terça-feira, 31 de dezembro de 2013

MOULIN ROUGE - AMOR EM VERMELHO

NOTA 10,0

Longa ressuscita o gênero
musical em grande estilo,
apostando em história de amor
contada de maneira vibrante
Durante muitos anos os musicais foram sinônimos de cinema de primeira e marcaram uma fase de ouro de Hollywood. Em meados dos anos 60 o gênero começou a sua decadência sendo sucumbido por produções mais ousadas e realistas. Em tempos de guerras, ganância e luta pela liberdade e direitos, já não havia mais espaço para a magia do casamento da sétima arte com o mundo da música. Um ou outro musical como Cabaret ou Grease – Nos Tempos da Brilhantina conseguiu fazer sucesso e atravessar décadas sendo lembrado de forma ativa e indicado às novas gerações, mas definitivamente as produções do tipo pareciam fadadas ao ostracismo. Eis que em pleno início do novo século o mundo foi surpreendido com o lançamento de Moulin Rouge – Amor em Vermelho, um ousado e criativo projeto do diretor e roteirista Baz Luhrmann, antes responsável por uma versão mais moderninha de um conto clássico, Romeu + Julieta. Sua especialidade parece ser oferecer verdadeiros espetáculos visuais e sem medo de reinventar fórmulas. No caso ele reinventou os musicais e entregou ao público uma obra ímpar utilizando ao máximo os recursos sonoros e visuais a favor de sua narrativa, optando por toques sutis de computação gráfica e exaltando o lado artesanal de se fazer cinema. Tudo isso sem abrir mão de imprimir sua marca: o exagero, no bom sentido. A história começa na virada do século 19 para o 20 nos apresentando ao jovem Christian (Ewan McGregor), um escritor que está passando por um bloqueio criativo por perceber que nunca se apaixonou de verdade e assim não poderia jamais escrever sobre o amor de forma clara e sincera. Em Paris, no bairro boêmio de Montmartre, ele recebe o apoio do artista plástico Henri de Toulouse-Lautrec (John Leguizano) e de uma trupe de artistas que o ajudam a participar da vida social e cultural do local que giram em torno do famoso cabaré Moulin Rouge. Ao visitar o local, Christian se apaixona a primeira vista por Satine (Nicole Kidman), a grande estrela da casa de espetáculos, que na realidade é um bordel. Graças a um mal-entendido, os dois têm a chance de ficarem a sós por alguns minutos, tempo suficiente para que a moça correspondesse ao amor do rapaz, porém, ela já está prometida ao Duque de Monroth (Richard Roxburgh), que em troca do casamento promete transformá-la em uma grande atriz e o Moulin Rouge em um elegante teatro. Mesmo pressionada por Harold Zidler (Jim Broadbent), o ganancioso dono do cabaré, em comum acordo Satine e Christian decidem viver seu romance às escondidas, mas uma hora ela deverá escolher entre viver um amor verdadeiro ou realizar-se profissionalmente.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

FIM DOS DIAS

NOTA 2,5

Excessivamente longo e com tema
repetitivo, longa foi apenas mais uma
produção oportunista a explorar o medo do
fim do mundo às vésperas do novo milênio
O final do ano de 1999 foi atípico. um misto de entusiasmo e tensão pairava no ar em todos os cantos do planeta. A chegada do ano 2000, também confundida com a virada para o novo milênio que na verdade aconteceria somente no reveillon seguinte, era embalada por diversas teorias apocalípticas a respeito do fim do mundo e cientistas e especialistas em informática se preparavam para passar a ceia de plantão com o intuito de evitar o chamado bug do milênio, uma falha de alguns softwares que poderiam não atualizar a mudança de data corretamente e acabar retrocedendo o relógio no tempo trazendo graves problemas para alguns setores como, por exemplo, o financeiro que sofreria prejuízos com taxas de juros e prazos de cobranças absurdamente alterados. Para o pessoal de Hollywood pouco importava o impacto  no dia-a-dia das pessoas, o que estava em jogo era aproveitar o climão e soltar os demônios. Literalmente! E nem Arnold Schwarzenegger escapou dessa onda. Longe das telas desde o fracasso de Batman e Robin, o ator foi obrigado a ficar pouco mais de dois anos afastado do trabalho por conta de uma cirurgia cardíaca e seu retorno foi marcado pelo oportunismo. Autoexplicativo até no título, Fim dos Dias é uma colcha de retalhos e não deixa dúvidas quanto a razão de ter sido produzido. No final daquele ano muitas produções foram lançadas a toque de caixa explorando temáticas sobrenaturais, a maioria descaradamente reciclando porcamente o argumento do Diabo vindo à Terra para procriar. O longa dirigido por Peter Hayams, de Timecop - O Guardião do Futuro, bebe nessa fonte e não desperdiça nenhuma gota. Tudo que já se viu em outros filmes do tipo é reaproveitado. Schwarzenegger interpreta Jericho Cane, um ex-policial que após perder a esposa e filha em um assalto planejado perdeu totalmente a fé e agora vive depressivo e entregue ao vício em bebidas. O perfil é bastante manjado, mas dramático demais para o talento restrito do ator mais acostumado a lidar com armas do que com pessoas.

domingo, 29 de dezembro de 2013

AFINADO NO AMOR

Nota 7,0 Com história comum, longa se sustenta com carisma dos atores e ambientação nostálgica

A junção de dois astros populares entre adolescentes e conhecidos por transitarem bem pelo campo do humor só poderia resultar em uma coisa: sucesso! Esse era o objetivo da comédia romântica Afinado no Amor, mas o primeiro encontro entre Adam Sandler e Drew Barrymore não resultou no boom esperado, algo que só veio a acontecer cinco anos depois em Como Se Fosse a Primeira Vez. O grande charme da produção é ambientar a trama em meados da década de 1980, assim dando ênfase aos hábitos culturais, trilha sonora e breguice da moda de uma época que deixou saudades. O astro da comédia, que então já levava multidões aos cinemas nos EUA, mas curiosamente seus filmes não pegavam em outros países, aqui vive Robbie Hart, o vocalista de uma banda que ganha seus trocados animando festas de casamento. Por ironia do destino ele levou um fora da noiva justamente no dia em que iam subir ao altar. Deprimido, ele já não consegue mais se concentrar no trabalho e seu desânimo por pouco não estraga o tão sonhado dia de muitos casais. Todavia, em uma dessas festas ele conhece Julia Sullivan (Barrymore), uma garçonete simpática e divertida por quem se apaixona imediatamente, mas em um primeiro momento prefere manter-se distante. O problema é que ela já é noiva de Glen Gulia (Matthew Glave), um cara egoísta, detestável e, acima de tudo, infiel, a deixa para o cantor tentar se aproximar da jovem alertando-a sobre o erro que irá cometer se realmente se casar. Entre encontros e desencontros, o casal vai percebendo afinidades e que os sentimentos são correspondidos mutuamente, mas é claro que vai demorar um pouquinho para perceber que realmente estão apaixonados, afinal de contas tem que haver recheio para encher cerca de uma hora e meia de filme.

sábado, 28 de dezembro de 2013

SEQUESTRO SEM PROVAS

Nota 2,0 Com final tolo, longa prova que um filme pode se auto-detonar em poucos minutos

Filmes menores a respeito de sequestros costumam entreter, ainda mais quando a vida de uma criança bonitinha está em jogo, mas as pretensões de ser um suspense daqueles que dão nós na cabeça do espectador podem atrapalhar. Com estética e narrativa típicas de telefilmes, não há muito que se esperar de Sequestro sem Provas a julgar por sua curtíssima duração. A trama começa com Beck (Jennifer Beals – estrela dos anos 80 tentando sobreviver com seu suposto talento como atriz), uma agente do FBI envolvida com um caso que não terminou bem, mas sim com duas mortes. Após os créditos iniciais, diga-se de passagem, bem longos para encher linguiça, a ação volta três dias antes para mostrar o início de um novo e aparentemente normal dia para a família Waters. Teria algo a ver a introdução e esse clã? Pode ser que sim ou pode ser que não. Apesar de muitos já sacarem a relação entre essas cenas, o roteiro de David Robbeson consegue intrigar o espectador até pouco mais da metade com o perfil de Beck, uma mulher que parece esconder um grande mistério, algo ligado a sua saúde mental devido a algum fato traumático que viveu recentemente, podendo inclusive ser o malfadado caso do início. Ela é destinada a investigar o caso do desaparecimento de Megan (Olivia Dallantyne), a filha pequena de Julia (Shauna Black) e Mike Waters (David Storch). O casal aparentemente vive feliz como garotos propagandas de margarina, mas aos poucos vamos conhecendo pequenos detalhes dessa união que colocam em xeque tal felicidade. O marido parece se dedicar demais ao trabalho, inclusive o sequestro da garotinha se deu durante mais uma de suas viagens profissionais.  Estranhamente seu sócio, Ben Tomlisson (Stuart Hughes), há tempos não viaja alegando passar mal em voos. Com a ajuda de seu companheiro de trabalho Andy (Jonathan Goad), Beck começa a suspeitar de que o rapto claramente foi feito por alguém que conhecia bem a família, afinal em meio a uma importante negociação que Mike fecharia durante a viagem à Nova York, nada mais apropriado que pedir um polpudo resgate. Beck ainda tem a sorte de contar com uma espécie de poder mediúnico que a faz ver imagens do sequestro com riqueza de detalhes, mas o rosto do criminoso obviamente não aparece afinal algum mistério tem que ficar no ar.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

