quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

A ÁRVORE DA VIDA

NOTA 9,0

Um dos filmes mais originais
dos últimos tempos só não ganha
nota máxima por inevitavelmente ser
uma obra para público específico
Filmes que participam ou vencem festivais já chegam aos cinemas com uma bela propaganda e com um público cheio de expectativas. Quando há um elenco e diretor de peso e o apoio da mídia, principalmente da internet, a ansiedade pelo que está por vir é ainda maior. Tal movimento de divulgação em massa ocorreu, por exemplo, com Melancolia, de Lars von Trier, que muito antes de estrear já chamava a atenção, até por conta das declarações polêmicas do diretor que na ocasião tornou-se pessoa não grata no Festival de Cannes que antes o recebia de braços aberto. O fato é que ter bastante publicidade de forma alguma serve como termômetro para avaliar se um filme é bom ou ruim e nessas muita gente acaba se decepcionando com o que assiste impulsionadas pelo pensamento de que precisa estar por dentro do que está sendo comentado. É ótimo que exista essa vontade de participar de alguma discussão, mas é preciso estar preparado para saber separar o gosto pessoal do coletivo. No caso de A Árvore da Vida também é preciso saber distinguir o que é um cinema de puro entretenimento e o que é uma produção voltada ao conceito de arte. O longa ganhou projeção pelas indicações e prêmios que conquistou e logo virou objeto de análises de blogs e sites que fomentaram sua publicidade, mas só pelo seu poético título já era de se esperar que é uma obra que prioriza sentimentos e contemplação, ainda mais quando descobrimos que leva a assinatura do diretor e roteirista Terrence Malick. Na época completando 38 anos de carreira, ele contabilizada apenas cinco longas em seu currículo, mas a pouca produtividade em nada arranha a fama do cineasta, pelo contrário, curiosamente só soma, sendo que seus filmes surgem com uma aura diferenciada. Após o pouco visto O Novo Mundo, drama épico que conta a história da índia Pocahontas sob uma ótica mais adulta, ele voltava aos holofotes para tratar da relação entre pai e filho de uma família comum propondo uma interessante analogia com o surgimento do universo até o fim dos tempos. Dessa forma, o diretor narra uma grande viagem pela evolução da vida e tenta desvendar seus mistérios ao mesmo tempo em que liga esses temas ao viés familiar mostrando os efeitos da natureza e da fé sobre um grupo de pessoas. Chegaram a tentar rotular o filme como produção de cunho religioso, mas na verdade não existe defesa de dogmas de qualquer tipo de crença. O objetivo é levar à reflexão sobre os caminhos da vida que é feita de momentos de alegria e tristeza em proporções semelhantes, além de ser influenciada pelos rumos da natureza e do próprio ser humano.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

ANASTASIA

NOTA 7,5

Seguindo a risca fórmulas Disney,
animação cumpre seu papel de entreter,
mas apesar da trama de cunho adulto
longa peca no quesito originalidade
Não tem jeito. Longa-metragem de animação divertido e de qualidade é sinônimo de Disney e ponto final. Durante muito tempo tal empresa conseguiu ostentar elogios do tipo, mas no final da década de 1990 outros estúdios começaram a se organizar para contra-atacar a gigante do entretenimento familiar. Após um longo e conturbado período a casa do Mickey Mouse conseguiu se reerguer com sucessos como O Rei Leão, projeto que mostrou que ousar poderia ser o segredo para se manter no topo, porém, versões infantilizadas de contos como Pocahontas e O Corcunda de Notre Dame não conseguiram a repercussão esperada. Mesmo assim, outros estúdios resolveram entrar na briga pela audiência infantil e consequentemente conquistar a atenção de seus pais explorando tramas originais ou de cunho mais adulto. A Twenty Century Fox, uma das mais tradicionais companhias cinematográficas dos EUA, aproveitou um momento de descuido da concorrente que relançava no Natal de 1997 o clássico A Pequena Sereia apoiando-se na publicidade da restauração do longa e assim conseguiu espaço para Anastasia brilhar, ainda que discretamente. Animação tradicionalíssima, a fita combina todos os elementos que fizeram a fama da Disney: capricho visual, cenários e figurinos repletos de detalhes, canções que ajudam a contar a história e astros e estrelas emprestando suas vozes aos personagens, além de momentos açucarados ou de emoção escancarada. No centro das atenções uma linda princesa trata de passar a mensagem de que para ser alguém na vida é preciso ter coragem, determinação e caráter e é claro que um detestável vilão não poderia faltar para reforçar a lição de moral de que o crime não compensa. Baseada na peça teatral de Marcelle Maurette, a trama se passa na Rússia entre as décadas de 1910 e 1920 e segue os passos da infância à juventude de Anastasia, a filha do Czar Nicholas. Em dezembro de 1916, durante uma noite de festa no palácio da nobre família Romanov, uma confusão acontece devido a Revolução Russa e o maldoso feiticeiro Rasputin aproveita para se livrar de todos aqueles a quem declarou guerra. Do tradicional e poderoso clã apenas a Imperatriz Maria sobrevive ao ataque. Sua dor é maior pela perda da neta ainda criança, assim decide se mudar Paris para tentar esquecer a tragédia.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

SOBREVIVENDO AO NATAL

NOTA 7,0

Como toda boa ceia de Natal,
longa conta com situações
tradicionais à produções do gênero
e ratifica mensagens de solidariedade
Todo Natal é a mesma coisa. As pessoas reclamam da correria, dos compromissos, do estresse das compras e do cansaço para os preparativos da ceia e do almoço, mas que atire a primeira pedra quem nunca parou para pensar o quanto seria chato passar esta data sozinho e ignorando tudo que envolva tal festa? Bem, há quem realmente não goste do período natalino e não tem nada que os faça mudar de ideia, mas é certo que muitos preferem esquecer qualquer imagem que lembre ao Papai Noel por causa de lembranças tristes e esse é o ponto de partida de Sobrevivendo ao Natal, comédia que reúne tradicionais elementos de filmes que comemoram a data e exaltam o espírito de solidariedade e a importância da família e amigos, mas que acabou sendo mal recepcionado pela crítica e público americano e consequentemente chegou chamuscado em outros países. A trama gira em torno de Drew Lathan (Ben Affleck), um executivo bem sucedido, mas cheio de problemas emocionais por causa de seu passado humilde e praticamente solitário. Cansado de passar o Natal sozinho ele é aconselhado a voltar à casa em que morou quando criança e assim realizar uma espécie de simpatia para recuperar sua alegria e entusiasmo a respeito da data festiva. O problema é que o tempo só parou de certa forma para o rapaz e agora a residência está ligeiramente modificada e abriga uma nova família, os Valcos. Dizem que tem coisas que o dinheiro não compra, será mesmo? Acostumado a esbanjar dinheiro com futilidades, Lathan não pensa duas vezes e logo propõe uma insólita, porém, tentadora proposta ao clã: oferece um bom dinheiro para que eles finjam serem os parentes que ele nunca teve e lhe proporcionem uma festa natalina tradicional como ele sempre sonhou. O patriarca Tom (James Gandolfini) aceita a ideia numa boa assim como sua esposa Christine (Catherine O’Hara) e seu filho Brian (Josh Zuckerman), mesmo após uma breve hesitação, mas nada que um polpudo cheque não resolvesse. Todo o acordo foi sacramentado com direito a contrato impresso e cláusulas rigidamente estipuladas, mas os Valcos não esperavam que o tal marmanjo iria mudar suas vidas enlouquecendo-os com seus devaneios de família perfeita e tradições natalinas.

domingo, 21 de dezembro de 2014

AGNES BROWNE - O DESPERTAR DE UMA VIDA

Nota 7,5 Anjelica Huston dirige e protagoniza drama com apelo universal, mas esquecido

Ela tem um tipo exótico que lhe permite interpretar os mais diversos papéis. Mulheres fortes, sofridas, esnobes, excêntricas, comuns ou vilãs. Não importa. Anjelica Huston sempre dá conta do recado, pena que selecione tanto seus trabalhos, o que priva o público de desfrutar de seu talento por longos hiatos de tempos. Conhecida por atuações em A Família Addams e Convenção das Bruxas, clássicos das sessões da tarde, e detentora de um Oscar por A Honra do Poderoso Prizzi, pouca gente sabe que a atriz também já se arriscou a trabalhar atrás das câmeras. Experiência para tanto ela tem sobra. Além de observar os trabalhos de diretores quando está atuando, dentro da própria casa ela já tinha uma verdadeira escola. Filha do cultuado cineasta John Huston, a intimidade com a direção foi passada de pai para filha. Em Agnes Browne – O Despertar de Uma Vida ela se divide entre viver a personagem-título e dirigir este drama que fala sobre dar a volta por cima, família, desafios e valorização da amizade. Em 1967, na Irlanda, Agnes Browne está passando por uma situação complicada. Após perder o marido, ela precisa dar conta de sustentar seus sete filhos e pagar suas contas, assim é obrigada a pedir um empréstimo a um agiota inescrupuloso, o Sr. Billy (Ray Winstone). Para recomeçar a vida, passa a vender legumes e frutas no mercado local, onde faz amizade com Marion Monks (Marion O'Dwye), uma mulher diferente de todas as outras que havia conhecido até então. Mesmo lutando contra um câncer, ela é otimista e encoraja a nova amiga a não desistir de lutar pelo que quer. Agnes estaria disposta a esquecer definitivamente os homens, mas o tempo passa e reserva uma surpresa para ela. A novata feirante percebe que o francês Pierre (Arno Chevrier), o padeiro que se instala próximo a sua barraca, está tentando se aproximar com interesse amoroso. Assim, ela tem uma segunda chance de ser feliz e reavalia sua vida, sempre sofrida e nunca totalmente feliz em seu primeiro casamento. Tudo conspira a favor da felicidade da protagonista e certamente já vimos este mesmo conto em muitos outros filmes, mas o que importa não é o final e sim como os fatos são narrados. A delicadeza e emoção de Anjelica fazem toda a diferença para a condução deste drama. E neste caso em dose dupla.

