sexta-feira, 13 de setembro de 2013

SEXTA-FEIRA 13 (2009)

NOTA 4,5

Tentativa de resgatar um dos
ícones do cinema dos anos 80
soa frustrante, não agradando fãs
antigos e tampouco novas plateias
Falar que é apaixonado por cinema, mas simplesmente dedicar atenção apenas aos filmes lançamentos é um dos maiores pecados daqueles que desejam a alcunha de cinéfilo de carteirinha. Para fazer uma análise mais profunda de qualquer filme, mesmo os mais recentes, é preciso se informar sobre seus bastidores, tentar descobrir o que levou produtores a investir em determinado produto. São inúmeros fatores que influenciam nessa decisão e quanto as refilmagens, embora sempre previamente massacradas pela crítica, não se pode negar que elas têm histórias curiosas por trás das câmeras para serem contadas. Nesses casos talvez a melhor maneira para apreciá-las seja esquecer a contemporaneidade e imaginar o que aquele filme significou em sua época de lançamento original. Só assim (e com muito esforço) para encontrar alguma graça em Sexta-Feira 13 lançado em 2009, produção que para alguns é uma refilmagem, para outros mais um capítulo da série de terror oitentista ou ainda para as novas gerações um filme de horror carregado de novidades. Sim, para alguns o formato é um tanto desgastado, mas há quem tenha visto algo novo neste trabalho do diretor Marcus Nispel, o mesmo que relançou O Massacre da Serra Elétrica em 2003 em grande estilo. Pena que nesta reinvenção de outro clássico do terror o cineasta erre em diversos pontos resumindo-se a um festival de clichês. Para entender o porquê de tentarem resgatar a franquia vamos a um breve histórico da obra. O filme original foi lançado em 1980, está longe de ser uma obra-prima do gênero, mas serviu para saciar a sede de sangue e masoquismo dos fãs de Halloween, do cultuado John Carpenter, lançado dois anos antes. Começava assim a moda dos slasher movies ou dos filmes sobre seriais killers, assassinos psicopatas que por onde passavam deixavam dezenas de vítimas. O sucesso foi enorme e com a invenção dos videocassetes e das videolocadoras o gênero estourou, pois o que era proibido para menores de idade nos cinemas ou só passava na TV tarde da noite então estava disponível para qualquer um e a qualquer hora. Bastava fazer amizade ou ter lábia para falar com o atendente da loja que os adolescentes faziam a festa e assim o personagem Jason Vorhees, que morreu afogado ainda criança, mas retornou do além já bem crescido e fortão para matar quem estivesse na sua frente, tornou-se popular e protagonizou outros nove longas-metragens, fora seu retorno pelas mãos de Nispel. Olhando toda sua saga cinematográfica, é possível perceber que o famoso assassino do acampamento de Crystal Lake não surgiu por acaso. Provavelmente já se pensava em continuações, talvez uma trilogia. No primeiro filme era a mãe de Jason quem tinha o instinto assassino, sendo que apenas no segundo ele toma o posto de vilão propriamente dito usando um saco para esconder seu rosto deformado. A icônica e amedrontadora máscara de hóquei só foi incorporada ao personagem no terceiro capítulo.

Um é pouco. Dois é bom. Três é demais, mas neste caso era até tolerado um quarto capítulo, mas mais que isso não. A série acabou virando motivo de piada de tanto que ressuscitaram Jason, sempre uma desculpa para um show de carnificina que não agregava nada a proposta inicial. O vilão imortal chegou até a protagonizar um filme no espaço e a encarar um aguardado duelo com Freddy Krueger, o slasher de A Hora do Pesadelo, seu rival em termos de popularidade e em contabilidade de assassinatos. A essa altura até os produtores já viam o personagem com ironia, mas felizmente o produto Michael Bay, que tem se especializado em refilmagens de terror, surgiu disposto a resgatar a sua imagem original fazendo novamente pareceria com Nispel. O problema é que praticamente tudo o que eles acertaram na volta de Leatherface e sua temível serra elétrica eles deixaram de lado neste segundo trabalho. A trama roteirizada por Damian Shannon e Mark Swift, todavia, começa de forma interessante. Em um rápido prólogo ficamos conhecendo as origens do instinto assassino de Jason. Em 13 de junho de 1980, por descuidos dos monitores de um acampamento de férias, o garoto teria se afogado em um lago e sua mãe, Pamela (Nana Viritor), enlouquecida se vinga matando todos os funcionários do local, ou melhor, quase todos. A última monitora sobreviveu ao massacre e matou a assassina. Porém, Jason não havia morrido. Conseguiu sair da água, se escondeu e viu a própria mãe tendo a cabeça decepada e desde então assumiu a missão de exterminar todos aqueles que se aproximassem de Crystal Lake. Depois, já no presente, vemos um grupo de jovens indo acampar no tal lugar em busca de maconha fácil e fazendo piadinhas e especulações sobre a lenda do massacre. Logo um a um começa a ser vitimado. A ação do longa começa propriamente dita quando uma segunda turma de jovens vai passar um fim de semana por lá e encontram no meio do caminho Clay (Jared Padalecki) que está em busca de respostas para o desaparecimento da irmã que estava no outro grupo de desmiolados. A primeira meia hora desses personagens em cena é torturante. O roteiro procura apresentar um pouco da personalidade de cada um a fim de mais a frente o espectador se comover com suas mortes, porém, quanto mais os conhecemos maior se torna a nossa vontade de ver Jason os esfaqueando sem dó. Todos são estereótipos de tipos comuns em produções como esta. Temos o cara arrogante, a garota bondosa, o herói fortinho, o drogado babaca, a piranha, o irritante rapper descolado e o nerd metido a sabichão. Todos são vazios, sem nada a dizer, tanto que os diálogos que travam são de revirar o estômago de tão ruins. E o que dizer das cenas de sexo que alguns deles protagonizam? Marca registrada da série, há muito tempo elas não eram vistas em filmes de terror de forma tão escancarada, medida tomada para baixar a classificação indicativa, mas não é o caso aqui. Nispel capricha para flagrar as moças de peitos de fora e fazendo caras e bocas. Para os mais jovens a pegação no matagal pode ser vista como uma grande novidade ao gênero, mas nada que os façam esquecer que o prato principal são as mortes. Quanto mais bem elaboradas e em maior número melhor.

