domingo, 24 de fevereiro de 2013

EU, MINHA MULHER E MINHAS CÓPIAS

Nota 7,0 Michael Keaton surpreende mostrando seu lado cômico vivendo quatro personagens

Sinopse: O arquiteto Doug Kinney (Michael Keaton) está se sentindo pressionado tanto na vida profissional quanto na pessoal. Além de dar conta do trabalho ele ainda tem suas obrigações como um bom chefe de família para com Laura (Andie MacDowell), sua esposa, e Jennifer (Katie Schlossberg), sua filha, assim ele sente que sobra pouco tempo para cuidar de si mesmo. Por esse motivo ele aceita participar de uma experiência arriscada que poderia ser sua salvação como também sua desgraça. A sugestão de Leeds (Harris Yulin), um renomado geneticista, é que ele se submeta ao experimento da clonagem para fazer uma cópia sua que poderia substituí-lo em diversas tarefas. Porém, as coisas fogem do controle e essa cópia decide ter vida própria. Quando se dá conta, Doug já está com três clones soltos por aí, idênticos na aparência, mas distintos em suas personalidades e que tumultuam muito mais a sua vida ao invés de ajudá-lo.


Comentário: Quem nunca disse em uma hora de aperto que gostaria de ser mais de um para poder fazer tudo o que tivesse vontade ou que precisasse, mas sem se cansar ou gastar muito tempo? Este filme prova que a ideia pode não ser das melhores. Com a direção de Harold Ramis, responsável pelos divertidos Férias Frustradas, Feitiço do Tempo entre tantos outros clássicos do estilo sessão da tarde, a produção é uma comédia despretensiosa que provoca boas gargalhadas mostrando uma variação do tema clonagem, um tema em evidência na época do lançamento, mesmo período em que a famosa ovelha Dolly ganhava destaque nos noticiários. O conto original é uma ideia de Chris Miller, mas o roteiro foi construído com a ajuda de Mary Hale, Lowell Ganz e Baballo Mandel, todos com experiência em projetos leves e mesmo com tantas cabeças pensando ao mesmo tempo o enredo mantém uma cadência narrativa agradável sem parecer uma colcha de retalhos de esquetes cômicos. O ator Michael Keaton vive um de seus melhores papéis. E põe papéis nisso. Ele simplesmente representa quatro personagens idênticos na aparência, inclusive com o mesmo nome, mas cada um com uma personalidade bem distinta. Assim, o ator se desdobra em ser: um sujeito sério; o primeiro clone que guarda muitas semelhanças com o original, mas que quer vida própria; o segundo que é muito sensível e com um lado feminino muito aflorado; e finalmente o terceiro clonado, um sujeito completamente idiota, como se representasse o esgotamento da possibilidade de réplicas. Keaton teve seus momentos de glória ao viver Beetlejuice, o amalucado morto-vivo de Os Fantasmas se Divertem, e o personagem-título de Batman e na sua primeira sequência datadas do início da década de 1990. Depois disso, ele não obteve mais sucesso, mas esta comédia infelizmente é esquecida em seu currículo, pois deveria ser lembrada como um ponto alto na carreira do artista que hoje vive de pequenos filmes. Os coadjuvantes da fita também são bons. Andie McDonell está perfeita como a esposa do sujeito clonado e ainda é possível ver o ator Eugene Levy, o famoso pai do protagonista dos três primeiros filmes da série American Pie, em uma ponta curiosa. Buscando o riso com fórmulas repetitivas, mas ainda válidas, colaboram para o bom resultado final os bem realizados efeitos especiais com as técnicas mais modernas da época que conseguiram manter em uma mesma cena quatro versões de Keaton não só conversando, mas também interagindo no gestual (o Oscar ignorou isso, uma pena). Eu, Minha Mulher e Minhas Cópias é uma excelente opção para se divertir, independente do espírito nostálgico aflorado ou não, e que merece ser resgatada.

Comédia - 117 min - 1996 - Dê sua opinião abaixo.

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