sábado, 5 de janeiro de 2013

SENTENÇA DE MORTE

Nota 7,0 O tema justiça pelas próprias mãos ainda rende bons filmes quando bem justificado

Sinopse: Nick Hume (Kevin Bacon) é um cidadão comum que leva uma vida tranquila ao lado da esposa Helen (Kelly Preston) e de seus filhos, o caçula Lucas (Jordan Garrett) e o adolescente Brendan (Stuart Lafferty). A felicidade da família é destruída quando o filho mais velho é assassinado na frente de seu próprio pai pela gangue de Billy Darley (Garrett Hedlund). O assassino, Joe (Matt O’ Leary), um jovem que precisava cometer um crime relevante para ser introduzido no bando, é preso, mas Nick não se contenta com a sentença que foi dada ao rapaz e com o intuito de proteger seus familiares e vingar seu filho resolve fazer justiça com as próprias mãos. Mais violento e com espírito vingativo aguçado, ele promete matar qualquer criminoso que de alguma forma esteve envolvido no assassinato de seu filho. Porém, Billy não vai ver de braços cruzados seu bando ser exterminado pouco a pouco e também parte para o contra-ataque.


Comentário: O cinema em geral, mas principalmente o feito em Hollywood, parece adorar o tema vingança, um assunto que rende desde produções medíocres até elogiados trabalhos. Fazer justiça com as próprias mãos, mas sem ter bons argumentos para tanto, eram características dos filmes protagonizados por brucutus antigamente. Uma desculpa qualquer era o suficiente para que um fortão saísse por aí distribuindo pancadas, chutes e tiros e assim fazer seu público-alvo feliz. Hoje em dia histórias do tipo são execradas e só se salvam quando apoiadas em algum alicerce dramático e nada melhor que um sofrimento familiar para captar a atenção e o emocional do espectador. É com uma premissa do tipo que Sentença de Morte escapa de ser uma bomba qualquer. O diretor James Wan pode não ter inovado no clima de tensão como em seu trabalho anterior, o terror Jogos Mortais, mas conseguiu criar um filme de ação acima da média aproveitando muito bem o roteiro de Ian Jeffers que começa a história apresentando uma feliz família de modo bem simplificado e natural, recurso necessário para estabelecer uma conexão entre quem assiste e os personagens, certamente o grande deslize da maior parte das produções que visam mexer com a adrenalina da platéia. Dessa forma, todos os eventos posteriores ao assassinato do filho do protagonista ganham uma intensidade maior e a passagem dele de bom moço para um frio assassino é totalmente justificável e aceitável de forma que ele não se torna um vilão. Aliás, com os índices de violência atual, nada mais natural que o próprio espectador se colocar no papel deste pai e se questionar se numa situação do tipo se conformaria com a decisão da Justiça ou se também deixaria aflorar seu lado vingativo. Bem, como já dito, o gancho familiar inserido na introdução faz toda a diferença para destacar este filme de ação entre tantos outros com enredos similares. Aliás, esta é uma adaptação do best seller homônimo de Brian Garfiled escrito em 1975 após o autor se aventurar pelo gênero ação em outros livros que originaram a cinessérie Desejo de Matar estrelada por Charles Bronson, as obras que abriram caminho para Arnold Schawarzenegger, Jean-Claude Van Damme, Sylvester Stallone e companhia faturaram alto durante toda a década de 1980 e início dos anos 90 distribuindo tiros e sopapos. Ainda bem que Kevin Bacon tem mais tutano e sensibilidade que todos esses fortões juntos e soube compor uma personagem crível, astuto e violento, mas também cheio de dúvidas e remorso. Em algumas sequências inclusive ele nos remete ao clássico Taxi Driver estrelado por um jovem Robert De Niro. Uma das referências mais óbvias é quando Nick raspa a cabeça no ápice de sua loucura tal qual o taxista do filme setentista dirigido por Martin Scorsese. Violentamente perturbador, mais na forma como age em nosso psicológico do que da maneira como nos atinge visualmente, esta é uma produção que reúne os melhores clichês dos filmes de ação, porém, Wan consegue dar um tempero novo à receita com movimentos de câmera interessantes e edição caprichada, mas principalmente por focar sua história na degradação de um homem correto, um tiro certeiro para atingir quem quer não só se divertir, mas também tirar algum proveito reflexivo de um filme. Não se deixe influenciar pelo material publicitário e título do filme. Ainda que combinem, também vendem o produto de forma pouco atraente e ultrapassada.

Ação - 110 min - 2007 - Dê sua opinião abaixo.

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