domingo, 9 de março de 2014

A ÚLTIMA DANÇA

Nota 4,0 Projeto antigo de Patrick Swayze, drama musical é mal desenvolvido e não cativa

Em meados da década de 2000, o cinema descobriu na dança uma forma de fazer dinheiro. O tema atrai o público feminino que acaba levando a tiracolo o marido, o namorado, filhos e por aí vai. Dança Comigo? e Vem Dançar são alguns títulos de sucesso dessa safra, mas o drama A Última Dança não teve a mesma sorte, mesmo tendo no elenco Patrick Swayze em um de seus últimos papéis. Aqui ela dá vida à Travis MacPhearson, um quarentão que abandonou a carreira de bailarino por conta de problemas nas pernas, frutos dos esforços excessivos durante os ensaios de um grande espetáculo que jamais foi apresentado ao grande público. O criador do número veio a falecer sete anos depois, mas sua companhia de dança não quer encerrar suas atividades e quer continuar a perpetuar o legado do dançarino. Como forma de homenageá-lo surge a ideia de ensaiar novamente seu espetáculo que ficou inédito, mas para tanto precisariam da presença do trio de bailarinos originais. O problema é que depois de tantos anos eles podem estar fora de forma ou simplesmente não toparem. Max Delado (George de La Pena) é o único dos três que permaneceu na companhia e se encarrega de convencer os antigos colegas a voltarem a ensaiar juntos, mas o tal espetáculo deixou marcas em todos eles, principalmente por causa das cobranças e pressões exercidas pelo falecido diretor. Travis começou a desenvolver seus problemas durante os ensaios do show “Sem Palavras” e não suportou tanta exigência, mas hoje se arrepende de ter desistido. Max tem o óbvio interesse de recobrar o prestígio da companhia a qual se dedica há anos, porém, lembra sempre dos conselhos de seu pai que ele deveria ter um emprego comum. O rapaz dá aulas e já participou de dezenas de apresentações, mas isso não lhe trouxe dinheiro tampouco fama, considerando que por culpa da desistência dos colegas sua carreira desandou. Por fim, Chrissa Lindh (Lisa Niemi), hoje assistente de um mágico, depois de muitas decepções entrou para o mundo da dança para aprender a se comportar e se vestir melhor, ou seja, pensou no que poderia conseguir como consequência de seus esforços, ser uma mulher atraente e possivelmente com passe livre nas rodas da alta sociedade. Com as cobranças do diretor, Chrissa, com sua inseparável baixa-estima, percebeu que procurava vestir um personagem e cada vez mais se distanciava de sua essência e esse mal estar a desestabilizava durante os ensaios e consequentemente irritava os demais.

Mesmo com as más lembranças, o trio decide se reunir novamente e cada um busca dar o melhor de si nos ensaios, mas os assuntos mal resolvidos do passado comprometem mais uma vez o show. Aparentando que um quer provar ao outro que está em melhor forma, ainda que tenham que se reciclar fazendo aulas com bailarinos mais novos, aos poucos o clima amistoso vai dando lugar a discussões. Enquanto Max se irrita com a maneira que os ensaios são conduzidos, com a pressa habitual da atualidade e que bloqueia a criatividade dos artistas, Travis se irrita com os constantes erros de Chrissa que parece querer afrontá-lo, contudo, ele descobre que ela não superou a repentina separação. Além de trabalharem juntos, eles eram namorados no passado e o romance acabou de forma inesperada por conta de um mal entendido. Com direção e roteiro da própria Lisa Niemi, esposa de Swayze na vida real por mais de três décadas, A Última Dança é um projeto antigo do casal que acabou sendo lançado em vários países apenas em DVD. O fato de ser uma produção independente ajudou na pouca divulgação, mas o enredo realmente não colabora. O ator com o tempo deixou de ser promessa de sucesso nas bilheterias, foi substituído por galãs mais novos e a idade não lhe deu o charme necessário para segurar histórias românticas, tampouco a astúcia para filmes de ação e seu rosto de bonzinho o proibiu de fazer sua carreira renascer com papéis de vilões. Voltar a requebrar o esqueleto podia ser a solução, porém, mais de quinze anos se passaram desde o clássico oitentista Dirty Dancing – Ritmo Quente, o público mudou e a ingenuidade que cativava outrora já não surte efeito. Apesar de o roteiro ser bem atual e com temas relevantes, como a manutenção de amizades, encarar problemas e a crítica situação de quem deseja trabalhar com arte, falta alguma coisa que nos aproxime dos personagens, parece que sempre os observamos com certo distanciamento, além do excesso de cenas de dança e vai e volta de ensaios trazerem certo tédio à fita. Com direito a inserção de uma música brasileira em uma das cenas, esta opção deve atender aos saudosos de Swayze e fanáticos por dança.

Drama - 100 min - 2003 - Dê sua opinião abaixo.

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