domingo, 21 de abril de 2013

DIGA QUE NÃO É VERDADE

Nota 2,0 Escatologia e piadas com minorias marcam a estreia de pupilo dos irmãos Farrelly

Sinopse: Josephine Wingfield (Heather Graham) e Gilbert Noble (Chris Klein) são dois jovens que estão perdidamente apaixonados, mas que descobrem um terrível segredo: eles na verdade são irmãos por parte de mãe, a inescrupulosa Valdine (Sally Field). Para não cometerem um incesto, ou melhor, para não continuarem vivendo em pecado já que a relação deles já passou o sinal vermelho, eles terminam o relacionamento e cada um procura seguir sua vida. Ela se muda de cidade enquanto o rapaz continua em sua região interiorana tornando-se alvo de piadas. Porém, quando Gilbert descobre que na verdade houve uma série de mal entendidos e que eles não são irmãos, ele parte desesperadamente para encontrar Josephine e impedir que ela se case com outro homem, mesmo que precise atravessar praticamente metade dos EUA para tanto. Contudo, Validen vai fazer de tudo para impedir esse reencontro já que não considera seu "ex-filho" um bom partido.
                                                                           

Comentário: Heather Graham e Chris Klein são nomes conhecidos por terem participado de muitas produções voltadas para o público adolescente, mas seus sucessos podem ser contados com os dedos de uma única mão ou nem isso. Quem conhece a filmografia da dupla já conhece mais ou menos seus estilos e, portanto, não tem muito que esperar de Diga Que Não é Verdade, produção vendida como uma comédia romântica, mas o romance é mínimo aqui. A ordem é apelar para o humor escrachado e por vezes um tanto escatológico. Também seu diretor, James B. Rogers, é um dos pupilos dos irmãos Peter e Bobby Farrelly (produtores da fita) e as marcas deles estão por aqui em cada fotograma de seu primeiro trabalho atrás das câemras: piadas com pessoas deficientes e abusos de animais entre outras polêmicas são misturadas a outras cenas que causam nojo ao espectador. Tudo é tão absurdo que ao invés de causar risos tais sequências acabam constrangendo quem assiste como, por exemplo, a cena em que o personagem de Klein fica com o braço preso no traseiro de uma vaca, uma “criação” que deveria ser emblemática ao filme. Os melhores momentos do roteiro dos estreantes Peter Gaulke e Gerry Swallow são encontrados na introdução quando o público ainda está tomando conhecimento da situação e embarcando no clima romântico proposto, porém, as gargalhadas que podem surgir em seguida só podem ser devido ao caráter absurdo que a narrativa assume. Além do que já foi citado, ainda há tentativas de se fazer humor com o uso de drogas, com pacientes de hospícios, mutilações e obviamente muitas insinuações a sexo e piadas de duplo sentido. Se os Farrelly conseguem fazer um humor simpático envolvendo escatologia e digamos excluídos da sociedade (bem, nem sempre conseguem fazer isso sem ofender), Rogers parece ter a mão ainda mais pesada para realizá-las chegando ao ponto de convencer a atriz Sally Field a passar fatias de pão de fôrma em suas axilas para depois servi-las em um lanche ao marido deficiente de sua personagem, um papel-mico interpretado pelo veterano Richard Jenkins. Sim, ela mesma que já ganhou dois Oscars e voltou a brilhar em 2012 com Lincoln precisou se submeter a coisas do tipo para poder pagar suas contas durante quase duas décadas, período em que os convites de cinema tornaram-se mais raros e ela se dedicou à TV. Seu desempenho neste filme não é digno de uma atriz tão conceituada, qualquer uma poderia fazer. Seu exemplo é bom para provar que prêmios não seguram carreira, mas não que esteja ruim, até que ela se dá bem embarcando no clima enlouquecido da produção, mas seu papel é pequeno demais. Por ela assumir o papel de vilã que obriga o casal protagonista a viver afastado seu destaque deveria ser maior. Este filme no final das contas então é péssimo? Isso vai da cabeça de cada espectador. Pode ser uma boa pedida para quem quer se divertir sem precisar queimar os miolos, até porque o final você já deve saber qual é. Todavia, é quase que um produto exclusivo para jovens, um público que em geral pouco está ligando para a qualidade do que está assistindo, o negócio é reunir a galera, gargalhar espontaneamente e se entupir de pipocas e refrigerante.

Comédia - 95 min - 2001 - Dê sua opinião abaixo.

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