quarta-feira, 31 de outubro de 2012

CONVENÇÃO DAS BRUXAS

NOTA 9,0

Anjelica Huston brilha como a
bruxa-mor que quer exterminar as
crianças neste clássico divertido e
nostálgico que envelhece em boa forma
Dia 31 de outubro festejamos o Halloween, ou melhor, tentamos curtir a data o mais próximo possível do estilo americano, principalmente as crianças e jovens, porém, ficamos nas baladas à fantasia e só. Não temos a tradição de sair por ai pedindo doces, esculpir rostos medonhos em grandes morangas e tampouco temos um personagem característico para representar a época em terras brasileiras. O jeito é recorrer às influências dos ianques e nesse quesito Hollywood é uma fonte riquíssima de inspiração. Hoje não é tão frequente, mas em um passado não muito distante o filme Convenção das Bruxas era uma das vedetes das sessões da tarde na TV e um coringa para ser exibido no Dia das Bruxas. O longa é uma envolvente mistura de suspense, aventura, comédia e fantasia que faz parte das lembranças da infância de muito marmanjo. O filme começa com um tom sombrio de atiçar a curiosidade de qualquer guri. Helga (Mai Zetterling) gosta muito de contar a seu neto Luke (Jasen Fisher) histórias sobre bruxas, o que contraria as ordens dos pais do garoto. Certa noite ela lhe conta que uma menina que conheceu quando criança sumiu misteriosamente quando ia fazer compras, mas a própria começou a aparecer depois em um quadro na sala de sua família e tal imagem ia se desenvolvendo como uma garota real até o dia em que desapareceu de vez. Essa introdução extremamente eficiente não tem desdobramentos ao longo da narrativa, existe apenas uma rápida menção ao episódio mais adiante, porém, nada que estrague a produção. Prosseguindo, a avó ensina o garoto todos os truques que as bruxas utilizam para se manterem vivas por tanto tempo e seus planos para atrair as crianças, estas que para elas tem cheiro parecido ao das fezes de cachorros e devem ser exterminadas. Diabolicamente perversas, elas aparentemente são mulheres comuns, mas suas reais e horrendas feições são encobertas por impecáveis máscaras, perucas e vestimentas. Elas na verdade tem a pele bastante enrugada e deteriorada, não possuem dedos nos pés, são carecas, sentem muita coceira na cabeça, tem as mãos muito grandes e seus olhos reluz uma cor púrpura. Aparentemente tais ensinamentos são inúteis, mas Luke nem imagina que muito em breve eles lhe serão de grande serventia. 

