sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

MANSÃO MAL-ASSOMBRADA

NOTA 7,5

Divertido e com alguns bons
sustos, esta é uma legítima
comédia para toda a família que
agrada com seu visual de arrepiar
É curioso como produções de horror e suspense ao mesmo tempo em que assustam também fascinam as crianças e de olho nisso sempre os produtores estão sempre atentos à caça de algum bom roteiro que possa unir comédia, aventura e terror. Já tivemos grandes produções do tipo, como Convenção das Bruxas e A Família Addams, por exemplo, mas é uma pena que a maioria dos filmes que seguem esse caminho acabam subestimando a inteligência do espectador ou até mesmo constrangendo com seus “defeitos” especiais, sendo apenas passatempos para crianças bem pequenas. Mansão Mal-Assombrada não é excepcional, mas no conjunto é uma opção que agrada a todas as idades, até porque tem um irresistível clima de nostalgia, parecendo um trabalho pinçado dos anos 80 ou 90 bem estilo sessão da tarde. No entanto, ele é um representante legítimo do século 21, tanto é que sua realização só foi possível por conta do sucesso de Piratas do Caribe – A Maldição do Pérola Negra. O que há em comum entre estas duas obras? Além de serem produtos Disney, ambas nasceram de forma inusitada inspiradas em brinquedos do parque de diversões da empresa. Com uma crise de criatividade duradoura em Hollywood, exigências visuais para os filmes conseguirem fazer carreira nos cinemas (justificar o preço alto dos ingressos) e visando incentivar um maior número de visitantes para seus parques temáticos, o estúdio do Mickey Mouse recebeu carta branca dos chefões para criarem longas-metragens baseados nos conceitos de algumas atrações que já haviam recebido milhares de visitantes. A primeira experiência, Beary e os Ursos Caipiras, fracassou, algo já esperado pelo seu visual simplório como se fosse uma produção de canal de TV educativo infantil, mas os milhões arrecadados pela citada aventura em alto mar protagonizada por Johnny Depp animou os executivos e assim que os primeiros resultados de faturamento chegaram às suas mãos começou a entrar em produção a comédia que tem como cenário principal um casarão habitado por fantasmas. O diretor Rob Minkoff, experiente no conceito filmes-família tendo dirigido a animação O Rei Leão e as aventuras O Pequeno Stuart Little e sua continuação, procurou se cercar de elementos já aprovados em outros produtos do estilo, assim não é de se estranhar a escalação de Eddie Murphy como protagonista, ainda mais que na época ele havia recobrado seu prestígio com o sucesso de A Creche do Papai.

Na história roteirizada por David Berembaum, de Um Duende em Nova York, Murphy interpreta Jim Evers, um corretor de imóveis que vive para o trabalho e não pensa duas vezes antes de furar com um programa familiar para poder tentar vender uma casa. Tal situação cada vez mais tem se tornado frequente, o que chateia sua esposa Sara (Marsha Thomason), cuja profissão é a mesma do marido, mas ela sabe separar sua vida pessoal e profissional. Quando finalmente decide passar um final de semana em uma casa de campo com a família, Jim recebe uma ligação inesperada solicitando sua visita para avaliar um antigo casarão que será colocado a venda. Já pensando na polpuda comissão que teria, o corretor convence a esposa de antes da viagem darem uma passadinha pela mansão levando junto os filhos pequenos Megan (Aree Davis) e Michael (Marc John Jefferies). O proprietário, o estranho Edward Gracey (Nathaniel Parker), os recebe cordialmente, mas deixa claro que não esperava que todo o clã Evers estaria lá, aliás, fica evidente que ele já teria prévio conhecimento da família, demonstrando muito interesse por Sara. Incomodados, o casal quer fazer a avaliação do imóvel o mais rápido possível e partir, mas uma inesperada tempestade alaga a estrada que dá acesso a mansão e obriga que eles passem uma noite naquele lugar arrepiante. Barulhos e eventos estranhos passam a acontecer e os Evers passarão por momentos de tensão, ainda que sejam auxiliados por Madame Leota (Jennifer Tilly), uma vidente que vive aprisionada dentro de uma bola de cristal esverdeada, e pelos empregados da residência, Ezra (Wallace Shawn) e Emma (Dina Spybey). Contudo, conforme se embrenham nos interiores da casa, eles vão juntando evidências que os levam a conhecer uma sombria história do passado da construção, algo que está ligado a Sara, um segredo que, para variar, é guardado pelo sinistro mordomo Ramsley (Terence Stamp). Para quem se estressa com o humor caricato e exagerado característico de Murphy, pode ser um alívio saber que as atenções não recaem totalmente sobre seu personagem. Uma vez dentro da mansão, a narrativa é dividida equilibradamente de forma com que todos os personagens tenham chance de aparecer, alguns obviamente com participações mais ativas que outros, mas o conjunto torna-se harmonioso. É óbvio que os momentos cômicos e as piadinhas para quebrar o clima de tensão geralmente ficam a cargo de Jim, como a inoportuna indagação ao mordomo sobre sua palidez e a oferta de um tratamento de bronzeamento artificial.  Aliás, apesar de estar em cena muito sisudo, o veterano Stamp parece ter sido um dos que mais se divertiu com este trabalho encarnando com perfeição um papel típico daqueles suspeitos dos antigos desenhos do Scooby-Doo.

