segunda-feira, 31 de março de 2014

A BELA ADORMECIDA

NOTA 9,0

Um dos maiores clássicos da
Disney quase levou o estúdio
para o limbo devido ao seu alto
custo e fraca repercussão inicial
Em 1959, mais um grande projeto dos estúdios Disney ganhava as telas de cinemas. Considerado até hoje um dos mais ambiciosos longas de animação da companhia e também a mais cara produção do gênero até então, A Bela Adormecida eternizou com muitas cores, humor, romantismo e uma boa dose de suspense o conto de fadas homônimo escrito por Charles Perrault. O texto foi adaptado por Erdman Penner que contou com mais cinco colaboradores que ofereceram sugestões para deixar o resultado final atrativo para as crianças e ao mesmo tempo envolvente para os adultos. Adotando desde o início um visual suntuoso e com aplicações de técnicas de animação avançadas, a obra conta a história de Aurora, uma bela e jovem princesa que foi amaldiçoada logo após seu nascimento pela bruxa Malévola, uma figura medonha que, apesar de não ser mais considerada fada ao trocar o lado do Bem pelo do Mal, se sentiu ofendida por não ter sido convidada para o batizado. A feiticeira então lançou uma maldição sobre a menina: ao completar 16 anos de idade ela perfuraria o dedo no fuso de uma roca e mergulharia em um sono eterno, em outras palavras morreria, uma temática ousada para um desenho animado até hoje. Sorte que a princesinha tinha outro presente para receber de uma fada bondosa e foi agraciada com uma possível solução, mas que dependeria do amor de um homem para funcionar. Somente um beijo de amor verdadeiro salvaria sua vida. A garota cresceu escondida na floresta na casa das fadas Flora, Fauna e Primavera, mas quando o feitiço estava prestes a se quebrar o esconderijo foi descoberto. Graças a uma artimanha de Malévola, o tal presente maligno se concretiza e com Aurora adormecida as fadinhas decidem colocar também todo o reino em um sono profundo até que um rapaz corajoso aparecesse para dar um beijo apaixonado nela. O salvador seria o Príncipe Filipe que já havia conhecido Aurora em um encontro ocasional no bosque, porém, a bruxa também arranja uma maneira de evitar que ele chegue até a bela adormecida, restando a ele contar com sua coragem e os dons das fadas-madrinhas da jovem. Embalada por uma bela trilha sonora inspirada no balé do clássico músico Peter Tchaikovsky, a trama conhecidíssima hoje em dia deu muito trabalho na época para os roteiristas realizarem um script que rendesse cerca de 80 minutos de arte já que a essência do conto original era reduzida a algo em torno de cinco parágrafos excluindo-se as partes supérfluas.

domingo, 30 de março de 2014

O TESOURO PERDIDO (2003)

Nota 3,0 Desde o genérico título, longa denuncia sua falta de originalidade e pinta de filme B

A caça a tesouros é um dos temas mais clássicos do cinema e serviram como argumento para várias produções que rechearam as tardes na TV, as prateleiras de locadoras e marcaram a infância de muita gente, mas produtos do tipo viveram um período de ostracismo em meados dos anos 90 ressurgindo com força no século 21 graças a franquia Piratas do Caribe. Diz o ditado que quem não tem cão caça com gato e assim quem não pode contar com um polpudo orçamento precisa brincar usando a criatividade, dessa forma muitos produtos menores com temática semelhante foram produzidos para lançamento direto em DVD como é o caso de O Tesouro Perdido que só por seu título genérico já aniquila expectativas e clama pelo rótulo de filme B. O diretor Jay Andrews claramente quis realizar um projeto que resgatasse o espírito de antigas aventuras que dispensavam o uso de efeitos mirabolantes e investiam mais na história e em situações realistas, porém, o resultado é apenas um passatempo esquecível. A trama escrita por Harris Done e Diane Fine começa com um incêndio em um museu de onde um ladrão passando-se por bombeiro furta, entre outras coisas, um quadro. Logo que toma conhecimento do episódio, a polícia sai ao encalço do bandido que em meio a perseguição acaba fugindo e deixando a mercadoria na estrada. O investigador Carl McBride (Coby McGlaughlin) fica curioso com o tal quadro que aparentemente não tem nada demais para ser alvo de um roubo e resolve pedir ajuda ao seu irmão Bryan (Stephen Baldwin), um especialista em antiguidades que revela uma surpreendente lenda. Analisando o tecido e a pintura, o rapaz afirma que este seria um mapa feito pelo famoso Cristóvão Colombo que indicaria a localização de um navio perdido que estaria repleto de ouro e outras riquezas esquecidas pelo historiador. Os irmãos partem para o Panamá, mais especificamente para a Ilha Damas, para tentar achar o tesouro, mas é óbvio que bandidos estarão na cola deles. O mandante do roubo, Ricardo Arterra (Hannes Jaenick), tem em seu poder outra parte do mapa, sequestra Carl e parte rumo a ilha.

sábado, 29 de março de 2014

HENRIQUE IV - O GRANDE REI DA FRANÇA

Nota 7,5 Épico francês surpreende com sua qualidade técnica e narrativa focada em conteúdo

Filmes que retratam períodos históricos costumam ter seu público cativo e Hollywood tem investido pesado em produções do tipo, mas provavelmente não com a preocupação de levar algum conhecimento ao público e sim lucrar alto investindo em muitas cenas de batalhas para justificarem os altos ingressos das salas 3D e outras firulas que vendem tecnologia e não conteúdo. Na contramão desse movimento, é comum que algumas obras épicas europeias sejam lançadas diretamente em home vídeo e sem respaldo de publicidade, assim muito provavelmente só mesmo os fiéis clientes de locadoras físicas é que tomam conhecimento de tais produtos e isso se os funcionários derem aquela badalada no título para convencer o consumidor. Bem, quem indicar Henrique IV – O Grande Rei da França não poderá ser tachado de enrolador. Realmente esta superprodução entre a Alemanha e a França revela-se uma opção de qualidade que nos faz pensar ao final como ela não encontrou espaço em circuito de exibição comercial em meio a tanto lixo lançado semanalmente. Para quem gosta de História e está cansado de apenas conhecer o passado do Brasil, Portugal e quiçá EUA, o longa do diretor alemão Jo Baier é um prato cheio. Baseado no livro de Heinrich Mann, a trama escrita pelo próprio cineasta em parceria com Coocky Ziesche começa com um breve prólogo que situa o espectador a respeito do estado em que se encontrava a França em 1561. O país mais poderoso da Europa estava divido por uma guerra religiosa que escamoteava a cobiça por terras e poder. O lado católico era o mais populoso e o que controlava a corte em Paris, o que dificultava os avanços da minoria protestante, estes também conhecidos como huguenotes que pouco a pouco foram conquistando a confiança de quem estava descontente com o governo. Catarina de Médici (Hannelore Hoger) conduzia os assuntos do Estado e tentava a todo custo manter o direito ao trono sob sua batuta para proteger o futuro de seus três filhos. Nessa mesma época, crescia um adversário ainda ignorado pela família real na região sudoeste do país. Henrique de Navarra (Julien Boisselier) desde pequeno era metido a valente e tinha pompa de nobre herdada de seus pais, mas fazia questão de viver como um jovem comum entre os camponeses, mas uma profecia o apontava como um líder natural e quem daria novos rumos ao país.

sexta-feira, 28 de março de 2014

A CASA DOS PÁSSAROS MORTOS

NOTA 2,5

Ambientação e introdução prometem
um bom filme de terror, mas longa é
arrastado, sem impacto e os tais
pássaros mortos não existem na trama
É preciso reconhecer que produtores, roteiristas e diretores que desejam ainda investir em histórias de casas assombradas são pessoas dotadas de muita coragem e autoestima, pois é preciso estar preparado para a avalanche de críticas negativas que inevitavelmente surgirão. Já faz anos que este subgênero do horror e suspense não traz absolutamente nada de novo, apenas copia os acertos e principalmente os erros de outras produções semelhantes. Diante desse quadro, é inegável que pode surgir uma pontinha de esperança a quem der uma chance para A Casa dos Pássaros Mortos, a começar pelo seu mórbido título. A empolgação pode ser confirmada pelos primeiros minutos do longa dirigido por Alex Turner que situa a ação nos arredores do vilarejo de Fairhope, no Alabama, no ano de 1863. Sim, a mistura de terror e faroeste é intrigante. Um grupo de soldados chega ao banco local para depositar uma grande quantia de ouro sob ordens de seus superiores, mas no mesmo momento são surpreendidos por outro bando que diz ser oriundo de um acampamento nas proximidades. A cara de poucos amigos dos membros e suas vestes simplórias já deixam os seguranças do banco em alerta e nem a presença da jovem Annabelle (Nicki Aycox) entre eles os fazem baixar a guarda, mas um descuido rápido e essa é a brecha que o grupo precisava para roubar o estabelecimento e promover uma grande chacina a base de tiros e facadas. Após escaparem da revolta dos populares, o bando quer colocar em prática o mais rápido possível os planos de fugir para o México, mas a ameaça de um temporal os leva a adentrar na floresta em busca de abrigo em uma velha e abandonada propriedade cujo herdeiro, Jeffy Hollister (Harris Mann), morreu na Guerra Civil norte-americana na qual também lutou William (Henry Thomas), o namorado de Annabelle e líder dos criminosos. O embate inicial com jeitão de briga de filme de faroeste com dose extra de sanguinolência, as sequências de caminhada na mata densa e as tomadas acompanhando o bando atravessando um seco milharal para chegar ao tal casarão parecem indicar que algo bom está por vir, mas quando rola um desespero por conta de uma estranha criatura que surge inesperadamente e morre na frente dos bandidos as expectativas já começam a ceder. O bizarro neste caso trabalha contra a produção. Na pior das hipóteses poderíamos esperar que o roteiro de Simon Barrett tem pressa para começar o show de carnificina, mas pode surpreender tanto negativa quanto positivamente os rumos que a trama toma.

