terça-feira, 31 de dezembro de 2013

QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO?

NOTA 9,0

Drama mostra lado pouco
esplendoroso da Índia através da
história de rapaz de origem humilde
que literalmente vence na vida
Entra ano e sai ano e muita gente continua com suas simpatias e rituais em busca de ajuda para conseguir uma vida financeira confortável. Bem, já que a maioria tem esse desejo, a dica é fechar o ano assistindo Quem Quer Ser Um Milionário?, elogiada e premiada produção americana que mostrou ao mundo uma Índia realista, pobre, repleta de problemas, mas ainda assim com uma população esperançosa. A sugestão não é só pelo fato de ter dinheiro envolvido na história, mas principalmente pela mensagem de otimismo e reflexiva que o filme nos deixa. A câmera do eclético diretor Danny Boyle apresenta o cotidiano do povão que por coincidência não difere muito da realidade das áreas menos favorecidas brasileiras. Até mais interessante que o próprio filme em si é a sua trajetória desde a concepção até o clímax, a festa do Oscar. Um diretor que já trabalhou com a juventude rebelde, lidou com zumbis, frequentou uma ilha aparentemente deserta e se aventurou pela ficção científica em uma época em que o gênero estava praticamente sepultado, só prova que ele não tem medo de experimentar, testar novos temas e ambientações. Por isso não é para se estranhar a sua audácia de voltar suas atenções para um país pouco conhecido e procurar o que havia de mais comum e pobre por lá. O que é espantoso mesmo é a recepção acalorada do público e crítica americana a uma obra com diversos diálogos em língua estrangeira, o hindu, o idioma oficial da índia, o que exige o uso de legendas, coisa que os ianques detestam. E o fenômeno não foi só por lá. Com uma mensagem universal, o longa fez uma carreira brilhante por onde passou e conquistou quase todos os prêmios disponíveis da temporada. O único senão é que o elenco foi esnobado nessas festas, algo já esperado por serem desconhecidos até então e pela origem indiana (foram selecionados entre os populares e aprenderam a atuar “pegando no batente”). Curiosamente, na própria Índia houve rejeição a este trabalho, muito porque condenaram a opção de explorar o universo de favela, mas se a história exige tal cenário não se pode fazer nada. Se a ambientação causa incômodo por expor mazelas sociais, o cinema nada mais fez que mostrar a realidade. Queixas devem ser direcionadas a governantes e afins para mudar esse quadro. O realismo da obra se deve muito ao auxílio do dramaturgo e cineasta indiano Loveleen Tandan, contratado para ceder uma minuciosa pesquisa sobre seu país, mas cuja importância foi tanta que acabou recebendo o crédito de co-diretor.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

FIM DOS DIAS

NOTA 2,5

Excessivamente longo e com tema
repetitivo, longa foi apenas mais uma
produção oportunista a explorar o medo do
fim do mundo às vésperas do novo milênio
O final do ano de 1999 foi atípico. um misto de entusiasmo e tensão pairava no ar em todos os cantos do planeta. A chegada do ano 2000, também confundida com a virada para o novo milênio que na verdade aconteceria somente no reveillon seguinte, era embalada por diversas teorias apocalípticas a respeito do fim do mundo e cientistas e especialistas em informática se preparavam para passar a ceia de plantão com o intuito de evitar o chamado bug do milênio, uma falha de alguns softwares que poderiam não atualizar a mudança de data corretamente e acabar retrocedendo o relógio no tempo trazendo graves problemas para alguns setores como, por exemplo, o financeiro que sofreria prejuízos com taxas de juros e prazos de cobranças absurdamente alterados. Para o pessoal de Hollywood pouco importava o impacto  no dia-a-dia das pessoas, o que estava em jogo era aproveitar o climão e soltar os demônios. Literalmente! E nem Arnold Schwarzenegger escapou dessa onda. Longe das telas desde o fracasso de Batman e Robin, o ator foi obrigado a ficar pouco mais de dois anos afastado do trabalho por conta de uma cirurgia cardíaca e seu retorno foi marcado pelo oportunismo. Autoexplicativo até no título, Fim dos Dias é uma colcha de retalhos e não deixa dúvidas quanto a razão de ter sido produzido. No final daquele ano muitas produções foram lançadas a toque de caixa explorando temáticas sobrenaturais, a maioria descaradamente reciclando porcamente o argumento do Diabo vindo à Terra para procriar. O longa dirigido por Peter Hayams, de Timecop - O Guardião do Futuro, bebe nessa fonte e não desperdiça nenhuma gota. Tudo que já se viu em outros filmes do tipo é reaproveitado. Schwarzenegger interpreta Jericho Cane, um ex-policial que após perder a esposa e filha em um assalto planejado perdeu totalmente a fé e agora vive depressivo e entregue ao vício em bebidas. O perfil é bastante manjado, mas dramático demais para o talento restrito do ator mais acostumado a lidar com armas do que com pessoas.

domingo, 29 de dezembro de 2013

AFINADO NO AMOR

Nota 7,0 Com história comum, longa se sustenta com carisma dos atores e ambientação nostálgica

A junção de dois astros populares entre adolescentes e conhecidos por transitarem bem pelo campo do humor só poderia resultar em uma coisa: sucesso! Esse era o objetivo da comédia romântica Afinado no Amor, mas o primeiro encontro entre Adam Sandler e Drew Barrymore não resultou no boom esperado, algo que só veio a acontecer cinco anos depois em Como Se Fosse a Primeira Vez. O grande charme da produção é ambientar a trama em meados da década de 1980, assim dando ênfase aos hábitos culturais, trilha sonora e breguice da moda de uma época que deixou saudades. O astro da comédia, que então já levava multidões aos cinemas nos EUA, mas curiosamente seus filmes não pegavam em outros países, aqui vive Robbie Hart, o vocalista de uma banda que ganha seus trocados animando festas de casamento. Por ironia do destino ele levou um fora da noiva justamente no dia em que iam subir ao altar. Deprimido, ele já não consegue mais se concentrar no trabalho e seu desânimo por pouco não estraga o tão sonhado dia de muitos casais. Todavia, em uma dessas festas ele conhece Julia Sullivan (Barrymore), uma garçonete simpática e divertida por quem se apaixona imediatamente, mas em um primeiro momento prefere manter-se distante. O problema é que ela já é noiva de Glen Gulia (Matthew Glave), um cara egoísta, detestável e, acima de tudo, infiel, a deixa para o cantor tentar se aproximar da jovem alertando-a sobre o erro que irá cometer se realmente se casar. Entre encontros e desencontros, o casal vai percebendo afinidades e que os sentimentos são correspondidos mutuamente, mas é claro que vai demorar um pouquinho para perceber que realmente estão apaixonados, afinal de contas tem que haver recheio para encher cerca de uma hora e meia de filme.

sábado, 28 de dezembro de 2013

SEQUESTRO SEM PROVAS

Nota 2,0 Com final tolo, longa prova que um filme pode se auto-detonar em poucos minutos

Filmes menores a respeito de sequestros costumam entreter, ainda mais quando a vida de uma criança bonitinha está em jogo, mas as pretensões de ser um suspense daqueles que dão nós na cabeça do espectador podem atrapalhar. Com estética e narrativa típicas de telefilmes, não há muito que se esperar de Sequestro sem Provas a julgar por sua curtíssima duração. A trama começa com Beck (Jennifer Beals – estrela dos anos 80 tentando sobreviver com seu suposto talento como atriz), uma agente do FBI envolvida com um caso que não terminou bem, mas sim com duas mortes. Após os créditos iniciais, diga-se de passagem, bem longos para encher linguiça, a ação volta três dias antes para mostrar o início de um novo e aparentemente normal dia para a família Waters. Teria algo a ver a introdução e esse clã? Pode ser que sim ou pode ser que não. Apesar de muitos já sacarem a relação entre essas cenas, o roteiro de David Robbeson consegue intrigar o espectador até pouco mais da metade com o perfil de Beck, uma mulher que parece esconder um grande mistério, algo ligado a sua saúde mental devido a algum fato traumático que viveu recentemente, podendo inclusive ser o malfadado caso do início. Ela é destinada a investigar o caso do desaparecimento de Megan (Olivia Dallantyne), a filha pequena de Julia (Shauna Black) e Mike Waters (David Storch). O casal aparentemente vive feliz como garotos propagandas de margarina, mas aos poucos vamos conhecendo pequenos detalhes dessa união que colocam em xeque tal felicidade. O marido parece se dedicar demais ao trabalho, inclusive o sequestro da garotinha se deu durante mais uma de suas viagens profissionais.  Estranhamente seu sócio, Ben Tomlisson (Stuart Hughes), há tempos não viaja alegando passar mal em voos. Com a ajuda de seu companheiro de trabalho Andy (Jonathan Goad), Beck começa a suspeitar de que o rapto claramente foi feito por alguém que conhecia bem a família, afinal em meio a uma importante negociação que Mike fecharia durante a viagem à Nova York, nada mais apropriado que pedir um polpudo resgate. Beck ainda tem a sorte de contar com uma espécie de poder mediúnico que a faz ver imagens do sequestro com riqueza de detalhes, mas o rosto do criminoso obviamente não aparece afinal algum mistério tem que ficar no ar.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

