domingo, 5 de agosto de 2012

GASPARZINHO - O FANTASMINHA CAMARADA

Nota 9,0 Spielberg produz mais um clássico infantil, mas cujo apelo nenhum adulto resiste

Sinopse: Carrigan Crittenden (Cathy Moriarthy) herdou um grande casarão antigo, porém, descobre que pode ter ganhado uma mina de ouro. Existem boatos que dentro da residência pode existir um tesouro. O problema é que a casa é habitada por fantasmas que afugentam qualquer um que entre lá dentro. Para solucionar o caso a gananciosa herdeira contrata os serviços do doutor James Harvey (Bill Pullman), uma espécie de terapeuta que auxilia as almas desencarnadas a aceitarem suas atuais situações. O especialista se muda para a casa assombrada com sua filha Kathleen (Christina Ricci), uma adolescente solitária que acaba fazendo amizade com Gasparzinho, um fantasminha muito camarada, ao contrário de seus tios um tanto perversos. Os dois acabam se entendendo devido as suas comoventes histórias de vida e juntos vão fazer de tudo para impedir que Carrigan destrua a casa e coloque suas mãos no tal tesouro. 

Comentário: O fantasminha Gasparzinho é um personagem criado nos anos 40 para protagonizar aventuras animadas, mas seu carisma conquistou adultos e crianças e logo seu rosto estava sendo estampado em outros produtos e mídias, alcançando bastante sucesso quando foram lançadas suas histórias em quadrinhos. É provável que ninguém acreditasse que os traços simplórios e os contos ingênuos e moralistas do personagem sobrevivessem muito tempo em evidência, mas o fato é que ele atravessa o tempo em boa forma e conquistando novos fãs. Hoje em dia ele aparece com um visual repaginado e colorido vivo em uma série animada de TV cujos episódios podem ser encontrados para compra no formato do DVD. Entre as décadas de 1980 e 1990, os desenhos antigos do fantasminha recheavam as prateleiras de produtos infantis na saudosa época do VHS e do boom das locadoras. Hoje sua presença nessas lojas é bem menor, mas ao menos o título em live action continua perpetuando a imagem dessa carismática figura para as novas gerações. Com produção de Steven Spielberg, é óbvio que o filme surpreende com uma excelente cenografia, clima lúdico e efeitos especiais que transformaram em realidade a imagem dos seres do além tal qual nas animações. A interação entre os personagens reais e os criados por computador já não era novidade na época, mas a transparência dos fantasmas é de uma delicadeza absurda, isso sem falar na maleabilidade deles, detalhes que certamente contribuíram para o sucesso da fita. Gasparzinho é o grande chamariz deste trabalho, mas vale destacar o trabalho dos atores de carne e osso. Christina Ricci já estava quase se tornando uma adolescente e esse foi um de seus últimos trabalhos de grande repercussão. Já Bill Pullman finalmente conseguia brilhar quase como um protagonista após dezenas de participações como coadjuvante em outras produções enquanto Cathy Moriarthy foi temporariamente salva do ostracismo, mesmo tendo uma indicação ao Oscar alguns anos antes em seu currículo. Apesar do esmero na produção, o ritmo é pouco desigual e pode se tornar entediante para as crianças da era vídeo-game e internet. Algumas passagens da história assumem um caráter melodramático, como as iniciais destinadas a apresentar os personagens. Já da metade para o final o roteiro ganha ares mais compatíveis com as animações do fantasminha e a criançada pode se entreter mais. Gasparzinho – O Fantasminha Camarada é uma boa opção para uma gostosa sessão da tarde. Gerou outros filmes live action lançados diretamente em vídeo e repetidos a exaustão na televisão, porém nada que se compare ao apuro técnico desta primeira versão cinematográfica conduzida pelo diretor Brad Silberling que anos mais tarde realizaria Desventuras em Série, outra bem-sucedida mistura de suspense e humor.
Infantil - 100 min - 1995 - Dê sua opinião abaixo.

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