele do bichão. Antes de Benício Del Toro bancar uma reinvenção do mito, mas ainda mantendo a história em séculos atrás, o cineasta Wes Craven, criador das cinesséries A Hora do Pesadelo e Pânico, também tentou resgatar o conto. Na sua história, o lobisomem está a solta na época contemporânea e com um louco desejo de atacar seres vivos e com sangue quente. Tudo começa com um acidente de carro com Ellie (Christina Ricci) e seu irmão Jimmy (Jesse Einsenberg) em uma estrada deserta na qual são atacados por um animal. Pouco tempo depois, ambos começam a agir de forma estranha tendo vontade de comer carne crua, se sentindo mais fortes, entre outros indícios de que estariam infectados por algo desconhecido. Conforme investigam, diga-se de passagem, por uma rápida pesquisa na internet em que em questão de minutos encontram tudo que querem saber, descobrem que as mudanças ocorreram devido ao ataque de um lobo e que precisam encontrá-lo e sacrificá-lo antes que se tornem monstros sedentos por carne e sangue fresco. Pela sinopse até podemos imaginar que Amaldiçoados é um super filme de terror, mas seu diretor deve ter perdido a mão ou quis assumir o risco de ser linchado optando por fazer um trash movie, ou seja, investindo em humor em algo que deveria fazer roer as unhas e ainda contando com uma produção paupérrima.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

REGRAS DA VIDA

NOTA 9,5

Drama de época traz a tona
temas espinhosos em
embalagem elegante e
emociona o público
Todos os anos alguns filmes conseguem uma participação significativa na temporada de premiações, porém, infelizmente, nem todas podem ser laureadas e mesmo as que são em algumas categorias estão fadadas a serem esquecidas ou viverem apenas na memória dos cinéfilos. Ainda bem que quase sempre é possível resgatar essas obras do passado e apresentá-las a novos espectadores e curiosos que fatalmente nos primeiros meses do ano se divertem em busca de informações de títulos premiados do passado. Nessas pesquisas é certo que se encontrará muitas vezes o nome do diretor Lasse Hallström, um um especialista em lidar com emoções e presentear as platéias com belas imagens. Ele consegue de tal forma prender a atenção do espectador com suas tramas que rapidamente estamos ambientados aos cenários e íntimos de seus personagens. Esse encantamento transformou Regras da Vida em um dos títulos mais relevantes de 1999 e quase deu o Oscar ao cineasta sueco. Não ganhou o prêmio máximo, mas levou outras duas importantes estatuetas: ator coadjuvante (Michael Caine) e roteiro adaptado. O veterano intérprete também foi agraciado pelo Associação Norte-Americana dos Atores de Cinema, mais conhecido como Screen Actors Guild, e o texto foi premiado pela Associação Nacional dos Críticos dos EUA. Aparentemente simples e puro romantismo, como é possível se deduzir pelo título e material publicitário, o longa reserva surpresas em seu roteiro. A história se passa na década de 1940, época de guerra e medo, e aborda temas como incesto, aborto, traição e dependência química, ou seja, assuntos que até hoje são polêmicos e que talvez ninguém imagine-se encontrar em um drama de época.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

