quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

O EXÓTICO HOTEL MARIGOLD

NOTA 8,0

Longa acompanha a viagem
de um grupo de idosos à
Índia na qual cada um
viverá um tipo de experiência
Parece que nos últimos anos os produtores de cinema perceberam que as pessoas mais maduras também gostam de assistir filmes, muito provavelmente dando muito mais valor às produções que o público mais jovem. Talvez esta seja a explicação para o aumento de trabalhos voltados a essas platéias mais maduras, inclusive o boom de comédias protagonizadas por atores com idades semelhantes a média de seu público-alvo. Um bom exemplo desta safar é O Exótico Hotel Marigold, um agradável passeio pela Índia na companhia de um elenco de luxo reunido pelo diretor John Madden finalmente realizando um trabalho relevante após o premiado Shakespeare Apaixonado. O longa é uma comédia simpática com toques dramáticos que não é perfeita, tem suas falhas, mas talvez o seu jeito despretensioso a transforme em um belo entretenimento. A história pode ser resumida simplesmente como a crônica de um grupo de pessoas da terceira idade que deseja descansar um pouco dos ares ingleses e decide experimentar o tempero do Oriente Médio. O que torna esta experiência interessante é que eles não se conhecem até a chegada ao aeroporto para embarcarem e cada um tem um motivo particular para esta viagem. Muriel (Maggie Smith) é uma ex-governanta preconceituosa em relação a estrangeiros que possui um problema de saúde e precisa ser operada as pressas. Douglas (Bill Nighy) e Jean (Penelope Wilton) são casados há anos e precisam se adaptar à nova situação financeira que os abala. Evelyn (Judi Dench) perdeu o marido há pouco tempo, mas não quer ficar sob os paparicos de familiares. Graham (Tom Wilkinson) é um juiz recém-aposentado que quer voltar à Índia para resolver problemas do passado envolvendo um amor impossível. Por fim, Norman (Ronald Pickup) e Madge (Celia Imrie) não perderam as esperanças de encontrar um grande companheiro, nem que seja para viver juntos os últimos momentos que lhes restam, mas enquanto o parceiro ideal não aparece eles tentam se divertir com rápidos relacionamentos.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

MENTIRAS SINCERAS

NOTA 6,0

Drama explora a
intimidade de casal que vive
de aparências, mas o destino
trata de desmascará-lo
Existem alguns filmes que não tem defeitos a primeira vista e talvez assistidos pela segunda ou terceira vez também não revelem nenhum detalhe que os desqualifiquem, mas ainda assim não são obras memoráveis, todavia, não temos coragem de desmerecê-las. Mentiras Sinceras é um produto desse tipo. Não fez barulho em sua rápida passagem pelos cinemas e hoje é um título mais conhecido por um seleto grupo de espectadores que não o elevam a potência máxima de obra de arte, mas sabem reconhecer as suas qualidades e apontar como o principal defeito do longa a falta de ousadia e ambição do diretor inglês Julian Fellowes. Estreando no cargo de direção, mas experiente na área de roteiros, tendo ganhado um Oscar pelo texto de Assassinato em Gosford Park, este profissional também é ator, o que explica a sua predileção em realizar um filme para atores brilharem e as situações servirem como meras desculpas para os personagens extravasarem suas emoções contidas em nome de valores sociais, morais ou até mesmo por medo de seus próprios sentimentos. James Manning (Tom Wilkinson) e sua esposa Anne (Emily Watson), bem mais jovem que ele, formam o típico casal de fachada. Para amigos, vizinhos e parentes parecem muito felizes no casamento, mas na intimidade eles mal se falam e parecem guardar segredos e ressentimentos um do outro. Contudo, ele vê esta relação com bons olhos e acredita que vive um casamento feliz. Já ela tem certeza do contrário, mas parecer ter se acostumado a viver na rotina e relativamente distante do companheiro. Vez ou outra o casal deixa o melancólico cotidiano londrino para aproveitar algum tempo no campo e James tem a possibilidade de se divertir com os jogos de críquete, mas certo dia sua esposa acaba aproveitando essa distração do marido e arruma uma nova companhia. Bill Bule (Rupert Everett) é herdeiro de uma rica família inglesa, mas acaba de voltar dos EUA com novos hábitos e modos de pensar. É justamente o modo desencanado de ver a vida que chama a atenção de Anne, um comportamento totalmente oposto a seriedade de seu marido.  

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

LETRA E MÚSICA

NOTA 8,0

Comédia romântica segue
cartilha do gênero a risca,
mas se destaca ao criticar
de leve o mundo da música 
Cinema e música fazem um casamento perfeito e ambas as manifestações culturais já tiraram bons proveitos desta união, como fica comprovado em Letra e Música, uma deliciosa comédia romântica que apesar de ser contemporânea (lembrando que o filme é de 2007) resgata muito da ingenuidade e da badalação dos anos 80, época em que os bailinhos dos jovens bombavam com canções agitadas ou românticas nas vozes de garotos de vinte e poucos anos que vendiam milhões de discos e suas fotos eram acessórios obrigatórios no quarto de qualquer garota descolada. Quem tem ao menos uma pequena noção de como foi aquela época certamente se sentirá fisgado a acompanhar este filme só de ver os primeiros minutos. A introdução não poderia ser mais criativa. Uma melodia pegajosa embala o videoclipe de uma “boy band” chamada POP. Pode soar como um nome nada original, mas é usado em tom de ironia. Esses rapazes fizeram sucesso no passado fazendo caras e bocas para conquistar as menininhas e seus passinhos de dança, figurinos e cortes de cabelo marcaram época. O clipe reúne todos os elementos característicos do período no que diz respeito ao mundo da música e da TV ou, em outras palavras, como a MTV ditava a moda aos adolescentes já naqueles tempos. O tempo passou, a tal bandinha teen deixou de ser popular, terminou desgastada, seus integrantes envelheceram e cada um seguiu seu próprio caminho. Alex Fletcher (Hugh Grant) continuou investindo no mundo da música, ainda que se apresentando para pequenas platéias em parques e feiras de todos os tipos, mas longe dos palcos das grandes casa de shows. Mesmo assim ele foi convidado para escrever uma nova canção e gravá-la junto com um dos maiores fenômenos midiático dos anos 2000, Cora Corman (Haley Bennett). Porém, ele não compõe há anos, sente-se despreparado e está desesperado, pois não pode perder a chance de voltar à mídia em grande estilo. Quem pode salvá-lo é Sophie Fisher (Drew Barrymore), ironicamente a simples  jovem que cuida das plantas do ex-astro. Estudante de Letras, ela é ótima para se comunicar, tem boas idéias, mas é desiludida no amor, os ingredientes perfeitos para uma boa compositora escrever uma canção que envolva o público. 
 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

VALENTE (2012)

NOTA 9,0

Pixar se rende ao estilo
tradicional Disney e lança
sua primeira animação
protagonizada por princesa
 

