sexta-feira, 31 de agosto de 2012

A VILA

NOTA 10,0

Utilizando um vilarejo antigo,
longa recorre a metáfora para
fazer uma inteligente crítica
às sociedades modernas 
Quando alguém dá um golpe de sorte e logo no início da carreira consegue sucesso absoluto não pode relaxar e acreditar que está com a vida ganha. Que o diga o outrora cultuado cineasta M. Night Shymalan que causou frisson com O Sexto Sentido e até certo burburinho positivo em torno de Corpo Fechado. O público imediatamente se acostumou a ligar o seu nome a filmes de suspense que realmente pegam quem assiste de calças curtas, apesar de que após um auspicioso começo profissional seus trabalhos seguintes não atingiram mais a aprovação unânime por parte da crítica e nem mesmo do público sendo ainda massacrados nas bilheterias.  Infelizmente este é o caso de A Vila, uma obra subestimada, mas que merece uma revisão para quem sabe mudar a opinião daqueles que simplesmente classificam como lixo um dos melhores filmes produzidos nos últimos anos. E para quem ainda não assistiu influenciado pelas críticas negativas, já passou da hora de tirar suas próprias conclusões, caso contrário, você será tão alienado quanto a maior parte dos personagens deste filme. Sim, isto mesmo. Por trás de todo verniz amedrontador da obra, o diretor tem como principal objetivo fazer uma crítica às sociedades modernas. Digna de verdadeiros estudos para dissecar a fundo seu excelente roteiro, esta produção também pode gerar interpretações diversas se analisarmos o estilo de fazer cinema de Shymalan e o que os espectadores esperam ver em um trabalho seu. É justamente aí que o caldo entorna: o público tem uma visão singular da filmografia deste cineasta indiano e ele, por sua vez, não quer se prender a um estilo único, ou melhor, joga a isca vendendo seu peixe apostando no que deu certo uma vez, o suspense, mas sempre adotando um viés diferente para contar suas histórias fantásticas. No caso do filme em questão, as pessoas esperavam encontrar elementos sobrenaturais, bons sustos e, obviamente, um final inesperado. Contudo, todos estes elementos estão aqui, mas diluídos em uma narrativa lenta que desagradou os fãs de Shymalan, além do fato de causar estranheza a reviravolta surpresa acontecer gradativamente da metade para o final, o que esvazia as expectativas de uma conclusão avassaladora. O enredo se divide em duas partes. A primeira privilegia o suspense de forma angustiante e totalmente verossímil apostando no terror psicológico, aquela tensão que todos já vivemos pelo menos uma vez na vida com medo de algo desconhecido. Já a segunda desconstrói aos poucos a atmosfera sufocante e abre espaço para o drama e para interpretações fabulosas de um elenco talentoso, mas ainda são mantidos alguns mistérios em suspenso.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

A VIDA SECRETA DOS DENTISTAS

NOTA 6,5

Longa acompanha o cotidiano
de um casal que vive uma união
de fachada, uma situação que traz
consequências para toda família
Mais difícil que escrever um roteiro ou concluir suas filmagens só mesmo a etapa de batizar um projeto. Alguns filmes só ganham título após todas as fases de produção terem sido concluídas, quando já se tem a ideia concreta do que o produto será. Outros trabalhos só ganham seu pontapé inicial, inclusive a redação da história, quando já estão intitulados.  Dar nome a um filme é muito complicado e é curioso quando a junção de algumas simples palavras podem passar ao público sentidos diferenciados. A Vida Secreta dos Dentistas é um bom exemplo. Embora seja claramente uma obra alternativa pela penca de indicações e participações em festivais que ostenta, com certeza quem se arrisca a assistir a este trabalho guiando-se pelo título se decepciona, inclusive os próprios profissionais da área de odontologia que não resistem a dar uma conferida. Ele remete a muitos espectadores a ideia de comédia, mas o nome cai como uma luva para este drama conjugal que envolve obviamente os dentistas, seus assépticos ambientes de trabalho e uma temática universal, mas cujo ritmo lento e ausência de momentos arrebatadores acabam trabalhando contra a obra em termos comerciais. Baseado no romance “The Age of Grief”, de Jane Smiley, o roteiro de Craig Lucas acompanha o cotidiano do casal Dana (Hope Davis) e David Hurst (Campbell Scott) que não dividem apenas a cama, mas também trabalham juntos em um consultório dentário. Quando estão em casa eles dedicam atenção para as três filhas pequenas, porém, no trabalho mal se falam optando por respeitarem suas individualidades. E tempo para eles dois? Perecbe-, portanto, que a aparente limpeza da clínica pode esconder germes e bactérias. Dana é apaixonada por ópera e participa do coro de uma produção teatral e em breve irá fazer uma apresentação. No dia do espetáculo, David encontra motivos para desconfiar que sua mulher o traia e passa a perceber que ela tenta se esquivar constantemente da família e do trabalho, provavelmente para poder ter seus encontros com o amante. Ao contrário da reação da maioria dos maridos traídos, ele resolve levar toda a situação com panos quentes, mas sem tirar os olhos de cima da esposa, chegando até mesmo a ter visões dela tendo relacionamentos com outros homens no próprio consultório. Todavia, a ruptura da família parece eminente, mas um problema inesperado de saúde que atinge a todos os membros pode uni-la novamente.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

OS QUERIDINHOS DA AMÉRICA

NOTA 4,0

Elenco de peso e premissa
interessante são perdidos
em filme simplório que
prometia muito mais
Julia Roberts nos últimos tempos tem feito poucos filmes, preferindo se dedicar as personagens de mãe e dona de casa na vida real, mas nos anos 90 sua vida era bem diferente. Estrelou muitos filmes, procurou desafios na carreira e cada passo seu era vigiado por fotógrafos e jornalistas de plantão. Ela fechou sua década de sucesso ironicamente vivendo uma estrela de cinema em Um Lugar Chamado Notting Hill como se desse um recado à imprensa dizendo que sua profissão é a de atriz e que ela tem o dever de cumprir sua agenda de eventos ligados a seus filmes, mas quando está fora dos sets de filmagens ou das entrevistas coletivas ela é uma mulher comum que deseja ser amada, ter uma família e acima de tudo ter privacidade. Dois anos depois ela teve uma nova chance de expor implicitamente seus pensamentos quanto aos mecanismos da indústria do entretenimento e da fofoca, mas desta vez a crítica parecia um pouco mais ácida. Os Queridinhos da América é na teoria uma espécie de vingança dos envolvidos na produção de um filme contra os profissionais do jornalismo que quando participam de uma coletiva de lançamento não estão muito atrás de ver se o produto final ficou bacana, mas sim em flagrar gafes, desentendimentos ou deslizes das estrelas. Convidada para ser a protagonista, Julia preferiu um papel mais discreto, porém, não menos importante na trama. Ela vive Kiki, uma mulher tímida que trabalha como assistente de sua irmã Gwen Harrison (Catherine Zeta-Jones), uma famosa atriz de Hollywood que está prestes a se separar definitivamente de seu marido, o também ator Eddie Thomas (John Cusack), um cara metido a galã que não se conforma que sua ex está de caso com o galanteador espanhol Hector (Hank Azaria). O problema é que a vida conjugal destes astros está intimamente ligada com o sucesso profissional de ambos. Após estrelarem quase uma dezena de produções, agora eles têm um novo lançamento para entrar em circuito de exibição e precisam manter as aparências durante algum tempo de que ainda formam um casal feliz e apaixonado.
 

terça-feira, 28 de agosto de 2012

ELEKTRA

NOTA 3,0

Personagem rico em conflitos
e personalidade é diminuído a
uma típica heroína de sessão da
tarde por exigências comerciais
Para boa parte dos brasileiros, com exceção daquela turma taxada de nerd, o mundo dos quadrinhos é repleto de mistérios. Existem os mais variados tipos de HQs, inclusive muitos que são destinados exclusivamente ao público adulto, mas sem dúvida os mais populares são aqueles protagonizados por super-heróis, embora no Brasil jamais tais publicações conseguiram o mesmo nível de repercussão que os simplórios traços e enredos de Maurício de Souza e sua Turma da Mônica. Todavia, para os aficionados, é totalmente compreensível a morte e o renascimento de seus ídolos e seus encontros com heróis e vilões pertencentes a outros universos, histórias contadas em revistas que as vezes nem chegam a ser lançadas por aqui, mas cujos originais valem ouro, ainda mais nestes primeiros anos do século 21, época em que a indústria dos quadrinhos viu seu prestígio ressurgir graças ao cinema, este, porém, sofrendo do mesmo mal que atingiu o mercado de tais publicações: a preocupação com o visual sobreponde-se a qualidade das histórias. Os longas baseados nas aventuras de heróis famosos e com apelo junto ao público infanto-juvenil até que conseguiram fazer fortuna e colher elogios, mas tudo que é demais enjoa e as vítimas desse excesso claramente foram os personagens menos conhecidos. Demolidor – O Homem sem Medo não foi o sucesso esperado e por aí já é de se estranhar as razões que levaram produtores a investir dinheiro em uma espécie de sequência não oficial. Elektra não traz de volta Ben Affleck, mas sim Jennifer Garner repetindo seu papel de ninja gostosa que curiosamente morreu em sua primeira aparição nos cinemas. Todavia, em Hollywood tudo é possível e como esta personagem feminina teve muito mais repercussão que o protagonista da aventura anterior, magicamente ela volta à vida por obra de Stick (Terrence Stamp), o líder de um culto cujos participantes são chamados de os Virtuosos e que travam uma guerra que já dura séculos contra o Tentáculo, uma organização de ninjas a serviço do mal. Ela recebeu treinamento baseado nas artes marciais e no uso de armas, no seu caso uma adaga especial, mas não se adequou ao estilo do grupo e acabou sendo expulsa pelo próprio homem que lhe ressuscitou, decidindo assim a tentar ganhar a vida como uma assassina profissional. Contudo, quando é contratada para Abby (Kristen Prout) e Mark Miller (Goran Visnjic), pai e filha, Elektra não aceita a missão, mesmo sendo eles os responsáveis por trazer a tona alguns traumas de sua infância, e passa a ajudá-los a fugir de seus perseguidores.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

