quinta-feira, 31 de julho de 2014

CAPITÃO SKY E O MUNDO DE AMANHÃ

NOTA 7,0

Apostando no casamento de
uma narrativa nostálgica com
visual moderno, longa diverte,
mas sua trama tem defeitos
Já fazia algum tempo que os filmes de ação e aventura estavam dependentes da tecnologia para atrair público e cada vez mais deficientes de trama para se sustentarem, mas eis que o estreante diretor e roteirista Kerry Conran trouxe em 2004 uma proposta ousada e inovadora. Capitão Sky e o Mundo de Amanhã tem visual de videogame, mas enredo que homenageia o cinema de antigamente. O início do projeto foi extremamente pessoal e sem recursos financeiros, apenas apostando na criatividade. O cineasta levou aproximadamente quatro anos de trabalho para criar míseros seis minutos de filme, uma pequena introdução que realizou em um simples computador para apresentar o universo diferenciado desta aventura e então apresentar a produtores e correr atrás de financiamento para levar a ideia adiante no formato de longa-metragem. A surpresa é que quem resolveu comprar a ideia e bancar o filme como um dos produtores foi o ator Jude Law que também se prontificou a protagonizá-lo. Na realidade, o projeto não era tão ambicioso inicialmente. O diretor apenas queria melhorar o que já tinha em mãos e lançar como um curta, mas foi convencido de que seu trabalho, que mostrava gigantescos robôs atacando uma Nova York nostálgica, inspirava uma projeção mais apurada. Até pouco tempo antes deste lançamento, Conran era apenas um estudante de cinema que trabalhava fazendo programação de computadores. Fã de quadrinhos e séries de TV antigas, como passatempo ele bolou um roteiro que colava estas lembranças aliadas a uma colcha de retalhos visuais, uma mistura de diversas técnicas que iam desde o uso de simples fotografias, passando por reproduções de trechos de filmes até chegar à animação computadorizada. O resultado retrô-futurista acabou conquistando a confiança de investidores e um razoável orçamento foi liberado ao cineasta de primeira viagem para investir naquela que podia ser uma obra divisora de águas, mas que acabou não sendo um sucesso e abortou qualquer possibilidade de se tornar uma franquia duradoura. Antes de falar sobre tal frustração vamos ao enredo. Em Nova York no final dos anos 30, a jornalista Polly Perkins (Gwyneth Paltrow) recebe um objeto de um homem misterioso que está sendo perseguido. Ela então descobre que os cientistas mais famosos do mundo estão desaparecendo sem deixar pistas, mas todos coincidentemente envolvidos em um projeto secreto dos tempos da Primeira Guerra Mundial.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

REINO DE FOGO

NOTA 6,0

Dragões voltam à vida em pleno
século 21 para destruir o mundo,
mas o filme que poderia ser uma
bomba rende um passatempo bacana
Dragões em pleno século 21? Quem se arrisca a colocar tais criaturas nas telas deve estar querendo conquistar plateias infantis adocicando o gênio destes seres ou carregando na vibe da ferocidade máxima para saciar os fãs de trash movies. Contudo, sempre há exceções. O problema é desafiar paradigmas. Mesmo com tecnologias avançadas para recriar estes monstros mitológicos e em tempos em que o gênero fantasia estava em alta, Reino de Fogo não fez o sucesso esperado. Sua bilheteria mundial praticamente só cobriu os gastos e o relativo fracasso deve estar diretamente ligado ao preconceito do espectador implícito na pergunta que abre este texto. Os dragões já foram os chamarizes de produções épicas e fantasiosas, quase sempre assumindo o papel de adversário a ser vencido pelo herói que deve provar sua coragem para conquistar o amor de alguma donzela. Contudo, o histórico de participações destes lendários seres no cinema ajuda a associar suas imagens a péssimas produções. O diretor Rob Bowman, de Arquivo X – O Filme, estava disposto a surpreender e abriu mão dos clichês em prol de uma narrativa mais original. Esqueça a Idade Média com seus opulentos castelos e cavaleiros de armadura. A trama escrita por Gregg Chabot, Kevin Peterka e Matt Greenberg começa no ano de 2002, em Londres, quando o garoto Quinn (Ben Thornton) entra em uma área de escavação para encontrar Karen (Alice Krige), sua mãe que é engenheira e atua nas obras do metrô. É ensaiado um draminha familiar, mas rapidamente o melhor da festa acontece. Uma caverna é encontrada e algo desconhecido parece habitá-la. Quando cai a ficha, todos estão observando o renascimento de um dragão que emerge dos subterrâneos da cidade, mas não há tempo para admiração. Com seus instintos hibernando a séculos, a fera imediatamente começa a acabar com tudo o que vê pela frente levando a cidade ao apocalipse. Vinte anos depois a praga se alastrou. Praticamente todos os humanos foram exterminados e os cuspidores de fogo passaram a se reproduzir com velocidade espantosa e a dominar o planeta. Então surgem as explicações científicas. Tardiamente é descoberto que os dinossauros não foram extintos por conta da colisão de um meteoro com a Terra, mas sim pelos monstros alados que os devoraram.  Sem alimento, o desaparecimento deles também era inerente, mas algo sobreviveu.

terça-feira, 29 de julho de 2014

CORRENDO COM TESOURAS

NOTA 6,5

Apostando em personagens
problemáticos, comédia cede
espaço ao drama conforme as
bizarrices tornam-se crônicas
Explorar os dramas e bizarrices de famílias problemáticas tornou-se uma coqueluche em Hollywood, principalmente depois que produções independentes passaram a ter passe livre nas grandes premiações. Estúdios consagrados entraram nessa onda e atores livraram-se de vaidades ou preconceitos para encarnar tipos pouco convencionais. Entre um filme de ação e uma comédia romântica é sempre bom um título alternativo para dar aquele upgrade em seus currículos. Correndo com Tesouras parece uma mescla da crítica explícita contida em Beleza Americana, a melancolia de Magnólia e generosas doses de elementos pinçados do estilo do diretor Wes Anderson, de Os Excêntricos Tenembauns, ou seja, um filme que promete diversão com conteúdo reflexivo. Roteirizado e dirigido por Ryan Murphy, criador da série de TV “Nip/Tuck” e estreando nos cinemas, o filme é inspirado na vida do escritor Augusten Burroughs. Quem? Pois é, a falta de informações sobre este ilustre desconhecido pode ser umas das razões para o fracasso do longa, mas antes de mais nada vamos ao enredo baseado no livro de memórias homônimo de sua própria autoria. O jovem ator Joseph Cross vive o protagonista na adolescência. Estamos nos anos 70, tempos de muitos tabus, e o rapaz precisou enfrentar diversas situações escandalosas. Deirdre (Annette Bening), sua mãe, nutria o desejo de se tornar uma famosa poetiza, mas só recebia constantes negativas quanto a publicação de seus textos. Suas mudanças bruscas de humor e comportamento pouco convencional atrapalharam seus sonhos e principalmente sua vida particular. Seu marido, Norman (Alec Baldwin), é alcoólatra e displicente com a família, assim Augusten se sentia inseguro dentro da própria casa. Para tentar enfrentar a separação, a aspirante a escritora decide procurar ajuda do Dr. Finch (Brian Cox), um sujeito também um tanto excêntrico e amante inveterado das teorias de Freud. A loucura de Deirdre é tamanha que ela simplesmente decide deixar o filho sob os cuidados do psicólogo e sua estranha família composta pela submissa esposa Agnes (Jill Clayburgh), a sádica e solteirona filha mais velha Hope (Gwyneth Paltrow) e a caçula e descolada Natalie (Evan Rachel Wood).

segunda-feira, 28 de julho de 2014

MORTE NO FUNERAL (2010)

NOTA 6,0

Refilmagem americana de comédia
inglesa pode divertir quem não
conhece a original, mas obra perde
pontos por limitar-se a fazer uma cópia
Antigamente eram muito comuns aquelas comédias em que durante reuniões familiares a câmera passeava ocultamente entre os diversos espaços da ambientação a fim de bisbilhotar os momentos mais íntimos e vexatórios dos convidados e anfitriões até culminar em um desfecho em que as diversas tramas se fundiam para o pronunciamento da mensagem-clichê de que família é tudo, é preciso esquecer as mágoas e todo esse blá-blá-blá meloso. Para fazer humor essa tática é um prato cheio, mas a fórmula nem sempre é bem aplicada e hoje em dia ela sobrevive em Hollywood graças às comédias feitas com elenco predominantemente negro. Praticamente todo ator afrodescendente bem-sucedido que construiu carreira no cinema ianque tem ao menos um exemplar do tipo em seu currículo, geralmente produções que marcam suas principais experiências profissionais. Vendo por esse lado, por que então atores consagrados toparam participar do remake de Morte no Funeral? Comédia de humor negro de origem inglesa e que fez sucesso no circuito alternativo de vários países, não havia uma justificativa plausível para a realização de uma versão americana, ainda mais depois de apenas três anos do lançamento do filme original. Existe a desculpa que o público da terra do tio Sam não curte legendas e tampouco dublagens (um doce para quem revelar qual a grande diferença entre o inglês usado na Inglaterra e o praticado nos EUA), mas ao que tudo indica é que os profissionais hollywoodianos não suportam ver o sucesso de outro país naquele que antes era seu terreno seguro. Filmes-pipoca são símbolos da cultura norte-americana e deve ser um baque e tanto quando o produto alheio é melhor. O ator Chris Rock, em parceria com Aeysha Carr, tratou de adaptar o roteiro original de Dean Craig, mas basicamente só mudou os nomes dos personagens e nem se deu ao trabalho de procurar outro ator para viver um tipo-chave da trama. Aaron (Rock) é um rapaz íntegro e responsável que está apreensivo para a cerimônia de funeral do pai. Como filho mais velho ele se encarregou de tudo, inclusive redigir um belo discurso para homenageá-lo, enquanto seu irmão Ryan (Martin Lawrence), um escritor de sucesso e que esbanja dinheiro com futilidades, parece pouco ligar para a perda da família.

