sábado, 30 de novembro de 2013

O CONDOMÍNIO

Nota 2,0 Suspense entrega seus segredos logo de cara, assim tornando-se uma opção tediosa

Um antigo e sombrio edifício pode ser o palco perfeito para histórias de horror e suspense e o cinema já deu inúmeras provas disso contando histórias de arrepiar envolvendo assombrações clamando por ajuda, espíritos demoníacos impiedosos e assassinos malucos ou que agem por pura maldade. O suspense O Condomínio aposta em uma morte misteriosa como pontapé inicial, mas o enredo procura seguir uma linha mais policial, assim oferecendo a oportunidade do espectador participar da ação recolhendo pistas para chegar ao autor do crime. Será mesmo? A trama escrita por Alberto Sciamma e Harriet Sand nos apresenta à Leonard Grey (James Caan), o zelador de um antigo condomínio há mais de trinta anos. Ele está lá desde que a ranzinza Lily Melnik (Geneviéve Bujold) comprou o edifício e mandou reformá-lo por completo. Desde um simples cano até o papel de parede do hall de entrada, tudo foi escolhido e colocado pelo próprio Grey. Apesar de tanto anos de serviços prestados e mesmo com o peso da idade, o zelador não abandona sua rotina de cuidados com o prédio, mas não leva uma vida muito agitada. Seu metódico cotidiano muda drasticamente quando um dos moradores é encontrado morto dentro de uma lixeira e todos os que moram ou trabalham no local se tornam suspeitos. Grey, aos poucos, começa a descobrir estranhos objetos que podem ter ligações com o crime escondidos sob o piso de um dos andares. Além disso, este homem sofre de um sonambulismo que apaga totalmente a sua memória, o que o leva a suspeitar que ele próprio possa ser o assassino, ainda que tenha agido de forma inconsciente. Para piorar tudo, Grey não tem uma boa relação com Lily e ainda se envolve com a sedutora Donna Cherry (Jennifer Tilly), cujo marido Bill (Peter Keleghan) é justamente o morador assassinado.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

COLHEITA MALDITA

NOTA 8,0

Marco do terror da década de
1980, obra envelheceu e hoje não
é tão impactante, mas ainda causa
arrepios com seu clima desolador
O nome de Stephen King atrelado a alguma produção de cinema automaticamente já traz certo prestígio ao projeto. Famoso por seus contos de terror, mas também se arriscando com sucesso no campo dos dramas, o autor tem uma legião de fãs tanto na literatura quanto na área cinematográfica. Entre os anos 70 e 80, ainda em início de carreiro, King viu trabalhos baseados em suas obras conquistarem crítica, público e figurarem em premiações, até mesmo no Oscar. É dessa safra que faz parte Colheita Maldita, considerado um clássico do terror por muitos. É certo que hoje em dia a produção não é tão impactante quanto foi no passado, mas envelheceu bem, não há muitos sinais evidentes de que o tempo passou, aliás, a imagem envelhecida é até um fator positivo neste caso. Baseado no conto “As Crianças do Milharal”, título original também do filme, o próprio King tratou de rascunhar um roteiro, mas ele foi descartado prevalecendo um escrito por George Goldsmith no qual a violência era mais presente e a estrutura narrativa mais convencional. Burt (Peter Norton) e Vicky (Linda Hamilton) estão atravessando de carro uma estrada deserta quando são surpreendidos por um garoto que acabam atropelando acidentalmente, porém, a criança já estava praticamente morta por estar com o pescoço com um corte profundo. O casal parte para a cidade mais próxima em busca de ajuda, mas quando chegam a Gatlin encontram um ambiente estranho e aparentemente abandonado. A introdução apresenta ao espectador um pouco do histórico macabro do vilarejo. A economia local baseia-se na agricultura, principalmente no cultivo de milho, mas certa vez a colheita foi péssima e a população passou a se apegar na fé para tentar garantir uma boa safra da próxima vez. Eis que surge um misterioso menino pregador, Isaac Chroner (John Franklin), que leva todas as crianças para um milharal para falar sobre as profecias de um demônio dos milharais chamado “Aquele Que Anda Por Detrás das Fileiras”. Isaac, através de seu tenente Malachai (Courtney Gains), lidera uma revolução infantil na cidade e todos os adultos são mortos brutalmente. Nos anos seguintes, tais atos passaram a ser praticados sobre o pretexto de serem sacrifícios necessários para uma boa colheita.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

EU QUERIA TER A SUA VIDA

NOTA 5,0

Troca de corpos de trintões
tenta dar um gás a tema
batido, mas desliza ao
optar por um humor chulo
Dizem que na televisão nada se cria tudo se copia, mas tal ditado anda caindo como uma luva também para o cinema. O tema troca de corpos já foi aplicado há inúmeras comédias no melhor estilo sessão da tarde e nos últimos anos com a escassez de idéias parece que produtores e diretores encontraram na fórmula batida uma maneira de sobreviver. O mote de duas pessoas insatisfeitas que trocam de corpos, ou melhor, de personalidade em um passe de mágica e que assim passam a dar mais valor ao seu próprio modo de viver e compreender o do outro já rendeu até mesmo em terras brasileiras. Se Eu Fosse Você e sua continuação não fizeram mais nada que adaptar um conteúdo cinematográfico tipicamente hollywoodiano para algo mais próximo da nossa realidade e os resultados foram fantásticos talvez pelo ineditismo da iniciativa pela raquítica indústria de cinema local que busca enfrentar gigantes nas bilheterias. As situações embaraçosas provocadas pelo desconhecimento das intimidades e a adaptação ao cotidiano do verdadeiro eu no corpo de outro rendem geralmente bons momentos, mas dificilmente surpreendem. Todos sabem que tal experiência transformará as pessoas que a vivenciaram em alguém bem melhor capaz de ficar feliz com as imperfeições de sua vida e a respeitar o modo como o outro segue sua trajetória, por mais que os meios sejam os mais depreciáveis possíveis. Quanto maior o contraste entre as personalidades a serem trocadas mais fértil deve se tornar a idéia de fazer humor através dos choques das diferenças. Em Eu Queria Ter a Sua Vida o diretor David Dobkin, de Penetras Bons de Bico, arriscou requentar a premissa, mas achou que buscando um humor mais adulto no estilo de Se Beber Não Case, dos roteiristas Jon Lucas e Scott Moore, os mesmos que assinam o texto deste projeto, conseguiria fazer um filme que se destacasse em meio a tantas produções semelhantes, porém, acabou realizando um trabalho irregular que tem alguns bons momentos, mas no geral mais constrange do que diverte. Parece que a intenção maior era parodiar esse tipo de produção que explora os conflitos de personalidade e caráter quando se está literalmente na pele de outro, mas roteiristas e diretor foram preguiçosos e exageraram na dose de escatologia e apelo sexual.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

O MENINO DO PIJAMA LISTRADO

NOTA 9,5

Ainda que aposte na fórmula
batida da guerra vista pelo
olhar inocente infantil, longa
é digno e emocionante
Os horrores da guerra vistos através do olhar inocente das crianças é algo comum no cinema. São vários os exemplos de filmes que emocionaram o mundo com essa fórmula, mas aparentemente as obras que misturam tempos difíceis com o universo infantil passaram a não ser bem vistas pela crítica que as consideram produções manipuladoras feitas sob medida para levarem os espectadores ao choro fácil, recheadas de clichês e que não acrescentam nada de novo em relação a tantos outros títulos que se dedicam a falar sobre guerrilhas. Ser piegas é um grande problema no mundo do cinema e mesmo quando um filme não termina com um “felizes para sempre” não escapa de ser criticado negativamente de abusar dos clichês em sua narrativa. É curioso observar a repulsa que sofreu O Menino do Pijama Listrado quando estreou. O diretor e roteirista Mark Herman, de Hope Springs – Um Lugar Para Sonhar, adaptou o best-seller homônimo de John Boyne com o desafio de equilibrar a emoção e a crueldade contidas nas páginas do livro e conseguiu um resultado para partir os corações até dos mais insensíveis e deve ser neste objetivo que encontramos as explicações para seu relativo fracasso nas bilheterias. Para o espectador de fim de semana, sair do cinema entristecido é coisa para metidos a intelectual e estes, por sua vez, colocam expectativas demais em cima das adaptações literárias e geralmente se decepcionam. É sempre bom lembrar que quando lemos um livro criamos a nossa própria visão da história em nossa mente, mas quando os escritos se tornam imagens reais estamos acompanhando a versão sonhada por um diretor que também não realiza tudo da forma como deseja tendo que adequar seu projeto a questões de orçamento, publicidade, produção entre outras coisas. Todavia, Herman concluiu um belo trabalho que ainda muitos precisam tomar coragem para encarar e outros devem rever para esclarecer certos pontos. A Segunda Guerra Mundial é sem dúvida um dos períodos históricos mais explorados pelo cinema e já é bastante batida a idéia de mostrar os horrores da época através do olhar infantil. Por outro lado, o recurso ainda funciona com boa parte dos espectadores, tanto é que este filme se deu muito melhor com o passar dos anos e sua popularização foi feita na base do boca-a-boca que, inevitavelmente, trata de revelar a amarga conclusão que serve para aguçar ou esfriar os ânimos dos curiosos. No fundo, esta revisitação do conflito Holocausto versus infância, crueldade versus inocência guarda pontos semelhantes ao mundialmente famoso A Vida é Bela, colocando um garoto no centro da narrativa que não faz idéia das atrocidades que ocorrem à sua volta e acredita que quase tudo na vida se resume a brincadeiras.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