O mundo dá voltas. Se um dia o império Disney foi estremecido e virou “refém” dos moderninhos desenhos da Pixar agora chegou a vez dos papéis se inverterem. O antigo e longo acordo das duas empresas previa que a casa do Mickey Mouse seria apenas responsável pela divulgação e distribuição dos longas animados através de computação gráfica, mas desde 2008 elas se uniram em um mesmo conglomerado, assim o reino das princesas e animais fofinhos foi invadido por brinquedos e carros animados, monstros bonzinhos, super-heróis entre outros tantos personagens criados através de tecnologia de ponta. Mas como diz o ditado, tudo que é bom dura pouco. No caso da Pixar não. Foram quase duas décadas praticamente dominando o mercado de animações, mas Carros 2 balançou os alicerces da produtora. Após o baque das críticas negativas, surpreendeu o fato de que para tentar dar a volta por cima os executivos do estúdio escolheram aliar modernidade e antiguidade. Valente definitivamente é um produto diferenciado no catálogo da empresa que fez história com Toy Story, Monstros S.A., Procurando Nemo, entre tantos outros sucessos, mas deixa a desejar no quesito criatividade. A animação continua mantendo o visual arrebatador característico da Pixar, desta vez com o uso de efeitos 3D, diga-se de passagem, totalmente desnecessários, mas o enredo é bem diferente do que ela nos apresentou ao longo dos últimos anos. Bebendo na fonte da era medieval, o longa é protagonizado por uma princesa. Será que o estúdio estava passando por uma crise brava, perdeu sua identidade e sucumbiu aos apelos da Disney que claramente nunca quis abandonar os contos de fadas? A resposta é sim e não. Algumas pessoas dizem que pelo fato do enredo enfocar questões familiares e ter como protagonista uma princesa o desenho acabou ficando tradicional demais, mas se pararmos para analisar existe sim novidades e ganchos muito interessantes. Não temos aqui uma princesinha indefesa e sonhadora que tem como único objetivo casar-se e ser feliz para sempre. Embora criada com todos os cuidados por Elinor, sua mãe, para ser sua sucessora como rainha da Escócia, a jovem Merida sente que não tem a menor vocação para cuidar do reino apenas dando ordens. Ela quer é ação. Seus lazeres prediletos são cavalgar e praticar o tiro ao alvo com seu arco e flecha. 

domingo, 24 de fevereiro de 2013

JOVENS BRUXAS

Nota 3,0 Sucesso juvenil dos anos 90, suspense envelheceu e hoje deixa claro suas fragilidades

Tem muitos filmes juvenis que viraram ícones dos anos de 1980, mas se pararmos para analisar bem eles não tem nada de muito especial em suas histórias e acabaram se tornando uma forçosa lembrança para aqueles que foram obrigados a ver e rever tais produções a tarde na TV. Contudo, a batida das canções da época, o estilo de se vestir extravagante ou largadão, os cortes de cabelos exóticos e até o som abafado e as imagens ligeiramente desbotadas dão um charme irresistível a tais produções. É natural que pessoas na casa dos 30 ou 40 anos lembrem com saudades de um tempo em que suas maiores preocupações eram fazer a lição de casa o mais rápido possível para poder curtir uma sessão da tarde, melhor ainda se com os amigos a tiracolo. Agora também já podemos ter esse gostinho nostálgico revendo fitas lançadas na década de 1990 como Jovens Bruxas. Lançando luz sobre os adeptos da moda gótica e apresentando o tema paganismo à chamada geração MTV (como ficaram conhecidas as turmas que foram influenciadas pelo conteúdo liberal do canal), o suspense resgatava uma temática em desuso e já preparava terreno para a atriz Neve Campbell virar queridinha dos adolescentes, sendo que no mesmo ano viria a estrelar Pânico. Contudo, ela não é a protagonista. A trama gira em torno da personagem Sarah defendida inicialmente sem muito vigor por Robin Tunney. Desde sempre carregando o fardo de ter perdido a mãe em seu parto, ela tenta suicídio na adolescência e seu pai e a madrasta decidem levá-la para morar em Los Angeles, onde poderia viver sem tristes lembranças. No novo colégio ela já sente o peso de ser retraída virando alvo de comentários maldosos alimentados por Chris (Skeet Ulrich), o típico pegador e esportista por quem as meninas seriam capazes de tudo para passarem uma noite junto. No entanto, Sarah se recusa a transar e o rapaz espalha que eles de fato ficaram, mas ele se arrependeu porque ela é péssima de cama. Parece um boato tolo, mas na juventude uma intriga do tipo soa como o apocalipse, coisas dos tempos da puberdade.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

MACHETE

Nota 1,0 Badalado longa de Robert Rodriguez é destinado a um público específico

Sinopse: Machete (Danny Trejo) é um agente federal imigrante que cai em uma armadilha arquitetada pelo traficante de drogas Torres (Steven Seagal) e que resulta na morte de sua esposa. Alguns anos depois, ele aceita uma oferta do empresário Michael Booth (Jeff Fahey) para matar o Senador John McLaughin (Robert DeNiro), que quer expulsar todos os imigrantes ilegais do México, mas o que parecia ser uma simples e rentável missão, transforma-se em uma sanguinária trama de conspiração contra o povo mexicano. Porém, contrariando todas as expectativas, Machete sobrevive e parte em busca de vingança, ajudado por Sartana Rivera (Jessica Alba), uma agente do Departamento de Imigração dividida entre o que dita a lei e o que manda seu coração. Ele também recebe a ajuda de Luz (Michelle Rodriguez), uma vendedora com mãos rápidas e habilidosas, de Benito (Cheech Marin), um padre que é bom com bênçãos, mas melhor ainda com armas, e de April Booth (Lindsay Lohan), a filha de Booth, uma socialite louca pelo perigo.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

1408

NOTA 7,0

Suspense claustrofóbico
garante bons sustos, mas na
hora da conclusão deixa
respostas em aberto
Quem se entusiasma a assistir a um filme no qual praticamente temos apenas um ator em cena? Bem, Tom Hanks teve êxito em Náufrago alternando momentos cômicos e dramáticos em uma ensolarada ilha deserta acompanhado de uma bola de vôlei, mas será possível acompanhar uma trama na qual um homem tem como companhia apenas a sua própria loucura ou o medo em um ambiente claustrofóbico? A resposta é sim, desde que o enredo seja de qualidade e provoque sustos de verdade, não risos como muitos filmes de suspense de hoje em dia. O ator John Cusack assumiu a difícil tarefa de envolver o público em um clima de tensão constante tornando-se o protagonista de 1408, suspense baseado em um conto homônimo do livro “Tudo é Eventual” de autoria de Stephen King. Sua versão cinematográfica não é excepcional, porém, cumpre seus objetivos e nos poupa da sanguinolência e carnificina gratuita apostando mais em uma temática de terror psicológico. A trama gira em torno de Mike Enslin (Cusack), um romancista que decidiu experimentar novos caminhos e passou a escrever livros sobre fenômenos paranormais, ou melhor, obras para demonstrar que coisas do além não passam de frutos de imaginações férteis. Totalmente cético, principalmente após perder precocemente uma filha, ele aceita como seu próximo desafio comprovar que não existe nada de assustador no quarto 1408 do tradicional Dolphin Hotel que fica em plena fervilhante Nova York. O cômodo tem fama de ser habitado por espíritos malignos e que quem se hospeda nele morre em pouco tempo. O gerente do hotel, Gerald Olin (Samuel L. Jackson), o avisa que exatamente 56 mortes ocorreram neste quarto e desde o último corpo encontrado este aposento não é mais cedido a hóspedes e só é limpo mediante a um esquema especial. Mesmo assim, Enslin está disposto a provar que não existe nada de diabólico lá, mas também descobrir porque nenhum dos hóspedes sobreviveu a mais de uma hora trancado no quarto.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