domingo, 27 de julho de 2014

UM VIRGEM DE 41 ANOS LIGEIRAMENTE EM APUROS

Nota 1,5 Mais uma paródia de sucessos de momento não vai além de escatologia e vexames

Tirar um sarro dos filmes de terror, dos de ação, de suspenses... As paródias, que na verdade em sua maioria se resumem a uma desconjuntada reunião de esquetes humorísticos que pinçam das fitas homenageadas sequências ou referências de fácil identificação, acabaram se tornando um rentável subgênero. Se não rendem nos cinemas, certamente garantem algum lucro aos serviços de streaming e são certeza para ocupar horários na TV paga, por isso ainda são feitos aos montes. Fora a franquia Todo Mundo em Pânico que gerou cinco longas e pode a qualquer momento ser ressuscitada, outras fitas não passaram do capítulo de estreia, mas de tempos em tempos produtos do tipo são lançados para tirar onda de sucessos de determinado período ou até mesmo de estilos em evidência, mas no caldeirão de loucuras sempre há espaço para reverenciar o passado, rir de celebridades, alfinetar políticos e tripudiar em cima de micos e escândalos.  Apesar de serem lembradas como grandes e descartáveis bobagens, de certa forma são produções que servem como um registro às avessas de sua época. Não é muito comum uma comédia parodiar seu próprio gênero, mas a forte corrente de humor feito sob medida para agradar marmanjos com síndrome de Peter Pan não poderia passar despercebida. O longo título Um Virgem de 41 Anos Ligeiramente em Apuros vende seu peixe sem pudores e até exagera na autoexplicação. O Virgem de 40 Anos, Ligeiramente Grávidos e até Colegiais em Apuros servem como inspiração para a história de Andy (Bryan Callen), um sujeito pacato que por vergonha e falta de traquejo nunca conseguiu levar uma mulher para a cama. Seus amigos então resolvem ajudá-lo a desencantar melhorando seu visual e arranjando encontros, mas acabam o metendo em grandes confusões.

sábado, 26 de julho de 2014

LOBO DO MAR

Nota 7,0 Aventura destaca-se pelo texto, ressaltando que o ser humano é produto do seu meio

O sucesso da franquia Piratas do Caribe poderia ter renovado o interesse nas aventuras em alto-mar, mas não foi o que aconteceu e Jack Sparrow reinou e ainda reina absoluto no imaginário popular como a grande lenda dos oceanos dos anos 2000. No entanto, há sim pelo menos uma produção do tipo que merece uma atenção maior e certamente agradaria ao público que preza a imagem do capitão sisudo e inescrupuloso tão propagada ao longo dos anos através do cinema e da literatura. Baseado no romance de Jack London, Lobo do Mar já teve outras adaptações cinematográficas, mas esta do diretor Mike Barker veio a calhar para apresentar as novas gerações o que é uma verdadeira aventura dentro de um navio. Ou seria drama? Sim, sem apelar para piratas fantasmas ou qualquer outra coisa do além, o roteiro de Nigel Williams propõe uma angustiante experiência a bordo da embarcação Ghost que é comandada com punhos de ferro por Wolf Larsen (Sebastian Koch), mais conhecido pelo apelido que também dá título ao filme. No momento ele está em uma missão rumo aos mares orientais para fazer fortuna com a caça de focas, mas desta vez terá que disputar o domínio das águas com o barco Macedônia comandado por ninguém menos que seu próprio irmão, Death (Tim Roth), com quem há anos trava uma guerra particular. Larsen terá em meio a tripulação um novato, o crítico literário Humphrey Van Weyden (Andrew Jackson), que estava viajando em outro navio, acabou caindo no mar por um descuido tolo e foi salvo pelo capitão. Com seu jeito engomadinho, imediatamente o Lobo do Mar começa a abusar do rapaz e testar seus limites de resistência obrigando-o a trabalhar, mas para sua surpresa ele acaba se adaptando rapidamente a dura rotina e até demonstra uma valentia que talvez o próprio desconhecesse ter. Paralelo a isso, Death está com uma dama a bordo, a jovem Maud Clark (Neve Campbell) que implorou que ele a levasse até um lugar distante para ajudá-la a evitar a ira do seu pai após ela fugir de um casamento arranjado. Tratando-a educadamente no início, certo dia o capitão pede a um dos seus subordinados para matá-la quando descobre que ela é filha do dono de seu barco, a quem ele julga estar lhe roubando nos lucros com as focas.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

DIAS DE TROVÃO

NOTA 6,0

Abordando o universo das
corridas de automóveis, longa
é super previsível e uma mera
desculpa para Tom Cruise brilhar
Os americanos adoram competições, o que justificaria o excesso de produções envolvendo esportes que raramente saem do lugar comum. Seja beisebol, basquete ou qualquer outra modalidade, os ingredientes básicos da receita estão lá reunidos para no fim o protagonista sagra-se campeão e dar a lição de superação aguardada. Enfocando o mundo das corridas de carro, Dias de Trovão se encaixa nesse grupo, mas acaba se destacando pelo fato de abordar um esporte pouco visto nas telonas (sem levar em consideração comédias e animações que corriqueiramente exploram tal universo). Hoje, mais de vinte anos após sua estreia, o longa carrega uma grande carga de nostalgia, uma dádiva para alguns e para outros um baita entrave, mas o fato é que, embora garanta um passatempo razoável, não encontramos razões para que o título seja lembrado como um grande sucesso a não ser pela presença de Tom Cruise, na época o galãzinho do momento repetindo a parceria com o diretor Tony Scott. Em 1986 a dupla emplacou Top Gun – Ases Indomáveis, mas cerca de quatro anos depois o longa ainda repercutia e certamente beneficiou esta nova parceria entre Scott e Cruise, inclusive o próprio astro é quem escreveu o argumento desta aventura sobre quatro rodas. Diretor e protagonista afinados, bastava trocar os aviões pelos carros e um novo filme talhado para lucrar milhões estava para ser lançado. Abordando o universo da Nascar, então a categoria de corrida mais valorizada nos EUA, o roteiro de Robert Towne acompanha a trajetória de Cole Trickle (Cruise), um jovem amante da velocidade e muito corajoso, mas não fazia ideia de como usufruir destas qualidades (além da beleza) para se dar bem na vida.  As coisas mudam quando ele é descoberto pelo empresário Tim Daland (Randy Quaid) que pede ao veterano piloto Harry Hooge (Robert Duvall), então atuando como chefe de equipe e engenheiro de automóveis,  que construa um carro exclusivo e treine Cole para dirigi-lo. O convívio entre eles acaba gerando uma grande amizade baseada na confiança e o jovem corredor tem a oportunidade de usufruir de valiosos conselhos para se tornar um campeão das pistas.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

UM BEIJO ROUBADO

NOTA 7,0

Estreia de diretor chinês no
cinema americano é 
tecnicamente
perfeita, mas ritmo lento e estilo
narrativo comprometem o conjunto
Ator é ator e cantor é cantor. Embora sejam muito comuns artistas estrangeiros que acumulam as duas funções, ainda para nós brasileiros isso soa como algo estranho. A música pode ter vindo antes ou depois da interpretação, mas é difícil disfarçar a sensação de que o profissional que atua nas duas áreas só está querendo se promover. Ainda bem que há casos que nos fazem repensar este pensamento tacanho. Certamente muita gente deve ter torcido o nariz quando ouviu falar que a cantora Norah Jones ia estrelar um filme, mas quem a apedrejou precocemente provável que tenha se arrependido ao ver sua atuação no drama romântico Um Beijo Roubado. Ela dá vida à Elizabeth, ou simplesmente Lizzie, uma jovem que está transtornada quando entra no restaurante-cafeteria de Jeremy (Jude Law), um homem pacato que se lembra dos clientes pelos pratos que consumiram e que tem como hobby colecionar chaves esquecidas por eles. Para cada uma delas ele tem uma história para contar e se recusa a jogá-las fora alegando que ao fazer isso algumas portas nunca mais poderiam ser abertas. São mensagens do tipo justamente o que Elizabeth precisa neste momento em que descobre através do menu que o ex-namorado pediu que ele não só terminou o relacionamento de uma hora para a outra como também já estava circulando com uma nova companhia. Como o rapaz costumava frequentar o local, a garota acaba desabafando com o barman que pacientemente escuta as lamentações e procura aconselhá-la afinal ele a compreende totalmente. Para se manter ocupado e esquecer uma desilusão amorosa, buscou refúgio confinado atrás de um balcão, mas cada um enfrenta a tristeza de uma maneira diferente. E assim nasce uma relação de amor, amizade e cumplicidade entre eles que se estende por várias noites de sedução velada. Ao invés de amargar uma ressaca a base de destilados, a jovem simplesmente afoga suas mágoas em um bom pedaço de torta de blueberry que, diga-se de passagem, sempre sobrava no fim do dia. Fazendo uma metáfora, Jeremy diz que não há nada de errado no doce, apenas costumava ser preterido por outros sabores, mas há sempre alguém disposto a experimentá-lo e dessa forma Elizabeth também deveria encarar o momento difícil. Se o namorado a trocou por outra o jeito é dar a volta por cima e é exatamente isso que ela faz.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

