sábado, 4 de maio de 2013

DUETS - VEM CANTAR COMIGO

Nota 3,5 Através dos esforços em um karaokê, grupo procura encontrar caminhos para suas vidas

Sinopse: Seis pessoas de universos completamente diferentes resolvem dar um tempo em suas vidas metódicas e aceitam o desafio de cantarem em um concurso de karaokê que oferece um prêmio milionário. Essas pessoas são: Suzi Loomis (Maria Bello), uma garçonete desesperada para ir para Califórnia e se tornar uma cantora de sucesso; Reggie Kane (Andre Braugher), um ex-presidiário que não tem a menor vontade em obedecer as regras da sociedade e que canta com a voz de um anjo; Todd Woods (Paul Giamatti), um vendedor atrás do sonho americano; Ricky Dean (Huey Lewis), um aficionado por karaokê que não tem nenhuma ligação com ninguém e com nada; Liv (Gwyneth Paltrow), uma inocente dançarina de Las Vegas em busca de família e amor; e Billy (Scott Speedman), um jovem motorista de táxi. Mais importante que o dinheiro que está em jogo é o enriquecimento pessoal que será proporcionado.


Comentário: O que dizer sobre um filme no qual diversos personagens travam muitos diálogos esmiuçando detalhes sobre suas vidas e quando não estão fazendo isso estão cantarolando para uma plateia de beberrões em um bar? A premissa de Duets – Vem Cantar Comigo não é lá muito animadora, mas até que esta produção é simpática e bem intencionada. O roteiro de John Byrum faz uma Inteligente metáfora. O amplo universo competitivo que domina as sociedades modernas aqui é retratado com proporções bem menores, porém, tão acirrado quanto, na ambientação de concursos de karaokê. O curioso é que o interesse dos personagens não é tanto o dinheiro oferecido a quem ganhar a competição, mas sim a satisfação pessoal de conseguir superar o desafio que é subir em um palco, encarar a plateia e cantar sem errar a letra ou fugir do tom. É justamente esta postura vencedora que eles buscam nesta brincadeira para terem a coragem de assumir o mesmo estilo em suas vidas. O conceito do projeto surgiu quando o roteirista estava em um bar de um hotel e observou admirado a alegria e a seriedade que envolvia os participantes de um concurso de calouros. Eles não estavam disputando dinheiro ou se apresentando para executivos de alguma gravadora. Simplesmente queriam se divertir cantando. O texto foi finalizado no final dos anos 80, época em que os Karaokês começaram a se tornar uma febre mundial, mas muitos anos se passaram até que ele se tornasse um filme real pelas mãos do diretor Bruce Paltrow. O sobrenome é familiar? Não é a toa que Gwyneth Paltrow tem um dos papéis principais. Filha do cineasta, esta era a primeira vez que eles trabalhavam juntos. Como houve muito cuidado para escolher o elenco, já que na teoria todos deveriam cantar (as canções eram gravadas em estúdio, mas também deveriam ser interpretadas ao vivo no momento das filmagens), o projeto foi cozinhado em fogo baixo e tinha assegurado o ator Brad Pitt para ser um dos protagonistas, o então futuro genro do diretor. Todavia, a paixão entre os loirinhos acabou, a produção esfriou e só voltou a ver a luz dos estúdios já no novo milênio. É claro que muita coisa deve ter sido mexida na história nesse tempo ocioso, mas Gwyneth não perdeu sua vaga. Curiosamente, com tantos atores em cena, a produção até parece seguir o estilo do cultuado e já falecido cineasta Robert Altman que adorava ter muitos personagens em suas histórias. Por coincidência sua última obra, A Última Noite, aborda justamente o universo musical, mas as semelhanças com o trabalho de Paltrow ficam restritas a grande quantidade de atores escalados. Em meio a tantas comédias idiotas e outras marcantes que são lançadas anualmente, sempre há algumas que não causam transtornos, mas também estão longe de ser memoráveis. É nesse nicho que se encaixa esta obra cujo ponto mais positivo é a agradável trilha sonora com famosas e boas canções que até hoje são lembradas pelo público. No entanto, as interpretações pouco inspiradas, até mesmo pelo fato dos conflitos dos personagens não serem muito bem explorados, acabam tirando boa parte do brilho que esta produção deveria ter. De qualquer forma, um trabalho que pode preencher o tempo livre com qualidade satisfatória, mas que também pode ser visto como uma simplória lição de moral, embora a competitividade e seus limites propostos na sinopse sejam tratados de forma muito suave.

Comédia - 112 min - 2000 - Dê sua opinião abaixo.

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