OPERAÇÃO PRESENTE

NOTA 9,0

Família Noel procura modernizar
seu esquema de entrega de presentes,
mas quando há uma falha a salvação
para o Natal pode ser o tradicionalismo
Dia 25 de dezembro, é Natal, e os chatos de plantão podem reclamar a vontade, mas não dá para comemorar a data sem curtir um filminho natalino. Todos sabem o que vamos encontrar neles e talvez seja justamente a repetição de mensagens edificantes o que torna tal programa irresistível em uma época em que a maioria está embriagada pela valorização do espírito de união, amor e solidariedade. Geralmente com roteiros que flertam com o drama e a comédia, basicamente tais obras lidam com o tema da recuperação do conceito original desta data festiva e a animação Operação Presente não foge à regra, mas basta um pouco de criatividade para dar certo ar de novidade à produção. Como o Papai Noel entrega tantos presentes em todo o mundo em uma única noite? Tentando responder a essa pergunta que milhares de crianças certamente fazem todos os anos, este desenho traz toques de modernidade em sua narrativa como uma mega operação de confecção e distribuição de presentes com o que há de mais moderno e o sempre necessário núcleo familiar disfuncional desta vez é representado pelos próprios parentes do bom velhinho. A narrativa nos apresenta à Arthur, o filho do Papai Noel, este que não é um milenário ancião como muitos pensam. Ele é o vigésimo homem de uma mesma linhagem a ocupar a vaga ao longo de mais de mil anos de distribuição de presentes, mas as coisas se complicaram comparando-se os dias de hoje com os primórdios desta atividade. A população mundial cresceu de forma descomunal tornando inviável a entrega de todos os presentes ao longo da madrugada natalina, nem mesmo com todo o clã Noel se esforçando ao máximo. Assim, hoje o aposentado e rabugento Vovô Noel, a prestativa Mamãe, o aficionado por tecnologia Steve, apontado como o sucessor do bom velhinho, o próprio Papai, Malcolm, em seus últimos dias usando a roupa vermelha, e ainda o caçula desajeitado Arthur, além de milhares de elfos, viajam em uma moderna e potente aeronave e comandam uma estratégica operação para entregar os brinquedos, praticamente um plano de guerra. O metódico Steve é quem organiza tudo, contudo, mesmo com todo o seu perfeccionismo as coisas não saem como esperado.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

UM NATAL MUITO, MUITO LOUCO

NOTA 7,0

Casal deseja fugir dos festejos
de Natal, mas na última hora
precisam organizar uma ceia e
recuperam o espírito de amizade
Hoje é véspera de Natal, dia de muita correria e compras de última hora. Em outras palavras, dia de muito estresse, mas a noite vem a calmaria e as alegrias e emoções devem predominar. No Brasil não temos o mesmo fanatismo que os americanos têm com esta festa cristã, mas ainda assim muitas pessoas vivem o clima natalino intensamente meses antes. Para elas todas aquelas enxurradas de reprises de comédias e dramas típicos de fim de ano na televisão são uma dádiva. Para quem ainda sente apreço pela comemoração, mas todo o ano promete que da próxima vez vai fazer algo diferente entre os dias 24 e 25 de dezembro, certamente se identificará com o casal protagonista de Um Natal Muito, Muito Louco, longa que já pode ser considerado um clássico natalino tal qual Férias Frustradas de Natal, figurinha carimbada na TV praticamente todos os anos há várias décadas. Ambos tratam do respeito e cultivo das tradições, do espírito de solidariedade e de família unida, mas claro que tudo temperado com muito humor. A receita é muito simples e agrada em cheio quem curte essa data festiva justamente por tirar um sarro daqueles que tentam manter o espírito de harmonia e solidariedade quando a reunião familiar se resume em uma sucessão de equívocos e bolas foras dos parentes queridos. Obviamente não é um tipo de produção que agrada a todos os tipos de plateia, pois investe em humor pastelão, mas convenhamos quem não tem pelo menos uma história engraçada ou tragicômica que ocorreu na ceia ou no almoço de Natal? É curioso, mas em meio ao corre-corre das compras de presentes e dos ingredientes dos pratos tradicionais, os filmes que acompanham esse clima não chamam muito a atenção aqui no Brasil, pelo menos quando exibidos nos cinemas. Pode ser o fato da ambientação contrária a nossa, branquinha e fria pela neve, a repetição de situações cômicas ou a mensagem clichê de esperança e amor que deixam no final, mas é certo que dá para contar com os dedos de uma mão só os títulos que trabalham o tema e que escapam do crivo do público e crítica sem serem extremamente chamuscados, como O Grinch e O Expresso Polar, ambos com características visuais evidentes para se sobressaírem no farto cardápio de filmes com histórias parecidas em cima da expectativa da chegada do Papai Noel. Para os produtores americanos os batidos filmes do tipo podem significar a salvação da lavoura quando o ano não rendeu boas bilheterias, por isso eles ainda continuam sendo feitos anualmente.

domingo, 22 de dezembro de 2013

UM HÓSPEDE DO BARULHO

Nota 6,0 Mesmo com trama previsível, longa ainda diverte e alimenta a nostalgia dos anos 80

Os anos 80 foram repletos de filmes bobinhos que acabaram virando sensação e hoje são alvo da atenção de nostálgicos. O grande segredo destas obras talvez fosse a sinceridade com que elas eram concebidas, sendo que muitas eram lançadas sem grandes pretensões, apenas servir como uma diversão ligeira para toda a família, mas o sucesso acabava superando expectativas como é o caso de Um Hóspede do Barulho, comédia simplória cujo tema guarda algumas semelhanças com o clássico E.T. – O Extraterreste, obviamente guardada as devidas proporções. Em ambos os filmes uma curiosa criatura é acolhida por uma família carismática, mas que não consegue manter este segredo por muito tempo. Certa vez os Henderson estavam voltando para casa após alguns dias de descanso no campo, mas foram surpreendidos na estrada por uma gigantesca e estranha criatura que acaba sendo atropelada por George (John Lithgow). Ao verificarem no que bateram, todos acreditam que encontraram o lendário Pé Grande e resolvem levá-lo para a cidade visando tirar algum proveito da situação, mas a criatura não está morta, pelo contrário, está bem viva. Após o estranhamento inicial, pouco a pouco todos nesta família vão percebendo que ele não é agressivo, pelo contrário, é até muito dócil como um cãozinho e tem os olhos cativantes e curiosos de uma criança que está conhecendo o mundo. George então batiza esta espécie de gorila de Harry e decide mantê-lo em casa para protegê-lo, mas o estranho no ninho começa a explorar o novo território e não demora para que outras pessoas o conheçam e para que os boatos sobre sua presença na vizinhança alerte caçadores e a imprensa de plantão, assim podendo ser declarada a perseguição a este animal que pode ser o único de sua espécie vivo.  Devorando peixinhos do aquário e as plantas dos vasos, quebrando portas e degraus da escada entre outras estripulias, Harry provoca cenas previsíveis com uma inocência que infelizmente não condiz mais com nossa realidade, talvez algo ultrapassado até para a época de lançamento quando os games e videoclipes já anestesiavam crianças e adolescentes com altas doses de adrenalina, cores e sons. De qualquer forma, o relativo sucesso e o apelo popular do longa acabou originando um seriado que durou três anos e foi exibido no Brasil pela Rede Globo no início da década de 1990.

sábado, 21 de dezembro de 2013

REFÉNS DO MAL

Nota 5,0 Suspense sem grandes sustos é mero produto para publicidade do protagonista

Crianças endemoniadas parecem um fetiche do cinema de horror. Símbolos de pureza e inocência, realmente até hoje não deixa de ser impactante ver guris que giram a cabeça, com olhar macabro, se automutilando ou atentando verbalmente contra a moral e a crença religiosa. Bem, o demoniozinho de Reféns do Mal vem em embalagem mais econômica, sendo a fixação de seus olhos, cara séria e dom para premonição suas principais armas para amedrontar, mas no caso ele só mete medo em quem merece. Será mesmo? Não há como falar sobre esta produção assinada pelo diretor Stewart Hendler sem revelar seu grande trunfo que na realidade não é nenhum truque para surpreender o espectador, mas sim a matéria-prima do roteiro de Christopher Borrelli. David (Blake Woodruff) é um garoto de oito anos filho único da Sra. Sandbom (Teryl Hothery), uma jovem e rica viúva que sempre o mimou com presentes e fez suas vontades, mas ainda assim ele parece sério demais. No dia de seu aniversário, em pleno período natalino, comparece a sua festa um animador vestido de Papai Noel que na verdade não é do ramo. Ele é Max (Josh Holloway), um ex-detento que aprendeu a cozinhar na prisão e agora que está livre sonha em abrir um restaurante com a noiva Roxanne (Sarah Wayne Calles), mas devido ao seu histórico criminal será difícil conseguir financiamento para o projeto, assim ele cai na tentação de fazer um último serviço sujo para um desconhecido que só consegue contatar pelo telefone: sequestrar David e em troca pedir um polpudo resgate. O rapto dá certo e com a ajuda da noiva e dos comparsas Vince (Joel Edgerton) e Sidney (Michael Hooker), Max aprisiona o garoto nas acomodações de um acampamento que está fechado provisoriamente devido ao inverno rigoroso. O futuro casal trata o menino de forma mais amigável, pois desejam que tudo acabe bem para todos, mas são alertados de que não devem se afeiçoar a ele. De qualquer forma, bastava um primeiro contato com a milionária que ela não se negaria a pagar uma fortuna para ter seu pimpolho de volta, mas as coisas saem dos trilhos.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