O CLÃ DAS ADAGAS VOADORAS

NOTA 8,5

Produção épica chinesa
além de contar uma bela
história, também oferece
imagens espetaculares
Os filmes épicos orientais são verdadeiros colírios para muitos olhos e nos primeiros anos da década de 2000 conquistaram de vez as plateias ocidentais com um cinema vibrante, poético, colorido e que sabe utilizar as artes marciais com delicadeza e fascínio atreladas a histórias emocionantes. O Clã das Adagas Voadoras é um título que não foge a regra. O diretor Zhang Yimou tem verdadeira paixão por obras que aliam a História da China dos tempos imperiais com combates meticulosamente coreografados e pensados como se cada fotograma fosse tão belo quanto uma pintura. Depois do sucesso de seu longa anterior, o épico Herói, no qual o cineasta investiu pesado em sequências de luta, aqui ele encontrou formas mais sutis de mostrar seus golpes e chutes começando muito bem com uma belíssima introdução mostrando a protagonista vivida por Zhang Ziyi em um balé de sons, cores e tecidos esvoaçantes que impressionam pela beleza plástica das imagens combinadas a perfeitos efeitos sonoros. Só vendo para crer e com a certeza de que depois deste início dificilmente alguém não ficará com os olhos grudados na tela até subirem os créditos finais. A trama se passa no ano de 859 quando a China passava por terríveis conflitos durante a dinastia Tang, antes próspera, mas decadente no momento. Corrupto, o governo é incapaz de lutar contra os grupos rebeldes que surgem, sendo o mais poderoso e prestigiado deles o chamado Clã das Adagas Voadores. Leo (Andy Lau) e Jin (Takeshi Kaneshiro), dois soldados do exército oficial, recebem a missão de capturar o misterioso líder dos Punhais Voadores e para tanto elaboram um plano. Jin se disfarça como um combatente solitário e ganha a confiança da bela deficiente visual Mei (Zhang Ziyi) a nova funcionária de uma casa de prostituição e que desconfiam que faça parte do tal grupo de rebeldes. Com a ajuda da moça os dois corajosos combatentes conseguem se infiltrar no grupo revolucionário, mas a dupla não contava com a paixão que Mei despertaria neles. São várias as reviravoltas do roteiro até que o clímax é atingido quando o passado do clã vem a tona e seus segredos são revelados.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

BRÜNO

NOTA 5,0

Personagem estereotipado
e cenas de humor pastelão
e apelativo resultam em
uma comédia discutível
Em 2006 ele surgiu para o grande público fazendo um humor ácido e crítico, mas ao mesmo tempo demente e puro besteirol. Com Borat o ator Sacha Baron Cohen conseguiu saltar em grande estilo da televisão para o cinema e em pouco tempo já colecionava milhares de fãs pelo mundo todo. Para tanto, ele não precisou de muito esforço. Simplesmente levou um personagem já conhecido por causa de seu programa chamado "Da Ali G Show", misturou situações reais criadas por ele próprio com outras planejadas pelos roteiristas envolvendo anônimos e atores desconhecidos e assim ele conquistou elogios e prêmios mundo a fora. Um tremendo golpe de sorte. Não é de se estranhar, portanto, que seu projeto seguinte fosse muito aguardado, mas com Brüno as coisas foram diferentes e a recepção de público e crítica foi bem fria, ainda que repetindo a fórmula que o consagrou e a parceria com o diretor Larry Charles. O personagem-título (Cohen) é um estilista homossexual de origem austríaca que perde seu emprego após fazer um barraco em um desfile em Milão, na Itália. Desiludido, ele resolve se mudar para os EUA acreditando no tão famoso sonho americano. Se ele deseja viver entre os flashs e ser reconhecido nas ruas, nada melhor que viver próximo a Hollywood.  Porém, quando chega a seu destino, ele percebe que as coisas não são tão simples quanto pareciam . A partir de então as situações mais bizarras e algumas até constrangedoras passam a desfilar pele tela tendo sempre como protagonista um homem de corpo esguio, olhos arregalados, sotaque esquisito e cabelos oxigenados que não tem medo de se passar por ridículo e aparecer da maneira que pode. Ele tenta emplacar na TV um programa de entrevista, faz de tudo para seduzir um candidato a presidência e até adota uma criança negra que vive em situação de miséria, afinal já que a Madonna e a Angelina Jolie podem porque ele não?