OS IRMÃOS MCMULLEN

NOTA 8,0

Ator Edward Burns debutou
como diretor em produção simples
e eficiente sobre relações pessoais
seguindo tradição do cinema independente
Simplicidade e emoção. Talvez estas duas palavras sejam as que definam melhor o conceito de filmes independentes, excetuando-se as produções talhadas para ganhar prêmios no melhor estilo Miramax (aquela produtora que bombou no passado nas premiações com títulos como Shakespeare Apaixonado e Chicago). Filmes visualmente simples, mas ricos em conteúdo, é a melhor forma de um ator conseguir fazer sua estréia na direção e foi assim que Edward Burns debutou na função de diretor. Em 1995, o cinema independente americano vivia uma excelente fase após ganhar uma injeção de ânimo com o sucesso de público e crítica de diversas produções do tipo, principalmente depois que Quentin Tarantino chegou as principais categorias do Oscar com seu Pulp Fiction – Tempo de Violência. Ok, emoção no sentido mais singelo da palavra não é a cara do trabalho citado, mas o fato de ter sido produzido longe de um grande estúdio e usando bem menos recursos financeiros que outros blockbusters da época automaticamente classificaram o longa como um expoente entre os títulos “excluídos” de Hollywood. Assim as portas do mundo cinematográfico foram abertas para dezenas de novos realizadores que mesmo com poucos recursos conseguiram produzir e lançar pequenos filmes nos quais o que mais importa é o texto, a mensagem que a obra quer transmitir. Burns, também roteirista, lançou exatamente neste período seu primeiro filme como diretor, Os Irmãos McMullen, um título rejeitado pelo mercado até que se tornou vencedor do prêmio do Júri do Festival de Sundance. A rejeição dos exibidores e empresas de vídeo doméstico é explicada pelo mesmo mal que afeta os longas apresentados nos festivais contemporâneos: a limpeza das imagens, que podem indicar falta de recursos, e a oscilação entre gêneros, no caso entre o drama e o humor leve, dois fatores que não inspiram muita confiança e dificultam cativar o espectador. Todavia, quem gosta de boas histórias e resolver dispensar um tempinho do seu dia para curtir esta produção certamente não se arrependerá. Situações distintas são traçadas em histórias paralelas nas quais três irmãos irlandeses que vivem em Long Island, nos EUA, e levam a sério o catolicismo passam por dificuldades em seus envolvimentos amorosos. Cada qual vive uma crise diferente. A intimidade com o tema garante as virtudes da obra afinal o próprio Burns é filho de imigrantes irlandeses e o segundo de três filhos. Não por acaso ele assume no longa o papel do filho do meio e dá ao elenco a segurança necessária, pois sabe bem do que está falando.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

ABAIXO O AMOR

NOTA 8,5

Comédia romântica resgata

o clima da década de 1960 com
história bem bolada e visual
típico de filmes da época
Os anos 60 deixaram saudades para muitas pessoas. Reviravoltas políticas, conflitos a favor de atos libertários, a moda peculiar e rebelde, as canções que faziam críticas de forma escamoteada, artistas sendo banidos de seu país natal... Epa! Essa é uma visão muito nacional e dramática dos tempos do iê-iê-iê. Melhor guardarmos como lembrança dessa época o lado romântico visto pela ótica hollywoodiana deliciosamente exagerada de Abaixo o Amor. A palavra vintage costumava ser usada para se referir as melhores safras de vinho de determinado tipo ou região, mas passou a ser sinônimo de coisas que simbolizam períodos aleatórios do passado. Assim tal palavra é transcrita em forma visual literalmente a cada segundo desta comédia romântica que mostra um momento importante para o movimento feminista ao mesmo tempo em que tenta jogar por água abaixo a teoria de que as mulheres podem viver sem os homens. O diretor Peyton Reed foi habilidoso para construir uma trama inteligente e divertida que agrada a ambos os sexos. O filme já começa de forma irresistível com a abertura feita em animação com uma agradável e contagiante canção, tudo para o espectador já entrar no túnel do tempo. Logo somos apresentados a sociedade predominante machista do ano de 1962, mas a época já apontava mudanças e as mulheres começavam a ir à luta em busca de seus lugares no mercado de trabalho e a brigar por direitos iguais. A escritora Barbara Novak (Renée Zellweger) chega a Nova York cheia de esperanças de fazer sucesso com seu livro "Abaixo o Amor", mas acaba se decepcionando com a recepção fria a seu trabalho cujo objetivo é provar que as mulheres podem sim ser felizes e independentes sem precisarem de um homem ao lado. Porém, ela ainda teria a chance de mudar as coisas. Graças a ajuda de sua amiga Vicki (Sarah Paulson) ela consegue divulgar seu livro pegando carona no sucesso de uma música de mesmo título e mais uma rápida passagem por um programa de TV e da noite para o dia a sua vida muda completamente e sua obra consegue vender que nem água no deserto e ficar em primeiro lugar na lista dos mais vendidos. Os homens naturalmente não gostaram nada desse lançamento, mas um em especial se incomodou um pouco mais. O conteúdo do livro atinge negativamente o estilo de vida do jornalista metido a galã Catcher Block (Ewan McGregor), que decide se aproximar da autora e conquistá-la, assim desmentindo todas as teorias revolucionárias da jovem e conseguindo a grande matéria de sua vida.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

OPERAÇÃO PRESENTE

NOTA 9,0

Família Noel procura modernizar
seu esquema de entrega de presentes,
mas quando há uma falha a salvação
para o Natal pode ser o tradicionalismo
Dia 25 de dezembro, é Natal, e os chatos de plantão podem reclamar a vontade, mas não dá para comemorar a data sem curtir um filminho natalino. Todos sabem o que vamos encontrar neles e talvez seja justamente a repetição de mensagens edificantes o que torna tal programa irresistível em uma época em que a maioria está embriagada pela valorização do espírito de união, amor e solidariedade. Geralmente com roteiros que flertam com o drama e a comédia, basicamente tais obras lidam com o tema da recuperação do conceito original desta data festiva e a animação Operação Presente não foge à regra, mas basta um pouco de criatividade para dar certo ar de novidade à produção. Como o Papai Noel entrega tantos presentes em todo o mundo em uma única noite? Tentando responder a essa pergunta que milhares de crianças certamente fazem todos os anos, este desenho traz toques de modernidade em sua narrativa como uma mega operação de confecção e distribuição de presentes com o que há de mais moderno e o sempre necessário núcleo familiar disfuncional desta vez é representado pelos próprios parentes do bom velhinho. A narrativa nos apresenta à Arthur, o filho do Papai Noel, este que não é um milenário ancião como muitos pensam. Ele é o vigésimo homem de uma mesma linhagem a ocupar a vaga ao longo de mais de mil anos de distribuição de presentes, mas as coisas se complicaram comparando-se os dias de hoje com os primórdios desta atividade. A população mundial cresceu de forma descomunal tornando inviável a entrega de todos os presentes ao longo da madrugada natalina, nem mesmo com todo o clã Noel se esforçando ao máximo. Assim, hoje o aposentado e rabugento Vovô Noel, a prestativa Mamãe, o aficionado por tecnologia Steve, apontado como o sucessor do bom velhinho, o próprio Papai, Malcolm, em seus últimos dias usando a roupa vermelha, e ainda o caçula desajeitado Arthur, além de milhares de elfos, viajam em uma moderna e potente aeronave e comandam uma estratégica operação para entregar os brinquedos, praticamente um plano de guerra. O metódico Steve é quem organiza tudo, contudo, mesmo com todo o seu perfeccionismo as coisas não saem como esperado.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