ATRAÇÃO PERIGOSA

NOTA 8,0

Ben Affleck surpreende
dirigindo e escrevendo uma
história de fundo dramático

e com pinta de filme de ação
Alguns artistas precisam a cada novo trabalho provar do que são capazes e até mesmo tentar apagar erros do passado. Matar um leão por dia, ou melhor, por filme. Esse deve ser o lema de muitos atores, entre eles Ben Affleck, um profissional competente, mas que ainda muito jovem viu todos os holofotes voltados para si ao ganhar um Oscar pelo roteiro de Gênio Indomável que escreveu em parceria com Matt Damon. Ambos atuaram neste longa e foram muito elogiados, mas depois trilharam caminhos opostos. Enquanto um viu sua carreira crescer a largos passos o outro se viu em meio a tropeços profissionais e também na vida pessoal. Depois de muitas críticas negativas em longas de ação e comédias, um conturbado romance na vida real com a atriz e cantora Jennifer Lopez, o então ex-astro promissor viu seus caminhos clarearem com uma elogiada atuação no drama Hollywoodland - Bastidores da Fama, o que certamente lhe deu fôlego para novos desafios. O homem que vemos em Atração Perigosa já é reflexo dessa injeção de ânimo. E não é só o protagonista que surpreende, mas também o profissional que se encontra atrás das câmeras. Dirigindo e atuando neste drama camuflado de ação, Affleck mostra que conhece cinema e apresenta um filme de excelente qualidade e bem acima da média. O que poderia ser um thriller qualquer cheio de perseguições, tiroteios e palavrões foi transformado em uma história envolvente e que faz o espectador torcer para que o vilão se de bem. Isso mesmo, que o vilão se bem. Ele interpreta Doug MacRay, um rapaz com habilidades para planejar assaltos e que lidera um grupo de ladrões de bancos que sempre consegue sair impune dos seus crimes. Um dia, ao realizar um assalto, seu parceiro Jem (Jeremy Renner) leva uma refém por precaução. Ela é Claire Keesey (Rebecca Hall), subgerente do banco, solta próximo a uma praia algum tempo depois. O fato traumatiza a moça, deixando-a com medo e receosa, mas para os bandidos o crime também os deixou em maus lençóis. Jem descobre que Claire mora a apenas quatro quarteirões do refúgio do bando, tornando-se uma ameaça. Doug fica encarregado de vigiá-la, mas, após uma conversa ocasional, inicia um relacionamento com ela. Agora, ele tem a chance de mudar de vida e se redimir de seus crimes, mas Jem o pressiona para continuar a roubar, pois Doug tem uma dívida de gratidão com ele.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

MARIA CHEIA DE GRAÇA

NOTA 8,0

Diretor estreante mostra
competência ao lidar com
tema polêmico e crítico
em obra um tanto realista
Geralmente os filmes mais badalados em festivais mundo a fora contam com artifícios comerciais que não explicam muito a respeito dos seus conteúdos. Título e material visual (pôster ou capa do DVD) são itens que podem determinar a escolha de um espectador, mas nem sempre as equipes de criação ou publicitária são felizes. Ainda bem que há gente inteligente nesse meio que consegue ainda casar a idéia do produto perfeitamente com o título e aquela imagem que deve se eternizar como marca da produção. Um exemplo digno de palmas é Maria Cheia de Graça. Sozinho parece uma menção a uma obra religiosa, mas quando o atrelamos a imagem de uma jovem de cabeça erguida como se fosse receber uma hóstia a coisa muda de figura completamente. Recebendo na realidade uma cápsula de tamanho considerável e recheada de drogas, tal imagem é a síntese perfeita do enredo deste filme assinado pelo estreante Joshua Marston, uma ousadia que causou frisson e até chocou algumas pessoas. Muitos consideram tal campanha de marketing uma heresia sem tamanho, mas não há como negar o impacto que causa. E a propaganda não é gratuita, pelo contrário, é muito contundente. É justamente através do trabalho ilícito de transportar drogas dentro do corpo que a protagonista Maria Alvarez, interpretada pela hispânica Catalina Sandino Moreno, indicada ao Oscar e vencedora do Urso de Prata em Berlim, buscará a redenção. Ela é uma jovem de 17 anos que trabalha em uma região campestre da Colômbia retirando espinhos e folhas de rosas. Como a região basicamente vive do cultivo de plantas, não há muitas esperanças de mudar de vida, mas mesmo assim ela pede demissão cansada de ser maltratada pelo patrão. Para tomar tal decisão repentina ela não levou em consideração que era com seu salário que sua família sobrevivia e a situação se complica ao se descobrir grávida de Juan (Wilson Guerrero), um rapaz que não ama e que mal conhece.

domingo, 24 de novembro de 2013

AMOR OU AMIZADE

Nota 1,5 Sem história para contar, romance parece só existir para promover um jovem ator 

O nome Freddie Prinze Jr. hoje não agrega muito a publicidade de um filme, mas já teve seus tempos áureos. Boa pinta e carismático, o ator é lembrado pelo cabelo platinado usado quando interpretou Fred nos dois primeiros filmes live action de Scooby-Doo e sua turma, mas o auge de sua carreira ocorreu um pouco antes disso. O sucesso do terror Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado tornou o jovem muito popular entre os adolescentes, principalmente entre as meninas, muitas delas que elegiam suas produções como os filmes de suas vidas. Os enredos pouco importavam, a peça-chave era o galãzinho. Entre 1999 e 2001 o rapaz estrelou uma série de comédias românticas e ganhou contrato de exclusividade com a produtora Miramax, então o berço das fitas independentes e acumuladora de algumas dezenas de troféus do Oscar e tantas outras premiações. A empresa não levou Prinze às badaladas festas do cinema e ironicamente até ajudou a estagnar sua carreira ao se valer da máxima de que em time que está ganhando não se mexe. Em Amor ou Amizade o rapaz vivia pela enésima vez consecutiva o mesmo tipo de personagem com mínimas variações e conflitos tão rasos quanto um pires, mas como o próprio defendia, seus filmes abordavam temáticas relevantes ao público-alvo. Eram filmes feitos por adolescentes para adolescentes, ainda que o ator já estivesse longe da puberdade. Ok, em tempos de comédias que exaltam a liberdade sexual e os vícios como algo inerente a juventude, caem bem historinhas carregadas de ingenuidade com um certo quê de nostalgia, porém, é preciso certo estopo para segurar um roteiro minimamente. Prinze dá vida a Ryan, o típico bom moço, estudioso e cheio de convenções que nutre uma forte amizade por Jennifer (Claire Forlani), garota com perfil completamente oposto ao seu, liberal, extrovertida e que curte a vida intensamente. Eles se conheceram na fase inicial da adolescência durante uma viagem de avião, mas se estranharam logo de cara. Anos mais tarde se reencontraram no colégio, ainda trocando algumas farpas, mas o destino parecia forçar uma aproximação de qualquer jeito. Embora fazendo cursos diferentes, seus caminhos se cruzaram novamente na faculdade e agora mais maduros finalmente conseguem consolidar uma relação de amizade, mas até que ponto ela iria? Ryan namorava com Amy (Amanda Detmer), a melhor amiga de Jennifer que a partir de então faz as vezes de ombro amigo aconselhando-o a viver novas experiências tal qual ela própria fazia respeitando seu jeito desprendido de levar a vida.