quinta-feira, 27 de março de 2014

O PALHAÇO

NOTA 8,0

Longa mostra a realidade dos
artistas circenses através do
olhar de um palhaço que busca
sua identidade fora do palco
Em meio ao bombardeio de inovações tecnológicas e efeitos especiais de última geração que chegam aos nossos cinemas e ao mercado de vídeo doméstico semanalmente não é de se espantar que um simples filme brasileiro perca espaço, podendo ter uma exibição restrita ao circuito alternativo e de arte ou até mesmo ser lançado diretamente em DVD sem qualquer tipo de respaldo publicitário. Ainda bem que existem apreciadores e realizadores para obras mais simplórias e com preocupação maior com o conteúdo, pessoas realmente apaixonadas pela sétima arte.  É isso que o ator e diretor Selton Mello prova com a sua segunda incursão cinematográfica atrás das câmeras após Feliz Natal, seu elogiado drama de estreia. O Palhaço é uma produção relativamente simples, mas que conquista a atenção dos espectadores com seu visual colorido e história emocionante e extremamente simpática, contando com diversas citações para homenagear aqueles que já trouxeram muita alegria ao público, como o quarteto dos Trapalhões e Oscarito. A história gira em torno do palhaço Pangaré (Selton Mello), uma das estrelas do circo Esperança que, infelizmente, cada vez mais sente a escassez de público a cada nova cidade que passa. As grandes gargalhadas, olhares curiosos e expressões de felicidade de outrora ficaram como uma doce e inesquecível lembrança para a maior parte dos funcionários e artistas. Porém, o rapaz que ainda continua bem jovem e com disposição usa e abusa de expressões corporais e faciais e lança mão de algumas piadas mais fortes para conseguir segurar a atenção do público e manter a sua trupe circense em atividade. Bem, essa imagem positiva ele tem no picadeiro diante da plateia, mas nos bastidores a coisa é bem diferente. Seu nome de batismo é Benjamim e o rapaz anda muito insatisfeito com a vida que leva, um incômodo que aparentemente só ele tem e não é compartilhado por outros membros dessa grande família itinerante que se acostumaram com um cotidiano sem luxos e finanças escassas. As razões para seu desgosto podem estar em seu relacionamento com seu pai Valdemar (Paulo José), que lidera o circo e dá vida ao palhaço Puro Sangue. Ironicamente, entre tantas dúvidas e melancolia, Benjamim fica obcecado pela ideia de conseguir um ventilador para a namorada do pai, a dançarina Lola (Giselle Motta), como se a aquisição desse objeto que para tantos já é algo obsoleto significasse um sinal de que as coisas vão melhorar ou simplesmente uma desculpa para o protagonista descobrir pelo menos um pouquinho do mundo que até então desconhecia. Durante o trajeto, diversos tipos bizarros cruzam seu caminho e o ajudam em sua busca que no fundo é a procura por sua real identidade.

quarta-feira, 26 de março de 2014

O VIAJANTE (1991)

Tem aficionados por comédias, outros por ação e aventura, aqueles que só se entretém com um bom suspense ou terror, mas é fato que as histórias dramáticas têm uma legião de fãs mais numerosa e cativa. Quem não tem pelo menos um dramalhão na memória? Aquele filme triste que marcou época ou que faz você lembrar de algum período de sua vida? Além de temas mais consistentes embalados por atuações que geralmente exigem uma carga emocional maior dos atores, os dramas ainda levam vantagens por geralmente cativarem as plateias de críticos e isso os levarem facilmente a premiações, assim de certa forma eternizando-os. Porém, nem sempre isso ocorre e há inúmeras belas produções que ficaram perdidas no tempo, como é o caso do belo O Viajante. A palavra tragédia é sinônimo de um acontecimento que desperta tristeza e horror e talvez tenha partido desse entendimento a ideia inicial para que o escritor suíço Max Frisch escrevesse na década de 1950 o clássico existencialista "Homo Faber" que ganhou sua versão cinematográfica sob a batuta do cineasta alemão Volker Schloendorff. A trama basicamente conta a história de um triângulo amoroso cujas raízes remetem as antigas tragédias gregas, contudo, tem muito mais a oferecer, principalmente através de seu protagonista. Poderia se tornar uma obra de difícil assimilação pela maior parte do público já que é derivado de um livro com caráter intimista e com um tema para reflexão, mas o diretor teve a habilidade e a sensibilidade necessárias para transpor toda a carga dramática contida nas páginas para um belo e acessível filme. Bem, o acessível fica por conta do estilo narrativo adotado, elegante e feito para agradar cinéfilos de bom gosto, já que esta é mais uma produção cinematográfica infelizmente inexistente na era do DVD. Passada no ano de 1957, a história tem como personagem principal Walter Faber (Sam Shepard), um engenheiro entusiasta das ciências exatas, máquinas locomotoras e que acredita que qualquer trabalho deve ser encarado como um projeto de vida. Entre as várias viagens e tarefas que realiza, ele sempre reafirma o seu caráter de homem racional a fim de encobrir a sua ausência de emoções. Sim, ele foge da emoção justamente por ela ser algo imprevisível e cuja intensidade não pode ser calculada.

terça-feira, 25 de março de 2014

MULHERES PERFEITAS

NOTA 7,0

Antigo filme de suspense
ganha um remake
calcado no humor, mas a
idéia não é das melhores
É possível uma idéia que foi concebida para um gênero ser transformada para outro completamente oposto? Bem, um romance virar um drama ou vice-versa ou um policial ganhar doses de adrenalina e passar a ocupar uma vaga na categoria de ação dá certo, mas o que dizer de um suspense modificado para ser uma comédia? A tentativa do diretor Frank Oz mostra que não dá certo ou ao menos foi isso que os lucros de Mulheres Perfeitas acusaram. Muita gente torceu o nariz para a adaptação cômica do filme Esposas em Conflito, um suspense com toques futuristas datado da década de 1970. Como ele não passou nos cinemas brasileiros e foi muito mal lançado em DVD no embalo do remake, não há muito como fazer comparações, até porque o longa é uma raridade e pouca gente assistiu. O intuito da antiga obra literária era discutir como os homens estavam encarando as conquistas das mulheres em um período de grandes transformações e fazer uma reflexão sobre como uma ação para barrar esses avanços poderia acabar virando um pesadelo. Todavia, resta nos atermos a análise da produção estrelada por Nicole Kidman que não vai a fundo na discussão original. A premissa básica da história homônima do livro de Ira Levin, o mesmo que escreveu O Bebê de Rosemary, foi mantida, mas muitos elementos foram adicionados para deixar o projeto mais comercial e provocar um humor bem no estilo sessão da tarde, cheio de piadas visuais e personagens estereotipados. A mulher de negócios mostra sua determinação nas roupas e no estilo do cabelo. Seu marido é tão submisso que até suas vestimentas ajudam o próprio a se diminuir. Temos um casal que a mulher rebelde usa roupas escuras e é desbocada enquanto seu companheiro transparece seu espírito bonachão através de camisas coloridas, embora sua cara já seja o bastante para tanto. Ah, e obviamente não falta um gay para trocar idéias sobre decoração e moda que acaba provocando risos involuntariamente com suas falas bem divertidas. 

segunda-feira, 24 de março de 2014

NAMORADOS PARA SEMPRE

NOTA 9,0

Com praticamente apenas
dois atores, drama mostra
 o nascimento e a morte de
um romance paralelamente
Muita gente se entusiasma a assistir a um filme apenas pelo título, mas isso é um tanto perigoso no Brasil. Dessa forma comprar gato por lebre é muito fácil. Provavelmente muita gente deve se decepcionar ou já se decepcionou ao constatar que Namorados Para Sempre está longe de ser uma história açucarada e com o tradicional felizes para sempre. O filme originalmente foi batizado com uma expressão que liga o dia dos namorados a tristeza ou algo assim. Bem, analisando o enredo até que a escolha do título nacional não é das piores e se encaixa à mensagem do longa. Para quem gosta de boas histórias e não tem receio de se sentir machucado ao término do filme, aqui temos uma boa opção, mas para quem busca acompanhar um romance belo e a la sonho de adolescente passe longe desta obra escrita e dirigida por Derek Cianfrance, fazendo sua estréia no cinema de ficção com o pé direito. Justamente por sua experiência com documentários, é nítido que neste drama ele não abandonou seu estilo. Quase todo o tempo sentimos a câmera, as vezes tremida, seguindo os atores e procurando gestos e olhares relevantes ou até mesmo detalhes que aparentemente não significam nada, mas quando praticamente só temos dois atores em cena até as respirações podem indicar algo. Porém, a pegada documental e a fórmula do casal que discute a relação relembrando seu passado para enxergar onde erraram não é uma novidade que possa ser creditada ao cineasta. Outros trabalhos de cinema já utilizaram a idéia com sutis variações, sendo os mais famosos Antes do Anoitecer e Antes do Pôr-do-Sol. A diferença é que Cianfrance movimenta sua obra adicionando rápidas passagens de outros personagens que foram ou são importantes na trajetória dos protagonistas, assim o espectador tem um respiro e não se sente dentro de um ambiente claustrofóbico participando de uma discussão, afinal se não fossem os flashbacks e algumas poucas cenas do presente do casal estaríamos condenados a passar quase duas horas sufocantes na companhia de um homem e uma mulher que alternam momentos de carinho, com outros de raiva e muitos de pura melancolia. 