A MENINA E O PORQUINHO

NOTA 7,0

Adaptação de clássico literário
infantil pode soar inocente demais
para os novos tempos, mas sua
essência ainda é encantadora
Já faz algum tempo que os adultos estão invadindo a praia das crianças e curtindo desenho animado. Aliás, essas produções às vezes agradam mais aos pais que os próprios filhos ou propositalmente os estúdios já realizam as animações visando essa ampliação espontânea de público. Porém, quando a magia do universo infantil deixa o colorido dos desenhos de lado e é transportada para os filmes com atores de carne e osso o resultado não é o mesmo. Os adultos tendem a não se entreter com piadas batidas, enredo melancólico próprio para dar lições de moral aos pequenos e atuações consideradas fracas, a receita que frequentemente é utilizada neste tipo de produção. Pior ainda quando há bichinhos falantes na trama e os realizadores se concentram tanto em tornar críveis tais criaturinhas que acabam conseguindo um resultado frustrante, pois se esquecem de encontrar um equilíbrio com os demais elementos da produção. Contudo, algumas vezes esses filminhos água-com-açúcar podem ser perfeitamente assistidos e com prazer pelos mais crescidinhos graças ao trunfo da nostalgia que carregam em sua essência. É nesse ponto que A Menina e o Porquinho, protagonizado por Dakota Fanning, consegue um reforço. Esta é mais uma adaptação do clássico livro infantil "A Teia de Charlotte", de E. B. White, que já ganhou uma famosa versão em desenho animado em 1973 que foi repetida a exaustão na TV pelas duas décadas seguintes em todo o mundo. A garotinha que outrora era uma grande promessa de Hollywood interpreta Fern, uma das poucas pessoas a perceber que Wilbur não é um simples porquinho da fazenda onde vive, mas sim um animal muito especial. Com seu carinho e atenção, a garota ajuda o bichinho, que era o menor membro de sua família, a se tornar um porco vistoso e radiante. Quando se muda para um novo celeiro, Wilbur faz amizade com a aranha Charlotte e os laços de amizade entre eles influenciam para que os demais animais da fazenda vivam como se fizessem parte de uma grande e feliz família. Porém, o tempo passa e Wilbur cresce e está a caminho do triste fim de qualquer porquinho criado com tudo de bom e do melhor: virar assado. Quando surge a notícia de que em breve ele será abatido, a esperta e sensível aranha arma um plano para retardar a morte de seu amigo suíno.

domingo, 15 de dezembro de 2013

DUPLEX

Nota 9,0 Humor negro e piadas escrachadas pontuam comédia em que veterana dá um show

Quem não tem ao menos uma história engraçada ou irritante envolvendo um velhinho sem noção ou literalmente pentelho que atire a primeira pedra. É fato que conforme a idade avança o idoso acaba perdendo um nível considerável de sua capacidade intelectual e bom senso, mas alguns representantes dessa faixa etária muito bem de saúde acabam se aproveitando da generalizada condição para se dar bem e tirar o melhor proveito da situação. É mais ou menos nisso que provavelmente pensou Danny DeVito ao aceitar dirigir Duplex extraindo o máximo de humor de situações anárquicas do início ao fim. A direção não poderia ser de outra pessoa que não uma experiente no campo do humor. Aos politicamente corretos, que fique claro que a índole da personagem idosa do filme não deve ser encarada como uma ofensa as pessoas acima dos 60 anos, até porque no final existe uma justificativa hilária para seu comportamento no ágil e eficiente roteiro de Larry Doyle. Quem é ela? A senhora Connelly (Eileen Essel) é a inquilina de Alex Rose (Ben Stiller) e Nancy Kendricks (Drew Barrymore), um jovem casal que tinha um sonho de consumo: ter um belo duplex no famoso bairro do Brooklyn, na cidade de Nova York. Quando eles enfim encontram o apartamento dos seus sonhos, precisam enfrentar um problema que pouco a pouco torna-se um perturbador pesadelo. A antiga e simpática moradora do segundo andar se recusa a deixar o local e pelas leis do inquilinato americano ela não pode ser despejada. O casal tenta viver pacificamente com a vizinha, mas a senhora apronta tudo que pode e mais um pouco para deixá-los irritados 24 horas por dia literalmente. Até mesmo quando eles tentam dormir a velhinha está com todo pique para aprontar algo. Assim, o casal passa a perceber o real preço de seus sonhos, mesmo com o acréscimo do dinheiro do aluguel que recebem dela. No limite da situação, para conseguirem finalmente o imóvel só para eles, Alex e Nancy começam a planejar várias tentativas de tirá-la do local e pensam até mesmo em matar a aparente doce velhinha.

sábado, 14 de dezembro de 2013

SEGREDOS NA NOITE

Nota 4,0 Boa premissa e bons ganchos são desperdiçado em suspense arrastado e sem clímax

Robin Williams é um ator sinônimo de comédia devido aos seus trabalhos consagrados no gênero, no entanto, seu talento também já foi emprestado com sucesso a dramas e suspenses, mas é uma pena que nem sempre essa fuga do terreno seguro seja proveitosa como prova Segredos na Noite. O problema não é especificamente o ator, que está cativante como de costume, mas seu personagem é limitado demais para os conflitos que carrega, assim como a história criada por Armistead Maupin, Terry Anderson e Patrick Anderson que parece nunca sair do lugar. Muitas cabeças para pensar em um roteiro tão fraquinho e que poderia ser perdoado caso o clímax compensasse, mas parece que nunca chegamos a tal ponto. O que poderia ser um suspense razoável acaba sendo mais parecido com um drama arrastado por vezes sustentado a um fiapo de enredo. Contudo, existem bons ganchos na trama, porém, extremamente mal aproveitados. Baseado em fatos reais que deram origem a um romance do próprio Maupin, a trama gira em torno de Gabriel Noone (Williams), o apresentador de um famoso programa noturno de rádio no qual faz relatos sobre assuntos cotidianos e conquistou uma audiência cativa ao expor seu relacionamento com Jess (Bobby Cannavale), um homossexual portador de HIV e muitos anos mais jovem. A exposição fez com que a relação dos dois estremecesse e o rapaz decide ir embora de casa e nesse momento difícil o radialista acaba se entretendo com uma misteriosa história. Ele recebe do amigo Ashe (Joe Morton) o esboço de um livro redigido por um grande fã seu, Pete Logand (Rory Culkin), um adolescente de 14 anos que relata os abusos que sofreu dos próprios pais que realizavam orgias com outros adultos e as filmagens eram vendidas pela internet. Após tais crimes serem descobertos, a justiça determinou que o garoto fosse criado pela assistente social Donna (Toni Collette) com quem Noone passa a manter contato por telefone. A identificação acontece principalmente porque o garoto também é aidético, mas não teve chances de se tratar como Jess, assim ele constantemente é internado no hospital por conta de complicações respiratórias e tinha nas palavras de seu ídolo o conforto necessário para suportar a doença.

domingo, 8 de dezembro de 2013

LOUCURAS NA IDADE MÉDIA

Nota 3,0 Com previsíveis piadas, comédia se apoia em ator limitado a caretas e exageros corporais

Eddie Murphie, Cuba Gooding Jr., Chris Rock... Existem ótimos atores negros que encontraram na comédia seu território seguro. É uma pena que com o tempo o chão tende a ruir. Em Hollywood parece uma regra catapultar ao sucesso em velocidade recorde e tão logo puxar o tapete, só assim para explicar a quantidade de filmes bobos que se limitam a explorar o jeitão descolados de seus astros, algo que por vezes descamba para um lado preconceituoso exaltando a malandragem. Martin Lawrence virou estrela da noite para o dia com Vovó... Zona e com a publicidade e milhões que faturou bem que poderia ter recusado fazer Loucuras na Idade Média. Pelo título mirabolante ganho no Brasil já dá para ter ideia do que se resume a fita. Lawrence dá vida à Jamal Walker, um bonachão que trabalha em um parque de diversões de temática medieval que está caindo aos pedaços e que em breve deve ser soterrado com a concorrência de um novo complexo nos mesmos moldes que está para ser inaugurado em local próximo. Só com essa informação já dá para ver que criatividade não é o forte dos roteiristas Darryll Quarles, Peter Gaulke e Gerry Swallow,  até porque tal conflito não influi absolutamente nada na trama que claramente é construída para o protagonista usar e abusar de caras e bocas. Os primeiros minutos que o mostram se divertindo na frente do espelho escovando os dentes de forma bizarra comprovam isso e servem como um convite para deixar o filme de lado. Para quem quiser arriscar, vamos lá. Enquanto limpava um córrego que atravessa o parque sem explicação alguma vai parar na Inglaterra do longínquo ano de 1328, um mundo comandado por um rei impiedoso e habitado por cavaleiros vestidos em imponentes armaduras e donzelas indefesas. Inicialmente Walker acha tudo bastante divertido, acredita já estar no novo parque e até se espanta com o realismo dos cenários e roupas, e quando ajuda Sir Knolte (Tom Wilkinson), um cavaleiro bêbado, acredita que ajudou um simples sem-teto. Mesmo quando é recebido com toda pompa pelo rei Leo (Kevin Conway) e demais nobres, Walker ainda acredita estar em meio a atores ensaiando uma das atrações do parque. Contudo, ele é confundido com um mensageiro da Normandia envolvido em uma conspiração para matar o tirano líder a mando do noivo da princesa do reino, Regina (Jeannette Weegar).