sábado, 23 de novembro de 2013

VENOM

Nota 3,0 Mais um serial killer indestrutível e repetitivo tenta inaugurar franquia de terror

Entre os anos de 1970 e 1980 ao menos três filmes de terror fizeram estrondoso sucesso apoiando-se nas enigmáticas e arrepiantes figuras de seus protagonistas psicóticos. Michael Myers, Jason Voorhees e Freddy Krueger, respectivamente de Halloween, Sexta-Feira 13 e A Hora do Pesadelo, acabaram entrando com tudo na cultura pop de todo o mundo, mas suas continuações repetitivas e com declínio em termos de qualidade, além das centenas de produções genéricas que pegaram carona na moda dos slashers, acabaram esgotando a fórmula. Nas décadas seguintes muitos tentaram lançar um novo serial killer que fizesse tanto sucesso quanto seus antecessores, mas apenas o assassino da série Pânico teve êxito, ainda que não tenha escapado da derrocada também pela falta de originalidade de seus capítulos seguintes. Entre as várias tentativas de uma nova franquia de terror, muitos títulos caíram imediatamente no esquecimento como é o caso de Venom. Não! Um dos inimigos do Homem-Aranha não ganhou seu filme-solo, esta é apenas uma infeliz coincidência. A história é o basicão de sempre. Um grupo de adolescentes que temos vontade de trucidar com nossas próprias mãos, tamanha a empatia que se estabelece, passa a ser perseguido por um assassino implacável. Ele é Ray Sawyer (Rick Cramer), caminhoneiro que se envolve em um acidente fatal com a Sra. Emmie (Deborah Duke), mulher misteriosa conhecida por lidar com rituais de vodu. No momento da tragédia ela trazia uma maleta que guardava serpentes com dons sobrenaturais que caem em um pântano junto com o corpo do rapaz que é picado por elas e imediatamente volta à vida, porém, com uma força descomunal e parecendo imune a qualquer tipo de ameaça. Ray agora carrega a maldade de dezenas de pessoas exorcizadas em rituais de magia negra e como uma máquina de matar não pensará duas vezes quando alguém cruzar seu caminho.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

PLANETA DOS MACACOS (2001)

NOTA 9,5

Refilmagem de clássica
ficção é divertida, tem bom
ritmo e conta com uma
parte técnica impecável
Fazer um remake de um filme de sucesso e cultuado é uma tarefa de muita responsabilidade e praticamente é como mexer em um vespeiro. Uma coisa fora do lugar ou alguma liberdade de criação e pronto, ferroadas não faltarão. Tim Burton sentiu na pele o peso da crítica ao reinventar a seu modo um clássico da década de 1960 que mexeu com a cabeça do mundo todo. Planeta dos Macacos é até hoje um marco do cinema que mistura ficção científica e aventura em uma trama reflexiva onde os papeis se invertem: os primatas tomam o lugar dos humanos e estes, por sua vez, é que passam a ser escravizados e tratados como animais. Na era contemporânea, Leo Davidson (Mark Wahlberg) é um piloto que treina chimpanzés para vôos em uma estação espacial. Em um dos treinamentos, um deles se perde e o rapaz resolve ir procurá-lo. O problema é que essas viagens no tempo feitas em meio a tempestades eletromagnéticas são traiçoeiras. Após sofrer um acidente na espaçonave em que estava, Leo chega a um lugar estranho e primitivo, como se estivesse nos primórdios da humanidade, mas logo ele encontra os habitantes da região e se depara com uma inversão de posições. Essa terra é habitada por macacos e gorilas extremamente inteligentes e racionais que escravizam os humanos que lutam para sobreviver à tirania dos primatas. Capturado por Limbo (Paul Giamatti), um traficante de humanos, Leo é entregue ao cruel general Thade (Tim Roth) que o aprisiona para usá-lo como serviçal, mas o rapaz logo se torna uma séria ameaça à soberania dos poderosos do local e arquiteta um plano para conseguir fugir com um grupo de humanos. Para tanto contará com a ajuda da primata de bom coração Ari (Helena Bonham Carter), mas terá que enfrentar a ira de Thade e seus comparsas, como o seu braço direito Attar (Michael Clarke Duncan).

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

DE CORPO E ALMA

NOTA 7,0

Robert Altman documenta
a preparação de um
espetáculo de dança com
olhar distanciado
Anos antes de uma obra em preto-e-branco, francesa e muda ganhar o Oscar de Melhor Filme em pleno século 21 e bem antes também do público mais elitizado se interessar em assistir óperas em sessões especiais em cinemas de shopping que pareciam fadados a sobreviver da demanda em busca de produções com efeitos especiais de última geração, já tinham cineastas interessados em inovar e lançar produtos pouco convencionais. Alguns construíram suas carreiras em cima de projetos alternativos, seja para sacudir o mercado ou puramente para satisfazerem desejos pessoais, mas em ambos os casos a certeza é uma só: prestígio pode ser atrelado à ousadia, mas fortuna é algo bem distante. O cultuado e saudoso Robert Altman já tinha uma carreira consolidada quando resolveu se arriscar a dirigir De Corpo e Alma, uma obra muito difícil de classificar em gênero específico. A bailarina Ry (Neve Campbell) está vivendo intensamente a rotina de ensaios de balé para um grande espetáculo que a companhia de dança a qual pertence está organizando. O ambiente deveria exalar alegria já que o evento é muito aguardado por todos os alunos, mas na realidade o clima é uma mistura de melancolia e ansiedade, isso porque a disputa pelos papéis nas diversas sequências de dança, em geral contemporâneas, está muito acirrada. Os professores exigem o máximo de dedicação dos candidatos e o mínimo deslize pode significar sua ausência no espetáculo ou o mesmo ser relegado a uma participação sem destaque. Todos são observados com muita atenção pelo diretor e líder da companhia, Alberto Antonelli (Malcolm MacDowell), mais conhecido como Sr. A. Querendo muito agradá-lo e ter um grande destaque no espetáculo, Ry se esforça o máximo que pode, mas durante o processo de seleção ela se apaixona por Josh (James Franco), uma distração que pode atrapalhá-la neste momento que pode ser crucial em sua profissão. Pensando no dilema que a protagonista vive, a vida profissional ser mais importante que a pessoal, pode parecer que estamos diante de um pré Cisne Negro. Até que podem ser feitas comparações entre as duas obras, mas certamente a de Altman parecerá bem mais modesta, porém, esta afirmação não deve ser encarada como algo depreciativo. Simplicidade e realismo eram justamente os objetivos do diretor que se cercou de bailarinos de verdade e utilizou sua câmera de forma livre e onipresente para seguir os passos dos dançarinos durante os ensaios e também acompanhar um pouco de suas vidas íntimas, mas as histórias dessas pessoas não chegam a ser desenvolvidas de forma satisfatória. Até os atores mais conhecidos aparecem despercebidos praticamente, quase como figurantes, já que Neve e Franco vivem um relacionamento frio que não consegue envolver o espectador.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

AMIZADE COLORIDA

NOTA 8,0

Comédia começa as avessas
e até de forma arriscada,
mas trata de voltar atrás e
honrar as leis do gênero 
A liberdade e as possibilidades que a juventude propicia sempre foram muito exploradas pelo cinema investindo principalmente no lado sexual da situação, o que acabou sendo confundido com libertinagem e resultando em pérolas como American Pie e uma porção de títulos estrelados por Ashton Kutcher e contemporâneos. Os atores e o público-alvo crescem e assim os estilos de filmes precisam ser reciclados também. Hoje homens e mulheres quarentões já estão bem representados nas comédias cuja faixa etária dos protagonistas é de meia-idade e conquistam espectadores de variadas épocas. Agora os “novos jovens maduros”, aquela turma que já passou dos 25 anos, mas ainda está um pouquinho longe dos 40, quer se ver representada. Eles em geral (pelo menos no cinema) são pessoas com um bom emprego, moram sozinhas, vão a festas frequentemente e estão abertos a relacionamentos rápidos, até mesmo de poucas horas, mas o curto tempo para se conhecerem não os impede de ir aos finalmentes.  Em 2011, Kutcher estrelou ao lado de Natalie Portman Sexo sem Compromisso, que deixa no título de forma escancarada as intenções dos protagonistas. De um jeito mais sutil (só no título) meses depois surgiu Amizade Colorida que traz Mila Kunis e Justin Timberlake encabeçando o elenco. Coincidência ou não, as duas atrizes atuaram em Cisne Negro e escolheram projetos com temas semelhantes para aliviarem a tensão do trabalho anterior e nas duas propostas o relacionamento liberal do início abre lugar para o moralismo do meio para o final. Neste caso, a introdução aparentemente vende a idéia de que vamos assistir a um daqueles filmes em que o casalzinho briga o tempo todo e no final se acerta. O final é esse mesmo (todos sabemos o que esperar na conclusão de uma comédia romântica), mas o que importa é como chegar a esse final feliz e nisso o roteirista e diretor Will Gluck é bem esperto desde a primeira cena. Responsável pelo sucesso teen A Mentira, parece que ele está se especializando em histórias cujos protagonistas tem comportamentos fora dos padrões e até mesmo surreais, mas consegue fazer com que eles cativem o espectador.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