sábado, 20 de dezembro de 2014

ENQUANTO ELA ESTÁ FORA

Nota 4,0 Suspense poderia ir além, mas opta pelo caminho seguro dos sustos e perseguições

Fim de ano é época de alegrias, energias positivas, renovação, bons sentimentos e ... loucos à solta! É isso que vai descobrir a protagonista do suspense Enquanto Ela Está Fora. É véspera de Natal quando a apática dona de casa Della (Kim Basinger) resolve fazer umas últimas comprinhas. Na realidade ela só queria ter uma desculpa para ficar longe do marido Kenneth (Craig Sheffer), um grosseirão que a despreza e maltrata. Antes tivesse escolhido ficar em casa. Quando busca uma vaga para estacionar no shopping na tarde chuvosa e fria (a ambientação é um ponto alto da fita), ela fica furiosa ao perceber que duas delas estavam sendo ocupadas por um mesmo veículo de forma proposital e resolve deixar um recado no para-brisas do mesmo alertando o motorista sobre a atitude egoísta. Todos sabem que não se deve mexer com estranhos, assim já dá para imaginar o que vai acontecer, mas antes do suspense engrenar o início do filme é bem chatinho. Da dúvida entre tomar uma bebida quente ou comer um cookie, passando pela desistência da compra de uma camisola até o encontro com uma antiga amiga da faculdade que parece levar uma vida plenamente feliz, os primeiros minutos da fita são dedicados a mostrar a passividade de Della, uma mulher incapaz de tomar simples decisões. Quando impulsivamente resolve ter alguma atitude diante de um problema acaba não medindo as consequências e se mete em uma grande encrenca. Ao voltar ao estacionamento ela é surpreendida por quatro rapazes que a ameaçam. Um segurança tenta intervir, mas é assassinado pelo grupo e na confusão Della consegue entrar em seu carro e fugir, começando assim uma intensa perseguição cujo longo e intenso clímax se dá em uma densa e escura floresta.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

A CASA SILENCIOSA

NOTA 2,5

Praticamente fazendo uma cópia do
uruguaio A Casa, repetindo erros e sem
inovação alguma, longa comprova a
falta de criatividade de Hollywood
No Brasil é comum o ditado que diz que na TV nada se cria e tudo se copia, mas tal máxima também cai como uma luva à Hollywood. Produtores da Meca do cinema estão sempre de olho no que está sendo produzido fora dos EUA à procura de bons roteiros que possam gerar refilmagens. Muitos filmes recentes estão ganhando novas versões para agradar ao público ianque que detesta dublagens ou legendas, mas também para suprir a falta de criatividade e até fazer economia de tempo e dinheiro afinal deve sair bem mais em conta apostar numa cópia de algo já testado e aprovado do que apostar em uma ideia original que possa fracassar. Baseado em um caso verídico ocorrido na década de 1940 envolvendo misteriosos assassinatos, A Casa Silenciosa foi lançado apenas dois anos depois do uruguaio A Casa ter gerado certo burburinho e chamado a atenção em festivais como Cannes e Sundance. A obra original tinha a seu favor a duvidosa publicidade de ser uma narrativa totalmente em plano sequência oferecendo quase uma hora e meia de puro terror psicológico. Utilizando o mesmo artifício, a versão americana segue a risca a fórmula do filme latino buscando gerar sustos explorando o medo do desconhecido através das percepções da protagonista Sarah (Elizabeth Olsen – irmã mais nova e bem mais talentosa das famosas gêmeas Ashley e Mary-Kate Olsen), uma jovem que acompanha o pai John (Adam Trese) e seu tio Peter (Eric Sheffer Stevens) até a antiga casa de campo de sua família. A propriedade está abandonada há anos e até foi invadida por vândalos, assim os donos decidiram arrumá-la e colocar à venda, porém, os irmãos se desentendem e Peter resolve ir passar a noite fora.

domingo, 14 de dezembro de 2014

PARENTES PERFEITOS

 Nota 6,5 Entre o pastelão e a crítica, longa é previsível reforçando valores e laços familiares

Ser independente, bem sucedido e ter ao lado uma bela e amável mulher. Esse é o sonho de praticamente todo o homem e também o que norteava a vida de Richard Clayton (Ron Livingston), o protagonista da comédia Parentes Perfeitos. Formado na área de psicologia e afins, o rapaz é famoso por suas palestras, programa de rádio e seu livro de autoajuda que está na lista dos mais vendidos. Para completar sua felicidade, faltam apenas três semanas para trocar alianças com sua noiva, a amorosa e paciente Ellen (Neve Campbell). Tudo ia bem até que em uma reunião familiar seu irmão Mitch (Bob Odenkirk) lhe faz uma revelação bombástica: Richard é adotado! Criado pelo refinado casal Arleen (Christine Baranski) e Doug Clayton (Edward Hermann), o psicólogo sempre teve de tudo do bom e do melhor, o que o tornou um pouco arrogante, mas mesmo assim ele faz questão de buscar suas raízes. Com a ajuda de um detetive particular, ele descobre que seus pais biológicos carregam um sobrenome francês, o que alimenta suas fantasias que seria filho de um casal de intelectuais ou algo do gênero. Quando finalmente encontra seus parentes para passarem um fim de semana juntos, Richard tem uma desagradável surpresa. Agnes (Kathy Bates) e Frank Estercot (Danny DeVito) formam um casal vexatório. Eles são caipiras ao extremo, mal educados, destemperados e até na diferença de altura chamam a atenção, os tipos perfeitos para virarem alvos de piadas, mas na verdade são eles que involuntariamente tiram um sarro dos outros.

sábado, 13 de dezembro de 2014

O JOGO DOS ESPÍRITOS

Nota 0,5 Bom argumento é perdido apoiando-se na fórmula e erros das fitas de seriais killers

Você já ouviu falar no jogo do copo para evocar espíritos? Tentação entre jovens que não tem nada para fazer, não se sabe se ao certo se essa brincadeira realmente tem o poder de abrir uma passagem de comunicação com os mortos, mas o fato é que toda a lenda criada em torno dela teria potencial para um bom filme de terror, pena que o diretor Marcus Adams desperdiçou a chance de explorá-la logo em sua estreia nas telonas e seu O Jogo dos Espíritos nada mais é que uma variação preguiçosa e tediosa de filmes de seriais killers. Basta trocar o assassino mascarado por uma entidade do mal que passa a perseguir um grupo de jovens acéfalos que quando não estão gritando ou fazendo caras e bocas de espanto travam diálogos com a mesma profundidade de um pires. A trama tem um prólogo passado no Marrocos em 1979 quando num ritual satânico fora evocado o demônio árabe Djinn que segundo a literatura ocultista é um espírito do fogo. A cerimônia terminou de forma catastrófica para seus participantes que foram atacados pela tal entidade e acabaram com letais queimaduras pelo corpo. O espectro foi esconjurado e ficou enclausurado por muito tempo até que 23 anos depois em Londres foi novamente evocado por um grupo de jovens embriagados e inconsequentes. Certa noite Lucy (Marsha Thomason), que conhece um pouco sobre teorias do além, propõe aos amigos Annie (Melanie Gutteridge), Spense (James Hillier), Stella (Lara Belmont), Webster (Lukas Haas), Joe (Mel Raido), Rob (Joe Absolom) e Liam (Alec Newman) que façam a experiência de manipular uma tábua Ouija, um tabuleiro com letras improvisadas e dispostas em forma de círculo. A ideia é que todos os participantes apoiem um dedo em um copo de vidro e se concentrem em uma corrente para abrir um portal de comunicação com o mundo dos mortos. Começam a ser lançadas perguntas e os espíritos respondem guiando o copo letra por letra até formar palavras ou frases curtas. No caso, logo na primeira pergunta a resposta é que todos eles serão mortos, o bastante para Liam entrar em desespero e tirar seu dedo do jogo, o que reza a lenda deixa a oportunidade do espírito contatado ficar livre no mundo dos vivos.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