UM NATAL MUITO, MUITO LOUCO

NOTA 7,0

Casal deseja fugir dos festejos
de Natal, mas na última hora
precisam organizar uma ceia e
recuperam o espírito de amizade
Hoje é véspera de Natal, dia de muita correria e compras de última hora. Em outras palavras, dia de muito estresse, mas a noite vem a calmaria e as alegrias e emoções devem predominar. No Brasil não temos o mesmo fanatismo que os americanos têm com esta festa cristã, mas ainda assim muitas pessoas vivem o clima natalino intensamente meses antes. Para elas todas aquelas enxurradas de reprises de comédias e dramas típicos de fim de ano na televisão são uma dádiva. Para quem ainda sente apreço pela comemoração, mas todo o ano promete que da próxima vez vai fazer algo diferente entre os dias 24 e 25 de dezembro, certamente se identificará com o casal protagonista de Um Natal Muito, Muito Louco, longa que já pode ser considerado um clássico natalino tal qual Férias Frustradas de Natal, figurinha carimbada na TV praticamente todos os anos há várias décadas. Ambos tratam do respeito e cultivo das tradições, do espírito de solidariedade e de família unida, mas claro que tudo temperado com muito humor. A receita é muito simples e agrada em cheio quem curte essa data festiva justamente por tirar um sarro daqueles que tentam manter o espírito de harmonia e solidariedade quando a reunião familiar se resume em uma sucessão de equívocos e bolas foras dos parentes queridos. Obviamente não é um tipo de produção que agrada a todos os tipos de plateia, pois investe em humor pastelão, mas convenhamos quem não tem pelo menos uma história engraçada ou tragicômica que ocorreu na ceia ou no almoço de Natal? É curioso, mas em meio ao corre-corre das compras de presentes e dos ingredientes dos pratos tradicionais, os filmes que acompanham esse clima não chamam muito a atenção aqui no Brasil, pelo menos quando exibidos nos cinemas. Pode ser o fato da ambientação contrária a nossa, branquinha e fria pela neve, a repetição de situações cômicas ou a mensagem clichê de esperança e amor que deixam no final, mas é certo que dá para contar com os dedos de uma mão só os títulos que trabalham o tema e que escapam do crivo do público e crítica sem serem extremamente chamuscados, como O Grinch e O Expresso Polar, ambos com características visuais evidentes para se sobressaírem no farto cardápio de filmes com histórias parecidas em cima da expectativa da chegada do Papai Noel. Para os produtores americanos os batidos filmes do tipo podem significar a salvação da lavoura quando o ano não rendeu boas bilheterias, por isso eles ainda continuam sendo feitos anualmente.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

UM FAZ DE CONTA QUE ACONTECE

NOTA 8,5

Adam Sandler dosa seu
humor caracterísico para
se enquadrar ao estilo
Disney de fazer cinema
Adam Sandler é um ator que fincou raízes no gênero comédia e coleciona milhares de fãs por todo o mundo, principalmente pelo fato de seus personagens conquistarem a simpatia imediata com as platéias. Ele está acostumado a viver trintões que se esqueceram de crescer e que só pensam em diversão e mulheres, assim palavrões e piadas de duplo sentido estão sempre na ponta de sua língua, ainda que ele não seja o ator mais desbocado de sua geração. Porém, muitas crianças também são fãs do comediante e talvez por isso ele tenha sido escalado para protagonizar Um Faz de Conta que Acontece, comédia familiar dos estúdios Disney que nos últimos anos tem repensado seu manual de trabalho. Antes seria difícil acreditar que um longa protagonizado pelo astro de Click ou Gente Grande saísse da casa do Mickey Mouse, entretanto, a escolha foi acertada. O ator está totalmente a vontade interpretando, para variar, um cara que já não é mais nenhum adolescente, mas ainda não sabe bem o que quer da vida e vive de sonhos. Ele interpreta Skeeter Bronson, um rapaz que cresceu vivendo o cotidiano agitado de um gigantesco e refinado hotel que seu finado pai construiu. Já adulto, ele é uma espécie de funcionário mil e uma utilidades do local, mas sonha com uma grande chance de trabalho lá mesmo. Sua pacata vida muda completamente quando sua irmã Wendy (Courteney Cox) deixa seus dois filhos, Patrick (Jonathan Morgan Heit) e Bobbi (Laura Ann Kesling), aos seus cuidados. Entreter as crianças não é uma tarefa fácil, mas ele recebe a ajuda de uma amiga da sua irmã, Jill (Keri Russell), que as leva e busca na escola, assim diariamente encontrando com Skeeter. Como praticamente tudo na vida do rapaz, conquistar o amor da jovem parece ser um sonho impossível. Aliás, é justamente colocando a imaginação em primeiro lugar que esse tiozão consegue prender a atenção dos sobrinhos. Ele começa a contar histórias e elas o ajudam a narrar eventos inimagináveis e nos mais diferentes lugares, desde a antiguidade na Grécia, passando pelo velho oeste e chegando até o futuro no espaço. Descartando os cenários improváveis, Skeeter se surpreende ao perceber que situações do seu dia-a-dia passam a acontecer de acordo com o rumo que as crianças deram à história que foi contada no dia anterior, mas a diversão acaba se tornando um problema a partir do momento em que ele começa a manipular os sobrinhos para eles criarem a continuidade dos contos de acordo com aquilo que ele deseja que aconteça de verdade em sua vida. 

domingo, 22 de dezembro de 2013

UM HÓSPEDE DO BARULHO

Nota 6,0 Mesmo com trama previsível, longa ainda diverte e alimenta a nostalgia dos anos 80

Os anos 80 foram repletos de filmes bobinhos que acabaram virando sensação e hoje são alvo da atenção de nostálgicos. O grande segredo destas obras talvez fosse a sinceridade com que elas eram concebidas, sendo que muitas eram lançadas sem grandes pretensões, apenas servir como uma diversão ligeira para toda a família, mas o sucesso acabava superando expectativas como é o caso de Um Hóspede do Barulho, comédia simplória cujo tema guarda algumas semelhanças com o clássico E.T. – O Extraterreste, obviamente guardada as devidas proporções. Em ambos os filmes uma curiosa criatura é acolhida por uma família carismática, mas que não consegue manter este segredo por muito tempo. Certa vez os Henderson estavam voltando para casa após alguns dias de descanso no campo, mas foram surpreendidos na estrada por uma gigantesca e estranha criatura que acaba sendo atropelada por George (John Lithgow). Ao verificarem no que bateram, todos acreditam que encontraram o lendário Pé Grande e resolvem levá-lo para a cidade visando tirar algum proveito da situação, mas a criatura não está morta, pelo contrário, está bem viva. Após o estranhamento inicial, pouco a pouco todos nesta família vão percebendo que ele não é agressivo, pelo contrário, é até muito dócil como um cãozinho e tem os olhos cativantes e curiosos de uma criança que está conhecendo o mundo. George então batiza esta espécie de gorila de Harry e decide mantê-lo em casa para protegê-lo, mas o estranho no ninho começa a explorar o novo território e não demora para que outras pessoas o conheçam e para que os boatos sobre sua presença na vizinhança alerte caçadores e a imprensa de plantão, assim podendo ser declarada a perseguição a este animal que pode ser o único de sua espécie vivo.  Devorando peixinhos do aquário e as plantas dos vasos, quebrando portas e degraus da escada entre outras estripulias, Harry provoca cenas previsíveis com uma inocência que infelizmente não condiz mais com nossa realidade, talvez algo ultrapassado até para a época de lançamento quando os games e videoclipes já anestesiavam crianças e adolescentes com altas doses de adrenalina, cores e sons. De qualquer forma, o relativo sucesso e o apelo popular do longa acabou originando um seriado que durou três anos e foi exibido no Brasil pela Rede Globo no início da década de 1990.

sábado, 21 de dezembro de 2013

REFÉNS DO MAL

Nota 5,0 Suspense sem grandes sustos é mero produto para publicidade do protagonista

Crianças endemoniadas parecem um fetiche do cinema de horror. Símbolos de pureza e inocência, realmente até hoje não deixa de ser impactante ver guris que giram a cabeça, com olhar macabro, se automutilando ou atentando verbalmente contra a moral e a crença religiosa. Bem, o demoniozinho de Reféns do Mal vem em embalagem mais econômica, sendo a fixação de seus olhos, cara séria e dom para premonição suas principais armas para amedrontar, mas no caso ele só mete medo em quem merece. Será mesmo? Não há como falar sobre esta produção assinada pelo diretor Stewart Hendler sem revelar seu grande trunfo que na realidade não é nenhum truque para surpreender o espectador, mas sim a matéria-prima do roteiro de Christopher Borrelli. David (Blake Woodruff) é um garoto de oito anos filho único da Sra. Sandbom (Teryl Hothery), uma jovem e rica viúva que sempre o mimou com presentes e fez suas vontades, mas ainda assim ele parece sério demais. No dia de seu aniversário, em pleno período natalino, comparece a sua festa um animador vestido de Papai Noel que na verdade não é do ramo. Ele é Max (Josh Holloway), um ex-detento que aprendeu a cozinhar na prisão e agora que está livre sonha em abrir um restaurante com a noiva Roxanne (Sarah Wayne Calles), mas devido ao seu histórico criminal será difícil conseguir financiamento para o projeto, assim ele cai na tentação de fazer um último serviço sujo para um desconhecido que só consegue contatar pelo telefone: sequestrar David e em troca pedir um polpudo resgate. O rapto dá certo e com a ajuda da noiva e dos comparsas Vince (Joel Edgerton) e Sidney (Michael Hooker), Max aprisiona o garoto nas acomodações de um acampamento que está fechado provisoriamente devido ao inverno rigoroso. O futuro casal trata o menino de forma mais amigável, pois desejam que tudo acabe bem para todos, mas são alertados de que não devem se afeiçoar a ele. De qualquer forma, bastava um primeiro contato com a milionária que ela não se negaria a pagar uma fortuna para ter seu pimpolho de volta, mas as coisas saem dos trilhos.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