DEMOLIDOR - O HOMEM SEM MEDO

NOTA 6,5

Longa protagonizado por herói 

pouco conhecido é prejudicado por
exigências para transformá-lo
obrigatoriamente em um sucesso
Os filmes de super-heróis acabaram formando um subgênero rentável, consagrado e explorado timidamente no passado, sendo as aventuras de Superman e do Batman as produções mais lembradas, mas desde que os mutantes de X-Men aportaram nos cinemas a onda de adaptações de quadrinhos tornou-se uma febre. Após a confirmação de sucesso do ramo com Homem-Aranha, parecia que apostar nos velhos gibis se tornaria a fórmula mágica de Hollywood e que qualquer projeto do tipo teria sua bilheteria inflada garantida, além é claro de ao menos uma continuação e de dezenas de produtos licenciados com a logomarca, mas Demolidor – O Homem Sem Medo veio logo em seguida para esfriar os ânimos. Embora seja uma produção caprichada que leva nos créditos o nome da editora Marvel, que acabou criando um braço cinematográfico, ela chegou aos cinemas pouco tempo depois da primeira aventura original do citado herói aracnídeo e essa proximidade de datas não lhe fez bem, sentindo os efeitos positivos e negativos dessa leve overdose de mascarados justiceiros. A culpa pelo fracasso nas bilheterias e repercussão é distribuída entre várias razões, a começar pelo fato do personagem-título jamais ter tido sua imagem explorada com afinco a âmbito mundial assim não tendo criado raízes na cultura pop. Só mesmo quem é aficionado por quadrinhos poderia conhecer o Demolidor e seu universo, mas mesmo hoje em dia, após anos do lançamento do filme, é triste verificar que o personagem não ganhou o prestígio que merece afinal suas origens são no mínimo curiosas. A história é de fácil compreensão até mesmo para quem nunca leu uma de suas aventuras e o leve tom dramático de sua história ajuda a segurar a atenção. Esta é a oportunidade do público conhecer um tipo diferente de herói, um ser com uma trajetória mais adaptável ao cotidiano da realidade, um homem vítima da violência que assola as sociedades em geral. Ele não tem poderes especiais oriundos de mutações ou experiências genéticas, pelo contrário, sua força provém da forma intensa com que treinou seus sentidos, como o tato e a audição, para enfrentar as dificuldades que a vida lhe impôs. Quando criança, após se decepcionar ao descobrir o verdadeiro ramo de trabalho de seu pai, o jovem Matt Murdock (Scott Terra) sofreu um acidente que acabou fazendo com que ele perdesse a visão. Porém, ele não deixa se abater e faz de seu sofrimento uma inspiração para desejar continuar a viver e a lutar por justiça. Mesmo sem poder enxergar, o garoto consegue perceber nitidamente o que ocorre a sua volta e não demonstra ter medo de absolutamente nada.

domingo, 26 de agosto de 2012

QUASE VIRGEM

Nota 1,0 Comédia adolescente, para variar, aposta em piadas constrangedoras e idiotas

Pelo título você já sabe o que está te esperando. Quase Virgem é sim mais um daqueles filmes de jovens bobalhões que só pensam naquilo e vão fazer de tudo para saciar suas vontades sexuais deixando de lado qualquer tipo de escrúpulos, ofendendo até as próprias honra e consciência em prol de alguns minutinhos de prazer. A trama gira em torno de Ed Waxman (Brendan Fehr), um jovem que era um excepcional publicitário, mas tudo mudou após ser abandonado pela noiva. Seu desânimo tornou-se incontrolável e ele resolveu abdicar de sua vida pessoal e mergulhar no trabalho, mas o momento depressivo também influenciou negativamente nas campanhas que passou a criar, diga-se de passagem, uma mais deprimente que a outra. Já seu irmão Cooper (Chris Klein), um ator sem sucessos no currículo, é o típico malandro mulherengo. Sempre de bem com a vida ele tentou dar uma força ao irmão incentivando-o a deixar a vergonha de lado e finalmente criar coragem para convidar uma garota para sair afinal de contas o tempo passou e ele já estava vivendo cerca de um ano de completa reclusão. Porém, a ajuda de Cooper mais atrapalha o irmão do que outra coisa. O metido a conquistador não vê sentido em encontros apenas para bater papo e tenta ao máximo conseguir uma noitada bem devassa para o publicitário, mas por conta dos planos furados até na cadeia Ed vai parar, local onde encontra uns tipos não muito confiáveis. As moças que ele conheceu também não eram bem o que ele procurava. Ao mesmo tempo em que precisa lidar com seus fracassos amorosos, Ed precisa urgentemente ter uma boa ideia para salvar seu emprego, no entanto, a solução de ambos os problemas que lhe tiram a paz podem estar relacionadas. Alinhavando esse fiapo de história temos uma avalanche de piadas escatológicas e outras para deixar qualquer um ruborizado, além de mulheres com pouca roupa desfilando pela tela.

sábado, 25 de agosto de 2012

D-WAR - GUERRA DOS DRAGÕES

Nota 2,0 Apesar de bem intencionado, longa tem história ruim e efeitos especiais fraquíssimos

Filmes com animais ferozes, gigantescos e sedentos por trucidar humanos já viraram, como se diz por aí, carne de vaca. Sinônimos de produções de baixo orçamento e de qualidade duvidosa em diversos aspectos, mesmo assim ainda existem produtoras e distribuidoras que investem ou até mesmo se sustentam explorando esse filão que já rendeu Anaconda, Pânico no Lago, entre tantas outras pérolas trash. Difícil imaginar que ainda exista quem se interesse por obras toscas e com roteiros requentados envolvendo animais geneticamente modificados e outras aberrações, mas sempre tem algum produto estranhíssimo do tipo sendo lançado. Investir em criaturas do passado também pode ser uma opção para alimentar tal nicho. Os dinossauros já foram protagonistas de alguns filmes precários e outros até com tecnologia de ponta. Um pouco parecidos com eles, mas um tanto fantasiosos, os dragões, símbolos importantíssimos na cultura oriental, também já ganharam as telas em diversas ocasiões, mas hoje em dia é difícil pensar neles como criaturas sanguinárias, já que eles constantemente batem ponto nas produções infantis fazendo as vezes de dócil animal de estimação. D-War Guerra de Dragões viria para resgatar a antiga imagem ameaçadora desses animais. A história começa na Coréia, durante o período da Dinastia Chosen, com o nascimento da filha de um poderoso rei. Um monge fala para o monarca sobre os perigos que cercam o nascimento da menina, que poderia ser a chave para a sobrevivência da humanidade perante a encarnação de uma poderosa serpente que tem o poder de se transformar em dois dragões alados que lutam pela soberania, chamados Imoogi, que representa o bem, e Buraki, que é do lado do mal. Para evitar tragédias no futuro, um jovem aprendiz passa a ser treinado para proteger a garota até o seu vigésimo aniversário. Quando o dia fatídico chega, a cidade é invadida e apenas o aprendiz é deixado para salvar a menina, mas ele acaba falhando.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