domingo, 23 de março de 2014

O GRANDE MENTIROSO

Nota 6,0 Espertalhão fica nas mãos de um jovem pentelho em comédia simples, mas eficiente

Hoje em dia é tão difícil encontrar uma comédia literalmente com classificação livre, ou seja, sem absolutamente nada que constranja ou ofenda o espectador, que qualquer filmeco que se encaixe nessa categoria acaba automaticamente se tornando um coringa para os pais que prezam pela integridade moral de seus filhos. Pode parecer bobagem, mas quem não tem ao menos uma lembrança de ter visto algum filme bobinho em uma tarde de ócio ou chuvosa na companhia da mãe, avó ou amigo? Será que é daí que surgiram os clássicos estilo sessão da tarde? Possivelmente e O Grande Mentiroso atende aos requisitos para entrar nessa lista. Razoavelmente divertido e livre de piadas grotescas ou ofensivas, ele garante uma hora e meia de sossego para quem tem que cuidar de uma criança por trazer uma temática muito comum ao universo infanto-juvenil: a mentira e suas consequências. A trama escrita por Dan Schneider e dirigida por Shawn Levy nos apresenta à Jason Shepherd (Frankie Muniz), um adolescente de 14 anos que não liga muito para os estudos e vive contando mentiras, principalmente quando se vê em enrascadas como certo dia que chega atrasado para a aula da Sra. Caldwell (Sandra Oh) e sem a redação que deveria entregar. Curiosamente, ele não consegue criar uma história para colocar no papel, porém, bola uma mirabolante para justificar suas falhas para a professora. No entanto, a verdade logo vem à tona e com o agravante que agora seus próprios pais não confiam mais nele. Como castigo na escola, Jason terá que fazer uma redação em tempo recorde, caso contrário terá que perder as férias de verão para frequentar um curso de recuperação. Inesperadamente ele se vê inspirado e cria uma história com título homônimo ao filme. Todo orgulhoso, ele sai de casa com a cabeça nas nuvens e acaba sendo atropelado por uma limusine na qual está Marty Wolf (Paul Giamatti), um antipático produtor de cinema que não está em uma boa fase na carreira já há alguns anos.

sábado, 22 de março de 2014

REPÚBLICA DO AMOR

Nota 4,0 Apesar do início estranho, romance entra nos eixos, mas é tocado em banho-maria

Os tempos mudaram, a instituição do casamento já não tem mais o peso de antigamente e o cinema está sempre tentando compreender as mentes e sentimentos das novas gerações repletas de adeptos da solidão ou parceiros múltiplos. Se amarrar a alguém parece uma alternativa apenas em último caso e geralmente colocando na balança outros valores, sendo o amor talvez o requisito de menor valor nas relações modernas e o respeito ao individualismo a prioridade. Baseado no livro de Carol Shields, República do Amor conta uma história romântica que explora o fascínio, os dilemas e as barreiras de uma relação a dois. Tom Avery (Bruce Greenwood) é um locutor de rádio que tem um programa nas madrugadas destinado a ouvir lamentações e questionamentos, principalmente de ordem sentimental, de ouvintes insones. Ele teve uma infância pouco convencional com pais liberais e provavelmente isso influenciou sua vida amorosa, visto que ele já foi casado três vezes e hoje prefere encontros casuais apenas para satisfação sexual. Já Fay McLeot (Emilia Fox) é uma pesquisadora que está mais focada em seu trabalho dedicando-se a escrita a respeito de uma tese sobre o mito das sereias. Ela está entediada com seu atual namorado, a relação caiu na rotina. Quando aceita o convite de um amigo para uma festa, Tom conhece e se interessa por Fay e a recíproca é das melhores. Após algum tempo longe por conta de uma viagem da moça, os dois se reencontram e engatam um namoro que parece perfeito, porém, cada um tem seu próprio espaço, sua maneira particular de ver o relacionamento. Já quarentão, possivelmente Tom vê o casamento como uma necessidade, tanto para cessar especulações sobre sua vida “desregrada” quanto para contar com o apoio de alguém no futuro, tal qual seus pais vivem em harmônio auxiliando um ao outro na velhice. Já Fay deseja o casamento perfeito assim como de seus pais que mesmo após tantos anos de união aparentam manter o amor bem acima do simples respeito e solidariedade. Todavia, essa utopia pode arruinar seu relacionamento atual quando surge uma frustração em seu caminho.

sexta-feira, 21 de março de 2014

MATINÉE - UMA SESSÃO MUITO LOUCA

NOTA 8,0

Comédia homenageia os
filmes trashs e o espírito
nostálgico da obra ajuda a
cativar os espectadores
Quem nunca se divertiu algum dia na vida com um filme trash, aqueles cuja produção é precária e as interpretações amadoras ou canastronas, que atire a primeira pedra. Obras do tipo, por mais que hoje possam ser criticadas, certamente marcaram a infância ou a adolescência de muitas gerações, inclusive a turminha que se divertia em casa nos tempos áureos da “Sessão da Tarde”. Aparentemente tolos, é preciso ressaltar que trabalhos do tipo tiveram seu período de importância na História da sétima arte. Durante as décadas de 1950 e 1960, a população de todo o mundo respirava um pouco mais aliviada com o fim do pesadelo que foi a Segunda Guerra Mundial, embora alguns focos conflituosos ainda existiam em diversos países e a Guerra Fria já dava sinais de vida. Mesmo assim, a época parecia propícia para mudanças e assim muita coisa foi modificada no cotidiano de milhares de pessoas e os modismos americanos se espalharam por todos os cantos do mundo, incluindo o modelo de produções representantes de um cinema escapista que visava atender aos anseios de platéias que desejavam esquecer as tristezas e se divertir sem culpa alguma, afinal de contas não se sabia se no outro dia estaria vivo. Subgênero que há décadas faz sucesso, os populares trash movies antigamente eram os responsáveis por lotar salas de exibição com adolescentes querendo se assustar, dar risadas ou simplesmente ter uma desculpa para namorar. Eram os tempos da liberação feminina e da rebeldia dos jovens e um programinha que para os adultos poderia ser considerado maldito para os adolescentes era um respiro, a maneira que encontravam para extravasar a ansiedade e matar curiosidades. Apesar de parecerem super datadas, as produções B continuam vez ou outra dando as caras, principalmente no mercado de locação, onde ganhou sobrevida nas duas últimas décadas do século 20 com a popularização das fitas VHS. Mesmo hoje em dia, ainda há filmes trash pipocando por aí protagonizados por monstros nojentos, trazendo ao público situações bizarras ou com títulos e enredos engraçados, assim perpetuando a arte de fazer cinema com poucos recursos, simplesmente por amor ao ofício ou para fazer a alegria do público. É justamente este entusiasmo que sentimos na interpretação de John Goodman em Matinée – Uma Sessão Muito Louca, uma divertida comédia com apelo nostálgico. Ele dá vida a um excêntrico cineasta que, apesar de pensar muito nos lucros, deixa transparecer em suas falas e gestos a emoção de se fazer cinema e levar entretenimento a tantas pessoas.