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

FALANDO DE SEXO

NOTA 7,5

De forma descontraída esta
comédia fala sobre a difícil
arte de se manter o amor e
o poder que a mentira possui
Lançado primeiramente em festivais, onde a princípio as comédias parecem ser pouco apreciadas, Falando de Sexo acabou ganhando o status, sem querer, de raridade cult. A fita é um dos poucos casos de obra que permaneceu inédita no circuito comercial do mundo todo por mais de dois anos. No Brasil, a espera foi ainda maior e mesmo quando lançada tudo foi feito de forma modesta, uma injustiça cometida com um divertido filme que fala de sexo de uma maneira bem humorada sem cair nos escrachos comuns das produções destinadas aos adolescentes, até porque seu público-alvo é mais maduro. Hoje são poucos os que conhecem esta divertida história. O diretor John McNaughton, de Garotas Selvagens, construiu uma narrativa que usa um tema comum em comédias, um casal em crise, mas a temperou com um delicioso clima de erotismo sem precisar exibir cenas constrangedoras e ainda introduziu personagens coadjuvantes tão interessantes quanto os protagonistas. A trama é desencadeada por Melinda (Melora Walters) e Dan (Jay Mohr) que formam um casal com sérios problemas de relacionamento. Eles não brigam o tempo todo, pelo contrário, até se dão muito bem no dia-a-dia. O caldo entorna mesmo é na cama, pois ele não consegue sentir desejo por ela e o seu "Sr. Feliz" (o apelido de seu pênis) não dá sinais de vida, o que não acontece quando está com outras mulheres. Quando o marido confessa que, acidentalmente, transou com uma garçonete dentro do próprio carro, sua esposa entra em profunda depressão achando que o problema dele só se manifesta com ela. O casal acaba procurando o auxílio da consultora matrimonial Emily Page (Lara Flynn Boyle), esta que os encaminha para um especialista em depressão, o Dr. Roger Klink (James Spader). Dan não acredita no tratamento, mas Melinda insiste e acaba sofrendo um abuso sexual por parte do médico. Apesar de tudo acontecer com seu consentimento, a jovem aceita a sugestão de Emily de levar o caso aos tribunais para tentar ganhar algum lucrar. Na realidade a doutora quer se vingar. Ela precisou pagar uma bela multa por ter anunciado seus serviços em um banco de espaço público e não acha justo que um profissional se relacione com uma paciente e fique tudo numa boa.

domingo, 8 de janeiro de 2012

ABRACADABRA

Nota 8,5 Nostálgico para muitos, bruxas da Disney ainda garantem uma boa sessão da tarde

É curioso como bruxas, fantasmas, vampiros e companhia bela ao mesmo tempo em que amedrontam as crianças também conseguem fasciná-las, uma particularidade que a sétima arte aproveita a exaustão há décadas. A receita básica para fisgar a atenção do público infantil abordando temas sinistros é praticamente sempre a mesma: colocar um bando de crianças e adolescentes em apuros fugindo das garras de seres horripilantes. Para completar o prato basta cercar-se de crendices populares e adicionar generosas pitadas de humor leve e inocente, além de adorná-lo com uma generosa dose de final feliz. É essa receita que serviu e ainda serve de base para muitas produções infanto-juvenis, sendo uma das mais influentes do gênero. Abracadabra segue os ensinamentos a risca e não dispensa nenhum ingrediente. Essa produção é dos tempos em que a Disney emplacava candidatos a clássicos das sessões da tarde em velocidade ímpar e um dos filmes que melhor capta o espírito de alegria e medo que se misturam na noite de Halloween. Com roteiro de David Kirschner e Mick Garris, a trama gira em torno de Winnie (Bette Midler), Sarah (Sarah Jessica Parker) e Mary (Kathy Najimy), três irmãs feiticeiras que desejam se tornar mais jovens sugando a energia vital das crianças da cidade de Salem. Banidas da face da Terra há 300 anos quando tiveram seus planos descobertos, elas chegam ao século 20 após seus espíritos serem evocados no Dia das Bruxas pelo jovem Max (Omri Katz), uma lenda na qual ele não acreditava assim como sua irmã Dani (Thora Birch) e sua colega da escola Allisson (Vinessa Shaw) também duvidavam. Agora, as feiticeiras estão dispostas a fazer de tudo para garantir sua juventude e imortalidade aproveitando esta única noite de sobrevida. Para tanto elas terão que capturar o maior número possível de crianças para tirar suas vidas, mas elas precisarão enfrentar Max e as meninas que vão fazer de tudo para tentar levar as bruxas de volta ao mundo dos mortos.

sábado, 7 de janeiro de 2012

NÃO É VOCÊ, SOU EU

Nota 7,0 Produção com tom popular mostra que o cinema argentino quer vencer barreiras