MOULIN ROUGE - AMOR EM VERMELHO

NOTA 10,0

Longa ressuscita o gênero
musical em grande estilo,
apostando em história de amor
contada de maneira vibrante
Durante muitos anos os musicais foram sinônimos de cinema de primeira e marcaram uma fase de ouro de Hollywood. Em meados dos anos 60 o gênero começou a sua decadência sendo sucumbido por produções mais ousadas e realistas. Em tempos de guerras, ganância e luta pela liberdade e direitos, já não havia mais espaço para a magia do casamento da sétima arte com o mundo da música. Um ou outro musical como Cabaret ou Grease – Nos Tempos da Brilhantina conseguiu fazer sucesso e atravessar décadas sendo lembrado de forma ativa e indicado às novas gerações, mas definitivamente as produções do tipo pareciam fadadas ao ostracismo. Eis que em pleno início do novo século o mundo foi surpreendido com o lançamento de Moulin Rouge – Amor em Vermelho, um ousado e criativo projeto do diretor e roteirista Baz Luhrmann, antes responsável por uma versão mais moderninha de um conto clássico, Romeu + Julieta. Sua especialidade parece ser oferecer verdadeiros espetáculos visuais e sem medo de reinventar fórmulas. No caso ele reinventou os musicais e entregou ao público uma obra ímpar utilizando ao máximo os recursos sonoros e visuais a favor de sua narrativa, optando por toques sutis de computação gráfica e exaltando o lado artesanal de se fazer cinema. Tudo isso sem abrir mão de imprimir sua marca: o exagero, no bom sentido. A história começa na virada do século 19 para o 20 nos apresentando ao jovem Christian (Ewan McGregor), um escritor que está passando por um bloqueio criativo por perceber que nunca se apaixonou de verdade e assim não poderia jamais escrever sobre o amor de forma clara e sincera. Em Paris, no bairro boêmio de Montmartre, ele recebe o apoio do artista plástico Henri de Toulouse-Lautrec (John Leguizano) e de uma trupe de artistas que o ajudam a participar da vida social e cultural do local que giram em torno do famoso cabaré Moulin Rouge. Ao visitar o local, Christian se apaixona a primeira vista por Satine (Nicole Kidman), a grande estrela da casa de espetáculos, que na realidade é um bordel. Graças a um mal-entendido, os dois têm a chance de ficarem a sós por alguns minutos, tempo suficiente para que a moça correspondesse ao amor do rapaz, porém, ela já está prometida ao Duque de Monroth (Richard Roxburgh), que em troca do casamento promete transformá-la em uma grande atriz e o Moulin Rouge em um elegante teatro. Mesmo pressionada por Harold Zidler (Jim Broadbent), o ganancioso dono do cabaré, em comum acordo Satine e Christian decidem viver seu romance às escondidas, mas uma hora ela deverá escolher entre viver um amor verdadeiro ou realizar-se profissionalmente.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

O ENVIADO (2002)

NOTA 4,5

Tema polêmico e rico em
possibilidades é desperdiçado
em longa que se enrola entre
clichês e gênero indefinido
Em tempos em que a vida de um ser humano parece não ter valor algum diante dos bens materiais é até bom assistirmos obras que ressaltem a ideia de que uma morte no trânsito ou em um assalto não deve ser considerada apenas como um número a mais nas estatísticas, mas sim como uma perda irreparável para um núcleo familiar, uma pessoa que jamais terá substituto. Ou será que existiria tal possibilidade? O Enviado procura responder a essa pergunta, mas acaba se enrolando com as inúmeras possibilidades que o tema oferece. A indefinição entre ser um drama, suspense, terror ou representante de ficção científica acabou não só colaborando para a má reputação desta produção perante os espectadores, mas até para a equipe envolvida nas filmagens o resultado final deve ter deixado um gostinho amargo. O enredo até que tem certa lógica, mas a forma como os atores atuaram dá a impressão de que nem eles mesmos sabiam qual seria a conclusão da trama. Contudo, a premissa do roteiro de Mark Bomback é bem interessante.  Paul Duncan (Greg Kinnear) e sua esposa Jessie (Rebecca Romijin-Stamos) de uma hora para a outra passaram a viver as dores de uma tragédia devido ao falecimento precoce do único filho do casal, Adam (Cameron Bright), que morreu aos oito anos de idade vítima de uma imprudência de um motorista distraído. Não demora muito e eles são procurados pelo cientista Richard Wells (Robert De Niro) trazendo uma proposta tentadora e ao mesmo tempo duvidosa. Através da clonagem ele poderia trazer Adam de volta a vida de certa forma. Jessie faria uma inseminação artificial e geraria um filho idêntico ao falecido, incluindo as características de personalidade e emocionais, mas para tanto haveria a necessidade de colher uma amostra de células da criança em um período limite antes que todas elas perdessem a vitalidade.  Os Duncans hesitam em um primeiro momento, mas a vontade de ter o filho de volta fala mais alto e eles aceitam participar deste experimento clandestino de um laboratório especializado em reprodução humana. Para evitar comentários, o casal muda inclusive de cidade para poder criar o novo Adam (mantiveram o mesmo nome) longe do medo da criança ser apontada como uma aberração. Dessa forma esta família ganhou uma nova chance de ser feliz e tudo corria bem até que o garoto completou oito anos, a mesma idade com a qual sua “matriz” havia falecido. Como em qualquer projeto experimental, neste caso não havia total certeza que o resultado final seria livre de problemas ou surpresas. O clone somente tinha a memória do que o original vivenciou até sua morte. A partir de então este novo ser aparentemente tem o livre arbítrio para traçar sua trajetória e passa a demonstrar um comportamento suspeito e agressivo.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

ATÉ O FIM

NOTA 8,0

Drama prende a atenção
sem recorrer aos artifícios
manjados do gênero, mas sua
narrativa poderia ser mais forte
Será que é possível realizar um bom suspense sem apelar para personagens do além, psicopatas sedutores ou assassinos mascarados atrás de adolescentes bobocas? A resposta é sim como prova o longa independente Até o Fim que conta com uma excelente trama policial, mas a forma como a narrativa foi desenvolvida é mais puxada para um drama. E dos bons. O filme começa mostrando Margaret Hall (Tilda Swinton) entrando em uma espécie de clube noturno para falar com um sujeito chamado Darby (Josh Lucas), um rapaz que transpira canalhice. Ela está muito preocupada, pois descobriu que seu filho adolescente Beau (Jonathan Tucker) está se encontrando as escondidas com este homem bem mais velho que descaradamente é metido com negócios ilícitos, tanto que mesmo sem revelar qual a sua real ligação com o garoto exige uma boa quantia em dinheiro para se manter afastado dele. Na mesma noite, Beau o encontra nos arredores de sua residência e discute pelo fato dele ter chantageado a sua mãe. No dia seguinte, após poucas horas da briga, a própria Margaret encontra o corpo do mau-caráter jogado na beira de um lago perto da sua casa. Querendo proteger seu filho de ser acusado de assassinato e também para não revelar o seu envolvimento íntimo com a vítima, esta mãe toma a impulsiva decisão de ela própria sumir com o corpo na ingênua tentativa de esconder que houve um crime. Logo este plano é descoberto por Alek Spera (Goran Visnjic), um rapaz que está a serviço de outro bandido que deseja chantagear Margaret, também para conseguir dinheiro fácil, utilizando uma comprometedora fita de vídeo envolvendo Beau. Os roteiristas Scott McGehee e David Siegel, também diretores do longa, basearam-se no livro “The Blank Wall”, de Elisabeth Sanxay Holding, este que já havia sido adaptado de forma mais fiel no longa Na Teia do Destino, datado de 1949. Para quem assistiu a obra antiga assinada pelo diretor Max Ophüls, as comparações com este remake podem ser inevitáveis e até prejudicar a apreciação de ambos.  É importante ressaltar que foram feitas alterações significativas na história para inseri-la da melhor forma no contexto do século 21.  Embora o longa anterior não seja creditado como inspiração, as duas obras guardam algumas semelhanças no conteúdo e até na forma como os fatos são inseridos na narrativa, principalmente em seus primeiros minutos que logo deixam explícito os conflitos dos personagens.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

OS IRMÃOS MCMULLEN

NOTA 8,0

Ator Edward Burns faz sua
estréia como diretor em
filme simples e eficiente
que enfoca relacionamentos
Simplicidade e emoção. Talvez estas duas palavras sejam as que definam melhor o conceito de filmes independentes, excetuando-se as produções talhadas para ganhar prêmios no melhor estilo Miramax (aquela produtora que bombou no passado nas premiações com títulos como Shakespeare Apaixonado e Chicago). Filmes visualmente simples, mas ricos em conteúdo, é a melhor forma de um ator conseguir fazer sua estréia na direção e foi assim que Edward Burns debutou na função de diretor. Em 1995, o cinema independente americano vivia uma excelente fase após ganhar uma injeção de ânimo com o sucesso de público e crítica de diversas produções do tipo, principalmente depois que Quentin Tarantino chegou as principais categorias do Oscar com seu Pulp Fiction – Tempo de Violência. Ok, emoção no sentido mais singelo da palavra não é a cara do trabalho citado, mas o fato de ter sido produzido longe de um grande estúdio e usando bem menos recursos financeiros que outros blockbusters da época automaticamente classificaram o longa como um expoente entre os títulos “excluídos” de Hollywood. Assim as portas do mundo cinematográfico foram abertas para dezenas de novos realizadores que mesmo com poucos recursos conseguiram produzir e lançar pequenos filmes nos quais o que mais importa é o texto, a mensagem que a obra quer transmitir. Burns, também roteirista, lançou exatamente neste período seu primeiro filme como diretor, Os Irmãos McMullen, um título rejeitado pelo mercado até que se tornou vencedor do prêmio do Júri do Festival de Sundance. A rejeição dos exibidores e empresas de vídeo doméstico é explicada pelo mesmo mal que afeta os longas apresentados nos festivais contemporâneos: a limpeza das imagens, que podem indicar falta de recursos, e a oscilação entre gêneros, no caso entre o drama e o humor leve, dois fatores que não inspiram muita confiança e dificultam cativar o espectador. Todavia, quem gosta de boas histórias e resolver dispensar um tempinho do seu dia para curtir esta produção certamente não se arrependerá. Situações distintas são traçadas em histórias paralelas nas quais três irmãos irlandeses que vivem em Long Island, nos EUA, e levam a sério o catolicismo passam por dificuldades em seus envolvimentos amorosos. Cada qual vive uma crise diferente. A intimidade com o tema garante as virtudes da obra afinal o próprio Burns é filho de imigrantes irlandeses e o segundo de três filhos. Não por acaso ele assume no longa o papel do filho do meio e dá ao elenco a segurança necessária, pois sabe bem do que está falando.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

