sábado, 14 de setembro de 2013

A MORTE E A VIDA DE BOBBY Z

Nota 3,5 Caça a famoso traficante é repleta de clichês, além de situações e diálogos sofríveis

Filmes que abordam o submundo do crime já têm suas características conhecidas. Golpistas atacando golpistas, drogas, bebidas, palavrões e gírias a vontade, mulheres liberais, além dos tradicionais corre e corre e tiroteios, tudo servido geralmente sob uma atmosfera pesada e escura realçando o aspecto de mundo negro em que vivem os criminosos e aqueles que os sustentam através da compra de contrabandos e drogas. Todavia, a alta sociedade também tem seus podres como mostra A Morte e a Vida de Bobby Z, mas neste caso esqueça os ambientes sujos, escuros, as bebidas baratas, os palavrões pesadões e as prostitutas de esquina. Só mesmo uma ambientação diferenciada para não tornar este título totalmente esquecido. As ensolaradas praias da Califórnia ficaram conhecidas como o território do lendário traficante Robert Zacharias, mais conhecido como Bobby z (Jason Lewis), que fez fortuna enquanto surfava e tomava banhos de sol, além de se divertir com as mulheres que desejava, mas misteriosamente ele sumiu. Alguns acreditam que ele agora atua em um novo território e muitos outros juram que ele está morto, assassinado ou por overdose. Tim Kearney (Paul Walker) é um criminoso que foi preso por pequenos deslizes, mas acabou cometendo seu grande crime na própria cadeia ao matar um valentão que o perturbava. Jurado de morte pelos demais presos, o rapaz estaria em risco em qualquer outra prisão, o que veio a calhar com os planos do detetive Tad Gruzsa (Laurence Fishburne) que aposta na semelhança física de Kearney com Bobby para que ele o ajude a liberar seu parceiro de trabalho que está em poder de Don Huertero (Joaquim de Almeida), o maior traficante do norte do México. Esse magnata do tráfico deseja uma sociedade com Bobby para levar seu comércio ilegal para Los Angeles e só vai entregar o policial quando se encontrar pessoalmente com o jovem traficante. O plano seria ótimo, pois Kearney se livraria da cadeia pelo favor prestado, mas ao aceitar não imaginava no que estava se metendo. Em um primeiro momento, passar-se por outra pessoa parecia fácil. Ele corta os cabelos, decora detalhes da vida do suposto morto, ganha roupas bacanas e é recebido no vinhedo de Brian Cervier (Jason Flemyng), um homem com ligações estreitas com Huertero. Comendo do bom e do melhor, tendo vinho a vontade e curtindo um dia de sol a beira da piscina na companhia de belas mulheres deslumbradas pelo dinheiro, não demora muito para o falso Bobby entrar em apuros.

Kearney defende Elizabeth (Olivia Wild) de uma agressão e logo levanta suspeitas. A jovem já havia se relacionado com Bobby e sabe que ele é extremamente egoísta e jamais defenderia alguém, nem mesmo sabia que tinha um filho, o pequeno Kit (JR Villarreal), que fica sob os cuidados da moça. Logo o cerco começa a fechar e o pessoal de Huertero passa a perseguir o rapaz. No fundo ele não desejava uma sociedade, mas sim matá-lo para além de comandar o tráfico com soberania também se vingar de um episódio do passado. Fugindo pelas regiões desérticas do México, Kearney ganha a companhia de Kit que decide segui-lo, talvez vendo nele a figura paterna que tanto lhe fazia falta, mas a aventura dos dois ganha ainda mais adrenalina, e um quê de faroeste, quando um grupo de criminosos também decide perseguir o rapaz por conta do bandido que ele assassinou na cadeia. Roteirizado por Bob Krakower e Allen Lawrence, baseado no livro homônimo de Don Winslow, este longa de ação até que empolga em seus primeiro minutos, mesmo sendo baseados em situações-clichês, mas o caldo desanda justamente quando o protagonista chega a roda da alta sociedade que na realidade é tão suja quanto a turma do chamado submundo. Os diálogos são sofríveis, a relação entre Kearney e Elizabeth é forçada assim como os momentos piegas do rapaz com o suposto filho, começa um entre e sai de gente e confusões de nome e até quem parecia do lado da lei também vira a casaca. Por fim temos uma previsível confusão entre quem estava no encalço de Kearney e quem desejava pegar o Bobby real, uma situação que deixa confuso até o próprio espectador que a essa altura já está saturado de uma produção cuja narrativa é desinteressante e parece ter sido feita conforme as filmagens caminhavam. Em uma cena-chave, por exemplo, o diretor John Herzfeld perde o freio e parece vomitar um monte de revelações e testar a rapidez e a atenção de seu elenco de tão frenética que é a sequência. E pensar que ele é o diretor de 15 Minutos que na comparação com esta produção parece uma obra-prima. A Morte e a Vida de Bobby Z é diversão ligeira para adolescentes e quem não deseja ocupar a cabeça. Já os mais críticos fujam desta opção para o seu próprio bem.

Ação - 97 min - 2007

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