Quando reviveu os assassinatos na base da serra elétrica, Nispel acertou por investir em um grupo de jovens levemente mais interessantes e criou mortes mais mirabolantes, além de obter uma atmosfera claustrofóbica filmando boa parte das cenas sob um sol escaldante e cenário desértico. Neste seu segundo projeto de refilmagem ele peca por realizar mortes desinteressantes e manter boa parte das cenas sob uma escuridão exagerada, tanto que talvez a sequência de morte mais marcante seja um duplo assassinato que é realizado no lago durante o dia. As demais acompanhamos com aborrecimento ou munidos de um binóculo para conseguir ver detalhadamente. Contudo, vale a ressalva as menções que são feitas a algumas cenas de assassinatos clássicas da série, lembrando que o vilão é criativo e usa as mais diversas formas, objetos e munições para matar. O ator Derek Mears é quem dá vida ao novo Jason. A dúvida é saber se sobrará alguém para contar história, afinal de contas o assassino está mais cruel e esperto do que nunca. Grandalhão e forte, alguns takes conseguem passar a aura sobrenatural do personagem, aquela imagem estarrecedora que tanto assustava antigamente, mas logo o encantamento passa. Criação original de Victor Miller, o personagem outrora era enigmático, rígido e parecia paralisar suas vítimas com seu andar calmo e postura desafiadora. Por mais que elas corressem para fugir, era batata que mais cedo ou mais tarde seriam capturadas e não reagiriam. Na nova versão ele está mais astuto, corre quase como um maratonista, prepara armadilhas e até se tornou adepto de sessões de tortura, além de viver embates físicos com algumas vítimas lutando de igual para igual. Foi uma forma de adaptar o vilão aos novos tempos. O quê de sobrenatural deste slasher desapareceu. Antes ele era como uma alma penada que vagava pela região em que morreu matando aqueles que invadiam seu território, mas agora ele é um personagem mais realista. Sobreviveu a um acidente e a um trauma com a mãe que o deixaram com sequelas físicas e mentais e viveu isolado do mundo aperfeiçoando suas habilidades para rastrear e abordar possíveis intrusos. Até um esquema para matar ele parece seguir. Suas primeiras vítimas são sempre os que perturbam a paz local e de certa forma mais suscetíveis a serem pegos de surpresa, afinal estão doidões a base de drogas ou álcool ou completamente entregues aos prazeres carnais. Por último ficam as pessoas do bem, obviamente o protagonista Clay que pode ou não conseguir sobreviver. Tudo é possível. Mesmo procurando trazer a aura original a tona, esta tentativa de renovar a franquia Sexta-Feira 13 resume-se a uma decepção que não agrada nem aos fãs dos longas antigos tampouco conquista novas gerações. Falta ritmo, personagens fortes, brilho e criatividade. Até a típica empolgação de saber quem será o próximo a morrer e como tal desfecho se dará não surte efeito. Melhor recorrer aos dez primeiro filmes de Jason. Até o quarto prepare-se para roer as unhas e suar de medo. Do quinto ao oitavo relaxe, nada mais te surpreenderá. Quanto aos dois últimos, prepare-se para gargalhar. Por fim, em caso de insônia, recorra a esta refilmagem ou reinício da série, seja lá o que for esta produção.

Terror - 97 min - 2009

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