quinta-feira, 20 de março de 2014

AS AVENTURAS DE AGAMENON - O REPÓRTER

NOTA 1,5

Longa é um vexame para
o cinema nacional do início
ao fim apoiando-se em
piadas sem pé nem cabeça
Quantas pessoas você já viu na fila do cinema ou em uma locadora apontando um ou mais títulos e dizendo que eles devem ser bons porque suas propagandas passam toda hora na TV ou em praticamente todos os sites existem banners divulgando-os? É se aproveitando dessa inocência do público que muitas empresas tentam lucrar. O artifício da publicidade é usado a exaustão desde os primórdios da televisão para vender margarina, sabonetes e coisas do tipo. Na realidade querem te iludir com a idéia de que o produto que estão oferecendo é ótimo e essencial. Da mesma forma que um bebê aprende a falar e certos gestos na base da repetição, o mesmo impulso as empresas querem despertar em pessoas com a mentalidade já desenvolvida reforçando cada vez mais uma marca ou produto. A Globo Filmes faz praticamente a divulgação de oito a cada dez lançamentos nacionais e desde a campanha de sucesso de Se Eu Fosse Você no final de 2005 adotou a estratégia de inserir anúncios dos filmes em seus intervalos comerciais cerca de dois meses antes da data de estréia, assim conseguindo criar o efeito desejado: cativar o seu espectador para ir ao cinema. Por um bom tempo isso funcionou e os lançamentos de verão brazucas fizeram fortuna, mas quando uma produção é ruim não há santo que ajude. Por alguns dias até pode ser que o público se sinta instigado a assisti-las, mas logo o boca-a-boca negativo mostra seus efeitos. Pior ainda quando um elenco capenga é a bola da vez. Com um enredo sofrível e interpretações de doer de atores misturados a modelos, peças de museu e profissionais do tipo topo tudo, Muita Calma Nessa Hora até fez seu pé de meia, por exemplo, mas os espectadores não caíram na mesma armadilha com As Aventuras de Agamenon – O Repórter e deram às costas à produção. Embora a campanha publicitária fosse muito eficiente, também colocada no ar com antecedência e com direito a um funk tipo chiclete, o elenco reunido já trazia desconfianças. O que dizer de um personagem que é dividido por Hubert,um membro do grupo Casseta e Planeta, diga-se de passagem, em franca decadência, e o onipresente Marcelo Adnet? Besteirol na certa. Idolatrados por destilarem um humor ácido e crítico, os atores falharam ao tentar fazer no cinema o que fazem há anos na TV.

quarta-feira, 19 de março de 2014

SEMPRE AO SEU LADO

NOTA 9,0

Baseado em um conto
oriental, longa é cercado
de diversos cuidados e
clichês para emocionar
O ditado popular “o cão é o melhor amigo do homem” já foi a fonte de inspiração de dezenas de comédias e dramas ao longo da história do cinema, mas nos últimos anos a participação dos cachorrinhos se restringiu a produções menores e que geralmente eram destinadas ao público infantil e lançadas diretamente no mercado de locação e vendas ao consumidor, muitas delas inclusive eram telefilmes e hoje recheiam as sessões da tarde da TV. Porém, após o extrondoso sucesso de Marley e Eu que lotou as salas de exibição com crianças, adultos e idosos que riram e se emocionaram com a relação de amor e confiança entre um humano e um bichinho de estimação muito sapeca, parece que os produtores acharam um novo filão para explorar. Um animal não precisa necessariamente falar ou ser emperequetado com roupas e acessórios para fazer graça e assim conseguir sucesso, pelo contrário, tal esterótipo só serve para entreter as crianças bem pequenas. Tratar os cachorros em cena com dignidade e naturalidade é o bastante para chamar a atenção dos espectadores infantis e consequentemente de seus pais, irmãos e avós. Seguindo essa linha de pensamento o diretor Lasse Hallström, especialista em lidar com emoções, investiu seu talento em Sempre ao Seu Lado, mais uma singela história de amor e lealdade entre um cão e seu dono. Lançado pouco tempo depois que o simpático Marley ganhou as telonas, este trabalho que segue a mesma cartilha não obteve o mesmo sucesso, embora para muitos já tenha se tornado um novo clássico para de tempos em tempos ser revisto com toda a família. É até fácil identificar o porquê da recepção morna. Faltou um pouco de humor à narrativa, o que fatalmente afasta as crianças e logo seus familiares que as acompanham. O boca-a-boca de “é chato” ou “é  muito triste” pode ter colaborado para as fracas bilheterias em quase todo o mundo.

terça-feira, 18 de março de 2014

AMIGOS, AMIGOS, MULHERES À PARTE

NOTA 4,5

Comédia se apóia em
humor de gosto duvidoso
e elenco atua de forma
pouco convincente
Comédias românticas são sempre a mesma coisa. Um casalzinho simpático passa o tempo todo se engalfinhando ou lutando contra as adversidades para no final ser feliz. O destino pode colocar alguns obstáculos no caminho dos amantes ou algum parente ou amigo invejoso faz o papel do diabinho na história. Para completar os coadjuvantes roubam a cena com seus tipos estereotipados como o homossexual bom amigo ou uma garota desengonçada que acaba se dando bem na conclusão. Muita gente reclama dessa fórmula básica que sofre pequenas modificações em dezenas de produções do gênero que são lançadas anualmente, mas no fundo são todas iguais e com final anunciado antes mesmo de assistirmos um minuto sequer e ainda assim elas têm seu público fiel. As vezes é melhor que as coisas fiquem assim mesmo, pois mudanças muito drásticas tendem a render filmes extremamente irregulares como é o caso de Amigos, Amigos, Mulheres à Parte, um produto que passa longe de ser considerado romântico e investe em um humor anárquico e quase sempre vexatório. Porém, não se pode negar que engraçado ele é, isso se você assistir com o botão de bom senso do seu cérebro e o do controle de emoção do seu coração desativados, pois aqui você não aprenderá nada e muito menos conseguirá se emocionar com um triângulo amoroso tão desajustado e libertino. O longa começa nos apresentando a Tank (Dane Cook), um rapaz metido a garanhão que adora sair a cada dia com uma garota diferente e consegue encontros facilmente. Sua tática é conquistar a confiança da jovem, se divertir ao máximo com ela e no final da noite fazer com que a própria o dispense. Para tanto, ele passa a utilizar palavras de baixo calão, fazer críticas ofensivas à companheira, soltar frases sem noção e comprometedoras e até mesmo colocar para tocar no carro uma música para deixar qualquer moça decente com vontade de se enterrar no chão. Descobrindo que a embalagem não corresponde ao conteúdo, as moças reavaliam suas decisões e resolvem voltar para seus antigos namorados.

segunda-feira, 17 de março de 2014

O CASAMENTO DO MEU EX

NOTA 3,0

Premissa interessante é
desperdiçada por roteiro
pobre e interpretações
pouco inspiradas
Este é mais um filme cujo título engana o espectador, embora ele se aplique muito bem a proposta do roteiro. Já tivemos tantas comédias românticas batizadas com frases e expressões que utilizavam as palavras ex e casamento, além do tradicional meu ou minha indicando possessão, que é óbvio que quem escolhe assistir O Casamento do Meu Ex espera ver aquela historinha manjada, com final anunciado logo na primeira cena e com aquelas piadinhas bobinhas ou de duplo sentido. Se você é esse tipo de espectador, provavelmente se decepcionará com a escolha. Esta produção é totalmente diferente do que 99 a cada 100 pessoas podem esperar de um produto a julgar pelo seu título, um caso que se assemelha a Namorados Para Sempre, outro filme que ao surgirem os créditos finais deve deixar muita gente com cara de que comeu e não gostou. Ambas são produções aparentemente do tipo comédias açucaradas, mas se revelam histórias dramáticas e nas quais os personagens estão em cena para lavar a roupa suja ou desfazer mal entendidos. É complicado, mas o que fazer quando um título aponta para dois caminhos opostos? Bem, neste caso a diretora estreante Galt Niederhoffer optou pelo viés dramático e não foi muito feliz. O longa é baseado no livro homônimo da própria cineasta, mas fica a dúvida se o conteúdo contido na publicação é tão insosso quanto o visto na versão cinematográfica. Apostando em um enredo em que as vidas de diversas pessoas são entrelaçadas por acaso ou partilhadas intencionalmente, um estilo que já está se tornando corriqueiro no cinema, o longa tem um eixo principal: o casamento de Lila (Anna Paquin) com Tom (Josh Duhamel).  Eles estão a apenas um dia de trocarem alianças a beira-mar, mas até esse momento chegar muita coisa pode acontecer a partir da chegada de Laura (Katie Holmes). Ela é a dama de honra da noiva, mas já teve um relacionamento no passado com o noivo. Esse fato não é guardado a sete chaves. Lila sabe e se mostra incomodada com a possibilidade de Tom ter uma recaída poucas horas antes do casamento, mas não fica claro os motivos que levaram a noiva a querer estreitar laços com a ex do futuro marido. Política de boa vizinhança? Não é o que parece. Talvez ela buscasse justamente essa aproximação entre eles para submeter o noivo a uma espécie de teste de fidelidade. 

domingo, 16 de março de 2014

A RAINHA SOL - A ESPOSA AMADA DE TUTANKHAMON

Nota 4,0 Com história pouco conhecida do Egito, desenho não cativa apesar da boa parte técnica