HISTÓRIAS CRUZADAS

NOTA 7,5

Longa aborda o racismo
e a relação patroa versus
empregada nos anos 60, mas
é o elenco que se destaca
Nos EUA é muito comum o termo “feel good movie”, algo como filmes que trazem mensagens positivas, aqueles que deixam o espectador com uma boa sensação ao subirem os créditos finais. Para os críticos de cinema essas produções são dotadas de artifícios que manipulam as emoções para fazer as pessoas se envolverem e até mesmo chorarem facilmente, ou seja, trocando em miúdos, consideram trabalhos que não acrescentam absolutamente nada na história do cinema ou para aumentar o intelecto do público tornando-se assim obras desnecessárias. Por outro lado, tais filmes estão cada vez mais ganhando as atenções das premiações. Os organizadores de festivais e festas dos melhores do ano estão visando chamar a atenção de plateias mais jovens dando visibilidade a produções que caíram no gosto popular, como foi o caso de Histórias Cruzadas, uma das maiores surpresas nas bilheterias americanas na temporada de premiações de 2012. O enredo eficiente e de fácil assimilação aliado a um competente elenco feminino trataram de fisgar as atenções. A pequena e pacata cidade de Jackson, no estado do Mississipi, parece que parou no tempo e as pessoas vivem em uma sociedade que separa negros e brancos, pobres e ricos. Em plena década de 1960, durante a conturbada luta pelos direitos civis e o início dos debates sobre a discriminação racial, Skeeter (Emma Stone) retorna a sua cidade natal e está decidida a seguir a carreira de escritora. Porém, o tema que ela escolheu para seu primeiro livro é um tanto espinhoso e mexe com os brios da sociedade americana conservadora, muito bem representada pela malvada Hilly (Bryce Dallas Howard). A jovem escritora começa a entrevistar mulheres negras que deixaram suas famílias e as próprias vidas de lado para trabalharem como empregadas e babás nas casas da elite branca, classe social da qual a própria Skeeter faz parte. Aibileen (Viola Davis), a empregada da casa da melhor amiga da escritora, é a primeira a conceder uma entrevista, o que desagrada os vizinhos. Apesar das críticas e olhares maldosos, Skeeter e Aibileen tornam-se amigas e juntas conseguem novos depoimentos, como da atrevida governanta Minny (Octavia Spencer), ainda que as empregadas sintam receio de revelar os segredos de seus patrões para não serem punidas.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

ESPELHO, ESPELHO MEU

NOTA 7,0

Longa faz paródia de
conto clássico colocando
a Rainha Má como
personagem principal
A maioria dos contos de fadas são histórias criadas há séculos atrás que sofreram diversas modificações com o passar dos anos e através de suas inúmeras versões literárias, teatrais, televisivas e cinematográficas. Comumente, mas erroneamente, consideramos as tramas originais aquelas adaptadas pelos estúdios Disney e como lendas europeias, mas na verdade atualmente pouco sabemos sobre as reais origens desses textos clássicos e encantadores. Muitos dizem até que tais contos podiam ter desfechos de arrepiar e macabros. Assim, reinventar estas histórias ou tentar apresentá-las o mais próximo possível da maneira como foram concebidas se tornaram um campo fértil para o cinema. Depois de Alice no País das Maravilhas e A Garota da Capa Vermelha, projetos que foram duramente criticados, praticamente na mesma época duas produtoras resolveram resgatar o conto “Branca de Neve e os Sete Anões”, cada uma com uma abordagem diferente. Um destes trabalhos é Espelho, Espelho Meu. O diretor indiano Tarsem Singh, do psicodélico A Cela e da batalha épica Imortais, tratou de dar um enfoque diferente a versão tradicional que conhecemos do conto e deixou nos cenários e figurinos extravagantes sua marca registrada. O enredo criado por Mellissa Wallack e Jason Keller começa nos moldes de Encantada com uma animação revelando o início de vida de Branca de Neve através da narração sarcástica em off da Rainha Má. Após esta breve introdução os atores de carne e osso entram em cena. Lily Collins assume o posto de mocinha e Julia Roberts o de vilã. Aos 18 anos de idade, Branca de neve vive enclausurada no castelo de seu falecido pai, mas está sob os cuidados de sua malvada e vaidosa madrasta que deseja se casar com o príncipe Andrew (Armie Hammer) e salvar as finanças do reino. Estes personagens, assim como outros, têm perfis diferentes dos que estamos acostumados. A jovem donzela de pele clara e cabelos escuros não é indefesa. Corajosa e espevitada, é ela quem salva o príncipe em uma de suas escapadas do castelo. Tão belo quanto desastroso, ele foi assaltado por um grupo de sete anões saqueadores montados em pernas-de-pau. Depois disso ele é apresentado à rainha que imediatamente o elege como a sua tábua de salvação para poder continuar vivendo de luxos.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

UM CONTO CHINÊS

NOTA 8,0

Baseado em fatos reais,
mescla de drama e comédia
é até certo ponto comum, mas
ao mesmo tempo original
Um casal de namorados está conversando tranquilamente sentados numa canoa passando uma tarde calma e agradável em uma lagoa. Não entendemos o diálogo, pois ele é totalmente em chinês e não há legendas, mas ainda assim é possível compreender o clima romântico que está no ar e que o rapaz está prestes a dizer algo muito importante para sua amada. Seria um pedido de noivado ou casamento? Não é possível saber. Inesperadamente uma vaca caiu do céu e afundou o barquinho. Você se animaria a assistir a um filme a julgar por esta introdução? Provavelmente não, salvo se fosse adepto de cinema bizarro, sem sentido. Porém, por mais estranho que pareça este é o início do ótimo Um Conto Chinês, mescla de drama e comédia e uma produção que não é da China, mas sim da Argentina e que traz como protagonista o ator Ricardo Darín, o protagonista de sucessos como O Filho da Noiva e O Segredo dos Seus Olhos. O enredo nos apresenta à Roberto (Darín), um pacato cidadão dono de uma pequena loja de ferragens que tem o hábito de colecionar notícias bizarras de jornal, dorme sempre no mesmo horário, é um pouco rabugento e evita como pode os avanços da filha de um amigo que é apaixonada por ele. O cotidiano solitário deste homem muda completamente quando Jun (Ignacio Huang) cruza seu caminho ao ser atirado de um táxi. Em busca de seu único parente vivo, um tio que vive na Argentina, e sem falar uma única palavra do idioma local, Jun acaba depositando em Roberto todas as suas esperanças de sobreviver na Argentina. Assim eles começam uma estranha convivência repleta de problemas, principalmente porque o argentino não vê a hora de despachar o chinês, mas parece que tudo está indo contra seus planos. Apesar disso, o tempo que passam juntos mostra que os dois podem ter muito mais a ver um com o outro do que eles mesmos podiam imaginar.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

