domingo, 9 de fevereiro de 2014

UM CAMINHO PARA RECOMEÇAR

Nota 5,5 Durante viagem, pai e filho tentam se entender, mas faltam ingredientes a esse clichê

O que se pode esperar de um filme que logo na introdução deixa claro que o filho de uma lenda do beisebol está tentando seguir os mesmos passos do pai, mas está encontrando dificuldades? Cenas e mais cenas de árduos treinos, brigas com o treinador e amigos provocando e outros dando força para o protagonista chegar a atingir seu grande objetivo. Se você também faz tal ideia, Um Caminho Para Recomeçar pode te surpreender levemente por enfocar o esporte somente na introdução e ao longo da narrativa vez ou outra lembrar que ele é talvez o único gosto em comum entre os protagonistas. Ou talvez nem isso. Na trama escrita e dirigida por Michael Meredith, o jovem Carlton (Justin Timberlake) está tentando seguir carreira no beisebol, assim como seu pai que se tornou uma lenda da modalidade. No entanto, ele não parece motivado nos treinos e está sendo ameaçado de ser cortado de seu time, mas realmente neste momento suas atenções estão mais voltadas à saúde da mãe, Katherine (Mary Steenburgen), que sofre de um grave problema cardíaco e precisa se submeter a uma cirurgia o quanto antes. O problema é que ela se recusa a assinar o documento que autoriza o procedimento até que ela possa reencontrar o ex-marido, já que acredita que pode vir a falecer, e o filho fica encarregado da difícil missão de promover esse reencontro. Kyle Garret (Jeff Bridges) não fala nem mesmo com Carlton há cerca de cinco anos, mas antes desse sumiço já demonstrava mais apreço pela carreira esportiva que pela própria família. Entrando em contato com o agente do pai, o rapaz descobre que ele está participando de um evento em Ohio e viaja para lá na companhia da amiga Lucy (Kate Mara). Na realidade, eles namoraram por algum tempo, mas a obsessão de Carlton em ser um exímio jogador acabou deixando-o sem tempo para sua vida pessoal, assim eles preferiram se separar e continuar bons amigos. O reencontro de pai e filho é cordial, mas sem emoção, todavia, ao saber os motivos da procura Kyle concorda em voltar a sua antiga cidade para atender aquele que poderia ser o último desejo da ex-esposa.

Tudo que é demais o santo desconfia, no entanto, Carlton acredita que o pai está mudado e confia que ele vai cumprir sua promessa, mas no dia da viagem de avião Kyle percebe que perdeu a carteira com seus documentos e não haveria a possibilidade de emitir novos em tempo hábil. Com Katherine já avisada que seu pedido seria atendido, para não desapontá-la, Lucy então sugere que aluguem um carro para o trajeto, mesmo que demorasse mais alguns dias para chegarem. A partir de então o longa segue o estilo road movie, aqueles em que os personagens viajam pelas estradas e geralmente estão cheios de conflitos a resolverem entre eles, assim pai e filho tem a chance de reavaliar o passado e quem sabe traçar novos planos para seus futuros. Carlton parece disposto a reatar laços, mas Kyle não. A ideia de comprometimento parece assustar o veterano esportista que preferiu abandonar a família para viver com liberdade e ter as mulheres que quisesse, de preferência sem envolvimento sentimental algum. Reclamando de dores e se entupindo de remédios, e em semelhante quantidade de bebidas, Kyle trata de arranjar o máximo de desculpas para atrasar o término da viagem. O marasmo que impera no trajeto dos personagens acaba se refletindo no ritmo do filme que por boa parte do tempo se torna arrastado, ainda que exista uma tentativa de sustentar o enredo com a adição uma subtrama sobre a possibilidade de Lucy se casar com outro, alimentando o ciúme de Carlton, um gancho desnecessário. Aliás, Timberlake segura bem as rédeas como protagonista, conseguindo construir um personagem bem mais crível e interessante que o próprio Bridges que parece atuar neste caso no piloto automático. Sabendo que Carlton tem aspirações a ser escritor e com as experiências vividas nesta viagem, é previsível saber como acaba Um Caminho Para Recomeçar, drama leve que tinha potencial para estimular conflitos mais explosivos, mas que de qualquer forma emociona e deixa sua lição de moral. Com tanto lixo que vai parar nas salas de cinema inexplicavelmente, seu lançamento direto em DVD pode ser justificado pela displicência das distribuidoras que parecem não assistir os produtos que comercializam. Tem beisebol no meio? Sem prêmios na bagagem? Então direto para o home vídeo. Pura ignorância.

Drama - 90 min - 2007 - Dê sua opinião abaixo.

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