quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

OUTONO EM NOVA YORK

NOTA 6,0
 
Fotografia, locações e
figurinos salvam produção
cujo roteiro entrega todas
as emoções logo no início
Richard Gere já estrelou produções de diversos gêneros, mas é praticamente um sinônimo de filmes românticos, tal qual Julia Roberts também tem uma imagem significativa ligada ao gênero. Ambos explodiram juntos na comédia romântica Uma Linda Mulher e quase uma década depois voltaram a se unir, sem fazer tanto barulho, em Noiva em Fuga. Além destas duas produções, o ator participou de diversos outros filmes feitos especialmente para agradar o público feminino, como Dança Comigo?, mas nem sempre conseguiu êxito investindo em terreno seguro, como prova o esquecido Dr. T e as Mulheres. O caso de Outono em Nova York fica em cima do muro. É um daqueles títulos que tem suas qualidades, como uma belíssima fotografia e locações, conta com um enredo agradável, porém, faltam um ou mais ingredientes para transformá-lo em algo acima do regular. Apostando em um romance com pitadas de drama, este segundo trabalho da atriz Joan Chen como diretora chega a um resultado tão frio quanto a própria passagem que serve de pano de fundo para uma história bonitinha e sem grandes pretensões que mostra o nascimento de uma relação amorosa entre um homem mais velho e uma jovem. Will Keane (Gere) é um cinquentão que prometeu a si mesmo nunca mais ter um compromisso sério com uma mulher, assim ele paquera a vontade e cultiva sua fama de conquistador. Quando ele conhece a delicada Charlotte Fielding (Winona Ryder) logo se interessa em viver um romance com a moça, mas talvez não imaginasse que ia acabar se envolvendo tanto com ela. Disposto a esquecer de sua promessa, Keane se surpreende com a recusa da parceira em tornar o caso deles em algo para valer e que dure para sempre. Bem, não é preciso muitos minutos de projeção para descobrir qual o motivo do impedimento e para começar a choradeira. 

O roteiro de Allison Burnett, que até então só havia escrito enredos de ação, é bem batido e previsível e aposta em personagens manjados. O playboy conquistador que no fundo quer viver um grande amor e a mocinha aparentemente frágil que depois prova ser muito forte e corajosa. Atrapalhando a relação um problema que não tem solução, apenas medidas que estancam o sofrimento por pouco tempo. Para completar o clima triste, a paisagem gelada e fria do período natalino em Nova York. É justamente nas imagens que se esconde o que há de melhor nesta produção. Percebe-se um deslizar de câmeras diferenciado realmente, fruto das experiências da diretora em projetos alternativos ou de seu próprio país natal. A edição e a fotografia são detalhistas e delicadas, focando em pequenas coisas como o cair das folhas secas das árvores ou o asfalto úmido devido as constantes garoas e serenos da temporada. O tom amarelado da fotografia e a escolha de tons pastéis ou escuros para compor os cenários e figurinos reforçam o clima de aconchego e glamour que tanta gente busca em uma das metrópoles mais famosas dos EUA na época de final de ano. Dito isso, fica claro que o grande atrativo desta obra é mesmo seu aspecto visual, o chamariz também de boa parte da cinematografia oriental. É interessante observar que a cineasta, adaptada a trabalhar em épicos grandiosos que exigem esmero e luxo nos elementos cênicos, soube se virar muito bem em um trabalho contemporâneo, mas ainda assim deixando o capricho e o requinte como marcas registradas. Com certeza muita mulher deve sonhar com os vestidos e chapéus das personagens femininas. O acessório do passado é usado de forma discreta e até deixa no ar um clima nostálgico. É curioso que Winona faça um papel cuja profissão (ela confecciona chapéus dos clássicos até os mais estilizados) seja uma raridade hoje em dia e que sua atuação forte e singela nos momentos certos em nada lembre as fotos da atriz divulgadas pela imprensa na época em que ela chegou a praticar roubos em lojas. Felizmente, ela aparentemente se regenerou.
 
Um filme pode até agradar apenas com seu visual ou trilha sonora, mas não há como ser inesquecível sem boas atuações ou um roteiro que emocione de verdade. Aqui temos uma história que começa bem, mas funciona até no máximo meia hora de projeção. Depois que o segredo de Charlotte é revelado e ela deixa explícito seu ciúme de Lisa, uma das antigas conquistas de Keane vivida pela atriz Vera Farmiga, o que mais podemos esperar? Mesmo não sendo longo, este trabalho acaba se tornando uma sucessão de cenas cansativas que tentam envolver o espectador, mas as emoções trabalhadas acabam agradando mais o público feminino e ainda com ressalvas. Quem gosta de romance água com açúcar em que tudo acaba bem irá se decepcionar, mas para aqueles que não têm vergonha de deixar as lágrimas rolarem soltas, inclusive homens, é uma pedida aceitável, mas longe de ser uma obra inesquecível. Todavia, quem não pode viajar no fim do ano para Nova York pode se deleitar com belas paisagens e matar a vontade ou alimentar ainda mais seus sonhos de concretizar o passeio um dia. Muitos apontam que a falta de humor é o grande equívoco de Outono em Nova York, mas na verdade uma boa história romântica consegue segurar a atenção das plateias, porém, no caso, o roteiro infelizmente deixa muito a desejar e entrega todas as emoções e as poucas surpresas de bandeja ao espectador. Condensadas todas as cenas realmente necessárias, o resultado poderia render um belo curta ou média-metragem. De qualquer forma, merece reconhecimento por ser assumidamente piegas sem vergonha alguma.
Romance - 105 min - 2000 - Dê sua opinião abaixo.

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