ALBERT NOBBS

NOTA 7,5

Glenn Close reencontra
o prestígio no mundo do
cinema ao despir-se da
vaidade, mas não do talento
Glenn Close nos anos 80 era uma figurinha tão onipresente nas premiações de cinema quanto Meryl Streep. A diferença para sua contemporânea é que a atriz que estrelou Ligações Perigosas, Atração Fatal entre tantos outros marcos do passado recebeu bem menos prêmios, inclusive nenhuma das suas cinco indicações ao Oscar lhe renderam a tão cobiçada estatueta. Sua chance de finalmente ganhar o prêmio máximo do cinema era com Albert Nobbs, mas quis o destino que Miss Streep mais uma vez estivesse no páreo defendendo uma personagem irretocável em A Dama de Ferro. De qualquer forma, é um grande prazer ver Glenn em cena após anos de hiato na carreira cinematográfica, período em que se dedicou ao teatro, a produções de TV e a filmes de pequeno porte que mal chegavam ao conhecimento do público, com exceção da versão live-action de 101 Dálmatas e sua continuação. Todavia, seu retorno de verdade às telas grandes não poderia ser mais marcante. A atriz vive o personagem-título, simplesmente um homem. Na realidade, Glenn interpreta uma mulher que precisou abdicar de uma vida normal para sobreviver na sociedade extremamente machista do século 19 na qual as mulheres praticamente só têm obrigações e os direitos são quase nulos. A atriz dá vida a Albert Nobbs, a imagem do mordomo perfeito. Prestativo, educado e praticamente calado a maior parte do tempo, ele é empregado de um luxuoso hotel na Irlanda e é visto como uma pessoa estranha ou tímida, assim vivendo solitariamente, mas esse é o preço a pagar por optar em viver uma vida de mentira, porém, já faz tanto tempo que essa corajosa mulher incorporou tal personagem que nem sente mais os predicados negativos da farsa. Durante três décadas esta mulher se omitiu para poder juntar dinheiro e abrir seu próprio negócio, uma tabacaria, mais um ponto contra a realização de seu sonho, afinal tal estabelecimento não seria um lugar adequado para mulheres frequentarem, quanto mais ser proprietária.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

CASAMENTO EM DOSE DUPLA

Nota 3,0 Mais uma vez Diane Keaton repete o papel de mãe protetora em comédia sem sal
 
Sinopse: Noah Cooper (Dax Shepard) é fisioterapeuta, mas seu método de trabalho acaba o fazendo perder o emprego. Este seria apenas o primeiro passo de sua vida rumo a um verdadeiro inferno. Sua esposa Clare (Liv Tyler) deseja ter um filho desesperadamente, mas ele acha que o momento não é propício e faz as maiores loucuras para evitar que ela engravide. Noah também terá que aguentar o primo da esposa, Myron (Mike White), um aspirante a roteirista de cinema que se hospeda em sua casa até a data em que participará de um evento importante. Para completar seu péssimo momento de vida, sua mãe, a exagerada e inconveniente Marilyn (Diane Keaton), decide se separar do marido e vai morar com o filho levando sua trupe de cãezinhos de estimação. Agora Noah preciosa encontrar uma forma de se livrar destes problemas o mais rápido possível antes que ele enlouqueça.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

O VOO DA CORUJA

Nota 6,0 Suspense enxuto e com tom melancólico é uma boa pedida aos amantes do gênero

O título pode remeter a um longa de terror, mas não se engane, eis aqui uma trama policial madura com pitadas de romance, mais um daqueles filmes típicos do “Super Cine”: suspense meia-boca que funciona momentaneamente contando com interpretações razoáveis, mas que está fadado a mofar nas prateleiras de locadoras ou ocupar horário nas madrugadas da TV. Será mesmo? Por infelicidade sim. Todavia, O Voo da Coruja não é das piores produções, até que é bem feito, tem um roteiro bacana e, o melhor, tem um final digno que não constrange o espectador. O problema é que a produção não tem a dose de adrenalina que muitos amantes de suspense pedem, parecendo inclusive uma obra datada, um produto daqueles que eram lançados antigamente aos montes para abastecer com exclusividade o mercado de vídeo, mas é bom lembrar que sempre podem existir surpresas positivas entre os títulos pouco divulgados. Robert Forrester (Paddy Considine) está se separando da esposa Nickie (Caroline Dhavernas) e mudou-se para uma pequena cidade onde sua maior distração é observar às escondidas o cotidiano de sua vizinha Jenny Thierolf (Julia Stiles), embora nem ele mesmo saiba o porquê deste fetiche. Certo dia, os dois acabam se encontrando, descobrem coisas em comum e começam a manter uma amizade que caminha para um relacionamento mais sério, mas ela já namora com Greg Wyncoop (James Gilbert), este que é muito ciumento e não vai deixar isso barato. Já desconfiado da proximidade da moça pelo sujeito, o rapaz explode quando ela pede para eles darem um tempo para reavaliarem seus sentimentos. Os rivais se enfrentam e Forrester acaba ferido e inconsciente. Quando acorda percebe que está em uma enrascada. Wyncoop está desaparecido e há suspeitas de que ele esteja morto e agora Forrester precisa correr contra o tempo para provar sua inocência, mas sua ex-mulher está a postos para contribuir com as investigações sujando ainda mais sua imagem relembrando seu passado problemático.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

RATATOUILLE

NOTA 10,0

Simpática animação
protagonizada por um
esperto rato é um banquete
para todas as idades
A equipe de criação e animação da Pixar já deu vida a objetos parcialmente inanimados como automóveis e brinquedos, deu personalidade para seres marinhos e transformou monstros em criaturas adoráveis. Bem, não é nenhum espanto então que o simpático e criativo ratinho protagonista de Ratatouille tenha caído no gosto popular facilmente. O diretor Brad Bird, o mesmo que conduziu Os Incríveis, foi esperto ao fazer uma receita gostosa que agrada a todos os paladares desde crianças até idosos, a começar pelo título que leva o nome de um famoso prato vegetariano francês. O cinema sempre utilizou elementos relacionados a cozinha ou alimentação para contar belas histórias, mas em animação esse viés ainda é pouco explorado. Com muita classe e charme, o cineasta concentra sua história praticamente toda dentro de um famoso restaurante em Paris, na França, onde uma improvável amizade nasce entre um humano e um roedor e é estendida para o campo profissional. A história começa mostrando rapidamente o cotidiano do ratinho Remy que vive em meio a outros roedores conformados em se alimentarem de restos e que propagam a idéia de que os humanos são perigosos. Eles vivem em um sítio onde uma velhinha sempre assiste ao programa de TV do famoso chef de cozinha Auguste Gusteau que tem como lema a frase "todo mundo pode cozinhar". São nessas palavras que Remy se apega sonhando em mudar de vida, principalmente quando algo inesperado acontece e ele fica sozinho. Sua única distração é um livro de receitas, porém, o próprio Gusteau, já falecido, começa a aparecer para o ratinho e conduzi-lo para Paris, lugar conhecido por sua gastronomia refinada e paisagens inspiradoras. Atraído até o Gusteaus's, o badalado restaurante do finado cozinheiro, Remy conhece Linguini, um atrapalhado ajudante de cozinha que acaba ganhando o crédito por uma sopa elogiadíssima, mas na verdade, o rapaz estava prestes a arruinar esta receita, mas com a intervenção do ratinho e seu apurado paladar para temperos o prato é salvo e até mesmo o restaurante que estava com conceito baixo entre os críticos gastronômicos ganha sobrevida. A partir de então Linguini e Remy fazem uma parceria de trabalho e amizade, mas escondem isso do dono do restaurante, o baixinho mal humorado Skinner, que toma conta do local desde a morte de Gusteau. Ele é o vilão da trama que desde o início desconfia da súbita intimidade do auxiliar de cozinha com o fogão e quer a todo custo provar que existe algo por trás disso tudo. 
 