sábado, 7 de dezembro de 2013

ESPÍRITOS FAMINTOS

Nota 3,5 Apesar de ser razoável, suspense não foge do clichê do fantasma que quer vingança

A onda de cinema de horror que enriqueceu os cofres e a cinematografia do oriente trouxe, apesar de muita bobagem no meio, alguns aspectos interessantes da cultura de países que levam a sério rituais funerários e a crença de que mortes violentas levam os espíritos a clamarem por vingança. O descanse em paz não é apenas uma frase de consolo, mas um objetivo que os vivos devem ajudar os desencarnados a conseguir e o filme Espíritos Famintos mostra um dos vários rituais usados para este fim. Jason Tsai (Terry Chen), a esposa Sarah (Jaime King) e o filho Sam (Regan Oey), de apenas seis anos, viajam para Xangai, na China, bem na época que se comemora o Mês do Fantasma Faminto. Eles saem do Canadá e vão para o funeral de um tio do rapaz que morreu inesperadamente e que deixou como herança para Mei (Pei-Pei Cheng), sua viúva, uma fábrica. Jason foi criado por essa família cujo patriarca era conhecido por fundar uma sociedade benevolente e também era chamado de “O Coletor de Ossos”, já que ele exumava os ossos de imigrantes e os enviava de volta a seus países de origem para serem enterrados junto aos demais familiares. Logo que chega à terra natal de seu pai Sam começa a ser atormentado por aparições de espíritos e é alertado por um nativo que o garoto e sua mãe têm almas sensíveis e que poderia ser muito perigosa a estadia em território chinês. Justamente naquele mês abria-se uma espécie de portal que dava acesso aos mortos ao mundo dos vivos, mas algumas dessas almas poderiam ser atormentadas e transformarem-se em demônios que infernizariam as vidas daqueles que os notasse. Dito e feito. Após relatar estar sendo perseguido por uma jovem fantasma, o garoto misteriosamente entra em um coma profundo de uma hora para a outra e os médicos não conseguem explicar o que há de errado com ele. Ao mesmo tempo que lida com o medo da morte do filho, Sarah ainda tem que aguentar a frieza e mau humor da tia Mei, com quem desde o início troca farpas, e tentar descobrir de quem é e o que quer o espírito que atormenta sua família.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

ONDE VIVEM OS MONSTROS

NOTA 7,5

Drama travestido de filme de
fantasia é carregado de
significados e com belo visual,
mas ritmo lento prejudica
Existem filmes que são difíceis de serem classificados em um gênero específico, ainda mais quando existe um improvável casamento entre o enredo e o aspecto visual da fita. Um bom exemplo é Onde Vivem os Monstros, produção dramática travestida de fantasia cujas imagens podem chamar a atenção das crianças, porém, a decepção delas é praticamente uma certeza, quiçá tal sentimento também se manifeste entre os adultos. Este filme pode ser encarado como um projeto experimental ou simplesmente como uma continuidade do estilo do cineasta Spike Jonze. Em seus trabalhos anteriores, Quero Ser John Malkovich e Adaptação, ele já demonstrava apreço por histórias criativas e complexas e neste caso quis explorar o universo infantil, mas obviamente a seu modo particular. Seguindo um conceito na linha de O labirinto do Fauno, o diretor adentra na mente de um garoto problemático que encontra refúgio em um mundo imaginário para esquecer-se de suas angústias. A trama roteirizada por Jonze em parceria com Dave Eggers tem como protagonista Max (Max Records), um garoto que parece se sentir um peixe fora d’água. Não é preciso muito para compreender que se trata de uma criança-problema. O início tumultuado e a câmera propositalmente trêmula fazem alusão ao seu comportamento hiperativo, possivelmente uma tática para chamar a atenção. Aproveitando a neve no quintal, ele constrói um iglu e sua euforia por tal feito reflete sua necessidade de respirar novos ares e de ser notado, pena que tal alegria dura pouco e termina por pura maldade. Ele é ignorado pela irmã e os amigos dela e não se conformou com o recente divórcio dos pais. Connie (Catherine Keener), sua mãe, tenta lhe dar atenção, mas também tem sua vida para tocar e quando recebe em casa um amigo (Mark Ruffalo) não tolera a indisciplina do menino e o repreende severamente. Max, vestindo uma fantasia de lobo como parte do plano para provocar, acaba fugindo de casa e magicamente pega carona em um barco que o leva a enfrentar o vasto oceano e suas ondas traiçoeiras até chegar a uma misteriosa ilha. Explorando o local, ele encontra uma comunidade de monstros que observa a distância, mas quando descoberto ele tira proveito de sua lábia e da fantasia que usava para convencê-los que não pode ser devorado por ser dotado de poderes mágicos, o que o faz ser confundido como um rei, o líder que eles tanto aguardavam. Sua grande tarefa é evitar que a tristeza tome conta do lugar, assim ele passa a criar uma série de brincadeiras e situações para mantê-los entretidos torcendo para que sua mentira não seja descoberta.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

AS AVENTURAS DE MOLIÈRE

NOTA 8,5

Com requinte visual, longa é uma
leve viagem por certo período
da vida do famoso artista francês,
mas com algumas liberdades
A vida de muitos pintores, poetas, músicos, escritores e tantos outros artistas das mais variadas áreas já instigaram cineastas a retratar suas vidas ou ao menos partes delas no cinema, principalmente aqueles que conseguiram levar seus nomes para fora de seus países de origem através de suas obras ou que tiveram trajetórias marcadas por tragédias, superações ou excentricidades. A comédia francesa As Aventuras de Molière traz a tona um episódio em particular da vida de Jean-Baptiste Poquelot, mais conhecido simplesmente como Molière, famoso dramaturgo que viveu no século 17 e que desde os primórdios da sétima arte já foi personagem de diversos filmes ou ao menos teve seu nome citado, tanto em dramas quanto em comédias, e ainda inspirou a construção de outros tipos de gênios das artes e/ou sedutores que marcaram presença nas telonas e nas telinhas. Com direção de Laurent Tirard, de A Noiva Perfeita, que também assina o roteiro em pareceria com Grégoire Vigneron, esta produção não se trata de uma biografia, mas sim de um relato de determinado período da vida do artista, diga-se de passagem, de suma importância para sua trajetória profissional, misturando fatos reais e toques fantasiosos acerca de casos amorosos. O desnecessário subtítulo dado no Brasil à fita, “um irreverente e adorável sedutor”, já denuncia o que podemos esperar: uma comédia romântica rica no visual e com história razoavelmente envolvente, mas que não quer inovar, apenas ser boa o suficiente para entreter por duas horas. O resultado divide opiniões, mas é inegável que com muita disposição o ator Romain Duris dá vida à Molière, jovem diretor, escritor e ator de textos teatrais que costumava zombar da nobreza em suas peças populares apresentadas em praças e tavernas animando as classes mais baixas. Diariamente, ele e sua trupe se tonavam mais famosos, mas eis que um dia a popularidade do rapaz chega ao palácio real e então é descoberto que ele devia ao governo muito dinheiro em impostos obrigatórios para manter seu grupo em atividade. Levado para prisão, pela primeira vez em muitos anos Molière acreditava que sua vida estava prestes a chegar ao fim, mas eis que seus débitos foram quitados por Monsieur Jourdain (Fabrice Luchini), um ridículo milionário que em troca do favor deseja a ajuda do artista para redigir e interpretar uma cena para cortejar uma bela moça da corte, Célimène (Ludivine Sagnier).

domingo, 1 de dezembro de 2013

RECÉM-FORMADA

Nota 2,0 Comédia romântica comete os grandes pecados do gênero: é sem graça e sem emoção

Existe algo pior que uma comédia romântica previsível? Para os detratores do gênero a resposta é sim, pois a lista de exemplos de produções do tipo que além de serem clichês não tem graça alguma e tampouco a trama romântica funciona é extensa. Esse é o caso de Recém-Formada, típico produto para preencher as tardes de ócio. Com roteiro de Kelly Fremon, a premissa já denuncia que não devemos esperar grande coisa da produção protagonizada por uma jovem adulta sonhadora. Ryden Malby (Alexis Bledel) não é mais uma colegial, pelo contrário, está se formando na faculdade e já tem planejado seu futuro (pelo menos os próximos meses). Vai conseguir um emprego em uma empresa respeitável, se mudar para um apartamento maravilhoso em uma agitada metrópole e se divertir o quanto pode com os amigos até que o homem da sua vida surja. Todos os seus sonhos começam a ruir quando uma colega da universidade, Jessica Bard (Catherine Reitman), consegue a vaga de trabalho que ela almejava e assim a jovem é obrigada a ficar morando com os pais, o teimoso Walter (Michael Keaton) e a despachada Carmella (Kelly Lynch), em sua pacata cidade natal. Sentindo que a cada dia a realização de seus desejos se torna mais distante e ainda tendo que aturar as excentricidades de sua avó Maureen (Carol Burnett) e as pentelhices do irmão caçula Hunter (Bobby Coleman), Ryden só consegue ter alguns poucos momentos de felicidade quando está acompanhada do seu melhor amigo Adam (Zach Gilford) ou do vizinho David (Rodrigo Santoro), pessoas que podem ajudá-la a traçar novos rumos para seu futuro. Bem nem é preciso dizer que o inseparável companheiro da moça é apaixonado por ela, esta que por sua vez não corresponde sua paixão preferindo investir no homem mais maduro e com pinta de galã latino. E mais uma vez nosso compatriota está fazendo uma ponta insignificante, mas de qualquer forma está inserido no cinema americano. Falando pouco, porém, marcando presença. O problema é que o longa é tão esquecível quanto a atuação tola de Santoro.

