quarta-feira, 29 de agosto de 2012

OS QUERIDINHOS DA AMÉRICA

NOTA 4,0

Elenco de peso e premissa
interessante são perdidos
em filme simplório que
prometia muito mais
Julia Roberts nos últimos tempos tem feito poucos filmes, preferindo se dedicar as personagens de mãe e dona de casa na vida real, mas nos anos 90 sua vida era bem diferente. Estrelou muitos filmes, procurou desafios na carreira e cada passo seu era vigiado por fotógrafos e jornalistas de plantão. Ela fechou sua década de sucesso ironicamente vivendo uma estrela de cinema em Um Lugar Chamado Notting Hill como se desse um recado à imprensa dizendo que sua profissão é a de atriz e que ela tem o dever de cumprir sua agenda de eventos ligados a seus filmes, mas quando está fora dos sets de filmagens ou das entrevistas coletivas ela é uma mulher comum que deseja ser amada, ter uma família e acima de tudo ter privacidade. Dois anos depois ela teve uma nova chance de expor implicitamente seus pensamentos quanto aos mecanismos da indústria do entretenimento e da fofoca, mas desta vez a crítica parecia um pouco mais ácida. Os Queridinhos da América é na teoria uma espécie de vingança dos envolvidos na produção de um filme contra os profissionais do jornalismo que quando participam de uma coletiva de lançamento não estão muito atrás de ver se o produto final ficou bacana, mas sim em flagrar gafes, desentendimentos ou deslizes das estrelas. Convidada para ser a protagonista, Julia preferiu um papel mais discreto, porém, não menos importante na trama. Ela vive Kiki, uma mulher tímida que trabalha como assistente de sua irmã Gwen Harrison (Catherine Zeta-Jones), uma famosa atriz de Hollywood que está prestes a se separar definitivamente de seu marido, o também ator Eddie Thomas (John Cusack), um cara metido a galã que não se conforma que sua ex está de caso com o galanteador espanhol Hector (Hank Azaria). O problema é que a vida conjugal destes astros está intimamente ligada com o sucesso profissional de ambos. Após estrelarem quase uma dezena de produções, agora eles têm um novo lançamento para entrar em circuito de exibição e precisam manter as aparências durante algum tempo de que ainda formam um casal feliz e apaixonado.
 
Kiki então entra em ação para evitar atritos entre sua irmã e seu ex, mas conforme passa a ter um contato mais próximo com o antigo cunhado eles se apaixonam e passam a viver um romance as escondidas. Enquanto isso Lee Philips (Billy Crystal), o responsável pelo marketing do novo filme, precisa desesperadamente dos sorrisos e acenos de mão do casal mais querido de Hollywood para enrolar o público e a imprensa, pois o diretor do projeto, o excêntrico Hal (Christopher Walken), não quer liberar o trabalho para exibição. Com argumento do próprio Crystal, que também é um dos produtores da fita, a idéia era fazer uma crítica à própria Hollywood, mas com um fundo romântico. O que era para ser um projeto de baixo orçamento acabou mudando consideravelmente quando Julia entrou na história, a começar pela exigência de não dar vida à personagem Gwen. Com um elenco grandioso e uma boa história em mãos, o diretor Joe Roth acabou se atrapalhando em suas próprias ambições. A imagem insegura que este trabalho passa tem uma razão de ser. O próprio Roth atira para tudo quanto é lado em sua carreira, mas parece nunca acertar um bom alvo. Já tentou atuar, dirigiu até então quatro títulos esquecíveis do calibre de A Vingança dos Nerds 2 (imaginem o que é essa pérola!), mas conseguiu um bom currículo como produtor da Disney até que se desligou da empresa e resolveu abrir sua própria produtora. Este seu novo trabalho atrás das câmeras seria o grande filme de inauguração da empresa, mas não rolou. Na época o público já sabia que elenco numeroso e famoso não é o bastante para assegurar que um filme é bom. Pouco tempo antes surgiu Ricos, Bonitos e Infiéis, comédia reunindo bons atores, mas que logo na arte de sua publicidade já deixava no ar a falta de graça do projeto. Por uma infeliz coincidência o material de divulgação do filme de Roth guardava semelhanças consideráveis. Falha grave do pessoal de marketing da distribuidora que poderia ter virado o jogo positivamente mesmo com um produto fraco a ser trabalhado.
O roteiro de Crystal é um pouco tendencioso, as melhores piadas aparentemente ficaram com seu personagem, não convence que existe amor entre Kiki e Eddie e nem que algum dia o astro foi apaixonado por Gwen, deixando latente que os queridinhos do cinema viviam mais por conveniência afinal lucraram muito com a parceria. Todavia, seu texto tem boas sacadas como a introdução de um diretor obcecado pela perfeição e ineditismo, uma espécie de homenagem sarcástica ao falecido Stanley Kubrick que passou quase uma década trabalhando em seu ambicioso e derradeiro filme, De Olhos Bem Fechados, e não chegou a viver para ver o fracasso que seu trabalho colheu. Aliás, os protagonistas deste polêmico longa são Nicole Kidman e Tom Cruise, outrora o casal modelo do cinema, que na época do lançamento de Os Queridinhos da América se separaram, assim como a própria Julia Roberts que rompeu com o também ator Benjamin Bratt. Parecia que tudo conspirava a favor para uma publicidade extra para a comédia que prometia sacudir Hollywood, mas o resultado não causou o menor terremoto. De qualquer forma, esta produção passa longe de ser completamente um erro, pois garante uma sessão da tarde descompromissada e sem efeitos colaterais. O grande problema do projeto é a simplicidade do texto e dos personagens para um elenco que alcançaria comprovadamente resultados melhores. A conclusão, com a exibição do tal filme misterioso, coloca uma pá de cal sobre o restante do longa que poderia ficar um pouco acima da classificação de regular se Roth e Crystal não deixassem explícito que no final tudo acaba em pizza, inclusive nas entrevistas coletivas onde o que importa é rolar confusão. Quem sabe se Julia tivesse brigado com um paparazzi ou apresentado um novo namorado durante o lançamento as bilheterias não teriam sido diferentes. Mas filme meia-boca rende dinheiro? A resposta é uma só: publicidade é tudo, seja luxo ou seja lixo.
Comédia - 102 min - 2001 - Dê sua opinião abaixo.

Um comentário:

Luís disse...

Faz bastante tempo que assisti a esse filme, me lembro pouco dele, mas goto do elenco. Capaz mesmo que seja bem ruinzinho, comédias românticas às vezes têm bem pouco a oferecer, outras vezes conseguem pelo menos divertir.

Cara, passa no meu novo blog que discute cerimônias do Oscar: http://eooscarfoipara.blogspot.com.br/ Estamos discutindo o ano de 2010, quando Sandra Bullock venceu Melhor Atriz.

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