quinta-feira, 5 de julho de 2012

UM FAZ DE CONTA QUE ACONTECE

NOTA 8,5

Adam Sandler dosa seu
humor caracterísico para
se enquadrar ao estilo
Disney de fazer cinema
Adam Sandler é um ator que fincou raízes no gênero comédia e coleciona milhares de fãs por todo o mundo, principalmente pelo fato de seus personagens conquistarem a simpatia imediata com as platéias. Ele está acostumado a viver trintões que se esqueceram de crescer e que só pensam em diversão e mulheres, assim palavrões e piadas de duplo sentido estão sempre na ponta de sua língua, ainda que ele não seja o ator mais desbocado de sua geração. Porém, muitas crianças também são fãs do comediante e talvez por isso ele tenha sido escalado para protagonizar Um Faz de Conta que Acontece, comédia familiar dos estúdios Disney que nos últimos anos tem repensado seu manual de trabalho. Antes seria difícil acreditar que um longa protagonizado pelo astro de Click ou Gente Grande saísse da casa do Mickey Mouse, entretanto, a escolha foi acertada. O ator está totalmente a vontade interpretando, para variar, um cara que já não é mais nenhum adolescente, mas ainda não sabe bem o que quer da vida e vive de sonhos. Ele interpreta Skeeter Bronson, um rapaz que cresceu vivendo o cotidiano agitado de um gigantesco e refinado hotel que seu finado pai construiu. Já adulto, ele é uma espécie de funcionário mil e uma utilidades do local, mas sonha com uma grande chance de trabalho lá mesmo. Sua pacata vida muda completamente quando sua irmã Wendy (Courteney Cox) deixa seus dois filhos, Patrick (Jonathan Morgan Heit) e Bobbi (Laura Ann Kesling), aos seus cuidados. Entreter as crianças não é uma tarefa fácil, mas ele recebe a ajuda de uma amiga da sua irmã, Jill (Keri Russell), que as leva e busca na escola, assim diariamente encontrando com Skeeter. Como praticamente tudo na vida do rapaz, conquistar o amor da jovem parece ser um sonho impossível. Aliás, é justamente colocando a imaginação em primeiro lugar que esse tiozão consegue prender a atenção dos sobrinhos. Ele começa a contar histórias e elas o ajudam a narrar eventos inimagináveis e nos mais diferentes lugares, desde a antiguidade na Grécia, passando pelo velho oeste e chegando até o futuro no espaço. Descartando os cenários improváveis, Skeeter se surpreende ao perceber que situações do seu dia-a-dia passam a acontecer de acordo com o rumo que as crianças deram à história que foi contada no dia anterior, mas a diversão acaba se tornando um problema a partir do momento em que ele começa a manipular os sobrinhos para eles criarem a continuidade dos contos de acordo com aquilo que ele deseja que aconteça de verdade em sua vida. 
 
Para dar um pouco mais de sustentação ao roteiro, os autores Matt Lopez e Tim Herlilhy adicionaram ao enredo o fato de que Skeeter não procura manipular as histórias apenas para conquistar o amor de Jill, mas também para recuperar aquilo que deveria ser seu. Por motivos financeiros, Marty (Jonathan Pryce), seu pai, foi obrigado a vender o hotel ao empresário Barry Nottingham (Richard Griffiths), mas fez o comprador prometer que quando seu filho fosse adulto ele ganharia o direito de gerenciar o empreendimento. Porém, a promessa não foi cumprida e agora existe até um concorrente para ocupar a vaga, o pretensioso Kendall (Guy Pearce). O elenco parece estar nas nuvens e ter sido atraído para o projeto justamente pela proposta lúdica e a possibilidade de viverem diversos personagens em um mesmo trabalho sem a necessidade de se aprofundarem neles. Obviamente ninguém esperava ganhar prêmios com suas atuações. Com uma produção que exala alto astral, todos demonstram ter se divertido durante as filmagens, o que explica os exageros de certas cenas. Já estamos acostumados ao estilo de atuação de Sandler, mais criança que os próprios atores mirins que interpretam seus sobrinhos, mas não deixa de causar certo estranhamento alguns momentos de Pearce, como no momento em que seu personagem e Skeeter precisam fazer uma apresentação que faz parte do processo seletivo para ver quem ficará com a vaga de gerente. A disputa entre os atores para ver quem é o mais exagerado e careteiro é acirrada. Para equilibrar a bagunça, ao menos Keri parece ser a mais serena e normal de todo o elenco. Ah, e não podemos esquecer o personagem mais emblemático do longa, o Zoiudo, o porquinho da índia de olhos esbugalhados de estimação de Patrick e Bobbi, o responsável por boas gargalhadas. Aliás, risos não irão faltar para aqueles que só querem se divertir e não estão nem aí para encontrar defeitos no filme, mas para quem espera piadas chulas ou de duplo sentido, o estilo cômico tradicional de Sandler, devem se decepcionar. Até a pequena participação de Rob Schneider, o eterno Gigolô por Acidente e adepto de baixarias, é puxada para o politicamente correto, mas nem tanto.
Por se tratar de uma produção que visa indiscutivelmente o público infantil, e consequentemente seus familiares, as situações do drama e do romance são praticamente detalhes. O que importa mesmo para a criançada é a fantasia propiciada pelas histórias inventadas, como uma inesperada chuva de chicletes, sequências bem realizadas, divertidas e com figurinos e cenários propositalmente exagerados para evidenciar as tramas paralelas que influenciam a narrativa real. Com parte técnica correta e tradicional (na época felizmente ainda o 3D não era uma febre), Um Faz de Conta que Acontece já nasceu com pinta de clássico no melhor estilo sessão da tarde e tem como um de seus maiores méritos resgatar nos adultos e reforçar nas crianças a importância de sonhar e jamais abandonar seus objetivos independente das dificuldades encontradas no caminho para realizá-las. Divertido, colorido, agitado e com mensagens positivas nada implícitas, esta é uma produção que deve agradar a todas as idades, mas para curtir o filme plenamente é preciso estar na vibe do espírito Disney de fazer cinema. O diretor Adam Shankman, que assina a direção do musical Hairspray – Em Busca da Fama, conseguiu uma mistura perfeita do que há de melhor nas produções do estúdio (e do que há de pior também, diga-se de passagem) ao estilo de Sandler, que mais uma vez vive um simplório personagem que começa o filme em baixa, mas que acaba bem na fita no final e conquistando o amor da mocinha. Ih, escapou! Bem, ninguém pode esperar algo diferente de um final feliz neste caso. É inconfundivelmente uma obra Disney!
Infantil - 95 min - 2008 - Dê sua opinião abaixo.
 

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