CRIME FERPEITO

NOTA 9,0

Comédia espanhola faz uma crítica
à valorização da beleza usando
como base o suspense e artifícios
pouco convencionais no humor
Muitas comédias hollywoodianas, principalmente adolescentes, investem na crítica à vaidade humana e ao culto à imagem. Quantos filmes você já não viu sobre a garota menos popular do colégio triunfando no final com direito a conquistar o gatinho do pedaço? O próprio conto clássico “O Patinho Feio” já trata de levar para o universo infantil conceitos a respeito da importância da beleza interior em contraponto a exterior. Na teoria tudo é muito lindo e civilizado, mas na prática sabemos que as coisas não são tão fáceis para quem não nasceu com a dádiva da beleza extrema. O diretor Álex de La Iglesia traz tal temática tão trabalhada em produções fincadas em ambiente escolar para o universo adulto e corporativo na comédia de humor negro espanhola Crime Ferpeito. Não é erro de digitação. A palavra perfeito é grafada errada propositalmente no título, uma homenagem do cineasta ao longa Disque M Para Matar que na Espanha foi traduzido como Crimem Perfecto. A brincadeira está na coincidência de ambos os filmes girarem em torno do plano de assassinato, mas no caso da comédia as coisas não saem da forma perfeita que o protagonista desejava. Iglesia, autor do roteiro em parceria com Jorge Guerricaechevarría, oferece ao público uma imagem diferente do cinema espanhol. Esqueça os pontos turísticos e históricos ou o universo particular em que circulam as personagens bizarras e problemáticas de Pedro Almodóvar. A crítica social já começa pelo fato de quase toda a trama ser desenvolvida dentro de um shopping, mostrando o quão consumista está a população local, substituindo as tradições que encantam os turistas para cada vez mais se aproximar ao estilo frenético e vazio da vida dos ianques. Rafael González (Guillermo Toledo) tem seu cotidiano restrito às atividades e contatos que faz dentro de uma loja de departamentos onde ele é supervisor do setor de roupas femininas. Como um legítimo conquistador latino, ele não se sente nem um pouco constrangido em transitar entre calcinhas e camisolas, pelo contrário, seu trabalho facilita seu envolvimento com as funcionárias do local e ele não perde a chance de conquistar as clientes com sua lábia, tirando proveito do aconchego dos provadores e do setor de camas e do poder que sua posição lhe confere sobre os seguranças que se fazem de cegos diante da libertinagem. Não é a toa que os homens que trabalham na loja o repudiam.

terça-feira, 22 de julho de 2014

DICIONÁRIO DE CAMA

NOTA 5,0

Apostando nos clichês do amor
proibido e choque de culturas,
longa parece datado e com um
gancho que pode gerar polêmicas
Um paraíso tropical habitado por um povo com traços ligeiramente indígenas e tom de pele bronzeado está prestes a receber a visita dos branquelos e engomadinhos imigrantes europeus. Contrariando expectativas, os nativos mostram-se bastante empolgados com a ideia, os visitantes logo se sentem completamente a vontade, mas o tempo mostra que o choque de culturas tem consequências negativas também. É nesse universo que se desenvolve a trama de Dicionário de Cama, romance ambientado nas selvas da Malásia no início do século 20 (provavelmente em meados dos anos 30 a julgar por alguns objetos cênicos e vestimentas) que tem como protagonista o jovem oficial inglês John Truscott (Hugh Dancy). Recém-saído da universidade, ele é escolhido por Henry Bullard (Bob Hoskins) e enviado pelo governo britânico ao povoado de Sarawak para colaborar no processo de colonização e da administração da província, mas a tarefa não é das mais fáceis. A intenção era que o rapaz implantasse o programa de educação idealizado por seu finado pai, só que o povo local, os Ibans, possui costumes e tradições bastante peculiares, mas o principal entrave seria a comunicação. Estando em minoria, os europeus é que deveriam aprender o dialeto da região e assim os chefes locais oferecem aos estrangeiros (somente aos aristocratas solteiros) um dicionário de cama, assim eles chamam as mulheres selecionadas para ajudar os homens a aprenderem a língua e hábitos de seu povo. Como o processo de colonização levaria alguns anos, tais damas também serviriam como companhias, inclusive na cama. Pode parecer estranho, mas esta prática era comum e reforçava os papéis antiquados de que a mulher foi feita para servir o homem e eles, por sua vez, tinham a necessidade da atividade sexual constante. De qualquer forma, para todos os efeitos elas seriam apenas serviçais. Truscott em um primeiro momento rejeita a obrigação de viver com Selima (Jessica Alba), mas logo acaba cedendo aos encantos e personalidade forte da jovem. O que era para ser apenas um envolvimento passageiro acaba se tornando algo sério e o rapaz decide por abandonar sua missão e até mesmo seu país, passando a adotar Sarawak, sua língua e seu povo como seu novo universo.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

DISTÚRBIOS DO PRAZER

NOTA 7,5

Com temática difícil, o prazer
através da dor, longa incomoda,
mas poderia explorar melhor o
universo de personagens tão infelizes
Sabemos que as vivências de uma pessoa durante a infância e a adolescência podem ditar os caminhos de seu futuro, mas mesmo depois de adultas os acontecimentos influenciam decisivamente em suas trajetórias. Um passado traumatizado pode ser revertido graças a um amadurecimento saudável, mas um histórico de vida positivo também pode ser destruído com maus passos no futuro. A protagonista de Distúrbios do Prazer, para sua infelicidade, carrega traumas da infância e também não tem tido sorte em sua vida adulta. Nancy Stockwell (Maria Bello) era constantemente abusada pelo tio desde os sete anos de idade, mas pior que ter sua vida sexual iniciada precocemente é que ela também foi incentivada a gostar do masoquismo, assim ela se transformou em uma viciada em sexo e violência. Mesmo assim ela conseguiu se casar com um sujeito aparentemente normal e é justamente esse detalhe que coloca a relação no fio da navalha literalmente. Albert (Rufus Sewell), seu marido, é um executivo insensível que pouco dá atenção à mulher. Em flashbacks, a narrativa mostra um pouco da rotina do casal. Nancy até tentava levar uma vida descontraída e normal, mas o companheiro sempre sisudo cortava totalmente o clima, ainda mais quando ela procurava instigar o lado perverso do rapaz, mas só conseguia se frustrar ainda mais com as reações. Assim ela buscava prazer na dor e constantemente se automutilava, uma rotina doentia que já durava 15 longos e angustiantes anos até que ela decidiu tomar uma decisão radical e abandonar o marido, mas não sem ter um plano traçado para seu próprio bem estar e vingança. Há algum tempo ela vinha se comunicando pela internet com Louis Farley (Jason Patric), outro pervertido que a convence a abandonar sua vida sem graça e a embarcar com ele para uma viagem onde a dor e o prazer caminham paralelamente e sem limites. Para Albert ela simplesmente deixa uma mensagem por escrito de uma hora para a outra avisando que estaria passando uns dias com uns amigos, algo no mínimo estranho para um marido admitir, mas por aí já temos uma ideia de como andava a relação deles. Ele nem mesmo percebia as marcas de cortes com giletes que ela fazia nos braços e pernas, porém, se recorda de ter visto a mulher dias antes com um comportamento estranho quando usava o computador.

domingo, 20 de julho de 2014

UMA COISA NOVA - AS SURPRESAS DO CORAÇÃO

Nota 3,5 Chato e previsível, romance explora o preconceito às avessas, o negro versus o branco

