segunda-feira, 16 de abril de 2012

MONTE CARLO

NOTA 8,0

Prevista como comédia
para um público mais
velho, história foi reescrita
para agradar adolescentes
Um dos gêneros que mais movimentam Hollywood é o da comédia que foi dividido em diversas subcategorias para agradar a públicos específicos. Até mesmo nestes subgêneros acabam acontecendo novas repartições. Classificar um filme como comédia adolescente, por exemplo, já não faz mais tanto sentido. Dependendo do conteúdo e da forma que ele é apresentado, involuntariamente a própria produção trata de se auto-intitular como destinada a certos nichos. Sabemos que o humor pastelão e que investe em piadas de duplo sentido ou até mesmo explícitas fazem mais a cabeça dos teens do sexo masculino. Já as meninas preferem cultivar o sonho do príncipe encantado e até seus vinte e poucos anos ou até com mais idade apreciam as narrativas repetitivas do casal que passa o filme todo se desentendendo ou lutando contra empecilhos até que tenham direito ao seu final feliz. A fórmula pode sofrer variações, mas a conclusão dificilmente pode ser alterada. É isso o que acontece com Monte Carlo, uma comédia romântica que não tem apenas uma mocinha sonhadora e sim três. Não há um vilão declarado e maquiavélico, mas existem certos obstáculos a serem vencidos para chegar ao final previsível, mas ainda assim aguardado. Além da narrativa esculpida para agradar as adolescentes, o longa se beneficia de uma das protagonistas ser Selena Gomez, um dos nomes mais quentes na praça para atuar neste tipo de produção. Ela atua, canta e já participou de diversos seriados de TV, seguindo passos de jovens estrelas de um passado recente como Hilary Duff e Vanessa Hudgens. Embora seja a atriz mais conhecida do trio, o roteiro é atencioso ao tratar todas elas com a mesma importância e dar a seus personagens momentos de destaque em pé de igualdade.

Grace (Selena Gomez) é uma jovem que sempre sonhou conhecer Paris e a chance chegou como um presente de formatura. Ela já está com tudo certo para viajar na companhia de Emma (Katie Cassidy), sua melhor amiga, mas terá que levar a tira-colo a sua quase irmã Meg (Leighton Meester), a filha de seu padrasto. O trajeto pelos pontos turísticos da cidade-luz não é tão agradável quanto elas imaginavam e as próprias não se entendem muito bem inicialmente, mas algo inesperado está para acontecer a elas. Elas se perdem do grupo de viagem e Grace acaba sendo confundida com uma rica socialite chamada Cordelia (Selena Gomez), esta que deveria ir a um evento beneficente em Monte Carlo para entregar um valioso colar a ser leiloado e assim ter um tempo de trégua nas constantes perseguições da família que não suporta seu jeito rebelde de ser. Assim, o trio de garotas acaba fazendo a tal viagem, se hospedando em lugares luxuosos e comendo e se vestindo do bom e do melhor. Cada uma delas também encontra alguém para amar em meio as belas paisagens da cidade, mas a vida boa está por um fio. O tal colar some e a verdadeira milionária não tarda a chegar. A história é bem feitinha e consegue agradar não só as adolescentes, mas também as mulheres mais adultas com facilidade, até porque o recurso de utilizar cenários reais de países europeus cai muito bem às comédias românticas, visto o sucesso de filmes como Sob o Sol da Toscana e Cartas Para Julieta. O público masculino deve ter um pouco mais de dificuldades em se entreter, mas é uma dose de açúcar que não chega a causar problemas, dá para encarar bem.
 
Inspirado no livro “Headhunters”, de Jules Bass, o roteiro foi escrito por April Blair, Maria Maggenti e pelo também diretor do filme Thomas Bezucha, o mesmo de Tudo em Família. Na realidade eles só se inspiraram nessa história, criando outra bem diferente. No original, três mulheres de meia idade fingiam serem herdeiras ricas enquanto estavam à procura de maridos pertencentes a classe alta em Mônaco, mas acabam encontrando parceiros que também fingem ser milionários. A obra foi lançada em 2002, mas três anos antes já haviam sido vendidos os direitos de sua adaptação cinematográfica, mas da fase da idéia de um projeto de cinema até seu lançamento definitivo muita água rola. Julia Roberts e Nicole Kidman, esta também produtora do longa, já estavam certas para dar a vida a duas das protagonistas, mas os produtores acabaram definindo que o filme deveria ser destinado a platéias mais jovens e assim os trabalhos foram todos refeitos, incluindo a escalação de elenco. A versão mais adulta do enredo poderia ser boa e quem sabe até seja aproveitada futuramente, afinal histórias recicladas é o que não falta no cinema atualmente, mas a versão adolescente também é eficiente e está até um pouco acima da média do que é oferecido ao seu público-alvo normalmente. Dá até para tirar uma lição de moral, que a mentira não compensa, que o principal na vida é ser você mesmo e blá, blá, blá... Monte Carlo se resume a uma divertida opção para ocupar o tempo livre e certamente se tornará um clássico do tipo sessão da tarde. Felizmente passa longe de ser o desastre que aparenta, até porque foi lançado praticamente sem divulgação no Brasil. Nem tudo que carece de publicidade deve ser classificado como lixo que as distribuidoras tentam esconder. Vale a pena dar uma chance.

Comédia Romântica - 109 min - 2011 - Dê sua opinião abaixo.

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