INCENDIÁRIO

NOTA 7,0

Michelle Williams praticamente
carrega nas costas drama cuja
premissa soa estranha, mas que de
fato incendeia nossos pensamentos
Existem filmes que se iniciam de forma desinteressante e pouco cativante. Muitos espectadores têm o hábito de assistir alguns poucos minutos de uma produção e se não gostam da introdução não seguem adiante. O estilo de filmagem, o roteiro, o visual, as interpretações e a temática são alguns dos entraves que podem surgir na comunicação entre o filme e o público, mas algumas obras, ou talvez a maioria, que começam mal podem surpreender com o desenvolvimento da narrativa. Esse é o caso de Incendiário, um produto cujo título e premissa não soam como muito interessantes. Uma jovem mãe (Michelle Williams), cujo nome não é revelado, aparentemente vive feliz ao lado do marido, o policial Lenny (Nicholas Gleaves), e do filho (Sidney Johnston), também sem nome mencionado, porém, ela sente falta de amor no relacionamento com seu parceiro. Praticamente vivendo como amigos, o que indica que talvez a união entre eles foi forçada devido a uma gravidez inesperada, a mulher se sente instigada a conhecer um homem que avista pela janela entrando no prédio a frente do seu acompanhado de uma garota. Ele é Jasper Black (Ewan McGregor), um jornalista que gosta da fama de conquistador que tem. Propositalmente, certa noite a jovem vai até um bar em que o rapaz está e ele, obviamente, vê a chance de mais um nome figurar em sua lista de amores rápidos. Eles começam a ter encontros cada vez mais tórridos até que um dia são surpreendidos ao verem na TV ao vivo a explosão de um estádio esportivo enquanto mantinham relações. Era um ataque terrorista que vitimou o marido e o filho da adúltera que tinham ido assistir a um jogo de futebol por insistência dela. A partir de então ela está fadada a carregar, além da dor, a culpa de perder sua família por causa de uma atitude extremamente questionável sua.  

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

DESVENTURAS EM SÉRIE

NOTA 10,0

Junção de enredos de três
livros infanto-juvenis resulta
em excelente filmes que mescla
comédia e suspense com perfeição
Existem estilos de filmes que marcam determinadas épocas e sem dúvida a primeira década do século 21 foi marcada pelo gênero fantasia e adaptações de uma literatura que dificilmente cai no gosto dos críticos especializados, mas encontra as atenções que merece por quem realmente importa: o público. Os longas acerca de circunstâncias fantasiosas e oníricas bombaram nos anos 80, como A História Sem Fim e A Princesa Prometida, e em pleno início do século 21 eles continuam com tudo tendo como suporte a literatura. Visando lucrar não só no escurinho do cinema e com a venda de mídias domésticas, mas também com bugigangas e produtos alimentícios, por exemplo, muitas produtoras e estúdios bancaram as adaptações de livros que não raramente caíram no gosto popular, porém, nem todos os filmes representantes dessa corrente foram sucesso ou alguns precisaram da ajuda do tempo para consolidar-se. Desventuras em Série é um título de destaque desta safra, ainda que sua publicidade não tenha tido o alicerce de um conglomerado extra de produtos como mochilas e lancheiras para garantir sua longínqua vida. Contudo, até hoje ele permanece vivo na memória de quem o viu e aguçando a vontade de novos espectadores simplesmente com sua história deliciosa e criativa que mescla fantasia, humor e suspense em doses generosas para agradar crianças e adultos. Baseado na série de livros “A Series of Unfortunate Events”, de Lemony Snicket (pseudônimo de Daniel Handler), o longa conta a história dos irmãos Baudelaire, Klaus (Liam Aiken), Violet (Emily Browning) e Sunny (Kara e Shelby Hoffman, gêmeas que se alternaram nas filmagens), que repentinamente recebem a notícia de que seus pais morreram em um incêndio. Como são menores de idade eles não podem herdar a fortuna da família até que Violet, a mais velha dos três, completar a maioridade. Enquanto isso, eles devem ficar sob a tutela de algum parente. Assim, as crianças são levadas pelo Sr. Poe (Timothy Spall), um amigo da família, para morar com o Conde Olaf (Jim Carrey), um parente distante, muito ganancioso e esquisito, que deseja tomar a fortuna deles. Para isso, ele não medirá esforços para se livrar do trio. Começa assim a peregrinação das crianças em busca de uma vida digna de casa em casa de parentes excêntricos e desconhecidos, mas sempre com Olaf por perto preparando alguma armadilha afinal se nenhuma das crianças existissem um outro parente poderia usufruir do benefício legalmente.

domingo, 17 de novembro de 2013

FORÇAS DO DESTINO

Nota 2,0 Carisma de atriz e beleza de astro não são suficientes para segurar fita sem história

Sempre que algum artista se destaca é batata que os produtores vão tentar sugar ao máximo desse sucesso e exposição, assim é comum observarmos algumas filmografias e identificarmos o auge de certos astros e estrelas, um ou mais períodos em que dominaram a cena. Como uma andorinha só não faz verão, muitos projetos visivelmente foram concebidos focados na união de intérpretes em evidência, mas as vezes o alvo que era para ser certeiro acaba sendo um tremendo tiro no pé. Forças do Destino é um bom exemplo. Simplesmente não enxergamos outro motivo para sua existência senão a vontade dos envolvidos em fazer grana fácil em cima da publicidade do primeiro (e se Deus quiser único filme para todo o sempre) encontro de Sandra Bullock e Ben Affleck. Ainda colhendo frutos do blockbuster de ação Velocidade Máxima, na época comemorando seu quinto aniversário, a atriz até então não havia estrelado nenhum outro fenômeno, mas seu nome por si só já garantia o aval para alguns filmes serem produzidos. Já o ator estava se habituando com a fama repentina conquistada após o Oscar como roteirista pelo drama Gênio Indomável e pela superexposição de ter protagonizado a aventura apocalíptica Armageddon. Ambos bem na fita, reuni-los em uma produção com pegada romântica era sucesso na certa, mas o fato é que a diretora Bronwen Hughes, da comédia-familiar A Pequena Espiã, confiou demais no poder de fogo da dupla e aparentemente os deixou livre para fazerem o que quisessem durante as filmagens. Divirtam-se! Façam aquilo que sabem ou gostam! Pelo menos é essa a sensação que temos ao ver um trabalho que não se define entre a comédia, o romance, a aventura, o drama ou se assume sua aura de pornô-soft. O resultado parece um clipe publicitário para os protagonistas venderem sorrisos de um branco reluzente e exibirem suas boas formas com uma ou duas cenas mais sensuais. Affleck interpreta o publicitário Ben Holmes (os problemas já começam por esta originalidade), um jovem a caminho de sua cidade natal e que faltando pouco mais de um dia para seu casamento se vê em meio a um turbilhão de emoções. Complicações durante a viagem de avião o forçam a seguir viagem por terra e o destino coloca em seu caminho a maluquinha Sarah, mais uma personagem de bem com a vida e desapegada para o currículo de Bullock. 

sábado, 16 de novembro de 2013

MARÉ DE SANGUE

Nota 1,0 Com início ruim, longa naufraga e nem as cenas violências e de gore o fazem reagir