O AUTO DA COMPADECIDA

NOTA 9,0

Transposição de série de
TV para o cinema é um
marco do cinema nacional,
mas fórmula não vingou
Antes do diretor Guel Arraes levar multidões ao cinema para curtir o inovador (pelo menos na parte técnica e visual) Lisbela e o Prisioneiro, este mesmo profissional peitou a indústria e a crítica ao reabrir a discussão cinema aliado à televisão. Já houve crítico que chegou a afirmar que o Brasil não investia em cinema de qualidade e glamoroso porque tal estética o público tinha diariamente e de graça com as novelas da Rede Globo. A mesma empresa lançou no final dos anos 90 seu braço cinematográfico com o objetivo de lançar produções com o elenco da casa e ajudar na divulgação de projetos menores, mesmo que eles não tivessem um ator global envolvido. Como nem tudo cai do céu, o início da Globo Filmes não foi fácil e os trabalhos mais bem sucedidos eram protagonizados por Xuxa e Renato Aragão, artistas com público cativo, mas projetos como Orfeu e Bossa Nova não fizeram jus aos seus investimentos. Eis que em setembro de 2000 o público brasileiro foi surpreendido com o lançamento do longa O Auto da Compadecida, mesmo título de uma microssérie da Globo que fez sucesso em janeiro de 1999. Certamente muita gente foi pega de surpresa ao ver uma versão compactada da série ao invés de uma produção inédita. Uma estratégia escancaradamente do tipo caça-níquel? Imediatamente ficou comprovado que não e o passar dos anos só exalta ainda mais a ideia. Há anos muitos diretores sonham com a parceria entre TV e cinema visando uma agilidade maior para as pré e pós-produções, tempo de filmagens e principalmente divulgação. Arraes pensou longe e logo que começou a trabalhar na série já a imaginava também no escurinho do cinema e por isso adotou a película para as gravações, técnica hoje amplamente utilizada até mesmo em novelas. Baseado na obra de Ariano Suassuna, o longa acompanha as aventuras e desventuras de Chicó (Selton Mello) e João Grilo (Matheus Natchergaele). O primeiro é um fanfarrão que só pensa em se divertir e se dar bem, mas quando o bicho pega ele mostra que é o mais covarde dos homens de sua terra. O outro é um sertanejo pobre e de bom coração, mas é mentiroso e também adora se meter em encrencas.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

A VIDA SECRETA DOS DENTISTAS

NOTA 6,5

Longa acompanha o cotidiano
de um casal que vive uma união
de fachada, uma situação que traz
consequências para toda família
Mais difícil que escrever um roteiro ou concluir suas filmagens só mesmo a etapa de batizar um projeto. Alguns filmes só ganham título após todas as fases de produção terem sido concluídas, quando já se tem a ideia concreta do que o produto será. Outros trabalhos só ganham seu pontapé inicial, inclusive a redação da história, quando já estão intitulados.  Dar nome a um filme é muito complicado e é curioso quando a junção de algumas simples palavras podem passar ao público sentidos diferenciados. A Vida Secreta dos Dentistas é um bom exemplo. Embora seja claramente uma obra alternativa pela penca de indicações e participações em festivais que ostenta, com certeza quem se arrisca a assistir a este trabalho guiando-se pelo título se decepciona, inclusive os próprios profissionais da área de odontologia que não resistem a dar uma conferida. Ele remete a muitos espectadores a ideia de comédia, mas o nome cai como uma luva para este drama conjugal que envolve obviamente os dentistas, seus assépticos ambientes de trabalho e uma temática universal, mas cujo ritmo lento e ausência de momentos arrebatadores acabam trabalhando contra a obra em termos comerciais. Baseado no romance “The Age of Grief”, de Jane Smiley, o roteiro de Craig Lucas acompanha o cotidiano do casal Dana (Hope Davis) e David Hurst (Campbell Scott) que não dividem apenas a cama, mas também trabalham juntos em um consultório dentário. Quando estão em casa eles dedicam atenção para as três filhas pequenas, porém, no trabalho mal se falam optando por respeitarem suas individualidades. E tempo para eles dois? Perecbe-, portanto, que a aparente limpeza da clínica pode esconder germes e bactérias. Dana é apaixonada por ópera e participa do coro de uma produção teatral e em breve irá fazer uma apresentação. No dia do espetáculo, David encontra motivos para desconfiar que sua mulher o traia e passa a perceber que ela tenta se esquivar constantemente da família e do trabalho, provavelmente para poder ter seus encontros com o amante. Ao contrário da reação da maioria dos maridos traídos, ele resolve levar toda a situação com panos quentes, mas sem tirar os olhos de cima da esposa, chegando até mesmo a ter visões dela tendo relacionamentos com outros homens no próprio consultório. Todavia, a ruptura da família parece eminente, mas um problema inesperado de saúde que atinge a todos os membros pode uni-la novamente.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

A MENINA E O PORQUINHO

NOTA 7,0

Adaptação de clássico literário
infantil pode soar inocente demais
para os novos tempos, mas sua
essência ainda é encantadora
Já faz algum tempo que os adultos estão invadindo a praia das crianças e curtindo desenho animado. Aliás, essas produções às vezes agradam mais aos pais que os próprios filhos ou propositalmente os estúdios já realizam as animações visando essa ampliação espontânea de público. Porém, quando a magia do universo infantil deixa o colorido dos desenhos de lado e é transportada para os filmes com atores de carne e osso o resultado não é o mesmo. Os adultos tendem a não se entreter com piadas batidas, enredo melancólico próprio para dar lições de moral aos pequenos e atuações consideradas fracas, a receita que frequentemente é utilizada neste tipo de produção. Pior ainda quando há bichinhos falantes na trama e os realizadores se concentram tanto em tornar críveis tais criaturinhas que acabam conseguindo um resultado frustrante, pois se esquecem de encontrar um equilíbrio com os demais elementos da produção. Contudo, algumas vezes esses filminhos água-com-açúcar podem ser perfeitamente assistidos e com prazer pelos mais crescidinhos graças ao trunfo da nostalgia que carregam em sua essência. É nesse ponto que A Menina e o Porquinho, protagonizado por Dakota Fanning, consegue um reforço. Esta é mais uma adaptação do clássico livro infantil "A Teia de Charlotte", de E. B. White, que já ganhou uma famosa versão em desenho animado em 1973 que foi repetida a exaustão na TV pelas duas décadas seguintes em todo o mundo. A garotinha que outrora era uma grande promessa de Hollywood interpreta Fern, uma das poucas pessoas a perceber que Wilbur não é um simples porquinho da fazenda onde vive, mas sim um animal muito especial. Com seu carinho e atenção, a garota ajuda o bichinho, que era o menor membro de sua família, a se tornar um porco vistoso e radiante. Quando se muda para um novo celeiro, Wilbur faz amizade com a aranha Charlotte e os laços de amizade entre eles influenciam para que os demais animais da fazenda vivam como se fizessem parte de uma grande e feliz família. Porém, o tempo passa e Wilbur cresce e está a caminho do triste fim de qualquer porquinho criado com tudo de bom e do melhor: virar assado. Quando surge a notícia de que em breve ele será abatido, a esperta e sensível aranha arma um plano para retardar a morte de seu amigo suíno.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

CARA, CADÊ MEU CARRO?