ALBERGUE ESPANHOL

NOTA 8,5

Experiência de vida pode
ser a maior lição que
alguém pode tirar de uma
viagem de estudos
O convívio com pessoas diferentes pode ser uma experiência edificante, mas ao mesmo tempo amedrontadora. Hábitos, culturas, religiões, enfim são vários pontos que podem ser conflitantes ou, na melhor das hipóteses, transformarem a vida de alguém. O longa Albergue Espanhol está longe de representar as bizarrices de um reality show que envolva confinamento, mas não deixa de guardar semelhanças. No entanto, as experiências vividas pelo jovem francês Xavier (Romain Duris) não são orquestradas por um grupo de televisão, mas sim movidas por ele próprio e pelos personagens reais com quem ele divide um apartamento em Barcelona. Ele tem 25 anos, está prestes a se formar no curso de Economia e recebe o convite de um amigo de seu pai para trabalhar no Ministério da Fazenda. Porém, para assumir a vaga, Xavier precisará falar fluentemente espanhol, assim como ler e escrever. Decidido a se aprimorar no idioma, ele decide terminar seus estudos na Espanha e deixa a namorada Martine (Audrey Tatou) após quatro anos de relacionamento. Em um primeiro momento ele se desespera a se ver em um lugar diferente, sem poder se comunicar, remoendo as lembranças do que deixou para trás e aflito sobre como seria sua vida daqui em diante. Sua residência agora será um apartamento que dividirá com outros sete estudantes, além de seus possíveis parentes e agregados, todos de diferentes nacionalidades e com personalidades distintas, um caos que se assemelha ao estado do rapaz neste momento de mudanças, pois finalmente ele viverá como um adulto independente dos pais. O local fica conhecido pela expressão que dá título ao filme, uma gíria francesa que significa algo como “onde tudo pode acontecer”. E realmente o dia-a-dia da turma de jovens habitantes é bastante agitado, principalmente quando o assunto são as relações amorosas. Xavier passa a sentir afeto pela reprimida Anne Sophie (Judith Godrèche), um amor proibido, se torna o melhor amigo da instrutora sexual belga Isabelle (Cécile de France), que gostaria que ele fosse uma mulher, e não está totalmente a vontade com a visita surpresa de Martine, pois ao que tudo indica o relacionamento esfriou. Todavia, ele encara tudo que passa como algo que faz parte de seu maior objetivo: ganhar experiência de vida.

domingo, 19 de agosto de 2012

SCOOBY-DOO 2 - MONSTROS A SOLTA

Nota 7,0 Respeitando mais o desenho, segundo longa de Scooby-Doo aposta na nostalgia
 
Sinopse: Após reativarem a Mistério S.A., Fred (Freddie Prinze Jr.), Daphne (Sarah Michelle Gellar), Salsicha (Matthew Lillard), Velma (Linda Cardellini) e Scooby-Doo são os convidados de honra de Patrick Wisely (Seth Green) para a inauguração de um museu em Vila Legal, cidade natal dos detetives, que conta um pouco da história do grupo a partir dos disfarces dos bandidos que conseguiram capturar ao longo dos anos. No meio da festa, todos são surpreendidos com as fantasias ganhando vida própria e voltando a atacar. Eles descobrem que quem está por trás disso é um vilão mascarado que usa uma máquina que processa uma substância capaz de criar monstros. Agora, a turma de detetives deve provar mais uma vez que são profissionais competentes, mas terão que enfrentar os ataques de Heather Jasper-Howe (Alicia Silverstone), uma repórter que utiliza a televisão para fazer campanha contra a Mistério S.A.

sábado, 18 de agosto de 2012

SCOOBY-DOO

Nota 3,5 Aguardada versão live-action de animação se distancia de suas raízes e decepciona

Sinopse: Algo sobrenatural está atrapalhando quem quer se divertir no parque Spooky Island, a Ilha do Terror, e Emile Mondavarius (Rowan Atkinson), o dono do local, quer a ajuda de Scooby-Doo e Salsicha (Matthew Lillard) para solucionar o caso. Seria o trabalho perfeito se Velma (Linda Cardellini), Fred (Freddie Prinze Jr.) e Daphne (Sarah Michelle Gellar) não tivessem brigado e colocado um ponto final às atividades da Agência Mistérios S/A. Porém, ainda no aeroporto, Salsicha e Scooby descobrem que não estão sozinhos na investigação, pois seus ex-parceiros de aventuras também vão embarcar. Para chegar ao fim do mistério, a turma da Mistério S/A deverá esquecer as brigas e mágoas do passado e se unir novamente e assim salvar o mundo de uma perigosa ameaça e a si próprios também, mas o orgulho de cada um pode ser um empecilho. 

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

ENCANTADA

NOTA 8,5

Apesar do tom de sátira,
comédia serve como uma
homenagem da Disney ao seu
próprio histórico de vida
Houve um tempo em que férias era sinônimo de Disney. Nesses períodos longos de descanso dos estudantes era tradição sempre ter uma bela animação do estúdio para virar a febre da temporada com direito a muitas bugigangas para colecionar estampadas pelos personagens, mas o tempo passou e este calendário sofreu mudanças significativas. Claro que ainda temos os desenhos feitos pelo próprio estúdio ou em parceria com a Pixar, mas mesmo com as críticas geralmente positivas tais produções aparentemente não causam o mesmo barulho da época de A Bela e a Fera ou Aladdin. Aliás, diga-se passagem, as animações computadorizadas lançadas após a junção das duas empresas já não são mais nenhuma unanimidade quando o assunto é diversão e nem mesmo os filmes das produtoras concorrentes parecem alcançar o mesmo nível de repercussão de outrora. Repetição de temas, personagens similares, visual sobrepondo-se à historia entre outras coisas tiraram totalmente a originalidade e o brilho do campo das animações, tanto que dá até saudades de curtir aquelas boas e velhas histórias de princesas. A Disney tentou voltar ao estilo com A Princesa e o Sapo e Enrolados, mas ironicamente o sucesso veio com um filme criado justamente para tirar um sarro de tudo aquilo que ajudou a criar o império do Sr. Walt Disney. Encantada surpreendeu o mundo com uma narrativa clássica, porém, totalmente diferente de algo que se espera do estúdio. Desde que Shrek surgiu pegando a todos de supetão satirizando os famosos contos de fadas, com cutucadas explícitas da empresa Dreamworks à Disney, é certo que a casa do Mickey Mouse e tantos outros personagens que entraram para o universo pop mundial foi perdendo cada vez mais espaço no campo das animações. A solução encontrada pelos executivos foi um tanto comercial: se pessoas alheias ao estúdio podem deitar e rolar sobre nosso material por que não fazemos o mesmo? Assim os roteiristas Bill Kelly, Rita Hsiao e Todd Alcott aparentemente tiveram carta branca para remexer nas memórias Disney e pinçar diversas características que se tornaram marca de suas produções e outras tantas referências cinematográficas e culturais que fossem de fácil assimilação para o público que automaticamente se lembraria de ter visto cena semelhante alguma vez na vida. O diretor Kevin Lima, que já havia entregue ao estúdio o live action 102 Dálmatas e a animação Tarzan, acertou em cheio ao iniciar e fechar seu longa com animação tradicional e recheá-lo com atores de carne e osso representando o encontro do mundo real com o de fantasia.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O DIÁRIO DE UMA BABÁ