sábado, 30 de novembro de 2013

O CONDOMÍNIO

Nota 2,0 Suspense entrega seus segredos logo de cara, assim tornando-se uma opção tediosa

Um antigo e sombrio edifício pode ser o palco perfeito para histórias de horror e suspense e o cinema já deu inúmeras provas disso contando histórias de arrepiar envolvendo assombrações clamando por ajuda, espíritos demoníacos impiedosos e assassinos malucos ou que agem por pura maldade. O suspense O Condomínio aposta em uma morte misteriosa como pontapé inicial, mas o enredo procura seguir uma linha mais policial, assim oferecendo a oportunidade do espectador participar da ação recolhendo pistas para chegar ao autor do crime. Será mesmo? A trama escrita por Alberto Sciamma e Harriet Sand nos apresenta à Leonard Grey (James Caan), o zelador de um antigo condomínio há mais de trinta anos. Ele está lá desde que a ranzinza Lily Melnik (Geneviéve Bujold) comprou o edifício e mandou reformá-lo por completo. Desde um simples cano até o papel de parede do hall de entrada, tudo foi escolhido e colocado pelo próprio Grey. Apesar de tanto anos de serviços prestados e mesmo com o peso da idade, o zelador não abandona sua rotina de cuidados com o prédio, mas não leva uma vida muito agitada. Seu metódico cotidiano muda drasticamente quando um dos moradores é encontrado morto dentro de uma lixeira e todos os que moram ou trabalham no local se tornam suspeitos. Grey, aos poucos, começa a descobrir estranhos objetos que podem ter ligações com o crime escondidos sob o piso de um dos andares. Além disso, este homem sofre de um sonambulismo que apaga totalmente a sua memória, o que o leva a suspeitar que ele próprio possa ser o assassino, ainda que tenha agido de forma inconsciente. Para piorar tudo, Grey não tem uma boa relação com Lily e ainda se envolve com a sedutora Donna Cherry (Jennifer Tilly), cujo marido Bill (Peter Keleghan) é justamente o morador assassinado.

domingo, 24 de novembro de 2013

AMOR OU AMIZADE

Nota 1,5 Sem história para contar, romance parece só existir para promover um jovem ator 

O nome Freddie Prinze Jr. hoje não agrega muito a publicidade de um filme, mas já teve seus tempos áureos. Boa pinta e carismático, o ator é lembrado pelo cabelo platinado usado quando interpretou Fred nos dois primeiros filmes live action de Scooby-Doo e sua turma, mas o auge de sua carreira ocorreu um pouco antes disso. O sucesso do terror Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado tornou o jovem muito popular entre os adolescentes, principalmente entre as meninas, muitas delas que elegiam suas produções como os filmes de suas vidas. Os enredos pouco importavam, a peça-chave era o galãzinho. Entre 1999 e 2001 o rapaz estrelou uma série de comédias românticas e ganhou contrato de exclusividade com a produtora Miramax, então o berço das fitas independentes e acumuladora de algumas dezenas de troféus do Oscar e tantas outras premiações. A empresa não levou Prinze às badaladas festas do cinema e ironicamente até ajudou a estagnar sua carreira ao se valer da máxima de que em time que está ganhando não se mexe. Em Amor ou Amizade o rapaz vivia pela enésima vez consecutiva o mesmo tipo de personagem com mínimas variações e conflitos tão rasos quanto um pires, mas como o próprio defendia, seus filmes abordavam temáticas relevantes ao público-alvo. Eram filmes feitos por adolescentes para adolescentes, ainda que o ator já estivesse longe da puberdade. Ok, em tempos de comédias que exaltam a liberdade sexual e os vícios como algo inerente a juventude, caem bem historinhas carregadas de ingenuidade com um certo quê de nostalgia, porém, é preciso certo estopo para segurar um roteiro minimamente. Prinze dá vida a Ryan, o típico bom moço, estudioso e cheio de convenções que nutre uma forte amizade por Jennifer (Claire Forlani), garota com perfil completamente oposto ao seu, liberal, extrovertida e que curte a vida intensamente. Eles se conheceram na fase inicial da adolescência durante uma viagem de avião, mas se estranharam logo de cara. Anos mais tarde se reencontraram no colégio, ainda trocando algumas farpas, mas o destino parecia forçar uma aproximação de qualquer jeito. Embora fazendo cursos diferentes, seus caminhos se cruzaram novamente na faculdade e agora mais maduros finalmente conseguem consolidar uma relação de amizade, mas até que ponto ela iria? Ryan namorava com Amy (Amanda Detmer), a melhor amiga de Jennifer que a partir de então faz as vezes de ombro amigo aconselhando-o a viver novas experiências tal qual ela própria fazia respeitando seu jeito desprendido de levar a vida.

sábado, 23 de novembro de 2013

VENOM

Nota 3,0 Mais um serial killer indestrutível e repetitivo tenta inaugurar franquia de terror

Entre os anos de 1970 e 1980 ao menos três filmes de terror fizeram estrondoso sucesso apoiando-se nas enigmáticas e arrepiantes figuras de seus protagonistas psicóticos. Michael Myers, Jason Voorhees e Freddy Krueger, respectivamente de Halloween, Sexta-Feira 13 e A Hora do Pesadelo, acabaram entrando com tudo na cultura pop de todo o mundo, mas suas continuações repetitivas e com declínio em termos de qualidade, além das centenas de produções genéricas que pegaram carona na moda dos slashers, acabaram esgotando a fórmula. Nas décadas seguintes muitos tentaram lançar um novo serial killer que fizesse tanto sucesso quanto seus antecessores, mas apenas o assassino da série Pânico teve êxito, ainda que não tenha escapado da derrocada também pela falta de originalidade de seus capítulos seguintes. Entre as várias tentativas de uma nova franquia de terror, muitos títulos caíram imediatamente no esquecimento como é o caso de Venom. Não! Um dos inimigos do Homem-Aranha não ganhou seu filme-solo, esta é apenas uma infeliz coincidência. A história é o basicão de sempre. Um grupo de adolescentes que temos vontade de trucidar com nossas próprias mãos, tamanha a empatia que se estabelece, passa a ser perseguido por um assassino implacável. Ele é Ray Sawyer (Rick Cramer), caminhoneiro que se envolve em um acidente fatal com a Sra. Emmie (Deborah Duke), mulher misteriosa conhecida por lidar com rituais de vodu. No momento da tragédia ela trazia uma maleta que guardava serpentes com dons sobrenaturais que caem em um pântano junto com o corpo do rapaz que é picado por elas e imediatamente volta à vida, porém, com uma força descomunal e parecendo imune a qualquer tipo de ameaça. Ray agora carrega a maldade de dezenas de pessoas exorcizadas em rituais de magia negra e como uma máquina de matar não pensará duas vezes quando alguém cruzar seu caminho.

domingo, 17 de novembro de 2013

FORÇAS DO DESTINO

Nota 2,0 Carisma de atriz e beleza de astro não são suficientes para segurar fita sem história

Sempre que algum artista se destaca é batata que os produtores vão tentar sugar ao máximo desse sucesso e exposição, assim é comum observarmos algumas filmografias e identificarmos o auge de certos astros e estrelas, um ou mais períodos em que dominaram a cena. Como uma andorinha só não faz verão, muitos projetos visivelmente foram concebidos focados na união de intérpretes em evidência, mas as vezes o alvo que era para ser certeiro acaba sendo um tremendo tiro no pé. Forças do Destino é um bom exemplo. Simplesmente não enxergamos outro motivo para sua existência senão a vontade dos envolvidos em fazer grana fácil em cima da publicidade do primeiro (e se Deus quiser único filme para todo o sempre) encontro de Sandra Bullock e Ben Affleck. Ainda colhendo frutos do blockbuster de ação Velocidade Máxima, na época comemorando seu quinto aniversário, a atriz até então não havia estrelado nenhum outro fenômeno, mas seu nome por si só já garantia o aval para alguns filmes serem produzidos. Já o ator estava se habituando com a fama repentina conquistada após o Oscar como roteirista pelo drama Gênio Indomável e pela superexposição de ter protagonizado a aventura apocalíptica Armageddon. Ambos bem na fita, reuni-los em uma produção com pegada romântica era sucesso na certa, mas o fato é que a diretora Bronwen Hughes, da comédia-familiar A Pequena Espiã, confiou demais no poder de fogo da dupla e aparentemente os deixou livre para fazerem o que quisessem durante as filmagens. Divirtam-se! Façam aquilo que sabem ou gostam! Pelo menos é essa a sensação que temos ao ver um trabalho que não se define entre a comédia, o romance, a aventura, o drama ou se assume sua aura de pornô-soft. O resultado parece um clipe publicitário para os protagonistas venderem sorrisos de um branco reluzente e exibirem suas boas formas com uma ou duas cenas mais sensuais. Affleck interpreta o publicitário Ben Holmes (os problemas já começam por esta originalidade), um jovem a caminho de sua cidade natal e que faltando pouco mais de um dia para seu casamento se vê em meio a um turbilhão de emoções. Complicações durante a viagem de avião o forçam a seguir viagem por terra e o destino coloca em seu caminho a maluquinha Sarah, mais uma personagem de bem com a vida e desapegada para o currículo de Bullock.