A História do Egito antigo ainda guarda muitos mistérios a serem revelados. Sabemos bastante sobre a vida de Cleópatra através de livros e filmes, mas são tantos os nobres e deuses que marcaram o passado do exótico país que dificilmente a fonte de inspiração cessaria. A animação A Rainha Sol - A Esposa Amada de Tutankhamon é baseada em um destes capítulos tratados no romance homônimo do escritor Christian Jacq. Akhesa era uma jovem que buscava levar uma vida absolutamente comum, mas um pequeno detalhe a fazia ser diferente irremediavelmente: ela é filha do faraó Akhenaton, líder que julgava ser a encarnação do espírito do deus Aton, sinônimo de justiça e prosperidade. A entidade prega a paz sem violência, mas no mundo dos homens seus ensinamentos parecem não ter muita serventia, afinal a lei do mais forte parece prevalecer. Dessa forma, o governo não agrada a todos os seus súditos e desperta a ira dos hititas, grupo que protesta fazendo uso da violência e que espera mudanças na liderança do país. O faraó, que procura revidar os atentados por meios pacíficos, não deseja que o poder saia das mãos de sua família e planeja que a filha seja sua sucessora, mas para tanto ela deve estar casada e já tem uma união planejada com o jovem Thout (o futuro Tutankhamon). Como manda a cartilha dos clichês, é óbvio que os adolescentes se conheceram por acaso antes do primeiro encontro oficial e não causaram boa impressão um ao outro, mas serão forçados a conviver juntos. Eles descobrem que alguns subalternos do faraó estão armando um plano para traí-lo e Akesha decide pedir ajuda a sua mãe, Nefertiti, mas terá que ir em busca de seu paradeiro já que ela fugiu há muitos anos. Thout ajuda a garota na fuga, mas acaba percebendo que pode ser considerado um sequestrador e se vê obrigado a seguir viagem com ela até Tebas. Chegando a cidade, eles se abrigam no templo de Amon-Rá, local que anos atrás abrigava deuses que acabaram sendo banidos pelo faraó cego por sua admiração por Aton. No meio da noite os jovens acordam e percebem que não estão sozinhos. O general Horemheb, um dos homens de confiança de Akhenaton, está liderando uma reunião com alguns revoltados que fazem a sua cabeça para que se for preciso o rei seja sacrificado em nome de um governo mais justo.

sábado, 15 de março de 2014

DORM - O ESPÍRITO

Nota 4,0 Longa surpreende com mudança de foca na metade, mas transição é mal construída

Um colégio interno instalado em um antigo e isolado prédio, onde as crianças são comandadas a punhos de ferro e histórias assombrosas percorrem os amplos corredores. Esse é o cenário ideal para uma trama de horror e Dorm – O Espírito tenta tirar partido disso. Bem, pelo menos até certa altura. A trama escrita por Chollada Teaosuwan, Vanridee Pongsittsak e Songyos Sugmakanan, este último também assinando a direção, narra a adaptação de Chatree (Charlie Trairat) à rotina de seu novo colégio só para garotos, local que seu pai acredita que o obrigará a ser mais aplicado nos estudos e o ensinará a ser um homem de verdade assumindo responsabilidades agora que estará longe da família. O menino não parece empolgado em ter que mudar de escola em plena metade do ano letivo, ainda mais quando conhece a Srta. Pranee (Chintar Sukapatana), a inspetora dos dormitórios que parece ser o terror de todos os alunos. Em vários momentos, o novato sente a presença de alguém o seguindo ou o observando e seu pavor aumenta quando os seus colegas começam a contar histórias de arrepiar sobre o colégio. A que mais lhe impressiona é a de um garoto que morreu afogado na piscina que ficava nos fundos e que há anos foi desativada. Dizem que seu espírito aparece no banheiro na calada da noite e que sua cama, até então guardada no depósito, foi recolocada em um dos dormitórios, sendo justamente o leito destinado a Chatree. Enquanto se apavora diariamente por ficar impressionado com as lendas que cercam a escola, o novo aluno constata que o comportamento estranho de Pranee é verídico. Desde a morte de Vichiem (Sirachuch Chienthaworn) a inspetora mudou completamente seu comportamento tornando-se amarga e com o hábito de diariamente ouvir uma música melancólica enquanto chora observando o fundo de uma gaveta que ela jamais deixou alguém ver o que tinha dentro. É óbvio que Chatree vai se sentir instigado a descobrir qual a relação de Pranee com a morte do aluno e para tanto vai ter a ajuda especial de ninguém menos que o próprio espírito dele.

sexta-feira, 14 de março de 2014

A LENDA DO CAVALEIRO SEM CABEÇA

NOTA 10,0

Clássico da literatura
americana reúne elementos
perfeitos para o estilo Tim
Burton de fazer cinema
Quando pensamos em filmes de terror é quase impossível não se lembrar dos sanguinários assassinos mascarados que caçam adolescentes ou qualquer um que esteja de bobeira na rua em horários inoportunos, das figuras assustadoras que incorporam espíritos malignos ou ainda recordarmos dos monstros clássicos do cinema, como vampiros e lobisomens, que até hoje rendem histórias. Longe do estilo trash ou do lema sangue é a alma do negócio, Tim Burton construiu sua carreira basicamente pautado pelo gênero de horror e suspense, mas conseguiu imprimir um estilo único de assustar. Quer dizer único não é mais, pois já existem diversos cineastas copiando seu estilo gótico ou surreal de contar histórias que flertam com o medo, o humor e o drama. Todavia, ainda falta para muitos a criatividade e a sutileza de Burton para tocar projetos semelhantes aos seus. Talvez sejam as suas particularidades que nos encantem, por exemplo, em A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça, longa rotulado como terror, mas que na comparação com muita coisa que é lançada atualmente mais parece um conto de fadas. Todos os elementos que fizeram e ainda fazem a fama do diretor estão presentes nesta produção que pode ser considerada uma obra-prima do gênero. Personagens bem trabalhados, ambientação minuciosamente escolhida, humor negro, bizarrices e o tom gótico já são marcas registradas do diretor e aqui todas elas são imprescindíveis para a condução da narrativa que faz com que por alguns momentos o espectador esqueça que é um filme de terror que está vendo tamanho o lirismo e o aspecto onírico de algumas cenas. Mas claro que também há sangue para agradar aos fãs do gênero. A história é baseada em um popular conto de horror do americano Washington Irving, que por sua vez baseou-se possivelmente em uma lenda germânica. Na virada do século 18, o pequeno vilarejo rural de Sleepy Hollow está sofrendo com o pânico gerado pelos boatos de que todas as noites o fantasma de um homem sem cabeça vaga pelas ruas a procura de seu crânio. O estranho é que parece que ele surge predestinado a decepar corpos escolhidos previamente, e nem as mulheres ou crianças são poupadas. O excêntrico detetive nova-iorquino Ichabod Crane (Johnny Depp), famoso por solucionar casos baseando-se em conceitos racionais e científicos, é chamado com urgência para dar seu parecer da situação e acalmar os ânimos. Inicialmente, ele tenta apresentar soluções lógicas para o problema investigando as possíveis ligações entre as vítimas para assim chegar a um assassino de carne e osso, mas não demora muito para seu ceticismo ir por água abaixo.

quinta-feira, 13 de março de 2014

QUAL SEU NÚMERO?

NOTA 8,0

Com ótimas piadas e boas
atuações dos protagonistas,
comédia escamoteia teor
moralista do enredo 
Comédias geralmente são os principais alvos de críticas negativas e dificilmente algum exemplar do gênero escapa de levar umas boas ferroadas em jornais, revistas, TV e na internet. As opiniões dos especialistas certamente influenciam os espectadores que após assistirem uma produção do tipo ficam em uma saia justa. Admite-se que deu boas risadas ou banca o intelectual e começa a tecer comentários tão criteriosos quanto aqueles que se lê por aí? Muita gente deve ficar nesse dilema na hora de avaliar um filme como Qual Seu Número?, produção repleta de clichês e cujo final já se anuncia logo no primeiro encontro dos protagonistas. O que chama a atenção neste caso é o moralismo da obra, afinal sua premissa parece evidenciar uma conquista das mulheres: o direito de ser tão “galinha” quanto os homens. A palavra entre aspas quando aplicada ao sexo masculino ganha status positivo, é uma referência ao homem boa pinta que chama a atenção e conquista todas as mulheres. Quando ela é usada para se referir ao sexo feminino, o sentido é bem oposto. Mulher que sai com muitos homens não presta, não serve para casar. Bem, essa pressão negativa é o que sente em determinado momento Ally (Anna Faris) que já está na casa dos trinta anos e ainda é solteira. Entre as amigas ela é a recordista de parceiros de cama. Já contabiliza 19 e segundo pesquisas de uma famosa revista feminina quando uma mulher chega ao ficante de número 20 suas chances de se casar são praticamente nulas e provavelmente o marido ideal ela deixou escapar entre os homens que conheceu e agora estaria condenada a carregar até o fim de seus dias a fama de piriguete. 