NOTA 4,0

Insano, bizarro, criativo, surreal,
tosco, ridículo, confuso... Comédia teen
agrada e desagrada em iguais proporções,
mas é fato que ganhou certa aura cult
Sabe aquele filme que você lembra que detestou, mas que o passar dos anos e o boca a boca positivo de outros trataram de lhe dar certa projeção? Esse é o caso de Cara, Cadê Meu Carro?, comédia adolescente das mais alopradas, porém, com uma incrível legião de fãs que concordam que a produção é imbecil do começo ao fim, mas ainda assim divertida e com boas sacadas. Claro que analisando com os olhos do público-alvo, os adolescentes, a fita pode até ser bacana e apresentar situações pertinentes a seus universos, mas é possível que no futuro as mesmas pessoas que elogiam a fita possam se envergonhar de um dia ter dado atenção ao trabalho do roteirista Philip Stark em uma tentativa de renovar o estilo das comédias teens através de uma história absurda inspirada em fatos que ele próprio e seus amigos viveram na juventude. Você tinha o rosto cheio de espinhas em 2000 e morreu de rir com a fita? Se a resposta for positiva, reveja e faça o teste para ver o quanto amadureceu (ou não). Eis a mirabolante trama. Após uma balada daquelas de virar a madrugada chapadão, Jesse (Ashton Kutcher) e Chester (Sean William Scott), dois grandes parceiros que compartilham o mesmo nível de imbecilidade, acordam sem ter a menor ideia do que fizeram a noite. Todavia, não demora muito para perceberem que se meteram em uma grande confusão. Jesse não encontra seu carro e juntos partem em busca de respostas para uma série de acusações e mal entendidos que passam a sofrer. A cada nova pista que encontram mais evidências surgem de que eles estavam totalmente fora de órbita, pois só assim para explicar como eles conseguiram roubar uma grande quantia de dinheiro de um travesti, passaram por lugares que não costumam frequentar, estão com um estoque de bolo inglês na geladeira para se alimentarem por meses e ainda colocaram as mãos em um misterioso objeto que está sendo procurado por muita gente. Agora a dupla precisa correr contra o tempo para recuperar a memória e livrar suas caras, mas a essa altura já estão metidos em encrencas até o pescoço. Todavia, o maior dilema desses caras é limpar a barra com suas namoradas, as gêmeas Wanda (Jennifer Garner) e Wilma (Marla Sokoloff), que ficam sem chão por acreditarem que eles detonaram a casa delas e esqueceram o presente de aniversário delas. Que problemão, não é?

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

AS FÉRIAS DA MINHA VIDA

NOTA 6,5

Flertando com a comédia e
o drama, longa é previsível,
embora seu roteiro seja
um pouco acima da média
Quando um ator marca em um determinado gênero de filme ou tipo de papel, parece que ele está com a carreira amarrada para sempre. Ou se dedica a fazer o mesmo de sempre ou então aceita o ostracismo eminente. Quando tentam fazer algo diferenciado o público também não dá um voto de confiança e a crítica colabora para espalhar o preconceito. Queen Latifah, embora tenha ganhado destaque mundial ao ser indicada ao Oscar de coadjuvante por seu trabalho no musical Chicago, continua com uma imagem estigmatizada que a atrapalha. Suas formas roliças, por ser negra, cantora com ênfase no estilo black music, por mostrar predileção pelas comédias, enfim ela reúne muitas características que acabaram a enclausurando em um perfil único. Ela seria uma espécie de Whoppi Goldberg dos novos tempos. Ambas já trabalharam em diversos dramas, mas a imagem de humorista as persegue. Talvez para tentar variar e ao mesmo tempo não assustar o público, Queen tenha aceitado protagonizar As Férias da Minha Vida, projeto tragicômico que não fez sucesso ao ser lançado, mas com o tempo caiu no gosto popular, principalmente aos adeptos de filmes que trazem mensagens positivas e de estímulo.  Nesta história a atriz vive a personagem Georgia Byrd, uma simples e tímida vendedora que gozava de uma vida com poucos momentos memoráveis, procurou sempre fazer o melhor para agradar aos outros e nunca conseguiu viver um grande amor. Sua rotina muda completamente quando ela é encontrada desmaiada e levada ao médico. Diagnosticada com uma doença terminal que pode matá-la em poucas semanas, ela então decide jogar tudo para o alto e aproveitar ao máximo o tempo que lhe resta neste mundo. Claro que por se tratar de um trabalho humorístico o final já é previsível. Seria uma atrocidade sem tamanho matar a protagonista se o objetivo maior é fazer o espectador dar risadas. Bem, o lado cômico não é o forte deste produto, mas algumas sequências inspiradas são oferecidas a partir do momento em que a protagonista resolve recuperar o tempo perdido e se hospeda em um hotel europeu de luxo para relaxar e se divertir. Nem os funcionários e hóspedes conseguem se manter na normalidade com a chegada dela. A moral da trama é bem clara: viva intensamente cada minuto como se fosse o último. Pelo menos até quase o final ficamos livres de frases-clichês do tipo. O sentido delas é traduzido em imagens. 

domingo, 15 de dezembro de 2013

DUPLEX

Nota 9,0 Humor negro e piadas escrachadas pontuam comédia em que veterana dá um show

Quem não tem ao menos uma história engraçada ou irritante envolvendo um velhinho sem noção ou literalmente pentelho que atire a primeira pedra. É fato que conforme a idade avança o idoso acaba perdendo um nível considerável de sua capacidade intelectual e bom senso, mas alguns representantes dessa faixa etária muito bem de saúde acabam se aproveitando da generalizada condição para se dar bem e tirar o melhor proveito da situação. É mais ou menos nisso que provavelmente pensou Danny DeVito ao aceitar dirigir Duplex extraindo o máximo de humor de situações anárquicas do início ao fim. A direção não poderia ser de outra pessoa que não uma experiente no campo do humor. Aos politicamente corretos, que fique claro que a índole da personagem idosa do filme não deve ser encarada como uma ofensa as pessoas acima dos 60 anos, até porque no final existe uma justificativa hilária para seu comportamento no ágil e eficiente roteiro de Larry Doyle. Quem é ela? A senhora Connelly (Eileen Essel) é a inquilina de Alex Rose (Ben Stiller) e Nancy Kendricks (Drew Barrymore), um jovem casal que tinha um sonho de consumo: ter um belo duplex no famoso bairro do Brooklyn, na cidade de Nova York. Quando eles enfim encontram o apartamento dos seus sonhos, precisam enfrentar um problema que pouco a pouco torna-se um perturbador pesadelo. A antiga e simpática moradora do segundo andar se recusa a deixar o local e pelas leis do inquilinato americano ela não pode ser despejada. O casal tenta viver pacificamente com a vizinha, mas a senhora apronta tudo que pode e mais um pouco para deixá-los irritados 24 horas por dia literalmente. Até mesmo quando eles tentam dormir a velhinha está com todo pique para aprontar algo. Assim, o casal passa a perceber o real preço de seus sonhos, mesmo com o acréscimo do dinheiro do aluguel que recebem dela. No limite da situação, para conseguirem finalmente o imóvel só para eles, Alex e Nancy começam a planejar várias tentativas de tirá-la do local e pensam até mesmo em matar a aparente doce velhinha.

sábado, 14 de dezembro de 2013

SEGREDOS NA NOITE

Nota 4,0 Boa premissa e bons ganchos são desperdiçado em suspense arrastado e sem clímax

Robin Williams é um ator sinônimo de comédia devido aos seus trabalhos consagrados no gênero, no entanto, seu talento também já foi emprestado com sucesso a dramas e suspenses, mas é uma pena que nem sempre essa fuga do terreno seguro seja proveitosa como prova Segredos na Noite. O problema não é especificamente o ator, que está cativante como de costume, mas seu personagem é limitado demais para os conflitos que carrega, assim como a história criada por Armistead Maupin, Terry Anderson e Patrick Anderson que parece nunca sair do lugar. Muitas cabeças para pensar em um roteiro tão fraquinho e que poderia ser perdoado caso o clímax compensasse, mas parece que nunca chegamos a tal ponto. O que poderia ser um suspense razoável acaba sendo mais parecido com um drama arrastado por vezes sustentado a um fiapo de enredo. Contudo, existem bons ganchos na trama, porém, extremamente mal aproveitados. Baseado em fatos reais que deram origem a um romance do próprio Maupin, a trama gira em torno de Gabriel Noone (Williams), o apresentador de um famoso programa noturno de rádio no qual faz relatos sobre assuntos cotidianos e conquistou uma audiência cativa ao expor seu relacionamento com Jess (Bobby Cannavale), um homossexual portador de HIV e muitos anos mais jovem. A exposição fez com que a relação dos dois estremecesse e o rapaz decide ir embora de casa e nesse momento difícil o radialista acaba se entretendo com uma misteriosa história. Ele recebe do amigo Ashe (Joe Morton) o esboço de um livro redigido por um grande fã seu, Pete Logand (Rory Culkin), um adolescente de 14 anos que relata os abusos que sofreu dos próprios pais que realizavam orgias com outros adultos e as filmagens eram vendidas pela internet. Após tais crimes serem descobertos, a justiça determinou que o garoto fosse criado pela assistente social Donna (Toni Collette) com quem Noone passa a manter contato por telefone. A identificação acontece principalmente porque o garoto também é aidético, mas não teve chances de se tratar como Jess, assim ele constantemente é internado no hospital por conta de complicações respiratórias e tinha nas palavras de seu ídolo o conforto necessário para suportar a doença.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

