quinta-feira, 8 de maio de 2014

ALEX E EMMA

NOTA 5,5

Longa conta duas histórias de
amor paralelas, mas nenhuma
delas cativa ou diverte por completo,
mesmo assim é uma opção razoável
Toda comédia romântica precisa de alguns ingredientes básicos para funcionar. Um par romântico bonito e simpático, um punhado de cenas cômicas, algumas situações que atrapalhem o casal protagonista momentaneamente e um final feliz. A fórmula mágica usada e abusada geralmente tem seu público cativo que ajuda na manutenção do caixa deste gênero e banca futura produções semelhantes, mas tem diretor que ainda tem a boa vontade de tentar fazer algo diferente sem fugir muito do tradicional. No caso de Alex e Emma o diretor Rob Reiner, de Harry e Sally – Feitos um Para o Outro e Sintonia de Amor, um especialista em comédias românticas, adotou como elemento surpresa contar duas histórias de amor, uma dentro da outra. O roteiro de Jeremy Leven nos apresenta ao escritor Alex Sheldon (Luke Wilson) que está sendo ameaçado por agiotas cubanos que cobram uma grande quantia que lhe emprestaram para que ele pudesse torrar tudo em uma corrida de cães (!) em que ele perdeu absolutamente tudo. Depois de sofrer ameaças, o romancista resolve recorrer ao seu editor para pedir um adiantamento por conta de um livro que está lhe devendo, mas o pedido é negado já que ele ganhou uma graninha antes como incentivo e também gastou tudo tentando agradar uma garota que lhe deu um fora. De qualquer forma, ele terá trinta dias para entregar o manuscrito e assim receber exatamente a mesma quantia que está devendo aos mafiosos que concordam em esperar mais um tempo, porém, um dia de atraso e ele pode se considerar um homem morto. Tudo poderia ser resolvido com o prazo extra, mas o problema é que Sheldon está sofrendo um bloqueio criativo, ou melhor, sob pressão não conseguiria criar um história e redigi-la ao mesmo tempo, assim ele tem a ideia de colocar um anúncio falso em um jornal requisitando os serviços de algum profissional da área de advocacia, tudo para usufruir de sua experiência com taquigrafia, a transcrição de diálogos em tempo real. Bem, qualquer desocupado poderia fazer isso em troca de uma merreca, mas se fosse fácil assim não haveria filme. Emma Dinsmore (Kate Hudson) é atraída para esta armadilha e obviamente se enfurece quando descobre que foi enganada por um escritor desconhecido e que teria que trabalhar por horas seguidas em um pequeno e decadente apartamento de um solteirão desligado. Após um breve tempo para pensar, Emma aceita o trabalho mediante a um bom pagamento (endividado até o pescoço, sabe-se lá como o escritor iria ressarcir a moça).

Sheldon queria escrever sobre como a paixão pode ser avassaladora na vida de uma pessoa a ponto de levá-la a cometer loucuras, no entanto, não tem uma linha sequer escrita. Dizem que na hora do aperto os artistas conseguem criar suas melhores obras deixando seus sentimentos mais apurados e realmente de uma hora para a outra o rapaz começa a ter inspiração, mas se não fosse a ajuda de Emma para ajudar na organização das ideias ele não sairia da primeira frase. Enquanto ele é um furacão de fantasias estapafúrdias que tenta a todo custo costurar, a taquígrafa está a postos para lhe apontar falhas emprestando sua visão como se fosse uma leitora. Bem, ela tenta dar alguma coerência à narrativa interferindo diretamente na criação de seu contratante, mas o livro é feito sem o mínimo de planejamento. Simplesmente ideias vão sendo jogadas no papel e seja o que Deus quiser. A trama fictícia passa então a refletir os acontecimentos da vida de seu autor, como se o protagonista fosse seu alter-ego, algo que Emma só se dá conta quando já está no final do trabalho. O livro se passa na década de 1920 e tem como personagem principal Adam Shipley, também vivido por Wilson, um jovem escritor que é contratado para ser professor de gramática dos filhos de Polina Delacroix (Sophie Marceau), uma bela e jovem viúva francesa que ostenta uma riqueza de fachada. Embora sempre usando roupas e joias finas e vivendo em um belo casarão, sua família está arruinada e na dependência da morte de sua avó para que enfim sua herança seja liberada. O problema é que a senhorinha está demorando a partir e Polina está cada vez mais enrolada com John Shaw (David Paymer), um rico empresário a quem ela recorre para conseguir dinheiro para manter seu padrão de vida. A dívida já está tão grande que ela teria que acabar casando com seu mantenedor para não ser acusada de caloteira e ter sua imagem definitivamente arruinada perante a sociedade. Logo a primeira vista Shipley se apaixona pela francesinha e tem certeza que ela também sente atração por ele, mas acredita que por também não ter dinheiro esse seria o único empecilho para ficarem juntos. Assim, o escritor tenta desesperadamente enriquecer, chegando a apostar suas poucas economias em um cassino e pedir dinheiro emprestado para continuar nas jogatinas que, diga-se de passagem, ele não entedia bulhufas e facilmente era trapaceado.

