domingo, 29 de setembro de 2013

BRIGADAS DO TIGRE

Nota 4,0 Excesso de nomes e diálogos prolixos prejudicam obra tecnicamente perfeita

O cinema francês costuma investir em vários gêneros, mas os dramas e os romances ainda são o carro-chefe de sua cinematografia. Contudo, é preciso valorizar as tentativas de surpreender com algo diferente. É uma pena que as vezes nem com muita vontade isso seja possível como no caso de Brigadas do Tigre, produção de época até difícil de classificar em uma categoria específica. Tem drama, romance, toques de ação e de thriller policial e um visual caprichado digno de épicos, porém, é enfadonho do início ao fim. A história roteirizada por Xavier Dorison e Fabien Nury é baseada em um seriado de TV de Victor Vicas que foi sucesso na França entre meados dos anos 70 e 80, mas inédita no Brasil. A trama começa no ano de 1907 durante a chamada Belle Époque, período em que uma onda de crimes sem precedentes estava aterrorizando o território francês. Os anarquistas entram em ação promovendo atos criminosos como forma de protestar contra a assinatura da Tríplice Aliança, um pacto entre a França, a Inglaterra e a Rússia a fim de combater o perigo alemão, a gota d’água para o início da Primeira Guerra Mundial. Para combater os vândalos, o Ministro do Interior George Clemenceau, conhecido como Tigre, decide criar uma força policial móvel. Brigadas do Tigre era um grupo formado por homens bem treinados para usar a força e manusear armamentos que não mediam esforços para cumprir seus objetivos de proteger a população. O príncipe russo Radetsky Bolkonski (Aleksandr Medvedev) está prestes a chegar a Paris acompanhado de sua esposa Constancia (Diane Kruger) para assinar o acordo político entre os países e obviamente é um alvo potencial dos anarquistas liderados por Jules Bonnot (Jacques Gamblin). A Brigadas do Tigre então é chamada para fazer a segurança do nobre casal, mas conforme o comissário Valentin (Clovis Cornillac), o mais destemido do grupo, começa a ficar mais próximo dos seus protegidos ele vai descobrindo segredos que o envolvem em uma perigosa trama política e de traição. Resumidinho assim o enredo é compreensível e poderia indicar um bom filme, mas infelizmente o resultado final é confuso e desinteressante. Pelo menos é uma ação que nos poupa de banhos de sangue, mas por outro lado a pancadaria rola solta.

O diretor Jérôme Cornuau certamente estava cheio de boas intenções e disposto a fazer uma obra que marcasse época, tanto que se cercou de um elenco talentoso e não mediu esforços para criar ambientações que conseguissem fazer o espectador literalmente viajar no tempo. Além disso, o enredo traz todos os ingredientes necessários para um longa de ação elegante e interessante, mas os problemas já são notados desde os primeiros minutos. A formação da tal brigada móvel é explicada através de um texto de introdução, já evitando um pleno envolvimento do espectador. Em seguida muitos personagens começam a surgir, mas suas caracterizações muito parecidas podem confundir. Um bando de homens vestindo ternos praticamente idênticos e sem personalidades pré-definidas não ajudam em nada a prender a atenção, até porque os diálogos que travam soam confusos. Até mais da metade do filme muitos nomes surgem, alguns apenas citados sem os personagens aparecerem, mais um ponto que dificulta o entendimento da narrativa. O espectador fica sentindo-se passivo diante de uma trama aparentemente complexa e é muito fácil desistir de acompanhar a obra pelos seus primeiros vinte minutos, mas os interessados em história podem se animar e quem fizer pé firme até os créditos finais certamente conseguirá observar a premissa como exposta aqui. De um argumento muito simples tentaram criar um filme muito além de suas possibilidades montando um ineficiente e entediante quebra-cabeças. São muitos os excessos narrativos para no fundo contar uma história convencional envolvendo amor e poder, todavia, vale uma ressalva a interessante sequência em que Constancia narra a história de “Ivã, o Terrivel”, lenda russa que ela estava ensaiando em formato de ópera e cujos acontecimentos seriam metáforas aos acontecimentos daquele período. Baseado em fatos reais, Brigadas do Tigre infelizmente é um daqueles filmes que ficamos com dó de tecer críticas negativas, mas realmente é impossível chegar ao fim com a sensação de plena satisfação. Economia de tempo e de blá-blá-blá seriam benéficos ao conjunto.

Ação - 122 min - 2006 - Dê sua opinião abaixo.

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