sábado, 7 de junho de 2014

CINCO DIAS PARA A MORTE

Nota 4,0 Feito para a TV, suspense se perde em meio a situações desnecessárias ou absurdas

Desde que filmes como O Sexto Sentido, Amnésia e Efeito Borboleta surpreenderam com finais impactantes ou tramas que se sustentam na base da intriga do vai e vem no tempo, realizar um suspense de mesmo nível tem sido uma obsessão de muitos cineastas, até mesmo dos profissionais da telinha. Produzido para a TV, Cinco Dias Para a Morte tenta ser mais do que pode e acaba se atropelando nas próprias pretensões. A cena inicial mostra um homem sendo assassinado a tiros e logo em seguida um aviso informa que a ação regride cinco dias, começa em 07/06/2004, mais um dia aparentemente normal na vida de J. T. Neumeyer (Timothy Hutton), um professor de física. O dia só seria diferente por mais uma vez renovar alegrias e tristezas. Nessa data ele perdeu a esposa durante o parto de sua filha Jesse (Gage Golightly), assim a cada aniversário da garota é impossível disfarçar a melancolia. Na universidade, tudo também correria bem se não fosse um atrito que teve com um de seus alunos, Carl Axelrod (Hamish Linklater), que gostaria de tê-lo como orientador de sua tese de mestrado, mas parece que o professor não se simpatiza pelo rapaz que chega a lhe fazer uma ameaça. O dia fica estranho mesmo quando Neumeyer e a filha vão visitar o túmulo da mãe dela e magicamente ele encontra uma moderna pasta-cofre com seu nome, mas travada com senha. Justamente a data deste dia peculiar serve para destravá-la e revelar seu sinistro conteúdo. Documentações mostram que o professor estaria morto dentro de cinco dias e seria assassinado dentro de um clube de strip-tease, local que ele não frequenta. O impactante é que além de balas de revólver embaladas como se fossem para a perícia, também existem fotos comprovando a morte com ele vestindo o mesmo casaco que ganharia dentro de poucas horas da namorada Claudia (Kari Matchett), esta que se mostra incomodada com o assunto, principalmente porque seu nome consta nos boletins de ocorrência como uma das suspeitas. Carl também está na lista e Neumeyer tem certeza de que foi seu aluno que resolveu amedrontá-lo por vingança.

Sem querer prejudicar o rapaz sem ter provas concretas, o professor decide recorrer à ajuda do detetive Irwin Sikorski (Randy Quaid), o investigador que consta na documentação de óbito, embora seja informado que ele não estava presente durante a autópsia. O profissional afirma que jamais deixa de cumprir suas obrigações e por isso acha que se trata de um trote de mau gosto, mas fica intrigado por ter seu nome envolvido. Um tal de Roy Bremmer (Angus Macfadyen) também é citado nos laudos como suspeito, mas Neumeyer não tem a menor desconfiança de quem seja. Para completar a confusão, Claudia entrega uma arma ao namorado para se proteger, o que o deixa com a pulga atrás da orelha quanto a idoneidade da companheira que poderia estar de olho em seu seguro de vida. Escrito por Anthony Peckham, Robert Zappia e David Aaron Cohen, o enredo realmente tem um início promissor apesar de que a forma como a misteriosa pasta surge já é um indício de que algo de segundo escalão está por vir. Dividida pelos acontecimentos de cinco dias cravados que soam como uma corrida contra o tempo para o protagonista mudar o seu destino, a trama tem um leve quê de inspiração no terror Premonição e segue razoável até o terceiro ato, mas daí por diante começa a entediar com suas pontas soltas e excessos de situações que só servem para encher linguiça, como a prisão de Carl por suspeitas de envolvimento com drogas ou uma fuga de avião interrompida por um passageiro que passa mal. A longa duração não é condizente com a grade horária da TV, o que leva a crer que a produção seria uma minissérie que foi compilada para lançamento em DVD, mas é uma obra de tanta relevância que na internet o máximo que se encontra é uma sinopse vagabunda e os nomes dos atores. O diretor Michael W. Watkins deve ter tido trabalho para decidir como expandir um argumento bom, mas que na hora de desenvolver mostra-se repleto de furos e pontos desencontrados. Cinco Dias Para a Morte pode até ser que tenha um final condizente com o perfil da produção (suspense meia boca), mas a essa altura já estamos tão fatigados que pouco nos importa o destino do protagonista. E pensar que Hutton um dia já foi agraciado com o Oscar e tido como promessa de bom ator. Seu currículo mostra que a estatueta dourada para alguns não deve significar nada.

Suspense - 148 min - 2004 - Dê sua opinião abaixo.

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