Estamos no século 21 e ainda existem sim muitos brancos preconceituosos, mas os negros também não ficam atrás. Ao mesmo tempo em que buscam seu lugar e respeito entre os caucasianos, também parecem almejar se cercarem ao máximo de pessoas de sua raça. Bem, como a certa altura esbraveja a protagonista de Uma Coisa Nova – As Surpresas do Coração, só quem diariamente é lembrado que é negro sente na pele o constrangimento e a necessidade de se firma como um igual. A trama de Kriss Turner gira em torno de Kenya McQueen (Sanaa Lathan), uma advogada que aparentemente tem tudo para ser feliz. Tem um trabalho de prestígio, é inteligente, sofisticada e muito bonita, um perfil que chamaria a atenção de qualquer homem, mas se casar é algo que ela não deseja a curto prazo. Contudo, ela se preocupa ao saber de uma pesquisa que aponta que boa parte das mulheres afro-americanas não consegue se casar. Além da lista de pré-requisitos básicos (bonito, alto, com padrão mínimo de vida e por aí vai) que já dificulta encontrar tantas qualidades em um mesmo homem, para a maioria das solteiras há outro empecilho. Elas querem um companheiro da mesma raça. De acordo com a educação que tiveram, lutar pela igualdade em termos sociais é válido, mas unir o sangue negro ao de um branco não é uma boa escolha. Diante das estatísticas, impulsivamente Kenya marca um encontro às escuras e para sua surpresa ela conhece o branquelo e loirinho Brian Kelly (Simon Baker), este que não demonstra qualquer objeção quanto a diferença de cor de pele, mas ela limita-se a ser educada, já tinha convicção de que teria que partir para outra. Na contramão, o destino parecia querer uni-los. Por um acaso eles se reencontram em uma festa e ela comenta que precisa arrumar o jardim da casa que acabara de comprar. Qual a profissão do rapaz? Paisagista é óbvio, assim eles começam a se encontrar com frequência durante a reforma e ele trata de jogar todo o seu charme. Conversa vai e conversa vem e eles estão apaixonados em um piscar de olhos. As amigas dela, também negras, vibram com a notícia, mas a garota que vestindo terninhos de cores sóbrias mostra-se tão confiante na realidade é cheia de grilos quanto a cor da sua pele e colocará tudo a perder.

sábado, 19 de julho de 2014

OS ANJOS DA GUERRA

Nota 6,5 Mostrando como a Polônia conviveu com o nazismo, impacta subtrama religiosa da fita

Existe uma grande quantidade de filmes a respeito da Segunda Guerra Mundial, mas os mais famosos costumam serem aqueles que enfocam os principais acontecimentos do período. No entanto, muitas produções que se dedicam a apresentar pormenores da época acabam passando despercebidos, até porque a maioria não se trata de superproduções. Os Anjos da Guerra pode não ser excepcional, mas tem um detalhe bastante original no enredo. Escrito e dirigido por Yurek Bogayevicz, a trama mostra como a Polônia vivenciou a tensão do conflito logo após a invasão nazista em 1939. Três anos depois, muitos judeus estavam com medo de serem mortos e ao menos tentaram preservar a vida de seus filhos os enviando para outras cidades contando apenas com a sorte. Romek (Haley Joel Osment) tinha só 11 anos quando foi obrigado a se separar da família e mudar de cidade pouco antes da deportação de todo o gueto para os campos de extermínio. Escondido dentro de um saco de batatas para ludibriar os vigilantes alemães, ele é mandado para um pequeno vilarejo onde é acolhido pelo bondoso fazendeiro Gniecio Lípar (Olaf Lubaszenko) que orienta sua família, se necessário, a apresentá-lo aos curiosos como um primo. A esposa, Manka (Malgorzata Foremniak), o recebe como se fosse uma obrigação, mas nem de longe demonstra o mesmo desprezo que Vladek (Richard Banel), seu filho mais velho. Talvez pela idade semelhante, o garoto vê o judeuzinho como um rival na disputa pela atenção do pai, algo acirrado quando sua namoradinha Maria (Olga Frycz) também passa a se aproximar do refugiado, mas obviamente sem saber sobre sua verdadeira história. Já o caçula dos LÍpar, o pequeno Tolo (Liam Hess), mostra-se mais receptivo e logo trata de fazer amizade. Para manter seu disfarce, Romek também teria que frequentar as aulas de catecismo que o padre (Willem Dafoe) ofereceria. Honrando sua batina, o religioso estava sempre pronto para ajudar, mas os tempos difíceis testavam sua boa fé. Ele é chamado para evitar a morte de um casal que criava porcos escondidos, mas sabendo das dificuldades para capturar esses animais os oficiais alemães obrigam o padre a caçá-los e caso conseguisse recuperá-los as vidas dos fazendeiros seriam poupadas. Com a crueldade que reinava na época não é preciso fazer muito esforço para saber como isso acaba.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

ENDIABRADO

NOTA 7,5

O velho conto do pacto com o
diabo é a inspiração para trama
previsível, porém, divertida e que dá
chance para Brendan Fraser brilhar
Quem nunca ouviu falar do velho conto de Fausto e seu famoso pacto com o diabo? A lenda de origem alemã conta a história de um homem que em troca da realização de alguns desejos cai em uma armadilha preparada pelo coisa-ruim que deseja levar sua alma para o inferno. Neste pacto maldito, a satisfação anda de mãos dadas com a infelicidade e quanto mais vontades atendidas mais enrolado fica o inocente pedinte, mas no caso da comédia Endiabrado quanto mais o protagonista tem suas vontades realizadas melhor para Brendan Fraser que tem a chance de interpretar vários papéis em um mesmo filme. O ator dá vida a Elliot Richards, um enfadonho e desengonçado programador de computadores que está perdidamente apaixonado por Allison (Frances O’Connor), uma colega de trabalho. O problema é que a moça não lhe dá menor atenção, aliás, para a maioria das pessoas ele é insignificante, não passa de um perdedor. Certa noite, após mais uma frustrada tentativa de conquistar aquela que julga ser a mulher de sua vida, Elliot encontra com o capeta em carne e osso, mas jamais esperava que tal visão fosse tão maravilhosa. O diabo se apresenta aproveitando-se das curvas do corpo e da beleza de uma mulher incrivelmente sedutora, um papel perfeito para a atriz Elisabeth Hurley exercitar seu pouco talento para a interpretação. Quando uma garota daquele tipo daria atenção a um fracassado? Só mesmo na base do toma lá dá cá. A diabinha decide ajudá-lo lhe ofertando sete desejos que podem melhorar sua aparência e seu estilo de vida, assim finalmente tornando-se um sujeito atraente e com chances de conquistar a garota dos seus sonhos. Não seria mais fácil fazer de uma vez a mágica do cupido? Sim seria, mas no caso o diabo estaria sendo muito bonzinho e perdendo a chance de literalmente infernizar a vida de um inocente. O acordo deixa claro que caso aceite a proposta a alma de Elliot automaticamente viria a ser propriedade das forças do Mal, mas na hora da empolgação o bobalhão não percebe que mesmo que alcance seu objetivo estaria condenado a ser escravizado no inferno e não poderia viver plenamente o amor. Realmente de boas intenções o andar de baixo está cheio.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

CACHÉ

NOTA 8,5

Suspense propõe uma angustiante
narrativa em que um família pode se
dissolver por conta de consequências
de mazelas históricas e segredos
Chato, estranho, perturbador, melancólico, ousado, estilístico, autoral, alternativo ou excepcional. São várias as palavras que podem ser empregadas para definir o suspense francês Caché, tanto negativas quanto positivas, mas o fato é que não dá para ficar inerte quanto à obra. Os cinco primeiros minutos já demonstram que o filme foge do convencionalismo. Um longo plano estático de uma residência de classe média alta é mostrado à distância, mas aparentemente nada de anormal acontece. A certa altura a imagem é congelada, rebobinada e depois avançada enquanto ouvimos uma discussão a respeito do conteúdo desta fita VHS, um presentinho misterioso que o casal Anne (Juliette Binoche) e Georges Laurent (Daniel Auteil) recebeu embrulhado em um papel contendo um sinistro desenho feito com traços aparentemente infantis, mas chama a atenção que em meio aos rabiscos negros existe um detalhe em vermelho simbolizando sangue. A família aparentemente não tem problemas emocionais, financeiros ou inimigos, pelo contrário, pais de um único filho, o adolescente Pierrot (Lester Makedonsky), o casal vive imerso em um universo burguês e cultural. Georges apresenta um programa de crítica literária na televisão enquanto a esposa trabalha em uma editora de livros. A gravação da fachada da casa dura cerca de duas horas, incluindo também cenas noturnas, e os Laurent acreditam que pode ser alguma brincadeira de mau gosto de algum colega do filho, mas mesmo assim eles ficam com a pulga atrás da orelha afinal não é nada confortável ter a sensação de alguém estar vigiando seu cotidiano. A preocupação aumenta com telefonemas cuja voz do outro lado se cala, cartões com imagem macabras enviados até mesmo para Pierrot e uma segunda fita contendo imagens da fachada da casa de mãe de Georges. Não há dúvidas, alguém que conhecesse esta família muito bem está tentando apavorá-la, aliás, tem conhecimento de detalhes da infância do patriarca, mas sem danos materiais ou físicos a polícia diz que nada pode fazer. O monótono cotidiano do clã então sofre uma sacolejada forçada e até mesmo desequilibra o relacionamento modelo de Georges e Anne. Ela acredita que o marido está escondendo algo e o crítico, por sua vez, liga alguns pontos coincidentes e suspeita que um ex-amigo de infância que não via a muito tempo está por trás de todas essas ameaças, mas explica esse passado com meias palavras à esposa.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

