domingo, 12 de maio de 2013

A VIRGEM DE JUAREZ

Nota 2,5 Temas polêmicos envolvendo religião e crimes são desperdiçados por falta de coragem

Sinopse: Karina Davies (Minnie Driver) é uma repórter investigativa que viajou para Juarez, uma cidade que fica na fronteira entre o México e os EUA, para fazer reportagens sobre a série de assassinatos de mulheres que estavam ocorrendo no local. A coincidência é que todas as vítimas são imigrantes e operárias de fábricas da região, o que indica que uma gangue organizada está envolvida nestes casos. Todavia, o que impressiona a jornalista é a história da “Virgem de Juarez”, uma garota que sangra nas mãos através de misteriosas chagas, o que seria um sinal de santidade. Mariela (Ana Claudia Talancón) reforça os boatos afirmando que viu a Virgem Maria e que ela lhe passou uma missão. Karina então vê a garota ser explorada como um símbolo religioso com o consentimento de Herrera (Esai Morales), um pároco local.


Comentário: Ter certo apego a algum tipo de religião faz bem, mas pode se tornar algo perigoso quando as crenças tomam proporções exageradas. São vários os casos espalhados no mundo todo sobre populares que repentinamente passaram a ser idolatrados como ídolos religiosos, mas tais exemplos são mais comuns em países latinos devido as suas tradições predominantemente católicas. Também são corriqueiras as notícias de que em regiões menos favorecidas muitas mortes acontecem e geralmente envolvendo imigrantes que buscam melhores condições de vida, sendo que as mulheres são as principais vítimas. O diretor Kevin James Dobson aliou estes dois temas em A Virgem de Juarez, um drama que aparentemente é atemporal afinal, conforme mostrado no longa, mesmo com todos os indícios sobre exploração de trabalhadoras, sequestros, mortes e ligação de grupos religiosos com estes e outros crimes, as autoridades pouco fazem para detê-los alegando falta de estrutura e problemas burocráticos para agirem ativamente. Por isso até hoje os noticiários vira e mexe trazem a tona tais assuntos. Como a personagem de Minnie Driver diz, em outras palavras, se muitas reportagens foram publicadas sobre estas situações problemáticas e nada foi feito para barrá-las não se deve abandonar os casos. É preciso continuar publicando as denúncias para pressionar as autoridades e alertar a população. Bem, nesse sentido até que o roteiro de Michael Fallon, baseado em diversos fatos reais, tem sua serventia, pois mostra de forma eficiente como os grupos criminosos agem nas regiões menos favorecidas. Como a polícia é vagarosa, os bandos se aproveitam dos imigrantes que chegam para trabalhar nas fábricas instaladas por lá. As fronteiras do México abrigam muitas multinacionais americanas que se instalam por ali para pagar menos impostos e ter mão-de-obra barata, assim é muito fácil aliciar garotas pobres e com pouco grau de instrução para a prostituição e comércio de drogas. Este drama mantém o foco mais em cima dos crimes de exploração sexual, mas mexe um pouco mais na ferida ao fazer uma ligação desse submundo com o catolicismo. Após uma garota sobreviver a uma tentativa de estupro e surgir com stigmatas, as chagas semelhantes as de Jesus Cristo quando crucificado, o próprio padre local parece apoiar a iniciativa de transformá-la em um ícone religioso capaz de atrair devotos até mesmo de outros países em busca de milagres. A índole do pároco ainda é questionável pelo fato de seu irmão ser metido com crimes e mesmo assim ficar com a responsabilidade de guardar em segurança a garota-santa. Até aí o filme vai bem, mas o problema é que seus realizadores não tiveram coragem em se aprofundar nestes temas e assim ficamos sem respostas claras quanto aos benefícios que os religiosos, a polícia e os governantes de Juarez recebem com a exploração religiosa e por se fazerem de cegos quanto aos atos dos criminosos que parecem ter passe livre. Portanto temos aqui apenas o razoável registro de uma denúncia que ainda tem muito a revelar. Quanto a produção e as atuações, bem, a julgar pela preguiçosa duração do longa (descontando créditos iniciais e finais não chega a uma hora e meia de arte), dá para imaginar o padrão: toque de caixa e piloto automático respectivamente.

Drama - 89 min - 2006 - Dê sua opinião abaixo.

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