domingo, 31 de março de 2013

A DANÇA DAS PAIXÕES

Nota 5,0 Apesar de contar com boas histórias paralelas, drama não sabe qual destino dar a elas

Sinopse: Em 1936, num vilarejo no interior da Irlanda, as vidas das irmãs Mundy passam por profundas transformações com a chegada do irmão mais velho, Jack (Michael Gambon), que está de volta após muitos anos atuando como missionário na África, mas com a saúde em mal estado. Ele é recebido por suas irmãs, todas solteiras e cada uma com um temperamento diferente. A irmã mais velha e que assumiu o posto de chefe da família é a recalcada professora Kate (Meryl Streep). Maggie (Kathy Burke) já preferia uma vida sem preocupações enquanto Agnes (Brid Brennan) e Rose (Sophie Thompson) ajudavam a sustentar a família vendendo artigos de tricô. Por fim, a irmã mais nova, Christina (Catherine McComarck) provocou um pequeno escândalo ao dar a luz ao filho Michael (Darrell Johnston) sem ser casada com o pai do menino, Gerry (Rhys Ifans), este que também reaparece após muito tempo. É tempo de mudança para a família Mundy.


Comentário: Sabe aquele tipo de filme de época com cara de produção europeia que você assiste, acha simpático, mas não te deixa emocionado a ponto de vez ou outra lembrar-se dele. Ou então conhece aquele estilo de filme que tem a pretensão de contar várias histórias ao mesmo tempo e no final das contas não atinge seu objetivo com perfeição. Pois é, A Dança das Paixões se encaixa nestas duas descrições, tendo ainda o agravante de aparentemente almejar prêmios, visto que ostenta o nome de Meryl Streep como carro-chefe do filme sendo que seu papel poderia ter sido entregue a qualquer outra atriz veterana. Sim, infelizmente neste caso nem a interpretação desta dama do cinema consegue salvar a produção. Não que o longa seja descartável do início ao fim, pelo contrário, até a metade ele caminha muito bem com boas histórias distribuídas entre um elenco talentoso, mas parece que em determinado momento o diretor Pat O’Connor, que posteriormente realizaria o lacrimoso Doce Novembro, não sabe como atar as pontas de tantos caminhos que abriu. Baseado na peça teatral de Brian Friel, o roteiro de Frank McGuiness enfoca a luta de cinco irmãs para sobreviverem nos empobrecidos anos 30. Acostumadas a uma rotina metódica, de repente elas se veem numa sucessão de maus momentos que as acometem. Com a volta do irmão Jack as coisas começam a desandar. Ele se mostra senil para continuar a exercer funções clericais e muito afetuoso aos rituais pagões que aprendeu na áfrica. O padre local fica contrariado e então tem a ideia de demitir Kate da escola. A irmã que praticamente sustentava a família, além de se preocupar com seu emprego, também fica sabendo que a chegada de uma fábrica pode acabar com o trabalho artesanal, assim suas outras irmãs que ajudavam com a venda de tricô também perderiam uma fonte de renda. Aliás, uma delas, a romântica Rose sonha em se casar com um rapaz que lhe faz galanteios, mas ele foi abandonado pela esposa, assim teoricamente ele ainda é casado. Mais um escândalo não faria nada bem para a família Mundy, sendo que já precisam lidar com a repentina volta do pai do garoto que é o xodó de todos na casa, um rapaz que está de partida para a Espanha com o objetivo de se embrenhar em um conflito contra o catolicismo. Dá para perceber que este filme não é um produto totalmente descartável, tem ótimos entrechos, em geral todos perfeitamente possíveis e críveis, e uma produção visual impecável, incluindo belas locações bucólicas, principalmente porque a história se passa no tempo das “lughnasas”, período tradicional na Irlanda comemorativo do início das colheitas. Narrado através das lembranças do pequeno Michael é uma pena que faltam momentos memoráveis neste filme, sendo o mais representativo a sequência em que, mesmo passando por uma tempestade de problemas, as irmãs pouco a pouco vão se animando com uma canção tocando no rádio (um elemento muito marcante na narrativa) e começam a dançar alegremente como crianças, sem preocupações com nada. Talvez nesta cena esteja o recado de O’Connor: a vida é feita de momentos bons e ruins e devemos saber aproveitar os melhores ao máximo. Um filme pequeno e agradável que vale uma conferida e certamente mal nenhum trará a ninguém.

Drama - 95 min - 1998 - Dê sua opinião abaixo.

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