PEGAR E LARGAR

NOTA 5,0

Embora tente fugir de receitas
açucaradas apresentando situações
realistas, romance desperdiça bons
argumentos e força as vezes o humor
Algumas atrizes já estão com a imagem tão enraizada a comédias românticas que qualquer filme que lancem com temática amorosa automaticamente é rotulado em tal gênero. Talvez isso explique o fracasso de Pegar e Largar que tem como protagonista Jennifer Garner. Quem esperava uma trama convencional de encontros e desencontros e pontuada por momentos de humor certamente se decepcionou ao se deparar com um romance dramático. Experiente no gênero água-com-açúcar, Susannah Grant, roteirista de Para Sempre Cinderella e Em Seu Lugar, além de assinar o texto neste caso também fez sua estreia como diretora, mas seguiu seu estilo e dosou bem o amor e a tragédia, errando a mão nos poucos momentos de humor da produção. A trama começa mostrando o sofrimento de Gray Wheeler (Garner) que poucas horas antes do casamento acaba sendo surpreendida com a notícia de que Grady, seu noivo, inesperadamente faleceu. Desnorteada, seus pensamentos parecem querer dialogar com o rapaz detalhando suas sensações durante o funeral, uma sensação natural de quem de uma hora para a outra viu seus sonhos desmoronarem. Neste momento difícil, a moça acaba encontrando apoio na solidariedade oferecida pelos amigos com quem o noivo dividia uma casa. O divertido Sam (Kevin Smith) e o responsável Dennis (Sam Jaeger) a convencem a entregar a residência onde o casal moraria, já que não teria como bancar o aluguel, e ela ir viver com eles, assim não se sentiria tão só e nem teria que se desvencilhar totalmente das lembranças do ex. Enquanto a dupla faz de tudo para reanima-la, Fritz (Timothy Olyphant), outro amigo de longa data do falecido, mas que Gray desconhecia, parece pouco se importar com o ocorrido. Aliás, em uma tentativa forçada de injetar humor na trama que começa depressiva, o rapaz metido a conquistador descola uma paquera durante o velório e não pensa duas vezes antes de levar a moça para o banheiro para darem uma rapidinha. Detalhe, a recém-viúva estava escondida na banheira tentando colocar as ideias no lugar, mas por de trás da fina cortina de plástico acompanhou toda a cena com riqueza de detalhes sonoros.

terça-feira, 15 de julho de 2014

VÍCIO FRENÉTICO (2009)

NOTA 7,0

Protagonista cai em desgraça
em obra que aborda como o
meio em que vivemos interfere
drasticamente em quem nós somos
Dizer que Nicolas Cage já não é mais sinônimo de bons filmes é chover no molhado, contudo, não se pode resumir sua trajetória a nada. O ator já teve seus bons momentos, vez ou outra ainda dá uma bola dentro hoje em dia e ainda há muitos diretores consagrados querendo ao menos uma vez ter a chance de trabalhar com ele. Como herói ou homem apaixonado ele pode não convencer mais como antigamente, mas é certo que papeis ambíguos ou bizarros lhe caem muito bem, talvez por isso ele tenha sido escalado pelo famoso diretor alemão Werner Herzog para o drama policial Vício Frenético. O longa é inspirado no filme homônimo do diretor Abel Ferrara lançado em 1992, mas apesar de manter o mesmo título e definição de protagonista a produção alterou muitas coisas em relação ao original, assim o rótulo de refilmagem não condiz. As diferenças já começam no contexto em que a trama é desenvolvida, eventos acontecidos logo após o fatídico e histórico episódio do Furacão Katrina nos EUA. Como boa parte dos filmes do diretor mostra, o longa se apoia na teoria de como o meio influi na personalidade do homem. Após a tragédia de 2005, a região de Nova Orleans se transformou em um verdadeiro caos, isso se refletiu no cotidiano das pessoas e uma grande onda de violência se abateu por lá. É nesse ambiente que vive Terence McDonagh (Cage), um dos poucos policiais que decidiram permanecer na cidade e cumprir o dever de proteger a população já um tanto fragilizada. A introdução mostra que a região ficou totalmente alagada, inclusive as dependências de uma prisão onde apenas um criminoso sobreviveu, porém, mais cedo ou mais tarde poderia morrer afogado ou devorado pelas cobras que vieram com a enxurrada. Depois de provocar bastante o prisioneiro com a ajuda de seu colega de trabalho Stevie Pruit (Val Kilmer), McDonagh acaba percebendo a crueldade da situação e impulsivamente pula na água para salvá-lo. O ato heroico acaba sendo positivo e negativo para o policial. Embora promovido a tenente, ganhou dores nas costas crônicas que o levaram a se tornar dependente de um analgésico muito forte. Alguns meses depois e a necessidade tornou-se um prazer. Com a desculpa de aplacar suas dores, ele já está viciado em vários tipos de drogas e isso se reflete em seu aspecto físico e estilo de vida, algo influenciado também pela namorada Frankie (Eva Mendes), uma prostituta de luxo.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

BEIJANDO JESSICA STEIN

NOTA 7,5

Frustrada com os homens,
jovem decide experimentar o amor
com outra mulher, mas antes precisa
vencer seus próprios preconceitos
A maioria das comédias românticas gira em torno de uma mesma temática: a eterna busca das mulheres pelo homem ideal. Algumas têm a sorte de encontrar o par perfeito e outras se contentam com parceiros cheios de defeitos, mas se existe amor na relação qualquer problema é superado. Agora o que fazer quando a alma gêmea está em uma pessoa do mesmo sexo? É esse o grande diferencial de Beijando Jessica Stein, deliciosa produção que aborda o homossexualismo feminino de maneira realista, mas sem perder o bom humor. A garota do título é vivida por Jennifer Westfeldt, uma jovem e bem-sucedida jornalista que vive uma agitada rotina diária, porém, sempre tem um tempinho para dar uma paquerada. O problema é que seus pretendentes são todos desinteressantes. Um é bobo, o outro é metido a besta, tem aquele neurótico e por aí vai. A moça também é exigente e procura vários predicados em um mesmo homem, algo impossível de se encontrar em meio aos boçais que a cercam em Nova York, mas mesmo assim ela acaba aceitando encontros arranjados que sempre a desapontam, sendo consolada depois pela colega de trabalho e confidente Joan (Jakie Hoffman) e por Judy (Tovah Feldshuh), sua mãe superprotetora. Por um tempo ela sossegou, mas quando seu irmão Danny (David Aaron Baker) diz que vai se casar, mais uma vez ela sai à caça de um par para evitar comentários sobre sua solteirice, mas desta vez ela é radical e parte para um encontro às escuras. Ela fica interessada por um anúncio de jornal publicado nos classificados de encontros simplesmente porque havia a citação de um poeta que ela adora, mas para sua frustração o anunciante é uma mulher disposta a se relacionar com outra. Embora assuma ser uma heterossexual convicta, curiosa Jessica decide marcar um encontro com Helen Cooper (Heather Juergensen), a gerente de uma galeria de arte que também diz gostar de homens, mas já sofreu tantos desapontamentos com os barbados que decidiu apostar suas fichas em um relacionamento com outra garota. Duas frustradas curiosas formariam o par perfeito, mas Jessica não parece ter a mesma disposição da sua pretendente para vivenciar novas experiências, contudo, na mesma noite do primeiro encontro elas acabam se entendendo na base da amizade, rola uma rusga por conta da diferença de estilos de vida que levam e Helen até lhe rouba um beijo, o bastante para deixá-la balançada e pensando em mudar de time.

domingo, 13 de julho de 2014

A RECRUTA HOLLYWOOD

Nota 3,0 Comédia tenta reciclar clichê da milionária descendo do salto, mas pouco diverte

Uma das receitas mais batidas do humor é a adaptação forçada de um milionário a uma vida paupérrima a qual é submetido repentinamente. A Recruta Hollywood segue este velho argumento sem trazer inovações. Talvez o único diferencial seja tirar uma dondoquinha de seu universo cor-de-rosa para jogá-la em um mundo mais masculinizado. O roteiro de April Blair e Kelly Bowe nos apresenta à Megan Valentine (Jessica Simpson), uma estrela de cinema riquíssima acostumada a paparicos e futilidades. Seu estilo para se vestir, a la Barbie para maiores, tira do sério seu empresário, Nigel Crew (Michael Hitchcock), que acredita que a imagem da atriz fora das câmeras influencia diretamente em sua vida profissional. Para se ter noção de sua popularidade ela foi considerada a melhor intérprete na premiação concedida pelo voto popular dos detentos de uma penitenciária. Não é uma estrela pornô, mas também está a anos-luz de ter talento para o drama, assim construiu sua fama em cima de comédias de gosto duvidoso. Seria o roteiro inspirado na vida da própria Simpson? Bem, ela ainda namora o metidinho Derek O’Grady (Bryce Johnson), seu par no mais recente lançamento nos cinemas e é óbvio que o relacionamento chama mais a atenção que o filme em si. Só é difícil saber quem sairia mais beneficiado desta relação, ou seja, quem teria a carreira alavancada. No entanto, uma sucessão de eventos acaba em uma única noite levando a garota à bancarrota. Deslumbrada, ela jamais cuidou de suas finanças e confiou sua contabilidade a um primo que pouco a pouco desviou toda a sua fortuna, assim até sua luxuosa casa ela perderia para quitar dívidas que deixaram de ser pagas. Neste momento, nada melhor que a atenção de uma pessoa que se goste muito, mas Megan se surpreende ao flagrar o namorado na cama com seu empresário. Desorientada, ela acaba batendo o carro, mas não sofre ferimentos, apenas fica sem saber para onde ir. Vagando sem rumo, ela amanhece na porta da sede do alistamento do exército e pede para usar o banheiro. Na recepção, ao ver vídeos de mulheres fardadas e demonstrando autoconfiança, magicamente a estrelinha sente vontade de pertencer àquele mundo, algo reforçado pelo soldado que a atendeu que lhe vende a ideia que a corporação oferece novos horizontes.