Para quem ainda pensa que o cinema latino sobrevive de produções pobres e que se dedicam a mostrar uma realidade tão paupérrima quanto seus próprios orçamentos, é preciso rever seus conceitos. Há muitas produções que se não fosse pelo detalhe do idioma passariam tranquilamente como um filme americano do tipo independente. O cinema argentino tem se destacado nesse cenário e explorando diversos gêneros. Não é Você, Sou Eu é uma despretensiosa comédia do diretor Juan Taratuto, então estreando no cargo, que agrada com seu texto rápido e repleto de boas piadas. Sua estética é simples e algumas situações lembram a clichês de comédias norte-americanas, porém, o teor do humor é bem mais leve e não deixa ninguém ruborizado com piadas de mau gosto ou escatológicas. A história criada pelo próprio diretor em parceria com Cecília Dopazo gira em torno do cirurgião Javier (Diego Peretti) que mesmo estando na casa dos trinta anos de idade ainda não consegue deixar de levar a vida como um adolescente sonhador. Ele é muito apaixonado por María (Soledad Villamil) e acaba fazendo um casamento às pressas simplesmente para que a moça possa fazer uma viagem para os EUA. Ela foi na frente para ir se ajeitando e tentar algum trabalho. Enquanto isso, seu marido ficou em sua terra natal se desdobrando para conseguir dinheiro para viajar também e poder dar a ela uma vida com tudo o que há de bom e de melhor. Depois que vende até seu próprio apartamento e já está de malas prontas, Javier tem uma grande decepção. María o troca por outro e o mundo do rapaz desaba, mas mesmo assim ele não consegue tirá-la da cabeça. A partir de então, ele precisa passar por um processo de amadurecimento forçado e procura alternativas para esquecer sua paixão. Procura a terapia, tenta encontrar uma nova garota e até busca a companhia de um cachorro. É justamente por causa do bichano que ele acaba conhecendo Julia (Cecilia Dopazo), funcionária de um pet shop, a garota que pode lhe ajudar a esquecer as mágoas e amadurecer. O relacionamento que começa com desentendimentos acaba se transformando em algo positivo para estas duas pessoas solitárias.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

WALLACE E GROMIT - A BATALHA DOS VEGETAIS

NOTA 10,0

Com visual chamativo e retrô,
animação prende a atenção com
história divertida e inteligente,
além de personagens carismáticos
Já faz algum tempo que a animação se transformou em um dos gêneros mais rentáveis do cinema graças as técnicas avançadas de computação gráfica que permitem desenhos mais perfeitos, o que chama muito a atenção dos adultos que não usam mais as desculpas de ter que levar os filhos ao cinema ou alugar tais filmes para eles. Desenho animado virou coisa de gente grande também, tanto é que já existem até longas totalmente animados com temáticas adultas, mas ainda são as produções do tipo família que conquistam melhores resultados. Claro que além de uma excelente qualidade de imagem, também é preciso um bom roteiro para captar a atenção dos baixinhos e dos grandinhos e visando tal responsabilidade os estúdios têm caprichado nesse quesito cada vez mais. Mas será que em meio aos produtos de animação digital ainda há espaço para obras em estilo mais tradicional, como a simpática técnica do stop-motion, aquela que anima bonecos de massinhas? A resposta é sim e o estúdio inglês Aardman prova isso com Wallace e Gromit - A Batalha dos Vegetais, um trabalho com um colorido vivo, detalhista, criativo, ingênuo, divertido, enfim são muitos os adjetivos que podem ser empregados para classificar esta deliciosa animação que preserva em seu visual um irresistível tom nostálgico, mas aplica no texto conceitos que regem os modernos desenhos, como a sátira. Criados por Nick Park, os personagens principais, diga-se de passagem, extremamente carismáticos, já existiam antes do longa-metragem co-dirigido por Steve Box e protagonizaram uma série de curtas premiados, inclusive dois deles conquistaram o Oscar da categoria. Porém, antes de ganharem as telas grandes, o estúdio já havia surpreendido com o excepcional A Fuga das Galinhas que aliava com perfeição técnicas antigas e alguns retoques por computação para movimentar os personagens, um casamento perfeito que permite a produção ter vida em tempos em que muitas animações digitais naufragam justamente por parecerem trabalhos mortos, ainda que envoltos em esmerados cuidados com a parte visual, todavia, sem alma. 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O AMOR ACONTECE


