sábado, 28 de junho de 2014

IDENTIDADE ROUBADA

Nota 5,0 Repleto de clichês, suspense é prejudicado por entregar o ouro com pistas constantes

Susan Sarandon tem um nome a zelar, mas talvez a falta de bons convites de trabalho a estejam forçando a topar qualquer coisa para sobreviver. A atriz de grandes obras como O Óleo de Lorenzo, Os Últimos Passos de Um Homem e Lado a Lado está cada vez mais “apagadinha” e sua presença em um longa já não justifica nem mesmo arriscar um lançamento nos cinemas quando a história não é das melhores. Mesmo contando no elenco com Emily Blunt que na época desfrutava do sucesso que fez com O Diabo Veste Prada, a distribuidora não confiou no potencial da fita e Identidade Roubada chegou ao Brasil diretamente em DVD, mídia que combina melhor com seu estilo de telefilme. A trama gira em torno de Sophie Hartley (Sarandon), uma premiada ilustradora de livros infantis que está passando por um momento delicado perturbada com a recente morte de sua mãe. Com duas filhas pequenas, aparentemente convivendo muito bem com o marido Craig Singleton (Sam Neill) e vivendo em uma bela e confortável casa, a desenhista tinha tudo para ser feliz, mas também pressionada para cumprir o prazo de entrega de um trabalho ela acaba desenvolvendo uma fobia. Ela cisma que alguém estranho frequentemente está entrando em sua casa sumindo com coisas, mudando objetos de lugares e pregando peças. A situação só piora quando ela conhece Mara Toufiey (Blunt), a assistente de seu marido em um escritório de decoração. O jeitinho “falsa fofa” da moça entrega o ouro: é óbvio que ela quer a vida de Sophie. Sua atenção exagerada para com o chefe, a aproximação repentina junto a sua família e a obsessão em ter até os horrendos enfeites de coruja da ilustradora mostram que ela está cheia de segundas intenções. A garota é casada com Jimmy (William McInnes) e também é mãe, mas nada cessa as desconfianças de Sophie de que ela quer o seu marido, suas filhas, sua casa, enfim sua vida. A paranoia começa a se tornar um problema sério a partir do momento em que ela passa a ter o seu cotidiano regido basicamente por planos para buscar provas que comprovem sua sanidade mental e confirmem suas suspeitas, mas fica difícil com todos a rotulando de doente.

Com direção e roteiro de Anne Turner, é inegável que o filme não tem uma premissa original, pelo contrário, trabalha em cima de um clichezão clássico de tramas a respeito de transtornos psicológicos. Resta ao espectador apenas descobrir quem é a doente da história, Sophie com sua mania de perseguição ou Mara com sua obsessão guiada pela inveja? Ou seria pela vingança? Não é muito difícil descobrir os rumos da história, basta prestar atenção sobre detalhes do passado destas personagens que serão a chave de tudo. Qualquer pessoa com um mínimo de cultura de cinema ou dramaturgia de TV consegue juntar os pontos e até antever situações. Não falta nem mesmo o velho truque folhetinesco das mulheres que se encontram em uma festa trajando o mesmo vestido, sinal de picuinha à vista. A previsibilidade acaba prejudicando o ritmo da obra que se torna bastante monótona ao passo que não temos sustos ou surpresas, sendo até ridículo em alguns momentos, como a cena em que Sophie é atacada por um enxame de abelhas ou o fato dela sonhar constantemente com corujas e até colecionar bibelôs destes animais, uma maneira forçada de incutir algumas dúvidas a respeito do caráter da personagem. Ataques de insetos são comuns a filmes que falam sobre possessões e as corujas, embora símbolos de inteligência, também são conhecidas como sinal de mau agouro. No final das contas a inserção de tais cenas não agregam nada à trama, apenas enchem linguiça. A sustentação do conflito ainda sofre um abalo com as revelações de que as filhas da protagonista também sentem a presença de alguém na casa e tem até aquela vizinha bisbilhoteira que confirma ter visto movimento estranho por lá, embora afirme não enxergar muito bem para distinguir detalhes de fisionomia. Para compensar tanta previsibilidade, a diretora até prepara um final que tenta ser impactante em sua justificativa e ainda uma nova reviravolta na última cena que pode passar despercebida aos mais desatentos, mas nada que salve Identidade Roubada de ser apenas um passatempo descartável.

Suspense - 103 min - 2006 

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