A MORTE CONVIDA PARA DANÇAR

NOTA 2,0

Supostamente um remake de fita
da década de 1980, longa apenas
reaproveita título para nova história,
ou melhor, para requentar clichês
Na época do colégio muitos jovens sonham com o baile de formatura e a cultura americana através do cinema e da televisão propagou pelo mundo todo a ideia de que o evento é como um rito de passagem para a maioridade simbolizando o momento de assumir responsabilidades, tomar importantes decisões, enfim, tornar-se um adulto com A maiúsculo. Todavia, para a protagonista de A Morte Convida Para Dançar a tão aguardada noite acaba se tornando um pesadelo. Donna Keppel (Brittany Snow), após muito tempo se se divertir, aguardava ansiosamente pela festa de fim de ano da escola e planejava aproveitá-la ao máximo ao lado do namorado Bobby (Scott Porter) e de seus amigos Claire (Jessica Stroup), Lisa (Dana Davies), Ronnie (Collins Pennie) e Michael (Kelly Beatz), porém, tudo dá errado graças ao seu passado que volta a lhe atormentar. No início do colegial a garota teve aulas com Richard Fenton (Johnathon Schaech), um professor que se apaixonou por ela de maneira obsessiva, mas que não teve seu amor correspondido. Ele então passou a persegui-la achando que deveria a proteger de tudo e de todos que pudessem lhe causar algum mal, inclusive afastá-la de seus próprios pais que ele assassina friamente. O roteiro de J. S. Cardone, do suspense juvenil O Pacto, começa enfocando justamente esse brutal crime hediondo, o que deveria instigar o espectador a descobrir quais as consequências deste episódio. O problema é que a trama apenas requenta clichês de outros filmes de seriais killers, copiando inclusive seus defeitos não deixando de lado nem mesmo a figura do detetive metido a esperto, mas que no fundo é um idiota sem função na trama afinal qual a graça de uma produção do tipo quando já sabemos desde o início a identidade do vilão? Bem, nas mãos de gente talentosa isso não seria um empecilho, porém, sob os cuidados de despreparados a trama resume-se a uma bobagem que nem mesmo um clima adequado de tensão consegue estabelecer.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

O CHEIRO DO PAPAIA VERDE

NOTA 10,0

Drama passado nas castigadas terras
do Vietnã mostra o amadurecimento
de uma jovem durante tempos difíceis,
mas que não perdeu sua inocência e sonhos
O cinema oriental nos últimos anos conseguiu extrapolar as barreiras do cult e chegar ao grande público graças a grande projeção de obras como O Tigre e o Dragão, Herói, O Clã das Adagas Voadoras e Memórias de Uma Gueixa, porém, hoje até é possível observar um leve retrocesso na procura de filmes asiáticos por parte dos espectadores, sendo que a maior parte das obras do tipo fica restrita ao circuito alternativo de exibição ou são lançadas diretamente em DVD. Na década de 90, os filmes produzidos do outro lado do mundo chegavam até nós graças aos prêmios e indicações que conquistavam, o que reforçavam sua publicidade, mas ainda assim a procura não era suficiente. Felizmente, sempre existiram distribuidoras com o intuito de levar raridades aos países mais distantes e foi assim que alguns cinéfilos ficaram conhecendo a cultura dos povos dos olhinhos puxados. Entre alguns dos títulos lançados na época encontramos algo inusitado, O Cheiro do Papaia Verde, um filme poético passado no Vietnã. Sim, o país eternamente associado à imagem das atrocidades de uma guerra também faz cinema, aliás, com conteúdo e imagens deslumbrantes. Na realidade esta é uma produção franco-vietnamita escrita e dirigida por Tran Anh Hung. Dividindo os elogios entre a França e o Vietnã, a obra participou de festivais e ganhou alguns poucos prêmios, mas o suficiente para transformá-lo em um título cultuado, ainda mais após a indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. A obra segue a receita das grandes produções de estilo oriental. A estética, o texto e o ritmo parecem ser comandados por uma única pessoa de tão perfeita que é a harmonia entre eles. Trilha sonora tranquila, cores sutis, fotografia impecável e interpretações que nos fazem acreditar realmente que uma imagem vale mais que mil palavras. No mesmo estilo de seu contemporâneo Como Água Para Chocolate, aqui a comida é um adorno essencial para falar de relacionamentos, o que explica o seu curioso título.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

STIGMATA

NOTA 4,0

Com tema polêmico, longa
tenta se equilibrar entre sérias
discussões sobre fé e sustos
fáceis para prender atenção
Explorar questões sobrenaturais sempre rendeu muito dinheiro à indústria do cinema, principalmente para o norte-americano, mas quando se pretende lidar com o tema aliado aos mistérios que envolvem a religião católica a coisa complica. Tratar de assuntos bíblicos em filmes que na verdade pretendem provocar sustos é como mexer numa ferida e no caso de Stigmata literalmente é o que acontece. A trama escrita por Tom Lazarus e Rick Romage começa em uma cidade no sudoeste do Brasil chamada Belo Quinto (vilarejo fictício e que nos envergonha ao mostrar nosso país com ares de terras mexicanas ou de algum lugar parado no tempo), local que recebe a visita do padre Andrew Kiernan (Gabriel Byrne). Ele foi mandado pelo Vaticano para investigar o caso de uma igreja que abriga a estátua de uma santa que verte lágrimas em sangue. Curiosamente, o estranho fato começou a ocorrer no dia em que o padre responsável pela basílica faleceu. Enquanto Kiernan fotografava a escultura um garoto furtou um rosário que estava junto ao corpo do falecido e vendeu o artefato para uma desavisada turista que o envia de presente para Frankie Paige (Patricia Aquette), sua filha que vive em Nova York. Ela é uma jovem cabeleireira que leva uma vida pacata, mas desde que recebeu o tal presente uma série de estranhos acontecimentos começaram a lhe perturbar. Em pouco tempo ela passa a ser vítima de estigmas, fenômeno que provoca feridas idênticas às que marcaram a crucificação de Jesus Cristo e que supostamente acometem algumas pessoas de uma hora para a outra. Seriam sinais de dádiva ou de algo demoníaco? Para Frankie tais chagas representam um terrível pesadelo que desvirtua seu cotidiano completamente.

domingo, 30 de novembro de 2014

O REENCONTRO

Nota 7,5 Embora com trama simples, drama cresce com interpretações naturais e roteiro afiado

Superar a dor. Há quem defenda que isso não existe, é impossível esquecer algo que nos faz sofrer. O que existe são acontecimentos que a própria vida se encarrega de colocar em nossos caminhos e que nos fazem ocupar a mente e o tempo, mas as perdas, sejam físicas ou emocionais, permanecem no subconsciente podendo ou não voltarem à tona com certa frequência. Isso vai depender de como cada um reage a algo negativo, o grau de interferência do problema em sua vida e inúmeros agentes externos, tanto positivos quanto negativos. Muitos filmes já abordaram tal temática por inúmeros vieses, assim primar pela originalidade é uma barreira a ser vencida por esta espécie de subgênero dramático. É esse o grande desafio de O Reencontro que logo em seus primeiros minutos entrega sem rodeios seu propósito: simplesmente emocionar. E nem é preciso muito esforço para tanto. O roteiro de Guy Thomas tem como alicerces diversos clichês já testados e aprovados para levar o espectador às lágrimas.  Monte Wildhom (Morgan Freeman) é um escritor que já viveu tempos áureos com suas histórias de faroeste, mas deixou de lado  há alguns anos a escrita assim como o gosto pela vida após perder a esposa em um acidente e ter ficado paraplégico e condenado a depender de uma cadeira de rodas. A contra-gosto ele aceita a proposta do sobrinho Henry (Kenan Thompson) de ir passar uma temporada na casa de um amigo que estava viajando. Localizado próximo a um lago na pacata cidade de Belle Isle, o local seria perfeito para relaxar e inspirar o sujeito ranzinza a voltar a criar, mas nem mesmo a companhia de sua boa e velha máquina de escrever o motiva mais. Tudo que Wildhom quer é se embebedar com uísque para esquecer de seus problemas e se afastar mais ainda da realidade, embora nunca perca a lucidez por completo. Isso até que ele conhece sua nova vizinha, Charlotte O´Neill (Virginia Madsen), e suas três filhas, a adolescente Willow (Madeline Carroll), Finn (Emma Fuhrmann), a do meio, e a caçula Flora (Nicolette Pierini). É a convivência com essa família que justifica o título nacional: o reencontro do protagonista com o prazer de viver.

sábado, 29 de novembro de 2014

EU ESTOU ESPERANDO POR VOCÊ

Nota 1,0 Com tipos insossos e trama batida, fita de serial killer não conquista nem fãs do gênero

