domingo, 9 de dezembro de 2012

EM PÉ DE GUERRA

Nota 5,0 Comédia com elenco desequilibrado não faz mais nada que reciclar piadas e situações

Sinopse: John Farley (Sean William Scott) é um bem-sucedido escritor de livros de auto-ajuda, mas demorou muitos anos para superar os seus traumas de infância devido aos abusos e humilhações sofridos pela maneira como o professor Woodcok (Billy Bob Thornton) o tratava nas aulas de educação física. Seus piores pesadelos voltam à tona quando Farley decide voltar à sua cidade-natal por conta de um prêmio que receberia. Chegando lá ele descobre que sua mãe, Beverly (Susan Sarandon), está de namorado novo e ele é ninguém menos que o Sr. Woodcock. Na hora do desespero, o escritor deixa de lado seus conselhos e filosofias para viver em paz e parte para o ataque para provar que o novo amor da mãe é um tremendo mau-caráter, porém, o seu futuro padrasto não vai deixar de comprar essa briga e também vai tocar o terror contra o seu possível enteado.


Comentário: Até quando o ator Sean William Scott vai ficar fazendo papéis de garotões bobocas? Bem, ao assumir a identidade de um autor de livros de auto-ajuda que superou os traumas do passado ele poderia ter dado um tremendo passo a frente em sua carreira, mas pena que tal personagem foi criado para protagonizar uma comédia pastelão. Assim, voltar aos tempos de escola no filme Em Pé de Guerra foi um novo retrocesso para Scott que mais uma vez faz caras e bocas para arrancar risos do público, mas ao menos parece ter amadurecido um pouco desde os seus tempos de American Pie. Também só com um pouco de seriedade para encarar a talentosa Susan Sarandon, desperdiçada aqui, e o truculento Billy Bob Thornton, até que bem a vontade na pele do sarcástico Sr. Woodcock. Utilizando inversamente o argumento de outra comédia, A Família da Noiva, neste filme dirigido por Graig Gillespie, do interessante A Garota Ideal, temos um filho investigando seu futuro padrasto em busca de fatos que possam prejudicá-lo. Entre piadas de mau gosto e outras previsíveis, o roteiro dos estreantes Michael Carnes e Josh Gilbert só não é totalmente inválido por tocar no assunto bullying. Como o personagem John Farley em sua versão criança é humilhado por ser gordinho e desajeitado, temos muitas cenas que o mostram sendo alvo de chacota pelo professor de educação física e alguns colegas de turma. Tudo é usado em nome do humor, mas é triste constatar que a realidade é bem próxima a do filme. Há muitos relatos de bullying sofridos justamente nas aulas que tiram os alunos da sala de aula. As atividades que deveriam servir para integração acabam se tornando maratonas de suplício para muitos e para quem humilha o fato de estar em um ambiente mais descontraído é a deixa para aprontar tudo que pode e o que não pode, ainda mais quando o professor permite e até participa dos atos errados. É claro que em uma comédia tais assuntos não são abordados de maneira profunda e tampouco explorando um viés específico. O negócio aqui é dar risadas das provocações e aguardar a inevitável virada de mesa do protagonista. O mínimo de conteúdo com potencial para discussão fica reduzido a pó e só algumas poucas pessoas deverão percebê-lo. Todavia, apesar do elenco desequilibrado que une talentos díspares e do excesso de clichês, esta comédia cumpre o dever de matar um tempo livre de forma descompromissada, mas quem não consegue desligar o bom senso passe longe desta opção.

Comédia - 88 min - 2007 - Dê sua opinião abaixo.


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