sábado, 16 de novembro de 2013

MARÉ DE SANGUE

Nota 1,0 Com início ruim, longa naufraga e nem as cenas violências e de gore o fazem reagir

Um material publicitário bem feito pode ser a salvação para um filme de baixo orçamento ressaltando suas qualidades implícitas ou ser a desgraça do espectador que acaba comprando gato por lebre. Nesta segunda opção se encaixa Maré de Sangue que só pelo fato de não ter passado nos cinemas e ser do gênero de terror já gera desconfianças de que bomba vem por aí. Dito e feito. O que parecia ser um filme épico sobre piratas sanguinários ou uma história de fantasmas passada em alto-mar no fim se resume a uma fraca trama envolvendo assassinos masoquistas e jovens cujo comportamento depravado e irritante nos faz torcer por suas mortes o mais breve possível. A história gira em torno de um grupo de amigos que buscam sarna para se coçar indo pescar no meio do nada e curtir um fim de semana no barco do playboyzinho Trailor (Jason Mewes). A trupe só quer saber de festa, bebidas e sacanagem e se empolga ainda mais quando a pescaria começa a render literalmente peixões, mas nem desconfiam que o misterioso capitão Belvin Lee Smith (Richard Riehle) está oferecendo a eles um tipo de isca muito especial, mais cara e eficiente que as comuns: carne humana. Não demora muito para a embarcação apresentar problemas e deixar os jovens à deriva, mas logo um outro barco surge e seus tripulantes oferecem ajuda quando na verdade estão pescando facilmente suas novas vítimas. Smith faz parte deste bando que sequestra, estupra e mutila em alto-mar, mas dificilmente algum espectador estará disposto a torcer para que alguém sobreviva ao massacre. Escrito e dirigido por Matt L. Lockhart, a produção começa com sinais de que do início ao fim a grande diversão será contar os seus erros, a começar pela ridícula abertura que já entrega o ouro mostrando uma garota sendo caçada por um dos bandidos, cena sem um pingo de tensão, mas risos garantidos com a atuação forçada da moça.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

HORROR EM AMITYVILLE

NOTA 8,0

Embora abuse da imaginação,
refilmagem acerta no ritmo,
ambientação e em sustos, sendo
um respiro ao gênero terror
Remexer em situações misteriosas do passado para conseguir material para filmes de terror e suspense pode soar como uma ideia batida e que vai dar com os burros n'água, mas esse tipo de produção tem seu público cativo e por isso anualmente algumas dezenas de títulos com pretensões de deixar os espectadores roendo as unhas desembarcam nos cinemas ou diretamente nas locadoras. O famoso baseado em fatos reais é o chamariz e quanto mais instigantes e bizarros forem os fatos que deram origem ao roteiro melhor, embora muitas produções utilizem esse recurso de forma desonesta só para atrair público. Ainda bem que vez ou outra surge um excelente filme de terror que não se prende a apenas agradar plateias acéfalas, mas tem pretensões de arrebatar novos fãs para o gênero e agregar ou até mesmo reconstruir sua imagem. Um bom exemplo disso é Horror em Amityville, longa dotado de muitas qualidades, como uma narrativa coesa, boas interpretações, ambientação aterrorizante e cenas que assustam, mas não chegam a chocar totalmente. Uma pena que pouca gente o tenha assistido, ao menos no cinema. Os fatos que originaram esta história começaram no dia 13 de novembro de 1974 quando a polícia da região de Amityville foi chamada para atender um caso de assassinato coletivo. Em uma casa grande, de estilo antigo e a beira de um lago, o sonho de muitas pessoas, a cena que foi encontrada é digna de pesadelo. Uma família inteira foi assassinada de madrugada enquanto dormia. Poucos dias depois, Ronald Defeo Jr. confessou ter matado com um rifle seus pais e seus quatro irmãos e alegou que foi levado a esses atos por vozes misteriosas que ouvia dentro da residência. Ignorando a história macabra, um ano depois a propriedade é adquirida pelo casal George (Ryan Reynolds) e Kathy Lutz (Melissa George) que vão morar lá com seus dois filhos. Não demora muito e situações estranhas passam a acontecer e o chefe da família começa a demonstrar um comportamento violento. Sua esposa então passa a investigar o passado da casa e tem certeza de que há algo de maligno por lá que precisa ser combatido o mais rápido possível antes que o destino de sua família seja o mesmo dos antigos habitantes.

domingo, 10 de novembro de 2013

SIMPLESMENTE IRRESISTÍVEL

Nota 0,5 Romance afunda pelo excesso de açúcar e exageros e não envolve em momento algum

O cinema não tem o poder de transmitir cheiros e tampouco sabores, mas o mundo das cozinhas é uma grande fonte de inspiração, principalmente para histórias românticas. O problema é que alguma delas levam a sério a alcunha de água-com-açúcar e exageram na sacarose como é o caso do esquecido (e com razão) Simplesmente Irresistível, inadvertidamente comparado por alguns com o famoso, premiado e infinitamente superior romance mexicano Como Água Para Chocolate. Este filme na verdade é talhado para agradar adolescentes na idade de acreditar em paixão à primeira vista e usado como veículo para alavancar a carreira de Sarah Michelle Gellar na época em alta com o sucesso do seriado de TV “Buffy – A Caça Vampiros” e dos filmes Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado e Segundas Intenções, este que parecia ser um divisor de águas em sua carreira. Tentaram fazer a atriz se tornar uma nova queridinha da América da noite para o dia, mas na verdade sua trajetória prova que lhe faltou orientação para seguir em frente e certamente o açucarado romance em questão ajudou e muito a degringolar as coisas. Gellar interpreta Amanda Shelton, uma jovem que herdou um pequeno restaurante da mãe, mas não o seu talento para a culinária. Ela tentou pôr a mão na massa literalmente, mas a clientela pouco a pouco foi sumindo e assim ela teria que encerrar as atividades, mas de repente ganha uma ajuda vinda dos céus e estranhamente manifestada na forma de um caranguejo mágico que consegue em uma feira. No mesmo instante ela conhece Tom Barlett (Sean Patrick Flanery), um jovem produtor de eventos que está prestes a inaugurar um restaurante para o empresário Jonathan Bendel (Dylan Baker), este que quer assegurar que seu empreendimento tenha pelo menos uma cotação de quatro estrelas pelos críticos gastronômicos. O tal crustáceo já começa a mexer seus dedinhos, ou melhor, suas patinhas, e faz com que surja uma atração instantânea entre os dois, mas reserva outras surpresas para Amanda.

sábado, 9 de novembro de 2013

MISTÉRIO DA RUA 7

Nota 2,0 Explorando o medo do escuro e do fim do mundo, longa é enfadonho e sem rumo

O medo do escuro é uma das fontes de inspiração mais comuns do cinema de terror e suspense, geralmente uma temática explorada associada a sensação de claustrofobia para intensificar a tensão emocional e psicológica, seja em espaço literalmente reduzido ou em ambientações amplas, mas que com a falta de luz aparentam ser restritas. E se a escuridão assolasse toda uma cidade? Pior ainda, e se fosse um sinal derradeiro do fim do mundo? Mistério da Rua 7, fraquinha produção assinada pelo diretor Brad Anderson, tenta adicionar algo novo à batida discussão da proximidade da extinção da humanidade, mas não vai além do esperado. Talvez até dê um passo para trás em relação a outros filmes com temática semelhante simplesmente porque da mesma forma estranha que se inicia também se dá seu encerramento. Um apagão faz desaparecer misteriosamente toda a população de Detroit, nos EUA, e apenas as roupas que usavam sobram abandonadas assim como seus carros, lares, enfim, o local se transforma em uma cidade fantasma marcada por rastros da passagem de seres humanos. A cada dia que passa ao estranho fenômeno, o Sol nasce um pouco mais tarde e se põe mais cedo também até que desaparece de vez cedendo lugar ao breu total. No entanto, algumas poucas pessoas conseguem sobreviver e curiosamente todas elas têm em comum o fato de terem ao seu redor algum tipo de fonte de luz. No momento do apagão, o projecionista de cinema Paul (John Leguizamo) estava trabalhando; Rosemary (Thandie Newton) fumava um cigarro em frente a um hospital onde supostamente bate o ponto como enfermeira; o jovem repórter de TV Luke (Hayden Christensen) aproveitava uma noite de amor à luz de velas; e, por fim, o adolescente James (Jacob Latimore) se encontrava em um bar com gerador próprio. Os espectadores do multiplex sumiram de uma hora para a outra, assim como os médicos e pacientes da unidade hospitalar, com exceção de um homem que desperta da anestesia e percebe que o deixaram com o peito aberto na sala de cirurgia com risco eminente de morte. O garoto percebe que a mãe também o abandonou sem mais nem menos enquanto o jornalista... bem, ele só se deu conta do que aconteceu na manhã seguinte a sua noitada.

