domingo, 28 de abril de 2013

MAMÃE VIREI UM PEIXE

Nota 7,0 Com trama ágil e animação tradicional, longa é prejudicado por temática genérica

Sinopse: A caminho de uma pescaria, Fly, sua pequena irmã Stella o primo deles Chuck descobrem por acaso o laboratório de um aloprado cientista, o Professor MacKrill, que está desenvolvendo uma poção que transforma seres humanos em peixes visando que no futuro o mundo todo poderá ser encoberto por água. A garotinha acidentalmente toma a invenção e é transformada em uma estrela do mar. Para tentar salvá-la, os dois meninos também tomam a poção, mas Fly acaba virando um peixe e Chuck uma água viva. Eles partem para o fundo mar para sobreviverem e encontrarem Stella que se perdeu, mas eles só têm 48 horas para tanto e para encontrarem o antídoto que também está perdido no oceano, caso contrário permanecerão como seres aquáticos para sempre. Para piorar, o frasco é encontrado pelo malvado peixe Joe que acaba tornando-se inteligente e passa a criar um exército de soldados para dominar o reino submarino.


Comentário: Espionagem industrial ou pura coincidência? O que acontece as vezes no mundo do cinema? É até bem comum que duas ou mais produções com temas semelhantes sejam lançadas praticamente simultaneamente aproveitando-se de algum tema da moda, mas quando se tratam de desenhos animados a possibilidade de oportunismo não é das mais críveis devido ao processo demorado de elaboração, por mais simplório que seja o projeto. Em meados dos anos 2000, muitas animações inspiraram-se no fundo do mar e foram protagonizados por simpáticos peixes e outros representantes marítimos, sendo que Procurando Nemo deu o pontapé inicial nessa onda e tudo que veio depois foram tentativas de ao menos igualar o nível de repercussão que este produto Disney/PIxar teve. Errado! Mamãe Virei um Peixe foi finalizado três anos antes, mas teve o azar de só ser lançado no Brasil e em outros países na esteiro do mencionado sucesso. Comparar as duas produções chega a ser covardia, ainda mais hoje em dia que a animação computadorizada ganhou um status assombroso, tanto que infelizmente só as crianças bem pequenas ou os adultos nostálgicos encaram numa boa desenhos com traços tradicionais. Todavia esta co-produção entre a Alemanha, Dinamarca e Irlanda tem seu valor mesmo não contando com piadas críticas ou imagens espetaculares geradas através da computação gráfica, tanto que foi premiada como melhor longa-metragem pelo júri popular infanto-juvenil no Festival do Rio BR 2002. Os diretores Stefan Fieldmark e Michael Hegner conseguiram uma estética e um ritmo narrativo próximos ao estilo dos desenhos feitos para exibição na TV, praticamente tudo desenhado à mão. O roteiro do próprio Fieldmark em parceria com Karsten Kiilerick não é inovador, mas traz algumas boas sacadas como o fato da inversão de papéis. Se os humanos tomam a tal poção e viram peixes, o antídoto tem o poder de dar inteligência, o dom da fala e personalidade aos peixes, tanto que o tubarão que era chefão passa a servir a seu antigo subordinado, um maquiavélico peixe, provando que tamanho não é documento. Dessa forma é até criada no fundo do mar uma sociedade hierárquica com direito a exploração de trabalho. Por outro lado, os personagens, embora cativantes, são estereotipados. Fly é o cara esperto e descolado do grupo, a garotinha é a curiosa cativante, Chuck é o nerd que serve de alvo de piadas e Joe lembra no visual e na personalidade os vilões clássicos do estúdio Hanna-Barbera. De qualquer forma, vale a pena variar o cardápio de vez em quando e reviver e apresentar as novas gerações uma boa animação tradicional, um tipo de produto que felizmente ainda tem uma produção ativa principalmente em países europeus. Só é uma pena que elas ainda continuem chegando ao Brasil em momentos estratégicos, através de festivais de cinema ou de forma tímida diretamente para locadoras ou venda direta ao público.

Animação - 80 min - 2000 - Dê sua opinião abaixo. 

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