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

AMOR A TODA PROVA (2011)

NOTA 8,5

Steve Carell se torna
definitivamente o símbolo
das comédias destinadas ao
público adulto masculino
O gênero da comédia se divide em diversos subgêneros. Temos as produções de humor adolescentes, as românticas, as inteligentes, as de paródias momentâneas e mais um monte de categorias menores que comumente não são catalogadas. Nos últimos anos tem se tornado corriqueiras as comédias dos homens de meia-idade, lembrando que nos anos 90 as mulheres “na idade da loba” também tiveram seu momento de brilhar no campo humorístico tendo como principais representantes Bette Midler e Diane Keaton. Atualmente, Steve Carell é o grande nome masculino dessa vertente cômica e tem acumulado grandes sucessos na área desde que despontou tardiamente em O Virgem de 40 Anos. Cada vez mais experiente na função do cara maduro que precisa urgentemente de uma companheira, o ator mostra mais uma vez seu talento em Amor a Toda Prova interpretando Cal Weaver, um homem que tem um emprego estável, um casamento duradouro e uma família típica de comercial de margarina. Seu mundo perfeito desmorona quando sua esposa Emily (Julianne Moore) pede o divórcio cansada de tanto tempo vivendo a monotonia a qual seu marido estava habituado. Ou será que ele era a acomodado? Para tirar a prova, o mais novo solteiro da praça começa a sair em busca de encontros rápidos, mas não tem sucesso a começar pelo seu visual sem graça de se vestir e agir. Tudo muda quando ele conhece Jacob Palmer (Ryan Gosling), um rapaz que não passa uma noite sequer sozinho e que ajuda o respeitável corretor de seguros a se tornar um “pegador”. Claro que inicialmente o namorador aproveita a inocência do companheiro para fisgar a mulherada, mas não demora muito e Cal pega as manhas. A partir dessa trama principal, começam a surgir ramificações como o garoto Robbie (Jonah Bobo) que é apaixonado pela babá Jessica (Analiegh Tipton) e esta que é apaixonada pelo patrão.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

CAVALO DE GUERRA

NOTA 9,0

Épico que mescla drama e
aventura é quase uma
súmula da carreira do
diretor Steven Spielberg
É curioso que em meio ao deslumbramento que o 3D e demais tecnologias de ponta despertam no público e em quem faz cinema, o Oscar 2012 teve como destaques obras que claramente homenageiam o passado da sétima arte. Um deles foi Cavalo de Guerra (2011), uma produção que reúne diversas características de obras épicas clássicas e westerns, além de elementos inconfundíveis do diretor Steven Spielberg, mas que acabou dividindo opiniões. O filme realmente é excelente, porém, perde pontos na hora das comparações pelo fato de não trazer inovações e praticamente ser a súmula da filmografia do cineasta que tem como tema recorrente em sua obra o duelo entre a imaginação e a realidade, a inocência infantil e a seriedade exacerbada dos adultos. Entre filmes de aventura, outros para emocionar de crianças à adultos e alguns produtos mais pesados como os que enfocam guerras, Spielberg encontrou no livro homônimo de Michael Mopurgo a maneira perfeita de reunir todas as referências que pontuaram sua carreira, além de prestar uma bela homenagem ao cinema resgatando a grandiosidade e a emoção de clássicos antigos. A narrativa tem como protagonista Joey, um cavalo comum, mas que parece predestinado a ensinar uma importante lição para a humanidade. Apostando no lado emocional da trama, Spielberg mostra os horrores da guerra através dos olhos deste animal, porém, não deixa de apresentar o quanto pode ser gratificante uma vida bucólica. Adaptada por Lee Hall e Richard Curtis, a trama se passa no início do século 20 e nos apresenta ao jovem Albert Narracott (Jeremy Irvine) que é de uma família humilde e quer muito ajudar Ted (Peter Mullan) e Rose (Emily Watson), seus pais, a salvar sua fazenda. O rapaz certa vez se encanta por um cavalo à venda que não tem qualidades para o trabalho agrário, mas ainda assim seu pai decide ficar com ele. Pouco a pouco Albert estabelece uma impressionante relação de amizade com Joey e o cavalo, por sua vez, passa a trazer um pouco de esperança aos Narracotts se esforçando ao máximo para servi-los, já que ele é a única forma deles se sustentarem. A razão de Ted ter comprado esse animal não foi apenas para agradar ao filho, mas também para afrontar o ganancioso Lyons (David Twellis), o senhorio das terras onde vive. Quando a Primeira Guerra Mundial estoura, Joey acaba sendo vendido para o exército inglês e Albert não pode acompanhá-lo por não ter idade suficiente para se alistar. O período em que ficam separados é a chance do desacreditado cavalo mostrar sua força e valor enquanto seu grande amigo tenta reencontrá-lo.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

REENCONTRANDO A FELICIDADE

NOTA 8,0

Como lidar com a dor da
perda de uma pessoa
querida? Drama mostra que
as reações podem surpreender
A morte é um episódio doloroso da vida com o qual todos precisam aprender a lidar, mas isso não é nada fácil, principalmente quando se perde um ente querido. Pela ordem natural das coisas, as pessoas mais velhas partem antes das mais novas, mas como lidar com a situação de perda quando há uma inversão como, por exemplo, o filho falecer antes dos pais? É justamente a respeito desta dor que gira o enredo de Reencontrando a Felicidade, um eficiente drama dirigido por John Cameron Mitchell, responsável pelos polêmicos Hedwig – Rock, Amor e Traição e Shortbus. Em seu terceiro trabalho atrás das câmeras, o cineasta deixou que o seu momento de vida o inspirasse. Após perder um irmão de apenas dez anos de idade, Mitchell adquiriu toda a carga dramática necessária para expor a dor da perda em um longa-metragem e provar que como diz o ditado o tempo é o melhor remédio para esse tipo de caso. A atriz Nicole Kidman pela primeira vez atua e ainda acumula a função de produtora de um filme. O roteiro de David Lindsay-Abaire é baseado em sua própria peça apresentada com sucesso na Broadway e enfoca o casal Becca (Nicole) e Howie Corbett (Aaron Eckhart) que teve suas vidas profundamente abaladas por uma fatalidade. Danny (Phoenix List), o filho deles, morreu em um acidente de carro ainda criança e a dor da perda abala as estruturas do relacionamento de seus pais que passam a viver em uma constante montanha-russa de emoções que já dura oito meses e compromete o relacionamento deles com eles próprios e com a sociedade. A mãe tenta viver o presente cercando-se de pessoas que possam ajudá-la a superar a situação enquanto o pai busca no passado e encontros amorosos de apenas algumas horas o apoio necessário que sua esposa não oferece, como se essas saídas fossem uma válvula de escape para a dura realidade. Já Becca chega ao ponto de iniciar uma amizade com o jovem Jason (Miles Teller), o responsável pelo acidente que matou seu filho, na esperança de levar sua vida adiante perdoando aquele que causou um mal sem intenções. De qualquer forma, esses pais tentam buscar um futuro positivo para suas vidas, mas nem mesmo a terapia em grupo com outros casais passando por problemas semelhantes parece apontar caminhos fáceis para os Corbett seguirem em frente. A dor só é amenizada, jamais superada.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