NOTA 6,0

Longa aborda vários temas
sobre o comportamento de
famílias ricas, mas todos de
forma superficial 
Alguns títulos são tão simplórios ou unem palavras tão comuns ao gênero cinematográfico que pertencem que podem acabar causando o efeito contrário ao desejado. Ao invés de chamar a atenção acaba afastando o espectador, mas em alguns casos podemos nos surpreender com o conteúdo como é o caso de O Diário de Uma Babá que mascarado como uma típica comédia romântica oferece muito mais que uma simples história protagonizada por uma jovem em busca de seus sonhos, entre eles um grande amor. O longa faz uma abordagem crítica, porém, divertida sobre o universo das famílias modernas e ricas americanas, mas uma alfinetada que serve para pessoas de qualquer parte do mundo e de repente até independente da classe social que representem. O roteiro mostra através dos olhos e emoções de uma babá o cotidiano de um casal desajustado que vive um casamento de fachada e não tem tempo para o filho pequeno. Annie Braddock (Scarlett Johansson) é uma jovem recém-saída da faculdade que vive em um bairro da classe operária de Nova Jersey. Ela sofre uma grande pressão de sua mãe para que encontre logo um lugar respeitável no mundo dos negócios, mas, decidida a fugir dessa realidade, aceita o emprego de babá de uma família rica de Manhattan, a qual chama apenas de “os X” (um recurso esperto para evidenciar a artificialidade do clã). Como costuma dizer, não foi ela quem encontrou esse emprego, foi ele quem a encontrou já que acabou salvando um garotinho de ser atropelado e rapidamente conquistou a simpatia da mãe do garoto, uma perua que sabe como impor suas vontades simplesmente não dando a possibilidade do outro discordar e nem mesmo concordar. Ela decidiu que Annie seria a nova babá do filho e não tem mais conversa, ponto final. Animada inicialmente, logo ela descobre que a vida não seria o mar de rosas que imaginava, pois precisa atender aos caprichos da Sra. X (Laura Linney) e seu precioso filho Grayer (Nicholas Art), além de evitar qualquer contato mais próximo com o Sr. X (Paul Giamatti). Entre as tantas tarefas do novo emprego, Annie precisa cozinhar, fazer compras e limpar a casa. Praticamente uma funcionária mil e uma utilidades em atividade por quase 24 horas diárias. A situação se complica de vez quando ela se apaixona pelo “Gatão de Harvard” (Chris Evans), vizinho da família X, que a força a reexaminar sua vida e ver que ela está se submetendo aos caprichos daquela família de ricaços e esquecendo-se de cuidar de si mesma. Apesar deste gancho romântico, o longa não o aprofunda, até mesmo porque a patroa da moça a proíbe de ter contatos mais íntimos com qualquer um, de preferência nem mesmo saber quais os nomes dos vizinhos.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

O AUTO DA COMPADECIDA

NOTA 9,0

Transposição de série de
TV para o cinema é um
marco do cinema nacional,
mas fórmula não vingou
Antes do diretor Guel Arraes levar multidões ao cinema para curtir o inovador (pelo menos na parte técnica e visual) Lisbela e o Prisioneiro, este mesmo profissional peitou a indústria e a crítica ao reabrir a discussão cinema aliado à televisão. Já houve crítico que chegou a afirmar que o Brasil não investia em cinema de qualidade e glamoroso porque tal estética o público tinha diariamente e de graça com as novelas da Rede Globo. A mesma empresa lançou no final dos anos 90 seu braço cinematográfico com o objetivo de lançar produções com o elenco da casa e ajudar na divulgação de projetos menores, mesmo que eles não tivessem um ator global envolvido. Como nem tudo cai do céu, o início da Globo Filmes não foi fácil e os trabalhos mais bem sucedidos eram protagonizados por Xuxa e Renato Aragão, artistas com público cativo, mas projetos como Orfeu e Bossa Nova não fizeram jus aos seus investimentos. Eis que em setembro de 2000 o público brasileiro foi surpreendido com o lançamento do longa O Auto da Compadecida, mesmo título de uma microssérie da Globo que fez sucesso em janeiro de 1999. Certamente muita gente foi pega de surpresa ao ver uma versão compactada da série ao invés de uma produção inédita. Uma estratégia escancaradamente do tipo caça-níquel? Imediatamente ficou comprovado que não e o passar dos anos só exalta ainda mais a ideia. Há anos muitos diretores sonham com a parceria entre TV e cinema visando uma agilidade maior para as pré e pós-produções, tempo de filmagens e principalmente divulgação. Arraes pensou longe e logo que começou a trabalhar na série já a imaginava também no escurinho do cinema e por isso adotou a película para as gravações, técnica hoje amplamente utilizada até mesmo em novelas. Baseado na obra de Ariano Suassuna, o longa acompanha as aventuras e desventuras de Chicó (Selton Mello) e João Grilo (Matheus Natchergaele). O primeiro é um fanfarrão que só pensa em se divertir e se dar bem, mas quando o bicho pega ele mostra que é o mais covarde dos homens de sua terra. O outro é um sertanejo pobre e de bom coração, mas é mentiroso e também adora se meter em encrencas.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

MISTÉRIO NA VILA

NOTA 8,0

Suspense dinamarquês
envolve espectador com trama
que respeita cadência de
emoções e clima melancólico
Produções a respeito de assassinos psicopatas que agem discretamente conseguindo se infiltrar em empresas ou núcleos familiares ou de amizades usando sua simpatia ou inteligência surgem aos montes todos os anos e ajudam a manter a engenharia da indústria de Hollywood funcionando perfeitamente tal quais os filmes protagonizados por seriais killers mascarados também colaboram com generosas quantias de dinheiro. Embora sejam obras com temas repetitivos e que não acrescentam nada aos subgêneros que representam elas geralmente conseguem fazer sucesso no mercado de home vídeo, uma tradição que vem desde os tempos do boom das locadoras e das fitas VHS. E não é só o cinema americano que se beneficia da fórmula dos filmes de vilões canastrões que agem de cara limpa tendo como principal arma a lábia. Outros países também investem em produções do tipo, mas infelizmente quando chegam ao Brasil passam em brancas nuvens. Entre produtos totalmente descartáveis é sempre possível dar uma garimpada nas filmografias estrangeiras e encontrar alguns títulos interessantes e com uma pegada comercial. Como é bom ter a surpresa de assistir a um filme que você esperava uma coisa e de repente ele se revelar muito superior. Esse é o caso do suspense Mistério na Vila, um excelente exemplar da ainda pouco conhecida filmografia da Dinamarca. A produção cinematográfica deste país teve seu grande momento em 1995, época em que surgiu o movimento denominado Dogma 95. O manifesto criado pelos cineastas Lars Von Trier e Thomas Vintenberg, na época ainda não famosos, era uma tentativa de resgatar a essência do cinema, aquele feito em nome da arte e não a favor da sua exploração comercial. Restringindo ao máximo ou até mesmo abolindo o uso de recursos tecnológicos e investindo muito mais em enredos e personagens interessantes, tal movimento experimental gerou longas festejados e outros tantos duramente rejeitados até mesmo pelos críticos. Curiosamente, o que era para causar uma brusca ruptura com o cinema comercial acabou de certa forma gerando um efeito contrário. Hoje em dia ter as mídias originais de títulos marcantes desta fase como, por exemplo, Italiano Para Principiantes, Festa de Família e Os Idiotas, tornaram-se verdadeiros objetos de desejos de muitos cinéfilos, alguns que gastam o que for preciso para adquiri-las já que são raridades.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

ÁGUA NEGRA

NOTA 8,0

Enredo de suspense se
torna uma obra com toques
de drama familiar graças a
sensibilidade do diretor
No início da década de 2000 pode-se dizer que Hollywood complementou seu orçamento graças as refilmagens de produções de terror e suspense orientais, alguns comandados inclusive pelos mesmos diretores de suas versões originais para não correr risco de decepcionar o público. Alguns foram muito bem aceitos, porém, outros verdadeiros fiascos devido a inevitável repetição de clichês. Quando surge alguém disposto a colocar as mãos nesse material e dar algum ar de novidade o povo cai em cima com críticas negativas e infelizmente nem os entendidos na arte do cinema procuram exaltar a iniciativa. Foi isso que atrapalhou a carreira de Água Negra, refilmagem de um terror psicológico que explora a relação muito próxima de uma mãe e sua filha pequena diante da necessidade de darem um novo rumo as suas vidas. A produção original assinada por Hideo Nakata mantinha uma atmosfera assustadora desde a introdução até sua trágica conclusão e o clima de tensão era acentuado devido ao uso de movimentos lentos de câmera. Ainda criando a sensação de medo com uma narrativa mais lenta e planos-sequências que privilegiam o detalhamento dos cenários e a captura de expressões dos atores, o diretor brasileiro Walter Salles aceitou o convite para comandar esta refilmagem, mas fez questão de imprimir seu estilo privilegiando o lado dramático do enredo pouco explorado na versão oriental. Após a boa aceitação de Diários de Motocicleta no mercado internacional complementando o histórico de premiações do cineasta fora do Brasil, esta era a chance dele ter um verdadeiro blockbuster em mãos, mas não se deixou corromper ou pelo menos tentou contar a história do seu jeito já que diversas mudanças foram impostas pelo estúdio que bancou o projeto. Todavia, a história de pessoas assombradas por algo desconhecido em um apartamento um tanto sombrio ganhou um enfoque bem mais interessante. Aqui o problema deixa de ter cara exclusivamente espiritual e passa a ter feições de alterações psicológicas, já que a protagonista, além de enfrentar eventos misteriosos em sua residência, também precisa exorcizar fantasmas de seu passado triste.

