sábado, 19 de abril de 2014

TEMPO DE GLÓRIA (2004)

Nota 6,0 Dedicado a mostrar o surgimento da religião mórmon,  longa perde foco de trama fictícia

Religião é uma benção, mas também pode ser um martírio. Muitos acontecimentos tristes da História mundial aconteceram por causa de conflitos entre crenças e o filme Tempo de Glória usa essa inspiração para narrar os dramas vividos por um pequeno vilarejo no início do século 19. A família Steed está de mudança para Nova York em busca de melhores oportunidades na área de agricultura. Eles são bem recebidos na nova cidade, mas a mesma situação não é vivida por Joseph Smith (Jonathan Scarfe) um jovem que é mal visto por todos os moradores por dizer que certa vez teve a visão de Deus e de Jesus Cristo e que um anjo o avisou sobre um tesouro escondido, barras de ouro nas quais estavam escritas mensagens do evangelho, porém, ele só poderia ir resgatá-las em uma determinada data para então traduzi-las e as distribuir para tentar salvar a humanidade. No entanto, a fama de que tem uma missão divina a cumprir acaba causando reações negativas nas pessoas que chegam a dizer que toda a família de Joseph é adoradora do Diabo. Antes de saber destas histórias, Benjamin Steed (Sam Hennings) já havia contratado para ajudar em sua fazenda alguns homens do clã dos Smith. No início as descobertas nada afetam a opinião do fazendeiro, mas aos poucos os pensamentos de Joseph e os boatos que o cercam passam a tirá-lo do sério, principalmente quando vê seus filhos mais velhos envolvidos em intrigas religiosas. Joshua (Eric Johnson) faz amizade e futuramente se alia a um valentão da cidade, Will Murdoch (John Woodhouse), que zomba das histórias do jovem missionário, no entanto, não descarta a possibilidade de que ele realmente possa saber onde exista ouro escondido. Já Nathan (Alexander Carrol) acredita em Joseph e o defende, mas seu envolvimento com a fé do rapaz acaba levando-o a se desentender com outros habitantes e até mesmo com sua família, mais especificamente com seu pai que observa abismado que até Mary Ann (Brenda Strong), sua esposa, está inclinada a seguir os ensinamentos do Livro dos Mórmons, a religião que o missionário decide fundar quando abandona Nova York.

A trama escrita e dirigida por Russ Holt no fundo quer falar sobre como a intolerância religiosa pode atrapalhar relacionamentos, sejam de amizades, familiares ou conjugais, tanto que Joseph acredita que teve a visão do anjo justamente em um momento em que estava confuso sobre qual religião seguir afinal todas as crenças deveriam ser em adoração a um único Deus, mas na realidade parece que cada uma delas defende interesses próprios e deixa os ensinamentos bíblicos em segundo plano. Usando como inspiração o romance “The Work and the Glory”, de Gerald N. Lundy, Tempo de Glória trabalha o gancho religioso de forma a deixar explícito apenas o essencial ao espectador. Basta saber que um personagem acredita ter um dom, suas visões despertam a ganância e o despeito de alguns, mas enfrentando todas as dificuldades ele tentará cumprir sua missão de levar a palavra de Deus fundando um novo culto que pouco a pouco deixa de parecer uma insanidade para se tornar uma realidade. Para não tornar o longa maçante, o roteiro desenvolve paralelamente outra trama, um drama romântico. Logo que chegaram a Nova York, Joshua e Nathan se apaixonaram por Lydia McBride (Tiffany Dupont), filha de um comerciante local que para variar também repudia Joseph e todos que dão ouvidos as suas histórias. No entanto, a garota demonstra compartilhar dos pensamentos do jovem Smith, o que a aproxima muito de Nathan, mas ao mesmo tempo ela não deixa de dar esperanças ao seu irmão, assim sem perceber ela pode estar colocando uma família em pé-de-guerra. É uma pena que o longa leve esse triângulo amoroso na base do banho-maria e a certa altura o personagem Joshua perca sua importância. Dessa forma, a reta final deste drama torna-se um pouco tediosa por concentrar-se mais na criação da religião dos Mórmons, ainda que tais explanações que deveriam ser dadas por Joseph, personagem que carece de humanização, sejam transferidas para os diálogos de Nathan que torna-se uma espécie de porta-voz do novo culto. De qualquer forma, um bom passatempo e que pode esclarecer um pouco sobre um capítulo da História americana pouco divulgado e assim instigar pesquisas mais aprofundadas sobre o período marcado por intensos conflitos religiosos.

Drama - 112 min - 2004 - Dê sua opinião abaixo.

Nenhum comentário:

Leia também

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...