domingo, 3 de agosto de 2014

AMOR E MORTE

Nota 7,0 Embora não se aprofunde nas polêmicas, drama trata a paixão obsessiva de forma leve

Geralmente ligamos a ideia de obsessão a algo ruim, objetivos que podem destruir vidas quando beiram a loucura, mas uma ideia fixa também pode trazer benefícios dependendo do ponto de vista. Apesar do título, o drama Amor e Morte aborda de forma leve fixações, aversão à modernidade e até homossexualismo contando a história de transformação vivida por Giles De’Ath (John Hurt), um escritor inglês maduro que parece ter parado no tempo. Apesar da fama conquistada com seus livros, o viúvo não suporta nada que é moderno ou que faça referências à cultura de massa e bens de consumo. Intelectual ao extremo, nem mesmo um aparelho de TV tem em casa, assim a única vez que cedeu uma entrevista a um programa acabou se sentindo mal como se tivesse traído princípios imutáveis. Amante de um cinema de qualidade e conteúdo, certo dia ele se interessa pelo cartaz de um filme e decide ir assistir, mas acaba entrando na sala errada onde era exibida uma comédia adolescente com apelo sexual. Imediatamente ele se levanta irritado, mas algo surge na tela grande que o faz permanecer na sessão tortura: o rosto do jovem e belo ator Ronnie Bostock (Jason Priestley), um ídolo das adolescentes americanas. Fascinado pelo rapaz, Giles pouco a pouco se sente aguçado a desbravar sua trajetória profissional e principalmente fatos sobre a vida íntima. Ele enfrenta a ironia do bilheteiro do cinema para encarar mais uma sessão da comédia, passa a bisbilhotar as bancas de jornal em busca de revistas que tragam ao menos uma nota sobre o ator e enquanto monta uma pasta de arquivos com tudo referente a ele até se imagina participando de um fútil programa de perguntas sobre a vida de celebridades respondendo a tudo de forma rápida e correta. O autor até decide comprar um videocassete para se deleitar com os vários filmes do galã no aconchego de seu lar, o que o obriga a ceder e adquirir uma televisão. O gosto por assistir repetidas vezes um mesmo filme para admirar um ídolo inclusive se transforma em objeto de estudo em uma de suas palestras e aqueles que conhecem o escritor tem a certeza de que ele está perturbado, só não sabem as razões. Ao descobrir que Ronnie mora em Chesterton, em Long Island nos EUA, Giles impulsivamente decide viajar para conhecê-lo, mas seu interesse não é de um simples fã. Ele está apaixonado.

Para se aproximar de Ronnie, o escritor faz amizade com Audrey (Fiona Loewi), a namorada do ator que se entusiasma ao saber que ele é famoso na Inglaterra. Na verdade o rapaz é apenas mais um rostinho bonito cujo nome se perde na rapidez dos créditos finais de um filme, mas Giles inventa seu sucesso e se aproxima com a desculpa que sua afilhada é fanática por ele. Com os encontros, a paixão do intelectual aumenta ainda mais ao perceber que o jovem não é um deslumbrado com a fama e tem consciência de que se continuar realizando fitas bobocas de ação ou comédia jamais seria considerado um bom ator. O que era para ser uma viagem de poucos dias acaba se estendendo com a desculpa que Giles lhe escreveria um roteiro digno que não frustraria as fãs adolescentes, mas que traria conteúdo relevante como forma de abrir as portas para sua carreira no cinema europeu. O tempo extra serve para o autor se aproximar ainda mais de seu alvo e envenenar sua relação com a namorada. Sentindo-se rejuvenescido e com poder de sedução, Giles está certo que seu amor será correspondido. Com roteiro e direção de Richard Kwietniowski, em sua estreia mostrando competência e elegância, Amor e Morte é inspirado no romance “Love and Death on Long Island” de Gilbert Adair. De forma econômica e cadenciada, o diretor vai construindo um eficiente drama que subverte expectativas. O amor obsessivo de um homem maduro por um rapaz mais jovem poderia render cenas polêmicas e se a diferença de idade para um relacionamento ainda causa discussões, imagine então quando a situação envolve homossexuais. Por decidir manter essa paixão latente enclausurada em um pequeno núcleo, além de não cair na tentação de criar cenas fetichistas entre homens, Kwietniowski não se aprofunda na polêmica situação, assim como também não explora ao máximo o contraste entre o universo intelectual de um e o da futilidade no qual o outro é obrigado a viver, o que acaba enfraquecendo o conjunto. De qualquer forma, um produto atípico e acima da média. Não por acaso uma opção mais adequada a mentes evoluídas mesmo com a presença do galãzinho da série “Barrados no Baile” cujo nome certamente não agrega valor à fita. Em todo caso, seu desempenho está adequado à proposta de uma obra provocativa, mas que não agride ninguém.

Drama - 90 min - 1997

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