Um material publicitário bem feito pode ser a salvação para um filme de baixo orçamento ressaltando suas qualidades implícitas ou ser a desgraça do espectador que acaba comprando gato por lebre. Nesta segunda opção se encaixa Maré de Sangue que só pelo fato de não ter passado nos cinemas e ser do gênero de terror já gera desconfianças de que bomba vem por aí. Dito e feito. O que parecia ser um filme épico sobre piratas sanguinários ou uma história de fantasmas passada em alto-mar no fim se resume a uma fraca trama envolvendo assassinos masoquistas e jovens cujo comportamento depravado e irritante nos faz torcer por suas mortes o mais breve possível. A história gira em torno de um grupo de amigos que buscam sarna para se coçar indo pescar no meio do nada e curtir um fim de semana no barco do playboyzinho Trailor (Jason Mewes). A trupe só quer saber de festa, bebidas e sacanagem e se empolga ainda mais quando a pescaria começa a render literalmente peixões, mas nem desconfiam que o misterioso capitão Belvin Lee Smith (Richard Riehle) está oferecendo a eles um tipo de isca muito especial, mais cara e eficiente que as comuns: carne humana. Não demora muito para a embarcação apresentar problemas e deixar os jovens à deriva, mas logo um outro barco surge e seus tripulantes oferecem ajuda quando na verdade estão pescando facilmente suas novas vítimas. Smith faz parte deste bando que sequestra, estupra e mutila em alto-mar, mas dificilmente algum espectador estará disposto a torcer para que alguém sobreviva ao massacre. Escrito e dirigido por Matt L. Lockhart, a produção começa com sinais de que do início ao fim a grande diversão será contar os seus erros, a começar pela ridícula abertura que já entrega o ouro mostrando uma garota sendo caçada por um dos bandidos, cena sem um pingo de tensão, mas risos garantidos com a atuação forçada da moça.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

ED WOOD

NOTA 10,0

Longa homenageia um
verdadeiro entusiasta do
cinema que não media
esforços para viver da arte
Tim Burton é uma grife do cinema. Seu nome é sinônimo de criatividade e excentricidade e praticamente todos os seus filmes são conhecidos nos mínimos detalhes pela maior parte de seus fãs, mas um título muito curioso e especial em sua trajetória é pouco conhecido pelo público, mas aclamado pela crítica. Ed Wood é uma verdadeira homenagem ao cinema a partir da retrospectiva de parte da biografia pessoal e profissional do cineasta que dá título a esta obra baseada nos registros do escritor Rudolph Grey. Conhecido como o pior diretor de cinema de todos os tempos, curiosamente sua estranha filmografia foi reconhecida devidamente algum tempo depois após a sua morte. Johnny Depp interpreta de forma vigorosa Edward D. Wood JR., um jovem sonhador e entusiasmado que sonhava em ser famoso fazendo filmes e para tanto não media esforços. Dirigia, produzia e até atuava, mas sempre acabava se decepcionando com as recusas de ajuda de investidores ou até mesmo com os estúdios que não queriam distribuir suas produções ou colaborar com novos projetos. O motivo para tal depreciação é o fato de que seus filmes eram toscos visualmente e com argumentos pouco convencionais ou explorados de maneira superficial, porém, boa vontade nunca lhe faltou. Até mesmo aceitou filmar uma produção erótica sonhando em fazer dela uma obra-prima que marcasse época e fosse além da expectativa do público mostrando o lado dramático e psicológico que afeta um travesti. Foi com Glen ou Glenda que Wood tomou coragem para assumir que embora fosse heterossexual adorava se vestir com roupas femininas desde criança, fato que estremeceu sua relação com a namorada Dolores Fuller (Sarah Jessica Parker). É nesta época também que ele estreita laços de amizade com seu ídolo, o ator Bela Lugosi (Martin Landau). Pouco antes da década de 1940 ele era um grande astro graças as clássicas fitas de horror lançadas pela Universal, mas sua carreira entrou em declínio e ele se entregou ao vício da morfina. A força da amizade com o jovem diretor tratou de resgatar em partes sua vontade de viver, mas era comum que seu nome fosse ouvido com espanto já que a maioria pensava que ela havia falecido há tempos.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

ESPOSA DE MENTIRINHA

NOTA 7,0

Jennifer Aniston e Adam
Sandler se unem em
comédia em que mais uma
vez repetem papéis
Falta de opção ou puro comodismo? O que ainda prende Adam Sandler e Jennifer Aniston às comédias bobinhas e sempre repetindo o mesmo papel? Ambos já estão na estrada há um bom tempo e construíram suas carreiras pautados pelo humor e raramente experimentaram algum outro gênero. Tudo bem, até pouco tempo atrás eles conseguiam convencer em papéis repetitivos em histórias idem, mas o tempo passa e hoje as coisas já não são bem assim. Os dois já não estão se adaptando muito bem a personagens que aparentam ter menos idade que seus intérpretes. O que vemos em cena são dois adultos de corpo com mentalidade e atitudes de adolescentes acéfalos. Bem essa é a forma crítica de enxergar os dois astros atualmente, mas analisando com os olhos de espectador de fim de semana e compreendendo que a comédia Esposa de Mentirinha é declaradamente debochada, ai até que as caricaturas que eles representam funcionam, embora se torne chato sabermos o que vamos encontrar em um filme estrelado por eles cujo roteiro também não podemos esperar nada de inovador. Desta vez Sandler interpreta Danny Maccabee, um cirurgião plástico com seus trinta e poucos anos que adora paquerar (que novidade!) e que costuma usar a desculpa de ser casado para se livrar das moças logo depois que passa a noite com elas. A tática vai por água abaixo quando ele finalmente descobre a mulher certa para ser sua esposa, a bela Palmer (Brooklyn Decker). O rapaz então diz que está em meio a um divórcio e consegue engatar um namoro, mas ela faz questão de conhecer a ex-mulher de seu pretendente. Danny então recorre a sua eficiente assistente Katherine (Jennifer) para que ela faça tal papel, mas ela acaba incorporando demais o personagem e até coloca seus filhos, Maggie (Bailee Madison) e Michael (Griffin Gluck), no meio da história, estes que aproveitam as chantagens e trocas de favores para exigirem do médico uma viagem para o Havaí. Em um paraíso tropical onde o clima de romance poderia reinar, o que se encontra são confusões e disputas, principalmente por causa da presença de Devlin Adams (Nicole Kidman), ex-amiga de Katherine que faz de tudo para se mostrar superior.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

TERROR EM AMITYVILLE

NOTA 6,0

Apesar de contar com argumento
impactante terror pouco causa
sustos, preferindo sugestionar o
medo, mas narrativa é bem frágil
Filmes sobre casas assombradas existem aos montes, mas poucos resistem a ação do tempo. Terror em Amityville é um dos poucos títulos do tipo que ainda permeiam a memória de alguns fãs de terror. Nos tempos do VHS conhecido como Amityville – A Cidade do Horror, o longa dos anos 70 ainda exerce certo fascínio devido ao relativo sucesso da refilmagem lançada em 2005, Horror em Amityville, e também pelo fato de ser inspirado em uma impactante tragédia real envolvendo ocultismo. Localizada em Long Island nos EUA, a história desta casa ficou mundialmente famosa na época e foi perpetuada com o passar dos anos. O roteiro é baseado no best seller homônimo de Jay Arson, que contava relatos supostamente reais de experiências assustadoras vividas por uma família que ousou morar na mesma residência onde um ano antes, em 13 de novembro de 1974, Ronald Defeo Jr. matou a sangue frio os pais e os irmãos alegando ter agido guiado por vozes misteriosas. O livro frequentou as listas dos mais vendidos e aterrorizou vários leitores durante muito tempo, assim obviamente chamou a atenção de produtores de cinema que buscavam um candidato para duelar com o sucesso de O Exorcista que continuava imbatível. O roteiro de Sandor Stern capta a essência da obra literária, no entanto, adiciona diversas modificações ou invenções para torná-lo mais aterrorizante. Os créditos iniciais ilustrados pela fachada da casa com duas grandes janelas no alto refletindo luzes vermelhas já enfatizam que o local possui forças demoníacas, algo comprovado logo em seguida mostrando os assassinatos dos Defeo rotulados como um fatídico episódio. Alguns meses depois, embalados pela felicidade da recente união, Kathy (Margot Kidder) e George Lutz (James Brolin) se entusiasmam em comprar a tal residência oferecida por uma pechincha, mesmo sabendo das mortes que ocorreram por lá. Com três enteados pequenos para criar, o marido acredita que outro casarão tão espaçoso como esse e a um preço tão baixo não conseguiriam encontrar e, acima de tudo, construções não tem memória, o que passou entre aquelas paredes em nada iria interferir a rotina feliz dos novos moradores. Ledo engano. A própria corretora mostra-se incomodada com a atmosfera do lugar que parecia já acumular má fama, tanto que o Padre Malone (Rod Steiger) surge para abençoar o recinto. Sem querer atrapalhar um momento de diversão dos Lutz, o religioso, que já era aguardado, entra de mansinho na casa, prepara seu material de benção, mas rapidamente passa a ser afrontado por vozes sinistras que pedem sua saída e é atacado por insetos que o fazem adoecer gravemente.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