Quem foi adolescente no final da década de 1990 teve o prazer de vivenciar um pouco do que certamente seus pais viveram alguns anos antes. Seja em fitas VHS ou DVD, um dos programas preferidos dos jovens era se reunir na casa de algum amigo a noite para curtir uma sessão de terror, principalmente as fitas protagonizadas por psicopatas como Sexta-Feira 13 e A Hora do Pesadelo. Quando o gênero dos slashers movie parecia sepultado, Pânico deu sobrevida aos mascarados deitando e rolando em cima dos clichês e da ignorância de certos perfis de personagens, fórmula que também garantiu o sucesso de Lenda Urbana e Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado. Muitas outras fitas menores surgiram querendo aproveitar tal onda, a maioria não fazendo questão alguma de esconder a falta de criatividade como, por exemplo, Eu Estou Esperando Por Você. Só o título já é um aviso de que vem bomba por aí. A produção é totalmente desnecessária, apenas requentando clichês e até mesmo repetindo erros de outros filmes semelhantes. Sarah Zoltanne (Sarah Chalke) e sua mãe Rosemary (Markie Post) acabam de se mudar para uma casa na região do Massachussets, na Nova Inglaterra, uma construção cercada de mistérios e que parece que literalmente parou no tempo, mais especificamente há três séculos. Desde sua chegada a jovem tem recebido telefonemas anônimos nos quais uma voz sinistra diz  a frase que intitula a fita. Além disso ela vem sendo atormentada por pesadelos que tem com uma jovem também chamada Sarah que, segundo a lenda local, séculos atrás fora queimada em uma fogueira nessa mesma casa rotulada como uma bruxa prometendo voltar para se vingar dos descendentes daqueles que lhe condenaram a morte. É claro que tais vítimas não por acaso farão parte do círculo social da protagonista, ainda que não sejam seus amigos, apenas jovens bobocas e metidos a populares no colégio e que azucrinam os novatos e a quem tacham como esquisitos.

sábado, 22 de novembro de 2014

TREM FANTASMA

Nota 1,0 Um maníaco perseguindo jovens incautos, você já sabe o final da viagem deste trem

A fita de horror Trem Fantasma não tem como cenário uma locomotiva assombrada por almas penadas. Muito melhor que isso. Explorando a propícia ambientação da atração homônima ao filme, uma das mais populares dos parques de diversões, o diretor Craig Singer deita e rola com as possibilidades oferecidas pelo brinquedo.... Quem dera fosse assim. Ainda que dispense o caminho manjado de espectros tocando o terror (argumento que também faria jus ao título), o roteiro do próprio cineasta em parceria com Robert Dean Klein aposta em um argumento nada original, algo desavergonhadamente copiado do clássico oitentista Pague Para Entrar, Reze Para Sair. As duas produções têm em comum o fato de terem um desenvolvimento lento na primeira parte baseado em diálogos para aproximar o espectador do universo dos personagens. A diferença é que Craig oferece conversas tão interessantes que anulam qualquer possibilidade de construção de um clima adequado para a proposta do longa. Em certos momentos ficamos na dúvida se a intenção era parodiar o gênero terror cruzando-o com o estilo American Pie e derivados já que drogas e sexo dominam o papo dos adolescentes protagonistas desta abobrinha, um elenco um tanto canastrão para combinar com uma produção que tenta tirar leite de pedra das batidas histórias de seriais killers. O prólogo se passa em 1989 num parque de diversões em New Jersey quando duas adolescentes gêmeas estão fazendo um passeio pelo tal trem fantasma, uma entusiasmadíssima enquanto a outra não esconde seu temor como se soubesse o que aconteceria. Ambas são vítimas dentro do próprio brinquedo de um maníaco que as esquarteja. O assassino é capturado pela polícia que encontra no local outros quatorze corpos. Ele é condenado a cumprir pena em uma prisão psiquiátrica e o parque é interditado, sendo reaberto ao público mais de quinze anos após o incidente. É nesse ponto que conhecemos uma turma de jovens que estão prestes a pôr o pé na estrada com destino à New Orleans para curtir um feriado, mas é claro que ao saberem sobre a reinauguração do brinquedo não vão resistir e decidem fazer um pequeno desvio na viagem e conferirem a atração antes do público. E tudo para economizarem uma noite de hotel! Já diz o ditado, o barato sai caro.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

CASO 39

NOTA 1,0

Forçando mais uma vez guela

abaixo a história de uma criança
ligada à forças malignas, longa é
extremamente chato e previsível 
Se não bastasse Hollywood recorrer a refilmagens de produções estrangeiras para tapear sua crise de criatividade, também é moda por lá seduzir cineastas com carreiras promissoras em seus países de origem com a promessa de bons trabalhos. Se arrependimento matasse... Após dirigir dois longas de terror de relativo sucesso na Alemanha e com eles conquistar alguns prêmios em festivais internacionais, o diretor Christian Alvart foi levado os states para dirigir a ficção científica Pandorum. Escondido da imprensa brasileira, o longa passou em brancas nuvens repetindo seu anonimato no cenário internacional. A redenção poderia ter vindo com o suspense Caso 39, mas o resultado irregular é justificável pelo acúmulo de clichês que não levam a lugar algum. A trama escrita por Roy Wright, do também fraquíssimo suspense Pulse, tem como protagonista Emily Jenkins (Renée Zellweger), uma assistente social especializada em casos de maus tratos contra menores. Se já não bastassem as 38 investigações com as quais está envolvida, a moça ainda é incumbida de resolver o problema que dá título ao filme, uma situação que transformará sua vida em um verdadeiro inferno. A garota Lilith Sullivan (Jodelle Ferland) é uma criança que está correndo riscos convivendo com os próprios pais, diga-se de passagem, estranhíssimos. Na hora de colocar tudo em partos limpos a mesma nega que sofre violência em casa, mas Emily percebe a mentira e resolve interceder drasticamente. Após salvá-la de literalmente quase virar um assado (!), a assistente social decide adotar legalmente a menina e é aí que os problemas começam. Estranhos eventos passam a acontecer no cotidiano desta pacata mulher e revelam que a criança aparentemente inocente na verdade esconde ligações com forças malignas.

domingo, 16 de novembro de 2014

SONHO PROIBIDO

Nota 8,0 Drama de época traz à tona a eterna rixa entre o compromisso religioso e o prazer 

Franco Zefirelli é um diretor que divide a crítica. Já foi muito elogiado pelas transposições para o cinema de peças de Shakespeare e até de famosas óperas, porém, também é muito execrado por causa do forte sentimentalismo presente em seus trabalhos. Ao contrário da fama da maioria dos cineastas europeus o italiano não busca exatamente fazer uma obra de arte com seus filmes, apesar de que o resultado geralmente seja próximo, mas busca fazer um cinema explicitamente mais comercial. Partindo de histórias clássicas que permitam que os personagens transitem em cenários de encher os olhos e vistam belos figurinos, o diretor procura sempre se cercar de um elenco de fora do território italiano visando que suas produções obtenham êxito em qualquer lugar que forem exibidas. Várias delas são de fácil acesso em lojas e locadoras, desde uma antiguidade como Irmão Sol, Irmã Lua até mais recentes como Chá com Mussolini, mas, infelizmente, algumas foram esquecidas, como, por exemplo, Sonho Proibido escrito pelo próprio diretor em parceria com Allan Baker. Baseado no romance "Storia de una Capinera", escrito por Giovanni Verga e publicado originalmente em 1870, a história se passa na Sicília, na Itália, em uma época em que uma epidemia de cólera ameaçava as vidas de todos os habitantes do local. Por ordem superior, as noviças também eram obrigadas a abandonar o convento e retornar para as casas de suas famílias até que não existisse mais o risco de ninguém contrair a doença. Maria (Angela Bettis) é uma destas jovens. Ela vive com as madres desde quando era criança. Para Mathilde (Sinead Cusack), sua madrasta, a volta repentina da enteada não é bem vista, pois ela teme que as tentações do mundo desviem as atenções da moça do caminho que ela estava seguindo até então. Realmente, é muito difícil alguém conseguir se manter afastado da rotina de uma região quando não se está enclausurado, assim, a noviça passa a viver intensamente o cotidiano do vilarejo onde sua família reside e acaba despertando a atenção de um rapaz, Nino (Jonathon Schaech).

sábado, 15 de novembro de 2014

PASSADO DE SANGUE

Nota 6,0 Mescla de drama e suspense envolvendo refugiados de guerra é passatempo ligeiro