SOMBRAS DA NOITE

NOTA 6,0

Mais uma vez a dupla Depp
e Burton se unem para um
filme bizarro, mas desta vez
o resultado decepciona
Qualquer filme que reúna em seus créditos o ator Johnny Depp e o diretor Tim Burton automaticamente se torna um evento que coloca os fãs da dupla em êxtase. É como se tudo que eles fizessem juntos fosse garantia de sucesso e dinheiro, mas toda regra tem sua exceção. Sombras da Noite é simplesmente uma obra de puro escapismo cuja lembrança após os créditos finais não deve permanecer por muito tempo nas mentes do espectadores. Todo bom profissional falha ao menos uma vez na vida e chegou a hora da dupla mais bizarra do cinema dar sua escorregadela. O cineasta sempre surpreendeu pela maneira como construiu fascinantes histórias colocando no centro das atenções personagens esquisitos ou marginalizados. Também sempre acertou a mão ao misturar seu estilo gótico ao lúdico e encontrou o parceiro perfeito para encarnar seus devaneios na figura de Depp. Neste oitavo projeto em que trabalham juntos todos os ingredientes que deram certo em outras produções da grife foram reaproveitados, porém, parece que o diretor se deixou levar pelo fascínio que o material que tinha em mãos lhe exercia e perdeu o foco, criando um filme que se vale muito mais pelo seu visual que sua narrativa por vezes enfadonha. Ora esquisita, ora empolgante, de qualquer forma este é um produto típico da mente insana e criativa de Burton. O título original, “Dark Shadows”, também era o nome de um seriado de TV produzido entre 1966 e 1971 no qual Burton baseou-se. A história roteirizada por Seth Grahame-Smith e John August tem uma pequena introdução para compreendermos o que ocorrerá depois na década de 1970, mais precisamente em 1972, com um dos descendentes da tradicional família Collins. Séculos atrás, Barnabas (Depp) e sua noiva Josette Dupres (Bella Heathcote) foram amaldiçoados pela bruxa Angelique Bouchard (Eva Green), esta que estava amargurada por não ter seu amor correspondido pelo rapaz. Para se vingar ela mata a rival e transforma Barnabas em vampiro. Acusado de crimes que não cometeu, ele é preso em uma tumba por quase dois séculos e só desperta na agitada época das discotecas. Ele descobre que a mansão de sua família é habitada agora por alguns de seus parentes de sangue, mas existem muitos segredos e infelicidade entre eles. A casa está em ruínas e Barnabas resolve recuperar as finanças e o prestígio de seu clã, ao mesmo tempo em que tem a chance de reviver seu grande amor do passado, hoje na pele da governanta Victoria Winters. Porém, Angelique também está na área e disposta a atrapalhar os planos de seu desafeto. 

domingo, 10 de fevereiro de 2013

ARMADILHAS DO AMOR (2009)

Nota 4,0 Comédia romântica tem certo apelo diferenciado, mas se atrapalha em suas pretensões
 
Sinopse: Louise (Meg Ryan) e Ian (Timothy Hutton) são casados há um bom tempo e já começam a sentir os dilemas da meia-idade, o que afeta diretamente o relacionamento deles, principalmente porque ela só pensa em trabalho e ganha muito mais que o marido, assim ele se sente rebaixado.  Outro problema é que eles não tiveram filhos e agora Ian sente a falta de viver as emoções da paternidade. O ápice desta relação problemática acontece quando Louise chega em casa de surpresa e a encontra repleta de flores e com um clima romântico no ar, mas toda essa produção não era para ela e sim para a jovem Sarah (Kristen Bell), a amante de Ian, este que confessa tudo à esposa sem imaginar qual seria a reação dela. Agora Louise simplesmente quer discutir a relação custe o que custar, mesmo que tenha que literalmente amarrar o marido em casa.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

LABIRINTO DO TEMPO

Nota 3,0 A exaltação de ter o poder de brincar com o tempo pode levar à caminhos perigosos
 
Sinopse: Três jovens se conhecem e fazem amizade em uma clínica de reabilitação para ex-drogados. Eles têm direito de vez em quando a saírem do confinamento por um dia para visitarem suas famílias e tentarem restabelecer os laços perdidos.  Kyle (Dustin Milligan) tenta se redimir com sua irmã enquanto Sonia (Amanda Crew) deseja visitar seu pai doente. Já Weeks (Richard de Klerk) vai encontrar seu violento pai na prisão que aparentemente está preso por algum motivo que envolve seu filho. Esse dia não é perfeito para nenhum deles, mas todos têm a chance de transformá-lo. Durante essa mesma noite eles acabam tomando um choque e a partir de então o tempo literalmente não passa. Eles vivem esse mesmo dia repetidamente, mas a cada novo despertar podem fazer algo diferente, o que quiserem, e no dia seguinte tudo voltará como estava. O problema é quando um deles exagera nessa brincadeira com o tempo.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

LUZES DO ALÉM

NOTA 0,5

História fraca, efeitos
especiais ruins e atuações
péssimas jogam boa
premissa no lixo
Quando um filme não dá certo, a atitude mais natural de seus realizadores é fazer de tudo para que ele seja esquecido o mais rápido possível, porém, com a falta de bons projetos em Hollywood parece que tem produtor disposto a bancar qualquer coisa em troca de alguns trocados. Vozes do Além ao que tudo indica não foi um fenômeno em nenhum país, pelo contrário, por onde passou casou decepção jogando fora uma premissa interessante, a comunicação entre os mortos e os vivos através de aparelhos eletrônicos tais como rádios e TVs. O método conhecido no Brasil como Fenômeno da Voz Eletrônica (FVE) é popular no mundo todo e instiga a curiosidade do ser humano e de olho nisso é que deve ter nascido a ideia de Luzes do Além, um suspense fraquíssimo que não chega a ser uma sequência direta do outro título citado, mas sim um trabalho assumidamente do tipo caça-níquel.  Neste filme o tema principal é a Experiência de Quase-Morte (EQM), um evento vivido pelo protagonista Abe Dale (Nathan Fillion) que tentou o suicídio alguns meses após ver sua esposa Rebecca (Kendall Cross) e o filho Danny (Joshua Ballard) serem brutalmente assassinados sem motivo algum e ele não ter feito nada para impedir a tragédia. Ele é levado ao hospital e falece na sala de emergência. Por poucos segundos Dale reencontra sua família o esperando em um túnel iluminado por uma forte luz branca, mas o encontro é interrompido quando ele é ressuscitado pela equipe médica. Desse dia em diante o rapaz passa a consegue fazer contato com o mundo dos mortos tornando-se ele próprio um receptor de mensagens. Agora ele tem o dom de descobrir as pessoas que estão prestes a morrer enxergando uma luz branca envolvendo seus corpos, assim tendo a chance de salvá-las, mas fazendo isso ele acaba atrapalhando o percurso natural da vida, ou melhor, da morte. Dessa forma, além de tentar conquistar os poucos interessados no filme sobrenatural estrelado por Michael Keaton citado no início, uma tentativa ainda mais explícita aqui no Brasil já que optaram por uma forma de ligar as duas produções através dos títulos, este trabalho do diretor Patrick Lussier, que já havia dirigido o inexpressivo Fillion no terror meia-boca Drácula 2000, ainda bebe na fonte da cinessérie Premonição. Neste caso, as pessoas salvas por Dale começam a praticar atos brutais e nosso herói iluminado passa a procurar desesperadamente explicações. Para não negar a mediocridade desta obra é obvio que o cineasta opta pela avalanche de clichês e tais respostas podem estar em cálculos matemáticos envolvendo escritos da Bíblia, o demônio e símbolos previsíveis. 
 