sábado, 12 de julho de 2014

CODINOME CASSIUS 7

Nota 3,0 Ousando revelar um segredo rapidamente, longa não tem truques para prender atenção

Depois da Segunda Guerra Mundial, talvez o longo período da Guerra Fria tenha sido um dos mais utilizados como pano de fundo para filmes e não há previsão para que a fonte se esgote. Sobre o conflito, que teve seu auge em 1962 com a chamada Crise dos Mísseis Cubanos e oficialmente foi encerrado em 1991 com a dissolução da União Soviética, temos acesso ao básico nos livros escolares, mas o cinema ajuda a compreender alguns pormenores da situação, contudo, o suspense Codinome Cassius 7 não deve entrar nesta seleta lista de títulos e apenas ser lembrado como mais uma tentativa frustrada de mostrar que Richard Gere pode fugir do estereótipo de galã romântico. Na trama escrita por Derek Hass e Michael Brandt, este também diretor, Gere dá via a Paul Shepherdson, um ex-agente da CIA que é chamado às pressas para colaborar nas investigações do assassinato de um político americano que já a algum tempo vinha sendo investigado. A maneira como ele morreu lembra muito a antigos casos, assim é levantada a hipótese de que um famoso criminoso russo apelidado de Cassius 7 voltou à ativa, provavelmente para aniquilar alvos remanescentes. O policial aposentado passou anos de sua carreira estudando o método de agir do suspeito, mas garante que ele mesmo o matou em 1989. Sem ninguém saber sua real identidade, a morte do matador é encarada como um golpe para ele sair de cena, mas agora que há uma segunda chance para capturá-lo não pode haver falhas. Paul é obrigado desta vez a trabalhar em parceria com Ben Geary (Topher Grace), um jovem oficial do FBI obcecado pela trajetória de Cassius 7, tanto que o transformou em objeto de estudo para seu mestrado. Obviamente, a dupla se estranha já que trabalham com objetivos diferentes. Paul quer provar que a morte do político foi feita por outro criminoso, mas seu parceiro se fixa nas suspeitas iniciais. A premissa é um tanto batida, mas Brandt procurou ousar e revelar a identidade do assassino prematuramente, mesmo tendo cerca de uma hora de projeção a rechear.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

KUNG FU FUTEBOL CLUBE

NOTA 7,0

Para os saudosistas dos antigos
filmes de lutas marciais esta
comédia é um prato cheio com o
bônus de bons efeitos especiais
Nos nostálgicos tempos das fitas VHS existia uma categoria peculiar e não-oficial em que certas produções eram catalogadas nos acervos das locadoras. Elas poderiam figurar entre fitas policiais, de ação, comédia ou aventura, mas um detalhe em especial reunia alguns títulos em um seleto grupo: os filmes de kung fu. Para os fãs talvez o enredo fosse o de menos. O importante eram as cenas de lutas coreografadas e até surgiram distribuidoras especializadas em importar produções orientais do tipo. Contudo, assim como os trash movies e as ficções científicas que bombavam antigamente, este gênero caiu em declínio e já a alguns anos goza de uma posição bastante inferior, praticamente inexistente, o que fez com que alguns atores asiáticos buscassem trabalho em Hollywood, sendo Jackie Chan e Jet Li bons representantes. No entanto, quem diria que no início do século 21 produções do tipo voltariam a circular mundialmente. E este texto não é para exaltar épicos como O Clã das Adagas Voadoras e O Mestre das Armas, mas sim falar a respeito da tentativa de resgate dos filmes de kung fu contemporâneos, a milenar arte marcial aplicada em meio ao caos do trânsito e entre um clique e outro no computador. Kung Fu Futebol Clube é um ótimo exemplo, uma mistura improvável de influências totalmente díspares. Dos golpes do saudoso Bruce Lee ao ritmo alucinante dos videogames, o longa reúne comédia, futebol, artes marciais e efeitos especiais que lhe dão direito no mínimo a alguns elogios por conta das inovações que propõe. A trama, no entanto, é das mais rebuscadas. Feng (Man Tat Ng) foi uma estrela dos gramados em sua juventude, mas inocentemente buscou sua própria decadência ao aceitar errar propositalmente um pênalti em um importante jogo ludibriado pelo presidente de seu time, o inescrupuloso Hung (Patrick Tse Yin). Anos depois, ele é apenas um auxiliar da equipe, mas ainda nutre o desejo de um dia se tornar um treinador, vontade que aumenta ainda mais quando conhece por acaso Sing (Stephen Chow), um jovem que vive como mendigo por força das circunstâncias. Em um passado não muito distante ele era um mestre das artes marciais, mas não conseguiu sobreviver às custas de seu talento. Mesmo assim ainda busca formas de reavivar a esquecida técnica do Kung Fu Shaolin se apresentando pelas ruas de Hong Kong.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

INVASORES (2007)

NOTA 3,5

Deixando mensagens subliminares
de lado, quarta adaptação de clássico
livro de ficção científica proporciona
diversão rasteira e esquecível
Assim como Guerra dos Mundos causou frisson nos anos 50 ao apresentar uma trama alegórica envolvendo alienígenas para criticar a pretensiosa soberania dos norte-americanos, praticamente na mesma época Vampiros de Almas era lançado como uma metáfora ao momento político que os EUA vivia. Baseado no livro “The Body Snatchers”, escrito por Jack Finney, o longa de 1956 critica o macarthismo e sua caça às bruxas disfarçadamente através de uma invasão alienígena e o diretor Don Siegel conseguiu realizar um filme aterrorizante que alcançou status de obra-prima com o passar dos anos. Em 1978, Philip Kaufman assumiu a direção de um remake, Invasores de Corpos, obtendo um filme diferente do original, mas preservando a sensação de paranoia e pavor aproveitando-se das feridas deixadas pela Guerra do Vietnã. O mesmo título (com o acréscimo do subtítulo “a invasão continua”) viria batizar em 1993 a versão de Abel Ferrara para o consagrado romance de ficção científica abordando uma epidemia trazida pelos alienígenas em uma clara alusão aos temores da AIDS, mas já não obtendo a repercussão dos filmes anteriores. Um é pouco, dois é bom, mas se três já é demais porque insistir em um quarto filme? É fato que o argumento do livro é atemporal e permite diversas interpretações, assim executivos da Warner Bros certamente imaginaram que era hora de mais uma vez trazer a temática à tona para discutir implicitamente os conflitos étnicos ou a degradação acelerada da natureza, por exemplo. Contudo, Invasores não é lembrado por algum tipo de subtexto, mas sim por ser um retumbante fracasso que deve ter feito um rombo considerável nas finanças de sua produtora. A trama escrita por David Kajganich parte da premissa de que os destroços da explosão de um ônibus espacial entraram em contato com algo alienígena e que ao caírem na Terra trouxeram uma espécie de vírus que modifica drasticamente o comportamento das pessoas que contamina. A população entra em desespero, mas o governo vende a ideia de que esta epidemia em breve será controlada, no entanto, a psiquiatra Carol Bennell (Nicole Kidman) e seu namorado, o médico Ben Driscoll (Daniel Craig), descobrem a verdadeira origem do problema, um mal que acomete as pessoas quando elas estão dormindo. Os infectados mostram-se incapazes de demonstrar algum tipo de emoção, mas à medida que o vírus se espalha fica cada vez mais difícil descobrir quem é portador da anomalia.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

FORA DO MAPA

NOTA 5,0

Talhado para ganhar prêmios e
apesar de essencialmente
contemplativo, drama deixa a

sensação de que poderia ir além
O cinema independente é caracterizado por produções que visam o experimentalismo, ou seja, roteiros que busquem explorar novos horizontes ou apresentem temas batidos sob óticas diferenciadas, assim boa parte dos filmes desta seara conseguem cair no gosto dos críticos facilmente, porém, amargam o fracasso em termos de popularidade. Contudo, já faz alguns anos que a situação tem mudado um pouco graças aos esforços de profissionais que ampliaram a aceitação dos filmes alternativos com boas campanhas que os levaram até os cinemas de shoppings e a serem indicados a prêmios como o Oscar. De qualquer forma, o grande número de produtos lançados por essa corrente de um cinema “menor” acaba inviabilizando a exibição de boa parte deles até mesmo em cineclubes e o destino acaba sendo o lançamento direto em DVD. Situações do tipo nos fazem repensar se tudo o que sai diretamente para venda ou aluguel é realmente de gosto duvidoso, mas obras do tipo de Fora do Mapa também colocam em xeque se as menções de festivais no material publicitário correspondem a sinônimo de qualidade.  Exibido em Cannes e Sundance, o filme narra um período conturbado na vida de uma família que vive isolada em uma região desértica do Novo México. A história é narrada através das memórias da pré-adolescência de Bo Godren (Valentina de Angelis), uma garota com problemas para se adaptar ao estilo forçadamente alternativo dos pais, Charley (Sam Elliott) e Arlene (Joan Allen). A trama começa com um relato estranho. Procurando retratar um pouco da atmosfera medíocre e mística do local, o enredo fala que certa vez um rosto com feições de Jesus Cristo apareceu em uma tortilla (quitute típico latino) em uma cafeteria da cidade. A dona do estabelecimento envernizou a imagem para atrair fiéis e consequentemente mais clientes, mas aos poucos ela foi sumindo. O que isso tem a ver com a trama? Pois é, absolutamente nada, salvo o fato de Bo enfatizar que desde então seu pai se encontra em um profundo estado de depressão que ninguém sabe ao certo a razão. Bem, quando nos familiarizamos com a intimidade da família começamos a entender um pouco essa melancolia, mas jamais chegamos à justificativa plena. Arlene procura reanimar o marido, mas também tem seus momentos de explosão de tristeza, esses sim compreensivos.