Quando falamos em guerra é comum nos lembramos de conflitos marcantes do passado, mas ainda há muitas batalhas sangrentas travadas pelo mundo todo. Estranhamente, mesmo com todo aparato tecnológico e de comunicação disponível hoje em dia, poucos desses fatos chegam ao conhecimento público, principalmente quando envolvem regiões onde a miséria e o descaso de autoridades são inerentes. O drama com pitadas de suspense Passado de Sangue não enfoca a guerra propriamente dita, mas sim as dificuldades pelas quais passam os refugiados, pessoas que por mais que se esforcem dificilmente deixarão de ser estigmatizados nos países onde buscam abrigo. Vistos como imigrantes que ajudam a inflar as estatísticas de desemprego ou até mesmo de crimes, a situação é ainda mais agravante quando a cor da pele torna-se motivo para aumentar o preconceito. Na trama escrita e dirigida por David Gleeson acompanhamos o drama vivido por Joe Yumba (Eriq Ebouaney) que fugiu das péssimas condições de vida do Congo para tentar a sorte na Irlanda, mas desde sua chegada as coisas não foram nada fáceis. Demorou muito para conseguir o documento que lhe permitiria viver e trabalhar no país tranquilamente, uma grande sondagem para certificarem-se de que não era um criminoso infiltrando-se em terras europeias, mas isso não evitou que ele se tornasse um dos principais suspeitos de um assalto ao banco onde trabalhava como segurança. Na realidade este homem se envolveu realmente com tal fato, mas tentando fazer o bem. Ele recebeu em sua casa os refugiados Kala (Fatou N’Diaye) e o garoto Daniel (Brian Eli Ssebunya) e os assumiu como sua família para evitar problemas a seus compatriotas que também fugiam da sangrenta guerra civil em seu país natal.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

A CHAMADA

NOTA 6,0

Premissa promete trama intricada
e crítica a respeito da manipulação da
tecnologia e ganância humana, mas no fim
das contas é apenas um passatempo ligeiro
Já faz muito tempo que o celular deixou de ser apenas um meio de comunicação para quando as pessoas estão fora de casa. Muita gente já abandonou os telefones fixos e optou por ficar apenas com um ou mais aparelhos móveis, assim não raramente encontramos pessoas que chegam a dormir com eles ligados ou viciados que não conseguem mais ficar cinco minutos sem verificar ou enviar torpedos. Coitados dos operadores de telemarketing que simplesmente para cumprirem suas tarefas podem comprar brigas feias com os usuários que podem ser encontrados não apenas na intimidade do lar, mas também no trabalho ou na hora do lazer. É o preço da modernidade. E se uma dessas inconvenientes intervenções pudesse lhe enriquecer? Em tempos em que muita gente cai em golpes sedutores (você foi sorteado) ou angustiantes (manipular a pessoa dizendo que está com algum parente sequestrado) vem muito bem a calhar a premissa do suspense A Chamada que resvala na crítica a dependência da tecnologia, ganância do ser humano e soberania norte-americana aparentemente inabalável. O roteiro de Michael Nitsberg e Kevin Elders conta a história de Max Peterson (Shane West), um jovem engenheiro de computação que estava em Bangkok a trabalho e antes de deixar o hotel recebeu um embrulho misterioso. Na caixa havia um moderno celular, um modelo bem mais evoluído que os disponíveis no mercado, e não demora muito chega uma mensagem de texto a respeito de uma promoção do hotel para os hóspedes prolongarem a estadia pelo fim de semana. Peterson resolve aproveitar o bônus e se surpreende com a coincidência que o avião em que voltaria para os EUA acabou caindo e não houve sobreviventes. Funcionários do hotel desconhecem tal comunicação e confiando que o celular lhe deu sorte o engenheiro decide seguir o conselho de um novo torpedo e segue para a República Tcheca onde na porta do aeroporto conhece Yuri Melinin (Bergey Gubanov), um rapaz que faz bicos como motorista e vende tudo quanto é bugiganga tecnológica, mas desconhece um modelo tão sofisticado de celular. Mesmo sem conseguir informações sobre o remetente das mensagens, Peterson começa a curtir o que está acontecendo quando passa a receber dicas de jogatinas.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

A NEGOCIAÇÃO (2012)

NOTA 7,0

Milionário vê seu mundo perfeito
desmoronar quando segredos
obscuros de sua vida ameaçam vir
a tona em drama envolvente
Dinheiro não é tudo, pois mesmo milionário é impossível se comprar a plena felicidade. Pensamentos do tipo são muito bonitos, cheio de significados emocionais, mas o fato é que o dinheiro pode não comprar a felicidade diretamente, mas é com ele que conseguimos alguns bens materiais que possam nos levar a satisfação esperada. Não adiante querer viver na utopia do sobreviver apenas com o necessário. Vivemos em um mundo capitalista e egoísta que nos força a desejar sempre ter mais do que precisamos. O cinema rotineiramente explora a relação dos seres humanos com finanças e nem mesmo as classes mais abastadas escapam do foco. Sim, quem é rico também deseja ter mais, porém, a ganância pode trazer consequências. Em tempos de crise mundial, é bom se deparar com trabalhos como A Negociação que abordam a relação das pessoas que lidam diretamente com a falência econômica e que consequentemente adquirem problemas para suas vidas pessoais, afinal quem passou anos a base de champanhe nem em sonho quer sentir o sabor de cidra barata. Na trama escrita por Nicholas Jarecki, aqui também estreando como diretor, Richard Gere dá vida a Robert Miller, um charmoso e perspicaz milionário que está prestes a vender sua empresa de investimentos para um renomado banco, mas precisa fazer essa transação o mais rápido possível para evitar que uma fraude realizada por ele mesmo seja descoberta. Todavia, a justificativa formal para a venda é que ele já trabalhou muito e agora que já é um sessentão quer recuperar o tempo que perdeu no escritório e em viagens de trabalho dedicando-se mais a sua família, a desculpa de praxe dos homens de meia-idade que percebem que a vida passa rápido tardiamente. Logo no início nos deparamos com uma cena que evoca a vida perfeita do magnata em meio a seus familiares para comemorar seu aniversário, mas ele acaba abandonando a festa antes do fim por conta de problemas urgentes a serem resolvidos em seu escritório após alguns dias de viagem, a trabalho é claro. Ellen (Susan Sarandon), sua esposa e responsável pelas ações filantrópicas da empresa, mostra-se compreensiva e se despede carinhosamente deixando latente que existe amor neste relacionamento mesmo após tantos anos de união. No entanto, o executivo mentiu e está a caminho da casa da amante.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

VIAGEM A DARJEELING

NOTA 8,0

Viajando pela mística Índia,
mais uma vez o diretor Wes
Anderson convoca um bizarro clã
para encenar seu louco universo
Após o funeral do pai acontecido há um ano, três irmãos já beirando a casa dos quarenta anos se reencontram em uma viagem de trem rumo a uma terra que inspira o lado místico e espiritual de qualquer um e assim têm a oportunidade de resgatarem os laços fraternais, mas sentem que só após verem a mãe terão a sensação de dever cumprido e memória do falecido honrada. O argumento de Viagem a Darjeeling é relativamente simples, mas sabendo ser um filme do diretor Wes Anderson a única certeza é que excentricidade é a palavra de ordem. Depois que Os Excêntricos Tenembaums causou certo burburinho entre cinéfilos, o nome do cineasta rapidamente transformou-se em uma espécie de grife cinematográfica, contudo, o filme em questão, apenas o seu quinto longa, mostra que sua obsessão por explorar o cotidiano de famílias bizarras não demorou a dar sinais de cansaço, até porque mais uma vez Owen Wilson, Bill Murray e Anjelica Huston aceitaram viver excêntricos papéis, assim como também ocorreu no longa anterior de Anderson, A Vida Marinha com Steve Zissou. Sai de cena o barco e o fresco clima marinho de um para dar espaço ao trem e as altas temperaturas exaladas pelas paisagens do outro. Não é errado dizer que praticamente só muda a ambientação das tramas, mas também não é certo resumir que a louca viagem proposta rumo à Índia é apenas uma reedição do texto anterior do diretor. Dividindo os créditos de roteirista com Roman Coppola e o ator Jason Schwartzman, Anderson dá continuidade a sua jornada por territórios desconhecidos e voyeurismo acerca de tipos estranhos contando a história dos irmãos Whitman. Francis (Wilson), Jack (Schwartzman) e Peter (Adrien Brody) estão sem se falar há um ano, mas decidiram realizar uma viagem pela Índia a bordo do trem Darjeeling Limited com o objetivo de acabarem com a barreira existente entre eles e também para se limparem espiritualmente. Entretanto, devido a incidentes envolvendo a compra de analgésicos sem prescrição médica, o uso de um xarope local para tosse e um spray de pimenta, além de outros tantos tropeços, a viagem logo muda de rumo e faz com que os rapazes fiquem perdidos no meio do deserto com exatas onze malas, uma impressora e uma máquina plastificadora. Contudo, a vontade de reencontrar Patricia (Huston), a mãe que agora vive como missionária, faz o trio ter coragem para enfrentar as adversidades e assim cumprir suas metas.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