Hudson entra nessa história dentro da história desdobrando-se em vários papéis. Ela representa o verdadeiro amor destinado à Shipley que cego por sua paixão avassaladora por Polina não consegue perceber isso. A loirinha muda constantemente de caracterização e de sotaques para dar vida à Ylva, uma severa sueca; Elsa, uma sensual alemã; Eldora, uma bela e fogosa espanhola; e, por fim, Anna, uma sensata e discreta norte-americana. Todas elas surgem no romance como empregadas da casa de Polina, cada uma sucedendo respectivamente a outra na vaga. Sheldon queria mais uma personagem feminina para criar um segundo triângulo amoroso já que o primeiro composto não estava lhe agradando, mas não tinha certeza de qual o perfil ideal para esta garota, assim ele as inseria no texto sem mais nem menos. Quando entra em cena Anna é que Emma percebe que o livro reflete a própria vida de Sheldon e tem a certeza de que existe uma Polina na vida real, mas a essa altura o escritor e a taquígrafa já estão envolvidos amorosamente. Fazendo jus ao subtítulo nacional, “escrevendo sua história de amor”, Alex e Emma desenvolve duas tramas paralelas e intimamente ligadas, algo que parece genial, mas infelizmente o resultado na tela é apenas regular. Não é emocionante, tampouco engraçado, porém, curiosamente ficamos com dó em avaliá-lo ressaltando seus pontos negativos já que é pontuado por algumas boas cenas, tem um argumento bacana e um visual muito agradável. Contrapondo-se as cores escuras do apartamento de Sheldon, temos coloridos cenários e ricos em detalhes para contar a história do livro, sem dúvidas o ponto alto da produção, algo que já é anunciado pelos créditos iniciais que são acompanhados por animações que resgatam todo glamour do início do século 20. Embora caprichadas e bem boladas, essas sequências em flashbacks revelam que a obra do escritor certamente seria um fracasso, pois a trama é mal estrutura e cheia de situações que funcionariam no cinema devido ao apelo visual, mas no papel teriam que ser redigidas contando detalhes o que tornaria a fluência do texto desinteressante e com quebras de ritmo intensas. No final das contas, sobra pouco tempo para os reais personagens-título serem desenvolvidos. O tempo que estão em cena é gasto com constantes discussões, deixando latente suas diferenças e o fato de não se suportarem, mas ainda lá pelo finalzinho umas duas ou três cenas tentam construir um clima romântico entre eles que culminam em um final extremamente apressado e sem clima. Talvez nunca um corte da última cena para os créditos finais tenha se revelado tão incômodo. Descartando inspirações em outros filmes e até em histórias reais, Reiner tentou fazer um produto tradicional com toques de modernidade, mas acabou repetindo erros cinematográficos arcaicos.

Comédia romântica - 96 min - 2003 

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Um comentário:

Gilberto Carlos disse...

Uma comédia romântica simplesmente adorável.

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