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

VOZES DO ALÉM

NOTA 2,0

Premissa interessante e
polêmica é desperdiçada
em suspense vagabundo,
exagerado e pouco crível
A comunicação com o mundo dos mortos é um tema intrigante e que costuma chamar a atenção de um grande público talvez pelo fato de que cada novo movimento que surja para tentar esclarecer teorias aumente ainda mais o mistério, afinal de contas o que acontece depois que morremos aparentemente será uma eterna indagação. O cinema usa muito essa temática, principalmente no gênero de suspense e terror, mas nestes casos a maioria das tentativas resulta em projetos péssimos ou no máximo medianos. São poucos os filmes que tratam com respeito e seriedade o tema, mas mesmo quem procura fazer um produto digno acaba se atrapalhando justamente pela falta de teorias conclusivas sobre o assunto. Esse tiro no escuro é justamente o problema de Vozes do Além, longa de estréia do cineasta inglês Geoffrey Sax e também o primeiro trabalho de cinema ficcional a tratar de um fenômeno que vem sendo cada vez mais pesquisado pela ciência: a comunicação dos mortos com os vivos através de aparelhos tecnológicos como rádios e televisões em frequências desocupadas. Claro que o tema já havia sido abordado em outras produções, mas esta seria a primeira vez que esse tipo de evento receberia uma abordagem séria pelo cinema americano. Seria, que fique bem claro. O Eletronic Voice Phenomena (EVP), ou no Brasil conhecido como Fenômeno da Voz Eletrônica (FVE), é o nome dados aos casos como o de um rádio mal sintonizado que pode captar vozes estranhas ou de uma TV que em algum canal sem emissora ocupante pode eventualmente apresentar rostos de pessoas já falecidas. Pode parecer ficção a la Hollywood, mas o fato é que existem milhares de registros no mundo todo de fenômenos do tipo com provas. Sax optou por iniciar seu filme deixando claro que tais eventos são reais e que até pensadores do passado já previam coisas do tipo contando com uma citação de Thomas Edison para sustentar a afirmação. Nos anos 50, o professor de psicologia Konstantin Raudive chegou a gravar milhares de vozes paranormais para realizar um estudo. Praticamente na mesma época, o cineasta sueco Frederich Jürguenson acidentalmente captou vozes estranhas enquanto registrava o canto de pássaros em um ambiente aberto. Eventos do tipo tornaram-se cada vez mais frequentes e no Brasil tornaram-se conhecidos no final dos anos 90 pela divulgação em programas de TV sensacionalistas. Segundo os especialistas, a intenção destas comunicações geralmente muito breves é para dizer adeus ou transmitir recados sobre situações de risco e ocorrem próximas a datas comemorativas importantes para o desencarnado ou para o vivo a quem o contato é destinado. 
 

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

COMPRAMOS UM ZOOLÓGICO

NOTA 7,5

Acostumado a produções
mais autorais, Cameron
Crowe dirige legítimo filme
família com muitos clichês
Já pensou como deve ser a rotina de quem vive dentro de um zoológico? Pois essa experiência é vivida pelo ator Matt Damon no longa Compramos um Zoológico, produção que apesar do título simplório tem um conteúdo que está longe de ser uma comédia bobinha protagonizada por bichinhos falantes ou ser resumido a um filme no qual os humanos sofrem um bocado para cuidar de seus pets endiabrados. Embora calcado em clichês, esta obra pode surpreender, tanto de forma negativa quanto positiva dependendo do ponto de vista, principalmente pelo fato do enredo explorar mais o drama que a comédia. Deve ser este o motivo da obra não ter feito grande sucesso e ser recebida com estranheza por boa parte dos espectadores que esperavam assistir um filme de outro estilo. No entanto, esta repulsa não deve ser encarada como um atestado de que a produção é ruim, pelo contrário, ela se encaixa perfeitamente na definição “feel good movie” tão popular entre os americanos, algo como filme bacana, leve, família entre outros adjetivos positivos. O roteiro de Aline Brosh McKenna, que também roteirizou O Diabo Veste Prada, é baseado no livro de memórias homônimo ao filme escrito por Benjamin Mee. Damon vive o protagonista, um jornalista que após a morte precoce da esposa tem de encontrar forças para dar continuidade à sua vida e para cuidar dos filhos, a pequena Rosie (Maggie Elizabeth Jones) e o adolescente Dylan (Colin Ford). O garoto, para variar, é um tanto rebelde e vive aprontando na escola até que chega o dia em que ele é expulso definitivamente. É nesse momento que Mee percebe que sua família precisa se reestruturar e o primeiro passo seria procurar uma nova casa para deixar no passado as más lembranças. Pai e filha querem um lugar agradável e com uma boa área livre, mesmo que fosse um pouco afastado da cidade. Após muita procura o local escolhido para fixarem moradia acaba sendo um tanto excêntrico: um zoológico desativado. Rosie adora a ideia, mas Dylan detesta, porém, o chefe da família decide por tentar revitalizar aquele espaço e gasta todas as suas economias para isso, além de contar com a ajuda de uma equipe especializada que também está empenhada nesta tarefa, uma turma liderada pela bela Kelly Foster (Scarlett Johansson), uma jovem que se dedica integralmente aos animais e que auxiliará seu mais novo amigo a cuidar e principalmente compreender a importância deste zoológico para todos que lá trabalham e para a população local.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

A DAMA DE FERRO

NOTA 7,5

Atuação de Meryl Streep
acaba sendo muito maior
que o próprio filme em si
acusado de manipular fatos
Poderia uma interpretação excepcional salvar um filme ou simplesmente ela se mostrar muito maior que a produção em si? É um equívoco uma grande atuação em um longa irregular? Tais indagações certamente devem surgir para aqueles que não assistiram, mas leram os inúmeros comentários negativos sobre A Dama de Ferro, um polêmico trabalho que enfoca a trajetória política e pessoal da ex-primeira ministra britânica Margareth Thatcher, uma das mulheres mais importantes da História política mundial. Críticos do mundo todo se demonstraram pouco receptivos ao longa chamando-o de medíocre, fraco, tolo, mentiroso, manipulador, entre outras tantas coisas nada amistosas. Unanimidade mesmo somente foi o consenso de que mais uma vez a atriz Meryl Streep deu um banho de talento e competência interpretando a ilustre personalidade e merecidamente foi laureada na maioria das premiações da temporada. Ela bateu seu próprio recorde de indicações ao Oscar chegando a nomeação de numero 17 e surpreendeu conquistando sua terceira estatueta dourada quando todos, inclusive a própria atriz, acreditavam que só era questão de tempo para a Academia de Cinema lhe oferecer um troféu pelo conjunto da obra. Felizmente, os membros votantes ainda têm um ou outro momento de lucidez e premia quem realmente merece sem pensar na matemática absurda das vezes que um candidato foi indicado ou sagrou-se vencedor. O grande ponto que desagrada muita gente é que o roteiro de Abi Morgan não se propõe a ser uma muleta para uma aula de história ou de política esmiuçando com clareza e imparcialidade o porquê da Inglaterra ter se tornado uma nação tão próspera e a participação da ex-premiê no conflito da Guerra Fria. Governante do Reino Unido entre 1979 e 1990, Margareth tinha pulso firme e decisões próprias, dificilmente alguém a persuadia. No filme, os fatos da vida pública são contados em paralelo aos acontecimentos de sua vida privada, mas jamais a protagonista é julgada ou condenada por seus atos. Simplesmente os episódios são contados pela ótica da protagonista, assim não temos a versão franca daqueles que eram contra as suas propostas. Embora os casos políticos expostos sejam vários e ocupem boa parte da trama, infelizmente muitos se apegaram a idéia de que a diretora Phyllida Lloyd, que já havia trabalhado com Meryl em Mamma Mia!, quis mostrar um retrato melancólico e triste apostando em um leve choque. Lembrada pelo seu governo levado a mãos de ferro, o longa já começa nos mostrando a protagonista idosa e em uma situação que em nada nos remete as imagens da mulher firme, corajosa e inteligente que recheava os noticiários do passado. Ligeiramente corcunda, com vestes simplórias e se espantando com o preço de meio litro de leite, tal imagem é bastante eficiente para fisgar a atenção, mas curiosamente causou efeito contrário. 