UMA BABÁ QUASE PERFEITA

NOTA 9,0

Robin Williams rouba a
cena se disfarçando de uma
simpática senhora em
comédia que marcou época
Existem filmes que foram concebidos para serem automaticamente clássicos para entreter toda a família e marcarem época. Alguns não marcam apenas por causa de uma história bem contada que agrada crianças e adultos, mas os personagens bem construídos e críveis também extrapolam os limites da tela e invadem a mente dos espectadores. Quando a criação é alegórica, ou seja, não aparece de cara limpa e precisa de figurinos e maquiagens especiais para ganhar vida, o sucesso é ainda maior. Na década de 1990 tivemos muitos personagens marcantes no cinema como o Batman, o Máskara e os membros da família Addams, mas uma simpática senhora idosa se transformou no sonho que muitas famílias desejavam ter em suas casas. Prendada, organizada, ótima para lidar na cozinha e defensora das boas maneiras, a senhora Euphegenia Doubtfire, uma babá muito experiente, poderia fazer a alegria de muitos pais, mas tirar o sossego de seus filhos exigindo horários fixos de estudo, para ver TV e ir para a cama dormir. Para compensar a rotina rígida, ela também sabia recompensar os pequenos com alguns momentos de lazer inusitados como passeios de bicicletas e jogos de futebol. Enfim, uma profissional exemplar e que sabe conquistar a todos com sua simpatia e bom humor. Seu único problema é que ela não é mulher e sim um homem travestido. O responsável por esta criação tão verossímil e longe de ser caricatural é Robin Williams vivendo um dos papéis mais significativos de sua carreira. Embora sua veia cômica já tivesse sido testada e aprovada em vários outros trabalhos, foi com Uma Babá Quase Perfeita que o ator virou ídolo do público infantil. A sintonia com essa platéia se deve muito também a experiência do diretor Chris Columbus, um especialista em obras açucaradas e com apelo familiar como os dois primeiros títulos da série Esqueceram de Mim, e que aqui se baseou no livro infantil britânico "Alias Madame Doubtfire", de Anne Fine, para criar um marco do cinema, embora sempre exista um crítico chato para tachar a obra negativamente e desvalorizá-la sem levar em consideração os objetivos do longa e o seu público-alvo.
 

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

ARISTOGATAS

NOTA 8,5

Animação ainda preserva
a ingenuidade, as cores
e traços suaves que são
marcas do passado Disney
Desde Branca de Neve e os Sete Anões os estúdios Disney se transformaram no Midas do mundo do cinema e tudo que lançavam imediatamente se tornava sucesso. O status da empresa só foi balançado no final dos anos 90 quando as animações computadorizadas se tornaram populares e novos estúdios passaram a investir no filão dos desenhos. Não é bem assim. Muitas das produções da casa do Mickey Mouse que hoje consideramos clássicas tiveram problemas de aceitação por parte da crítica e até mesmo do público quando estrearam, sendo que só tiveram seus valores reconhecidos anos mais tarde com a popularização das fitas VHS. Um dos períodos mais críticos para todos os envolvidos nesse mundo mágico certamente foi o final dos anos 60 até meados da década de 1980, época em que a empresa sobreviveu pouco do cinema e mais da TV com séries animadas e telefilmes. Dessa safra faz parte Aristogatas, animação envolvendo uma família de felinos vivendo forçosamente uma aventura. Nos anos 30, na França, madame Adelaide Bonfamille, uma excêntrica milionária, resolve fazer um testamento para beneficiar sua gata de estimação Duquesa e seus filhotes, Marie, Berlioz e Toulouse. Porém, após a morte dos bichanos, toda a fortuna seria repassada a Edgar, o mordomo da casa e única companhia humana da velha senhora. Sabendo disso por um acaso, ele resolve apressar as coisas e arma um plano para desaparecer com os gatinhos. Após dopá-los, ele os leva para um lugar afastado, mas seu plano é atrapalhado pelos zelosos cães Napoleon e Lafayette. Perdidos no meio do mato, os gatos tem a sorte de encontrarem um esperto felino, Thomas O´Malley, e seus amigos. Acostumados com a vida de malandragem das ruas, essa trupe irá ajudar seus semelhantes de fino trato a voltarem para casa e confrontar o malvado mordomo. 

domingo, 10 de novembro de 2013

SIMPLESMENTE IRRESISTÍVEL

Nota 0,5 Romance afunda pelo excesso de açúcar e exageros e não envolve em momento algum

O cinema não tem o poder de transmitir cheiros e tampouco sabores, mas o mundo das cozinhas é uma grande fonte de inspiração, principalmente para histórias românticas. O problema é que alguma delas levam a sério a alcunha de água-com-açúcar e exageram na sacarose como é o caso do esquecido (e com razão) Simplesmente Irresistível, inadvertidamente comparado por alguns com o famoso, premiado e infinitamente superior romance mexicano Como Água Para Chocolate. Este filme na verdade é talhado para agradar adolescentes na idade de acreditar em paixão à primeira vista e usado como veículo para alavancar a carreira de Sarah Michelle Gellar na época em alta com o sucesso do seriado de TV “Buffy – A Caça Vampiros” e dos filmes Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado e Segundas Intenções, este que parecia ser um divisor de águas em sua carreira. Tentaram fazer a atriz se tornar uma nova queridinha da América da noite para o dia, mas na verdade sua trajetória prova que lhe faltou orientação para seguir em frente e certamente o açucarado romance em questão ajudou e muito a degringolar as coisas. Gellar interpreta Amanda Shelton, uma jovem que herdou um pequeno restaurante da mãe, mas não o seu talento para a culinária. Ela tentou pôr a mão na massa literalmente, mas a clientela pouco a pouco foi sumindo e assim ela teria que encerrar as atividades, mas de repente ganha uma ajuda vinda dos céus e estranhamente manifestada na forma de um caranguejo mágico que consegue em uma feira. No mesmo instante ela conhece Tom Barlett (Sean Patrick Flanery), um jovem produtor de eventos que está prestes a inaugurar um restaurante para o empresário Jonathan Bendel (Dylan Baker), este que quer assegurar que seu empreendimento tenha pelo menos uma cotação de quatro estrelas pelos críticos gastronômicos. O tal crustáceo já começa a mexer seus dedinhos, ou melhor, suas patinhas, e faz com que surja uma atração instantânea entre os dois, mas reserva outras surpresas para Amanda.

sábado, 9 de novembro de 2013

MISTÉRIO DA RUA 7

Nota 2,0 Explorando o medo do escuro e do fim do mundo, longa é enfadonho e sem rumo

O medo do escuro é uma das fontes de inspiração mais comuns do cinema de terror e suspense, geralmente uma temática explorada associada a sensação de claustrofobia para intensificar a tensão emocional e psicológica, seja em espaço literalmente reduzido ou em ambientações amplas, mas que com a falta de luz aparentam ser restritas. E se a escuridão assolasse toda uma cidade? Pior ainda, e se fosse um sinal derradeiro do fim do mundo? Mistério da Rua 7, fraquinha produção assinada pelo diretor Brad Anderson, tenta adicionar algo novo à batida discussão da proximidade da extinção da humanidade, mas não vai além do esperado. Talvez até dê um passo para trás em relação a outros filmes com temática semelhante simplesmente porque da mesma forma estranha que se inicia também se dá seu encerramento. Um apagão faz desaparecer misteriosamente toda a população de Detroit, nos EUA, e apenas as roupas que usavam sobram abandonadas assim como seus carros, lares, enfim, o local se transforma em uma cidade fantasma marcada por rastros da passagem de seres humanos. A cada dia que passa ao estranho fenômeno, o Sol nasce um pouco mais tarde e se põe mais cedo também até que desaparece de vez cedendo lugar ao breu total. No entanto, algumas poucas pessoas conseguem sobreviver e curiosamente todas elas têm em comum o fato de terem ao seu redor algum tipo de fonte de luz. No momento do apagão, o projecionista de cinema Paul (John Leguizamo) estava trabalhando; Rosemary (Thandie Newton) fumava um cigarro em frente a um hospital onde supostamente bate o ponto como enfermeira; o jovem repórter de TV Luke (Hayden Christensen) aproveitava uma noite de amor à luz de velas; e, por fim, o adolescente James (Jacob Latimore) se encontrava em um bar com gerador próprio. Os espectadores do multiplex sumiram de uma hora para a outra, assim como os médicos e pacientes da unidade hospitalar, com exceção de um homem que desperta da anestesia e percebe que o deixaram com o peito aberto na sala de cirurgia com risco eminente de morte. O garoto percebe que a mãe também o abandonou sem mais nem menos enquanto o jornalista... bem, ele só se deu conta do que aconteceu na manhã seguinte a sua noitada.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