terça-feira, 8 de julho de 2014

NA TRILHA DO ASSASSINO

NOTA 4,0

Apesar do bom argumento,
mescla de drama e suspense
peca pelo ritmo arrastado e
personagens que não cativam
Quem se interessaria por um filme com o título simplesmente resumido na palavra ternura? Possivelmente os amantes de dramas água-com-açúcar e o público feminino se animariam, ainda mais tendo Russell Crowe encabeçando o elenco, no entanto, a mudança de título da adaptação do livro “Tenderness” no Brasil foi providencial. Apesar de assumir a genérica alcunha de Na Trilha do Assassino, a opção combina melhor com o conteúdo, mas certamente deverá decepcionar aqueles que ficam na expectativa de perseguições e tiroteios repletos de tensão e adrenalina. Na realidade, a fita é um drama que traz uma galeria de personagens infelizes imersos em um universo igualmente deprimente. A trama escrita por Emil Stern gira em torno de três personagens principais. O tenente Cristofuoro (Crowe) está praticamente se aposentando da polícia da cidade de Buffalo, no Estado de Nova York, e sofre com a situação da esposa que está em coma há um bom tempo. Devido a estas situações, nos seus últimos dias de trabalho na corporação ele tem recebido apenas alguns casos menores para resolver. No entanto, seu passado conta com a solução de crimes de grande relevância. Três anos antes investigou os assassinatos de um pastor e sua esposa e mandou para a cadeia Eric Poole (Jon Foster), o próprio filho do casal então com apenas 15 anos de idade. Quando a ação começa, o jovem já está para completar 18 anos e prestes a ser libertado do centro de detenção. Por sofrer de problemas mentais e ser dependente de antidepressivos, escapou de uma punição mais severa e foi julgado dentro das leis estabelecidas a menores infratores, assim podendo levar uma vida normal assim que atingisse a maioridade. Contudo, Cristofuoro não está convencido que Eric agiu em um rompante de loucura. Visitou-o regularmente enquanto estava preso, mas não conseguiu provas concretas que justifiquem suas desconfianças de que o jovem é um psicopata. O tenente acredita que ele tenha assassinado ao menos duas jovens e matou os pais por eles terem descoberto estes segredos. Como está com tempo de sobra, por sua conta e risco, o policial passa a seguir os passos do ex-detento em liberdade ciente de que mais cedo ou mais tarde ele voltará a matar. Sua obsessão será pegá-lo em flagrante.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

ALATRISTE

NOTA 4,0

Apesar de literalmente ser uma
grandiosa produção, épico espanhol é
tedioso e peca por condensar muitos
eventos e excesso de personagens
Filmes épicos costumam ter público cativo e consomem orçamentos generosos, assim é de se estranhar quando produções do tipo não chegam a ter lançamentos nos cinemas, ainda mais quando se tem um nome de peso encabeçando o elenco. Apesar de ser uma produção espanhola, Alatriste tem como protagonista Viggo Mortensen, na época ainda se aproveitando da fama da trilogia O Senhor dos Anéis, talvez por isso mesmo tenha sido recrutado para este trabalho. Aqui ela dá vida ao capitão Diego Alatriste, um soldado veterano do exército espanhol famoso por seus heroicos atos, mas isso não o torna diferente. É apenas um homem sem aspirações que sobrevive aos desafios que a vida lhe impõe. A trama se passa no século 17, época em que a Espanha dominava boa parte do mundo e as áreas que não eram suas subordinadas automaticamente passavam a ser consideradas inimigas. Reinava então Felipe IV (Simon Cohen) e seus territórios eram governados com mãos de ferro por seu ministro, o inescrupuloso conde-duque de Olivares (Javier Cámara). Muitos países resistiram a dominação espanhola, mas foi Flandres através de uma longa e cruel batalha que colocou a força do império em jogo. Para contra-atacar, foram formados exércitos profissionais cujos principais representantes eram veteranos da infantaria espanhola e Alatriste era um destes homens. Em 1622, durante um ataque justamente em Flandres, Lope de Balboa (Alex O’Dogherty), seu fiel companheiro de batalhas, acaba falecendo e confia ao soldado seu filho para que ele tome conta. Um ano depois, regressando a Madri, o capitão recebe uma carta da filha do falecido reiterando o pedido para que acolha o irmão Iñigo (Unax Ugalde), jovem inteligente que desejava seguir carreira como soldado, mesmo sem o consentimento da moça. Então porque fazer questão que ele seja criado por um membro do exército? Os problemas financeiros forçaram a situação e Alatriste o aceita em sua casa cumprindo sua promessa. Nas guerras, o capitão geralmente era chamado para atuar como espadachim, mas também costumava aceitar fazer saques e serviços de mercenários para nobres, porém, sempre fazia questão de tomar alguns cuidados para não ferir sua própria honra. Certa vez, lhe é encomendado pelo inquisidor Emilio Bocanegra (Blanca Portillo – sim, uma mulher interpretando um homem), o assassinato de dois hereges, estrangeiros desconhecidos que estariam em Madri sob atitudes suspeitas.

domingo, 6 de julho de 2014

O CARA

Nota 5,5 Apostando numa parceria de trabalho improvável, comédia parece pinçada dos anos 80

É para dar vontade de matar quem ainda enche a boca para dizer que Samuel L. Jackson é “o cara”, aquele ator sinônimo de bons filmes. Está certo que ele já fez muita coisa boa, mas o que tem de abacaxi em seu currículo... Talvez para ironizar a sua fama é que ele tenha aceitado participar de uma comédia justamente chamada O Cara, mas cedendo o papel-título para o zero à esquerda Eugene Levy. Este ator não é ruim, mas fincou seu pé no campo do humor revezando-se no papel de bobalhão ou ranzinza, sendo sua atuação mais conhecida a de pai do protagonista dos três primeiros filmes da série American Pie. Nesta comédia mesclada com ação ele dá vida a Andy Fidler, um representante de produtos de higiene bucal e afins que está se preparando para realizar uma palestra para investidores em Detroit, cidade que está em meio a um alvoroço por conta do assassinato de um policial, o fiel parceiro de trabalho do agente federal Derrick Vann (Jackson). Conhecido por seu estilo marrento e desencanado, este tira também é um tanto durão. Agindo sempre disfarçado, ele passa seu dia-a-dia convivendo com as violentas gangues do subúrbio e no momento está tentando recuperar algumas armas que foram roubadas de um arsenal federal e estão prestes a serem vendidas, um crime que pode ter ligação com a morte de seu colega. Vann marca um encontro com um bandido fingindo estar interessado na mercadoria, mas na realidade quer fazer uma prisão em flagrante. Ele seria reconhecido em uma lanchonete por estar sentado à bancada e lendo um determinado jornal, mas os planos não saem como o esperado porque justamente o azarado Fidler estava no lugar e na hora errados. Confundido com o comprador, Joey (Luke Goss), um rapaz com cara de poucos amigos, lhe dá um saco de papel e parte rapidamente. Curioso, o vendedor acaba tirando do pacote um celular e uma arma assustando os frequentadores do local e chamando a atenção de Vann que logo percebe a confusão que aconteceu.

sábado, 5 de julho de 2014

SOB A LUZ DA AMÉRICA

Nota 5,0 Longa busca abordar relacionamentos entre culturas de forma menos romanceada

Efeito da globalização, cada vez mais empresas estrangeiras estão se aliando ou prestando serviços para companhias norte-americanas, o que pode acabar ocasionando a aproximação de culturas e de seus membros. De olho nisso, nos últimos anos muitos filmes tem abordado as estreitas relações entre os EUA e a Índia, obviamente na expectativa de explorar respectivamente a sedução do estilo de vida propagado pelo primeiro e o exotismo das tradições do outro. Sob a Luz da América é uma produção indiana que tem uma premissa bastante previsível, mas seu desenvolvimento aponta para outros caminhos que dependendo do ponto de vista podem soar como preconceituosos para o próprio país oriental. Na trama escrita por Farrukh Dhondy, Sujata Khanna (Koel Purie) é uma jovem que como tantas outras indianas sonha com uma vaga em um serviço de call center, aparentemente a melhor opção do país para quem tem pouco estudo. A grande chance chega e ela é contratada por uma empresa que presta serviços terceirizados para uma companhia de cartões de créditos americana. Ela até ganha um novo nome, Sue, para não criar desconfianças entre os clientes e passa por um curso intensivo de cultura e idioma ianque, tudo para disfarçar o perfil do funcionário e quem estiver do outro da linha não descobrir que está sendo atendido por uma pessoa que está há milhares de quilômetros da agência matriz. No entanto, o insistente Lawrence Stokowski (Nick Moran) consegue arrancar de Sue informações sigilosas sobre o trabalho. Ela é a primeira a atendê-lo na ocasião em que fica atônito com o exagerado número de gastos creditados em seu cartão no último mês. A partir de então de olho na conta, para evitar toda vez ter que repetir dados de segurança ele exige ser atendido por Sue e o roteiro forçosamente sempre dá um jeito de o rapaz conseguir falar com a jovem, mais adiante até consegue manter contato por um telefone fora do call center. De qualquer forma, ele não é uma pessoa ruim, só quer evitar que Zelda (Jennifer Seibel), sua ex-esposa, o leve a falência, mas conforme seu envolvimento com a atendente avança a trama começa a ganhar contornos de suspense, culminando na coincidência dele ter que viajar a trabalho para a Índia.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