domingo, 12 de agosto de 2012

TEMOS VAGAS 2 - A PRIMEIRA DIÁRIA

Nota 7,0 Longa enfoca o início das atividades macabras de um motel de beira de estrada

Sinopse: Um motel de beira de estrada é um local muito procurado por viajantes que desejam descansar a noite, mas também pode ser o destino escolhido por alguns casais para passarem alguns momentos a sós. Os funcionário de lá se divertem assistindo e gravando as intimidades de seus hóspedes, mas essa diversão acaba ganhando contornos macabros com a chegada de Smith (Scott G. Anderson). Ele se hospedou com uma jovem e as câmeras do quarto flagraram o momento em que ele esfaqueia a moça até a morte. Pego em flagrante, o assassino acaba convencendo os funcionários do local a lhe ajudarem com seus planos macabros, gravarem todas as cenas e depois venderem as fitas. O negócio vai bem até que os jovens Caleb (Trevor Wright), Jessica (Agnes Bruckner) e Tanner (Arjay Smith) se hospedam por uma noite. Com a passagem deles tudo pode mudar.


sábado, 11 de agosto de 2012

TEMOS VAGAS

Nota 8,5 Suspense deixa o espectador roendo unhas com um eletrizante jogo de perseguição

Sinopse: David (Luke Wilson) e Amy (Kate Beckinsale) vivem brigando e estão prestes a se separar, mas antes precisam honrar um último compromisso como casal perante seus familiares. Eles estão em meio a uma viagem seguindo um caminho deserto e escuro até que são obrigados a passar a noite num motel de beira de estrada. O gerente do local é Mason (Frank Whaley), um homem estranho, mas aparentemente inofensivo. Após se alojarem no quarto, David e Amy encontram em um esconderijo uma coleção de filmes caseiros contendo muitas cenas de violência e tortura explícita, litros de sangue e um aspecto bem realista. Então eles encontram câmeras espalhadas pelo quarto e percebem que caíram em uma grande armadilha e estão hospedados no mesmo local onde os vídeos foram filmados. Agora, eles são os protagonistas da nova produção de uma gangue de sádicos voyeurs.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

INCONTROLÁVEL

NOTA 6,5

Mais um meio de 
transporte
desgovernado toca o terror e
os heróis anônimos fazem de
tudo para evitar o pior
Um meio de transporte desgovernado colocando em risco a vida de muitas pessoas e alguns poucos candidatos a heróis dispostos a tudo para impedirem uma terrível catástrofe. Bem, por essa breve descrição você já deve ter percebido que já viu essa mesma história de diversas formas e em diferentes épocas contando apenas com pequenas modificações que no fundo não trazem praticamente mudança alguma, mas ainda assim conseguem deixar muita gente roendo as unhas de tensão e se contorcendo com tanta correria e desespero que se vê na tela. Carros, aviões, ônibus e até navios desenfreados já invadiram os cinemas e Velocidade Máxima continua sendo o maior ícone deste tipo de produção. Com direção de Tony Scott, um apaixonado por filmes com altas doses de adrenalina, Incontrolável surgiu com intenções de roubar a coroa do endiabrado ônibus que foi salvo por Keanu Reeves e Sandra Bullock e entregá-la a dupla Chris Pine e Denzel Washington que enfrentam aqui um trem carregado de material altamente inflamável que está fora de rumo. O longa não decepciona os aficionados pela mistura de ação e suspense, pelo contrário, é um daqueles próprios para curtir em momentos de ficar com o papo para o ar. A história criada por Mark Bomback é bem clichê. Em um dia aparentemente normal em uma estação de trem o inesperado acontece. Uma composição de vagões carregados de produtos químicos altamente tóxicos viaja desgovernadamente e o perigo é iminente. O trem segue rumo a uma cidade podendo causar milhares de mortes e deixar muita gente ferida. Somente duas pessoas podem resolver esse problema: Frank (Washington), um veterano e experiente maquinista, e Will (Pine), um jovem condutor. Os dois estão em posições opostas no trabalho, mas precisam deixar seus conflitos de lado e se unir para colocar em prática uma operação de resgate muito arriscada, porém, para complicar, o tempo está contra eles. Para segurar aquela montanha de aço em disparada e evitar um desastre de proporções gigantescas os dois também contarão com as instruções de Connie (Rosario Dawson), uma das funcionárias do sistema de vigilância dos trens.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS (2010)

NOTA 7,0

Tim Burton praticamente
reinventa conto clássico, mas
deixa que os apelos visuais da
produção sobressaiam ao enredo
Cineastas que evitam atirar para todos os lados experimentando vários gêneros conseguem criar uma marca própria e fidelizar seu público, sendo o maior exemplo disso Woody Allen com suas histórias que mesclam drama e humor e sempre contam com um elenco numeroso e estrelar. Porém, outros conseguem transitar por diversos campos e ainda assim deixar sua assinatura na obra, como é o caso de Tim Burton, um habilidoso mestre na arte de criar imagens criativas graças ao apuro técnico que emprega em seus trabalhos, mas jamais se esquecendo de construir personagens e histórias memoráveis. Com plateias cativas, cada novo lançamento seu é um verdadeiro evento que marca época e depois ultrapassa gerações. Alice no País das Maravilhas tem potencial para tanto, embora o impacto esperado no lançamento não tenha ocorrido. Para muitos, desta vez o diretor não equilibrou bem a qualidade visual com a do enredo. A tão aguardada união do clássico surreal infantil com o estilo excêntrico do diretor prometia bem mais e ainda divide opiniões. Para quem espera uma transposição literal do famoso desenho animado da década de 1950 para uma versão com atores de verdade, até porque a produção do longa é da própria Disney, pode se decepcionar ou talvez se entusiasmar com as novidades. Todas as histórias clássicas que já ganharam suas versões em animação criam a ilusão de que são as transposições fiéis dos contos, mas aqui o tal país maravilhoso é bem diferente e mais próximo do livro original segundo relatos. Burton inseriu e modificou situações e personagens, cercou-se de bons atores e amigos, caprichou no visual e em efeitos para atender a demanda desenfreada do 3D, porém, esqueceu de envolver o público em sua visão do conto de Lewis Carroll publicado originalmente em 1865. A história começa apresentando a jovem Alice (Mia Wasikowska) em meio a sua festa de noivado onde se depara com um coelho branco. O detalhe é que ele usa roupas, está apressado e sempre olhando no relógio. Ela o segue e entra em um buraco que a leva ao País das Maravilhas, um local onde esteve há alguns anos apesar de nada se lembrar. Lá ela é recepcionada por estranhas criaturas como uma lagarta e um gato falante e pelo Chapeleiro Maluco (Johnny Depp), além de conhecer em suas andanças outros seres fantásticos e mágicos. Mas nem tudo são flores nesse local. Ela descobre que não está lá por acaso e irá enfrentar a ira da cruel Rainha Vermelha (Helena Bonham Carter) para ajudar a Rainha Branca (Anne Hathaway) que foi traída pela própria irmã que almejava o poder absoluto do local.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

DEIXE-ME ENTRAR

NOTA 8,0

Refilmagem de inesperado
sucesso sueco literalmente
copia o original e traz uma
nova visão sobre os vampiros
O cinema produzido fora do circuito hollywoodiano cada vez mais vem ganhando projeção e admiração não só da crítica especializada, mas também do público. Porém, basta fazer sucesso que logo os produtores ianques se entusiasmam e correm atrás dos responsáveis para comprar os direitos de refilmagens. Isso acontece há anos, mas essa onda tem se intensificado devido a escassez de ideias que o cinema americano frequentemente enfrenta. Um dos trabalhos do tipo que gerou certo burburinho foi o suspense Deixe-me Entrar, produção que foi lançada com a propaganda extra de ser baseada no longa sueco Deixa Ela Entrar, um sucesso inesperado que foi exibido em diversos festivais de filmes de terror e independentes e chamou a atenção dos americanos. Produção de horror fazendo um paralelo com a chegada da adolescência, o longa de Tomas Alfredson reúne uma série de virtudes, ainda mais se considerando o gênero ao qual pertence. Roteiro inteligente, boas atuações, efeitos especiais usados com parcimônia e uma fotografia invejável são alguns dos elogios que cabem à fita. Como em Hollywood hoje em dia pouco se cria e muito se copia, não demorou muito e o texto já estava nas mãos do diretor Matt Reeves para ganhar uma refilmagem. Diretor do inesperado sucesso Cloverfield - Monstro, o cineasta foi escolhido justamente por saber como aguçar a curiosidade dos espectadores. Somado a isso o entusiasmo pela boa aceitação da obra original e a atração que vampiros sempre exerceram em um público cativo, o projeto já nascia com tudo para dar certo e até serviu para mostrar uma nova forma de enxergar tais criaturas, não tão sanguinolentas e perversas como nos filmes de terror e longe da aura romântica que ganharam em Crepúsculo. A trama gira em torno de Owen (Kodi Smit-McPhee), um garoto solitário que vive com a mãe após a separação dos pais. Frequentemente ele é provocado e humilhado pelos valentões da escola e nutre dentro de si um desejo de vingança que extravasa as escondidas e para si mesmo. Certa noite ele conhece sua vizinha Abby (Chloe Moretz), uma garota que aparenta ter a mesma idade que ele, vive nas sombras e é tão quieta e sozinha quanto Owen, o que gera uma identificação imediata entre eles. Logo os dois estão trocando confidências e debatendo sobre a solidão ou a sensação de se sentir diferente dos outros, porém, o garoto nem desconfia que a jovem guarda segredos muito peculiares: ela é muito mais velha que sua aparência indica e precisa se alimentar de sangue. Para consegui-lo, seu acompanhante (Richard Jenkins) realiza assassinatos na calada da noite com o intuito de retirar o sangue das vítimas e levá-lo para Abby que se esforça ao máximo para não deixar que seus instintos a dominem forçando-a a matar para sobreviver, mas certamente uma hora será impossível conter seu instinto de violência. Ambos tentando se esconder daqueles que podem lhes fazer algum mal, não é de se estranhar que a noite para eles é uma benção e o momento que se sentem mais a vontade.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

