sábado, 5 de maio de 2012

CLOVERFIELD - MONSTRO

Nota 2,5 Fruto de uma excelente campanha de marketing, filme é um trash não assumido

Assim como Godzilla, King Kong e os dinossauros de Steven Spielberg um dia invadiram a cidade grande, seja ela qual for, destruindo tudo o que viam pela frente, mais uma criatura gigantesca tentou repetir a façanha. Cloverfield - Monstro tem como chamariz mais um desses animais gigantescos que aparecem de tempos em tempos para amedrontar as pessoas, mas não traz novidades. Talvez nisso esteja o segredo do projeto ter feito certo sucesso mundial (bem, no Brasil o longa não pegou, gerando mais expectativas que lucros). Coletaram referências que deram certo em outras produções do tipo e fizeram uma receita já aprovada pelo público, mas um tanto claustrofóbica e de certa forma com uma dose de inovação apesar de tudo. O grande objetivo do roteiro de Drew Goddard, estreando no cinema, era acompanhar um pequeno grupo de pessoas e ver como elas se comportam diante de uma situação de apuro extremo. O jovem Rob Hawkins (Michael Stahl-David) está de mudança para o Japão e por isso ganha uma festa surpresa dos amigos como presente de despedida. Para registrar esses momentos, seu amigo Hud (T.J Miller) faz uma gravação com câmera caseira com registros da festa e depoimentos das pessoas que estavam no local. Durante a filmagem, um susto. Uma explosão ocorre e depois seguem tremores, gritaria, barulhos ensurdecedores, queda de energia e mortes começam acontecer. O grupo corre para fora do salão e descobre que a cidade de Nova York está sendo destruída por uma criatura gigantesca. Agora, todos precisam correr para tentar achar algum lugar seguro para fugir dessa fera, mas todos os passos do grupo de amigos continuarão sendo registrados pelas lentes da câmera de Hud. Então o lance é esperar o bichão aparecer e descobrir quem será a próxima vítima? Aparentemente a ideia básica do longa pode ser resumida dessa forma, mas, como já dito, existe um interesse humano no caos que se instaura na narrativa e o longa também pode ser encarado como uma experiência diferenciada na maneira de contar e transformar em imagens uma história. A duração enxuta ajuda a dar ritmo ao filme e evitar que ele se torne uma experiência enfadonha, já que desde o início ficamos sabendo no que tudo isso vai dar.

O recurso da filmagem amadora com câmera tremida na mão já é bem manjada, mas aqui é usada com êxito. É angustiante ver as pessoas correndo, gritando, a cidade sendo destruída e um estranho animal gigantesco urrando, se locomovendo rapidamente e destruindo tudo o que vê pela frente. A criatura é vista de relance, nunca a sua imagem é mostrada em detalhes, até porque a ideia não é centrar a história nela, tampouco acompanhar as decisões de poderosos ou militares para acabar com o bicho, um clichê desse tipo de produção. O negócio seria captar o desespero, o exibicionismo, a solidariedade ou o egoísmo, enfim, as reações diversas da população através de um pequeno grupo de amostragem. Apesar das boas intenções, o resultado decepciona. Analisando bem, o longa não tem nada demais, pode perfeitamente ser esquecido pouco tempo depois de visto, mas é fruto de uma excelente estratégia de marketing que foi iniciada com trailers que apenas divulgavam a data de estréia, nem mesmo o título era mencionado. Com a ajuda da internet, a tal peça publicitária começou a cair em sites e blogs e aí o boca-a-boca foi geral e todos queriam descobrir o que seria esse filme, além da imagem da Estátua da Liberdade sem a cabeça ter se tornado a imagem-símbolo da produção. Aliás, após a sequência que mostra essa queda, uma crítica a sociedade e a modernidade está implícita. A multidão corre para fotografar e filmar com seus celulares o estrago, como se a lembrança do que foi visto já não bastasse. Hoje só é real aquilo que tem registro em mídia física, ou melhor, virtual. Tal qual ocorreu com A Bruxa de Blair, um fenômeno do final dos anos 90, Cloverfield - Monstro é mais um exemplo de que a propaganda é a alma do negócio e, infelizmente, outra vez o público cai em uma tremenda armadilha. Ou quase. Sem assumir seu aspecto de filme B, mérito do diretor Matt Reeves sob a batuta do produtor J. J Abrams, o criador da série de TV "Lost", os espectadores não deram muita bola ao projeto. Pode ter tido êxito em solo americano, mas em outros países como o Brasil o filme se revelou um verdadeiro mico.

Suspense - 84 min - 2008 - Dê sua opinião abaixo.

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