segunda-feira, 15 de outubro de 2012

EU, MINHA MULHER E MINHAS CÓPIAS

NOTA 7,0

Lançado em pleno boom do tema
clonagem, longa lançava olhar cômico
sobre a fantasia de ter uma cópia de si
mesmo para substitui-lo em certos momentos
Quem nunca disse em uma hora de aperto que gostaria ou precisaria ser mais de um para poder realizar tudo que tivesse vontade ou necessidade, mas sem se cansar ou gastar muito tempo? Vez ou outra de fato esta seria a melhor solução para os problemas, mas a comédia Eu, Minha Mulher e Minhas Cópias prova que a ideia não é das melhores. O filme foi realizado quando a clonagem ainda era um assunto mais restrito a cientistas, mas os roteiristas Mary Hale, Lowell Ganz, Babaloo Mandel e Chris Miller já estavam antenados com o futuro e investiram na ideia. Pouco depois do lançamento do filme é que o mundo tomou conhecimento do famoso caso da ovelha Dolly, o primeiro ser vivo clonado da História, notícia que certamente veio a ajudar o filme a ter procura nas locadoras. Infelizmente não chegou a ser um sucesso absurdo e hoje é até uma produção esquecida, mas merecia uma segunda chance. Somos apresentados ao arquiteto Doug Kinney (Michael Keaton) que está se sentindo pressionado tanto na vida profissional quanto na pessoal, o típico homem da classe média americana. Além de dar conta do trabalho ele ainda tem suas obrigações como chefe de família e precisa dar atenção à esposa Laura (Andie MacDowell) e participar da criação dos filhos, Jennifer (Katie Schlossberg) e do pequeno Zack (Zack Duhame), assim ele sente que sobra pouco tempo para cuidar de si mesmo. Por esse motivo ele aceita participar de uma arriscada experiência que poderia tanto significar sua salvação como também ser sua desgraça. A sugestão de Leeds (Harris Yulin), um geneticista amalucado, é que o rapaz se submeta a um experimento de clonagem para fazer uma cópia de si mesmo que poderia substituí-lo em diversas tarefas cotidianas. Contudo, as coisas fogem do controle e esse substituto passa a reivindicar vida própria. Quando se dá conta, Kinney já está com três clones soltos por aí, todos idênticos na aparência, mas cada um com uma personalidade distinta e que acabam por tumultuar muito mais a vida do arquiteto ao invés de ajudá-lo.

Com direção de Harold Hamis, responsável pelos divertidos Férias Frustradas, Presente de Grego o e tantas outras fitas descompromissadas que foram reprisadas a exaustão na televisão, esta comédia apesar da temática em alta na época não pretendia propor discussões muito profundas quanto ao assunto já então explorado pelos meios culturais O próprio cinema já flertavam com o tema como nos casos do suspense Os Meninos do Brasil e a ficção científica Admirável Mundo Novo. Faltava uma variação cômica e o diretor buscou  provocar risadas com as confusões e encontros e desencontros provocados pelos clones do protagonista, situações nada originais, mas divertidas graças ao empenho e versatilidade do protagonista. Após vestir com sucesso o uniforme do Batman por duas vezes nas nostálgicas aventuras do herói datadas do início da década de 1990, Keaton retornava ao gênero que o consagrou com o bizarro Os Fantasmas se Divertem e demonstra ter se divertido bastante com o papel. Ou melhor, bota papeis nisso. O ator se desdobra para viver o Kinney original, um sujeito mais sério e centrado; o clone oficial, que guarda muitas semelhanças com sua matriz, mas dotado de autoconfiança e objetivos próprios; a segunda cópia, já diferenciado por ser mais sensível e com um lado feminino aflorado; e por fim a terceira e última réplica, alguém completamente idiota já deixando evidente que os sucessivos experimentos apresentam uma queda considerável de qualidade quanto ao resultado final. Detalhe, Kinney só queria uma cópia, mas seu próprio substituto sente-se sobrecarregado e é quem pede o clone do clone e assim sucessivamente. É uma pena que este trabalho seja esquecido no currículo de Keaton, pois deveria ser lembrado como um ponto alto na carreira do artista que depois passou a sobreviver atuando em filmes de pouca relevância ou contentando-se com papeis coadjuvantes.

Baseado em um conto original de Miller, toda a equipe de roteiristas tem experiência com projetos mais leves e descontraídos e mesmo com tantas cabeças pensando ao mesmo tempo o enredo mantém uma cadência narrativa agradável, longe de parecer uma colcha de retalhos de esquetes cômicos. Os momentos de diversão obviamente estão atrelados ao fato do protagonista ter que esconder o bando de clones de sua esposa, que logo se irrita com as supostas mudanças de humor, esquecimentos e comportamentos estranhos do marido. Claro que também a regra principal de convivência entre os Kinneys logo é quebrada: somente o original poderia transar com Laura. Ramis é um diretor que parece obcecado pela ideia da reiteração. Em Feitiço do Tempo, por exemplo, um de seus maiores sucessos, um cara era obrigado a reviver o mesmo dia com as mesmíssimas situações incontáveis vezes até aprender a não cometer erros. Se repetir o cotidiano do personagem já deu dor de cabeça para a equipe, Eu, Minha Mulher e Minhas Cópias quadriplicou o estresse, principalmente para Keaton que aparece praticamente em 95% das cenas e na maioria contracenando com seus clones, assim por dia o ator conseguia gravar poucas cenas, pois muitas vezes precisava se despir de um personagem e encarnar a personalidade de outros três para uma mesma sequência. Para a equipe técnica o trabalho também foi exaustivo. Para cada cena em que os Kinneys contracenam foram feitas "storyboards", uma espécie de história em quadrinhos para visualizarem a disposição dos elementos, assim uma tomada principal era gravada com cenário e as demais com fundo verde e Keaton atuando com figurantes para poder ter melhor noção de seu posicionamento no take. Houve uma série de cuidados para na hora de unir as filmagens não haver diferenças nos cenários, iluminação e até mesmo com sombras, um trabalho difícil para equipe de edição, continuístas e de efeitos especiais, estes que lançaram mão das técnicas mais avançadas da época para colocar Keaton literalmente frente a frente com seus personagens. Pena que tal apuro técnico tenha sido ignorado pelo Oscar. Independente do espírito nostálgico aflorado ou não, esta é uma opção que ainda diverte bastante. Tomara que não inventem uma refilmagem. Já pensou Adam Sandler ou Will Ferrell como protagonista? A sutileza desta comédia certamente seria substituída pelo humor grosseiro contemporâneo.

Comédia - 117 min - 1996 

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