O MENINO DO PIJAMA LISTRADO

NOTA 9,5

Ainda que aposte na fórmula
batida da guerra vista pelo
olhar inocente infantil, longa
é digno e emocionante
Os horrores da guerra vistos através do olhar inocente das crianças é algo comum no cinema. São vários os exemplos de filmes que emocionaram o mundo com essa fórmula, mas aparentemente as obras que misturam tempos difíceis com o universo infantil passaram a não ser bem vistas pela crítica que as consideram produções manipuladoras feitas sob medida para levarem os espectadores ao choro fácil, recheadas de clichês e que não acrescentam nada de novo em relação a tantos outros títulos que se dedicam a falar sobre guerrilhas. Ser piegas é um grande problema no mundo do cinema e mesmo quando um filme não termina com um “felizes para sempre” não escapa de ser criticado negativamente de abusar dos clichês em sua narrativa. É curioso observar a repulsa que sofreu O Menino do Pijama Listrado quando estreou. O diretor e roteirista Mark Herman, de Hope Springs – Um Lugar Para Sonhar, adaptou o best-seller homônimo de John Boyne com o desafio de equilibrar a emoção e a crueldade contidas nas páginas do livro e conseguiu um resultado para partir os corações até dos mais insensíveis e deve ser neste objetivo que encontramos as explicações para seu relativo fracasso nas bilheterias. Para o espectador de fim de semana, sair do cinema entristecido é coisa para metidos a intelectual e estes, por sua vez, colocam expectativas demais em cima das adaptações literárias e geralmente se decepcionam. É sempre bom lembrar que quando lemos um livro criamos a nossa própria visão da história em nossa mente, mas quando os escritos se tornam imagens reais estamos acompanhando a versão sonhada por um diretor que também não realiza tudo da forma como deseja tendo que adequar seu projeto a questões de orçamento, publicidade, produção entre outras coisas. Todavia, Herman concluiu um belo trabalho que ainda muitos precisam tomar coragem para encarar e outros devem rever para esclarecer certos pontos. A Segunda Guerra Mundial é sem dúvida um dos períodos históricos mais explorados pelo cinema e já é bastante batida a idéia de mostrar os horrores da época através do olhar infantil. Por outro lado, o recurso ainda funciona com boa parte dos espectadores, tanto é que este filme se deu muito melhor com o passar dos anos e sua popularização foi feita na base do boca-a-boca que, inevitavelmente, trata de revelar a amarga conclusão que serve para aguçar ou esfriar os ânimos dos curiosos. No fundo, esta revisitação do conflito Holocausto versus infância, crueldade versus inocência guarda pontos semelhantes ao mundialmente famoso A Vida é Bela, colocando um garoto no centro da narrativa que não faz idéia das atrocidades que ocorrem à sua volta e acredita que quase tudo na vida se resume a brincadeiras.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

17 OUTRA VEZ

NOTA 6,0

Longa reedita o sonho de
viajar no tempo, mas desta vez
o protagonista não quer crescer
e sim voltar a ser jovem
A chance de viajar no tempo, como poder reviver emoções da juventude ou experimentar como seria a vida adulta, sempre foi um tema que fascinou cineastas que gostam de fazer comédias. E olha que eles nem iam muito fundo no túnel do tempo. Da década de 1950 até o final dos anos 80, o leque de opções para trabalhar com o tema era bem grande e durante algumas décadas tais produções eram muito populares, curiosamente a maioria dos trabalhos partindo de uma mesma premissa: a troca de personalidade entre pais e filhos. Sempre vivendo em conflito, a experiência era como um castigo para os jovens que sentiam na pele as responsabilidades da vida adulta e para os seus pais era como uma segunda chance de curtir a juventude e ter um respiro do cotidiano difícil. Nos últimos anos o tema foi revitalizado com a boa aceitação de De Repente 30 e Sexta-feira Muito Louca, ainda que cada um usando a volta no tempo por um viés diferente. 17 Outra Vez é mais uma variação do assunto, mas mesmo assim é uma ótima opção para divertir a família, isso se você não for extremamente crítico. O personagem principal, Mike O’Donnell, é vivido por dois atores, Zac Efron e Matthew Perry, cada um representando uma fase diferente de sua vida. Quando adulto, este homem está vivendo um momento conturbado em sua vida pessoal, tem um trabalho tedioso e é muito amargurado, pois sabe que a sua vida tomou tal rumo devido a uma decisão da adolescência. Por um passe de mágica, ele consegue voltar no tempo, ou melhor, voltar o seu relógio cronológico, voltando assim a ter 17 anos e a chance de refazer a sua vida, porém, não no passado, mas sim no presente. Mesmo assim ele tem novamente a possibilidade de se tornar um campeão do basquete e viver sua juventude intensamente, coisa que não fez devido a gravidez de sua namorada. Porém, conforme o tempo passa, Mike percebe que as outras pessoas de seu convívio não rejuvenesceram como ele, o que gera diversas situações constrangedoras para o rapaz, principalmente quando começa a frequentar o ambiente escolar. Ele tem que proteger a sua própria filha Maggie (Michelle Trachtenberg) do valentão da escola Stan (Hunter Parrise), ajudar o desajeitado Alex (Sterling Knight) a ter uma vida social adequada, lidar com o amigo Ned (Thomas Lennon) metido a gênio e ainda esconder que está novamente apaixonado pela esposa Scarlet (Leslie Mann), de quem já estava se divorciando.

domingo, 5 de agosto de 2012

GASPARZINHO - O FANTASMINHA CAMARADA

Nota 9,0 Spielberg produz mais um clássico infantil, mas cujo apelo nenhum adulto resiste

Sinopse: Carrigan Crittenden (Cathy Moriarthy) herdou um grande casarão antigo, porém, descobre que pode ter ganhado uma mina de ouro. Existem boatos que dentro da residência pode existir um tesouro. O problema é que a casa é habitada por fantasmas que afugentam qualquer um que entre lá dentro. Para solucionar o caso a gananciosa herdeira contrata os serviços do doutor James Harvey (Bill Pullman), uma espécie de terapeuta que auxilia as almas desencarnadas a aceitarem suas atuais situações. O especialista se muda para a casa assombrada com sua filha Kathleen (Christina Ricci), uma adolescente solitária que acaba fazendo amizade com Gasparzinho, um fantasminha muito camarada, ao contrário de seus tios um tanto perversos. Os dois acabam se entendendo devido as suas comoventes histórias de vida e juntos vão fazer de tudo para impedir que Carrigan destrua a casa e coloque suas mãos no tal tesouro. 

sábado, 4 de agosto de 2012

PECADOS DA FÉ

Nota 6,0 Apesar da narrativa ligeira e pouco desenvolvida, longa ousa tocar em temas polêmicos