O RITUAL (2011)

NOTA 7,5

Mesmo abordando as possessões
demoníacas por uma ótica
mais realista, longa não deixa
de fazer uso dos clichês
Filmes inspirados em fatos reais têm um forte apelo junto ao público, mas também podem despertar desconfianças. Quando os tais acontecimentos envolvem assuntos do além, as dúvidas quanto a veracidade dos fatos são ainda maiores, embora o número de curiosos pelo tema seja grande. Produções do tipo foram e continuam sendo lançadas aos montes diretamente em DVD e muitas são produzidas exclusivamente para canais de TV, o que já sugere que os argumentos não são dos melhores assim como os produtos também não inspiram confiança em suas partes técnicas, tanto que o subgênero dos longas sobrenaturais vira e mexe está em crise, mas ainda bem que sempre algum produto do tipo ao menos razoável pode ser encontrado em meio ao lixo e dar certo ânimo para confiarmos em sua recuperação. O Ritual é um bom exemplo disso, embora a primeira vista pareça algo descartável. Tendo como grande chamariz o nome do ator Anthony Hopkins nos créditos, a obra é baseada no livro homônimo de Matt Baglio, jornalista que conviveu alguns anos com padres exorcistas, entre eles Gary Thomas, protagonista da trama cujo nome foi trocado. Com tal experiência, o escritor aprendeu a distinguir uma possessão de uma doença mental e acompanhou dezenas de exorcismos. A trama roteirizada por Michael Petroni nos apresenta a Michael Kovak (Colin O’Donoghue), um rapaz que cresceu acompanhando de perto o fim da vida de dezenas pessoas em uma maca sendo arrumados para o enterro pelo seu pai Istvan (Rutger Hauer). Isso o fez crescer sem acreditar que existe algo depois da morte, assim ele se tornou um seminarista cético e decidido a abandonar seus trabalhos na igreja, mesmo após ter aulas sobre os sinais de possessão. Para não se arrepender mais tarde, seu superior o orienta então a passar um período no Vaticano para estudar rituais de exorcismo e quem sabe mudar de ideia e recuperar sua fé. Porém, suas dúvidas e questionamentos só aumentam na medida em que estreita seu contato com o Padre Lucas (Anthony Hopkins), um famoso jesuíta exorcista, e este o apresenta ao lado mais obscuro da religião. É quando Michael conhece a jornalista Angeline (Alice Braga), que investiga as atividades do religioso e as suas reflexões sobre a crença no Diabo e em Deus não param de crescer. Juntos, os dois jovens vão acompanhar os duros trabalhos do padre para tentar tirar o demônio do corpo de Rosaria (Marta Gastini), mas os conhecimentos de psicologia do rapaz o impedem de acreditar no que vê.
               

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

O DIÁRIO DE UMA BABÁ

NOTA 6,0

Longa aborda vários temas
sobre o comportamento de
famílias ricas, mas todos de
forma superficial 
Alguns títulos são tão simplórios ou unem palavras tão comuns ao gênero cinematográfico que pertencem que podem acabar causando o efeito contrário ao desejado. Ao invés de chamar a atenção acaba afastando o espectador, mas em alguns casos podemos nos surpreender com o conteúdo como é o caso de O Diário de Uma Babá que mascarado como uma típica comédia romântica oferece muito mais que uma simples história protagonizada por uma jovem em busca de seus sonhos, entre eles um grande amor. O longa faz uma abordagem crítica, porém, divertida sobre o universo das famílias modernas e ricas americanas, mas uma alfinetada que serve para pessoas de qualquer parte do mundo e de repente até independente da classe social que representem. O roteiro mostra através dos olhos e emoções de uma babá o cotidiano de um casal desajustado que vive um casamento de fachada e não tem tempo para o filho pequeno. Annie Braddock (Scarlett Johansson) é uma jovem recém-saída da faculdade que vive em um bairro da classe operária de Nova Jersey. Ela sofre uma grande pressão de sua mãe para que encontre logo um lugar respeitável no mundo dos negócios, mas, decidida a fugir dessa realidade, aceita o emprego de babá de uma família rica de Manhattan, a qual chama apenas de “os X” (um recurso esperto para evidenciar a artificialidade do clã). Como costuma dizer, não foi ela quem encontrou esse emprego, foi ele quem a encontrou já que acabou salvando um garotinho de ser atropelado e rapidamente conquistou a simpatia da mãe do garoto, uma perua que sabe como impor suas vontades simplesmente não dando a possibilidade do outro discordar e nem mesmo concordar. Ela decidiu que Annie seria a nova babá do filho e não tem mais conversa, ponto final. Animada inicialmente, logo ela descobre que a vida não seria o mar de rosas que imaginava, pois precisa atender aos caprichos da Sra. X (Laura Linney) e seu precioso filho Grayer (Nicholas Art), além de evitar qualquer contato mais próximo com o Sr. X (Paul Giamatti). Entre as tantas tarefas do novo emprego, Annie precisa cozinhar, fazer compras e limpar a casa. Praticamente uma funcionária mil e uma utilidades em atividade por quase 24 horas diárias. A situação se complica de vez quando ela se apaixona pelo “Gatão de Harvard” (Chris Evans), vizinho da família X, que a força a reexaminar sua vida e ver que ela está se submetendo aos caprichos daquela família de ricaços e esquecendo-se de cuidar de si mesma. Apesar deste gancho romântico, o longa não o aprofunda, até mesmo porque a patroa da moça a proíbe de ter contatos mais íntimos com qualquer um, de preferência nem mesmo saber quais os nomes dos vizinhos.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

UM LUGAR CHAMADO NOTTING HILL

NOTA 9,0

Embora previsível, longa é
agradável, diverte e
emociona justamente por
sua aura despretenciosa
Alguns artistas podem até experimentar diversos gêneros ao longo da carreira, mas sempre tem um que marca mais e do qual o intérprete pode acabar se tornando um símbolo. Nos anos 90 aconteceu um aumento significativo na procura por comédias e dramas com pitadas generosas de romance e duas atrizes despontaram nessa onda, Julia Roberts e Meg Ryan. A primeira é quem se deu melhor conquistando altos cachês, diversos prêmios e se mantendo em evidência até hoje. Tudo bem, atualmente ela vive mais das glórias do passado do que de novos e bem sucedidos projetos, mas ainda assim atrai atenções. Para muitos seu ápice na profissão foi a conquista do Oscar pelo papel-título de Erin Brokovich – Uma Mulher de Talento, mas ela já acumulava antes disso êxitos comerciais que a crítica hesitava em elogiar. Por exemplo, qual o problema em dizer que Um Lugar Chamado Notting Hill é um excelente filme? Embora quando alguém quer dar uma de esperto a tendência seja menosprezar as obras românticas e clichês, não há como negar que esta produção é extremamente agradável e atende com folga as expectativas geradas pela proposta e que se vale do recurso da metalinguagem. Julia interpreta praticamente ela mesma ora sob os holofotes, ora tentando levar uma vida normal, ainda que os produtores na época tentassem desmentir que o enredo foi parcialmente inspirado na vida da estrela. Ela interpreta Anna Scott, uma celebridade hollywoodiana que vive cercada de fotógrafos e repórteres tentando descobrir seus novos projetos de trabalho, mas principalmente desvendar detalhes sobre sua vida pessoal. Durante uma viagem a Londres, a atriz decide fazer um passeio pelo subúrbio (que nem de longe nos remete ao que a palavra representa para os brasileiros) e entra em uma simplória livraria especializada em livros de viagem onde é atendida pelo próprio dono, o pacato William Thacker (Hugh Grant), cuja vida mudará completamente após este dia. Anna fica fascinada com o jeito tranquilo e nada fanático do rapaz, que aparentemente desconhece a fama dela. A partir desse dia, eles passam a ter alguns encontros e iniciam um relacionamento cheio de idas e vindas, mas repleto de bons momentos, afinal essa é a grande chance da diva vivenciar plenamente a simplicidade que existe em um passeio no parque ou em um jantar em família com direito a gafes e rusgas leves. 