A HORA DO ESPANTO (2011)

NOTA 7,0

Refilmagem procura manter
o clima obscuro e o tom de
humor da obra original, mas
efeitos especiais prejudicam
Em uma época em que o produto filme é tratado praticamente como um lixo até mesmo por aqueles que se dizem cinéfilos de carteirinha ou pode ser comparado a uma refeição de restaurante fast food que tem tempo cronometrado de validade e, diga-se passagem, uma vida útil bem curta, recorrer aos remakes infelizmente parece ser a única maneira de fazer com que as novas gerações conheçam produções de sucesso do passado. Os produtores de cinema, até pela falta de bons roteiros no mercado, acabam recorrendo ao túnel do tempo em busca de enredos que marcaram época acreditando que com um título famoso em mãos o sucesso é garantido, mas é certo que nas comparações entre o original e a refilmagem o precursor geralmente sai ganhando e a nova versão passa a ser alvo de críticas negativas afinal o primeiro é novidade, o que vem depois é mais do mesmo. O público provavelmente já devia estar cansado de decepções com remakes e por isso não deu muita bola para a segunda versão de A Hora do Espanto, clássico de terror dos anos 80 que conseguiu se destacar em meio a tantas produções sanguinolentas da época justamente por causar impacto nas plateias muito mais por sugestionar o medo do que o escancarando por completo. Nem mesmo a publicidade que a refilmagem chegaria aos cinemas em versão 3D fez o público se entusiasmar a sair de casa, tanto que no Brasil o longa teve uma passagem relâmpago e vergonhosa pelas salas de exibição e nem mesmo em solo americano fez barulho. Será que as pessoas já estavam calejadas de remakes duvidosos ou felizmente perceberam que os efeitos tridimensionais é apenas uma trucagem dos estúdios para roubar alguns trocados a mais de seus bolsos? Bem, realmente os efeitos em três dimensões neste caso são péssimos e nas versões comuns acabam estragando sequências inteiras pelo toque de artificialidade que conferem a elas. Por outro lado, é uma pena que alguns até hoje não tenham visto a recriação de Craig Gillespie, cineasta que despontou com a comédia dramática A Garota Ideal. Sua versão para este marco do terror não é tão boa quanto a original, mas passa longe de ser uma decepção total simplesmente porque ele tinha consciência de que este trabalho não poderia almejar ser mais do que o original foi: um delicioso “terrir”. Assim o diretor combinou diversão e tensão em doses generosas, uma mistura que parece que o cinema de horror descartou hoje em dia, mas precisou abrir mão do teor sexual que continha no primeiro filme afinal foi uma das empresas do grupo Disney que financiou o projeto. Todavia, ainda assim a obra não é açucarada, pelo contrário, conta com um delicioso clima sedutor sem precisar exibir nudez ou cenas constrangedoras. Além disso o tom de suspense foi mantido graças ao empenho da equipe cenográfica e de fotografia que capricharam para manter uma aura de mistério a cada novo take.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

UM AMOR JOVEM

NOTA 7,0

O ator Ethan Hawke prova
que tem talento para a
direção e escrita em drama
sobre amor da juventude
O mercado cinematográfico no mundo todo parece ter um pouco de medo em investir em produções cujos idealizadores sejam atores. Kevin Costner e Mel Gibson tiveram sorte e chegaram a conquistar os Oscars de Melhor Filme e Melhor Diretor, mas da mesma forma rápida que chegaram ao ápice em uma profissão que não era a principal deles, também chegaram ao fundo do poço. O autoritarismo e a megalomania de ambos atrás das câmeras, o que gera muitos conflitos de bastidores, certamente influenciam no medo que grandes empresas têm de se envolverem na produção de filmes escritos e/ou dirigidos por atores. Fora estes casos atípicos, são vários os intérpretes que já assumiram as rédeas do roteiro e da câmera e que tiveram seus trabalhos exibidos de forma modesta ou praticamente nula. Uma pena. Geralmente esses filmes são bastante interessantes e mereciam um pouco mais de atenção. A situação é ainda pior quando o ator que pretende testar outras áreas não tem seu talento reconhecido à frente das câmeras como é o caso de Ethan Hawke. Considerado um intérprete de talento limitado, seus únicos trabalhos de grande repercussão são Antes do Amanhecer e Antes do Pôr-do-Sol, ambos estrelados e roteirizados por ele próprio em parceria com a atriz Julie Delpy. Será mesmo que ele é um nome qualquer no mundo do cinema? Não é o que ele prova com Um Amor Jovem, drama repleto de elementos autobiográficos o qual ele dirigiu, roteirizou e ainda assumiu um papel pequeno na trama, mas de grande importância para a história do protagonista. Adaptado do livro “The Hottest State” publicado pelo próprio Hawke em 1997, o longa é um daqueles títulos praticamente desconhecidos e que você fica com um pé atrás, mas que pode te surpreender e garantir uma boa sessão de cinema. Pena que a obra teve pouquíssima repercussão em sua terra natal e no Brasil seu lançamento foi feito por uma empresa modesta e especializada em filmes alternativos e participantes de festivais, assim só mesmo chamando a atenção dos ratos de locadora que adoram garimpar tesouros e novidades entre as prateleiras.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

COWBOYS E ALIENS

NOTA 3,0

Idéia original desperdiçada
por roteiro confuso poderia
render uma nova franquia
de sucesso, mas decepciona
Hollywood está sempre em busca de alguma novidade para sacudir o mercado, seja um novo viés para um gênero batido ou uma história que possa se tornar uma franquia de sucesso e garantir o sustento de alguns estúdios e produtoras durante alguns anos ou quem sabe até por tempo indeterminado. Melhor ainda quando estas duas possibilidades podem ser reunidas em um único projeto e talvez foi nessa onda que o diretor Jon Fraveau embarcou quando decidiu conduzir Cowboys e Aliens, um longa que no mínimo podemos tachá-lo como criativo e que tem toda a pinta que poderia vir a se tornar uma série cinematográfica marcante. Ficamos com tal impressão até que iniciamos o filme, mas dificilmente não caímos do cavalo quando vemos a realização da idéia. Após o estrondoso sucesso de Homem de Ferro, o diretor procurou inovar e gerar ramificações para o gênero de aventura. Assim, ele teve a idéia de unir passado e futuro em um mesmo longa, uma mistura inusitada de dois gêneros ficcionais totalmente opostos. A ficção faz parte do cinema há muitos anos, mas ainda soa como algo futurista e as pessoas sonham com o dia em que poderão ver de perto naves espaciais e os enigmáticos extraterrestres. Por outro lado, o western marcou o cinema entre as décadas de 1940 e 1960 e hoje em dia é raro surgir um bom filme de homens com hábitos rudimentares, montados em seus cavalos e empunhando suas armas intimando seus inimigos para um duelo onde só um pode sobreviver. A idéia de alienígenas em meio a um cenário de bang-bang é até interessante, mas na prática não funciona. Ao menos neste caso não rolou. Baseada em uma série de quadrinhos homônima que, segundo boatos, nem havia sido lançada quando as filmagens começaram, a narrativa mantém um ritmo irregular e arrastado, ora com momentos cansativos e ora apostando em explosões e efeitos especiais manjados para acordar o espectador. A criatividade da premissa contrasta com os lugares comuns que as situações apresentadas sugerem, além de que o enredo não é lá muito cativante. 