domingo, 3 de novembro de 2013

JOGO DO AMOR

Nota 4,0 Bonitinho e esquecível, longa poderia render se investisse na crítica aos reality shows

Lançado em uma época em que qualquer bobagem tinha fôlego para gerar algum tipo de reality show, Jogo do Amor estava em sintonia com seu tempo, mas seu destino acabou sendo as prateleiras de locadoras e lojas de varejo e ainda de forma discretíssima. Nada mais justo para uma produção esquecível, preguiçosa e cujo objetivo principal aparentemente era fazer com que o ator Jason Priestley caísse no gosto popular. Famoso em meados da década de 1990 pela série de TV “Barrados no Baile”, o rapaz tentou cativar seu lugar no mundo do cinema, mas poucos projetos surgiram e o estereótipo de príncipe encantado das adolescentes continuou o perseguindo e consequentemente limitando sua carreira. Buscando se manter em evidência, o roteiro escrito por Chad Hodge parece fazer implicitamente uma sutil brincadeira com a situação do próprio ator. Priestley interpreta Ryan Banks, um jovem astro cujo comportamento rebelde está causando prejuízos à sua carreira que, diga-se de passagem, começou por acaso. Sempre atrás de baladas e garotas na companhia de seu inseparável amigo Todd Doherly (Bradley Cooper), certa noite o rapaz conhece uma produtora de elenco e afirmar ser ator era uma das maneiras que Banks tinha para conquistar mulheres. A brincadeira tornou-se séria e ele realmente se tornou um astro de sucesso e firmou parceria com Doherly para assessorar sua carreira, todavia, a fama repentina não durou muito e em menos de um ano seu prestígio caiu assustadoramente, mas seu fiel amigo está disposto a reverter a situação e ganha três meses do escritório que representa para concretizar uma guinada na carreira de seu cliente.

sábado, 2 de novembro de 2013

STAN HELSING

Nota 0,5 Sátira a filmes de terror limita-se a oferecer apenas erros e vergonhas de seus similares

Quando estreou o primeiro filme da série Todo Mundo em Pânico ninguém duvidava que muitos capítulos iriam vir a seguir afinal de contas material para satirizar jamais faltaria. O problema é que após o original perdeu-se o fio da meada (o mínimo que segurava as pontas) e os roteiros começaram a atirar para tudo quanto é lado sem chegar a lugar algum. Variando os gêneros a serem achincalhados, outros derivados dessa linha como Deu a Louca em Hollywood, Super-Herói- O Filme e Espartalhões mostraram esgotamento da fórmula logo em seus primeiros filmes, provando o oportunismo que os sustentam. A ideia basicamente é fazer alguns trocados tirando sarro de produções famosas, de preferência recentes para não exigir demais do cérebro do público-alvo dessas fitas. Vendo por esse lado, Stan Helsing tinha potencial para ir além, a começar pelo seu título que evoca a lendária figura de Van Helsing, o caçador de monstros. Stan (Steve Howey) poderia ser um descendente deste herói da antiguidade que em pleno século 21 deveria combater assombrações modernas oriundas do cinema como Freddy Krueger, Jason Vorhees e Michael Meyers, mas a vontade que temos é de que estes monstros não estejam de brincadeira e realmente trucidam o protagonista e sua turma de amigos. Depois eles mesmos poderiam se suicidar. São péssimos! Na noite de Halloween, esse babaca está a caminho de uma festa na companhia dos amigos Teddy (Kenan Thompson), Nadine (Diora Baird) e Mia (Desi Lydic), mas antes precisa fazer uma entrega para seu chefe em um lugar distante. Pegando um atalho, já sabemos que as coisas vão sair dos trilhos. O quarteto vai parar em um sombrio condomínio onde no passado funcionava uma produtora de filmes de terror, mas cujas atividades foram interrompidas por causa de um grave incêndio. Opa! Acidentes mal resolvidos, lugares assombrados, uma cidade que dá toque de recolher à meia-noite... até que o argumento tem potencial, mas tudo é desperdiçado pelo roteirista e diretor Bo Zenga que parece apenas querer brincar de alinhavar porcamente referências a filmes de terror, conseguindo risadas amarelas de alguns poucos que conseguem entender as piadas afinal quem não é fã de sangue e tripas deverá ficar boiando.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

O HOMEM DAS ESTRELAS

NOTA 9,0

Protagonista é o retrato do povo
humilde da Sicília após a Segunda
Guerra e faz uso da magia do cinema
para sobreviver em tempos de incertezas
Giuseppe Tornatore é um diretor italiano que gosta de exaltar sua terra natal em sua filmografia, porém, não deixou se inebriar totalmente pelo tom da regionalidade e se envolveu em projetos com temas universais e sempre que pode demonstra seu amor pelo cinema de forma implícita ou escancaradamente explícita. O resultado é que seu nome atravessou fronteiras e é famoso no mundo todo, apesar de uma filmografia irregular com altos e baixos, mas tudo leva a crer que daqui alguns anos qualquer trabalho seu será tratado como uma verdadeira preciosidade. Amantes da sétima arte já topam pagar qualquer pequena fortuna para ter em sua coleção algumas de suas obras e curiosamente boa parte delas permanecem inéditas em DVD, como por exemplo O Homem das Estrelas, um filme de muito requinte e bom gosto vencedor do Grande Prêmio Especial do Júri do Festival de Veneza, uma honra que o torna marcante, mas inexplicavelmente esquecido por grande parte do público. Assim como em seu grande sucesso Cinema Paradiso, Tornatore investe mais uma vez em uma homenagem ao mundo cinematográfico através do personagem Joe Morelli (Sergio Castellito), um homem solitário que no início da década de 1950 chega a uma cidadezinha no interior da Sicilia no período pós-guerra e anuncia que procura novos rostos para trabalharem em filmes. Ele arma uma barraca na praça central e oferece a uma quantia modesta testes com candidatos a futuros astros da telona. Na realidade tudo não passa de uma mentira que ele transforma em seu ganha pão sem se preocupar se quem vai procurá-lo é um milionário exibicionista ou um humilde que busca uma chance de crescer na vida. A cada nova pessoa que o procura, muito mais que revelar talentos, o rapaz encontra instigantes histórias pessoais, porém, ele não se envolve com elas e vê o seu trabalho com frieza e apenas pensando nos resultados financeiros. Tudo muda quando aparece em sua vida Beata (Tiziana Lodato), uma moça que também está sozinha no mundo e acaba se afeiçoando àquele homem. Não demora muito e o amor entre os dois floresce. Pena que as alegrias duram pouco, pois o casal irá pagar um preço caro pelo passado de erros de Morelli.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

A NOIVA CADÁVER

NOTA 9,0

Conto romântico conquista o
espectador com seu visual
simplório, porém, arrebatador,
e trama inteligente e irônica
Filmes sobre almas de outro mundo e cadáveres que saem de suas tumbas para voltar ao mundo dos vivos são coisas para adultos. Bem, para Tim Burton isso não é verdade e tais criaturas apavorantes podem tranquilamente habitar o imaginário infantil. Conhecido pela sua excentricidade e adoração ao gótico, o cineasta imprime seu estilo em uma animação de stop-motion (aquela que anima bonecos quadro a quadro) e chama a atenção não só dos pequenos, que encontram a mistura ideal de humor e suspense que tanto curtem, mas também do público mais velho que se depara com uma história inteligente tingida praticamente de tonalidades escuras e frias. Terror, suspense, comédia, drama, romance, fábula ou fantasia? A Noiva Cadáver é uma mistura perfeita de referências a todos esses gêneros e a opção pelo desenho animado para amarrar tudo isso casa bem com a ideia, ainda mais com a técnica de animação em desuso que dá todo um charme a mais à produção. A narrativa se passa em meados do século 19 e gira em torno do franzino Victor Van Dort, um rapaz atrapalhado e muito inseguro que deseja se casar com Victoria Everglot, uma jovem de famíia tradicional e que é tão tímida quanto o noivo. Na realidade, as famílias de ambos é que fazem mais questão desta união arranjada. As duas estão em decadência e enxergam a solução para seus problemas financeiros neste casamento, pois ambas desconhecem a real situação das finanças uma da outra.  Sem estes pensamentos egoístas, os jovens realmente acabam se apaixonando, mas Victor coloca tudo a perder quando ensaia seus votos de casamento em um local afastado da cidade. Muito azarado, ele acaba fazendo sua declaração próximo onde repousava o corpo de uma jovem que foi assassinada justamente no dia de seu casamento, assim não realizando seu grande sonho. Emily, conhecida como a tal Noiva Cadáver, então encasqueta que o rapaz deve cumprir seu juramento de amor eterno e se unir a ela. Relutante inicialmente, ele acaba conhecendo um mundo divertido junto aos mortos e surge a dúvida se ele deve abdicar de sua vida sem graça e aderir a um descanso eterno e feliz ou voltar e cumprir o desejo da família, o que pode significar sua infelicidade e mais uma decepção para a noivinha pálida e gelada. Aliás, a defunta é uma super criação. Ao mesmo tempo em que é bizarra com seu corpo semi-decomposto, ela também é adorável e passa ares de melancolia e ingenuidade irresistíveis através de seus grandes olhos adornados por uma maquiagem chamativa. É curioso que sempre que está em cena ela é envolta por uma espécie de aura, um efeito de iluminação obtido com trucagens caseiras com a intenção de retratar a personagem como uma espécie de diva. Outra curiosidade sobre Emily é que uma minhoca vive literalmente em sua cabeça, uma espécie de consciência como se fosse o Grilo Falante de Pinóquio, embora bem menos inteligente e astuta.