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

UM CAMINHO DE LUZ

NOTA 8,5

Drama espanhol baseado
em fatos reais é tocante,
esclarece sobre uma grave
doença e crítica religião
Filmes protagonizados por pessoas que estão sofrendo com algum tipo de câncer existem aos montes. Na intenção de esclarecer dúvidas e incentivar os diagnósticos precoces até pequenos talentos interpretando crianças que sofrem com a doença já brilharam no cinema com atuações comoventes. Por tratar de um assunto difícil e que praticamente mexe com o emocional de todos, afinal aparentemente ninguém está livre desta doença silenciosa que pode surgir por inúmeras razões e que ainda a ciência vem pesquisando, muitas produções do tipo acabam passando em brancas nuvens, principalmente pelos olhos dos espectadores que recorrem a filmes apenas por diversão. Bem, se esse é realmente seu objetivo passe bem longe de Um Caminho de Luz, um drama belíssimo, mas que pouco a pouco nos deixa com um nó na garganta tamanho o sofrimento da jovem protagonista, uma garotinha sonhadora, mas ao mesmo tempo muito pé no chão. Vencedor de seis prêmios Goya, o Oscar Espanhol, esta produção nos emociona até o último minuto, porém, não é recomendada aos mais críticos e principalmente aos insensíveis que certamente vão rotular este trabalho como um manipulador de emoções de marca maior. O longa conta a história de Camino (Nerea Camacho), uma menina de apenas onze anos que está ao mesmo tempo enfrentando duas situações totalmente opostas e inéditas para ela: o nascimento do amor e a aproximação da morte. Após ser diagnosticada erroneamente com simples problemas de coluna, é descoberto que ela possui um estranho e agressivo tipo de tumor que começa a destruir sua vida e vai lhe privando pouco a pouco de cada uma de suas ilusões e vontades para o futuro. As visitas aos hospitais e os procedimentos cirúrgicos cada vez se tornam mais constantes até que Camino fica presa a uma cama definitivamente. A cada novo obstáculo que a vida lhe coloca, ela se enche de forças e faz suas orações para não se deixar abater e procura alguma forma de se adaptar as suas novas condições físicas, vivendo assim cada dia intensamente, ainda que só em sonhos. Mesmo nestas circunstâncias ela ainda sonha com a peça “Cinderela” que faria na escola na qual atuaria com o garoto por quem se apaixonou. A narrativa tem alguns momentos mais lúdicos e que dão um respiro ao espectador graças a inserção de cenas do desenho da Disney e até mesmo da peça escolar sobre a gata borralheira da qual a protagonista participaria. Os sonhos que Camino tem com o conto clássico, com o garoto que gosta, aqueles em que ela aparece curada, entre tantos outros, possuem estéticas que lembram ao filme Um Olhar do Paraíso, outro drama no qual uma jovem menina precisa se acostumar com sua nova realidade e os sonhos surgem como um alívio. Pena que em ambos os casos a realidade sempre chega de supetão para acabar com a fantasia.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

DON JUAN DEMARCO

NOTA 8,5

Inspirado por folclórico personagem,
romance usa a fantasia para exaltar
o amor e o valor das mulheres e reúne
dois grandes astros de gerações opostas
Quando um rapaz é metido a conquistador, é comum a brincadeira de rotulá-lo como um Don Juan, mas quem teria sido esse homem? Na verdade ele é um personagem fictício cuja alcunha virou sinônimo de libertinagem. Originado no folclore espanhol, ele tornou-se uma figura do universo literário em meados do século 17 quando foi publicado o romance “El Burlador de Sevilla”, obra atribuída ao dramaturgo Tirso de Molina. O personagem essencialmente é um sedutor que se alimenta do prazer da glória das conquistas. Quanto mais difícil o alvo, maior a satisfação. Geralmente seduz mulheres compromissadas e em espaços públicos, as atraí para um lugar privado e depois que consuma o ato sexual faz questão de divulgar o feito para afrontar rivais e demarcar sua posição de superioridade. Desde que tal arquétipo ganhou seu registro em um livro, ele também serviu como inspiração para muitos outros folhetins, poemas, artes plásticas e peças teatrais que ajudaram a perpetuar a imagem dos conquistadores latinos de sangue quente, ganhando popularidade definitiva através da ópera “Don Giovanni”, de Mozart. O cinema obviamente também não deixou de beber nessa fonte. Além de o mito ter sido explorado nos anos 70 em uma clássica adaptação cinematográfica da opereta, duas décadas mais tarde o sedutor foi inserido na cultura das novas gerações de forma mais ousada. O romance Don Juan DeMarco não se limita a contar a história de um ícone da sedução, mas sim como seu legado pode influenciar visto que muitos estudiosos consideram tal conquistador a personificação do desejo e da frustração em relação ao romantismo. A trama começa com o psicólogo Jack Mickler (Marlon Brando) sendo chamado com urgência para ajudar a polícia a impedir o suicídio de um rapaz que ameaça pular de uma altura considerável. O médico pensa que este é apenas mais um caso corriqueiro dos males causados pelos tempos modernos (se em meados dos anos 90 as coisas já estavam difíceis, hoje em dia nem se fala), mas nem imagina que seu encontro com esse jovem irá mudar radicalmente sua vida pessoal e também profissional. Trajando roupas de época e uma máscara negra, ele é salvo e se apresenta como Don Juan DeMarco (Johnny Depp), o mesmo nome do lendário espanhol que segundo a crença teria se envolvido com cerce de 1.500 mulheres em apenas alguns anos de sua juventude.

domingo, 8 de dezembro de 2013

LOUCURAS NA IDADE MÉDIA

Nota 3,0 Com previsíveis piadas, comédia se apoia em ator limitado a caretas e exageros corporais

Eddie Murphie, Cuba Gooding Jr., Chris Rock... Existem ótimos atores negros que encontraram na comédia seu território seguro. É uma pena que com o tempo o chão tende a ruir. Em Hollywood parece uma regra catapultar ao sucesso em velocidade recorde e tão logo puxar o tapete, só assim para explicar a quantidade de filmes bobos que se limitam a explorar o jeitão descolados de seus astros, algo que por vezes descamba para um lado preconceituoso exaltando a malandragem. Martin Lawrence virou estrela da noite para o dia com Vovó... Zona e com a publicidade e milhões que faturou bem que poderia ter recusado fazer Loucuras na Idade Média. Pelo título mirabolante ganho no Brasil já dá para ter ideia do que se resume a fita. Lawrence dá vida à Jamal Walker, um bonachão que trabalha em um parque de diversões de temática medieval que está caindo aos pedaços e que em breve deve ser soterrado com a concorrência de um novo complexo nos mesmos moldes que está para ser inaugurado em local próximo. Só com essa informação já dá para ver que criatividade não é o forte dos roteiristas Darryll Quarles, Peter Gaulke e Gerry Swallow,  até porque tal conflito não influi absolutamente nada na trama que claramente é construída para o protagonista usar e abusar de caras e bocas. Os primeiros minutos que o mostram se divertindo na frente do espelho escovando os dentes de forma bizarra comprovam isso e servem como um convite para deixar o filme de lado. Para quem quiser arriscar, vamos lá. Enquanto limpava um córrego que atravessa o parque sem explicação alguma vai parar na Inglaterra do longínquo ano de 1328, um mundo comandado por um rei impiedoso e habitado por cavaleiros vestidos em imponentes armaduras e donzelas indefesas. Inicialmente Walker acha tudo bastante divertido, acredita já estar no novo parque e até se espanta com o realismo dos cenários e roupas, e quando ajuda Sir Knolte (Tom Wilkinson), um cavaleiro bêbado, acredita que ajudou um simples sem-teto. Mesmo quando é recebido com toda pompa pelo rei Leo (Kevin Conway) e demais nobres, Walker ainda acredita estar em meio a atores ensaiando uma das atrações do parque. Contudo, ele é confundido com um mensageiro da Normandia envolvido em uma conspiração para matar o tirano líder a mando do noivo da princesa do reino, Regina (Jeannette Weegar).

sábado, 7 de dezembro de 2013

ESPÍRITOS FAMINTOS

Nota 3,5 Apesar de ser razoável, suspense não foge do clichê do fantasma que quer vingança

A onda de cinema de horror que enriqueceu os cofres e a cinematografia do oriente trouxe, apesar de muita bobagem no meio, alguns aspectos interessantes da cultura de países que levam a sério rituais funerários e a crença de que mortes violentas levam os espíritos a clamarem por vingança. O descanse em paz não é apenas uma frase de consolo, mas um objetivo que os vivos devem ajudar os desencarnados a conseguir e o filme Espíritos Famintos mostra um dos vários rituais usados para este fim. Jason Tsai (Terry Chen), a esposa Sarah (Jaime King) e o filho Sam (Regan Oey), de apenas seis anos, viajam para Xangai, na China, bem na época que se comemora o Mês do Fantasma Faminto. Eles saem do Canadá e vão para o funeral de um tio do rapaz que morreu inesperadamente e que deixou como herança para Mei (Pei-Pei Cheng), sua viúva, uma fábrica. Jason foi criado por essa família cujo patriarca era conhecido por fundar uma sociedade benevolente e também era chamado de “O Coletor de Ossos”, já que ele exumava os ossos de imigrantes e os enviava de volta a seus países de origem para serem enterrados junto aos demais familiares. Logo que chega à terra natal de seu pai Sam começa a ser atormentado por aparições de espíritos e é alertado por um nativo que o garoto e sua mãe têm almas sensíveis e que poderia ser muito perigosa a estadia em território chinês. Justamente naquele mês abria-se uma espécie de portal que dava acesso aos mortos ao mundo dos vivos, mas algumas dessas almas poderiam ser atormentadas e transformarem-se em demônios que infernizariam as vidas daqueles que os notasse. Dito e feito. Após relatar estar sendo perseguido por uma jovem fantasma, o garoto misteriosamente entra em um coma profundo de uma hora para a outra e os médicos não conseguem explicar o que há de errado com ele. Ao mesmo tempo que lida com o medo da morte do filho, Sarah ainda tem que aguentar a frieza e mau humor da tia Mei, com quem desde o início troca farpas, e tentar descobrir de quem é e o que quer o espírito que atormenta sua família.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

