domingo, 24 de novembro de 2013

AMOR OU AMIZADE

Nota 1,5 Sem história para contar, romance parece só existir para promover um jovem ator 

O nome Freddie Prinze Jr. hoje não agrega muito a publicidade de um filme, mas já teve seus tempos áureos. Boa pinta e carismático, o ator é lembrado pelo cabelo platinado usado quando interpretou Fred nos dois primeiros filmes live action de Scooby-Doo e sua turma, mas o auge de sua carreira ocorreu um pouco antes disso. O sucesso do terror Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado tornou o jovem muito popular entre os adolescentes, principalmente entre as meninas, muitas delas que elegiam suas produções como os filmes de suas vidas. Os enredos pouco importavam, a peça-chave era o galãzinho. Entre 1999 e 2001 o rapaz estrelou uma série de comédias românticas e ganhou contrato de exclusividade com a produtora Miramax, então o berço das fitas independentes e acumuladora de algumas dezenas de troféus do Oscar e tantas outras premiações. A empresa não levou Prinze às badaladas festas do cinema e ironicamente até ajudou a estagnar sua carreira ao se valer da máxima de que em time que está ganhando não se mexe. Em Amor ou Amizade o rapaz vivia pela enésima vez consecutiva o mesmo tipo de personagem com mínimas variações e conflitos tão rasos quanto um pires, mas como o próprio defendia, seus filmes abordavam temáticas relevantes ao público-alvo. Eram filmes feitos por adolescentes para adolescentes, ainda que o ator já estivesse longe da puberdade. Ok, em tempos de comédias que exaltam a liberdade sexual e os vícios como algo inerente a juventude, caem bem historinhas carregadas de ingenuidade com um certo quê de nostalgia, porém, é preciso certo estopo para segurar um roteiro minimamente. Prinze dá vida a Ryan, o típico bom moço, estudioso e cheio de convenções que nutre uma forte amizade por Jennifer (Claire Forlani), garota com perfil completamente oposto ao seu, liberal, extrovertida e que curte a vida intensamente. Eles se conheceram na fase inicial da adolescência durante uma viagem de avião, mas se estranharam logo de cara. Anos mais tarde se reencontraram no colégio, ainda trocando algumas farpas, mas o destino parecia forçar uma aproximação de qualquer jeito. Embora fazendo cursos diferentes, seus caminhos se cruzaram novamente na faculdade e agora mais maduros finalmente conseguem consolidar uma relação de amizade, mas até que ponto ela iria? Ryan namorava com Amy (Amanda Detmer), a melhor amiga de Jennifer que a partir de então faz as vezes de ombro amigo aconselhando-o a viver novas experiências tal qual ela própria fazia respeitando seu jeito desprendido de levar a vida.

Aos poucos Jennifer vai deixando seus ficantes de lado e Ryan passa a ser sua companhia constante até que inevitavelmente certa noite acabam dividindo a mesma cama. E agora? Será que os sentimentos são os mesmos? Faltou um ponto de interrogação no título nacional para deixar mais enfática a razão deste filme existir, embora o roteiro de Andrew Miller não aprofunde o assunto da amizade que pode virar amor ou vice-versa, assim do início ao fim o estilo rasgadamente açucarado toma conta da fita. Até uma sequência remetendo aos tempos nostálgicos das discotecas é inserido para encher linguiça, com direito a marcação de passinhos e um banho de espuma tão popular nas baladinhas do fim da década de 1990. Para não errar a receita que já havia testado em Ela é Demais, hoje até que um título bem cotado, o diretor Robert Iscove repetiu a parceria com Prinze, no entanto, o jovem não era a primeira escolha, foi uma imposição do estúdio como já dito. Poderiam ter dado o papel para Jason Biggs que aqui surge como Hunter, melhor amigo do protagonista, que na época colhia os frutos de seu repentino sucesso em American Pie. Nem para ele seria um grande desafio. Meticuloso, sempre atento e com o ingrato vício de corrigir o modo de falar das pessoas, Ryan é apenas uma sutil variação do típico mocinho do gênero, equilibrando-se entre a introspecção e certa arrogância involuntária. Mesmo repetindo perfis, Prinze agarrou todas as possibilidades que lhe foram dadas, mas a falta de ousadia em suas escolhas acabou fazendo com que pouco a pouco o ator fosse se afastando do cinema. Casado com a atriz Sarah Michelle Gellar, também um ex-símbolo teen, priorizar sua vida pessoal é a desculpa habitual, mas certamente se fizesse um balanço na maturidade o ator veria que teve a carreira mal administrada. Poderia ter usufruído do peso de sua fama visando seu futuro e não de quem pagava seu cachê. Detalhe: perceberam que no fim o texto acabou girando em torno do ator e não do filme? Pois é, Amor ou Amizade é tão insípido que não há coisa boa ou ruim para falar. Simplesmente você o esquece enquanto ainda está assistindo.

Comédia Romântica - 93 min - 2000

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