sábado, 22 de fevereiro de 2014

O JOVEM GUERREIRO

Nota 6,0 Épico francês é divertido, mas peca por pouco se aprofundar em contexto histórico

Existem filmes menores lançados por distribuidoras pequenas que infelizmente acabam não atingindo o grande público. Está certo que a grande maioria destas produções é dispensável, mas outras se não são memoráveis ao menos garantem um passatempo divertido e de qualidade como é o caso de O Jovem Guerreiro, épico francês que acompanha a infância e a adolescência de Jacquou (Gaspard Ulliel), um corajoso rapaz que cresceu alimentando o desejo de vingar-se do homem que destruiu sua família. Em 1815, a França vivia tempos de revolução, mas ao mesmo tempo existia o desejo de retomar a hegemonia da monarquia, assim haviam constantes perseguições àqueles que eram contrários as medidas do rei e seus colaboradores. O pai de Jacquou (Albert Dupontel) estava sendo ferrenhamente caçado pelos subordinados do Conde de Nansac (Jocelyn Quivrin), um arrogante e cruel homem da nobreza. O valente camponês se recusava a fugir e preferiu enfrentar os inimigos, mas acabou sendo capturado e levado a julgamento, principalmente porque foram encontrados junto a seus pertences uma medalha de honra e uma patente de coronel dadas por Napoleão Bonaparte, nome odiado pelos nobres. Imediatamente sua esposa (Marie-Josée Croze) e seu filho são despejados de casa e obrigados a viver em um abrigo improvisado, mas o martírio só estava começando. Condenado à prisão, o pai de Jacquou tenta fugir longo no primeiro dia e acaba sendo morto e pouco tempo depois a mãe do garoto falece de tanta tristeza. Sozinho e sem ter como se sustentar, Jacquou em uma noite de muito frio e nevasca tenta se suicidar para juntar-se a seus pais, mas acaba sendo salvo pelo padre Bonal (Oliver Gourmet) que decide criá-lo. Esta primeira parte que retrata a infância do protagonista não abre muito espaço para o contexto histórico preferindo o roteirista Eugene Le Roy concentrar suas atenções para o sofrimento do garoto muito bem interpretado nesta primeira fase por Léo Legrand.

O segundo ato mostra Jacquou na adolescência em uma época em que os monarquistas querem silenciar a imprensa para se manterem no poder, assim regredindo no tempo, barrando os avanços, estreitando ainda mais o cerco contra os revolucionários e Nansac ainda está a frente da caça aos opositores. O Conde e outros nobres iludem os populares com ações beneficentes, uma forma de escamotear seus atos cruéis e de censura, mas em uma festa para o povão o poder de Nansac é desafiado e justamente por Jacquou. Durante um concurso de dança a rivalidade entre os dois fica latente e o Conde acaba sendo desclassificado por um erro próprio, mas acaba jogando a culpa sobre o rival e deflagrando uma briga que termina com Bonal sendo afastado de suas funções e Jacquou aprisionado durante muitos dias nos subterrâneos do castelo do rei. Obviamente este cavaleiro solitário consegue após muitos esforços fugir e decide que é hora de colocar um ponto final nesta situação. Ele convoca os populares para invadir o castelo e atacar os nobres e ganha duas importantes aliadas nesta briga, Lina (Judith Davis), sua amiga de infância, e Galiote (Boiana Panic), a filha mais nova de Nansac que é contrária as atitudes do pai e revela ser desprezada pelas irmãs que a culpam pela morte da mãe em seu parto. É claro que o Conde ao saber da amizade da caçula com seu grande inimigo vai bolar um plano para incriminá-lo de persuadir e seduzir a garota, uma maneira desesperada de reverter a situação a seu favor. O diretor Laurent Boutonnat conduz O Jovem Guerreiro com toda pinta de superprodução dotando sua obra de belíssimos cenários, figurinos e fotografia e iluminação em tons dourados que dão todo um charme especial à obra. Claro que sempre terá alguém para dizer que o filme seria outra coisa se realizado em Hollywood, mas o produto final mande in França realmente é agradável e de muita qualidade, embora pudesse ser beneficiado com uns vinte minutos a menos. Teve distribuição restrita no Brasil pela pouco conhecida Prime Pictures, mas quem encontrar vale a pena uma conferida.

Aventura - 144 min - 2007 

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