domingo, 4 de agosto de 2013

UM DIA ESPECIAL

Nota 7,0 Longa açucarado, mas correto, parece feito sob encomenda para seus protagonistas

Uma mulher e um homem que se estranham ao se conhecerem pouco a pouco vão descobrindo afinidades e sentimentos e de quebra recebem a ajudinha de seus filhos-cupidos. Quantos enredos do tipo existem na praça? Bem, hoje tal historinha é para lá de batida, mas será que em meados dos anos 90 seria alguma novidade? Provavelmente não, mas a fórmula consagrada era perfeita para os propósitos dos protagonistas, de seus agentes ou dos produtores da fita. Em plena fase do auge do gênero água-com-açúcar tendo como principais representantes Julia Roberts, Meg Ryan e Sandra Bullock, não poderia ficar de fora da onda a bela e talentosa Michelle Pfeiffer. George Clooney era o galã da série de TV “Plantão Médico” e almejava o sucesso nas telonas, então nada mais natural que investir em uma produção destinada ao público feminino para dar os primeiros passos rumo ao estrelato. Podemos justificar desta forma a existência de Um Dia Especial, produção simplória em seu conteúdo e visual, mas cuja temática universal e melódica a ajudou a se tornar um clássico estilo sessão da tarde. Melanie Parker é uma arquiteta de sucesso, muito firme em suas decisões, uma mulher independente e extremamente dedicada ao trabalho. Jack Taylor é um colunista de jornal bastante prestigiado, que não tem medo de ir a fundo nos assuntos para conseguir sempre se superar, é muito carismático e faz sucesso entre as mulheres. Em comum, além da dedicação à profissão e o apreço por falas irônicas, ambos são separados e tem um filho pequeno. Melanie é mãe de Sammy (Alex D. Linz) e Taylor é o pai de Maggie (Mae Whitman). Certo dia, devido a um acaso do destino, estes pais se encontram na porta colégio das crianças que acabaram perdendo um passeio de barco. Agora eles estão com o dia cheio e não tem com quem deixar os filhos e Taylor propõe que ela vá a uma importante reunião de trabalho enquanto ele cuida das crianças. Ao término, ela assumiria as funções de babá e ele atenderia seus compromissos na redação do jornal. Obviamente o assunto não acaba assim rapidamente. Orgulhosa, a arquiteta desconsidera a proposta e ambos acabam carregando os filhos para o trabalho, mas eles são muito curiosos, fica impossível tal situação e não é que o destino fez com que os dois tivessem a ideia de colocar a molecada para passar um dia em uma creche... E na mesma!

Após fazer relativo sucesso na viagem infernal de Um Drink no Inferno, Clooney encontrou o veículo perfeito para se encontrar com o público que viria alavancar sua carreira. Ainda bem que não demorou muito para o ator desbravar novos caminhos profisionais, incluindo uma parceria de sucessos com os irmãos-diretores Joel e Ethan Coen, o engajamento político e se aventurar atrás das câmeras. O filme do diretor Michael Hoffman, de O Clube do Imperador, se sustenta sob o carisma de seus protagonistas, visto que o roteiro de Terrel Seltzer e Ellen Simon é um fiapo de história, com clichês que se anunciam logo no primeiro minuto e as crianças que geralmente funcionam como chamariz neste caso não cativam o espectador. No conjunto, o longa é mais um romance do que uma comédia romântica visto que não há situações cômicas extremas, mas de qualquer forma é quase impossível não acompanhar a narrativa com um sorriso discreto no rosto. Toda a ação se desenvolve em um único dia o que já deixa claro que para se divertir é preciso entrar na magia da trama que teoricamente deve fazer o público acreditar que o amor pode nascer em poucas horas de convivência, ainda que elementos fantasiosos não tenham vez, predominando um estilo mais realista. Para dar sustância a um argumento tão simplório, Melanie é a típica feminista que defende o papel da mulher moderna no mercado de trabalho enquanto Taylor está correndo contra o tempo para comprovar os fatos de uma polêmica reportagem que podem lhe custar o emprego. Usando e abusando de clichês, incluindo o velho recurso das montagens de cenas paralelas retratando as ações simultâneas dos protagonistas em ambientes diferentes, Um Dia Especial não tinha intenções de revolucionar o gênero, como não o fez, mas talvez Hoffman não imaginasse que este seu trabalho acabaria se tornando uma obra marcante dos anos 90, fenômeno popularizado obviamente pelas constantes reprises na TV. O excesso de coincidências não deve incomodar os amantes de romance açucarados e o final feliz apresentado de forma levemente diferenciada transmite toda a sensação de aconchego que esta produção deve passar ao espectador, seja ele um saudosista ou um novo admirador deste pequeno clássico que cai como uma luva para curtir a tarde sozinho ou bem acompanhado, faça chuva ou faça sol.

Romance - 108 min - 1996 - Dê sua opinião abaixo.

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