NOTA 6,0
 
Longa se apóia em enredo
puxado para o drama, mas
erroneamente considerado
uma comédia romântica
Existem várias maneiras de escolhermos o melhor filme para cada ocasião ou de acordo com nosso estado emocional. Pode ser pelo cartaz ou capa do DVD, elenco, gênero ou lendo a sinopse, mas como é possível se optar por um produto que a primeira vista parece ter todos os fatores possíveis para afastar o público? O Amor Acontece não é maravilhoso, nenhuma obra-prima, bem longe disso, porém, também não é o lixo que muitos propagam. O problema é que tudo parece remar a favor de seu fracasso, a começar pelo título muito comum e que remete a idéia de comédia romântica bobinha. Na realidade, o enredo pende muito mais para o lado do drama já que os protagonistas têm histórias de vida envolvendo bloqueios emocionais. O autor de livros de auto-ajuda Dr. Burke Ryan (Aaron Eckhart) trabalha com uma filosofia que direciona seus pacientes a confrontarem as dores e medos abertamente e sem receios. Essa seria a única forma de conseguirem superar traumas ou insatisfações que os impedem de serem felizes, mas o próprio incentivador não utiliza suas técnicas e guarda um segredo que o impede de seguir sua vida livremente. Já Eloise Chandler (Jennifer Aniston) jurou nunca mais se envolver emocionalmente com nenhum homem após sofrer uma desilusão amorosa e decidiu focar suas atenções no seu trabalho como florista. De repente os caminhos de ambos se cruzam e alguma coisa pode fazer com que eles pensem de forma diferente sobre o rumo que deram as suas vidas. O final já sabemos como será desde o primeiro minuto, mas o desenrolar de tudo tem sutis diferenças que fazem valer a pena conferir este romance que deixa um pouco de lado os clichês de humor para investir mais no drama.
 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

A NÉVOA

NOTA 1,0

Fora um leve clima de
nostalgia, tudo é
desastroso neste remake
sem graça do início ao fim
Qualquer filme gera opiniões controversas. Alguns podem amar, outros odiar e quase sempre a impressão da crítica especializada é contrária a dos espectadores comuns. Os filmes de terror passam por essa prova de fogo, mas também precisam vencer a barreira do medo ou preconceito do público, ainda mais quando se trata de uma refilmagem de alguma obra marcante. É neste caso que se encaixa A Névoa, um remake de A Bruma Assassina, cultuada produção do outrora mestre do terror John Carpenter. Esse é um dos raros exemplos que parece uma unanimidade quando o assunto é avaliação. Qualquer site, blog, revista ou jornal antigo, enfim, qualquer meio de comunicação que abriu ou ainda abre espaço para publicar algumas linhas sobre este filme não pensa duas vezes antes de dar as piores notas e críticas possíveis e realmente não há como discordar. Esta produção é muito ruim em todos os aspectos. Roteiro, interpretações, direção, fotografia, iluminação e, principalmente, nos efeitos especiais que na verdade merecem ser chamados de defeitos. Pode parecer estranho dizer que a história é ruim já que se trata de um texto que ganhou as telas no passado com certa projeção, mas o problema é que desta vez a narrativa saiu do papel não para causa sustos, mas sim risos ou até bocejos de tédio. A premissa é a seguinte: há cem anos, um navio ocupado por leprosos foi propositalmente jogado contra uma costa de rochedos, afundou em uma noite de muita neblina e ninguém sobreviveu. Após um século de espera, aproveitando o momento em que a pequena cidade litorânea onde tudo ocorreu está prestes a realizar uma homenagem aos seus fundadores, os fantasmas desses mortos estão de volta para se vingarem e passam a perseguir os descendentes dos responsáveis pelo acidente. Para tanto, os espectros se escondem atrás de uma névoa de dimensões jamais vistas e tudo que estiver na frente dela será destruída. Entre os alvos estão os jovens Nick (Tom Welling), Selma (Stevie Wayne) e Elizabeth (Maggie Grace), uma moça que parece ter uma forte ligação com essa história macabra do passado.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