O MILAGRE DE BERNA

NOTA 8,5

Tendo a vitória da Alemanha na Copa
de 1954 como pano de fundo e através
da ótica de uma família, drama busca a
renovação da esperança em dose dupla
Desde que a televisão surgiu, o evento da Copa do Mundo tornou-se popular em todos os países, obviamente galgando cada passo de acordo com a modernização de cada pátria. Na Alemanha de 1954, alguns poucos lares ou espaços públicos já podiam se dar ao luxo de ter um aparelho de TV instalado, embora a maioria escutasse a narração dos jogos pelo rádio. Ainda bem que já existiam estas invenções, caso contrário os torcedores locais iam perder a chance de acompanhar a primeira vitória do país na competição, um título que devolveria a autoestima e apontaria o início de uma nova Era à está pátria. Unindo com perfeição uma trama fictícia a fatos reais, O Milagre de Berna é um drama que recria a euforia pela qual uma minoria do povo alemão passava torcendo por sua seleção ao mesmo tempo em que o país ainda sofria com os fantasmas do nazismo. Com direção de Sönke Wortmann, a primeira participação da Alemanha no evento esportivo após a Segunda Guerra Mundial e depois de ter sido dividida em ocidental e oriental é recontada através da ótica da baqueada família Lubanski. Enquanto muitos patrícios repudiavam a presença da Alemanha Ocidental nos jogos por conta da péssima imagem acumulada pelas atrocidades da guerra, o pequeno Matthias (Louis Klamroth) parecia bastante entusiasmado e torcia pela convocação de seu ídolo, o jogador Helmut Rahn (Sascha Göpel), que apesar de ainda muito jovem o garoto o elegeu como uma espécie de figura paterna. Ele costumava carregar a bolsa de roupas do esportista até os treinos e em troca ganhava o direito de assistir aos jogos de graça já que era considerado um mascote da sorte pelo rapaz. A vida do pequeno torcedor muda radicalmente quando Richard (Peter Lohmeyer), seu pai, retorna para a casa após onze anos como prisioneiro de guerra na Rússia. Até poucos dias antes de sua volta a família acreditava que ele poderia estar morto e sua esposa Christa (Johanna Gastdorf) tentava segurar as pontas com os lucros que tirava de um bar onde também trabalhavam seus outros filhos, os adolescentes Ingrid (Birthe Wolter), aparentemente conformada com a situação, e Bruno (Mirko Lang), que desejava ganhar a vida como músico e assumiu voluntariamente as funções patriarcais do clã. Richard, querendo impor sua rígida disciplina, demonstra dificuldades para se adaptar a rotina em família e constantemente tem atritos com o filho mais velho simpatizante do comunismo e com a filha que flerta com soldados. Já o caçula parece aceitar melhor o retorno do pai, mas Richard também impõem barreiras nesta relação já que não sabia da existência de um terceiro filho que nascera exatamente nove meses após sua partida, pois jamais recebeu as cartas enviadas pelos parentes.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

CHEGADAS E PARTIDAS

NOTA 3,5

Apesar de contar com bom elenco,
parte técnica impecável e assinatura
de diretor renomado, drama é tão frio
quanto a paisagem de sua narrativa
O nome do diretor Lasse Hallström não costuma vir destacado no material publicitário de seus filmes tal qual Woody Allen ou Tim Burton, mas basta a menção “do mesmo de diretor de Regras da Vida e Chocolate” para se ter a assinatura que simboliza sinônimo de qualidade. Realmente este sueco realiza produções geralmente acima da média que aliam narrativas tocantes a detalhes técnicos perfeitos, assim suas obras costumam ser entregues ao público em embalagem de luxo. Na época em que lançou Chegadas e Partidas, o cineasta colhia os frutos de emplacar dois longas no circuito de premiações (já citados), mas chegava então a hora da colheita secar. Baseado no romance “The Shipping News” (também título original da fita) escrito por E. Annie Proulx e vencedor do prêmio Pulitzer em 1993, a narrativa gira em torno de Quoyle (Kevin Spacey), um nova-iorquino infeliz e melancólico que se acostumou com seu cotidiano sem graça. Ele vive com o dinheiro que consegue em empregos esporádicos e seu tempo livre é ocupado por lembranças desagradáveis de sua infância. Abandonado pela mãe e sofrendo maus tratos do pai, ele desenvolveu uma espécie de demência ou fobia que o impedem de almejar a própria felicidade. Sem objetivos a alcançar, simplesmente ele deixa que a força dos acontecimentos guie seus passos. Sua vida melhora levemente quando ele conhece por acaso Petal (Cate Blanchett), uma vigarista sedutora que percebendo a personalidade maleável de Quoyle logo tratou de tirar algum proveito. Como até os trinta e poucos anos ele ainda não havia experimentado o amor, facilmente caiu na ilusão de que poderia ser feliz ao lado de alguém que lhe dedicou alguns poucos minutos de atenção e lhe proporcionou uma noite inesquecível.  Eles se casam, logo ela engravida, mas a convivência nunca foi das melhores sendo que a esposa vivia procurando diversão com outros homens sem fazer muita questão de esconder sua infidelidade. Quoyle, sempre permissivo, talvez se sentisse na obrigação de aturar as afrontas, seja pelo medo de demonstrar alguma atitude ou até mesmo por consideração afinal de contas foi graças a Petal que ele tem o maior tesouro de sua vida, a sua filha Bunny (papel revezado pelas trigêmeas Alyssa, Kaitlyn e Lauren Gainer).

quarta-feira, 2 de julho de 2014

UM SEGREDO ENTRE NÓS

NOTA 4,0

Premissa simples é prejudicada
pelas confusas relações estabelecidas
entre os vários personagens e o tal
segredo fica para o espectador deduzir
Não basta apenas um nome de prestígio estampando a publicidade de um filme. Sua imagem em evidência também é essencial. Trazer o rosto de Julia Roberts super destacado poderia atrair multidões, mas o caso de Um Segredo Entre Nós prova que surpresas negativas acontecem, porém, em muitos casos são justificáveis. Poderiam colocar a culpa do fracasso no fato do filme ter sido lançado com anos de atraso (no Brasil estreou antes dos EUA), mas a verdade é que a publicidade em torno da eterna linda mulher soa neste caso como enganosa. Seu rosto em close e em tamanho grande foi usado nos pôsteres e capas do DVD deste drama escrito e dirigido por Dennis Lee, mas sua participação na trama deve somar cerca de apenas dez minutos, apesar da narrativa ser construída em torno de seu papel. Ela dá vida à Lisa Taylor, uma dona de casa que estava feliz por comemorar sua tardia graduação na faculdade, mas um fatídico acidente muda completamente o clima amistoso e acirra uma antiga rixa entre seu marido Charlie (Willem Dafoe) e o filho do casal, Michael (Ryan Reynolds). O argumento é simples, mas Lee tentou ir além de sua capacidade e complicou desnecessariamente a trama adicionando personagens demais e um vai e vem no tempo que testa a paciência do espectador que tende a se confundir nos minutos inicias. Acontecimentos envolvendo o trio de personagens dentro de carros tratam de fazer um elo entre passado e presente, mas só tomamos conhecimento disso depois que estamos mais familiarizados com os personagens. Desde a infância Michael (então vivido por Cayden Boyd) era constantemente testado e afrontado por seu esquentadinho pai para quem qualquer coisa era motivo de discussão. O jeito de ser de Charlie está ligado à frustração de não conseguir se tornar um escritor e ter que se contentar com a rotina de professor universitário. Quando já era um pré-adolescente, Michael se torna muito amigo de sua tia Jane (Hayden Panettiere) que se hospeda na casa da família para passar uma temporada que se estende a perder de vista. A pouca diferença de idade ajudava na aproximação. Anos mais tarde, já adulto, o menino se tornou um escritor de sucesso e estava voltando à sua cidade natal para a formatura de sua mãe. Sua irmã Ryne (Shannon Lucio) o recepciona feliz no aeroporto, mas no momento em que estão se aproximando da casa da família observam uma movimentação estranha. Devido a uma freada brusca, Lisa faleceu e Charlie que estava dirigindo foi internado no hospital, mas apenas para cuidar de alguns ferimentos leves.

Leia também

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...