MAX PAYNE

NOTA 4,0

Adaptado de um jogo de videogame,
longa de ação é um amontoado de
clichês escamoteados por visual
chamativo, mas a trama não cativa
Há quem critique a falta de originalidade do cinema nos últimos anos por conta das diversas obras oriundas de fontes como livros e quadrinhos, mas desde seu surgimento são comuns as adaptações transpondo o conteúdo de um tipo de mídia para outro. Para a alegria de alguns e tristezas de outros, os mundos imaginários que ganhavam múltiplas interpretações a cada avanço de página passaram a ter imagens concretas e praticamente definitivas. Com o sucesso de adaptações de HQs, o que praticamente criou um subgênero para as categorias de ação e aventura, Hollywood logo buscou um novo caminho para lucrar e assim tornaram-se moda os filmes inspirados em videogames. Universos que de certa forma já são apresentados ao público com personagens e ambientações dotados de “vida própria” o que poderiam oferecer ao espectador de cinema? Resposta: praticamente nada, apenas produtos rapidamente esquecíveis e de valor apenas para fãs ferrenhos da “malhação de polegares”. No passado, games populares como “Super Mario Bros” e “Mortal Kombat” tentaram uma sobrevida nas telonas e decepcionaram, mas esporádicos sucessos como dos filmes de Lara Croft pertencente ao jogo “Tomb Rider” instigam produtores a investir nesta seara. Sem apelo algum infanto-juvenil, Max Payne é mais um equívoco a ser somado à lista de tentativas. O roteirista estreante Beau Thorne procurou ser fiel ao game original mantendo a premissa, nomes de personagens, referências à mitologia da cultura nórdica e até copiando cenas do jogo, como a introdução dentro de um banheiro de metrô onde as intensas trocas de tiros têm start. Max Payne (Mark Wahlberg) é um ex-policial rebelde sem muita consideração pelas regras e que não tem nada a perder. Determinado a se vingar dos assassinatos brutais de sua esposa e filho ocorridos há três anos, nada o deterá até que encontre os responsáveis que fazem parte de um cartel que lucra com a venda de uma droga chamada Valquíria. Entretanto, sua obcecada investigação o leva a um pesadelo no qual fantasias macabras se chocam com a dura realidade. Ele entra para o departamento antidrogas, mas ao mesmo tempo infiltra-se na máfia. Ao ser injustamente acusado de um homicídio, Payne passa a ser perseguido por policiais e também por criminosos e à medida que se aprofunda no mistério é forçado a lutar com inimigos que não pertencem ao mundo real, extrapolando os limites de sua própria sanidade.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

ONDAS DO DESTINO

NOTA 10,0

Na época deste lançamento o polêmico
diretor Lars von Trier não tinha o status
de hoje, mas já imprimia em seu trabalho
suas marcas e sabia como provocar a plateia
O cineasta dinamarquês Lars von Trier sempre que lança um filme colhe em proporções semelhantes críticas negativas e também elogios rasgados, mas uma coisa é certa: polêmicas à vista. Às vezes é difícil distinguir se realmente é seu trabalho que chama a atenção ou se as situações controversas que o diretor provoca em aparições públicas é que atraem os holofotes, como na ocasião em que foi banido do festival de Cannes acusado de fazer apologia ao nazismo. De qualquer forma, quando chegam aos cinemas suas obras costumam levar um considerável número de cinéfilos às salas de exibição e um fato curioso é que quando são lançadas em DVD não costumam permanecer por muito tempo no mercado, virando objetos de sonhos de consumo de muitos cinéfilos. Episódios do tipo geralmente são justificados pela baixa procura que não cobriria os custos de manutenção dos títulos na praça, mas no caso da filmografia de Trier a desculpa não cola. Aguçar a vontade dos fãs parece ser a alma do negócio, afinal ele é um profissional com estilo bem definido, que não faz concessões e nem pensa em fins lucrativos, ao menos não em um primeiro momento. Seus trabalhos geralmente expõem uma figura feminina incompreendida em destaque em meio a um ambiente onde os aspectos negativos do ser humano são realçados como mensagens diretas ou indiretas ao próprio espectador, este que pode concordar, se ofender, assumir que não compreendeu bulhufas ou encher a boca para dizer que amou um filme quando na verdade não entendeu absolutamente nada. Foi assim com Dançando no Escuro, Dogville, Manderlay, Anticristo, Melancolia e em Ninfomaníaca. Confuso, agressivo, deprimente ou insano, o fato é que o cinema de Trier é único e seu nome é um dos mais cultuados da história recente da sétima arte. O que pouca gente sabe é que o diretor também realizou uma obra nesses mesmos moldes que teve seu reconhecimento em sua época, mas que havia sido esquecida nos tempos das fitas VHS. Direitos autorais, estratégias comerciais ou pura falta de conhecimento de quem trabalho no ramo de distribuição? Seja qual for o motivo, é de se estranhar a demora para Ondas do Destino ser relançado em DVD, mas antes tarde do que nunca. Felizmente o título voltou ao mercado, ainda que aparente ser apenas um produto especial que em breve também se tornará raridade.

sábado, 8 de novembro de 2014

FLORESTA DOS CONDENADOS

Nota 0,5 Só vale pelo voo de câmera que captura a floresta de cima ilustrando créditos iniciais

Florestas amaldiçoadas há muito tempo já não causam o medo esperado, mas ainda existem cineastas que insistem na fórmula e colocam os mais variados tipos de ameaças para habitar as matas fechadas e atacar os turistas incautos. Floresta dos Condenados já começa clichê com uma frase profética retirada de algum livro bíblico para explicar o argumento pifiamente desenvolvido pelo roteiro de Joseph London e Johannes Roberts, este também diretor da fita. Reza a lenda que existem belas, sedutoras e perigosas ninfas que se escondem nas regiões sombrias de uma antiga floresta. Expulsas do Paraíso por terem sido contaminadas pelas emoções humanas de sensualidade e desejo, as outrora anjas caíram na Terra e há centenas de anos vagam atraindo vítimas com seus belos corpos desnudos para depois mostrarem suas verdadeiras feições. Com características vampirescas, atacam para saciarem a vontade de sangue até levarem suas presas à morte. Sem preocupação alguma de surpreender o espectador, é óbvio que a trama lança um grupo de jovens insuportáveis para se perder por esta mesma região. Acidentalmente eles atropelam uma mulher quando estavam a caminho de uns dias no campo, mas atordoados, feridos e cansados, vagam no meio do nada em busca de ajuda até que dois deles, Judd (Daniel Maclagan) e Molly (Nicole Petty), encontram uma cabana escondida no coração do matagal. Todavia, quando pensam estar a salvo é que os problemas começam de verdade. A casa pertence a Stephen (Tom Savini), um sujeito esquisitão atordoado pelas lembranças de infância quando viu com seus próprios olhos as ninfas assassinarem brutalmente seus pais. Ele cresceu solitariamente na floresta e sequestra turistas perdidos a fim de usá-los como iscas para colocar em prática seus planos de vingança contra as criaturas demoníacas que arruinaram sua vida.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

A ÚLTIMA CASA

NOTA 7,5

Refilmagem de obra dos anos 70

continua com tema atual e forte
explorando como a violência embriaga
e é combatida na mesma moeda

Não tem jeito. Filme de terror bom tem que ser antigo. Muita gente fala isso e de certa forma temos que concordar. Produções do gênero realizadas até meados da década de 1980 se beneficiaram do ineditismo ou do auge da liberdade dos jovens ávidos por algum contato com o que até então lhes era proibido, por isso o horror e o erotismo constantemente eram associados. No entanto, depois de ver a violência explícita e descabida de Jogos Mortais o que mais pode parecer tão assustador? Resposta: adaptar os sádicos e elaborados jogos para ambientações e situações mais próximas da realidade. A Última Casa (também conhecido como A Última Casa à Esquerda) é um thriller perturbador e que retrata um pouco da realidade escabrosa que vivemos, embora seja uma refilmagem de Aniversário Macabro dirigido e escrito em 1972 por Wes Craven, criador da série Pânico e que viria a ganhar a alcunha de mestre do terror anos mais tarde. A fita não foi um sucesso na época, mas ao longo dos anos passou a ser cultuada e seu próprio realizador aceitou assinar o remake como produtor confiando na atemporalidade da trama que nos apresenta à família Collingwood que viaja para uma afastada casa de campo para tentar esquecer uma tragédia. Mari (Sara Paxton) logo que chega ao local onde viveu bons momentos no passado decide rever uma antiga amiga, Paige (Martha MacIsaac), que a convida para passar a noite em sua casa. Os pais da garota, John (Tony Goldwyn) e Emma (Monica Potter), a deixam sair com o carro, mas ficam extremamente preocupados. Até parece que estavam adivinhando o que iria acontecer.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