NUNCA É TARDE PARA AMAR

NOTA 7,0

Buscando criticar a ditadura da
beleza, ídolos vazios e a influência
da mídia na vida das pessoas, no fundo
fita se prende a clichês e final feliz
Pelo título piegas você já deve pensar: lá vem mais uma comédia romântica bobinha e com final previsível. Bem, a forma como esta história acaba não foge às regras da cartilha que rege o gênero, mas dependendo da interpretação de cada um o longa pode não ser a simplória diversão que promete. Nunca é Tarde Para Amar pode surpreender e esconder algo a mais por trás do verniz de produção escapista e engraçadinha apostando em um subtexto crítico, porém, não aprofundado. Buscando criticar o poder da audiência para controlar a mídia ao mesmo tempo que ela manipula seus consumidores, ironicamente o roteiro mostra-se um tanto amarrado a convenções, provavelmente um cuidado para não desagradar seu público-alvo que busca justamente uma diversão descompromissada e calcada em situações previsíveis. Todavia, sobram farpas contra as estrelas de Hollywood que não assumem o envelhecimento e também contra as jovens estrelas do mundo da música que tendem a decair tão rápido quanto alcançam o estrelato. A história gira em torno de Rosie (Michelle Pfeiffer), uma mulher já quarentona que impressiona pela sua beleza, mas que está passando por momentos conturbados tanto em sua vida pessoal quanto profissional. Ela é a mãe de Izzie (Saoirse Ronan), uma pré-adolescente que entre os muitos problemas com os quais tem que aprender a conviver nesta fase de transformações se vê perturbada pela vivência de seu primeiro amor. Coincidentemente, o mesmo sentimento está sendo vivido de certa forma por Rosie que até então nunca havia tido um relacionamento com alguém mais jovem, mas cai de amores por Adam (Paul Rudd), um ator que não chegou nem na casa dos trinta anos ainda. Eles se conhecem durante a escolha de elenco para um seriado de TV do qual ela é a produtora e o rapaz a conquista com seu extremo bom humor e maneira leve de viver a vida. Dando vida a um cativante nerd estereotipado no programa, ele então se torna a arma secreta para conquistar a audiência do público adolescente, caso contrário o horário seria cedido a um reality show. O projeto vai de vento em popa, mas se as coisas vão bem no trabalho para ambos, a vida pessoal só não está melhor porque esse relacionamento entre uma mulher mais velha e um homem mais jovem é motivo de inveja para alguns, como Jeannie (Sarah Alexander), uma invejosa colega de trabalho do casal.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

ENROLADOS

NOTA 9,0

Disney reencontra o caminho
do sucesso voltando a investir
em conto clássico, mas com
uma boa dose de modernidade
A delicada Branca de Neve, a adormecida Aurora, a borralheira Cinderela, a sonhadora Ariel, a amorosa Bela, a indiazinha Pocahontas e corajosa chinesinha Mulan. A Walt Disney Pictures já presenteou o mundo com obras inesquecíveis protagonizadas por mulheres. Histórias clássicas ou inseridas em contextos históricos, cada uma dessas heroínas tem seus próprios conflitos e características, mas todas têm em comum carisma e beleza. Fazer um desenho animado não é fácil. O que dizer então de realizar 50 animações? Pois o estúdio do Mickey Mouse alcançou essa inacreditável marca (excluindo produtos lançados diretamente para venda e locação e os que apenas distribuiu para a Pixar) voltando as suas origens, mas com um toque de modernidade. Curiosamente, quase um século após a fundação do maior estúdio de animação do mundo é que um clássico conto de fadas ganhou sua versão animada feita na casa. Trata-se de "Rapunzel". Para as novas gerações esse nome pode não significar nada, mas é só falar na moça dos longos cabelos que vive presa em uma torre que vem o estalo. Enrolados é a versão moderna e descolada para o texto de origem alemã de autoria dos Irmãos Grimm sobre uma jovem que passou muitos anos presa em um quarto e que cultivou uma longa cabeleira que por fim era usada por sua mãe para conseguir chegar até ela. Posteriormente a moça descobriu que seus cabelos também poderiam levá-la ao mundo que tanto desejava conhecer. Desde Branca de Neve e os Sete Anões, da longínqua década de 30, o primeiro desenho animado de longa-metragem da história, já se percebia as características que marcariam o estilo Disney de fazer animação. Uma história baseada em um famoso conto de fadas, com mocinhos e vilões bem delineados, animais fofinhos e outros endiabrados com o poder de se comunicar pela fala ou dotados de inteligência, canções que ajudam no desenvolvimento do enredo e belos e perfeitos traços. A mistura desses ingredientes fez com que o estúdio enfrentasse a passagem do tempo com sucesso e cada vez mais ganhando a atenção e o carinho de novas gerações. O modelo foi copiado a exaustão por diversas produtoras que também realizaram belas obras, mas não atingiram o mesmo nível da concorrente. Curioso que algumas dessas empresas apostaram em uma nova receita para animações computadorizadas, deram certo e aí foi a vez da pioneira correr atrás das novas tecnologias para não ficar perdida no tempo. Após recuperar seus cofres com projetos em parceria com a Pixar, era então o momento da empresa olhar com carinho para suas origens e tentar reformular a receita caseira.

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