sábado, 20 de abril de 2013

SHINOBI - A BATALHA

Nota 6,0 Épico japonês é uma espécie de Romeu e Julieta com pano de fundo político

O cinema oriental vira e mexe nos surpreende com produções que parecem verdadeiras obras de arte, tanto no visual quanto no texto, mas nem sempre consegue um perfeito equilíbrio entre esses dois elementos. Shinobi - A Batalha serve como exemplo para ilustrar essa desarmonia. Baseado no romance "The Kouga Ninja Scrolls", de Futaro Yamada, que também deu origem a uma série de mangá e outra de anime de grande sucesso no Japão, esta é uma obra que adota um estilo cinematográfico mesclado com o teatral com belíssimas batalhas de espadas minuciosamente coreografadas. Esse tipo de produção voltou a ganhar destaque nos últimos tempos tanto em território oriental quanto em outros continentes chegando inclusive a influenciar obras norte-americanas como Kill Bill. Roteirizada por Kenya Hirata, a história se passa em meados do século 17, quando o país do sol nascente fora pacificado, mas ainda restavam sinais de guerra principalmente entre dois grupos de ninjas, o da terra de Kouga e o que representava a comunidade de Iga. Eles são inimigos há centenas de anos, mas respeitam um acordo de não guerrear um com o outro, porém, o clima de rivalidade está sempre os cercando. Oboro (Yukie Nakama) é a neta do chefe dos Iga e sem saber se apaixona por Kouga Gennosuke (Joe Odagiri), o neto do comandante dos Koga. Eles se apaixonam à primeira vista e acabam se casando secretamente, mas o destino os castigará por levarem adiante esse sentimento proibido. Ambos são designados pelo governo a liderar um confronto, cada qual representando seu respectivo clã e escolhendo seus cinco melhores guerreiros, assim o jovem casal se encontra em uma difícil situação: a eminência da morte. A real intenção desta batalha é que os membros rivais fossem destruídos e os soldados do império aproveitassem para destruir as aldeias acabando de vez com os conflitos e trazendo a paz que esperem que dure para todo o sempre, mas será que a força do amor irá impedir tal guerrilha?

Apesar da boa receptividade do gênero dos anos 2000 em diante (produções do tipo estavam em declínio desde o final da década de 1970) e da grande repercussão no próprio Japão, Shinobi - A Batalha teve dificuldades para ser lançado em diversos países, incluindo o Brasil que o recebeu com cerca de dois de atraso e diretamente para as locadoras. A repulsa pode estar no fato da obra literária que inspirou o diretor Ten Shimoyama ser desconhecida em boa parte do mundo, todavia, seu conteúdo pode ser de apreciação universal. Shinobi é o nome dado aos ninjas que são treinados para missões especiais de espionagem ou assassinato, mas apesar da alcunha ser usada como chamariz no título o foco principal do enredo é o amor de um jovem casal que é impedido de vivenciar esse romance devido a guerra secular envolvendo os nomes de seus clãs, um tema já bastante clichê e que bebe na fonte do texto clássico de "Romeu e Julieta", de William Shakespeare. Neste caso, o eterno conflito dos grupos que se odeiam, mas cujos jovens membros resolvem lutar pelo direito de viverem um romance, ganha um suporte a mais com a trama política inserida no roteiro. Kouga e Iga, os dois lendários clãs que realmente existiram, foram de grande serventia durante um período de guerra, mas com o fim das batalhas tornaram-se uma ameaça ao governo da época. Provocando a disputa entre estes povos os governantes teriam condições de acabar com aldeias que julgavam perigosas isentando-se da culpa. Para quem não está inserido neste universo criado por Yamada o longa pode até gerar certo interesse, mas para quem está mais por dentro garante que o roteiro não é fiel as suas origens, além de deixar várias passagens mal esclarecidas. Se a narrativa é sem grandes atrativos e com furos, técnica e visualmente o filme é deslumbrante com belíssimos cenários e fotografia, além de sutis efeitos especiais que alteram as faces dos atores em momentos estratégicos, uma espécie de técnica ocular de combate que implode aqueles que encaram os olhos do guerreiro portador de tal virtude. Esta é uma opção interessante para aquelas ocasiões em que se deseja assistir algo diferente, mas falta algum detalhe para que o longa prenda mais a atenção, talvez uma ajustada no ritmo ou um texto mais bem trabalhado. Pelo menos, seu encanto visual faz valer o tempo dedicado à obra.

Aventura - 107 min - 2005

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Um comentário:

renatocinema disse...

Gosto da animação e dos cinemas orientais. Mas, não sei se esse tem o estilo que mais aprecio.

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