domingo, 8 de julho de 2012

AMOR POR ACIDENTE (1996)

Nota 5,0 Garota assume nova personalidade em romance previsível e que dispensa o humor

As comédias românticas são um gênero que inevitavelmente vive de reciclar clichês. É praticamente impossível hoje em dia pensar em algo original nesse campo, mas essa escassez de ideias aparentemente já é um problema antigo o que explica a pouca repercussão de Amor por Acidente lançado pouco tempo depois do estrondoso sucesso Enquanto Você Dormia que já mostrava o carisma de Sandra Bullock junto ao público. Ambos os filmes tem em comum a troca de identidade a partir de um acidente. Baseado no romance “Eu me Casei com um Homem”, de Conell Woolrich, o longa conta a história de Connie Doyle (Ricki Lake) que era uma adolescente quando Steve (Loren Dean) lhe ofereceu carinho e proteção, tudo que uma adolescente sonhadora gostaria, porém, aos dezoito anos descobriu estar grávida e ele a colocou para fora de casa. Sozinha e sem emprego, a jovem decide ir embora de Nova York e voltar para Boston, mas não tinha nem mesmo dinheiro para pagar a viagem de trem. Quando tenta enganar o cobrador, Hugh Winterbourne (Brendan Fraser) escuta a conversa e muito bondoso resolve ajudá-la fingindo ser seu marido e lhe pagando a passagem. O rapaz na realidade é casado com Patricia (Susan Haskell), que também está na viagem e coincidentemente grávida. Um grave acidente acaba acontecendo com o trem e Connie desperta no hospital após alguns dias em coma. Ela já teve seu filho e então percebe que na pulseira de identificação do bebê está o nome Patricia. Os médicos acreditam que ela está confusa por causa do trauma e não se recorda de quem é. Passado o susto ela se dá conta de que o casal Winterbourne faleceu, mas devido a uma brincadeira antes do episódio envolvendo uma aliança acreditam que ela seja Patricia, chegando ao ponto de receber um telefonema da sogra, a milionária Sra. Grace (Shirley MacLaine), convidando-a para viver em sua mansão já que a moça não teria família nos EUA. Pensando no bem estar do filho, Connie decide levar a mentira adiante e acaba conquistando a confiança da matriarca da família. Fraser ainda não era um astro na época, mas sua participação não podia se resumir a alguns poucos minutos no início da fita. Os roteiristas Phoef Sutton e Lisa-Maria Radano trazem o ator de volta na pele de Bill, irmão gêmeo de Hugh. O rapaz é esnobe e não aceita bem a presença da cunhada em sua casa.

Desconfiando de suas origens, Bill começa a especular sobre o passado do casal tentando pegá-la de calças curtas e até amigos e parentes da família estranham o seu estilo brega de se vestir e desengonçado de agir. Todavia, Grace não quer saber dessas especulações e até pensa em incluir a jovem e o neto em seu testamento. Após um banho de loja e mudança de visual, é óbvio que Bill passará a ver a impostora com outros olhos, mas quando tudo parecia estar bem ela recebe uma carta anônima questionando sobre quem realmente ela era e quem seria o pai do bebê. Desesperada ela decide fugir, mas Bill a segue e se declara apaixonado, deixando latente que saberia que ela não é a verdadeira Patricia, mas que a essa altura do campeonato isso era apenas um detalhe. Ela aceita a proposta, porém, Steve ressurge já sabendo da boa vida que a ex estava levando e quer lucrar com isso também, seja assumindo a paternidade da criança ou até sequestrando-a para pedir resgate. Com direção de Richard Benjamin, de clássicos da “Sessão da Tarde” como Minha Mãe é uma Sereia e Feita Sob Encomenda, infelizmente falta humor à Amor por Acidente, mas pelo menos a dose extra de situações românticas e dramáticas tira levemente a obra do lugar comum. É bem agradável todo o desenvolvimento do enredo, apesar de toda a previsibilidade, tendo na reta final uma pitada de suspense policial para agitar as coisas. O casal protagonista pode ter sido um empecilho para a carreira do filme. O envolvimento dos atores não chega a causar furor, tampouco compromete a trama, mas a pouca popularidade do casal pode ter atrapalhado. Fraser estava a dois anos de estrelar seu primeiro grande sucesso, George – O Rei da Floresta, e Lake que estrelou o nostálgico e cult Hairspray – E Éramos Todos Jovens no final dos anos 80 tentava recuperar sua carreira no cinema, o que acabou não acontecendo. De qualquer forma, mais uma produção que deve ter marcado a infância ou adolescência de quem podia ficar a tarde curtindo filmes na TV e que vez ou outra é apresentado para novas gerações e deleite dos saudosistas.

Romance - 104 min - 1996 - Dê sua opinião abaixo.

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