sábado, 23 de março de 2013

O INQUILINO (2008)

NOTA 3,0 Apesar da premissa interessante, longa perde fio da meada com trama enrolada

Sinopse: Um assassino está assombrando as ruas de West Hollywood vitimando as prostitutas da região. Coincidentemente seus atos lembram muito os cometidos pelo lendário Jack, o Estripador, em meados do século 19. O agente Chandler Manning (Alfred Molina) está à sua procura, mas precisa lidar com o fato de que provavelmente capturou e condenou à morte um inocente sete anos antes, um homem que estava sendo investigado por duas mortes que guardam características semelhantes com os crimes atuais, o que indica que o verdadeiro criminoso está de volta. Quanto mais o detetive penetra nas novas investigações, mais as coisas ficam enroladas para o seu lado e ele passa a ser também um suspeito. Paralelamente a isso, Helen Bunting (Hope Davis) aluga o quarto dos fundos de sua casa para Malcolm (Simon Baker), um misterioso escritor que chega à cidade no mesmo período da onda de assassinatos.


Comentário: Tentando construir um suspense intrigante que segurasse a atenção do espectador até o fim, David Ondaatje acabou se enrolando até o pescoço. Produtor, roteirista e diretor de O Inquilino, ele ousou ao ter a ideia de refilmar o primeiro thriller assinado pelo mestre Alfred Hitchcock, uma produção ainda dos tempos do cinema mudo. Com várias linhas narrativas a serem trabalhadas usando apenas imagens para construir um enredo conciso, este trabalho não é um dos mais reconhecidos na filmografia do mestre do suspense, mas tem seu valor, principalmente pela época que ele representa para a História do cinema. Ondaatje procurou reimaginar o mesmo enredo adicionando diálogos e reunindo todos os clichês possíveis dos filmes de suspense policial. A premissa é até interessante, mas na intenção de jogar pistas falsas para o espectador brincar de detetive, o diretor acabou se atrapalhando e deixou pontas a serem aparadas em seu trabalho. A ideia de ligar os assassinatos em série da atualidade com os crimes cometidos no passado pelo famoso Jack, o Estripador, é uma boa sacada, mas por que só agora essa ficha caiu? Sete anos antes tais evidências já poderiam ter sido usadas para salvar da execução um inocente. Sabendo que cometeu um erro, o detetive Chandler Manning já vinha pesquisando sobre o lendário estripador poucos meses antes da nova onda de assassinatos, o que já é um ponto negativo a seu favor, e parece que quanto mais ele investiga o caso mais ele produz provas contra si mesmo. Paralelamente a essa entediante investigação, temos a história do tal inquilino do título, um braço do roteiro um pouquinho só mais interessante. O casal Bunting, vividos por Hope Davis e Donal Logue, ganham uma renda extra alugando um quarto em uma casa anexada ao jardim de sua residência. Desta vez, a mulher fecha o acordo com um homem misterioso e só comenta com o seu marido, este que aos poucos desconfia que o tal inquilino não existe. Revelar mais sobre o enredo é estragar a experiência de acompanhar este suspense que infelizmente acaba desperdiçando uma excelente ideia. Talvez em uma primeira exibição não fique muito claras as resoluções, valendo uma segunda sessão para prestar mais atenção a certos detalhes. Todavia, provável que jamais a satisfação seja plena. Ao subirem os créditos finais ficamos com a estranha sensação de que achamos o filme razoável, mas ainda temos a consciência de que muitas peças não se encaixaram no final da história ou simplesmente estavam sobrando. Até mesmo o tal inquilino parece uma peça estranha no conjunto, mas alguém duvida que a última cena é toda dele? Seria um truque para deixar o espectador com uma interrogação após um falso final ou realmente a inserção de tal sequência é só para justificar o título? Para matar o tempo em um sábado a noite tedioso serve afinal é um legítimo filme a la “Super Cine”.

Suspense - 95 min - 2008 - Dê sua opinião abaixo.

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