terça-feira, 5 de novembro de 2013

SEXO SEM COMPROMISSO

NOTA 7,5

Premissa indica que esta
comédia sairá do lugar
comum do gênero, mas
diretor dá meia-volta
As comédias românticas são produzidas com foco em público certo que gosta de ver as mesmas histórias com apenas algumas sutis diferenças. Casal se conhece por acaso, se apaixona, uma pedra surge no meio do caminho deles, mas no final o tradicional felizes para sempre tem que existir. Apesar de agradar as platéias femininas, o gênero comumente peca pelo machismo implícito, sendo a mulher quase sempre retratada como submissa ou infeliz e que só é capaz de encontrar a felicidade ao lado de um homem, este que provavelmente pintou e bordou o quanto pôde antes de se entregar a um relacionamento sério. Bem essa fórmula não funciona em Sexo Sem Compromisso ou pelo menos não completamente. O título aparentemente pode vender de forma errada o conteúdo do filme, dando a idéia de que este poderia ser um novo American Pie com adolescentes que só pensam em sexo e estudar que é bom nada. Bem, os protagonistas realmente são compulsivos sexuais, porém, estão longe da fase da adolescência, já são adultos que fazem o que bem entenderem de suas vidas. Adam (Ashton Kutcher) está sofrendo com a decepção de ter sido largado por Vanessa (Ophelia Lovibond), com quem namorou por oito meses. Para piorar a situação, descobre que ela é a nova namorada de seu pai, Alvin (Kevin Kline), um astro da TV das antigas. Desejando esquecê-la e seguir em frente, ele acaba se acostumando a sair com diversas garotas apenas por diversão, sem envolvimento emocional, mas tudo muda em uma noite de bebedeira. Quando acorda, ele está em um apartamento que não é o seu e descobre que quando não estava sóbrio se encontrou com Emma (Natalie Portman), uma jovem com quem se encontrou algumas vezes, mas há muitos anos. Durante a noite nada aconteceu entre eles, mas na manhã seguinte não conseguiram resistir. A moça quer o mesmo que ele, apenas sexo sem cobranças e assim eles marcam encontros constantes durante um bom tempo e em qualquer hora do dia ou da noite. Porém, a relação começa a mexer com os sentimentos de Adam, mas convencer Emma de que ela também está se apaixonando não será nada fácil. 

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

AS PATRICINHAS DE BEVERLY HILLS

NOTA 8,0

Comédia adolescente que
marcou a geração dos anos
90 envelhece bem e ainda
diverte novas gerações
Existem filmes que nascem com o simples intuito de agradar ao público juvenil, mas que acabam extrapolando os limites da faixa etária visada e até mesmo do tempo. O que poderia parecer uma produção bobinha para aproveitar uma mania passageira pode acabar surpreendendo e marcando época. Esse é o caso de As Patricinhas de Beverly Hills que faturou alto sem investir em alguma campanha de marketing pesada, apenas o boca-a-boca foi o bastante para fazer o longa cair no gosto popular instantaneamente. Lançado bem nos tempos do auge dos seriados de TV americanos para adolescentes no estilo “Barrados no Baile” e “Melrose”, esta comédia foi extremamente elogiada e tira sarro da vida dos jovens ricos ao mesmo tempo em que adiciona um pouco de humanidade e vulnerabilidade a estes personagens que vivem em um mundo de sonhos, ao menos para os olhos dos mais humildes que os enxergam como pessoas fúteis que medem o valor de alguém pelo seu poder aquisitivo. O tempo passou e tal pensamento não mudou, pelo contrário, as novas gerações só trataram de reforçar a cultura do status através das marcas famosas e produtos da moda. É nisso que se apega a protagonista desta comédia aparentemente exclusiva para platéias femininas, mas que também pode entreter os rapazes. Cher (Alicia Silverstone) vive uma realidade a parte na qual tudo tem seu preço e está ao seu alcance através de seu cheque ou cartão de crédito. Jovem, esperta, loura e milionária, mesmo não sendo ainda maior de idade ela já tem seu próprio carro e até um avançado programa de computador que escolhe cada uma de suas combinações de roupas. Apesar de parecer muito fútil, ela tem bom coração e gosta de fazer benfeitorias e é a própria quem dá as boas-vindas à nova aluna do colégio, Tai (Brittany Murphy), uma garota que pelo seu jeito e maneira de se vestir está fadada a viver excluída da vida social dos riquinhos, mas a patricinha lhe dá um banho de loja e ensina boas maneiras a nova amiga. Todo esse tempo dedicado aos outros é porque ela não tem mais nada para se preocupar na vida, a não ser ficar linda e bem vestida.  

domingo, 3 de novembro de 2013

JOGO DO AMOR

Nota 4,0 Bonitinho e esquecível, longa poderia render se investisse na crítica aos reality shows

Lançado em uma época em que qualquer bobagem tinha fôlego para gerar algum tipo de reality show, Jogo do Amor estava em sintonia com seu tempo, mas seu destino acabou sendo as prateleiras de locadoras e lojas de varejo e ainda de forma discretíssima. Nada mais justo para uma produção esquecível, preguiçosa e cujo objetivo principal aparentemente era fazer com que o ator Jason Priestley caísse no gosto popular. Famoso em meados da década de 1990 pela série de TV “Barrados no Baile”, o rapaz tentou cativar seu lugar no mundo do cinema, mas poucos projetos surgiram e o estereótipo de príncipe encantado das adolescentes continuou o perseguindo e consequentemente limitando sua carreira. Buscando se manter em evidência, o roteiro escrito por Chad Hodge parece fazer implicitamente uma sutil brincadeira com a situação do próprio ator. Priestley interpreta Ryan Banks, um jovem astro cujo comportamento rebelde está causando prejuízos à sua carreira que, diga-se de passagem, começou por acaso. Sempre atrás de baladas e garotas na companhia de seu inseparável amigo Todd Doherly (Bradley Cooper), certa noite o rapaz conhece uma produtora de elenco e afirmar ser ator era uma das maneiras que Banks tinha para conquistar mulheres. A brincadeira tornou-se séria e ele realmente se tornou um astro de sucesso e firmou parceria com Doherly para assessorar sua carreira, todavia, a fama repentina não durou muito e em menos de um ano seu prestígio caiu assustadoramente, mas seu fiel amigo está disposto a reverter a situação e ganha três meses do escritório que representa para concretizar uma guinada na carreira de seu cliente.

sábado, 2 de novembro de 2013

STAN HELSING

Nota 0,5 Sátira a filmes de terror limita-se a oferecer apenas erros e vergonhas de seus similares

Quando estreou o primeiro filme da série Todo Mundo em Pânico ninguém duvidava que muitos capítulos iriam vir a seguir afinal de contas material para satirizar jamais faltaria. O problema é que após o original perdeu-se o fio da meada (o mínimo que segurava as pontas) e os roteiros começaram a atirar para tudo quanto é lado sem chegar a lugar algum. Variando os gêneros a serem achincalhados, outros derivados dessa linha como Deu a Louca em Hollywood, Super-Herói- O Filme e Espartalhões mostraram esgotamento da fórmula logo em seus primeiros filmes, provando o oportunismo que os sustentam. A ideia basicamente é fazer alguns trocados tirando sarro de produções famosas, de preferência recentes para não exigir demais do cérebro do público-alvo dessas fitas. Vendo por esse lado, Stan Helsing tinha potencial para ir além, a começar pelo seu título que evoca a lendária figura de Van Helsing, o caçador de monstros. Stan (Steve Howey) poderia ser um descendente deste herói da antiguidade que em pleno século 21 deveria combater assombrações modernas oriundas do cinema como Freddy Krueger, Jason Vorhees e Michael Meyers, mas a vontade que temos é de que estes monstros não estejam de brincadeira e realmente trucidam o protagonista e sua turma de amigos. Depois eles mesmos poderiam se suicidar. São péssimos! Na noite de Halloween, esse babaca está a caminho de uma festa na companhia dos amigos Teddy (Kenan Thompson), Nadine (Diora Baird) e Mia (Desi Lydic), mas antes precisa fazer uma entrega para seu chefe em um lugar distante. Pegando um atalho, já sabemos que as coisas vão sair dos trilhos. O quarteto vai parar em um sombrio condomínio onde no passado funcionava uma produtora de filmes de terror, mas cujas atividades foram interrompidas por causa de um grave incêndio. Opa! Acidentes mal resolvidos, lugares assombrados, uma cidade que dá toque de recolher à meia-noite... até que o argumento tem potencial, mas tudo é desperdiçado pelo roteirista e diretor Bo Zenga que parece apenas querer brincar de alinhavar porcamente referências a filmes de terror, conseguindo risadas amarelas de alguns poucos que conseguem entender as piadas afinal quem não é fã de sangue e tripas deverá ficar boiando.

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