domingo, 27 de outubro de 2013

NELLY

Nota 1,5 Mais uma vez a atriz Sophie Marceau mostra que tem de dedo podre para escolhas

Sophie Marceau é uma das atrizes mais famosas e requisitadas da França e até Hollywood já esteve de olho na moça, todavia, ultimamente ela está precisando parar para pensar melhor em suas decisões profissionais. Embora mais apreciadas e divulgadas nos últimos, é certo que as produções francesas ainda costumam sofrer com o preconceito, o estigma de serem chatas e cheias de simbolismos, e ao que tudo indica os últimos trabalhos de Marceau querem reforçar tal negativismo com o agravante de serem confusas como é o caso de Nelly, um estranho drama com toques de humor (prêmio para quem achar algum momento de graça) que marca a estreia da atriz Laure Duthilleul como diretora e roteirista, este último crédito que divide com Jean-Pol Fargeau e Pierre-Erwan Guillaume. Teoricamente, com mais de uma pessoa na função, seria possível ver os possíveis erros uns dos outros e acrescentar melhorias ao roteiro, mas alguém teria que fazer a revisão final, a limpeza do texto. Duthilleul, atribulada com as funções de direção, pode não ter tido tempo para tanto e o que se vê é uma reunião de cenas que parecem não ter muita conexão. Quando encontramos um eixo para nos situar, infelizmente percebemos que nada demais acontece para justificar a existência desta obra. A história começa apresentando alguns personagens desesperados a procura de Manuel (Sébastien Derlich), médico de um pequeno vilarejo e cuja secretária eletrônica está lotada de recados. Ao mesmo tempo, Nelly (Marceau) está em meio aos preparativos para levar seus filhos para passar o dia na praia. Outros personagens surgem, pessoalmente ou só ouvimos seus nomes, desestimulando o espectador tamanha a insanidade da introdução, mas é perceptível que a diretora não queria contar uma história com tudo mastigadinho e sim aguçar a curiosidade para pouco a pouco serem revelados detalhes e a trama ser completada na cabeça de quem assiste. Então, mais a frente, ficamos sabendo que Nelly, além de secretária, também era a esposa de Manuel que é descoberto morto em sua casa.

sábado, 26 de outubro de 2013

TOQUE DE RECOLHER (2006)

Nota 3,5 A partir de situação caótica, longa coloca em xeque os sentimentos de um casal

Epidemias, tsunamis, terremotos, tufões, erupções de vulcões, doenças sem precedentes e eventos inexplicáveis da natureza. O cinema já achou as mais variadas formas de exterminar a humanidade e destruir o mundo, mas sempre tem algum cineasta de plantão para voltar ao tema. Quando são superproduções, o negócio é investir em efeitos especiais para atrair público, ainda mais em tempos que os cinemas se renderam e se sustentam por conta de firulas tecnológicas, mas quando o orçamento é limitado o jeito é se virar como pode. Existe a opção pelo trash apelando para efeitos precários para ilustrar um provável fiapo de história ou o caminho mais inteligente de focar a atenção no enredo e se preocupar em mostrar como as pessoas reagem diante do desconhecido ou da iminência da morte. Ensaio Sobre a Cegueira e Contágio são bons exemplos desta segunda alternativa com o bônus de contar com um elenco de estrelas e cineastas renomados. O diretor e roteirista Chris Gorak não teve a mesma sorte com seu Toque de Recolher, mas nem por isso quis fazer um lixo qualquer, optando por uma abordagem mais intimista de uma temática tão grandiosa. A trama começa com o início de mais um dia aparentemente normal para a cidade de Los Angeles e para o casal Lexi (Mary McCormack) e Brad (Rory Cochrane). Eles estão vivendo uma fase difícil do relacionamento, mas a aproximação vem ironicamente de uma situação que também implica a separação. Logo após a moça ir para o trabalho, o marido escuta no rádio a notícia de que a cidade está sendo atacada por bombas químicas, verdadeiras armas de materiais radioativos cujos malefícios para os humanos não são totalmente conhecidos. Como prevenção, o governo implanta o toque de recolher, medida para que as ruas sejam evacuadas o mais rápido possível diminuindo ao máximo os riscos a saúde da população até que existam dados mais consistentes a respeito dos efeitos negativos do episódio. Todos devem permanecer trancados em casa e vedar todas as janelas e portas para evitar a inalação do ar contaminado. A deflagração deste conflito é feita de forma rápida e eficiente e o espectador participa do caos a medida que Brad vai colhendo novas informações através das mídias. Ao primeiro sinal de alerta ele tenta ir atrás da esposa, mas é impedido por policiais.

domingo, 20 de outubro de 2013

ENTÃO VEM O AMOR

Nota 4,0 Mulher independente conhece tardiamente o amor, mas nunca é tarde para se apaixonar

Mulher na casa dos 30 anos, bonita, independente, destemida, realizada profissionalmente, porém, lhe faltava alguma coisa para ser completamente feliz. Um marido certamente. Não! Um filho é o que ela quer, realmente um homem que lhe amaria incondicionalmente e jamais a abandonaria. Todavia, anônimo ou não, todo mundo tem que ter um pai e é óbvio que mais cedo ou mais tarde a criança fruto de uma produção independente vai querer conhecer suas origens e o destino pode pregar uma peça na mamãe que tanto prezava sua individualidade. Quem nunca ouviu uma história assim? Mudam os atores, uma coisinha aqui outra ali, mas a essência continua a mesma. Então Vem o Amor é previsível desde o título. Julie Davidson (Vanessa Williams) é uma colunista de jornal muito bem sucedida, especializada em falar sobre a mulher moderna, e que sempre dedicou muito amor ao filho Jake (Jeremy Gumbs), mas agora que o garoto está começando a entender mais as coisas a relação dos dois começa a ficar estremecida. A falta de dedicação aos estudos pode ser um sinal de déficit de atenção, mas os problemas do garoto, que incluem rompantes de agressividade, também podem estar ligados a falta de uma figura paterna em sua vida, ainda que sua mãe esteja namorando a algum tempo com Ted (Michael Boatman), um premiado foto jornalista. Mesmo se esforçando para suprir todas as necessidades de Jake, Julie começa a ficar incomodada com o filho inventando coisas a respeito de um pai que idealizava para os colegas e até mesmo pelos constantes comentários de que o garoto não parece muito com ela, assim a jornalista decide rever a ficha do doador de esperma e começa a desconfiar que suas características e seu perfil são bons demais para ser verdade. Ela então decide contratar os serviços de um detetive que a leva até o nome de Paul Cooper (Kevin Daniels), aparentemente o pai que não sonhava para seu filho.

sábado, 19 de outubro de 2013

MARCAS DO PASSADO (2006)

Nota 4,0 Drama aborda de forma superficial tentativas de homem comum mudar seu futuro

Muitos filmes já investiram na fórmula da pessoa que descobre que seu futuro não é lá muito auspicioso e corre contra o tempo para tentar mudar seu destino. Geralmente tais produções são ligadas ao gênero fantasia, horror ou suspense e garantem um filme razoavelmente divertido, tudo o que Marcas do Passado não é. Seguindo a linha de um drama policial, o longa dirigido por Mark Fergus, roteirista de Filhos da Esperança e Homem de Ferro, é um tanto arrastado, desinteressante e repleto de personagens sem função que apenas servem para confundir o espectador. O roteiro de Scott Hastings nos apresenta a Jimmy Starkys (Guy Pearce) que está viajando sozinho por uma estrada deserta quando tem um problema no carro. No pequeno vilarejo mais próximo ele consegue auxílio, mas terá que aguardar praticamente o dia todo até que o veículo fique pronto. Para passar as horas, o rapaz começa a vagar pelas redondezas e encontra o vidente Vacaro (J. K. Simmons) e só por distração paga por uma consulta mediúnica, embora não acredite em visões e caçoe a cada novo comentário que o homem faz. Sua atenção muda quando é avisado que em breve uma grande quantia de dinheiro chegará até ele de Dallas, mas subitamente o vidente começa a se sentir mal e interrompe a consulta. De volta a sua casa, Jimmy, que é vendedor, logo se vê envolvido em um negócio lucrativo, a venda de jukeboxes (tipo de toca-músicas antigos e próprio para estabelecimentos comerciais). O negócio começaria justamente por Dallas por ser um importante centro comercial, mas junto com essa novidade ele também passa a receber misteriosas correspondências e seu telefone quando toca fica mudo. Não demora muito para que o rapaz descubra que quem está por trás dessas pequenas brincadeiras é Vincent (Shea Whigham), um antigo parceiro de comércio ilegal que passou um bom tempo na cadeia por conta de um episódio mal explicado envolvendo Jimmy, este que ligando as evidências se apavora ao perceber que pode ser morto pelo ex-amigo que está sob liberdade condicional e cheio de ódio. Segundo a profecia, confirmada por uma cigana, o rapaz estaria a salvo apenas até a primeira nevasca do ano.

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