Bem, a trama obviamente não traz novidade alguma, pelo contrário, ao percebermos o interesse de Edward em Sara logo prevemos qual o segredo da história ou pelo menos deduzimos que ela foi atraída para a mansão em um plano que se aproveitou da ganância de Jim. Apesar do tema da casa assombrada já ser um tanto batido, é possível se sentir atraído pelo enredo quando nos envolvemos com a atmosfera e nisso Minkoff acertou em cheio. Os efeitos especiais são bem feitinhos e não destoam do conjunto, com fantasmas e zumbis que chamam a atenção além da já citada bola de cristal que abriga um personagem, e o cenário gótico chama a atenção pela riqueza de detalhes, uma reunião de todos os elementos típicos de produções de horror, como móveis antigos, aposentos enormes e quadros com pinturas e antigos moradores, o que torna delicioso passear pelos corredores através dos passos dos personagens. Em cada canto uma nova surpresa, assim como cada porta que se abre ou se fecha nos leva a conhecer um novo cômodo que sempre deixa a sensação de que algo inesperado pode acontecer, sendo geralmente a visita surpresa de Ramsley o motivo de susto. Conforme vamos nos familiarizando com os mistérios que cercam a casa, algo envolvendo uma maldição que aprisiona centenas de fantasmas dentro dela, cresce a sensação de temor de que a qualquer momento algo assustador pode acontecer, embora o momento de maior pavor possa ser considerada a sequência em que Michael é atacado por várias aranhas, sua grande fobia e a mesma compartilhada por vários espectadores. Vale lembrar que também há o capricho de levar a ação para fora do casarão, uma desculpa para colocar em cena o tradicional cemitério familiar envolto em neblina, afinal toda casa assombrada que se preze precisa desse elemento cênico macabro para reiterar seu funesto perfil. Mansão Mal-Assombrada, apesar da curta duração, cumpre sua função de entreter além de procurar na reta final deixar alguma lição de moral, uma mensagem sobre o amor. Embora muitos critiquem sua previsibilidade, é uma comédia do tipo rara hoje em dia, que diverte as crianças e pode ser interessante aos adultos, principalmente aos mais saudosistas que na infância procuravam assistir filmes de fantasmas escondidos. Ver assombrações é só um detalhe. Deixar-se envolver-se pelo clima misterioso dos cenários é o grande barato desse tipo de programa. A quem interessar bom proveito.

Comédia - 88 min - 2003 

-->
MANSÃO MAL-ASSOMBRADA - Deixe sua opinião ou expectativa sobre o filme
1 – 2 Ruim, uma perda de tempo
3 – 4 Regular, serve para passar o tempo
5 – 6 Bom, cumpre o que promete
7 – 8 Ótimo, tem mais pontos positivos que negativos
9 – 10 Excelente, praticamente perfeito do início ao fim
Votar
resultado parcial...

Nenhum comentário:

Leia também

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...