INSTITUTO DE BELEZA VÊNUS

NOTA 8,5

Misturando romance, drama
e comédia, longa francês causa
identificação imediata com público
feminino e agrada plateias cults
O cinema francês infelizmente não goza de um grande prestígio no Brasil. Até mesmo entre os que gostam de produções do circuito alternativo existem aqueles que teimam na ideia de que os filmes oriundos da França são chatos, arrastados e na maioria das vezes não chegam a lugar algum, apenas um blá-blá-blá descartável. Porém, graças a Deus, existem exceções. Além de suas histórias dramáticas nos últimos tempos tornarem-se palatáveis a um público mais amplo, as comédias francesas também estão ganhando tramas de cunho universal, mas por outro lado é uma pena que elas recebam títulos que para muitos se tornam piada. Os estrangeiros tem a tradição de batizar suas obras cinematográficas com uma única palavra enigmática ou então capricham na escolha de elementos que aparentemente não refletem claramente a ideia do enredo, assim aguçando a curiosidade dos espectadores. E o que dizer de um título que realmente tem a ver com o conteúdo, mas que pode soar como piada? É o que acontece com Instituto de Beleza Vênus, uma elogiada produção feita sob medida para agradar as mulheres, entretanto, que já nasceu fadada a ser apreciada por um público restrito. Para os habituados a filmes mais cults o título é excepcional, mas para os espectadores de cinemas de shopping, ou melhor, para os fregueses de baldes de pipoca e copões de refrigerante nem é preciso dizer que eles caem na gargalhada logo comparando o nome do filme com o do salão de cabeleireiro da esquina. Para quem frequenta este tipo de estabelecimento provavelmente se identificará com algum ponto da trama que é centralizada na personagem de Angèle (Nathalie Baye), uma esteticista que prefere encontros casuais a manter um relacionamento sólido. Vivendo os dilemas e alegrias típicos de uma quarentona, ela já foi muito machucada e iludida no amor e não está mais na idade de acreditar em príncipes encantados. Cada novo homem que conquista é como se fosse um tratamento de beleza que lhe retira as marcas de expressões de uma vida relativamente triste, no entanto, concentrando a maior parte de seu tempo encerrada dentro do ambiente de trabalho é como se usasse as grandes janelas de vidro como escudo protetor de seus sentimentos, mas ainda assim usufruindo de certa forma do cotidiano do lado de fora.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

BAILA COMIGO

NOTA 5,5

Bonito visualmente e com
narrativa diferenciada, longa
não deslancha por conta de
personagens que não cativam 
Os filmes musicais, em seu formato mais tradicional, tiveram seu período de auge na Era de Ouro de Hollywood, caíram em declínio e voltaram à tona no século 21 graças as adaptações de sucessos da Broadway. Um ou outro longa original do tipo conseguiu se destacar. Por serem produções que geralmente tem custos ostensivos, alguns diretores acabaram encontrando um formato alternativo para a união de cinema, música e dança. No Balanço do Amor, Dança Comigo, Vem Dançar e Ela Dança, Eu Danço são alguns exemplos de filmes mais simples cujas tramas contemporâneas envolvem aulas e concursos de bailados dos mais variados estilos, mas tudo que é demais cansa. Difícil de classificar em um gênero específico, Baila Comigo foi recebido com frieza por público e crítica, já deixando no ar que palavras que fazem alusão ao mundo dos ritmos musicais não funcionavam mais como chamariz, ainda que sejam produções que contam com fãs cativos que procuram obras do tipo no mercado de aluguel ou exibição na TV. Contudo, o desprezo a este trabalho do diretor Randal Miller tem justificativas válidas, ainda que seja repleto de boas intenções, inclusive tentar inovar na maneira de como contar uma história cuja mensagem é um tanto batida: a dança pode mudar sua vida, assim como qualquer outra atividade que lhe proporcione prazer. Inspirado em um antigo curta-metragem do próprio Miller, que assina o roteiro em parceria com Jody Savin, a trama  se divide em três fases que vão se intercalando, cada uma fotografada com tons diferenciados para não confundir o espectador. A primeira, quase em preto-e-branco, mostra Frank Keane (Robert Carlyle) dirigindo o furgão de sua padaria por uma estrada quase deserta quando se depara com um acidente. Ao volante estava Steve Mills (John Goodman), praticamente se mantendo vivo pela pressão do volante que evita que seu obeso corpo ceda por completo. O padeiro chama o resgate e é aconselhado a tentar manter um diálogo com a vítima para mantê-la consciente, porém, não imaginava que esses minutos tensos mudariam os rumos de sua pacata vida. Mills revela que estava a caminho de um encontro muito importante, algo combinado ainda na sua infância. No 5º dia do 5º mês do 5º ano do novo milênio ele deveria comparecer na Escola Marilyn Hotchkiss de Dança de Salão e Etiqueta para se encontrar com Lisa (Camryn Manheim), um amor da juventude, aquela que seria a mulher da sua vida.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

MALUCA PAIXÃO

NOTA 2,0

Sandra Bullock carrega nas costas
comédia sem graça e chata que
pretendia pegar carona no sucesso
de seus protagonistas na época
Sandra Bullock e Bradley Cooper protagonizaram dois dos mais rentáveis e divertidos filmes lançados em 2009, respectivamente A Proposta e Se Beber Não Case, mas ironicamente foram unidos em um dos maiores vexames daquele ano, a comédia Maluca Paixão. Para o ator este seria apenas mais um equívoco em uma carreira que começava a dar esboços de um futuro promissor, mas para a eterna “miss simpatia” o projeto poderia acarretar pontos negativos. Várias atrizes recusaram o trabalho, mas sabe-se lá porque cargas d’água Bullock não só aceitou protagonizá-lo como também assinar como produtora executiva. Na trama roteirizada por Kim Braker, do também irregular Licença Para Casar, a atriz dá vida à Mary Horowitz, uma criadora de palavras cruzadas que com seu vasto vocabulário, inteligência e extroversão exagerada estava prestes a se tornar uma solteirona convicta, pois dificilmente um homem conseguiria aturá-la. A própria já era ciente disso, tanto que não botava fé no encontro às escuras que seus pais lhe arranjaram, mas para sua surpresa Steve (Cooper) é um bonitão e isso é o bastante para ela se animar. O entusiasmo é tanto que ela acaba assustando o rapaz com seu apetite sexual voraz, mas também o entediando com seu jeito de tagarela, contudo, nem percebe que tomou um fora em velocidade recorde, porém, de forma educada. Apaixonada e acreditando que existirão outros encontros, ela simplesmente resolve demonstrar seu amor criando uma cruzadinha sem sentido a respeito das sensações que teve nesse rápido encontro, o que lhe custa o emprego no jornal. De qualquer forma, a essa altura do campeonato isso pouco importa, pois está certa que encontrou o homem dos seus sonhos e o fato dele trabalhar no meio jornalístico como cinegrafista encara como uma prova de que o destino está a favor do casal. Steve está sempre viajando para gravar as matérias, mas agora com tempo de sobra Mary está disposta a acompanhá-lo para onde for preciso. Para piorar as coisas, o jornalista Hartman (Thomas Haden Church), com quem Steve disputa mais visibilidade na emissora, vai se aproveitar da situação para atrapalhar a vida do rapaz.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

A ÚLTIMA MÚSICA

NOTA 6,0

Reunindo praticamente todos os
clichês possíveis para forçar
emoção,  longa agrada adolescentes,
principalmente pela protagonista
Em um passado não muito distante Hilary Duff era a imagem perfeita de uma pop star teen. Ela cantava, dançava e atuava, enfim, a personificação dos sonhos de muitas garotinhas. No entanto, a estrelinha cresceu e após uma adolescência atribulada por conta da carreira preferiu fugir um pouco dos holofotes e cuidar de sua vida pessoal, hoje aparecendo muito raramente em algum filme, talvez por ter ficado com a imagem muito atrelada a um único tipo de papel. Contudo, uma substituta para ocupar seu lugar no universo infanto-juvenil logo foi encontrada. Miley Cyrus estreou com o pé direito no seriado “Hannah Montana” e imediatamente caiu nas graças do público. Apadrinhada pelos estúdios Disney, que na época vibrava com o sucesso de High School Musical e Camp Rock, a personagem-título da série também foi parar nos cinemas e gerou centenas de produtos licenciados mundo afora. Só que Miley percebeu que de certa forma estava nada mais que reproduzindo sua própria vida interpretando a tal pop star e que no futuro isso poderia lhe prejudicar, assim quis alçar novos voos em sua carreira. O drama romântico A Última Música foi seu primeiro desafio para tentar desvencilhar sua imagem de atriz de um papel só, contudo, percebe-se que ainda estava longe disso. Ela dá vida à Ronnie Miller, uma adolescente que deixa a contragosto a agitada Nova York para passar as férias de verão no litoral na casa de seu pai Steve (Greg Kinnear). Ao contrário do irmão mais novo Jonah (Bobby Coleman), a garota não está nada animada em rever o pai após anos de separação de Kim (Kelly Preston), sua mãe, mas em compensação sua estadia na praia lhe proporciona conhecer Will (Liam Hemsworth), para variar, um dos rapazes mais desejados da área e cujo padrão de vida elevado revela-se uma barreira para esse amor se estender após o verão. Apesar da garotada se sentir atraída pela fita por conta do gancho romântico açucarado é bom deixar claro que o ponto forte do roteiro é a relação estremecida entre pai e filha, sendo que a paixão pela música parece o único elo existente entre eles e a única coisa capaz de uni-los, mas pelo título você já deve imaginar que o destino não irá permitir que muitas notas musicais embalem esse reencontro.

domingo, 2 de novembro de 2014

QUANDO OS MORTOS FALAM

Nota 1,0 Título indica uma grande obra acerca do espiritismo, mas longa revela-se um pastiche

