sábado, 23 de novembro de 2013

VENOM

Nota 3,0 Mais um serial killer indestrutível e repetitivo tenta inaugurar franquia de terror

Entre os anos de 1970 e 1980 ao menos três filmes de terror fizeram estrondoso sucesso apoiando-se nas enigmáticas e arrepiantes figuras de seus protagonistas psicóticos. Michael Myers, Jason Voorhees e Freddy Krueger, respectivamente de Halloween, Sexta-Feira 13 e A Hora do Pesadelo, acabaram entrando com tudo na cultura pop de todo o mundo, mas suas continuações repetitivas e com declínio em termos de qualidade, além das centenas de produções genéricas que pegaram carona na moda dos slashers, acabaram esgotando a fórmula. Nas décadas seguintes muitos tentaram lançar um novo serial killer que fizesse tanto sucesso quanto seus antecessores, mas apenas o assassino da série Pânico teve êxito, ainda que não tenha escapado da derrocada também pela falta de originalidade de seus capítulos seguintes. Entre as várias tentativas de uma nova franquia de terror, muitos títulos caíram imediatamente no esquecimento como é o caso de Venom. Não! Um dos inimigos do Homem-Aranha não ganhou seu filme-solo, esta é apenas uma infeliz coincidência. A história é o basicão de sempre. Um grupo de adolescentes que temos vontade de trucidar com nossas próprias mãos, tamanha a empatia que se estabelece, passa a ser perseguido por um assassino implacável. Ele é Ray Sawyer (Rick Cramer), caminhoneiro que se envolve em um acidente fatal com a Sra. Emmie (Deborah Duke), mulher misteriosa conhecida por lidar com rituais de vodu. No momento da tragédia ela trazia uma maleta que guardava serpentes com dons sobrenaturais que caem em um pântano junto com o corpo do rapaz que é picado por elas e imediatamente volta à vida, porém, com uma força descomunal e parecendo imune a qualquer tipo de ameaça. Ray agora carrega a maldade de dezenas de pessoas exorcizadas em rituais de magia negra e como uma máquina de matar não pensará duas vezes quando alguém cruzar seu caminho.

Não há magia que salve o roteiro de Flint Dille, John Zuur e Brandon Boyce da mesmice. Três cabeças para pensar em uma trama que se resume as mesmas perseguições, gritarias e banhos de sangue que preenchem dez em cada dez filmes de seriais killers? O filme não traz novidade alguma e até repete erros de outras produções do tipo, como a fotografia excessivamente escura que esconde os momentos principais, ou seja, quando os adolescentes babacas são mutilados. O diretor Jim Gillespie, que se saiu muito melhor no comando de Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado, demonstra ter sangue frio e cria dolorosas e violentas cenas de assassinato, com destaque para uma jovem que perde a vida empalada num galho de uma árvore, um dos poucos takes bem registrados pela câmera. A trama de Venom é desenvolvida sem grandes momentos, mas vale um elogio pelo clima dark concebido, uma noite de horror que podia ir além, mas esbarra em bobagens como a crença de se refugiar na cabana da tal feiticeira acreditando que o local é protegido por magia. Nada que um arpão estilhaçando as vidraças não resolva para o vilão saciar sua sede de vingança. Tendo como arma principal um pé-de-cabra, mas sabendo manejar tantas outras e se aproveitar dos pontos de perigo dos cenários, o assassino em vida fora vítima de humilhações do grupo de jovens que persegue simplesmente por ser um tipo mais acanhado, um prato cheio para os descolados tripudiarem. A se todos os tímidos pudessem se vingar tão cruelmente... Epa! A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena. Literalmente é alimentado de veneno que nosso vilão ressurge do mundo dos mortos com seu porte físico e aspecto de arrepiar, mas é uma pena que sua odisseia seja igual a de tantos outros assassinos que são perfurados, baleados, extirpados e até queimados. Sofrem o diabo, porém, quando menos se espera voltam à cena indicando uma possível e desnecessária continuação. Felizmente nosso homem-cobra, desculpe o trocadilho, foi jogado para as cobras, mesmo com nomes de peso na produção como o de Kevin Williamson, roteirista que revitalizou o gênero de terror no final dos anos 90, e dos irmãos Bob e Harvey Weinstein, executivos alçados a padrinhos dos filmes de baixo orçamentos.  

Terror - 85 min - 2005

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