quarta-feira, 12 de março de 2014

O LENHADOR

NOTA 8,0

Tema difícil é abordado
eficientemente em drama que
mostra conflitos de ex-presidiário
dividido entre a tentação e o perdão
Cinema não é só diversão. Também é cultura e uma forma eficiente de trazer à tona temas espinhosos que a sociedade em geral tende a esconder debaixo do tapete. A pedofilia é um desses exemplos, mas que ainda encontra dificuldades para ser exposto a um grande público. Não é a toa que O Lenhador foi um grande fracasso nas bilheterias em todo o mundo, ainda que reúna um excelente texto a boa interpretação do subestimado Kevin Bacon. Outrora trabalhando sob pressão dos estúdios que forçosamente queriam que ele se transformasse em um astro rentável, a maturidade lhe trouxe sabedoria e ele aprendeu a escolher melhor os projetos que levariam seu nome. Aqui ele dá via à Walter, um homem de meia-idade que passou doze anos na cadeia. Quando liberto em regime condicional, ele decide refazer sua vida em sua pequena cidade-natal, mas não encontra apoio dos amigos ou familiares, exceto de Carlos (Benjamin Bratt), seu cunhado, mas que também não esconde o receio de que sua filha pequena possa vir a se tornar alvo dos instintos sexuais do tio. Conseguindo um emprego em uma madeireira, aos poucos ele tem a chance de redescobrir o amor graças a proximidade de Vicki (Kyra Sedgwick), outra funcionária da empresa que também tem problemas com seu passado e precisa superá-los para seguir em frente. Sua situação faz com que ela não julgue e tampouco olhe com estranheza para o rapaz e compreensão é o que ele mais precisa neste momento de redenção. Contudo, Walter não parece satisfeito com as coisas que estão acontecendo e prefere se manter o mais reservado possível para evitar que os colegas de trabalho ou quem quer que seja o discrimine. Ser um ex-presidiário já é um fardo e tanto a ser carregado, imagine então se descobrem o motivo de sua prisão? Os crimes de pedofilia não são tolerados nem mesmo pelos presidiários, até os assassinos psicopatas repudiam. É como se fosse um código de honra adotado nas cadeias: quem ousa abusar de uma criança não merece uma segunda chance e assim os demais presos espancam e estupram tais criminosos constantemente, podendo levá-los ao óbito, mas caso sobrevivam às torturas terão tido uma dolorosa lição que os fará pensar não só duas, mas três, quatro ou cinco vezes se voltarão a sentir desejo por um menor. O problema é que Walter está vivendo em um apartamento em frente a uma escola de ensino básico, o único lugar que achou cujo dono aceitava alugar para um ex-preso, e precisa lutar diariamente para que as tentações não voltem a corrompê-lo, por isso também está passando por sessões de terapia, porém, não consegue se abrir com ninguém completamente.

terça-feira, 11 de março de 2014

O PESO DA ÁGUA

NOTA 3,0

Suspense tenta estabelecer
conexões entre duas histórias,
mas nenhuma delas cativa, sendo
válido apenas o capricho técnico
Um título enigmático, um elenco de peso e uma arte publicitária que pouco revela sobre a obra. Esses são elementos que teoricamente unidos podiam fazer um filme de suspense fazer sucesso, mais ou menos a mesma fórmula que alavancou a carreira do diretor M. Night Shyamalan em seus primeiros longas hollywoodianos. Contudo, a receita ainda tem outros ingredientes que em abundância ou em pequenas doses podem comprometer o resultado final, isso sem falar no tempo de espera para sair do forno. A metáfora com a preparação de um bolo, por exemplo, ajuda a justificar o fracasso de O Peso da Água, suspense com todos os elementos citados na primeira frase do texto, mas com excessos, falhas e que foi lançado já cercado de suspeitas de que seria um tremendo imbróglio devido a demora. Tendo estreado no Festival Internacional de Cinema de Toronto em 2000, evento que já é considerado como uma vitrine dos filmes que irão bombar na alta temporada de premiações, estranhamente o longa só foi lançado em circuito comercial nos EUA cerca de dois anos depois. Provavelmente a obra foi mal recebida no festival e os produtores resolveram “consertá-la”.  Será que ela era pior do que a versão definitiva que chegou ao público? Difícil imaginar, mas tudo é possível. Baseado no romance homônimo de Anita Shreve, a trama conta paralelamente duas histórias com pontos em comum, ambas acontecem em um mesmo local e envolvem um turbilhão de sentimentos, mas um século as separa, porém, o passar dos anos provam que ciúme e paixão são atemporais, ou deveriam ser, ligações que este suspense jamais atinge com perfeição. As Ilhas Shoah, no litoral do Estado de New Hampshire, serviram de cenários para uma triste história em meados do ano de 1873. Duas mulheres de uma mesma família, Karen (Karin Cartlidge) e Anethe (Vinessa Shaw), foram assassinadas e seus corpos possuíam marcas de golpes brutais feitos a machadadas. Louis Wagner (Ciarán Hinds) torna-se o principal suspeito, pois poucos dias antes havia se hospedado na casa das jovens e foi expulso acusado de roubo. Maren Hontvedt (Sarah Poley), irmã de uma das vítimas e cunhada da outra, também deveria ter sido assassinada, mas conseguiu fugir e seu testemunho é definitivo para que o citado homem seja condenado pelos crimes e vá para a forca. Logo no início sabemos que Wagner realmente morreu como um criminoso, mas seria ele mesmo o culpado?

segunda-feira, 10 de março de 2014

AS PALAVRAS

NOTA 6,5

Três histórias são interligadas e
contam com o livro como elemento
de metalinguagem, mas produção
peca por não aprofundar os temas
Todo filme precisa de roteiro e para tanto é preciso que o responsável por essa parte tenha não só um bom argumento a ser desenvolvido, mas também habilidade para lidar com as palavras. O mesmo é exigido de um escritor literário e é esse o grande foco do drama As Palavras escrito e dirigido pela dupla Brian Klugman e Lee Sternthal. O título é simples, mas ao mesmo tempo já deixa claro que esta é uma obra para um público mais seleto, ainda mais quando pouco a pouco a narrativa mostra-se mais próxima do estilo literário, como se realmente tivesse sido adaptada das páginas de um livro. A forma como nos expressamos pode mudar a percepção de como as outras pessoas nos vê e até mesmo transformar vidas através das mensagens que transmitimos e é isso que vai aprender o protagonista Rory Jansen (Bradley Copper) que literalmente encontra um tesouro que se transforma em um divisor de águas tanto em sua trajetória profissional quanto pessoal. O rapaz trabalha em uma editora de livros e sonha em publicar seu próprio romance, porém, apesar de bem avaliado, sua obra só encontra recusas e a cada nova tentativa, inclusive em outras empresas, ele parece se convencer de que deve ser incapaz de seguir carreira como escritor. Por ser muito jovem, a falta de experiência de vida pode estar se refletindo negativamente em seus textos, contudo, ele é apoiado pela esposa Dora (Zoe Saldana) e até conta com a ajuda financeira do pai (J.K. Simmons) para enfrentar os problemas de um sonho que custa a gerar lucros. Quando estava prestes a desistir definitivamente, ele encontra por acaso um manuscrito perdido em uma valise comprada por sua esposa em uma pequena loja de antiguidades em Paris durante a lua-de-mel do casal. Jansen começa a ler e logo está totalmente envolvido pela história a ponto de resolver transcrevê-la para o computador palavra por palavra, inclusive repetindo os possíveis erros gramaticais e estruturais do texto original. Como não havia assinatura nos velhos papéis amarelados que encontrou, ele decide apresentar o livro ao seu editor, o Sr. Cutler (Zeljko Ivanek), como uma obra de sua própria autoria. Após uma rápida leitura, seu chefe muda completamente de opinião a respeito de seu até então subestimado funcionário e resolve investir na publicação com a promessa de que caso fosse sucesso de vendas o seu livro antes descartado também seria lançado. Dora, que talvez apoiasse o marido apenas para cumprir seu papel de boa esposa, foi quem o incentivou a apresentar tal obra quando a leu por acaso ao ver o arquivo aberto no computador. Sem saber do plágio, ela também festeja o salto de qualidade e criatividade do texto de Jansen, mais um empurrãozinho para ele decidir levar adiante a farsa.

domingo, 9 de março de 2014

A ÚLTIMA DANÇA

Nota 4,0 Projeto antigo de Patrick Swayze, drama musical é mal desenvolvido e não cativa

Em meados da década de 2000, o cinema descobriu na dança uma forma de fazer dinheiro. O tema atrai o público feminino que acaba levando a tiracolo o marido, o namorado, filhos e por aí vai. Dança Comigo? e Vem Dançar são alguns títulos de sucesso dessa safra, mas o drama A Última Dança não teve a mesma sorte, mesmo tendo no elenco Patrick Swayze em um de seus últimos papéis. Aqui ela dá vida à Travis MacPhearson, um quarentão que abandonou a carreira de bailarino por conta de problemas nas pernas, frutos dos esforços excessivos durante os ensaios de um grande espetáculo que jamais foi apresentado ao grande público. O criador do número veio a falecer sete anos depois, mas sua companhia de dança não quer encerrar suas atividades e quer continuar a perpetuar o legado do dançarino. Como forma de homenageá-lo surge a ideia de ensaiar novamente seu espetáculo que ficou inédito, mas para tanto precisariam da presença do trio de bailarinos originais. O problema é que depois de tantos anos eles podem estar fora de forma ou simplesmente não toparem. Max Delado (George de La Pena) é o único dos três que permaneceu na companhia e se encarrega de convencer os antigos colegas a voltarem a ensaiar juntos, mas o tal espetáculo deixou marcas em todos eles, principalmente por causa das cobranças e pressões exercidas pelo falecido diretor. Travis começou a desenvolver seus problemas durante os ensaios do show “Sem Palavras” e não suportou tanta exigência, mas hoje se arrepende de ter desistido. Max tem o óbvio interesse de recobrar o prestígio da companhia a qual se dedica há anos, porém, lembra sempre dos conselhos de seu pai que ele deveria ter um emprego comum. O rapaz dá aulas e já participou de dezenas de apresentações, mas isso não lhe trouxe dinheiro tampouco fama, considerando que por culpa da desistência dos colegas sua carreira desandou. Por fim, Chrissa Lindh (Lisa Niemi), hoje assistente de um mágico, depois de muitas decepções entrou para o mundo da dança para aprender a se comportar e se vestir melhor, ou seja, pensou no que poderia conseguir como consequência de seus esforços, ser uma mulher atraente e possivelmente com passe livre nas rodas da alta sociedade. Com as cobranças do diretor, Chrissa, com sua inseparável baixa-estima, percebeu que procurava vestir um personagem e cada vez mais se distanciava de sua essência e esse mal estar a desestabilizava durante os ensaios e consequentemente irritava os demais.