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

A SOGRA

NOTA 7,0

Após quinze anos ausente
dos cinemas, Jane Fonda
interpreta personagem
atípico na carreira
Jane Fonda teve uma carreira de sucesso entre os anos 60 e 80, conquistando inclusive dois Oscars de Melhor Atriz, mas pouco a pouco foi deixando o cinema de lado e investindo seu tempo em outros trabalhos menores, como suas famosas fitas de vídeo com aulas de ginástica, além de cuidar da família e realizar atividades filantrópicas. Afastada dos sets de filmagens por cerca de quinze anos, todos acreditavam que ela só voltaria a fazer cinema se recebesse um personagem arrebatador, todavia, seu retorno foi em uma comédia romântica simplória. Sua presença em A Sogra pode ser vista tanto de forma negativa quanto positiva. Para alguns foi uma decepção ver Jane protagonizando cenas de humor rasgado, mas para outros foi um deleite ver uma grande estrela em um trabalho tão popular. O fato é que se não fosse a presença da atriz este filme dirigido por Robert Luketic, do divertido Legalmente Loira, seria apenas mais um a inflar a lista do gênero. A estrela vive Viola Fields, uma famosa apresentadora de TV que perdeu o emprego inesperadamente. Sabendo que provavelmente seria substituída por alguma jovem bonita, mas sem conteúdo intelectual algum, ela não se conteve em sua última entrevista e teve um ataque de histeria ao vivo por não aguentar a futilidade da convidada (uma cena impagável que dá um cutucão na cantora Britney Spears e em outras garotas do tipo). Após uma temporada em uma clínica para se recuperar do surto, Viola tem mais um desafio a enfrentar: o medo de perder o amor de seu filho para outra mulher. Há muito tempo procurando um príncipe encantado, Charlotte (Jennifer Lopez), ou simplesmente Charlie, finalmente encontra o homem ideal por um acaso, mas para sua infelicidade Kevin (Michael Vartan) é o filho mimado de Viola, esta que fará de tudo para melar o relacionamento dos dois provando poder ser a pior sogra do mundo. Porém, Charlie está disposta a comprar essa briga e lutar pelo seu amor.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

O ÚLTIMO VOO

Nota 2,5 Tentando alinhavar fatos históricos e ficcionais, drama perde-se num deserto de ideias

Sinopse: Em 1933, Bill Lancaster, um aviador inglês que tentava bater um recorde de velocidade no trajeto de Londres à Cidade do Cabo, perde-se no deserto na região do Ténéré na África do Sul. Sua amante Marie (Marion Cotillard), também aviadora e aventureira, decide ir procurá-lo custe o que custar, mas ao sobrevoar o deserto a jovem é obrigada a aterrissar seu avião perto de uma companhia militar francesa. Ela é acolhida pelo capitão Vincent Brosseau (Guillaume Marquet), mas ele se recusa a ajudá-la nesta busca preocupado com as rebeliões dos tuaregs, o povo do local que ele deseja colonizar. Já o tenente Antoine Chauvet (Guillaume Canet) tenta fazê-la mudar de ideia, mas sem sucesso acaba decidindo acompanhá-la nessa expedição confrontando as ordens de seu superior no exército com quem já não mantinha um relacionamento muito amistoso.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

OS CAVALEIROS DO APOCALIPSE

Nota 3,0 Boa premissa é desperdiçada em suspense que se perde em suas confusas explicações

Sinopse: Aindan Breslin (Dennis Quaid) é um investigador criminal que ficou recentemente viúvo e que agora está passando por um momento de crise na relação com seus filhos, principalmente com o mais velho, Alex (Lou Taylor Pucci), que não perdoa o pai por esle estar ausente quando sua mãe faleceu. Muito dedicado ao trabalho, agora o detetive está ocupando todo o seu tempo analisando diversos casos envolvendo mutilações e torturas que parecem estar ligados uns aos outros e relacionados ao mito dos quatro cavaleiros do apocalipse narrado na Bíblia. Todas as vítimas parecem ter sido alvos de um mesmo criminoso e conforme avança nas investigações Breslin descobre que pode haver uma conexão entre esses crimes que indica que sua família corre risco. A principal suspeita no caso é a filha adotiva de uma das vítimas, a jovem Kristen (Ziyi Zhang).

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

O TERCEIRO OLHO

NOTA 4,5

Enredo intricado segura a
atenção até certo ponto,
mas a certa altura testa a
paciência do espectador
A maioria dos filmes que estréiam nos cinemas ou chegam às locadoras sem causar barulho automaticamente são rotulados como produtos ruins, embora alguns sejam bem melhores que aqueles que tiveram uma superexposição na mídia quando lançados. Todavia, o mundo cinematográfico está cheio de boas intenções, mas boa parte delas resulta realmente em trabalhos duvidosos que não resistem a ação do tempo. Este é o caso de O Terceiro Olho, um suspense que pegou carona no sucesso de crítica de produtos como Amnésia e Efeito Borboleta para ganhar certo status na época de seu lançamento, mas sem efeito algum em sua campanha, e que hoje certamente deve estar juntando poeira nas prateleiras de locadoras, isso se alguma loja o manteve no acervo. Reviravolta é a palavra chave do roteiro e produções do tipo costumam exigir muita atenção do espectador e precisam ser vistas mais de uma vez para se conseguir montar totalmente o quebra-cabeça proposto. Porém, este trabalho do diretor alemão Roland Suso Ritcher pode ser visto duas, três, dez vezes, mas jamais nos convencemos que este é um suspense excepcional, pelo contrário, a sensação de frustração deve ser constante. O início é intrigante e a narrativa consegue prender a atenção até certo ponto, mas chega uma hora que o vai e vem do tempo cansa e ficamos fatigados torcendo para que o filme acabe logo. O longa começa nos apresentando à Simon Cable (Ryan Philippe), um rapaz que ao acordar se encontra em uma cama de hospital sofrendo de amnésia. Os dois últimos anos de sua vida sumiram completamente da memória. Ele não lembra que é casado, da morte do irmão Peter (Robert Sean Leonard) e nem mesmo do terrível acidente de carro que sofreu e o levou a esta situação. Seu médico, o Dr. Newman (Stephen Rea), começa a ajudá-lo a reunir os fragmentos de sua memória para que ele possa compreender sua vida novamente, mas para o rapaz nada parece fazer muito sentido, principalmente quando ele percebe que Anna (Piper Perabo), sua suposta esposa, o odeia e acredita que o marido foi o responsável pela morte do próprio irmão. Em meio às viagens pelo tempo que sua mente realiza, Simon conhece Travitt (Stephen Lang), um paciente do hospital que pode ser o elo entre os períodos desconexos de sua vida.

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