segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

MINHAS ADORÁVEIS EX-NAMORADAS

NOTA 7,0

Apesar dos protagonistas
não formarem um par
ideal, longa diverte e é
ligeiramente original 
Fazer uma crítica sobre uma comédia romântica não é uma tarefa fácil. Além de não inovarem na parte técnica ou visual, tais produções geralmente seguem um mesmo padrão narrativo. Todos sabem que os protagonistas inicialmente vão cativar de alguma forma o espectador, depois romperão devido a algum problema interno ou externo à relação e por fim eles voltam a se entender e teremos o inevitável final feliz. Ainda bem que nem sempre tais regras são seguidas à risca. Com exceção dos aspectos técnicos e do final feliz do casal principal, podemos dizer que Minhas Adoráveis Ex-Namoradas é um filme levemente diferenciado dentro de seu nicho cinematográfico por adotar algumas simples mudanças, a começar pela história ser contada do ponto de vista masculino como se a intenção da produção fosse justamente fazer com que as mulheres compreendam melhor o universo que cerca o sexo oposto, assim como o porquê de alguns homens terem tantas parceiras até encontrar a mulher certa para casar, o ponto de apoio necessário para não enfurecer a platéia feminina que ainda pode se dar ao desfrute de sonhar com um casamento perfeito. Matthew McConaughey, já diplomado em comédias românticas, mais uma vez vive um cara metido a espertalhão e sedutor. O fotógrafo de celebridades Connor Mead se gaba por ter uma extensa lista de ex-namoradas e relacionamentos de apenas uma noite ou até mesmo algumas poucas horas, por isso não compreende como um homem pode preferir abandonar a vida desregrada e de pura diversão em razão de uma união estável que acarreta uma porção de compromissos. Assim, ele não poupa críticas e piadas cheias de segundas intenções durante os preparativos da festa de casamento de seu irmão Paul (Breckin Meyer), tentando a todo custo que ele desista desta ideia. E já que ele está por lá de bobeira, por que não ampliar sua lista de conquistas com as madrinhas de casamento? O problema é que ele já saiu com todas elas e não gosta de repetir a dose para não dar esperanças às mulheres de que alguma coisa mais séria possa acontecer entre eles. Todavia, uma delas mexe além da conta com o coração do garanhão. Jennifer Garner, outra já conquistando mestrado no gênero, vive a romântica médica Jenny Perotti que certa vez já caiu na lábia do cara, se arrependeu e agora não vai deixar que ele estrague o casamento de sua melhor amiga com o irmão dele que felizmente não herdou da família a libido exagerada. Sim, os hormônios em ebulição também fizeram a fama do tio dos rapazes algumas décadas antes.
 
Quase que parodiando a si mesmo, Michael Douglas, ele próprio um confesso maníaco por sexo no passado, vive Wayne, o falecido tio e mentor de Connor que reaparece para o sobrinho na noite que antecede a tal festa de casamento. Antigamente este fogoso homem adorava ser considerado um garanhão e não desperdiçava nenhuma oportunidade para se divertir, porém, terminou sua vida sozinho e infeliz e não quer que sua versão anos 2000 passe pelo mesmo sofrimento, embora após a morte o Tio Wayne continue um tanto sapeca em certos momentos. Ele avisa que nestas poucas horas que faltam para a cerimônia o rapaz será visitado pelos fantasmas, ou aparições se preferir, de suas namoradas do passado, do presente e do futuro. Adivinha qual a missão delas? Apontar os erros que Connor cometeu, mostrar que seu futuro pode ser tão infeliz quanto do seu tio e que no presente está a chance dele ser feliz, basta reconquistar o amor de Jenny. Deu para perceber que o roteiro de Jon Lucas e Scott Moore bebe direto na fonte do clássico “Um Conto de Natal” do escritor Charles Dickens que já foi adaptado várias vezes para o teatro, TV e cinema e rendeu até animações. Transpor o conceito do texto original natalino para uma comédia romântica contemporânea já vale uma certa curiosidade que deve ser satisfeita caso você não assista a esta produção com olhares muito críticos. O velho ranzinza e muquirana cede lugar para um bem apessoado cafajeste. Saem as lições de solidariedade e entram em cena os ensinamentos sobre o que é e como deve ser vivido o amor. Diante dos olhos do protagonista sua vida é passada em forma de flashbacks, abordando desde a infância e adolescência (papéis vividos respectivamente por Devin Brochu e Logan Miller) até o seu futuro e melancólico funeral. São esses momentos que trazem humor ao longa que acaba por não se tornar uma opção totalmente divertida devido a previsibilidade das situações inseridas e pela baixa temperatura exalada pelo casal formado por McConaughey e Jennifer que deveriam deixar latente a paixão do passado quando se reencontram, porém, parecem obrigados a demonstrar algum tipo de sentimento para tornar crível a relação de seus personagens.

O diretor Mark Waters, que tem um currículo bem eclético no qual se destacam a comédia romântica E Se Fosse Verdade e a aventura fantasiosa As Crônicas de Spiderwick, apesar de não conseguir causar combustão entre seus protagonistas consegue levar adiante uma história repleta de clichês, mas que se equilibra muito bem entre o humor e o drama, não esquecendo nem mesmo de adicionar algumas cenas para emocionar o público mostrando que Connor não é totalmente canalha, também tem seu lado família e que abriu mão durante um bom tempo de sua própria vida para cuidar do irmão mais novo após a morte de seus pais. Seria esse o motivo de sua fase adulta ser tão desregrada? Pode ser. Por praticamente esmiuçar toda a vida do mocinho, a trama ganha ritmo pontuando os principais acontecimentos sem precisar encher linguiça com momentos muito melodramáticos. Até o histórico de convivência do casal da vez é apresentado de uma forma diferenciada, ainda que não falte o gancho clássico de um hit saudosista para unir os pombinhos novamente no presente. Vale destacar que ao passo que vemos McConaughey e Dougals bem a vontade em seus papéis enquanto Jennifer atua no modo piloto automático, quem rouba a cena em boa parte do longa é a mais nova queridinha de Hollywood Emma Stone vivendo a oitentista Allison, o fantasma da primeira namorada de Connor, uma figura bizarra que além de ter as melhores piadas do roteiro, inclusive visuais, também ganhou a honra de fechar a produção com chave de ouro em uma rápida cena. Minhas Adoráveis Ex-Namoradas caminha bem até quase o final, mas nos últimos minutos escorrega por enfatizar demais a lição de moral do filme, abrindo espaço para que McConaughey exagere na imagem de bom moço, com direito àqueles manjados discursos moralistas que todo cafajeste faz quando se arrepende tentando concertar tudo aquilo que estragou em poucas horas na vida do irmão ao mesmo tempo em que esses reparos podem afetar a ele mesmo de forma positiva. Bem, você já sabe o que vai acontecer com ele não é? Enfim, mesmo com vários problemas escamoteados, esta é uma boa opção para uma sessão de cinema descompromissada. Deixe o senso crítico de lado e a diversão pode estar garantida.
Comédia romântia - 100 min - 2009 - Dê sua opinião abaixo.

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