sábado, 8 de março de 2014

A CHAVE DO MISTÉRIO

Nota 0,5 Com ares de suspense noir, longa é confuso, enfadonho e com excesso de personagens

O ator franco-americano Christopher Lambert já teve seus momentos de glória, comos nos tempos de Highlander, mas há muito foi esquecido pelo público e quiçá pelos próprios profissionais do cinema. A falta de opções de trabalho é o único objetivo encontrado para justificar sua presença em A Chave do Mistério, um tremendo engodo que você assiste até o fim só para ter o prazer de juntar munição para detonar o trabalho de Sophie Marceau que além de atuar também dirigiu e escreveu este suspense noir vazio e enfadonho. O detetive Jacques Renard (Lambert) já não tem mais a mesma disposição dos seus áureos tempos na polícia e acabou de sair de um hospital psiquiátrico. De volta ao trabalho, ele é encarregado de casos insignificantes, mas as coisas mudam quando ele conhece uma misteriosa e sedutora mulher que pede sua ajuda para desvendar um desaparecimento e indica que ele vá até o Hotel Riviera e procure pelo quarto de número 401. Chegando lá ele descobre que o proprietário do estabelecimento, Antonio Bérangére (Robert Hossein), sumiu sem deixar vestígios e que há exatos 36 anos um estranho episódio marcou a história do local, mas foi esquecido com o passar do tempo. Conforme explora as dependências do hotel e conversa com frequentadores e funcionários, Renard começa a penetrar em uma teia de segredos em torno da morte brutal de uma bela atriz, Victoria Benutti (Sophie), que pelas fotos que encontra lembram muito a misteriosa mulher que conheceu e que por sua vez o lembra de alguém do seu passado, mas não consegue se recordar quem é. Camille (Nicolas Briançon) é o herdeiro do hotel e é filho da atriz, fruto de um caso que ela teve com Bérangére que na noite que desapareceu não saiu com o carro e nem levou documentos ou dinheiro, apenas sua arma de caça. Chama a atenção que a data da morte dela coincide com a do sumiço do dono do prédio. A Sra. Melanie (Marie Christine Barrault) é a atual gerente do hotel e esposa de Bérangére e criou Camille desde pequeno. O rapaz diz que achou melhor que a mãe tenha morrido porque sabe que ele nunca lhe significou nada e demonstra claro desprezo pelas investigações em torno do desaparecimento do pai.

sexta-feira, 7 de março de 2014

ALPHA DOG

NOTA 6,0

Não era a intenção, mas trajetória
de jovem e bem nascido traficante
soa como uma apologia às drogas e aos
crimes, um perigo para mentes fracas
Baseado em fatos reais. Tais palavras são um chamariz e tanto para a publicidade de um filme, mas é fato que muitas histórias divulgadas como verídicas são extremamente mirabolantes, coisas que dificilmente até o mais criativo dos roteiristas poderia conceber. A trajetória de Jesse James Hollywood é um bom exemplo. Quem? Seu nome, uma fusão de um lendário criminoso dos EUA com a alcunha da maior fábrica de celebridades do país, não é muito conhecido fora dos EUA, mas com apenas 25 anos simplesmente era a pessoa mais jovem na lista dos procurados pelo FBI, “honra” que conquistou às custas de tráfico de drogas e homicídio. Para colaborar com a imagem do Brasil, nosso país serviu como esconderijo deste delinquente e também foi palco de sua prisão ocorrida especificamente na cidade de Saquarema no Rio de Janeiro em março de 2005. O filme Alpha Dog trocou nomes e fatos para narrar os acontecimentos que antecederam sua captura (na ficção realizada no Paraguai), assim o bandido com nome de artista virou Johnny Truelove (Emile Hirsch) que aos 19 anos já era um notável traficante em sua área, um subúrbio na Califórnia. Contudo, não bastava ter lucros, era preciso também bancar uma imagem respeitável para botar medo nos inimigos e domar seus subordinados. Jake Mazursky (Ben Foster) é um jovem que está lhe devendo uma grana, mas no fundo sabe que jamais verá a cor do dinheiro, a não ser na base da pressão. A solução encontrada é sequestrar o irmão do caloteiro, Zack (Anton Yelchin), mas como não havia a intenção de machucá-lo a temporada no cativeiro acabou se tornando umas férias curtas, porém, luxuosas para o rapaz que ficou aos cuidados de Frankie (Justin Timberlake), outro jovem que encara a vida como uma balada sem fim. O “refém” passa a curtir festas seja dia ou noite regadas a muita bebida, drogas e garotas bonitas e promíscuas. Zach adora a experiência, afinal qual garotão não gostaria de levar uma vida sem regras e repleta de diversão, o problema é que Jake não tem como pagar a dívida e nem como revelar a verdade para sua mãe que obviamente envolve a polícia no caso. Mais tarde Frankie e Truelove também não teriam como explicar às autoridades que o sequestro foi apenas uma farsa, o que revelaria os negócios sujos em que estão metidos. Em tempos em que muitos pedem a legalização das drogas alegando que a perda da aura de proibido é a melhor maneira de acabar com o vício, a ideia seria que o filme reforçasse que “fumar unzinho” ou “dar uma cheiradinha” não é algo normal e que mais cedo ou mais tarde trará prejuízos físicos e sociais, mas a sensação é que mais de 90% da narrativa exalta tais hábitos e o estilo de vida de seus usuários que nem de longe lembra o drama daqueles que chegam a morar na rua por conta da dependência.

quinta-feira, 6 de março de 2014

INDOMÁVEL SONHADORA

NOTA 8,0

Drama com aspecto documental
retrata o amadurecimento de uma
garotinha diante das dificuldades e
estranha forma de agir de seu pai
Dramas fortes narrados pela ótica inocente de uma criança há tempos se tornou uma espécie de fórmula premiada, filmes que facilmente envolvem o espectador e chegam às premiações de mansinho, mas que muitas vezes acabam chamando mais a atenção dos que os títulos mais bombados. Vencedor de dois prêmios em Sundance e também da Caméra d’Or no Festival de Cannes (dedicado a homenagear diretores estreantes), ambos em 2012, Indomável Sonhadora surpreendeu muita gente com suas quatro indicações aos Oscar 2013 em categorias principais. O longa de estreia do cineasta americano Benh Zeitlin traz um retrato literalmente cru da infância de uma garotinha, mesmo assim um período repleto de esperança e alegrias. Com apenas 30 anos de idade o diretor foi ousado ao procurar mostrar uma visão pouco apresentada pelo cinema americano: a constatação de que os Estados Unidos também tem suas regiões miseráveis, lugares tão pobres e precários quanto tantos outros conhecidos no Brasil, por exemplo. Adaptado da peça “Juicy and Delicious”, escrito por Lucy Alibar que também se encarregou do script da versão cinematográfica dividindo o crédito com Zeitlin, a trama não possui muitos diálogos, dando predileção a narração em off da protagonista, a pequena Hushpuppy (Quvenzhané Wallis), uma garotinha de apenas seis anos que cresceu sem a presença da mãe e que vive com o pai Wink (Dwight Henry) no sul da Louisiana em um vilarejo pequeno e distante dos centros urbanos. A distância não é apenas quanto a localidade, mas também em termos de cultura, saúde, economia e tantos outros aspectos. O local é chamado pelos poucos habitantes de Banheira, uma alusão ao fato de periodicamente a região ser alagada por fortes tempestades e as pessoas ficarem ilhadas. Embora o cenário do filme seja fictício ele é inspirado em uma ilha real, a Isle de Jean Charles, que constantemente perde mais espaço para o mar. A coincidência entre a realidade e a ficção é que seus moradores são teimosos e insistem em permanecer em suas casas mesmo em condições precárias e com a água batendo em seus joelhos como se esperassem que um milagre de uma hora para a outra os salvaria. Wink sempre ensinou a filha a ser forte para sobreviver aos percalços da vida, como mostram as cenas em que ele e a garota enfrentam uma forte chuvarada na calada da noite, mas o relacionamento entre os dois ao mesmo tempo em que demonstra existir carinho contraditoriamente somam inúmeros momentos de afastamento.