Quando os pais de Luke falecem em um acidente de carro, Helga decide ir viajar com ele para espairecerem. Da Noruega eles partem para a Inglaterra e se hospedam em um luxuoso hotel onde irá acontecer uma convenção anual de proteção as crianças, mas as mulheres que chegam para o evento na realidade têm outros planos. Sem crianças para brincar, com exceção de Bruno (Charlie Potter), este que só pensa em comer, Luke vai brincar com seus ratinhos de estimação no salão de reuniões do local e acaba ficando preso por lá quando a tal convenção se inicia. O garoto então presencia todas as histórias que sua avó lhe contava tornarem-se realidade. As damas da reunião na realidade são bruxas que vieram para o encontro com a líder, a malvada Eva (Anjelica Huston), mais conhecida como Miss Ernst. Durante o encontro, após revelar sua verdadeira e horrenda aparência, ela se diz insatisfeita com o pouco efeito das ações de suas subordinadas e revela um plano devastador. Ela criou a "Fórmula 86", uma poção capaz de transformar crianças em ratos para assim ser mais fácil exterminá-las. Em pouco tempo, Luke e Bruno acabam sendo as primeiras cobaias e são transformados em camundongos e assim começa um jogo de gato e rato, ou melhor, de bruxa e rato, uma corrida contra o tempo para evitar que as feiticeiras saiam do hotel levando as fórmulas para distribuir pelo mundo todo. O tom sombrio do início é mantido até o final, porém, o recheio tem algumas doses de humor e bastante aventura, tudo envolto em um clima irresistível de mistério no qual cada cena parece guardar uma nova surpresa. Anjelica, filha do saudoso e cultuado cineasta John Huston, parece que nasceu para dar vida a personagens esquisitos ou do lado do mal. Sua altivez, corpo esguio e rosto exótico caem como uma luva para compor a bruxa-mor da história, mas mesmo quando está usando forte e impactante maquiagem ainda é possível sentir a atriz ali destilando seu veneno e ódio. Curiosamente, a cantora e intérprete Cher, na época muito requisitada devido ao Oscar que faturou alguns anos antes, recusou o papel principal e a mesma coisa aconteceu pouco tempo depois quando surgiu a ideia do longa metragem A Família Addams e a matriarca Mortícia acabou se imortalizando na pele de Anjelica, o que reforçou sua imagem forte e ideal para papéis masoquistas, estereótipo que a atriz não levou adiante para seu próprio bem ou talvez para o seu mal já que depois não emplacou mais protagonistas, tendo até hoje a sua única grande chance de fazer as pazes com o sucesso como, para variar, a madrasta malvada e arrogante de Para Sempre Cinderela. Seja como for, sem dúvida, é esta atriz de traços únicos quem se destaca no elenco e sua interpretação é bem superior ao de sua rival do bem, a sueca Mai Zetterling. É preciso levar em consideração também que os garotos fazem um bom trabalho e é possível se divertir com o ator Rowan Atkinson, o eterno Mr. Bean, em um papel antes da fama. Ele faz o gerente do hotel e já aparecia fazendo suas caras e bocas que o consagraram, ainda que aqui de modo comedido.
Dizem que histórias sobre bruxas nunca devem ser contadas para as crianças, mas o diretor Nicolas Roeg, de O Homem Que Caiu na Terra, achou uma maneira de levar o tema a esse público, mas ainda assim mirando acertar adolescentes e adultos. Baseando-se no premiado livro homônimo de Roald Dahl escrito em 1983, ele conseguiu criar um clássico infanto-juvenil que caiu fácil no gosto popular. Quer dizer sua aceitação foi instantânea quando foi liberado para exibição na televisão, pois no cinema infelizmente não causou furor e até o próprio autor da obra literária detestou o resultado da adaptação cinematográfica, principalmente pela conclusão açucarada dada, mas não se podia esperar algo diferente para um trabalho que visa o público infantil. Merece destaque o uso econômico de efeitos especiais, o que confere à produção um tom mais realista, mesmo sendo datado de uma época em que a coqueluche por detalhes produzidos por computação era tão apreciada quanto hoje em dia. Percebe-se que o longa não foi feito às pressas e tudo está em seu devido lugar, em doses certas e é quase um ato criminoso a Academia de Cinema ter ignorado no Oscar o excepcional trabalho da equipe de maquiagem. Aparentemente, só a rainha das bruxas tem uma superprodução, que demorava cerca de oito horas para ficar pronta, mas boa parte das demais feiticeiras são na realidade homens incrivelmente travestidos. Convenção das Bruxas é uma excelente opção para agradar a toda família e ainda de quebra, entre um susto aqui e outro ali, passa algumas mensagens que auxiliam na educação das crianças, como o esquecido ditado de nunca aceitar coisas de estranhos. Vira e mexe correm boatos em Hollywood de que haveria o projeto de uma refilmagem deste trabalho, mas os anos passam e as promessas não se cumprem. Histórias deste tipo, fantasiosas, mas sem a megalomania das séries Harry Potter ou O Senhor dos Anéis, são sempre bem-vindas, porém, será difícil repetir o feito de décadas atrás e encontrar alguém à altura de substituir a eterna feiticeira Anjelica Houston.

Infantil - 91 min - 1990 - Dê sua opinião abaixo. 

2 comentários:

Gilberto Carlos disse...

Assisti a esse filme na Sessão da Tarde. Gosto muito de Angelica Huston.

Ana Leonilia disse...

Assistia demais na Sessão da Tarde. E, se reprisasse, assistiria novamente por diversão e também pela bela atuação da Anjelica Huston. :)

Bjs ;)

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