Há títulos que enganam facilmente. Quando os Mortos Falam é um bom exemplo. Ele desperta a curiosidade para temas espíritas e aparentemente promete esclarecimentos a respeito dos mistérios que rondam as supostas comunicações entre vivos e mortos. Contudo, não é preciso nem dez minutos de filme para nossas expectativas irem por água abaixo. Com direção de Stephen Kay, do sonolento O Pesadelo que também promete bem mais do que cumpre, o longa é daqueles perfeitos para quem sofre de insônia e busca qualquer coisa nas sessões coruja da TV. Totalmente esquecível. Emily Parker (Anne Heche) é uma bela advogada de sucesso que conhece Billy Hytner (Jonathan LaPaglia) em um café. Logo ela descobre que o rapaz é o mais novo sócio do escritório em que trabalha, um sinal de que seu repentino interesse por ele teria uma mãozinha do destino. Os roteiristas Jennifer Hoppe, Mark Kruger e Nancy Fichman levam ao pé da letra a expressão do amor à primeira vista e logo o casal está dividindo a cama. Nada de anormal para os tempos atuais, mas a credibilidade do romance se esvai pela rapidez com que tudo acontece. No segundo dia de namoro Billy já oferece um anel de noivado, uma joia antiga com uma inscrição no interior. Não era uma herança de família, mas sim um objeto adquirido em um antiquário e que logo chama a atenção de Jeanie (Eva Longoria), amiga de Emily que com seu sexto sentido apurado sente uma vibração negativa vinda do anel. Realmente, depois que ganhou o presente a advogada passou a presenciar diversos eventos estranhos. Televisores e rádios ligam e desligam sozinhos, as luzes não funcionam quando preciso e a estranha aparição de uma mulher torna-se corriqueira. Intrigada, Emily vai até a loja onde seu noivo comprou o anel e descobre que ele pertenceu à Marie Salinger (Leigh Jones), uma jovem que em 1969 sumiu misteriosamente. Detalhe, mais tarde ela descobrirá que o dono do antiquário com quem conversou também já estava morto.

sábado, 1 de novembro de 2014

PROVA DE FOGO - UMA HISTÓRIA DE VIDA

Nota 7,5 Drama leve aborda vários assuntos importantes escamoteados por temática americana

Soletrar não é um hábito dos brasileiros, a não ser quando precisamos ditar palavras importantes ou nomes para alguém escrever. Há alguns anos um concurso do tipo na TV tratou de popularizar tal onda e incentivar escolas a fazerem o mesmo e assim estimular o aprendizado e a rapidez de raciocínio dos alunos. Já nos EUA os concursos de soletração são tradicionais e exigem de seus participantes tanto treino e esforço quanto um esportista antes de uma competição. O drama Prova de Fogo – Uma História de Vida dá uma boa visão sobre como essa atividade tem importância para os ianques, tanto que é equiparada a uma competição esportiva com direito a destaque na televisão, mas também sobre o quanto ela seria benéfica se incorporada à outras culturas. Akeelah (Keke Palmer) tem apenas onze anos, mas tem um inacreditável conhecimento sobre o universo das palavras. Admirado com esse dom, o diretor de sua escola a inscreve em um concurso regional de soletração e pede para que o Sr. Daniel Larabee (Laurence Fishburne), um conceituado professor de literatura, a treine, porém, a relação entre mentor e aluna será um tanto conflituosa. Além disso, a garota ainda terá que enfrentar a objeção de Tanya (Angela Bassett), sua mãe, o ciúme de sua melhor amiga e as diferenças sociais e raciais que parecem influenciar nos resultados dos concursos. Como qualquer bom filme-família, é óbvio que o happy end está garantido. Mesmo com todas as dificuldades, Akeelah consegue vencer as etapas classificatórias e chega à grande final nacional. Apesar da previsibilidade e das várias cenas com soletração não surtirem grande efeito para nós brasileiros, o longa do diretor e roteirista Doug Atchison se beneficia dos conflitos paralelos que nos fazem repensar atitudes e ideias.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

HALLOWEEN - A NOITE DO TERROR

NOTA 9,5

Um dos primeiros filmes sobre
seriais killers mascarados
sobrevive à ação do tempo dando uma
aula de como estimular o medo
Os festejos do Dia das Bruxas é uma das mais tradicionais comemorações dos EUA, mas a moda acabou se estendendo a outros países. No Brasil, escolas tentam manter vivo o hábito da busca dos doces ou truques e as baladas convidam o público a participarem fantasiados, mas sem dúvida a grande tradição para comemorar a data por aqui é a reunião caseira para curtir filmes de terror na companhia de pipoca, refrigerante e outras guloseimas. Quem está começando a vivenciar o noitão de cinema de horror certamente deve colocar na lista de títulos a serem exibidos Halloween – A Noite do Terror, um marco do gênero que envelhece cultuado por nostálgicos e angariando novos adeptos. Contudo, não estranhe se ouvir algumas críticas negativas ao longa. Falam tanto desse filme, mas cadê o sangue e a adrenalina? Sim, muita gente deve assistir e em um primeiro momento não ver nada de mais na produção setentista que apesar de ser a respeito de um serial killer (ou conhecido também como slasher) não é um produto banal, pelo contrário, provoca o espectador a refletir sobre o que é o medo. Como um dos percussores deste subgênero do terror, praticamente todos os clichês batem cartão. Temos o assassino mascarado e que parece imortal, seus métodos “caseiros” de matar, as jovens vítimas, a libertinagem fazendo alusão ao prenúncio da morte e uma penca de sustos falsos, enfim tudo aquilo que você já viu em Lenda Urbana, A Casa de Cera e companhia bela. Todavia, os mais recentes filmes do tipo pecam por não saberem estimular o medo. O roer das unhas é imposto com cortes de cenas acelerados acompanhados de efeitos sonoros estridentes, assim o espectador é sempre avisado quando uma morte acontecerá e não raramente os gritos se transformam em gargalhadas ou frustrações. O diretor John Carpenter não é conhecido como mestre do terror por acaso. Em 1978, em um de seus primeiros trabalhos, mesmo com orçamento restrito soube usar a criatividade e compreendeu como poucos o que é o medo, um sentimento subjetivo e pessoal, ou seja, cada um pode compreendê-lo de uma maneira diferente. Por exemplo, a escuridão pode ser perturbadora para alguns que tem estômago forte para ver cenas de mutilações e vice-versa. Para contar a história do lendário assassino Michael Myers (Tony Moran), rapaz que na infância assassinou sua própria irmã e passou quinze anos em um hospício, Carpenter espertamente utilizou cenários, iluminação baixa e ângulos de câmera como seus fiéis escudeiros, elementos que por vezes se confundem com o vilão.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

MONTADO NA BALA

NOTA 5,5

Baseado em conto de Stephen
King, longa tem argumento
interessante, mas seu desenvolvimento
confuso deixa a desejar quanto a tensão
O negativismo atrai coisas ruins e é isso que aprenderá o protagonista de Montado na Bala em uma única e bizarra noite que lhe obrigará a dar mais valor à vida. Baseada no conto “Riding the Bullet” do cultuado escritor norte-americano Stephen King, a narrativa é entrecortada por devaneios de Alan Parker (Jonathan Jackson), um estudante de artes que por vezes desenha figuras sinistras, algo que lembra o espectro da Morte como popularmente conhecemos. A fixação pela temática é tanta que ele chega até mesmo a sonhar com seu próprio funeral, mas as coisas pioram quando é abandonado pela namorada Jessica (Erika Christensen) bem no dia de seu aniversário. Estamos em 1969 e às vésperas do sugestivo Dia das Bruxas, data na qual muitos acreditam que as portas do além se abrem e permitem a comunicação entre vivos e mortos. Como a maior parte dos artistas, Parker se sente diferente dos outros, um excluído que encontra conforto apenas com sua garota, mas agora que tinha perdido seu porto seguro qual sentido teria sua vida? Deprimido, o rapaz tenta se matar cortando os pulsos com uma lâmina de barbear e para sua surpresa tem uma visão do além que acredita ser a própria Morte que veio lhe buscar. Todavia, tudo não passava de uma brincadeira de seus amigos, inclusive o rompimento com Jessica, mas na hora do susto Parker realmente acaba se ferindo e indo parar no hospital. A introdução é digna de filme de quinta categoria, mas o restante do longa melhora razoavelmente. Recuperado como em um passe de mágica, Parker se anima ao ganhar de sua amada ingressos para um esperado show de rock em Toronto, no Canadá, e como ela não poderia acompanhá-lo deu passe livre para ele convidar dois amigos. Boazinha ela não? Contudo, a viagem mela quando ele recebe um telefonema avisando que sua mãe Jean (Barbara Hershey) acabara de sofrer um derrame, o que o obriga a mudar os planos e seguir para a cidade de Lewiston. O início da viagem o faz relembrar a infância, os momentos tristes que sua mãe viveu e a perda precoce de seu pai, porém, sua noite será repleta de tensão e momentos estranhos.

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