domingo, 15 de abril de 2012

O DESAFIO DE DARWIN

Nota 4,5 Polêmica sobre estudos de Darwin são expostos em longa que esquece da dramaticidade

Filmes que fazem questão de destacar que são baseados em fatos reais já carregam a difícil tarefa de procurar não fugir muito das histórias que os inspiraram, mas quando os acontecimentos e os personagens fazem parte da História mundial os cuidados precisam ser redobrados. Quem se habilita a realizar produções que enfocam a vida e as realizações de pesquisadores, personalidades históricas e afins provavelmente não sonha com o sucesso, mas visa primeiramente realizar trabalhos que satisfaçam seus próprios desejos e que com o tempo podem acabar ganhando visibilidade no meio acadêmico. Sim, existem centenas de filmes que involuntariamente ou não tornaram-se opções que dificilmente um espectador de fim de semana se interessaria em ver, porém, são importantes materiais de apoio para estudantes, professores e porque não para alguns curiosos em determinados assuntos. O problema é que essa rotulagem passa a ideia de que produtos do tipo são chatos e extremamente didáticos, embora muitos sejam verdadeiras superproduções (ou pelo menos eram para os padrões de suas épocas). O Desafio de Darwin é um produto atípico nesta linhagem. Com direção de John Bradshaw, esta é uma produção de época caprichada nos detalhes visuais e técnicos produzida pela National Geographic Television associada a outras produtoras menores, o que explica seu aspecto documentário realçado, visto que em termos de dramaturgia o longa deixa muito a desejar. A trama se desenvolve a partir de meados de 1858, quando as vidas pessoal e profissional do pesquisador Charles Darwin (Henry Ian Cusick) pareciam estar desmoronando. Na Inglaterra vitoriana, sua revolucionária teoria da evolução das espécies está sendo contestada pela comunidade religiosa e até mesmo pela científica visto que outro pesquisador teria publicado ideias parecidas com a de seus estudos. Sua esposa Emma (Frances O’Connor), uma devota cristã, o surpreende com a ajuda que ela lhe oferece fazendo-o perceber que aquilo que ele chamava de mistérios da vida é afinal a verdade escondida há milhares de anos sobre a evolução das espécies e com provas científicas, não apenas palavras vagas. Paralelo a esse problema, alguns dos filhos de Darwin ficam gravemente doentes, o que traz a tona as lembranças da filha que ele perdeu alguns anos antes.

O filme tenta compilar como ocorreram os estudos, observações e experimentos que levaram Darwin a criar sua tão famosa teoria e a discursar sobre a seleção natural, inclusive uma expedição pelo Brasil, mais especificamente na região da Amazônia, porém, ele esperava publicar suas conclusões em um único livro, o seu legado de toda uma vida de dedicação à ciência, mas por suas verdades conflitarem com os valores religiosos da época relutou muito até decidir publicá-las. Eis que surge em seu caminho Alfred Wallace (Rhys Bevan-John) que havia redigido um material extremamente parecido com seus estudos. Darwin se publicasse agora seu livro poderia ser acusado de plagiador e o próprio não se dava o direito de negar ou contestar estes escritos posteriores. Tal gancho do roteiro de John Goldsmith é bem interessante e claramente o principal interesse da obra, contudo, a inserção de problemas de ordem pessoal do cientista acaba por enfraquecer a trama que além de um tanto lenta em algumas partes é didática demais ou até mesmo superficial. Nem mesmo os apontamentos religiosos contra os estudos sobre as espécies, outra grande polêmica do enredo, ganham uma representação digna. Os intérpretes de Darwin e sua esposa infelizmente não conseguem imprimir dinamismo em suas criações, papéis que acabam tornando-se enfadonhos e não conseguindo envolver o espectador, o que compromete intimamente a apreciação do filme como um todo. É curioso que justamente as cenas mais questionadas pelo seu apelo documental são as que no final das contas salva O Desafio de Darwin do ostracismo total e traz certa visibilidade entre estudantes e professores. É uma pena, afinal a trajetória do cientista deve conter muitas passagens interessantes a serem exploradas. De qualquer forma, um título que pode plantar dentro do espectador a sementinha da curiosidade para este e outros assuntos. Bradshaw deu sua visão dos fatos acerca dos estudos que foram um divisor de águas na História da humanidade. Com a internet hoje em dia não há desculpas para não se aprofundar nos temas. 

Drama - 102 min - 2009 - Dê sua opinião abaixo.

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