Um líder religioso deve ser alguém respeitável e livre de qualquer tipo de pecado. Bem, se a afirmação é correta, é no mínimo incoerente que os pastores possam constituir famílias. Quem aproveita o pecado da luxúria... Sem querer fazer julgamentos morais sobre as regras que comandam os cultos religiosos não cristãos, digamos que o suspense Pecados da Fé é um verdadeiro soco no estômago de seus fiéis. Por outro lado, é uma pena que tenha sido lançado no Brasil por uma distribuidora pequena e hoje seja uma fita esquecida na casa de pessoas que o adquiriram em saldões de locadoras. A trama escrita por John Benjamin Martin gira em torno do casal Emily (Alexandra Paul) e Ted Wendell (J. C. MacKenzie), pessoas respeitadas e bem-sucedidas que construíram suas reputações a frente de uma pequena congregação na região sul da Pensilvânia. Eles ilustram com perfeição o ditado que diz que por trás de todo grande homem existe uma grande mulher. Emily administra a casa e os negócios do marido desde que ele a resgatou de uma vida deprimente que quase a levou a morte. Contudo, a felicidade deles é abalada pelo próprio sucesso. Ted já transmitia seus sermões através das ondas do rádio, mas recebeu um convite para ter um programa na TV e desde então mudou a forma de tratar a esposa. Sentindo a mudança de comportamento, para Emily veio a calhar a chegada de um forasteiro, o jovem Luke McElroy (Corey Sevier), que imediatamente passa a ser protegido por seu marido que não dá ouvidos as suas desconfianças iniciais. Podendo morar no quarto dos fundos da igreja e tendo passe livre na casa do pastor, o rapaz logo começa a assediar Emily que também não demora a fantasiar um relacionamento extraconjugal. Quando se entrega ao pecado da paixão, no entanto, ela se arrepende amargamente. Não é apenas a traição que pode colocar a reputação dos Wendell em risco, mas Luke revela-se um criminoso que sabe muito sobre o obscuro passado desta mulher e passa a chantageá-la para se livrar de uma dívida.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

DON JUAN DEMARCO

NOTA 8,5

Inspirado por folclórico personagem,
romance usa a fantasia para exaltar
o amor e o valor das mulheres e reúne
dois grandes astros de gerações opostas
Quando um rapaz é metido a conquistador, é comum a brincadeira de rotulá-lo como um Don Juan, mas quem teria sido esse homem? Na verdade ele é um personagem fictício cuja alcunha virou sinônimo de libertinagem. Originado no folclore espanhol, ele tornou-se uma figura do universo literário em meados do século 17 quando foi publicado o romance “El Burlador de Sevilla”, obra atribuída ao dramaturgo Tirso de Molina. O personagem essencialmente é um sedutor que se alimenta do prazer da glória das conquistas. Quanto mais difícil o alvo, maior a satisfação. Geralmente seduz mulheres compromissadas e em espaços públicos, as atraí para um lugar privado e depois que consuma o ato sexual faz questão de divulgar o feito para afrontar rivais e demarcar sua posição de superioridade. Desde que tal arquétipo ganhou seu registro em um livro, ele também serviu como inspiração para muitos outros folhetins, poemas, artes plásticas e peças teatrais que ajudaram a perpetuar a imagem dos conquistadores latinos de sangue quente, ganhando popularidade definitiva através da ópera “Don Giovanni”, de Mozart. O cinema obviamente também não deixou de beber nessa fonte. Além de o mito ter sido explorado nos anos 70 em uma clássica adaptação cinematográfica da opereta, duas décadas mais tarde o sedutor foi inserido na cultura das novas gerações de forma mais ousada. O romance Don Juan DeMarco não se limita a contar a história de um ícone da sedução, mas sim como seu legado pode influenciar visto que muitos estudiosos consideram tal conquistador a personificação do desejo e da frustração em relação ao romantismo. A trama começa com o psicólogo Jack Mickler (Marlon Brando) sendo chamado com urgência para ajudar a polícia a impedir o suicídio de um rapaz que ameaça pular de uma altura considerável. O médico pensa que este é apenas mais um caso corriqueiro dos males causados pelos tempos modernos (se em meados dos anos 90 as coisas já estavam difíceis, hoje em dia nem se fala), mas nem imagina que seu encontro com esse jovem irá mudar radicalmente sua vida pessoal e também profissional. Trajando roupas de época e uma máscara negra, ele é salvo e se apresenta como Don Juan DeMarco (Johnny Depp), o mesmo nome do lendário espanhol que segundo a crença teria se envolvido com cerce de 1.500 mulheres em apenas alguns anos de sua juventude.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

O SOL DE CADA MANHÃ

NOTA 7,0

Em meio ao seu inferno
profissional, Nicolas Cage
consegue acertar ironicamente
interpretando um fracassado
No Brasil estamos acostumados a acompanhar a previsão do tempo nos telejornais sendo apresentadas por mulheres bonitas e com um sorriso estampado no rosto. Bem, esse já seria um ponto a ser estranhado em O Sol de Cada Manhã, afinal o protagonista é um homem que tem sucesso justamente nesta atividade. O segundo ponto contra seria o fato do intérprete deste cara ser Nicolas Cage que um dia já foi um nome quente em Hollywood, mas há tempos tem atuado em produções irregulares ou simplesmente obsoletas. Contudo vale a pena dar um voto de confiança ao ator. Este filme historicamente já faz parte do momento de crise profissional dele, porém, ao mesmo tempo significa um lampejo de salubridade em sua carreira. Acostumado a trabalhar em projetos de ação cheios de efeitos especiais e barulhos, Cage se entrega neste caso a um filme simplório e de certo modo intimista, uma proveitosa mistura de drama com doses de humor e crítica à cultura americana e que tem potencial para envolver as plateias que gostam de boas histórias que lidam com situações cotidianas. Cage dá vida à David Spritz, um apresentador da previsão do tempo em uma famosa emissora de TV de Chicago e que vive uma vida que é o sonho de qualquer pessoa. Ele é famoso, trabalha apenas duas horas por dia e recebe um salário altíssimo, o que lhe garante um excelente padrão de vida. Agora, ele está cotado para trabalhar em um programa de abrangência nacional, o que aumentaria seu prestígio e conta bancária. Sorte na vida profissional, azar na pessoal. Apesar do bom momento na carreira que atravessa, sua vida atrás das câmeras não poderia ser pior. Para Spritz ter uma vida totalmente feliz precisará acertar primeiro suas relações pessoais que estão em frangalhos. Ele é divorciado de Noreen (Hope Davis), seus filhos estão se distanciando dele e apresentando desvios de comportamento e ele ainda tenta desesperadamente conseguir uma palavra de aprovação de seu próprio pai, Robert (Michael Caine), um jornalista premiado que sempre o subestima. Os problemas de relacionamento com os filhos, a descoberta de que ainda ama a ex-mulher e a repentina revelação de uma grave doença do pai, todas estas descobertas trarão mudanças significativas para a vida de Spritz e momentos de tempestade emocional estão por vir. 

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

A CASA MONSTRO

NOTA 8,5

Animação traz de volta o
contagiante clima dos filmes
clássicos de sessões da tarde
com pitadas de modernidade
Qual criança nunca sentiu aquela vontade de curtir um filme de terror, mas ainda assim o pavor era maior e a impedia? Ainda bem que no mundo das animações tudo é possível e até mesmo o que é feito para amedrontar pode ser uma excelente opção para divertir. Na onda das produções feitas para agradar crianças e adultos, A Casa Monstro é um desenho com ar deliciosamente retrô que veio para suprir a necessidade de sustos dos pequenos e de quebra fazer muito marmanjo relembrar bons tempos, porém, apesar de todo estilo nostálgico, o filme em nenhum momento diz em que época a história se passa. Fita cassete de música, estilo gótico de alguns personagens, carros de modelos antigos e gírias ultrapassadas já são exemplos bem claros de que o túnel do tempo foi aberto, provavelmente levando o espectador a saudosa década de 1980, mas a atmosfera envolvente criada pelo diretor Gil Kenan logo em sua estréia em longas animados não deixa em nenhum momento criança alguma desconectada, muito pelo contrário. O enredo criado por Dan Harmon, Rob Schrab e Pamela Petiler é bem no estilo de antigas produções que misturavam suspense, comédia e aventura e eram repetidas a exaustão nas sessões da tarde da televisão (algumas até hoje). O jovem e retraído D.J. sempre achou que havia algo muito estranho na velha casa dos Nebbercraker do outro lado da sua rua. Tudo que passa perto da propriedade simplesmente desaparece, desde uma simples folha de árvore até brinquedos bem grandes. O dono da residência, o senhor Epaminondas, é muito rabugento e não permite que nada e ninguém se aproximem nem mesmo do seu gramado. Após o afastamento do velho senhor devido a problemas de saúde (as crianças acreditam que ele foi desta para melhor), a casa ainda parece muito estranha e ganha vida própria. Na véspera do Dia das Bruxas, quando a residência literalmente se transforma em um monstro, D.J. convoca seu amigo Chowder e Jennny, uma garota pela qual ambos se apaixonam, para descobrir o que há dentro da misteriosa residência que a mantém viva, já que os pais do garoto não acreditam no que ele diz a respeito do espírito do caquético senhor ainda estar por perto. O trio recorre a Skull, um preparador de pizza preguiçoso que ganhou fama por no passado ter jogado videogame por vários dias seguidos. Ele acredita que a casa tenha adquirido alma humana e o único meio de eliminar o perigo que ela representa seja acertando-a direto em seu coração. Assim, o trio de aventureiros elabora um plano que permita que entrem lá dentro e destruam o que a mantém viva, mas obviamente nada é muito simples e grandes sustos estão por vir.
 

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