UMA NOITE FORA DE SÉRIE

NOTA 8,0

Junção de clichês de filmes
de espionagem e piadas
manjadas, longa funciona
por causa de protagonistas
O que acontece quando dois grandes nomes do humor se reúnem em um mesmo filme? A resposta é uma só: sucesso. Bem, nem sempre é isso que acontece. Uma Noite Fora de Série, mais um exemplar da recente safra de comédias do tipo marmanjos em apuros, não foi um êxito nos cinemas brasileiros, mas merece atenção no aconchego do lar. No circuito americano a produção foi uma das mais bem sucedidas do ano de 2010 e é fácil entende o motivo. Os protagonistas são famosos por suas atuações em seriados humorísticos badalados. Se a atriz Tina Fey até então era conhecida apenas por suas participações na TV, ela encontrou aqui a grande oportunidade apresentar seu talento mundialmente através do cinema e é claro que o prestígio de Steve Carrell a ajuda muito. Há muito tempo não vemos em cena uma dupla com tanta química e timing cômico. Eles são capazes de fazer rir só trocando olhares e o diretor Shawn Levy, cujo maior êxito comercial continua sendo Uma Noite no Museu, soube aproveitar muito bem o casal em uma narrativa que já teve diversas variações. Trabalhando com o tema de identidades trocadas, o longa nos remete a filmes e seriados antigos que usavam o mesmo plot e porque não dizer que dá até para lembrar do personagem Agente 86, afinal o próprio Carell o reviveu no cinema em um passado não muito distante. A cidade de Nova York é o palco para as trapalhadas de Claire (Tina) e Phil Foster (Carell), um casal que vive em harmonia, mas há muito tempo só pensam no trabalho e nos filhos e não se divertem mais. Certa noite eles decidem fazer um programa diferente e ir jantar em um badalado restaurante onde é preciso fazer reserva com antecedência. Sem saber desta norma e decididos a curtir a noitada como há anos não faziam, eles assumem a identidade dos Triplehorns, um casal que havia reservado uma mesa e não apareceu. O que parecia um golpe de sorte acaba virando um de azar. Interrompidos por dois misteriosos homens, os Fosters descobrem que com a troca de nomes foram confundidos com chantagistas que estão metidos em uma encrenca por possuírem um pen drive com fotos comprometedoras de uma pessoa influente, o gângster Joe Mérito (Ray Liotta). Tentando se livrar da situação, eles afirmam que estão com o tal objeto escondido em um ponto turístico e quando chegam lá dão um jeito de fugir, mas a cada novo passo eles se complicam ainda mais. Assim a noite que era para ser divertida virou uma sequência de perseguições, planos mirabolantes e muita confusão.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

DEIXE-ME ENTRAR

NOTA 8,0

Refilmagem de inesperado
sucesso sueco literalmente
copia o original e traz uma
nova visão sobre os vampiros
O cinema produzido fora do circuito hollywoodiano cada vez mais vem ganhando projeção e admiração não só da crítica especializada, mas também do público. Porém, basta fazer sucesso que logo os produtores ianques se entusiasmam e correm atrás dos responsáveis para comprar os direitos de refilmagens. Isso acontece há anos, mas essa onda tem se intensificado devido a escassez de ideias que o cinema americano frequentemente enfrenta. Um dos trabalhos do tipo que gerou certo burburinho foi o suspense Deixe-me Entrar, produção que foi lançada com a propaganda extra de ser baseada no longa sueco Deixa Ela Entrar, um sucesso inesperado que foi exibido em diversos festivais de filmes de terror e independentes e chamou a atenção dos americanos. Produção de horror fazendo um paralelo com a chegada da adolescência, o longa de Tomas Alfredson reúne uma série de virtudes, ainda mais se considerando o gênero ao qual pertence. Roteiro inteligente, boas atuações, efeitos especiais usados com parcimônia e uma fotografia invejável são alguns dos elogios que cabem à fita. Como em Hollywood hoje em dia pouco se cria e muito se copia, não demorou muito e o texto já estava nas mãos do diretor Matt Reeves para ganhar uma refilmagem. Diretor do inesperado sucesso Cloverfield - Monstro, o cineasta foi escolhido justamente por saber como aguçar a curiosidade dos espectadores. Somado a isso o entusiasmo pela boa aceitação da obra original e a atração que vampiros sempre exerceram em um público cativo, o projeto já nascia com tudo para dar certo e até serviu para mostrar uma nova forma de enxergar tais criaturas, não tão sanguinolentas e perversas como nos filmes de terror e longe da aura romântica que ganharam em Crepúsculo. A trama gira em torno de Owen (Kodi Smit-McPhee), um garoto solitário que vive com a mãe após a separação dos pais. Frequentemente ele é provocado e humilhado pelos valentões da escola e nutre dentro de si um desejo de vingança que extravasa as escondidas e para si mesmo. Certa noite ele conhece sua vizinha Abby (Chloe Moretz), uma garota que aparenta ter a mesma idade que ele, vive nas sombras e é tão quieta e sozinha quanto Owen, o que gera uma identificação imediata entre eles. Logo os dois estão trocando confidências e debatendo sobre a solidão ou a sensação de se sentir diferente dos outros, porém, o garoto nem desconfia que a jovem guarda segredos muito peculiares: ela é muito mais velha que sua aparência indica e precisa se alimentar de sangue. Para consegui-lo, seu acompanhante (Richard Jenkins) realiza assassinatos na calada da noite com o intuito de retirar o sangue das vítimas e levá-lo para Abby que se esforça ao máximo para não deixar que seus instintos a dominem forçando-a a matar para sobreviver, mas certamente uma hora será impossível conter seu instinto de violência. Ambos tentando se esconder daqueles que podem lhes fazer algum mal, não é de se estranhar que a noite para eles é uma benção e o momento que se sentem mais a vontade.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

INCONTROLÁVEL

NOTA 6,5

Mais um meio de 
transporte
desgovernado toca o terror e
os heróis anônimos fazem de
tudo para evitar o pior
Um meio de transporte desgovernado colocando em risco a vida de muitas pessoas e alguns poucos candidatos a heróis dispostos a tudo para impedirem uma terrível catástrofe. Bem, por essa breve descrição você já deve ter percebido que já viu essa mesma história de diversas formas e em diferentes épocas contando apenas com pequenas modificações que no fundo não trazem praticamente mudança alguma, mas ainda assim conseguem deixar muita gente roendo as unhas de tensão e se contorcendo com tanta correria e desespero que se vê na tela. Carros, aviões, ônibus e até navios desenfreados já invadiram os cinemas e Velocidade Máxima continua sendo o maior ícone deste tipo de produção. Com direção de Tony Scott, um apaixonado por filmes com altas doses de adrenalina, Incontrolável surgiu com intenções de roubar a coroa do endiabrado ônibus que foi salvo por Keanu Reeves e Sandra Bullock e entregá-la a dupla Chris Pine e Denzel Washington que enfrentam aqui um trem carregado de material altamente inflamável que está fora de rumo. O longa não decepciona os aficionados pela mistura de ação e suspense, pelo contrário, é um daqueles próprios para curtir em momentos de ficar com o papo para o ar. A história criada por Mark Bomback é bem clichê. Em um dia aparentemente normal em uma estação de trem o inesperado acontece. Uma composição de vagões carregados de produtos químicos altamente tóxicos viaja desgovernadamente e o perigo é iminente. O trem segue rumo a uma cidade podendo causar milhares de mortes e deixar muita gente ferida. Somente duas pessoas podem resolver esse problema: Frank (Washington), um veterano e experiente maquinista, e Will (Pine), um jovem condutor. Os dois estão em posições opostas no trabalho, mas precisam deixar seus conflitos de lado e se unir para colocar em prática uma operação de resgate muito arriscada, porém, para complicar, o tempo está contra eles. Para segurar aquela montanha de aço em disparada e evitar um desastre de proporções gigantescas os dois também contarão com as instruções de Connie (Rosario Dawson), uma das funcionárias do sistema de vigilância dos trens.

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