sábado, 27 de julho de 2013

BON COP BAD COP

Nota 6,0 Longa de ação canadense se beneficia de rixa entre cidades para explorar o humor

Os EUA reconhecidamente é um país sinônimo de cinema comercial e o gênero de ação continua sendo um dos carros-chefes dessa indústria, mesmo com as críticas negativas que longas do tipo recebem, além do fato da maioria nem chegar a passar em cinema, sendo lançada diretamente em DVD. Contudo, ainda existe platéia cativa para esses produtos, pessoas que construíram seu gosto cinematográfico influenciados por trabalhos de Arnold Schawznegger, Silvester Stallone e companhia bela, principalmente as gerações que cresceram na época do boom das locadoras, estabelecimentos que acolheram os astros brucutus quando as salas de cinema passaram a fechar as portas para eles. Mas deixando de lado os detalhes dos bastidores, é curioso que os fãs de ação hollywoodiana se acostumaram tanto a um padrão engessado que sentem dificuldades em aceitar produtos do gênero oriundos de outros países. Eles não vão mudar a vida de ninguém certamente, mas com sorte podem oferecer um divertimento de melhor qualidade que o habitual como é o caso de Bon Cop Bad Cop, mescla de ação, policial e comédia produzida pelo Canadá. A premissa do roteiro de Leila Basen, Kevin Tierney, Alex Epstein e de Patrick Huard, um dos protagonistas, pode parecer esquisita, mas vale a pena insistir. O filme começa com uma tola discussão sobre a venda de um tradicional time de hóquei canadense para os EUA. Ao mesmo tempo um homem mascarado vai sendo revelado pouco a pouco e já tem uma vítima a postos para ser executada. O corpo deste homem é encontrado em cima de uma placa rodoviária que demarca os limites de duas cidades, pernas de um lado e cabeça e tronco de outro. Dois tiras, um representante de cada município que cativam há nos certa rivalidade, são selecionados para investigar o caso, mas eles não podiam ser mais diferentes. Martin Ward (Colm Feore) é de Toronto, fala inglês e é muito correto com suas obrigações, o policial exemplar. Já David Bouchard (Huard) é de Quebec, fala francês e prefere levar a profissão sem grandes preocupações. Em comum eles têm apenas o fato de que entendem razoavelmente bem o idioma um do outro (fato esquecido lá pelas tantas quando eles passam a se comunicar fluentemente) e ambos possuem problemas de relacionamento com os filhos e não são casados.

Mesmo se estranhando logo que se conhecem, os investigadores aceitam trabalhar juntos por um bem maior: melhorar a imagem do departamento de polícia que representam a fim de angariar mais verbas para o próximo o ano, o que poderia lhes render algum tipo de promoção financeira ou de cargo. Pois bem, o começo do trabalho é um tanto enigmático. A ficha levantada sobre o homem assassinado não mostra que ele teria ligação com alguma coisa criminosa, todavia, seu alto padrão de vida chama a atenção. Em seu pulso é encontrada uma tatuagem com sangue quase fresco, o que significa que ela foi feita poucas horas antes de sua morte. Conforme as investigações avançam, novos crimes passam a acontecer e os corpos encontrados sempre estão com uma tatuagem recente, como se o serial killer estivesse querendo passar alguma mensagem. Outra curiosidade é que as vítimas, de forma direta ou não, estão ligadas ao mundo do hóquei, o que leva a crer que o assassino seria uma pessoa fanática que surtou quando soube da venda de um dos mais tradicionais times do Canadá, algo que fica ainda mais em evidência quando ele tem a audácia de ligar para um programa jornalístico ao vivo para defender seu ponto de vista e ganha a alcunha de “assassino da tatuagem”, a publicidade que faltava para este homem se sentir em evidência. Martin e David acabam aparecendo na TV e ficam na mira deste psicopata e nada melhor para atingi-los que começar a perseguir seus parentes. Bon Cop Bad Cop no conjunto é uma reunião de clichês de produções hollywoodianas de ação com um toque leve dos suspenses de vilões mascarados, mas a adição do humor dá um tempero agradabilíssimo à mistura. É muito bom ver atores como Feore e Huard travando diálogos cheios de ironia, algumas vezes esquecendo até mesmo do que acontece ao redor deles. Enquanto divergem sobre suas diferenças, um carro ou até mesmo uma casa podem explodir, por exemplo, com o detalhe de que em um deles está um suspeito e no outro uma vítima que poderia ser salva. Apesar de algumas falhas e sequências que poderiam ser mais bem elaboradas, podemos dizer que este longa dirigido por Érick Canuel só peca, dependendo do ponto de vista, pelo idioma francês inserido que pode levar muitos a acreditarem que a obra é de origem francesa, o que intrinsecamente  já passa a ideia de ritmo arrastado e muito blá blá blá ou cenas de contemplação. Nada disso. Vale uma conferida sem grandes pretensões e a diversão estará garantida. 

Ação - 91 min - 2006 

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