quarta-feira, 5 de março de 2014

LICENÇA PARA CASAR

NOTA 4,0

Religioso aloprado tenta evitar
o aumento das estatísticas de
divórcios com testes que são uma
verdadeira prova de fogo para noivos
A instituição do casamento está em crise! Embora ainda existam muitos casais dispostos a se unir seguindo todas as convenções do matrimônio religioso, é fato que a quantidade de divórcios é assustadora, inclusive de uniões que chegam apenas a durar alguns meses. Se os convidados da festa podem se sentir magoados ao descobrirem que seus presentes nem chegaram a ser usados pelos noivos imagine a sensação de frustração das famílias dos pombinhos que gastaram horrores com igreja, burocracia, roupas e comes e bebes. No fundo quem lucra com esses fracassos são costureiros, cabeleireiros, buffets e lojas de apetrechos domésticos e eletrônicos. Chega a ser absurdo pensar que o casamento no fundo se tornou um comércio e um veículo de ostentação e os verdadeiros sentimentos que deveriam estar envolvidos no evento ficam em segundo plano. Talvez pensando nisso é que  os roteiristas Kim Barker, Vince Di Meglio e Tim Rasmussen, este último com o ótimo Entrando Numa Fria Maior Ainda no currículo, tiveram a ideia para a comédia Licença Para Casar. Assumidamente água-com-açúcar e com final feliz garantido, a pergunta que não quer calar é se realmente eram necessárias três cabeças para roteirizar um filme tão previsível e irregular. A trama tem como protagonista um jovem casal que apesar de já morar junto a algum tempo decide regularizar a situação no cartório e perante a igreja. Sadie (Mandy Moore) e Ben (John Krasinski) passaram todo o período de namoro às mil maravilhas e nem a ligeira diferença de classe social estremeceu a relação, assim o casamento tinha tudo para dar certo. Ironicamente os problemas surgem justamente nos preparativos a festa. Eles resolvem aceitar a sugestão da família da moça e pretendem se casar na mesma igreja em que os pais da noiva se casaram. O local é comandado a punhos de ferro pelo reverendo Frank (Robin Williams), figura querida e respeitada pela comunidade e que até da uma forcinha neste caso para os noivos e encontra uma data na disputada agenda de matrimônios. Eles terão apenas três semanas para preparem a festa, mas dos males esse é o menor. O grande problema é o tal curso preparatório ministrado pelo pároco.

terça-feira, 4 de março de 2014

ESPELHOS DO MEDO 2

NOTA 2,0

Apenas a ideia básica do longa
original é resgatada nesta
sequência fraca e desnecessária
cuja trama tem pegada policial
Continuações de filmes de terror já são previstas quando um novo produto do gênero é lançado e ele nem precisa fazer sucesso para dar criar. Contudo, é de praxe ficarmos com o pé atrás quanto a qualidade dessas sequências, ainda mais quando nem mesmo o protagonista do original aparece para uma ponta, portanto, não há muito o que se esperar de Espelhos do Medo 2, suposta continuação da fita de horror estrelada por Kiefer Sutherland em 2008 que apesar das boas intenções já era uma obra irregular. Esta segunda parte tenta seguir a mesma linha de raciocínio da anterior, mas sua narrativa já começa mal perdendo seu protagonista. Agora quem encabeça o elenco é o jovem Nich Stahl interpretando um personagem perturbado, praticamente um item indispensável nas fitas de terror. Max Matheson sofreu um acidente de carro no qual sua noiva veio a falecer e ele se sente culpado. Após um período de depressão e de se entregar ao vício das drogas e bebidas, inlcusive chegando a tentar suicídio, o rapaz tem a chance de recomeçar sua vida trabalhando com seu pai, Jack (William Katt), que lhe oferece o emprego de vigia na nova loja MayFlower, a mesma que há alguns anos foi o cenário de trágicos acidentes após ter passado por um incêndio. Enquanto não inaugura, o rapaz será encarregado de vgiar o espaço para evitar assaltos e depredações. Para manter-se ocupado e tentar abandonar os vícios, Max aceita o cargo, mas nem imagina a história de arrepiar que está prestes a vivenciar. Como herança da antiga loja, um grande espelho em perfeito estado foi recuperado do prédio que foi incendiado, item neceessário para fazer as ligações entre as duas obras. Logo na primeira noite de trabalho o jovem começa a perceber imagens estranhas nos espelhos, como a visão de uma mulher refletida, porém, ela nunca está presente nos ambientes. Depois ele passa a enxergar a imagem de seus colegas de trabalho também, mas em situações em que provocam a própria morte. Já fica subentendido que cada uma dessas pessoas irá morrer em breve e tal qual da maneira que o espelho apresentou. Mesmo tentando socorrê-los, Max sempre chega tarde demais aos lugares das visões e sabe que a qualquer momento pode ser a próxima vítima. Agora ele precisa descobrir o mistério da tal garota para terminar com a onda de mortes inexplicáveis e proteger a sua própria vida.

segunda-feira, 3 de março de 2014

ESPELHOS DO MEDO

NOTA 6,0

Refilmagem de terror asiático
tem boa premissa, mas peca
por sustos manjados e má
exploração do excelente cenário
O início da primeira década do século 21 foi marcada pela invasão dos terrores e suspenses orientais pelo mundo todo. Primeiro foi Hollywood que foi buscar inspiração no Oriente e acabou optando pelas refilmagens de sucessos de lá. Logo cineastas de olhinhos puxados foram importados para terras americanas e não demorou muito para as próprias produções originais asiáticas encontrarem espaço no Ocidente, mais especificamente no mercado de vídeo. Resultado: saturação do estilo. Assim não é de se espantar o fraco desempenho em bilheterias e de repercussão de Espelhos do Medo, refilmagem do terror sul-coreano Espelho. Apesar das críticas negativas que recebe honestamente esta produção não é de todo ruim e consegue ser mais palatável que sua versão oriental. A trama gira em torno de Ben Carson (Kiefer Sutherland), um ex-detetive que foi suspenso do Departamento de Polícia de Nova York há cerca de um ano por uma ação desastrosa que comandou e culminou na morte de um colega de trabalho. O caso fez com que ele se tornasse alcoólatra e dependente de remédios, o que o afastou também de sua família. Tentando retomar sua vida, ele aceita o emprego de vigia noturno das ruínas de uma loja de departamentos depois que o outro funcionário se suicidou. O local sofreu com um incêndio há alguns anos, mas o que sobrou precisa ser mantido intacto por razões de resgate de seguros e brigas judiciais. Sem eletricidade e silêncio amedrontador, o espaço é perfeito para qualquer um deixar sua imaginação criar imagens e sons assustadores, mas certa noite, enquanto patrulha o local, Carson se assusta com algo inusitado e que sabe que não é fruto de sua mente perturbada. Mesmo após o incêndio, os espelhos da loja continuam intactos e parecem refletir imagens horripilantes de acontecimentos do passado e manipular a realidade. As coisas complicam quando eventos inexplicáveis passam a ocorrer com pessoas próximas a ele, como sua irmã Angela (Amy Smart). Assim, o seu lado de detetive fala mais alto e ele busca respostas para os estranhos episódios que passam a assombrar sua vida e para proteger sua ex-mulher, Amy (Paula Patton), e os filhos, Michael (Cameron Boyce) e Daisy (Erica Gluck).

domingo, 2 de março de 2014

REGRAS DO BROOKLYN

Nota 6,0 Três amigos de infância buscam rumos para suas vidas paralelo as ameaças da máfia

Filmes enfocando o mundo da máfia são sinônimos de tiroteios, perseguições, mulheres promíscuas, jogatinas e muita bebida e cigarro. Obras cujo tema central é a valorização da amizade nos remetem a sentimentalismo, momentos de brigas, reflexão e aquele pezinho no passado para atingir em cheio o emocional do espectador. Poderia máfia e amizade dividirem espaço em um mesmo filme? A resposta é sim como prova o drama Regras do Brooklyn que usa a criminalidade como pano de fundo para contar a história de carinho, frustrações e sonhos de três jovens amigos que se conheceram ainda na infância. Desde pequenos cada um tinha personalidades bem definidas, mas quando entraram na fase adulta, nos efervescentes anos 80, todos descobriram responsabilidades que os fizeram trilhar caminhos diferenciados, mas ainda assim mantendo a amizade. Michael Turner (Freddie Prinze Jr.), Carmine Macuso (Scott Caan) e Bobby Canzoneri (Jerry Ferrara) se acostumaram a viver em uma cidade perigosa, tanto que ainda novinhos não estranharam nada ao se depararem com um cadáver baleado dentro de um carro, por exemplo, mas de certa forma o fato do distrito ser dominado pela máfia neste momento acabou interferindo drasticamente em suas vidas. Se antes eles imaginavam que suas únicas preocupações na juventude seriam quanto a relacionamentos e responsabilidades profissionais, agora eles também tinham que lidar com a constante sensação de perigo que criou raízes em seus cotidianos. Contudo, eles lidavam bem com a situação, tanto que o fato de Carmine estar nutrindo relações muito próximas com o grupo mafioso chefiado por Caesar Manganaro (Alec Baldwin) não abalou as ligações entre os três... Pelo menos não inicialmente. Todos educados em colégio católico, os rapazes têm objetivos distintos para trilhar o futuro. Enquanto o vaidoso Carmine se entusiasma com o dinheiro fácil da vida na máfia, Bobby já é mais modesto e só quer se casar e tentar um emprego como carteiro, algo que combina com sua inerente avareza. Já Michael confia que seu talento para contar mentiras pode lhe ajudar a seguir carreira como advogado, mas procura seguir seu caminho com seriedade e na base da honestidade.

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